Teoria Geral dos Contratos

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Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 - 2008 
 

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Teoria Geral dos Contratos 
 

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Mestre em Direito das Relações Sociais, sub-área Direito Empresarial, pela Pontifícia Universidade 
Católica de São Paulo, Coordenadora e Professora do Curso de Pós-Graduação da Faculdade de 
Direito de Itu e Professora de Direito Empresarial, Direito do Consumidor e Mediação e Arbitragem da 
Faculdade de Administração e Ciências Contábeis de São Roque. Advogada. 

 

 

1. Introdução 
A presente pesquisa tem por objetivo apresentar a teoria geral dos contratos 

iniciando-se com a origem etimológica e conceito de contrato, seguindo-se para os 
princípios gerais dos contratos, sua função social e boa-fé objetiva. Posteriormente 
apresenta-se a classificação dos contratos, sua formação e lugar, defeitos na 
formação e extinção dos contratos. Em um próximo tópico faz-se referência ao 
contrato preliminar, as arras, aos vícios redibitórios e a evicção seguindo-se para as 
conclusões.   

A metodologia de apresentação está dividida em tópicos, sendo que no 
primeiro, apresenta-se a origem etimológica e conceito de contrato, seguindo-se para 
os princípios gerais dos contratos, sua função social e boa-fé objetiva. 
Posteriormente apresenta-se a classificação dos contratos, sua formação e lugar, 
defeitos na formação e extinção dos contratos. Em um próximo tópico faz-se 
referência ao contrato preliminar, as arras, aos vícios redibitórios e a evicção 
seguindo-se para as conclusões.   

O conteúdo descrito a seguir foi desenvolvido de forma a propiciar um fácil 
entendimento dos conceitos apresentados. 

 

2. Origem Etimológica e Conceito de Contrato 
A origem etimológica do vocábulo contrato conduz ao vínculo jurídico das 

vontades com vistas a um objeto específico. O verbo contrahere conduz a 
contractus, que traz o sentido de ajuste, convenção ou pacto, sendo um acordo de 
vontades criador de direitos e obrigações. É o acordo entre duas ou mais pessoas 



 
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para um fim qualquer. É o trato em que duas ou mais pessoas assumem certos 
compromissos ou obrigações, ou asseguram entre si algum direito. 1 

Contrato é o acordo de vontade entre duas ou mais pessoas com a finalidade 
de adquirir, resguardar, modificar, transferir ou extinguir direitos. 

Na definição de Ulpiano contrato “est pactio duorum pluriumve in idem 
placitum consensus”, que em vernáculo significa “o mútuo consenso de duas ou mais 
pessoas sobre o mesmo objeto”. 

Clóvis Beviláqua entende por contrato “o acordo de vontade de duas ou mais 
pessoas com a finalidade de adquirir, resguardar, modificar ou extinguir direito”. 2 

Para Maria Helena Diniz, “contrato é o acordo de duas ou mais vontades, na 
conformidade da ordem jurídica, destinado a estabelecer uma regulamentação de 
interesses entre as partes, com o escopo de adquirir, modificar ou extinguir relações 
jurídicas de natureza patrimonial”. 3  

Nos ensinamentos de Orlando Gomes “contrato é, assim, o negócio jurídico 
bilateral, ou plurilateral, que sujeita as partes à observância de conduta idônea à 
satisfação dos interesses que regularam”. 4 

Na concepção moderna contrato é negócio jurídico bilateral que gera 
obrigações para ambas as partes, que convencionam, por consentimento recíproco, 
a dar, fazer ou não fazer alguma coisa, verificando, assim, a constituição, 
modificação ou extinção do vínculo patrimonial.  

 

3. Princípios Gerais dos Contratos 
A validade do contrato exige acordo de vontades, agente capaz, objeto lícito, 

possível, determinado ou determinável e forma prescrita ou não defesa em lei.   
Incidem sobre os contratos três princípios básicos: 
a) Autonomia da vontade: significa a liberdade das partes de contratar, de 

escolher o tipo e o objeto do contrato e de dispor o conteúdo contratual de acordo 
com os interesses a serem auto-regulados. 

