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DIREITO EMPRESARIAL APLICADO II -DUPLICATA

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pela sua lei de regência: (i) uma compra e venda mercantil ou (ii) um contrato de prestação de serviços.
Nenhum outro negócio jurídico, portanto, admite a emissão de duplicata. O STJ já decidiu, por exemplo, que é nula duplicata emitida em razão de contrato de leasing.
Leasing. Duplicatas. Protesto. A Turma conheceu em parte do recurso para determinar a sustação ou cancelamento dos protestos das duplicatas enviadas a cartório, por entender que o negócio de leasing não admite a emissão de duplicata, ainda que avençada, razão pela qual não pode tal título ser levado a protesto. (REsp 202.068-SP, Rel. Min. Ruy Rosado, j. 11.05.1999, Informativo 18/1999).
Causalidade.
A causalidade da duplicata não significa a não aplicação do princípio da abstração ao seu regime jurídico. A causalidade da duplicata, portanto, significa tão somente que ela só pode ser emitida nas causas em que a lei expressamente admite a sua emissão.
“Da causalidade da duplicata, note-se bem, não é correto concluir qualquer limitação ou outra característica atinente à negociação do crédito registrado pelo título. A duplicata mercantil circula como qualquer outro título de crédito, sujeita ao regime do direito cambiário. Isso significa, em concreto, que ela comporta endosso, que o endossante responde pela solvência do devedor, que o executado não pode opor contra terceiros de boa-fé exceções pessoais, que as obrigações dos avalistas são autônomas em relação às dos avalizados etc. Não é jurídico pretender vinculação entre a duplicata e a compra e venda mercantil, que lhe deu ensejo, maior do que a existente entre a letra de câmbio, a nota promissória ou o cheque e as respectivas relações originárias. Pontes de Miranda e até mesmo Tullio Ascarelli se preocupam, especialmente, em esclarecer a questão: a circulação da duplicata se opera segundo o princípio da abstração” (COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de direito comercial. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2003. p. 455. v. I). 
Causalidade.
“Ainda que a duplicata mercantil tenha por característica o vínculo à compra e venda mercantil ou prestação de serviços realizada, ocorrendo o aceite, desaparece a causalidade, passando o título a ostentar autonomia bastante para obrigar a recorrida ao pagamento da quantia devida, independentemente do negócio jurídico que lhe tenha dado causa” (STJ, REsp 668.682/MG, Rel. Min. Hélio Quaglia Barbosa, DJ 19.03.2007, p. 355).
“A causalidade da duplicata reside apenas na sua origem, mercê do fato de somente poder ser emitida para a documentação de crédito nascido de venda mercantil ou de prestação de serviços. Porém, a duplicata mercantil é título de crédito, na sua generalidade, como qualquer outro, estando sujeita às regras de direito cambial, nos termos do art. 25 da Lei 5.474/68, ressaindo daí, notadamente, os princípios da cartularidade, abstração, autonomia das obrigações cambiais e inoponibilidade das exceções pessoais a terceiros de boa-fé” (REsp 261.170/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 04.08.2009, DJe 17.08.2009).
“A duplicata mercantil é título de crédito criado pelo direito brasileiro, disciplinada pela Lei 5.474/68, submetendo-se ao mesmo regime jurídico cambial dos demais títulos de crédito, sujeita, portanto, aos princípios da cartularidade, da literalidade e, principalmente, da autonomia das obrigações” (REsp 1102227/SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 12.05.2009, DJe 29.05.2009).
“A duplicata mercantil, apesar de causal no momento da emissão, com o aceite e a circulação adquire abstração e autonomia, desvinculando-se do negócio jurídico subjacente, impedindo a oposição de exceções pessoais a terceiros endossatários de boa-fé, como a ausência ou a interrupção da prestação de serviços ou a entrega das mercadorias” (EREsp 1.439.749/RS, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, 2.ª Seção, julgado em 28.11.2018, DJe 06.12.2018).
