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DIREITO EMPRESARIAL APLICADO II -DUPLICATA

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Os signatários respondem pelos danos causados por declarações inexatas.
§ 4º A execução independe do protesto e das declarações previstas neste artigo, se a apresentação ou o pagamento do cheque são obstados pelo fato de o sacado ter sido submetido a intervenção, liquidação extrajudicial ou falência.
* Para execução do emitente e seu(s) avalistas(s), o protesto do cheque não é imprescindível. No entanto, para execução dos endossantes e seu(s) avalista(s), o protesto é necessário, mas no caso do cheque ele pode ser substituído pelo carimbo de devolução do banco. Para outros efeitos, porém, como pedido de falência e interrupção da prescrição, o protesto é sempre necessário.
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Prazo do protesto do cheque.
Art. 48 O protesto ou as declarações do artigo anterior devem fazer-se no lugar de pagamento ou do domicílio do emitente, antes da expiração do prazo de apresentação. Se esta ocorrer no último dia do prazo, o protesto ou as declarações podem fazer-se no primeiro dia útil seguinte.
* O protesto do cheque deve ser feito no prazo de apresentação (30 dias: mesma praça; 60 dias: praça diferente). A despeito de alguns tribunais considerarem abusivo o protesto feito após esse prazo, parece-nos que ele é legítimo, apenas não produzindo o efeito de permitir a execução do codevedores (mas produz outros efeitos, como permitir o pedido de falência e a interrupção da prescrição).
“Sempre será possível, no prazo para a execução cambial, o protesto cambiário de cheque, com a indicação do emitente como devedor” (REsp 1.423.464/SC – REsp repetitivo julgado em 2016).
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Prescrição do cheque.
Art. 59. Prescrevem em 6 (seis) meses, contados da expiração do prazo de apresentação, a ação que o art. 47 desta Lei assegura ao portador.
Parágrafo único - A ação de regresso de um obrigado ao pagamento do cheque contra outro prescreve em 6 (seis) meses, contados do dia em que o obrigado pagou o cheque ou do dia em que foi demandado.
“O lapso prescricional previsto no art. 59 da Lei do Cheque (7.357/85) somente tem início a partir da expiração do prazo para apresentação do cheque, independentemente de o credor havê-lo feito em data anterior” (REsp 539.777/PR).
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Prescrição do cheque pré-datado.
“O termo inicial de contagem do prazo prescricional da ação de execução do cheque pelo beneficiário é de 6 (seis) meses, prevalecendo, para fins de contagem do prazo prescricional de cheque pós-datado, a data nele regularmente consignada, ou seja, aquela oposta no espaço reservado para a data de emissão” (REsp 1.068.513/DF – 2ª Seção, julgado em 2012).
Enunciado 40 das Jornadas de Direito Comercial: “O prazo prescricional de 6 (seis) meses para o exercício da pretensão à execução do cheque pelo respectivo portador é contado do encerramento do prazo de apresentação, tenha ou não sido apresentado ao sacado dentro do referido prazo. No caso de cheque pós-datado apresentado antes da data de emissão ao sacado ou da data pactuada com o emitente, o termo inicial é contado da data da primeira apresentação”.
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Interrupção da prescrição.
Art. 204, 1º. A interrupção por um dos credores solidários aproveita aos outros; assim como a interrupção efetuada contra o devedor solidário envolve os demais e seus herdeiros.
Art. 60 A interrupção da prescrição produz efeito somente contra o obrigado em relação ao qual foi promovido o ato interruptivo.
“A interrupção em face de um dos devedores do cheque não atinge os demais (Lei no 7.357/85 – art. 60), excepcionando a regra do artigo 204, § 1o, do Código Civil” (TOMAZETTE, Marlon. Curso de direito empresarial. Vol. 2. São Paulo: Atlas, 2017).
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COBRANÇA DE CHEQUE PRESCRITO
Ação de locupletamento.
Art. 61. A ação de enriquecimento contra o emitente ou outros obrigados, que se locupletaram injustamente com o não-pagamento do cheque, prescreve em 2 (dois) anos, contados do dia em que se consumar a prescrição prevista no art. 59 e seu parágrafo desta Lei.
