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DIREITO EMPRESARIAL APLICADO II -DUPLICATA

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“Em observância ao princípio da literalidade, a aposição de número incorreto da fatura na duplicata invalida o título de crédito, retirando-lhe a exigibilidade executiva extrajudicial” (REsp 1.601.552/PE).
Requisitos essenciais.
§ 1º A duplicata conterá:
III - a data certa do vencimento ou a declaração de ser a duplicata à vista;
* A duplicata admite duas modalidades de vencimento (dia certo ou à vista), mas a não indicação, segundo a maioria da doutrina, não permite presumir que o título é à vista.
Requisitos essenciais.
§ 1º A duplicata conterá:
IV - o nome e domicílio do vendedor e do comprador;
* A importância da indicação do domicílio das partes se dá porque o art. 1º da Lei 5.474/1968 fala em “partes domiciliadas no território brasileiro”.
Requisitos essenciais.
§ 1º A duplicata conterá:
V - a importância a pagar, em algarismos e por extenso;
* Também em virtude de o art. 1º da Lei 5.474/1968 falar em “partes domiciliadas no território brasileiro”, entende-se que na duplicata não é possível a indicação do valor em moeda estrangeira. E caso haja divergência o valor em algarismos e o valor por extenso, prevalece este, por aplicação subsidiária do art. 6º da LUG.
Requisitos essenciais.
§ 1º A duplicata conterá:
VI - a praça de pagamento;
VII - a cláusula à ordem;
* Como todo título de crédito típico/nominado, a duplicata é um título à ordem, podendo ser endossada a terceiros.
Requisitos essenciais.
§ 1º A duplicata conterá:
VIII - a declaração do reconhecimento de sua exatidão e da obrigação de pagá-la, a ser assinada pelo comprador, como aceite, cambial;
IX - a assinatura do emitente.
* A assinatura do emitente (ou sacador, que é o vendedor das mercadorias) é imprescindível, mas a assinatura do sacado (comprador das mercadorias) não é: o que é imprescindível é a existência de um campo específico para a posterior realização do aceite.
Requisitos essenciais.
Art. 2º (...).
§ 2º Uma só duplicata não pode corresponder a mais de uma fatura.
“Para que não haja dúvidas sobre o fato de ser a vinculação da duplicata a uma única fatura requisito essencial da duplicata, condição de sua validade para que tenha curso, basta verificar que o art. 1º, § 1º, da Lei 5.474/64 põe entre os seus requisitos a indicação expressa do número da fatura, tendo nesta a sua origem. Como mostra Luiz Emydgio da Rosa e Silva, a ‘vinculação do título à fatura visa a evitar que a duplicata possa corresponder a mais de uma fatura (LD, art. 2º, § 2º) porque cada fatura decorre de uma compra e venda ou de uma prestação de serviços, e a duplicata não pode ser vinculada a mais de um negócio jurídico’. Ora, neste feito, o acórdão deixou claro que uma das duplicatas refere-se a duas notas fiscais e três duplicatas referem-se a três faturas cada uma. Assim, não têm condições de validade, porque ausente requisito essencial” (REsp 577.785).
Aceite na duplicata.
“Aceite é a declaração cambial pela qual o signatário admite a ordem contra ele dada para pagar uma quantia determinada, concordando com os termos do saque e assumindo a qualidade de responsável principal pelo pagamento da letra de câmbio. (...) Sem o aceite na letra de câmbio o sacado não assume obrigação alguma no título, já que não o assinou” (COSTA, Wille Duarte. Títulos de crédito. 2. ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2006. p. 161).
* Quando do estudo da letra de câmbio, destacamos esse conceito de aceite, que se aplica também à duplicata, mas com um detalhe importante: enquanto na letra de câmbio o aceite é facultativo, na duplicata o aceite é obrigatório.
Obrigatoriedade do aceite.
Art. 8º O comprador só poderá deixar de aceitar a duplicata por motivo de:
I - avaria ou não recebimento das mercadorias, quando não expedidas ou não entregues por sua conta e risco;
II - vícios, defeitos e diferenças na qualidade ou na quantidade das mercadorias, devidamente comprovados;
III - divergência nos prazos ou nos preços ajustados.
