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UCT XVI - SP3 Sd Paraneoplásica

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Sp3: Sd. Paraneoplásica
· Leonor, 56 anos;
· Casada, nunca teve filhos apesar de tentar muito;
· Tabagista de um maço de cigarro ao dia desde a adolescência;
· Sempre fez exames preventivos femininos em sua ESF;
· Estava apresentando sinais inespecíficos, como: cansaço, inapetência e um pouco de náuseas nos últimos 3 meses;
· Duas outras coisas chamaram atenção: emagrecimento e uma sensação de indisposição estranha;
· Há cerca de um mês, apresentou discreto sangramento vaginal fora do período menstrual acompanhado de distensão e dor abdominal;
· Médico de família evidenciou um provável aumento de ovário esquerdo, discretamente doloroso e lhe solicitou USG pélvica e exames de sangue para avaliar as condições gerais da paciente;
· Exame confirmou o diagnóstico de neoplasia de ovário, inoperável;
· A terapêutica indicada foi a quimioterapia paliativa.
· Apoio de homecare;
Brainstorming:
· Não conseguia engravidar → endometriose (?);
· Dificuldade para engravidar → procurou ajuda? o parceiro foi avaliado?
· Exame para diagnóstico → biópsia;
· Síndrome paraneoplásica → anda junto com a neoplasia, mas não é a neoplasia;
· Tratamento paliativo;
· Estadiamento da neoplasia de ovário (quando é inoperável);
· Inoperável → metástase(?);
· Climatério tem ganho de peso;
Fluxograma:
Perguntas:
1. Neoplasia de ovário:
a. Etiologia;
Pouco frequente, o câncer de ovário é o tumor ginecológico mais difícil de ser diagnosticado e o de menor chance de cura. Cerca de 3/4 dos cânceres desse órgão apresentam-se em estádio avançado no momento do diagnóstico. Ele representa um grande desafio, pois apesar dos avanços dos métodos propedêuticos e terapias oncológicas, a sobrevida das pacientes não se alterou nas últimas décadas. 
A etiopatogenia dos tumores epiteliais do ovário permanece desconhecida. A rotina ovulatória, por meio de traumatismos repetidos no ovário, foi apontada como causa de inclusões epiteliais. A transformação para malignidade seria favorecida por fatores genéticos, ambiente hormonal, exposição a carcinógenos, entre outros fatores. 
 
EPIDEMIOLOGIA NO BRASIL 
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), foram estimados 6.150 casos novos de câncer do ovário para o Brasil, a cada ano do biênio 2018-2019, com um risco estimado de 5,79 casos a cada 100 mil mulheres e o oitavo mais incidente. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do ovário é o sétimo mais incidente nas Regiões Centro-Oeste (5,83/100 mil), Nordeste (5,04/100 mil) e Norte (2,96/100 mil) e ocupa a oitava posição nas Regiões Sul (7,12/100 mil) e Sudeste (6,40/100 mil).
→ 6ª neoplasia maligna mais frequente.
 