                                                 

1
 LARROUSE. Grande Enciclopédia Larousse Cultura, Nova Cultural, vol. 7, 2004. p.1598. 

2
 BEVILÁQUA, Clóvis. Código civil anotado, vol. 4,  Rio de Janeiro: Francisco Alves,1916. p. 245. 

3
 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro. vol. 3. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 30. 

4
 GOMES,Orlando. Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2007, p. 10.  



 
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b) Supremacia da ordem pública: significa que a autonomia da vontade é 
relativa, sujeita à lei e aos princípios da moral e da ordem pública. 

c) Obrigatoriedade do contrato: significa que o contrato faz lei entre as partes. 
Dever da veracidade, pacta sunt servanda. Os contratos devem ser 

cumpridos. 
“Ninguém é obrigado a tratar, mas se o faz, é obrigado a cumprir”. 
“Pode calar-se ou falar. Mas se fala, e falando promete, a lei o constrange a 

cumprir tal promessa”. 
Não pode ser objeto de contrato herança de pessoa viva. O distrato faz-se 

pela mesma forma que o contrato. 
 

4. Função Social do Contrato 
Da mesma forma que constitucionalmente previsto para a propriedade, a 

"liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do 
contrato" (art. 421, CC-02). 

Trata-se, sem sombra de dúvida, do princípio básico que deve reger todo o 
ordenamento normativo no que diz respeito à matéria contratual. 

O contrato, embora aprioristicamente se refira somente às partes pactuantes 
(relatividade subjetiva), também gera repercussões e - por que não dizer? - deveres 
jurídicos para terceiros, além da própria sociedade, de forma difusa. 

É importante ressaltar, na esteira do insuperável Orlando Gomes quando 
comentava a função social da propriedade, a autonomia do princípio da função social 
(lá da propriedade, aqui do contrato); pois não se constitui em simples limitação 
normativa, mas sim da própria razão de ser de todas as outras regras contratuais, 
que devem gravitar em torno de si, o que justifica a utilização das expressões "razão" 
e "limite" do já mencionado dispositivo legal. 

 

5. Boa-Fé Objetiva 
O Código Civil brasileiro também consagrou como princípio básico regente da 

matéria contratual, a boa-fé objetiva. 



 
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É o que se extrai do novel artigo 422, que preceitua: "Os contratantes são 
obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os 
princípios de probidade e boa-fé." 

A boa-fé que se procura preservar, prestigiando-se no texto legal, é a objetiva, 
entendida essa como a exigível do homem mediano, numa aplicação específica do 
critério do "reazonable man", do sistema norte-americano. 

Não se trata, portanto, da boa-fé subjetiva, tão cara aos Direitos Reais, na 
forma do artigo 1.201 do CC-02. 

Destaque-se que, nesse aspecto, o Código Civil pode ser considerado mais 
explícito, no prestígio à boa-fé, que o próprio Código de Defesa do Consumidor, UMA 
DAS LEIS MAIS AVANÇADAS DO PAÍS, que consagra, indubitavelmente, o instituto, 
mas não dessa forma tão expressa e genérica. 

 

6. Classificação dos Contratos 
Os contratos se classificam em função de sua formação, das obrigações que 

originam, das vantagens que podem trazer para as partes, da realidade da 
contraprestação, dos requisitos exigidos para a sua formação, do papel que tomam 
na relação jurídica, do modo de execução, do interesse que tem a pessoa com quem 
se contrata, e da sua regulamentação legal ou não. 

Em face desses elementos teremos então: a) contratos consensuais e reais; 
b) contratos unilaterais e bilaterais; c) contratos gratuitos e onerosos; d) contratos 
comutativos e aleatórios; e) de execução imediata, diferida e sucessiva; f) contratos 
solenes e não solenes; g) contratos escritos ou verbais; h) contratos paritários e de 
adesão; i) contratos principais e acessórios; j) contratos típicos e nominados; e l) 
contratos