Custo_de_Capital
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Administração Financeira e Orçamentária II		
CUSTO DE CAPITAL
	Capital é o total de recursos próprios ou de terceiros que financiam as necessidades de longo prazo da empresa.
	Custo de capital, K, é a taxa mínima de retorno que se exige para aprovar propostas de investimento de capital sem diminuir o valor da empresa. Pode ser entendido também como a remuneração a ser feita aos emprestadores e acionistas por disponibilizarem recursos financeiros para a empresa.
	De natureza distinta, os emprestadores colocam seus recursos com a expectativa de tê-los de volta num determinado momento no futuro, ao passo que os acionistas aplicam seus recursos por um tempo indeterminado, sendo que ambos têm avaliações e retornos distintos.
	A teoria de custo de capital fundamenta-se nos conceitos de risco e retorno, e, para isso, procura separar os efeitos que a exposição ao risco provoca sobre a taxa de retorno exigida pelos investidores e pelas instituições financeiras em duas categorias: risco de negócio e risco financeiro.
	Risco de negócio é o risco que a empresa corre de não gerar receitas suficientes para cobrir seus gastos operacionais.
	Risco financeiro é o risco que a empresa corre por utilizar capital de terceiros.
Custo de capital de terceiros (Kj)
	É o custo de tomar recursos emprestados, após o imposto de renda.
	O custo de capital de terceiros de longo prazo pode ser representado pela seguinte equação:
Kj= (Klr + Prn + Prf) x (1-IR)
Kj = Custo de Capital de terceiros após o imposto de renda; Klr = Taxa de um ativo livre de risco; Prn = Prêmio de risco de negócios; Prf = Prêmio de risco financeiro; IR = Imposto de Renda
Exemplo: A LG empreendimentos tomou empréstimos ano passado ao custo de 27% ao ano. Na época, o custo de financiamento livre de risco (SELIC- juros de papéis do governo) era de 20%; o prêmio de risco de negócios 3% e o prêmio de risco financeiro 4%. Neste ano, as taxas SELIC caíram para 19% ao ano, e sua classificação de risco junto ao mercado melhorou muito, sendo que o prêmio de risco de negócios caiu para 2% e o prêmio de risco financeiro caiu para 1%. A taxa de imposto de renda da empresa é de 34%. O custo de financiamento da LG hoje seria:
Kj = (19+2+1) x (1-0,34) = 14,52%
Quando a empresa contrata um financiamento qualquer, o custo desse dinheiro deve ser determinado pela TIR do fluxo de caixa gerado.
Exemplo:
Esta mesma empresa tomou emprestado um financiamento bancário de R$ 5.000.000,00 por um prazo de dois anos, à taxa de 22% a.a.. Contudo, o banco cobrou uma taxa de 1% sobre o capital, como taxa de administração no início da operação. Considerando a taxa de Imposto de Renda de 34%, calcule o custo de capital de terceiros:
22% x (1-0,34) = 14,52% (custo de financiamento)
R$ 5.000.000,00 x 0,1452 = R$ 726.000,00 (juros) (Saída de caixa)
R$ 5.000.000,00 x 0,01 = R$ 50.000,00 (taxa de administração) (saída de caixa)
R$ 5.000.000,00 \u2013 R$ 50.000,00 = R$ 4.950.000,00 (Valor líquido recebido pela empresa) (entrada
			
Os fluxos de caixa associados ao empréstimo são os seguintes:
Final do (s) ano (s)		Fluxo de caixa
R$ 4.950.000,00
1				- R$ 726.000,00
2				- R$ 5.726.000,00
Cálculo TIR na HP = 	 4.950.000 chs g CF0
		 	 726.000 g CFj	
		 	 5.726.000 g CFj
				 f IRR = 15,14% Este é o custo de capital de terceiros desta fonte
Custo de capital das Debêntures após o Imposto de Renda (Kd)
	Os empréstimos de longo prazo das grandes empresas, geralmente, são feitos através das emissões de obrigações ou títulos de dívida (Debêntures).
Exemplo de Custo de capital de Terceiros com emissões de Debêntures
A Empresa ABC estuda a possibilidade de vender obrigações (Debêntures) com prazo de 20 anos e taxa de juros 9%a.a., com valor nominal de R$ 1000. Como outras obrigações com risco semelhante rendem mais do que 9% no mercado, a empresa deve vender os títulos por R$ 980 para compensar os juros mais baixos. Os custos de lançamento dos títulos correspondem a 2% do valor nominal, ou seja, R$ 20. Os recebimentos líquidos para a ABC com a venda de cada obrigação são, portanto, iguais a R$ 960 (R$ 980 \u2013 R$ 20).
