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Como fazer os Métodos de um artigo científico [Artigos científicos_Redigir, Publicar, Avaliar]

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Método
O método é a ferramenta com a qual o ser humano constrói o seu conhecimento.
Aristóteles, 384-322 a.C, filósofo grego.
6.1 O que se entende por método?
6.2 Para que serve a seção de método
6.3 Estrutura da seção de método
6.4 Tipos de delineamento
6.5 Cenário da pesquisa
6.6 Seleção de participantes para estudo
6.7 População fonte e população externa
6.8 Elegibilidade dos participantes
6.9 Tipos de amostra
6.10 Amostra institucional e amostra populacional
6.11 Tipos de grupocontrole
6.12 O que informar sobre a seleção dos participantes para estudo
6.13 Coleta de dados para a pesquisa
6.14 Avaliação cega
6.15 Etiologia dos erros na coleta de dados
6.16 Diversidade de situações e subjetividade na aferição
6.17 Validade e confiabilidade da informação
6.18 Classificação das variáveis
6.19 Variável dependente e independente
6.20 Desfecho primário e secundário
6.21 O que informar sobre a coleta de dados da pesquisa
6.22 Intervenção em teste
6.23 Métodos estatísticos
6.24 Ética
6.25 Tamanho da seção de método
6.26 Sugestões
6.27 Comentário final
6.28 Referências
Na estrutura do artigo científico, logo após a seção introdutória, aparecem as informações sobre o método empregado na investigação, assunto do presente capítulo. O roteiro utilizado na apresentação dos temas é mostrado na seção 6.3 e detalhado nas seguintes. Dentre os tópicos abordados no capítulo, estão conceitos de metodologia científica, epidemiologia e estatística, úteis para a análise crítica das
evidências e para aprimorar o relato da investigação.
▸6.1 O que se entende por método?
Método, segundo o dicionário Houaiss, “é um processo organizado, lógico e sistemático de pesquisa”. Representa o caminho para se chegar a um fim. Restringindo-se ao sentido com que estamos usando neste livro, método compreende o material e os procedimentos adotados na pesquisa de modo a poder responder à questão central da investigação. Inclui, dentre outros, o tipo de delineamento, a forma de seleção dos indivíduos para compor a amostra do estudo, a maneira de coletar dados e de analisá-los. Os procedimentos se tornaram, com o passar do tempo, complexos e cientificamente mais válidos, o que fez com que essa seção do artigo possa estar repleta de informações especializadas.
Considera -se material da pesquisa os produtos, como medicamentos e meios de cultura, e os indivíduos investigados. Por isso, a seção é designada também pela expressão material e método. Alguns editores preferem substituir a palavra material, quando lidam com pesquisa clínica, por participantes, pacientes e população, se pessoas sadias. Há críticas sobre o uso de população para designar subgrupos populacionais, sobretudo se referentes a pequeno número de indivíduos. Existem outras denominações: grupo populacional, casuística e sujeitos são exemplos. Essa última parece tradução do termo inglês subjects, muito usado na literatura anglo-saxônica. Nas pesquisas in vivo, em laboratório, material refere-se, geralmente, a animais.
▸6.2 Para que serve a seção de método
A introdução do artigo científico, como detalhado no capítulo anterior, informa de “que” trata a investigação e o “porquê” de sua realização. Na sequência, aparece a seção de método que esclarece “como”, “onde ” e “quando” o estudo foi realizado. O autor fornece as informações necessárias e suficientes para o leitor entender a investigação, seus aspectos positivos e limitações. Com o conhecimento dos detalhes da pesquisa, avalia-se a qualidade, a aplicabilidade e a replicabilidade dos resultados. Esses três tópicos são abordados nos próximos parágrafos.
▸A Qualidade do estudo: a validade interna da investigação
A validade interna diz respeito à qualidade. As seguintes questões referem-se à validade interna: O estudo é bom? As conclusões são adequadas para a amostra investigada? O que foi feito e relatado pelo investigador é apropriado para alcançar o objetivo proposto?
