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Como fazer a Discussão de um artigo científico [Artigos científicos_Redigir, Publicar, Avaliar]

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Discussão
A ciência nada mais é do que o senso comum refinado e disciplinado.
Gunnar Myrdal, 1898-1987, economista sueco.
8.1 Para que serve a seção de discussão
8.2 Estrutura da seção de discussão
8.3 Realce para os achados principais da pesquisa
8.4 Validade da investigação
8.5 Limitações da própria investigação
8.6 Limitações relacionadas ao tipo de delineamento
8.7 Aspectos positivos da investigação
8.8 Comparação crítica com a literatura
8.9 Viés como explicação para os resultados das investigações
8.10 Acaso como explicação para os resultados das investigações
8.11 Interpretação dos achados: síntese
8.12 Interpretação de estudos positivos: o erro do tipo 1
8.13 Interpretação de estudos negativos: o erro do tipo 2
8.14 Diferença estatística e diferença clínica
8.15 Interpretação dos achados: tópicos adicionais
8.16 Associação e relação causal
8.17 Etapas no estudo da associação de eventos
8.18 Critérios para julgar relação causal
8.19 Verdade, certeza, realidade e conhecimento
8.20 Teste da refutabilidade
8.21 Mecanismos para explicar os achados
8.22 Conclusão
8.23 Validade externa da investigação: a generalização dos resultados
8.24 Generalização estatística: da amostra para a população amostrada
8.25 Generalização não estatística: aplicação dos resultados para além da população amostrada
8.26 Implicações, perspectivas, recomendações
8.27 Cuidados na conclusão
8.28 Conclusão sempre no fim da discussão?
8.29 Tamanho da seção de discussão
8.30 Sugestões
8.31 Comentário final
8.32 Referências
Adiscussão é a quarta e última parte do corpo do artigo científico original. Uma estrutura para a discussão, mostrada na seção 8.2, serve de guia para apresentação dos assuntos no capítulo. Entremeados aos temas do capítulo, estão conceitos de metodologia científica, epidemiologia e estatística, úteis para a análise
crítica das evidências e para aprimorar o relato da investigação.
▸8.1 Para que serve a seção de discussão
Em resultados, assunto do capítulo anterior, o autor apresenta os principais achados da sua pesquisa. Depois, na discussão, tenta dar sentido ao que encontrou. O cerne da discussão é a interpretação dos resultados obtidos e a sua relação com o conhecimento existente, de modo a chegar-se a uma conclusão.
▸8.2 Estrutura da seção de discussão
A discussão é a parte do artigo mais aberta à imaginação do autor de um artigo científico. Também é a que apresenta maior variabilidade de conteúdo se comparada às seções de introdução, método e resultados.
▸A Tópicos a abordar na seção de discussão
Um autor experiente, ao redigir a discussão, coteja os resultados que obteve com o que existe de relevante na literatura científica sobre o tema e emite juízo sobre a qualidade das investigações que cita. Também aponta para as limitações do próprio estudo, comenta como os novos achados integram-se ao corpo de conhecimentos sobre o assunto, conclui e sugere caminhos ou especula sobre a direção para futuras
pesquisas. Os temas apontados estão agrupados na Tabela 8.1, em cinco tópicos, o que serve de estrutura para compor uma seção de discussão. Nem todos serão desenvolvidos com igual profundidade em todas as publicações nem na mesma ordem. A sequência em que aparece no texto é pouco importante, mas os temas apontados são os principais candidatos para serem lidados na discussão.
▸B Fontes de consulta para o relato da discussão
Para auxiliá-lo no relato, o escritor de artigo científico tem a sua disposição •muitas fontes de consulta, dentre as quais: Os livros sobre redação científica, como •o que o leitor tem em mãos As normas de Vancouver; a parte referente à preparação da discussão consta na Tabela 8.2
· As instruções para autores; as de um conceituado periódico de medicina interna, também restritas à discussão, estão transcritas na Tabela 8.3
Tabela 8.1 Estrutura da seção de discussão de um artigo científico original e a localização dos tópicos dessa estrutura nas seções do presente capítulo
Tópicos
Realce para os achados relevantes e originais.