* Dizer que o aceite é obrigatório, na duplicata, significa dizer que o credor, desde que cumpridas as suas obrigações contratuais, tem o direito de ver seu crédito materializado num título de crédito. O devedor só pode negar esse direito ao credor se houver descumprimento contratual por parte deste (hipóteses do art. 8º).
Aula 72.2 – Duplicata: aceite
Aceite expresso.
Considerando o fato de que o aceite, na duplicata, é obrigatório, o devedor (comprador) pode se obrigar ao pagamento desse título independentemente de aceitá-lo expressamente. Daí por que se diz que o aceite, na duplicata, pode ser expresso (ordinário) ou presumido (por presunção).
O aceite expresso, como o próprio nome já indica, é aquele realizado no próprio título, no local indicado. Nesse caso, a duplicata se aperfeiçoa como título de crédito sem maiores formalidades.
“A duplicata que ostenta aceite ordinário torna-se título de crédito sem nenhuma especificidade. Aplicam-se-lhe integralmente, nesse caso, as regras do direito cambiário, inclusive no tocante à facultatividade do protesto contra o devedor principal e responsabilidade dos codevedores. Ou seja, a duplicata com aceite ordinário é título executivo extrajudicial contra o sacado e seu avalista, independentemente de se encontrar protestada, ou não (LD, art. 15, I)” (COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de direito comercial. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2003. p. 458. v. I).
Aceite presumido.
O aceite presumido ocorre quando o devedor (comprador) recebe, sem reclamação, as mercadorias adquiridas e enviadas pelo credor (vendedor). Nesse caso, ainda que a duplicata não seja aceita expressamente, o simples fato de o devedor ter recebido as mercadorias sem recusa formal já caracteriza o aceite do título, que se diz, portanto, presumido, provando-se pela mera demonstração do recebimento das mercadorias.
“O aceite por presunção decorre do recebimento das mercadorias pelo comprador, quando inexistente recusa formal. Trata-se da forma mais corriqueira de se vincular o sacado ao pagamento da duplicata. Caracteriza-se o aceite presumido, mesmo que o comprador tenha retido ou inutilizado a duplicata, ou a tenha restituído sem assinatura. Desde que recebidas as mercadorias, sem a manifestação formal de recusa, é o comprador devedor cambiário, independentemente da atitude que adota em relação ao documento que lhe foi enviado” (COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de direito comercial. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2003. p. 458-459. v. I).
* Para a execução judicial da duplicata com aceite presumido, é necessário o protesto.
Sistemática de remessa e devolução da duplicata.
Como a duplicata é um título emitido pelo credor, a lei estabelece um procedimento de remessa do título para aceite, com posterior devolução ao emitente (arts. 6º e 7º).
A remessa pode ser feita pelo próprio emitente ou por um intermediário (banco, por exemplo). O prazo de remessa é de 30 dias, contados da emissão (se feita por intermediário, o prazo é de 10 dias, contados o recebimento).
O sacado deve devolver a duplicata, aceita ou com a justificativa de recusa do aceite, no prazo de 10 dias. Se a apresentação foi por banco, o sacado pode reter o título e comunicar ao emitente que o aceitou e o reteve (essa comunicação substitui a duplicata no protesto ou execução).
Pagamento antecipado.
Art. 9º É lícito ao comprador resgatar a duplicata antes* de aceitá-la ou antes da data do vencimento.
§ 1º A prova do pagamento é o recibo, passado pelo legítimo portador ou por seu representante com poderes especiais, no verso do próprio título ou em documento em separado*, com referência expressa à duplicata.
§ 2º Constituirá, igualmente, prova de pagamento, total ou parcial, da duplicata, a liquidação de cheque, a favor do estabelecimento endossatário, no qual conste, no verso, que seu valor se destina a amortização ou liquidação da duplicata nele caracterizada.
* Ao contrário do previsto no direito das obrigações e na própria LUG (art. 40), a duplicata admite pagamento antecipado.
** Exceção ao princípio da literalidade.
Pagamento ao endossante