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senso comum.
E divulgar atividades associadas à disseminação de ideias.
Questão 24 
A máquina extraviada
Você sempre pergunta pelas novidades daqui deste sertão, e finalmente posso lhe 
contar uma importante. Fique o compadre sabendo que agora temos aqui uma máquina 
imponente, que está entusiasmando todo o mundo. Desde que ela chegou — não me 
lembro quando, não sou muito bom em lembrar datas — quase não temos falado em outra 
coisa; e da maneira que o povo aqui se apaixona até pelos assuntos mais infantis, é de 
admirar que ninguém tenha brigado ainda por causa dela, a não ser os políticos. [...]
Já existe aqui um movimento para declarar a máquina monumento municipal. [...] Dizem 
que a máquina já tem feito até milagre, mas isso — aqui para nós — eu acho que é 
exagero de gente supersticiosa, e prefiro não ficar falando no assunto. Eu — e creio que 
também a grande maioria dos munícipes — não espero dela nada em particular; para mim 
basta que ela fique onde está, nos alegrando, nos inspirando, nos consolando.
VEIGA, J. J. A máquina extraviada: contos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974.
Qual procedimento composicional caracteriza a construção do texto?
A As intervenções explicativas do narrador.
B A descrição de uma situação hipotética.
C As referências à crendice popular.
D A objetividade irônica do relato.
E As marcas de interlocução.
*AM0175AZ23*
LC - 1º dia | Caderno 1 - AZUL - Página 24
Questão 25 
Biografia de Pasárgada
Quando eu tinha meus 15 anos e traduzia na classe de grego do D. Pedro II a 
Ciropédia fiquei encantado com o nome dessa cidadezinha fundada por Ciro, o Antigo, 
nas montanhas do sul da Pérsia, para lá passar os verões. A minha imaginação de 
adolescente começou a trabalhar, e vi Pasárgada e vivi durante alguns anos em 
Pasárgada.
Mais de vinte anos depois, num momento de profundo desânimo, saltou-me do 
subconsciente este grito de evasão: “Vou-me embora pra Pasárgada!” Imediatamente 
senti que era a célula de um poema. Peguei do lápis e do papel, mas o poema não veio. 
Não pensei mais nisso. Uns cinco anos mais tarde, o mesmo grito de evasão nas mesmas 
circunstâncias. Desta vez, o poema saiu quase ao correr da pena. Se há belezas em 
“Vou-me embora pra Pasárgada!”, elas não passam de acidentes. Não construí o poema, 
ele construiu-se em mim, nos recessos do subconsciente, utilizando as reminiscências da 
infância — as histórias que Rosa, minha ama-seca mulata, me contava, o sonho jamais 
realizado de uma bicicleta etc.
BANDEIRA, M. Itinerário de Pasárgada. São Paulo: Global, 2012.
O texto é um depoimento de Manuel Bandeira a respeito da criação de um de seus 
poemas mais conhecidos. De acordo com esse depoimento, o fazer poético em “Vou-me 
embora pra Pasárgada!”
A acontece de maneira progressiva, natural e pouco intencional.
B decorre de uma inspiração fulminante, num momento de extrema emoção.
C ratifica as informações do senso comum de que Pasárgada é a representação de um 
lugar utópico.
D resulta das mais fortes lembranças da juventude do poeta e de seu envolvimento com 
a literatura grega.
E remete a um tempo da vida de Manuel Bandeira marcado por desigualdades sociais e 
econômicas.
*AM0175AZ24*
LC - 1º dia | Caderno 1 - AZUL - Página 25
Questão 26 
Um ponto interessante do marco civil da internet, segundo Marília Maciel, 
pesquisadora do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas 
(CTS/FGV), é o que trata da garantia do princípio da neutralidade de rede. “Isso 
quer dizer que, se eu compro um pacote de um mega ou de cinco megas de internet, 
o uso que eu vou fazer desses meus megas de velocidade depende das minhas 
escolhas. Não é o operador que vai dizer o que eu posso acessar. Eu comprei tantos 
megas e posso acessar texto, vídeo ou fazer um curso de ensino a distância on-line”. 
O novo texto assegura que o usuário vai poder continuar a contratar pacotes de 
velocidades diferentes, mas, dentro daquela velocidade escolhida, ele poderá acessar 
qualquer tipo de aplicativo na internet.