b. Fatores de risco
História Familiar: É o fator de risco mais importante para o desenvolvimento do câncer de ovário. A história familiar positiva eleva o risco em três a quatro vezes, em caso de uma ou duas parentes acometidas. 
Fatores Genéticos: Na presença de síndromes hereditárias, o risco de desenvolver um câncer de ovário pode chegar a 50% ao longo da vida. Identificam-se três padrões distintos de hereditariedade:
Câncer ovariano isolado: na maioria das famílias que apresentam mãe, irmã ou filha com câncer específico de ovário, a relação genética foi verificada no lócus BRCA 1 do cromossomo 17q21. Em algumas situações, a relação genética foi encontrada no lócus BRCA 2 do cromossomo 13q12. Apresenta risco aumentado em 3 a 4 vezes; 
Síndrome de câncer de mama-ovário hereditária: é a relação hereditária mais comum. Representa 85% a 95% de todos os casos de câncer de ovário hereditário identificados. O maior risco da relação hereditária está em mulheres com a incidência de dois ou mais casos de parentes de primeiro grau com câncer de ovário. Na maioria das famílias que apresentam mãe, irmã ou filha com a síndrome de câncer mama-ovário, a relação genética também foi verificada no lócus BRCA 1 do cromossomo 17q21. Em algumas situações, a relação genética foi encontrada no lócus BRCA 2 do cromossomo 13q12; 
Síndrome de câncer ovário-cólon (síndrome de Lynch II ou câncer colorretal não polipoide hereditário): é uma doença autossômica dominante que tem sido encontrada em pacientes com câncer de ovário hereditário e em outros tipos de câncer, tais como: endométrio, urogenital e outros sítios gastrointestinais primários. O câncer colorretal é o principal representante desta síndrome, e o câncer de endométrio é segunda malignidade mais comum em mulheres afetadas. Segundo estudos recentes, as mulheres com este tipo de câncer respondem por 1% dos cânceres ovarianos.
Idade: A incidência aumenta com a idade. A incidência máxima de câncer epitelial ovariano invasivo se dá em torno dos 60 anos. Quando são considerados todos os tipos histológicos, a incidência máxima encontra-se entre os 60 e 65 anos. Aproximadamente 30% dos tumores ovarianos na pós-menopausa são malignos, enquanto apenas 7% dos tumores epiteliais ovarianos na pré-menopausa são francamente malignos. 
Menarca Precoce e Menopausa Tardia: Embora seja um tema controverso na literatura, alguns livros consideram a menarca precoce e a menopausa tardia como fatores de risco para o câncer de ovário. 
Paridade: A doença apresenta maior incidência nas nulíparas. Há um aumento de 30 a 60% do risco. E quanto maior a paridade, menor o risco de Ca de ovário. A idade do primeiro parto não está envolvida com o aumento do risco de câncer ovariano. Raça: É mais comum na raça branca do que na negra. 
Uso de Indutores da Ovulação: Pacientes que são submetidas a protocolos de indução ou estimulação ovariana controlada, seja com citrato de clomifeno ou gonadotrofinas, grupo em que estão inseridas as mulheres inférteis, apresentam um risco maior para o câncer de ovário. 
Fatores Ambientais: A incidência de tumores ovarianos varia entre países diferentes, o que sugere a influência destes fatores. Países industrializados, com exceção do Japão, elevam em duas vezes o risco. A exposição ao asbesto/carbonato de cálcio (talco) na genitália externa tem sido referenciada como fator de risco. No entanto, esta relação é controversa e apresenta resultados conflitantes na literatura. 
Fatores Nutricionais: Dietas ricas em gordura saturada estão associadas à elevação em 1,5 vezes do risco de câncer de ovário. 
Endometriose: O risco de transformação maligna de um endometrioma é estimado em 2,5%. A endometriose pode ser encontrada em carcinoma ovariano mucinoso, seroso, endometrióide e de células claras em 1.4, 4.5, 19.0, e 35.9%, respectivamente. 
Tabagismo: O tabagismo tem sido associado ao desenvolvimento de carcinoma mucinoso, mas não do carcinoma seroso. 
Obesidade: O índice de massa corporal maior ou igual a 30 kg/m2 está associado a um pequeno, porém significante, risco de neoplasia maligna de ovário. 
 
Fatores de Proteção 
A malignidade ovariana surge de um processo anômalo de regeneração da superfície epitelial na ovulação. Assim, fatores que promovem inibição da função ovariana reduzem o risco de câncer de ovário. 
Amamentação: A inibição da função ovariana pela lactação reduz o risco de câncer de ovário em mulheres que teriam amamentado. 
Uso de Contraceptivos Orais: O uso de contraceptivos orais é um fator protetor à carcinogênese, reduzindo os riscos em aproximadamente 50%. Ele é o único modo de quimioprevenção documentado para tumores ovarianos. O uso de progesterona isoladamente também é associado a uma diminuição do risco. 
Ooforectomia Profilática: Remoção cirúrgica de um ou ambos ovários.
Laqueadura Tubária: A laqueadura tubária reduz o risco de câncer de ovário epitelial em cerca de 30%. Possíveis explicações seriam a diminuição do fluxo sanguíneo ovariano pela laqueadura e diminuição potencial da migração de fatores carcinogênicos pela trompa até a cavidade peritoneal.
 
 
c. Fisiopatologia;
Epitelial Seroso de alto grau = + COMUM
Tumores do Epitélio Superficial
A maioria dos tumores ovarianos se origina nas tubas uterinas ou em cistos epiteliais do córtex ovariano. Como mencionado, estudos demonstraram que muitos dos tumores que se acreditava surgirem do epitélio celômico
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