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Norma Penal

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caráter 
individual e vinculado ao caso concreto, ao contrário 
da lei, que é genérica e abstrata. É a orientação 
firmada pelos tribunais relativamente a determinada 
norma, sem, contudo, conter força vinculante. Não 
 
 
tem coercibilidade genérica, valendo, porém, de 
forma cogente para o caso submetido a julgamento. O 
Direito, protegido pela norma legal manifesta-se 
objetivamente por meio da interpretação judicial, 
concretizando o direito, por isso se afirma que direito 
é aquilo que o Poder Judiciário diz ser. Embora não 
tenha força vinculativa, sua uniformidade reiterada 
acaba sendo absorvida e acatada quer pela primeira 
instância, quer pelos demais tribunais. Quando 
determinadas decisões adquirem unanimidade nos 
tribunais superiores, acabam sendo sumuladas. A 
interpretação judicial vincula o caso concreto que foi 
objeto da decisão, pela força da coisa julgada. 
Excluída a hipótese da súmula vinculante, os 
magistrados não são obrigados a acatar as decisões 
proferidas por outro juiz sobre determinada norma 
jurídica. 
● Doutrinária: é produzida pelos doutrinadores, 
que interpretam a lei à luz de seus conhecimentos 
técnicos, com a autoridade de cultores da ciência 
jurídica. Ou seja, é realizada pelos escritores e 
comentadores da legislação em geral e do direito. Não 
tem força vinculante, mas indica o caminho a seguir, 
serve para fundamentar as decisões jurisprudenciais, 
e sua autoridade, sempre relativa, é proporcional à 
importância dos méritos científicos individuais do 
intérprete. Ademais, tem grande valor científico, pois 
através da doutrina se traçam os pilares do sistema 
jurídico-penal. 
Interpretação quanto aos meios: 
São os critérios clássicos de interpretação da norma 
penal. 
● Gramatical/literal: é a interpretação que se 
fixa no significado das palavras contidas no texto 
legal, ou seja, procura o sentido da lei através da 
função gramatical dos vocábulos. Por esse método de 
interpretação, deve-se atribuir ao texto legal o 
sentido comum da linguagem, partindo-se da 
presunção de que o legislador o tenha preferido. 
Costuma-se atribuir o menor grau hierárquico à 
interpretação gramatical. O intérprete que se atem à 
letra fria da lei como único critério, é um mau 
intérprete, no entanto, normalmente, quase sempre 
se inicia o processo interpretativo pela interpretação 
gramatical. 
● Histórica: graças a interpretação histórica 
podemos compreender as razões e os fundamentos 
de determinado instituto, desta ou daquela norma 
jurídica. No entanto, a maior ou menos importância 
do elemento histórico dependerá de dar-se 
preferência à finalidade que o legislador histórico 
perseguia ou à finalidade objetiva da lei. A doutrina, 
de modo geral, arrola inúmeros aspectos que podem 
figurar como elementos históricos, tais como a 
exposição de motivos, etc. Por fim, destaca-se a 
importância da ligação entre a legislação atual e a 
pretérita. Toda lei faz parte da evolução do direito, 
sendo indiscutível a importância de conhecer as 
origens remotas dos institutos jurídicos. O elemento 
histórico abrange o conhecimento não apenas do 
presente, mas também do passado de uma lei, como 
a lei que fora derrogada. Embora esses elementos 
históricos não sejam vinculantes, oferece ao 
intérprete valiosos dados históricos que não podem 
ser desprezados no ato interpretativo. O ideal é que 
ocorra um entrelaçamento entre a interpretação 
histórica e a teleológica, ou seja, deve-se considerar o 
contexto histórico e os motivos que justificaram seu 
surgimento. 
● Lógico-sistemática: no processo 
interpretativo como um todo, o intérprete se envolve 
com a lógica e procura descobrir os fundamentos 
político-jurídicos da norma em exame. Procura 
relacionar a lei que examina com outras que dela se 
aproximam, ampliando seu ato interpretativo. Busca 
encontrar o verdadeiro sentido da lei, dentro do 
sistema legislativo, afastando eventuais contradições. 
Assim, busca-se situar a norma no conjunto geral do 
sistema que a engloba, para justificar sua razão de 
ser. Esse sistema constitui valoroso instrumento de 
garantia da unidade conceitual de todo o 
ordenamento. Com efeito, a ciência jurídico-penal 
constrói sistemas e microssistemas que auxiliam e 
facilitam a aplicação da lei penal. 
Interpretação quanto aos resultados: 
● Declarativa: expressa tão somente o sentido 
lingüístico, literal do texto interpretado, que seria a 
concordância entre o resultado da interpretação 
gramatical e o da lógico-sistemática. O texto não é 
ampliado nem restringido, correspondendo 
exatamente a seu real significado. Na chamada 
interpretação declarativa stricto sensu, o intérprete 
limita-se a encontrar e declarar a vontade da lei, que 
coincida com as palavras contidas no texto legal. Por 
 
