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DIREITO EMPRESARIAL APLICADO II -DUPLICATA

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típicos (letra de câmbio, cheque, nota promissória...) ou atípicos. O silêncio das leis especiais sobre o assunto faz com que sejam aplicáveis as regras do Código Civil, pois nos termos do seu artigo 903: “Salvo disposição diversa em lei especial, regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste Código.” Não há disposição diversa de lei especial, logo, o artigo 1.647 atinge todos os títulos de crédito” (TOMAZETTE, Marlon. Curso de direito empresarial. Vol. 2. São Paulo: Atlas, 2017).
Vencimento à vista.
Art. 32. O cheque é pagável à vista. Considera-se não escrita qualquer menção em contrário.
* A despeito de existir alguma discussão sobre a expressão mais apropriada (pré-datado ou pós-datado), é certo que se tornou comum a emissão de cheque com data certa (futura) de pagamento: é uma forma de os empresários concederem crédito aos seus consumidores.
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Vencimento à vista.
Art. 32, parágrafo único. O cheque apresentado para pagamento antes do dia indicado como data de emissão é pagável no dia da apresentação.
* Para o banco sacado, o cheque nunca deixará de ser uma ordem de pagamento à vista, de modo que ele deverá ignorar eventual data futura mencionada no título. No entanto, entre as partes a pré-datação é válida, em respeito à autonomia privada e à liberdade contratual.
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Natureza contratual.
A pré-datação não desnatura o cheque como título de crédito, de modo que ele continua se submetendo às regras e aos princípios do regime jurídico cambial, podendo, por exemplo, ser avalizado e/ou endossado.
No entanto, a pré-datação representa uma clara relação contratual entre o emitente e o beneficiário, gerando direitos e obrigações para eles (mas não para o banco sacado).
* Súmula 370/STJ: “caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado”.
 ** E se a apresentação antecipada foi feita por um endossatário do cheque, e não pelo tomador? Alguém deve responder nesse caso?
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Efeitos da pré-datação quantos ao prazos de apresentação/prescrição.
É possível que a pré-datação seja feita fora do título (extracartular), mas nesse caso ela não produzirá o efeito de alterar os prazos de apresentação e prescrição.
“A emissão de cheques pós-datados, ainda que seja prática costumeira, não encontra previsão legal, pois admitir que do acordo extracartular decorra a dilação do prazo prescricional importaria na alteração da natureza do cheque como ordem de pagamento à vista e na infringência do art. 192 do CC, além de violação dos princípios da literalidade e abstração. Assim, para a contagem do prazo prescricional de cheque pós-datado, prevalece a data nele regularmente consignada, ou seja, aquela oposta no espaço reservado para a data de emissão” (RESP 1068513/DF).
“A pactuação da pós-datação de cheque, para que seja hábil a ampliar o prazo de apresentação à instituição financeira sacada, deve espelhar a data de emissão estampada no campo específico da cártula. Dessarte, a pós-datação extracartular (v.g., a cláusula ‘bom para’) tem existência jurídica, pois a lei não nega validade à pactuação – que terá consequência de natureza obrigacional para os pactuantes (tanto é assim que a Súmula 370/STJ orienta que enseja dano moral a apresentação antecipada de cheque) –, mas restringe a autonomia privada, ao estabelecer que, se não constar no campo próprio referente à data de emissão, não terá eficácia para alteração do prazo de apresentação” (REsp 1423464/SC).
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Emitir cheque pré-datado sem fundos é crime?
Estelionato
Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento:
§ 2º - Nas mesmas penas incorre quem:
Fraude no pagamento por meio de cheque
VI - emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o pagamento.
