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PsiO Preço do Tempo

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PSICOLOGIA SOCIAL
Resenha 
Título:	O Preço do Amanhã
Filme: Ficção Científica - EUA
Ano: 2011
Direção: Andrew Niccol
Duração: 101 minutos
“O Preço do Amanhã” se passa em uma sociedade na qual as pessoas crescem até os 25 anos e ganham mais um ano de vida para desenvolver e conseguir mais tempo por si mesmos. O filme conduz a uma reflexão profunda, de desigualdade de classes, justiça e inversão de valores, mostrando uma a sociedade indiferente aos acontecimentos, que fecha os olhos e vira para o lado diante das atrocidades que acontecem.
Nota-se, pesadamente uma crítica à sociedade capitalista, a semelhança entre o filme e a nossa realidade, nesse processo de “tempo é dinheiro”. Uma crítica ao sistema econômico atual, destacando-se a desigualdade social, onde muitos tendo pouco em detrimento de que poucos tenham muito.
As classes divididas em concentração de riquezas, no caso do filme “tempo”, onde poucos podem viver eternamente, e a grande maioria deve se sacrificar para conseguir o próximo dia de vida. Podemos notar nesse processo a alienação do trabalhador vivendo o hoje pra garantir a sobrevivência do amanhã.
Dentro deste contexto fica evidente a segregação social entre pobres e ricos dentro do espaço de duas cidades distintas. Na parte dos ricos, as pessoas estão sempre serenas, sem correria, pois possuem todo o tempo do mundo, não havendo motivo para correr. Já no lado dos pobres, as pessoas estão sempre com pressa, pois precisam correr para sobreviver.
Os mais pobres são impedidos de chegarem ao centro de poder e riqueza da sociedade devido aos pedágios que cobram anos de vida a cada vez que param. Essas fronteiras invisíveis que separam os espaço dos ricos e dos pobres e as dificuldades de fazer essa longa caminhada.
Sendo a morte que iguala todos os seres vivos e fazendo um paralelo em relação à saúde e à qualidade de vida com o mundo real, as pessoas mais ricas têm acesso a saúde de qualidade, portanto, prolongam suas vidas e não havendo mais a possibilidade de morte encontramos uma outra forma cruel de distinção social, a de que somente os ricos terão possibilidade de viver para sempre.
Essa relação pode ser reconhecida tanto no custo de caros tratamentos de saúde, quanto a falta de acesso a saneamento básico, vacinas e remédios que as pessoas de baixa renda encontram, por exemplo.
No filme, a classe rica não envelhece, mas é entediada com a vida e não se permitem viver livremente. Uma frase de uma personagem no filme, a frase retrata fielmente essa tese: “os pobres morrem e os ricos não vivem”. O personagem que doou seu tempo para o protagonista coloca em dúvida a sua realidade “para poucos serem imortais, muitos precisam morrer” justificando por que taxas e preços sobem tanto: nem todos podem viver para sempre, pois não haveria espaço para tantos, justificado assim o controle populacional para combater a superpopulação.
Todos viveriam bem e sem a pressa se os ricos, que possuem maiores riquezas fizessem doações/contribuições para as pessoas que não possuem tanto e tudo iria funcionar melhor, haveria mais espaço e ninguém teria seu “tempo” esgotado.
Em alguns momentos do filme é possível notar a exaltação da meritocracia, discutindo-se a diferença entre as classes ser justa ou injusta, bem como se afirma que o próximo passo, a evolução, sempre foi injusto e que o mais adaptado sempre sobrevive. Para diversas pessoas nessa sociedade, a falta de oportunidades de muitos e o privilégio de poucos não é questionada, de modo que os personagens aceitam essa dinâmica, já está “enraizado na humanidade”.
O tempo na sociedade atual transformou-se em um processo de seleção natural, para o homem que vive na pressa de cada dia. Uma mercadoria que pode ser comprada, vendida e medida como qualquer outro produto, delimitando o ritmo da vida do ser humano. 
A riqueza de poucos beneficia a sociedade inteira se houver a distribuição justa e igualitária, já a riqueza de algumas pessoas, quando não beneficia outros indivíduos apenas gera uma concentração de renda maior trazendo maiores dificuldades para as classes mais baixas. O que nos leva a refletir sobre os benefícios e malefícios do liberalismo econômico e das engrenagens do capitalismo.
A distribuição de renda injusta aumenta assustadoramente a distância entre aqueles que estão no topo da hierarquia social perante os que estão na base.
Dessa forma podemos refletir sobre como as soluções apresentadas para problemas da humanidade, normalmente, são antiéticas e trazem sofrimento aos mais pobres. Os recursos existem, o que não existe é a justa distribuição de renda e a valorização do trabalho pelo capital. A realidade social apresentada hoje traz consigo grupos e classes que permanecem exercendo os papéis de mandante e mandado, sendo que sempre o mais forte exerce poder impondo os demais as suas ideologias. As desigualdades nas condições de vida das pessoas passam pelas condições sociais, materiais e culturais. A argumentação entre os grupos sociais oportuniza que haja evolução partindo da idéia inicial de que os conhecimentos diversos criam caminhos para que se fuja de conceitos absolutos. De certa forma a própria cultura é formada pela pluralidade e incentivada pelo diferente.
. Quando compramos alguma coisa, não pagamos com dinheiro, pagamos com tempo de vida que aplicamos para gastar aquele dinheiro.: 
“Tudo se compra menos a vida.
A vida se gasta.”
(José Mujica – Entrevista para Humans Project)