Avaliação crítica da própria pesquisa, em especial, das limitações.
Comparação crítica com a literatura pertinente.
Interpretação dos achados.
Conclusão: inclui generalização, implicações, perspectivas, recomendações.
Seções
8.3
8.4 a 8.7
8.8 a 8.10
8.11 a 8.21
8.22 a 8.28
Tabela 8.2 As normas de Vancouver para a redação da seção de discussão do artigo científico
Enfatizar os aspectos novos e importantes do estudo e as conclusões deles derivadas.
Não repetir detalhadamente dados ou outras informações apresentados nas seções de introdução ou de resultados.
Para estudos experimentais, é útil iniciar a discussão resumindo brevemente os principais achados, depois explorar os possíveis mecanismos ou explicações para esses achados, comparar e contrastar os resultados com outros estudos relevantes, declarar as limitações do estudo e explorar as implicações dos achados para pesquisas futuras e para a prática clínica.
Relacionar as conclusões com os objetivos do estudo, mas evitar afirmações sem
embasamento e conclusões que não tenham sustentação adequada pelos dados. Em especial, os autores devem evitar fazer afirmações sobre benefícios econômicos e custos, a menos que seu original inclua análises econômicas e dados apropriados.
Evitar alegar precedência e aludir a trabalhos que não estejam completos.
Propor novas hipóteses quando justificável, mas qualificá-las claramente como tal. Fonte: Vancouver 2008: item IV.A.8.1
· As recomendações para o relato de investigações, por tipo de estudo ou tema de pesquisa; no guia CONSORT, por exemplo, específico para a redação de estudos randomizados, constam várias recomendações para a seção de discussão do artigo científico; elas estão transcritas nos itens 20 a 22 da Tabela 4.6 (ver 4.9, Diretrizes específicas para o relato de investigações).
▸8.3 Realce para os achados principais da pesquisa
Maneira comum de iniciar a discussão consiste em realçar os achados mais importantes ou os novos conhecimentos desvendados pela pesquisa. Trata-se da resposta do autor, o que os seus dados indicam ante o objetivo da investigação. A resposta, no entanto, é ainda parcial e necessita ser confrontada com o que se publica sobre o assunto, como se mostrará mais adiante.
Tabela 8.3 Instruções para autores do periódico Annals of Internal Medicine sobre redação da seção de discussão do artigo científico
Considere a estruturação da discussão de acordo com a seguinte sequência: – Apresente um breve resumo das principais conclusões, com particular ênfase na forma como os achados contribuem para aumentar o corpo de conhecimentos sobre o assunto.
– Discuta os possíveis mecanismos e explicações para os resultados.
– Compare os próprios resultados com achados relevantes de outros trabalhos publicados. Resumidamente, informe as fontes e métodos da pesquisa bibliográfica que identificaram os trabalhos (por exemplo, busca de artigos em língua inglesa no MEDLINE até julho de 2008). Utilize, quando possível, tabelas e figuras para resumir os trabalhos anteriores.
– Discuta as limitações do presente estudo e quaisquer métodos usados para minimizar ou compensar as referidas limitações.
– Mencione direções relevantes para futuras investigações.
– Conclua com uma breve seção que resuma de maneira simples e direta as implicações clínicas do
trabalho.
Fonte: Annals of Internal Medicine 2008.2
O início da discussão não é local para simples enumeração, repetitiva, de todos os achados já mostrados na seção de resultados. O melhor será, em poucas palavras, resumir ou realçar o que foi encontrado de importante ou de novo, tendo como quadro de referências o objetivo da pesquisa.
A síntese dos resultados, no início da discussão, serve ao propósito de unir o objetivo da investigação aos achados obtidos na pesquisa e de ponte para sua interpretação. A síntese é omitida se não facilitar a redação ou a leitura. Por exemplo, nos textos curtos, e sempre que
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