	Os fluxos de caixa associados à emissão das obrigações pela ABC são os seguintes:
Final do (s) ano (s)		Fluxo de caixa
R$ 960
1 até 20				- R$ 90
20				- R$ 1.000
A entrada inicial de R$ 960 é seguida por saídas anuais de juros de R$ 90 (cupom de 9% X o valor de face de R$ 1.000) durante o prazo de vinte anos da obrigação. No ano 20, além do pagamento dos juros, ocorre uma saída de R$ 1.000 (a devolução do principal). Podemos determinar o custo dessa dívida calculando a TIR, ou seja, a taxa de desconto que iguala o valor presente das saídas à entrada inicial.
		Também podemos encontrar o custo através da fórmula da aproximação.
TIR : Usando da HP-12c
f 	CLX
960		CHS PV
90		PMT
1000		FV
20		n
i
Resultado = 9,452 %
Fórmula da aproximação do custo = I + M - Nd
						Kd = n..... 
							 Nd + M
							 2
Kd= Custo da Debênture antes do Imposto de Renda
I= juros pagos em R$
M= valor de face ou nominal
Nd = recebimento líquido com a venda das obrigações
n = número de anos até a data de vencimento
Supondo um imposto de renda com alíquota de 40%, podemos agora calcular o custo de capital de terceiros da empresa para esta fonte de financiamento:
Kj = Kd x (1-T)
Kj = 9,45% x (1-0,40) = 5,67%
Kj= Custo de capital de terceiros após o imposto de renda
T = Alíquota do IR
	
Custo de capital próprio 
	O capital próprio é obtido por meio da venda de ações preferenciais e ordinárias e, ainda, com lucros retidos. Uma empresa precisa manter equilíbrio entre o capital próprio e o capital de terceiros.
Custo da emissão de novas ações preferenciais (Kp)
	O custo da ação preferencial , Kp, é o custo de hoje levantar fundos utilizando esse instrumento.
Kp = Dp ÷ Np
Kp= custo da ação preferencial
Dp= dividendo anual preferencial
Np= recebimentos líquidos, descontados quaisquer despesas de emissão, da venda da ação preferencial.
Exemplo: A empresa ABC espera emitir ações preferenciais com dividendos a 10% do valor de face, que é de R$ 87. Os custos de emissão e venda está previsto em R$ 500 por ação. Qual o custo de captação de recursos através da emissão de ações preferenciais?
Np= 87-5 = R$ 82
Dp= 87 x 0,10 = R$ 8,70
Kp= 8,70 ÷ 82 = 0,106 = 10,6 %
Custo da emissão de novas ações ordinárias (Ko)
	O custo das novas emissões de ações ordinárias, Kn, é determinado calculando-se o custo da ação ordinária após considerar o montante de deságio, quando for o caso, e de colocação subscrição das ações.
Modelo de avaliação com crescimento constante
Ko = (D1 ÷ No) + g
Ko= Custo de emissão de novas ações ordinárias
D1= Dividendo a ser pago no próximo período
No= Recebimento líquido pela venda da ação
g = Taxa anual de crescimento
Exemplo: A empresa ABC, citada nos exemplos anteriores, deseja determinar seu custo de emissão de novas ações ordinárias, Ko. O preço de mercado de sua ação ordinária, atualmente, é igual a R$ 50, podendo ser vendida com um deságio de R$ 3, ou seja, por R$ 47. Além disso, existe um custo de emissão no valor de R$ 2,50 por ação. A empresa espera pagar um dividendo, D1, de R$ 4 no final do ano, 2011. Os dividendos pagos aos acionistas nos últimos seis anos foram:
Ano	dividendo R$
2010	3,80
2009	3,62
2008	3,47
2007	3,33
2006	3,12
2005	2,97
Calcule o custo da emissão de novas ações ordinárias:
g= 5% (cálculo com uso da tabela financeira ou HP \u2013 12c)
No = 47,00 \u2013 2,50 = R$ 44,50
Ko= (4 ÷ 44,5) + 0,005= 0,13988 = 14%
Custo Médio Ponderado de Capital (Ka)
	Uma vez conhecido o custo das fontes específicas de financiamento, pode-se calcular o Custo Médio Ponderado de Capital (CMePC) ou Ka. Esse cálculo é feito multiplicando-se o custo específico de cada forma de financiamento por sua proporção na estrutura de capital da empresa e somando-se os valores