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[23 02 2021] Imunidade e Transplante

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Carlos Eduardo Campos Mendes T5 Medicina 
 
Universidade Nove de Julho Campus São Bernardo do Campo 
 
23.02.2021, terça-feira 
Imunidade e Transplante 
Imunologia 
 
Transplante 
 
• Transplante é a retirada de células, tecidos 
ou órgãos (enxerto) de um indivíduo 
(doador) e sua inserção em outro indivíduo 
(receptor/hospedeiro) ou em si mesmo 
(receptor-doador). 
 
Tipos de Enxerto 
 
• Auto-enxerto (autólogo) → Quando o 
enxerto inserido no receptor é dele mesmo 
(receptor-doador); 
↳ É 100% compatível; 
↳ Exemplos: Enxertos de pele autólogos, 
enxertos ósseos autólogos. 
 
• Isoenxerto (singênico) → Quando o 
enxerto inserido no receptor provém de um 
doador com o mesmo genoma; 
↳ Também é 100% compatível; 
↳ Exemplo: Transplante de enxertos 
entre gêmeos univitelinos. 
 
• Aloenxerto (alogênico) → Quando o 
enxerto inserido no receptor provém de um 
doador de mesma espécie, porém com 
genoma diferente; 
↳ NÃO é 100% compatível; 
↳ Os antígenos nesse tipo de enxerto são 
chamados de aloantígenos. 
↳ Exemplos: Transplante de órgãos entre 
membros da mesma família, ou ainda, 
entre um receptor e um doador 
desconhecidos 
 
• Xenoenxerto (xenogênico) → Quando o 
enxerto inserido no receptor provém de um 
doador de espécie diferente. 
↳ Exemplo: Transplante de rim suíno 
(ainda em estudo). 
 
 
Aloantígenos 
 
• MHC (Major Histocompatibility Complex): 
↳ MHC de Classe I → Presente em 
todas as células nucleadas, inclusive 
nas células aprese 
↳ MHC de Classe II → Presente em 
todas as células apresentadoras de 
antígeno; 
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Carlos Eduardo Campos Mendes T5 Medicina 
 
Universidade Nove de Julho Campus São Bernardo do Campo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
• Ambas as moléculas de MHC são 
codificadas pelos genes HLA (Human 
Leukocitary Antigen), Lócus: 6p, que são 
extremamente polimórficos: 
↳ Genes que codificam o MHC: 
 MHC I → Codificado pelos genes 
HLA-A, HLA-B e HLA-C; 
 MHC II → Codificado pelos 
genes HLA-DR, HLA-DQ, HLA-DP; 
 
 
 
 
 
 
↳ Portanto, o MHC de cada indivíduo é 
sua identidade molecular; 
↳ Durante o transplante, é necessário 
fazer o pareamento (identificar a 
sequência de nucleotídeos) do HLA 
entre o doador e o receptor. 
 
• Peptídeos do enxerto (Complexo Menor de 
Histocompatibilidade) → Que podem ou 
não ser expressos via MHC de classe I pelas 
células do enxerto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
↳ Por mais que a sequência de 
nucleotídeos de ambos os indivíduos 
seja muito, muito, muito parecida, ainda 
há uma possibilidade de rejeição por 
conta desses peptídeos. 
 
Doador E receptor 
 
• Doador → É o indivíduo o qual o enxerto é 
retirado; 
 
• Receptor → É o indivíduo o qual recebe o 
enxerto. 
 
 
 
Rejeição 
 
• É a resposta imunológica adaptativa contra 
o enxerto; 
 
Mecanismo de apresentação de antígenos através das moléculas de MHC 
DP DQ DR B C A 
Lócus do MHC de classe II Lócus do MHC de classe I 
Carlos Eduardo Campos Mendes T5 Medicina 
 
Universidade Nove de Julho Campus São Bernardo do Campo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
↳ Possui característica de memória e 
especificidade, pois é mediada pelos 
linfócitos alorreativos e anticorpos, 
com intensa atividade inflamatória. 
 
• Dependendo dos componentes 
autorreativos, as reações de rejeição podem 
ser classificadas em diferentes tipos. 
 
