A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
212 pág.
Técnicas retrospectivas, restauração e patrimônio histórico

Pré-visualização | Página 1 de 48

K
LS
TÉC
N
IC
A
S RETRO
SPEC
TIVA
S, RESTA
U
RA
Ç
Ã
O
 E PATRIM
Ô
N
IO
 H
ISTÓ
RICO
Técnicas 
retrospectivas, 
restauração 
e patrimônio 
histórico
Ana Teresa Cirigliano Villela
Técnicas retrospectivas, 
restauração e patrimônio 
histórico
2017
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041-100 — Londrina — PR
e-mail: editora.educacional@kroton.com.br
Homepage: http://www.kroton.com.br/
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
 Villela, Ana Teresa Cirigliano 
 
 ISBN 978-85-522-0200-4
 1. Arquitetura – Conservação e restauração. 2. 
 Patrimônio – Proteção cultural. I. Título.
 CDD 720.288 
histórico / Ana Teresa Cirigliano Villela. – Londrina : Editora e 
Distribuidora Educacional S.A. 2017.
 208 p.
V735t Técnicas retrospectivas, restauração e patrimônio
© 2017 por Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer 
modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo 
de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e 
Distribuidora Educacional S.A.
Presidente
Rodrigo Galindo
Vice-Presidente Acadêmico de Graduação
Mário Ghio Júnior
Conselho Acadêmico 
Alberto S. Santana
Ana Lucia Jankovic Barduchi
Camila Cardoso Rotella
Cristiane Lisandra Danna
Danielly Nunes Andrade Noé
Emanuel Santana
Grasiele Aparecida Lourenço
Lidiane Cristina Vivaldini Olo
Paulo Heraldo Costa do Valle
Thatiane Cristina dos Santos de Carvalho Ribeiro
Revisão Técnica
Elena Furlan da França
Marcelo Carlucci
Editorial
Adilson Braga Fontes
André Augusto de Andrade Ramos
Cristiane Lisandra Danna
Diogo Ribeiro Garcia
Emanuel Santana
Erick Silva Griep
Lidiane Cristina Vivaldini Olo
Unidade 1 | Conceitos e origens da preservação do Patrimônio 
Histórico
Seção 1.1 - A restauração como disciplina
Seção 1.2 - Preservação patrimonial nos séculos XIX e XX
Seção 1.3 - Patrimônio histórico e tendências contemporâneas
7
10
27
46
Sumário
Unidade 2 | Teorias Modernas de intervenção em restauro
Seção 2.1 - Iniciativas preservacionistas no contexto brasileiro
Seção 2.2 - Preservação do patrimônio brasileiro: perspectivas recentes
Seção 2.3 - Reconhecimento do objeto arquitetônico
63
65
82
100
Unidade 3 | Projeto de conservação e restauro
Seção 3.1 - Levantamento de dados em bens arquitetônicos de 
interesse histórico
Seção 3.2 - Análise de dados e preservação patrimonial
Seção 3.3 - Projeto de conservação e restauração
115
117
131
144
Unidade 4 | O projeto de restauro e a ampliação da escala de preservação
Seção 4.1 - Execução de obra em bem histórico-arquitetônico
Seção 4.2 - Patrimônio urbano
Seção 4.3 - O patrimônio histórico na contemporaneidade
163
165
176
192
Patrimônio Histórico: o espelho que reflete uma nação (ou parte 
dela), como diria Otília Arantes (2000). O sujeito de uma alegoria, como 
afirmaria Françoise Choay (2006). Muito além de sua materialidade, 
o patrimônio é a metáfora de um passado que toca o sentimento 
de um povo, lembrando-o de seu passado. Iniciaremos este livro 
didático com uma abordagem teórica cujo objetivo é proporcionar 
a você as bases para uma reflexão crítica acerca das diversas práticas 
preservacionistas hoje adotadas.
Na Unidade 1, faremos um percurso até o século XV, quando 
houve o despertar do interesse pelas ruínas do passado. Passaremos 
pela fase dos antiquários, no século XVIII, que refletiu uma nova 
postura em relação aos monumentos antigos, até chegarmos na 
produção teórica do século XIX de John Ruskin, Viollet-le-Duc e 
Camillo Boito. O século XX marcou o início do estabelecimento de 
diretrizes preservacionistas em nível internacional, constantemente 
atualizadas por meio das chamadas Cartas Patrimoniais.
Na Unidade 2, vamos conhecer o desenvolvimento da noção 
de preservação do patrimônio nacional. Retomaremos o panorama 
histórico do Brasil Império, quando foram feitas as primeiras 
