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Comportamento do consumidor

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seja gasta com A. 
 
Efeitos das modificações na renda e nos preços 
Já vimos que a linha de orçamento depende da renda I e dos preços PA e PV 
das mercadorias. Todavia, os preços e a renda frequentemente sofrem modificações. 
Vejamos, então, como tais modificações poderão influenciar a linha de orçamento. 
 
MODIFICAÇÕES NA RENDA. O que ocorre com a linha de orçamento quando 
acontecem modificações na renda? Com base na equação da linha reta 3.2, podemos 
observar que uma modificação na renda altera o ponto de interseção da reta com o 
eixo vertical, mas não muda a inclinação (pois nenhuma mercadoria teve o preço 
modificado). A Figura 3.11 mostra que se a renda for dobrada (passando de US$ 80 
para US$ 160) a linha de orçamento desloca-se para fora (passando de L1 para L2). 
Observe, contudo, que L2 permanece paralela a L1. Nosso consumidor poderia agora 
duplicar as quantidades adquiridas tanto de alimento como de vestuário. Da mesma 
forma, caso a renda fosse reduzida à metade (passando de US$ 80 para US$ 40), a 
linha de orçamento seria deslocada para dentro, passando de L1 para L3. 
 
 
 
MODIFICAÇÕES NOS PREÇOS. O que ocorre com a linha de orçamento caso o preço 
de uma mercadoria seja modificado, mas o da outra mercadoria permaneça o mesmo? 
Podemos utilizar a equação V = (I/PV) – (PA/PV) A para descrever os efeitos de uma 
modificação no preço do alimento sobre a linha de orçamento. Suponhamos que o 
preço do alimento seja reduzido à metade, caindo de US$ 1 para US$ 0,50. Dessa 
forma, a interseção da linha de orçamento com o eixo vertical permaneceria inalterada, 
contudo a inclinação se modificaria, passando de –PA/PV = –US$ 1/US$ 2 = –US$ 1/2 
para –US$ 0,50/US$ 2 = – US$ 1/4. Na Figura 3.12, podemos obter a nova linha de 
orçamento L2 por meio de uma rotação da linha original L1 para fora, a partir de seu 
ponto de interseção com V. Essa rotação faz sentido, pois uma pessoa que adquira 
apenas vestuário e nenhum alimento não será influenciada por tal modificação de 
preço. Entretanto, um indivíduo que adquira uma quantidade substancial de alimento 
terá seu poder aquisitivo ampliado. Em consequência do declínio no preço do alimento, 
a quantidade máxima de alimento que pode ser adquirida dobrou. 
 
 
Por outro lado, quando o preço do alimento duplica, passando de US$ 1 para 
US$ 2, a linha de orçamento faz uma rotação para dentro, passando para L3 de tal 
modo que o poder aquisitivo das pessoas é reduzido. Mais uma vez, um indivíduo que 
adquira apenas vestuário não será afetado por tal aumento de preço. 
O que ocorreria caso os preços de ambas as mercadorias, alimento e vestuário, 
sofressem modificações, mas de tal forma que a razão entre os dois preços 
permanecesse inalterada? Pelo fato de a inclinação da linha de orçamento ser igual à 
razão entre os dois preços, a inclinação permaneceria a mesma. O ponto de interseção 
da linha de orçamento se deslocaria de tal forma que a nova linha se manteria paralela 
à linha anterior. Por exemplo, caso os preços de ambas as mercadorias fossem 
reduzidos à metade, a inclinação da linha de orçamento não sofreria alteração; os 
valores correspondentes a seus pontos de interseção com os eixos vertical e 
horizontal, porém, seriam duplicados, de tal modo que a linha de orçamento seria 
deslocada para fora. 
Tal fato nos diz alguma coisa sobre os determinantes do poder aquisitivo do 
consumidor — sua possibilidade de adquirir bens e serviços. O poder aquisitivo é 
determinado não apenas pela renda, mas também pelos preços. Por exemplo, o poder 
de compra do consumidor poderia ser dobrado pela duplicação de sua renda ou por 
uma redução, pela metade, de todos os preços das mercadorias que ele viesse a 
adquirir. Por fim, consideremos o que poderia ocorrer se tudo fosse duplicado — os 
preços, tanto do alimento como do vestuário, e também a renda do consumidor. (Tal 
fato poderia ocorrer em uma economia inflacionária.) Pelo fato de ambos os preços 
terem duplicado, a razão entre eles não seria alterada, portanto, a inclinação da linha 
de orçamento também não sofreria qualquer modificação. Em razão do preço do 
vestuário ter duplicado, da mesma forma que a renda, a quantidade máxima de 
vestuário que poderia ser adquirida (representada pela interseção entre a linha de 
orçamento e o eixo vertical) não seria alterada. O mesmo ocorre com o alimento. Por 
conseguinte, uma inflação na qual todos os preços e níveis de renda 
proporcionalmente se elevassem não influenciaria a linha de orçamento ou o poder 
aquisitivo do consumidor. 
 