“A frustração no pagamento de cheque pré-datado não caracteriza o crime de estelionato, seja na forma do caput do art. 171 do Código Penal, ou na do seu § 2º, inciso VI. Isso porque o cheque pós-datado, popularmente conhecido como pré-datado, não se cuida de ordem de pagamento à vista, mas, sim, de garantia de dívida. Ressalva do entendimento do Relator no sentido de que a frustração no pagamento de cheque pós-datado, a depender do caso concreto, pode consubstanciar infração ao preceito proibitivo do art. 171, caput, desde que demonstrada na denúncia, e pelos elementos de cognição que a acompanham, a intenção deliberada de obtenção de vantagem ilícita por meio ardil ou o artifício” (HC 121.628).
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Prazo de apresentação.
Art. 33 O cheque deve ser apresentado para pagamento, a contar do dia da emissão, no prazo de 30 (trinta) dias, quando emitido no lugar onde houver de ser pago; e de 60 (sessenta) dias, quando emitido em outro lugar do País ou no exterior.
Parágrafo único - Quando o cheque é emitido entre lugares com calendários diferentes, considera-se como de emissão o dia correspondente do calendário do lugar de pagamento.
* Cheque de mesma praça deve ser apresentado no prazo de 30 dias, e cheque de praça diferente deve ser apresentado no prazo de 60 dias.
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Prazo de apresentação e literalidade.
Para aferir se um cheque é de mesma praça ou de praça diferente, deve-se analisar o local de emissão e o local da agência pagadora, ambos indicados no título: o primeiro é preenchido pelo emitente; o segundo já consta do documento emitido pelo banco.
Se a pessoa está numa cidade, mas ao emitir o cheque escreve nele outro local, será este o local considerado como de emissão do título (princípio da literalidade).
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Reapresentação do cheque.
Como ordem de pagamento à vista, o cheque vence no momento da sua apresentação a pagamento (art. 32).
Caso não existam fundos disponíveis, o sacado não obedecerá à ordem de pagamento constante do cheque, devolvendo o título ao seu credor (tomador ou endossatário).
Após 2 (dois) dias úteis da primeira apresentação, o cheque pode ser reapresentado ao sacado: havendo fundos disponíveis, a ordem de pagamento será obedecida; persistindo a insuficiência de fundos, o cheque será novamente devolvido ao credor, e o emitente sofrerá consequências negativas (inscrição no CCF e impossibilidade de ter novos talões).
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Prazo de apresentação e execução do cheque.
Se o cheque não for apresentado no prazo de apresentação (30 ou 60 dias, conforme o caso), pode ser apresentado enquanto ainda não se tiver consumado o prazo de prescrição, que é de 6 (seis) meses, contados após o término do prazo d apresentação (art. 59).
Caso, porém, o cheque apresentado fora do prazo de apresentação não seja pago pelo sacado por algum motivo legítimo (insuficiência de fundos, por exemplo), o credor perderá o direito de executar eventuais codevedores (art. 47, II).
Em princípio, o credor mantém, nesse caso, o direito de executar o emitente (devedor principal) e seus avalistas (Súmula 600/STF: “cabe ação executiva contra o emitente do cheque e seus avalistas, ainda que não apresentado o cheque ao sacado no prazo legal, desde que não prescrita a ação cambiária”), mas pode, excepcionalmente, perder até mesmo esse direito (art. 47, § 3º – o STJ já decidiu que o ônus da prova é do emitente: REsp 182.639).
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Revogação do cheque (contra-ordem).
Art. 35 O emitente do cheque pagável no Brasil pode revogá-lo, mercê de contra-ordem dada por aviso epistolar, ou por via judicial ou extrajudicial, com as razões motivadoras do ato.
Parágrafo único - A revogação ou contra-ordem só produz efeito depois de expirado o prazo de apresentação e, não sendo promovida, pode o sacado pagar o cheque até que decorra o prazo de prescrição, nos termos do art. 59 desta Lei.
“Ato cambiário pelo qual o emitente pode limitar a eficácia chéquica do título aos 30 ou 60 dias seguintes à emissão” (COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de direito comercial. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, v. 1, p. 449).
* Só o emitente pode fazer a revogação.
** Ainda que feita no prazo de apresentação, só produz efeitos depois