GANDRA, A. Disponível em: www.ebc.com.br. Acesso em: 20 nov. 2013 (adaptado).
Com o aprimoramento dos recursos tecnológicos, a circulação de informações e seus usos 
têm reconfigurado os mais diversos setores da sociedade. O texto trata da legislação que 
regulamenta o uso da internet, criando a seguinte expectativa para o usuário brasileiro:
A Proibição do corte do acesso pelo uso excessivo.
B Aumento da capacidade da rede.
C Mudança no perfil do internauta.
D Promoção do acesso irrestrito.
E Garantia de conexão a baixo custo.
Questão 27 
Para que a passagem da produção ininterrupta de novidade a seu consumo seja feita 
continuamente, há necessidade de mecanismos, de engrenagens.
Uma espécie de grande máquina industrial, incitante, tentacular, entra em ação. 
Mas bem depressa a simples lei da oferta e da procura segundo as necessidades não 
vale mais: é preciso excitar a demanda, excitar o acontecimento, provocá-lo, espicaçá-lo, 
fabricá-lo, pois a modernidade se alimenta disso.
CAUQUELIN, A. Arte contemporânea: uma introdução. São Paulo: Martins Fontes, 2005 (adaptado).
No contexto da arte contemporânea, o texto da autora Anne Cauquelin reflete ações que 
explicitam
A métodos utilizados pelo mercado de arte.
B investimentos realizados por mecenas.
C interesses do consumidor de arte.
D práticas cotidianas do artista.
E fomentos públicos à cultura.
*AM0175AZ25*
LC - 1º dia | Caderno 1 - AZUL - Página 26
Questão 28 
O craque crespo
Desde que Neymar despontou no futebol, uma de suas marcas registradas é o cabelo. 
Sempre com um visual novo a cada campeonato. Mas nesses anos de carreira ainda 
faltava o ídolo fazer uma aparição nos gramados com seu cabelo crespo natural, que ele 
assumiu recentemente para a alegria e a autoestima dos meninos cacheados que sonham 
ser craques um dia.
É difícil assumir os cachos e abandonar a ditadura do alisamento em um mundo 
onde o cabelo liso é tido como o padrão de beleza ideal. Quando conseguimos fazer a 
transição capilar, esse gesto nos aproxima da nossa real identidade e nos empodera. Falo 
por experiência própria. Passei 30 anos usando cabelos lisos e já nem me lembrava de 
como eram meus fios naturais. Recuperar a textura crespa, para além do cuidado estético, 
foi um ato político, de aceitação, de autorreconhecimento e de redescoberta da minha 
negritude.
O discurso dos fios naturais tem ganhado uma representação cada vez mais positiva, 
valorizando a volta dos cachos sem cair no estereótipo do “exótico”, muito comum no 
Brasil. O cabelo crespo, definitivamente, não é uma moda passageira. Torço que para 
Neymar também não seja.
Alexandra Loras é ex-consulesa da França em São Paulo, empresária, consultora de 
empresas e autora de livros.
LORAS, A. O craque crespo. Disponível em: http://diplomatique.org.br. Acesso em: 1 set. 2017.
Considerando os procedimentos argumentativos presentes nesse texto, infere-se que o 
objetivo da autora é
A valorizar a atitude do jogador ao aderir à moda dos cabelos crespos.
B problematizar percepções identitárias sobre padrões de beleza.
C apresentar as novas tendências da moda para os cabelos.
D relatar sua experiência de redescoberta de suas origens.
E evidenciar a influência dos ídolos sobre as crianças.
*AM0175AZ26*
LC - 1º dia | Caderno 1 - AZUL - Página 27
Questão 29 
Canção
No desequilíbrio dos mares,
as proas giram sozinhas…
Numa das naves que afundaram
é que certamente tu vinhas.
Eu te esperei todos os séculos
sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes
guardando sempre o mesmo rosto.
Quando as ondas te carregaram
meus olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,
a tudo quanto existe alheias.
Minhas mãos pararam sobre o ar
e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham
e a lembrança do movimento.
E o sorriso que eu te levava
desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro destas águas sem fim.
MEIRELES, C. In: SECCHIN, A. C. (Org.). Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,

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