 
isso, nesses casos, o intérprete apenas limite-se a uma 
simples declaração do direito. 
● Restritiva: procura reduzir ou limitar o 
alcance do texto interpretado na tentativa de 
encontrar seu verdadeiro sentido, porque se trata de 
uma exigência jurídica. É restritiva a interpretação 
quando se procura minimizar o sentido ou alcance das 
palavras que objetivam refletir o direito contido na 
norma jurídica. 
● Extensiva: ocorre uma situação inversa à 
restritiva, as palavras do texto legal dizem menos do 
que sua vontade, isto é, o sentido da norma fica 
aquém de sua expressão literal. Ocorre sempre que o 
intérprete amplia o sentido ou alcance da lei 
examinada. 
Analogia 
Nenhuma legislação, por mais abrangente que seja, é 
capaz de contemplar todas as hipóteses que a 
complexidade da vida social pode apresentar ao longo 
do tempo. O direito é lacunoso sob o aspecto 
dinâmico, já que se encontra em constante 
transformação, pois vive em sociedade, evolui com 
ela, recebendo permanentemente os influxos de 
novos fatos: as normas são sempre insuficientes para 
disciplinar toda a variedade de fatos que a vida é 
pródiga em oferecer. 
A analogia não se confunde com a interpretação 
extensiva ou a analógica. A analogia, não é 
propriamente forma de interpretação, mas de 
aplicação da norma legal. A função da analogia não é, 
por conseguinte, interpretativa, mas integrativa da 
norma jurídica. Com ela, procura-se aplicar 
determinado preceito ou mesmo os próprios 
princípios gerais do direito a uma hipótese não 
contemplada no texto legal. Ao contrário da 
interpretação, que busca encontrar a “vontade” da 
lei, a analogia busca supri-la. 
A doutrina tem dividido o instituto da analogia em 
duas espécies: analogia legis e analogia júris. A 
primeira ocorre quando se aplica uma norma legal e 
determinado fato não contemplado no texto legal, e a 
segunda quando o que se aplica são os princípios 
gerais de direito. 
O recurso à analogia não é ilimitado, sendo excluído 
das seguintes hipóteses: a) nas leis penais 
incriminadoras – como essas leis, de alguma forma, 
sempre restringem a liberdade do indivíduo, é 
inadmissível que o juiz acrescente outras limitações 
além daquelas previstas pelo legislador. Em matéria 
penal, repetindo, somente é admissível a analogia 
quando beneficia a defesa; b) nas leis excepcionais, os 
fatos ou aspectos não contemplados pelas normas de 
exceção são disciplinados pelas de caráter geral, 
sendo desnecessário apelar a esse recurso integrativo; 
c) nas leis fiscais – estas têm caráter similar às penais, 
sendo recomendável a não admissão do recurso à 
analogia para sua integração. 
A analogia tampouco se confunde com a 
interpretação analógica (que é uma espécie de 
interpretação extensiva), na medida em que esta 
decorre de determinação expressa da própria lei. Não 
se trata de analogia em sentido estrito, como 
processo integrativo da norma lacunosa, mas de 
“Interpretação por analogia”, isto é, um processo 
interpretativo analógico previamente determinado 
pela lei, ou seja, um meio indicado para integrar