iniciativas em favor da “invenção” da memória brasileira. Passaremos 
também pelas políticas do governo republicano de apagamento do 
passado colonial, chegando aos anos de 1920, quando ganharam 
força os movimentos de valorização da arquitetura colonial. Em 
consonância às discussões internacionais, o século XX assistiu a uma 
ampliação do rol de arquiteturas consideradas históricas, passando a 
integrar nosso patrimônio também edificações ecléticas, industriais, 
ferroviárias e modernas.
Ciente da sobreposição de épocas, presente em determinado 
edifício ou sítio, é preciso dar a conhecer metodologias de 
reconhecimento do objeto histórico para subsidiar projetos de 
conservação e restauro, o que veremos na Unidade 3. Imagine que 
você vai lidar com um edifício que guarda anos de história. Como 
identificar as inúmeras técnicas com as quais ele foi construído? 
Como conhecer os materiais nele utilizados? Como distinguir 
a construção original das reformas posteriores? Em que ordem 
Palavras do autor
cronológica tais modificações foram feitas e por quem? Não basta 
produzir peças gráficas – plantas, cortes e elevações – sem que elas 
estejam articuladas ao conhecimento histórico do bem. 
Por fim, a Unidade 4 dá continuidade ao projeto de intervenção 
sobre edificações de interesse histórico, além de discutir questões 
contemporâneas relacionadas ao patrimônio cultural, sobretudo a 
exploração do mesmo pelas mídias e pelo turismo.
A dimensão cultural do patrimônio construído tem indiscutível 
papel no cotidiano de nossas cidades e, infelizmente, o cenário hoje 
vivido em nosso país não é dos mais favoráveis. Vemos uma série de 
iniciativas de nossos órgãos de preservação, nem sempre eficazes, 
e a população, em geral, considera as “casas velhas” empecilhos 
à modernização urbana e ao capital imobiliário. Essa visão, 
completamente equivocada, tem suas raízes na escassa formação 
cultural. Por isso, você, como futuro arquiteto, precisa reconhecer 
a importância de nosso passado construído e ter consciência de seu 
papel para a preservação da cultura brasileira.
Conceitos e origens 
da preservação do 
Patrimônio Histórico
Convite ao estudo
Atualmente, é frequente ouvirmos expressões como “bens 
tombados”, “patrimônio mundial”, “monumentos históricos”, 
mas muitas vezes seus conceitos não são claros porque 
desconhecemos suas origens e os contextos nos quais 
foram forjados. A Unidade 1 dá a conhecer a trajetória dessa 
alegoria chamada Patrimônio Histórico, resgatando-o desde os 
anos de 1400. Do monumento ao patrimônio cultural: serão 
elucidados os conceitos pertinentes a cada uma das expressões 
utilizadas desde então, para definir as heranças do passado cuja 
preservação se preza no presente. Uma vez firmadas as questões 
conceituais fundamentais à aproximação proposta por esta 
disciplina, estudaremos a influência que a Arqueologia teve, 
no século XVIII, sobre a preservação do patrimônio histórico 
arquitetônico, que se estende até os dias de hoje. 
No adentrar do século XIX, surgiram as primeiras reflexões 
acerca da conservação e restauração de edificações antigas. O 
movimento romântico tomaria as rédeas em prol da valorização 
das paisagens medievais, que aos poucos iam sendo substituídas 
pelas indústrias que começavam a se instalar por toda a Europa. 
Os ingleses John Ruskin e William Morris foram os nomes de 
destaque em defesa da pura conservação dos monumentos 
do passado, dado seu caráter sublime, enquanto que, em Paris, 
Viollet-le-Duc encabeçava a chamada restauração estilística.
A terceira via entre essas linhas de preservação antagônicas 
seria encontrada na teoria de Camillo Boito, que, além de 
defender o respeito ao caráter antigo das obras, afirmava 
que qualquer intervenção deveria ser pautada em critérios de 
Unidade 1
reversibilidade e distinguibilidade.

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.