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DIREITO EMPRESARIAL APLICADO II -DUPLICATA

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(sacador), ou de seu mandatário com poderes especiais.
Parágrafo único - A assinatura do emitente ou a de seu mandatário com poderes especiais pode ser constituída, na forma de legislação específica, por chancela mecânica ou processo equivalente.
Art . 2º O título, a que falte qualquer dos requisitos enumerados no artigo precedente não vale como cheque (...).
* A ausência de requisitos essenciais não invalida o respectivo documento, mas apenas faz com que ele não configure um cheque.
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Requisitos essenciais: regras importantes.
- Ordem incondicional
Art. 15 O emitente garante o pagamento, considerando-se não escrita a declaração pela qual se exima dessa garantia.
- Quantia determinada;
Art. 10 Considera-se não escrita a estipulação de juros inserida no cheque.
Art. 12 Feita a indicação da quantia em algarismos e por extenso, prevalece esta no caso de divergência. lndicada a quantia mais de uma vez, quer por extenso, quer por algarismos, prevalece, no caso de divergência, a indicação da menor quantia.
- Sacado (banco)
Art. 3º O cheque é emitido contra banco, ou instituição financeira que lhe seja equiparada, sob pena de não valer como cheque.
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REQUISITOS 
DO CHEQUE
EXPRESSÃO “CHEQUE”
ORDEM INCONDICIONAL
NOME DO BANCO SACADO
DATA DO SAQUE E ASSINATURA DO EMITENTE
NOME BENEFICIÁRIO?
Entendimento do STJ:
A interpretação teleológica do art. 69 da Lei nº 9.069/95 indica que tal dispositivo legal foi editado à época dos denominado “Plano Collor”, tendo por escopo tão-somente possibilitar a identificação, para efeitos fiscais e tributários, dos beneficiários de cheques emitidos com valor superior a R$100,00. - A inexistência de indicação de quem é o beneficiário do cheque não obsta sua cobrança frente ao emitente, pela via judicial, desde que haja plena identificação do favorecido. Recurso especial a que se nega provimento. (Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 19/10/2009) 
Requisitos não essenciais.
Art. 1º O cheque contêm:
IV - a indicação do lugar de pagamento;
V - a indicação (...) do lugar de emissão;
Art. 2º (...)
I - na falta de indicação especial, é considerado lugar de pagamento o lugar designado junto ao nome do sacado; se designados vários lugares, o cheque é pagável no primeiro deles; não existindo qualquer indicação, o cheque é pagável no lugar de sua emissão;
II - não indicado o lugar de emissão, considera-se emitido o cheque no lugar indicado junto ao nome do emitente.
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Cheque ao portador.
Art. 8º Pode-se estipular no cheque que seu pagamento seja feito:
I - a pessoa nomeada, com ou sem cláusula expressa “à ordem”;
II - a pessoa nomeada, com a cláusula “não à ordem”, ou outra equivalente;
III - ao portador.
Parágrafo único - Vale como cheque ao portador o que não contém indicação do beneficiário e o emitido em favor de pessoa nomeada com a cláusula “ou ao portador”, ou expressão equivalente.
* Art. 69 da Lei 9.069/1995. A partir de 1º de julho de 1994, fica vedada a emissão, pagamento e compensação de cheque de valor superior a R$ 100,00 (cem REAIS), sem identificação do beneficiário.
** “A interpretação teleológica do art. 69 da Lei n.o 9.069/95 indica que tal dispositivo legal foi editado à época do denominado ‘Plano Collor’, tendo por escopo tão somente possibilitar a identificação, para efeitos fiscais e tributários, dos beneficiários de cheques emitidos com valor superior a R$ 100,00. A inexistência de indicação de quem é o beneficiário do cheque não obsta sua cobrança frente ao emitente, pela via judicial, desde que haja plena identificação do favorecido.” (REsp 908.251/SC)
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Cheque em branco ou incompleto.
Art. 16 Se o cheque, incompleto no ato da emissão, for completado com inobservância do convencionado com a emitente, tal fato não pode ser oposto ao portador, a não ser que este tenha adquirido a cheque de má-fé.
Art. 891. O título de crédito, incompleto ao tempo da emissão, deve ser preenchido de conformidade com os ajustes realizados.