* Trata-se de ação cambial, ou seja, nela o cheque conserva suas características intrínsecas de título de crédito, como a autonomia e a consequente inoponibilidade das exceções pessoais ao terceiro de boa-fé. Segue, todavia, o rito de uma ação de conhecimento, uma vez que com a prescrição o cheque perdeu a sua executividade.
“Pelo pressuposto do enriquecimento sem causa, concluímos que a sujeição passiva compete apenas ao emitente ou aos endossantes do título, que tenham se enriquecido pelo não pagamento. Os avalistas, a princípio, não se enriquecem pelo não pagamento e, por isso, não poderiam ser sujeitos passivos dessa ação, a menos que se provasse o seu locupletamento ilícito” (TOMAZETTE, Marlon. Curso de direito empresarial. Vol. 2. São Paulo: Atlas, 2017).
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Ação causal de cobrança.
Art. 62. Salvo prova de novação, a emissão ou a transferência do cheque não exclui a ação fundada na relação causal, feita a prova do não-pagamento.
* Não se trata mais de uma ação cambial, ou seja, aqui o portador do cheque não se beneficia mais dos predicados decorrentes dos princípios que informam o regime jurídico cambial, como a autonomia do título em relação ao negócio que originou a sua emissão, da qual decorre, logicamente, a inoponibilidade das exceções pessoais ao terceiro de boa-fé. Nessa ação, portanto, o devedor do cheque poderá discutir a causa que o originou e opor quaisquer exceções contra o autor da demanda.
“O avalista não terá qualquer responsabilidade ou legitimidade para tal ação, uma vez que ele não participa do negócio jurídico” (TOMAZETTE, Marlon. Curso de direito empresarial. Vol. 2. São Paulo: Atlas, 2017).
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Ação monitória.
Súmula 299 - É admissível a ação monitória fundada em cheque prescrito.
Súmula 503 - O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de cheque sem força executiva é quinquenal, a contar do dia seguinte à data de emissão estampada na cártula.
Súmula 531 - Em ação monitória fundada em cheque prescrito ajuizada contra o emitente, é dispensável a menção ao negócio jurídico subjacente à emissão da cártula.
“Perdendo o cheque prescrito os seus atributos cambiários, dessume-se que a ação monitória neste documento fundada admitirá a discussão do próprio fato gerador da obrigação, sendo possível a oposição de exceções pessoais a portadores precedentes ou mesmo ao próprio emitente do título” (REsp 1.669.968/RO).
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Introdução.
- Título de crédito genuinamente brasileiro.
- Nasceu como instrumento de política fiscal (controle do imposto do selo).
- É título emitido pelo próprio credor (vendedor ou prestador de serviço).
“A duplicata é um título de crédito genuinamente brasileiro, cuja origem remonta ao artigo 219 do Código Comercial que, todavia, permaneceu letra morta na prática do comércio, durante o século XIX. Nesse momento, a duplicata era na verdade a fatura ou conta de um contrato de compra e venda de mercadorias entre comerciantes. Em tal negócio, eram emitidas duas vias da conta, ficando uma com o comprador e outra com o vendedor. Se uma das vias fosse devidamente assinada pela outra parte, a fatura era equiparada aos títulos de crédito, inclusive para fins de cobrança judicial” (TOMAZETTE, Marlon. Curso de direito empresarial. Vol. 2. São Paulo: Atlas, 2017).
DUPLICATA
Características.
- Tipicidade.
- Formalismo (título de modelo vinculado).
- Causalidade (compra e venda mercantil e prestação de serviços).
- Completude (apenas quando tem aceite expresso).
- Ordem de pagamento (aceite obrigatório).
Legislação aplicável.
- Lei 5.474/1968.
Art. 25. Aplicam-se à duplicata e à triplicata, no que couber, os dispositivos da legislação sobre emissão, circulação e pagamento das Letras de Câmbio.
Estrutura.
A duplicata é um título de crédito que se estrutura como ordem de pagamento, mas com uma especificidade importante: quem a emite é o próprio credor, isto é, o vendedor ou prestador de serviços.
Causalidade.
A duplicata é título causal, ou seja, só pode ser emitida para documentar determinadas relações jurídicas preestabelecidas