QUEM PODE EMITIR? A Duplicata poderá ser emitida pelo vendedor da mercadoria ou pelo prestador de serviços, sendo o título de crédito que poderá ser executado em caso de inadimplência do devedor. A emissão da Duplicata é uma faculdade. Não há obrigação em emiti-la. Quem emite a Duplicata é chamado de “sacador”, ao passo que o devedor é denominado por “sacado”. Esse título de crédito é emitido pelo credor (vendedor da mercadoria). 
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EMISSÃO DA FATURA: Observe-se que a Lei de Duplicatas apenas determina a emissão obrigatória da fatura (documento comercial) quando o prazo de pagamento do preço for igual ou superior a 30 dias. Se o prazo é inferior, pode emitir apenas a nota fiscal (documento tributário). Na duplicata de prestação de serviços a emissão da fatura é sempre facultativa. 
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TODA DUPLICATA CORRESPONDE A UMA FATURA - Se houver emissão de uma Duplicata ela deverá corresponder a uma fatura. Lembre-se: Uma só Duplicata não pode corresponder a mais de uma fatura! Cada Duplicata, uma nota fiscal-fatura. 
Art. 2º (...) 	
§ 2º: Uma só duplicata não pode corresponder a mais de uma fatura. 
§ 3º Nos casos de venda para pagamento em parcelas, poderá ser emitida duplicata única, em que se discriminarão tôdas as prestações e seus vencimentos, ou série de duplicatas, uma para cada prestação distinguindo-se a numeração a que se refere o item I do § 1º dêste artigo, pelo acréscimo de letra do alfabeto, em seqüência. 
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A DUPLICATA INDICARÁ SEMPRE O VALOR DA FATURA - 
Art . 3º A duplicata indicará sempre o valor total da fatura, ainda que o comprador tenha direito a qualquer rebate, mencionando o vendedor o valor líquido que o comprador deverá reconhecer como obrigação de pagar. 
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Compra e venda mercantil.
Antes do CC/2002 só eram mercantis os contratos de compra e venda que atendessem a três requisitos, de forma cumulativa: (i) o subjetivo, que exigia que uma das partes fosse comerciante; (ii) o objetivo, que restringia o objeto do contrato a bens móveis ou semoventes; e (iii) o finalístico, que se referia à finalidade circulação de mercadorias. Após o CC/2002, uma compra e venda é considerada mercantil a depender apenas da qualidade de empresário das partes contratantes.
“Toda compra e venda em que comprador e vendedor são empresários chama-se mercantil e é estudada pelo direito comercial. A qualidade da coisa objeto do contrato (sempre uma mercadoria) e a finalidade da operação (circulação de mercadorias) são decorrências desse requisito subjetivo” (COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de direito comercial. Vol. 3. 17ª ed. São Paulo: RT, 2016, p. 69-70).
Fatura.
Art. 1º Em todo o contrato de compra e venda mercantil entre partes domiciliadas no território brasileiro, com prazo não inferior a 30 (trinta) dias, contado da data da entrega ou despacho das mercadorias, o vendedor extrairá a respectiva fatura para apresentação ao comprador.
§ 1º A fatura discriminará as mercadorias vendidas ou, quando convier ao vendedor, indicará somente os números e valores das notas parciais expedidas por ocasião das vendas, despachos ou entregas das mercadorias.
Art. 2º No ato da emissão da fatura, dela poderá ser extraída uma duplicata para circulação como efeito comercial, não sendo admitida qualquer outra espécie de título de crédito para documentar o saque do vendedor pela importância faturada ao comprador.
* A despeito da redação do art. 2º, é possível a emissão da duplicata após a emissão da fatura, e é possível a emissão de outros títulos de crédito, como nota promissória ou cheque, porque não são títulos emitidos pelo credor. Nesse sentido: RESP 136.637.
Requisitos essenciais.
Art. 2º, § 1º A duplicata conterá:
I - a denominação "duplicata", a data de sua emissão e o número de ordem;
* A data de emissão é importante, conforme já mencionamos no estudo de outros títulos de crédito, para aferir a capacidade do emitente. E o número de ordem é necessário porque o emitente de duplicatas é obrigatório a escriturar um livro próprio (art. 19).
Requisitos essenciais.
Art. 2º, § 1º A duplicata conterá:
II - o número da fatura;