Parágrafo único. O descumprimento dos ajustes previstos neste artigo pelos que deles participaram, não constitui motivo de oposição ao terceiro portador, salvo se este, ao adquirir o título, tiver agido de má-fé.
Súmula 387 do STF. A cambial emitida ou aceita com omissões ou em branco, pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto.
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Endosso no cheque.
- O cheque possui implícita a cláusula à ordem (art. 17).
- Assim como a LUG e o CC, a Lei do Cheque não admite endosso parcial ou condicional.
- Não há mais limites para endosso no cheque (só havia na época da CPMF).
- Também deve ser feito no verso do título e pode ser em branco ou em preto (arts. 19 e 20).
- Conforme a LUG (contrariamente ao CC), o endossante se torna, em regra, codevedor (art. 21).
- Aplica-se a inoponibilidade das exceções pessoais ao terceiro de boa-fé (art. 25).
- Admite-se o endosso-mandato (art. 26) e o endosso-caução (por aplicação do art. 918 do CC).
- O endosso será póstumo se for posterior ao protesto “ou declaração equivalente, ou à expiração do prazo de apresentação” (art. 27).
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Autonomia relativa.
Segundo o STJ, a submissão do cheque ao princípio da autonomia não deve ser entendida de forma absoluta, permitindo-se, em situações excepcionais, que o devedor discuta a causa debendi.
“A autonomia do cheque não é absoluta, permitida, em certas circunstâncias especiais, como a prática de ilícito pelo vendedor de mercadoria não entregue, após fraude notória na praça, a investigação da causa subjacente e o esvaziamento do título pré-datado em poder de empresa de factoring, que o recebeu por endosso” (REsp 434.433/MG).
“A autonomia e independência do cheque em relação à relação jurídica que o originou é presumida, porém não absoluta, sendo possível a investigação da causa debendi e o afastamento da cobrança quando verificado que a obrigação subjacente claramente se ressente de embasamento legal” (REsp 43.513/SP).
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Endosso-quitação.
Art. 18, § 2º Vale como em branco o endosso ao portador. O endosso ao sacado vale apenas como quitação, salvo no caso de o sacado ter vários estabelecimentos e o endosso ser feito em favor de estabelecimento diverso daquele contra o qual o cheque foi emitido.
“Uma peculiaridade, ainda vigente, no que tange ao endosso do cheque, é a existência do endosso-quitação ou endosso-recolhimento, vale dizer, o endosso feito ao sacado vale como quitação do cheque (Lei no 7.357/85 – art. 18, § 2o), salvo se for feito a estabelecimento diverso. É o que ocorre quando se faz um saque de um cheque na boca do caixa. Nesses casos, o beneficiário deverá assinar o título no verso, endossando-o ao banco. Tal endosso, contudo, não visa a transferir o crédito, mas essencialmente a provar que o cheque foi pago” (TOMAZETTE, Marlon. Curso de direito empresarial. Vol. 2. São Paulo: Atlas, 2017).
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Aval no cheque.
- Admite-se o aval parcial (art. 29).
- O sacado não pode ser avalista (art. 29).
- Também deve ser feito, em regra, no anverso do título (art. 30).
- Pode ser feito em preto ou em branco (art. 30, parágrafo único).
- Assim como na LUG e no CC, o avalista é devedor solidário (art. 31).
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O avalista casado precisa de outorga conjugal?
No final de 2016 a 4ª Turma do STJ decidiu que a regra do art. 1.647, III do CC só se aplica aos títulos de crédito atípicos/inominados, apesar de não essa regra se encontrar na parte do Código relativa aos títulos de crédito, e sim na parte referente ao Direito de Família.
“Direito cambiário e processual civil. Recurso especial. Revelia. Efeitos relativos. Aval. Necessidade de outorga uxória ou marital. Disposição restrita aos títulos de crédito inominados ou atípicos. Art. 1.647, III, do CC/2002. Interpretação que demanda observância à ressalva expressa do art. 903 do CC e ao disposto na LUG acerca do aval. Revisão do entendimento do colegiado” (REsp 1.633.399/SP).
“A nosso ver, tal dispositivo atinge todos os títulos de crédito, sejam eles