Se houver restrições quanto aos procedimentos adotados, as conclusões da investigação estarão enfraquecidas e serão provavelmente contestadas pela comunidade científica. A credibilidade do trabalho científico advém, principalmente, de o investigador ter feito uma boa pergunta e empregado método condizente para respondê-la. E, bem entendido, relatado o que fez de maneira clara e correta.
Exemplo 6.2A A alta validade interna dos ensaios clínicos
Os estudos randomizados são os que alcançam posição mais elevada na hierarquia dos produtores de evidências clínicas (ver 4.6B). Com o uso desse tipo de delineamento, busca-se controlar a situação de tal modo que as influências passíveis de distorcer os resultados sejam afastadas ou neutralizadas. Os participantes são alocados, aleatoriamente, para formar pelo menos dois grupos, o experimental e o controle. Os pertencentes ao grupo experimental são submetidos a uma intervenção, negada ao grupocontrole. Todos os participantes são acompanhados de maneira semelhante, se possível com o emprego de aferição duplo-cega, para verificar a ocorrência dos desfechos de maneira não viesada. O efeito da intervenção é assim examinado, objetivamente, em condições controladas de observação, o que significa alta validade interna.
▸B Aplicabilidade dos resultados: a validade externa da investigação
Validade externa tem o sentido de generalização dos resultados para populações ou grupos que não participaram no estudo.1 Diz respeito à capacidade de fazer
inferências sobre uma população externa. A descrição correta da parte metodológica da investigação possibilita o leitor julgar a aplicabilidade dos resultados.
Exemplo 6.2B Aplicabilidade dos resultados de pesquisa clínica
Um clínico, ao ler um artigo científico, pode aquilatar o grau de relevância da informação e a possibilidade de aproveitá-la em sua prática diária. A generalização dos resultados para além da amostra investigada – em especial para outros locais que não dispõem de dados semelhantes – depende de vários fatores, dentre os quais, as características dessa amostra serem semelhantes às dos pacientes daquele clínico leitor do artigo e os procedimentos empregados serem exequíveis no local de prática desse clínico. Para que esses aspectos sejam avaliados pelo leitor, eles devem estar descritos no artigo.
▸C Replicabilidade da pesquisa
Os subsídios fornecidos pelos autores devem possibilitar a repetição da pesquisa por pessoas interessadas e chegar a resultados semelhantes. Descreve-se o método em detalhes suficientes para que o leitor, conhecedor do assunto e com acesso aos dados originais, possa testar os resultados relatados.2 Essa repetição é importante, pois permite afastar a simples coincidência como explicação para os resultados de uma investigação. Um dos critérios para a credibilidade de uma alegação – por exemplo, de um medicamento ser eficaz no tratamento de uma doença ou de uma dada prática ser prejudicial para a saúde – é constatar-se a concordância de resultados, empregando-se a mesma metodologia, por diferentes pesquisadores, em diferentes locais (ver coerência, na seção 8.18, Critérios para julgar relação causal).
Exemplo 6.2C Recomendações sobre replicabilidade nas instruções para autores do Brazilian Journal of Medical and Biological Research 3
“Devem ser fornecidas informações suficientes no próprio texto ou por intermédio da citação de trabalhos publicados em revistas de fácil acesso de modo a permitir que o trabalho possa ser repetido.”
▸6.3 Estrutura da seção de método
Como em outras seções do artigo, o leitor espera encontrar na seção de método uma sequência lógica de exposição dos temas.
▸A Tópicos a abordar na seção de método
Uma relação de itens para constar dessa parte do artigo está disposta na Tabela 6.1. A redação será mais bem conduzida se elaborada por itens. A seção de método, quando bem estruturada, torna aparente ao leitor os tópicos descritos. Redigir por itens auxilia o autor a não esquecer pontos relevantes da investigação. São muitos os pormenores a serem fornecidos, mas
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