Componentes Alorreativos 
 
• Linfócitos T → Formam a imunidade 
adaptativa celular; 
↳ Linfócito T CD4+ → Produz citocinas 
que induzem ou suprimem diversas 
respostas imunes (inflamação, resposta 
antiviral); 
↳ Linfócito T CD8+ → Induzem apoptose 
de células na qual ele detecta os 
aloantígenos, via perforinas e 
granzimas (citotoxicidade); 
 
• Linfócitos B → É a célula da imunidade 
adaptativa humoral; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
↳ Quando ativados, se diferenciam em 
plasmócitos e produzem anticorpos; 
 
• Anticorpos → Glicoproteínas produzidas 
pelos plasmócitos que marcam os 
aloantígenos, induzindo ativação do 
complemento, inflamação, degranulação de 
granulócitos e outros processos imunes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Componentes alorreativos 
 
Enxerto tolerado 
0 10 60 120 
Pele enxertada em um 
receptor singênico 
MHCa 
MHCa 
O enxerto é rapidamente 
rejeitado 
0 10 60 120 
Pele enxertada em um 
receptor alogênico 
MHCa 
MHCb 
O enxerto é lentamente 
rejeitado 
0 10 60 120 
Pele enxertada em um 
receptor compatível com o 
antígeno H menor 
MHCa 
MHCa 
Dias após o enxerto 
0 
50 
100 
% de 
sobrevivência 
do enxerto 
Apesar do pareamento complexo do MHC não assegura a sobrevivência do enxerto, 
ele aumenta a vida útil do enxerto. 
Linfócito T CD4+ Linfócito T CD8+ 
Linfócito B Plasmócito 
Anticorpos 
Carlos Eduardo Campos Mendes T5 Medicina 
 
Universidade Nove de Julho Campus São Bernardo do Campo 
 
Reconhecimento dos Aloantígenos pelos 
Linfócitos Autorreativos 
 
• Reconhecimento direto → Ocorre quando 
os LINFÓCITOS do receptor reconhecem 
diretamente os MHCs do doador; 
↳ As células dendríticas (ou outra APC) 
do ENXERTO, com seus próprios MHCs, 
migram para os linfonodos do doador, 
ativando os Linfócitos T CD4+ e T CD8+; 
↳ Os Linfócitos migram através dos 
vasos linfáticos em direção ao enxerto; 
↳ Ao chegar no enxerto, o L TCD4+ produz 
citocinas pró-inflamatórias e o L TCD8+ 
induz apoptose das células; 
↳ O L TCD4+ também ativa o Linfócito B 
via T-dependente e inicia a resposta 
adaptativa humoral com maturação da 
afinidade e mudança de isotipo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
• Reconhecimento indireto → Ocorre 
quando as CÉLULAS DENDRÍTICAS do 
organismo receptor ativam os linfócitos 
autorreativos contra o enxerto. 
↳ As células dendríticas (ou outra APC) 
do RECEPTOR processa os 
aloantígenos (MHCs, peptídeos), os 
processa e migra para o linfonodo mais 
próximo; 
↳ Essas células ativam o Linfócito T CD4+ 
e o Linfócito T CD8+; 
↳ A sequência final é a mesma do 
reconhecimento direto; 
 Os linfócitos migram para o 
enxerto; 
 O Linfócito T CD4+ ativa o 
Linfócito B e ocorre ativação da 
imunidade adaptativa humoral via 
T-dependente; 
 Os Linfócitos T CD8+ induzem 
apoptose das células do enxerto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Carlos Eduardo Campos Mendes T5 Medicina 
 
Universidade Nove de Julho Campus São Bernardo do Campo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tipos de Rejeição 
 
• Rejeição hiperaguda → Atinge apenas o 
endotélio; 
↳ Acontece de minutos a horas; 
↳ É necessária a presença de anticorpos 
pré-formados; 
 Anticorpos pré-formados 
alorreativos são comuns em 
mulheres de gestações múltiplas, 
transfusão sanguínea prévia, 
transplante prévio etc. 
↳ Os anticorpos ativam o sistema 
complemento, induzido a citólise via 
MAC e inflamação por quimiotaxia 
decorrente da cascata de clivagem das 
proteínas do complemento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
• Rejeição aguda → Atinge tanto o endotélio 
quanto no parênquima do órgão; 
↳ Acontece de dias, a semanas, a alguns 
meses; 
↳ É premeditado pelos reconhecimentos 
primário e secundário; 
 As células endoteliais não são 
APCs, mas expressam MHC de 
classe II. 
↳ O Linfócito T CD8+ causa apoptose das 
células endoteliais, e a rejeição se 
espalha pelo parênquima do órgão; 
↳ O Linfócito T CD4+ ativa o Linfócito B 
e ocorre a produção de anticorpos. 
 
 
 
Carlos Eduardo Campos Mendes T5 Medicina 
 
Universidade Nove de Julho Campus São Bernardo do Campo 
 
• Rejeição crônica → Também atinge o 
endotélio, mas nela ocorre fibrose, oclusão, 
trombose. 
↳ Demora de muitos meses a anos; 
↳ Os Linfócitos T CD4+ ativados 
produzem citocinas que estimulam a 
proliferação das células de músculo 
liso da túnica média do vaso; 
↳ Essa reação ocorre porque as APCs do 
doador são finitas,

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