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planejada da terra, a transformação dos meios de trabalho em meios
de trabalho utilizáveis apenas coletivamente, a economia de todos os
meios de produção mediante uso como meios de produção de um tra-
balho social combinado, o entrelaçamento de todos os povos na rede
do mercado mundial e, com isso, o caráter internacional do regime
capitalista. Com a diminuição constante do número dos magnatas do
capital, os quais usurpam e monopolizam todas as vantagens desse pro-
cesso de transformação, aumenta a extensão da miséria, da opressão, da
servidão, da degeneração, da exploração, mas também a revolta da classe
trabalhadora, sempre numerosa, educada, unida e organizada pelo próprio
mecanismo do processo de produção capitalista. O monopólio do capital
torna-se um entrave para o modo de produção que floresceu com ele e
sob ele. A centralização dos meios de produção e a socialização do trabalho
atingem um ponto em que se tornam incompatíveis com seu invólucro
capitalista. Ele é arrebentado. Soa a hora final da propriedade privada
capitalista. Os expropriadores são expropriados.
O sistema de apropriação capitalista surgido do modo de produção
capitalista, ou seja, a propriedade privada capitalista, é a primeira
negação da propriedade privada individual, baseada no trabalho pró-
prio. Mas a produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um
processo natural, sua própria negação. É a negação da negação. Esta
não restabelece a propriedade privada, mas a propriedade individual
sobre o fundamento do conquistado na era capitalista: a cooperação e
a propriedade comum da terra e dos meios de produção produzidos
pelo próprio trabalho.
A transformação da propriedade privada parcelada, baseada no tra-
balho próprio dos indivíduos, em propriedade capitalista é, naturalmente,
um processo incomparavelmente mais longo, duro e difícil do que a trans-
formação da propriedade capitalista, realmente já fundada numa organi-
zação social da produção, em propriedade social. Lá, tratou-se da expro-
priação da massa do povo por poucos usurpadores, aqui trata-se da ex-
propriação de poucos usurpadores pela massa do povo.776
MARX
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776 "O progresso da indústria, cujo portador involuntário e não-resistente é a burguesia, coloca
no lugar do isolamento dos trabalhadores, pela concorrência, sua união revolucionária, pela
associação. Com o desenvolvimento da grande indústria, a burguesia vê, pois, desaparecer
sob seus pés o fundamento sobre o qual ela produz e se apropria dos produtos. Ela produz,
pois, antes de mais nada, seus próprios coveiros. Sua queda e a vitória do proletariado são
igualmente inevitáveis. (...) De todas as classes que hoje se defrontam com a burguesia,
apenas o proletariado é uma classe realmente revolucionária. As demais classes degeneram
e desaparecem com a grande indústria, o proletariado é seu produto mais genuíno. Os
estamentos médios, o pequeno industrial, o pequeno comerciante, o artesão, o camponês,
todos eles combatem a burguesia para evitar que sua existência como estamentos médios
se extinga (...) eles são reacionários, pois procuram guiar a roda da história para trás." (MARX,
Karl e ENGELS, F. Manifest der Kommunistischen Partei. Londres, 1848. pp. 11, 9.)