3.3 A escolha do consumidor 
Dadas as preferências e as restrições orçamentárias, podemos então determinar 
como os consumidores escolhem quanto comprar de cada mercadoria. Estamos 
supondo que eles façam essa escolha de maneira racional — eles decidem a 
quantidade de cada bem visando a maximizar o grau de satisfação que podem obter, 
considerando o orçamento limitado de que dispõem. A cesta de mercado maximizadora 
deverá satisfazer duas condições: 
1. Deverá estar sobre a linha de orçamento. Para entender o motivo, 
observe que qualquer cesta situada à esquerda e abaixo da linha do orçamento 
deixaria disponível uma parte da renda, que, caso viesse a ser despendida, 
poderia aumentar o grau de satisfação do consumidor. Claro, os consumidores 
podem — e muitas vezes o fazem — guardar parte de sua renda para consumo 
futuro. No entanto, isso significa que sua escolha não é apenas entre alimento e 
vestuário, mas entre consumir esses dois bens agora ou no futuro. A essa altura, 
no entanto, para simplificar a exposição, partiremos do princípio de que a 
totalidade da renda é gasta no momento presente. Observe também que 
qualquer cesta de mercado situada à direita ou acima da linha do orçamento não 
pode ser adquirida com a renda disponível. Assim, a única opção racional e 
possível será uma cesta que esteja situada sobre a linha de orçamento. 
 
2. Deverá dar ao consumidor sua combinação preferida de bens e 
serviços. Essas duas condições fazem com que o problema de maximizar a 
satisfação do consumidor restrinja-se a escolher um ponto apropriado sobre a 
linha de orçamento. 
Tanto em nosso exemplo com alimento e vestuário como em outro com 
quaisquer outras duas mercadorias, podemos ilustrar graficamente a solução do 
problema da escolha do consumidor. A Figura 3.13 mostra de que forma o problema é 
resolvido. Nela, três curvas de indiferença descrevem as preferências do consumidor 
quanto a alimento e vestuário. Lembre-se de que, das três, a curva U3, localizada mais 
à direita, é aquela que oferece o maior grau de satisfação; a curva U2 oferece o 
segundo maior grau de satisfação; e a curva U1, o menor grau de satisfação. 
Observe que o ponto B sobre a curva de indiferença U1 não é a melhor escolha, 
pois uma redistribuição da renda na qual se gastasse mais com alimento e menos com 
vestuário poderia aumentar o grau de satisfação do consumidor. Percorrendo a linha de 
orçamento até o ponto A, o consumidor gasta a mesma quantidade de dinheiro, mas 
atinge um grau mais elevado de satisfação que se encontra associado à curva de 
indiferença U2. Além disso, observe que as cestas de mercado situadas à direita e 
acima da curva de indiferença U2, como a cesta associada a D sobre a curva de 
indiferença U3, proporcionam um grau mais elevado de satisfação, mas não podem ser 
adquiridas com a renda disponível. 
Portanto, A é a cesta de mercado que maximiza a satisfação do consumidor. 
Portanto, nesta análise podemos ver que a cesta de mercado que maximiza a 
satisfação deverá estar situada sobre a curva de indiferença mais elevada que toca a 
linha de orçamento. O ponto A é o ponto de tangência entre a curva de indiferença U2 
e a linha de orçamento. Em A, a inclinação da linha de orçamento é exatamente igual à 
inclinação da curva de indiferença. Pelo fato de a TMS (–ΔV/ΔA) ser igual à inclinação 
da curva de indiferença com sinal negativo, podemos afirmar que o grau de satisfação 
é maximizado (considerando-se

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