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Referências de um artigo científico [Artigos científicos_Redigir, Publicar, Avaliar]

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Referências Bibliográficas
Seria útil que o leitor fosse mais particularmente informado.
René Descartes, 1596-1650, filósofo francês.
9.1 Para que servem as referências bibliográficas
9.2 Literatura convencional
9.3 Literatura não convencional (ou cinzenta)
9.4 Seleção das referências para compor o artigo
9.5 Relevância da referência
9.6 Acessibilidade da referência
9.7 Atualidade da referência
9.8 Tipos de citação
9.9 Precaução com as citações
9.10 Enfatizar o fato científico ou o cientista
9.11 Estilo de citação no texto
9.12 Sistema numérico de citação
9.13 Sistema autor-data de citação
9.14 Citação no texto: considerações adicionais
9.15 Lista de referências
9.16 Ordenação da lista de referências
9.17 Normas brasileiras
9.18 Número de referências
9.19 Inferências sobre o autor com base nas referências
9.20 Precisão das listas de referências
9.21 Programas de gerenciamento bibliográfico
9.22 Identificador digital para artigo científico
9.23 Sugestões
9.24 Comentário final
9.25 Referências
Uma pesquisa é fundamentada nos resultados de outras que a antecederam. Uma vez publicada, passa a ser apoio para trabalhos futuros sobre o tema. No relato que faz de sua pesquisa, o autor assinala os trabalhos consultados que julgar
pertinente informar aos leitores, assunto do presente capítulo.
▸9.1 Para que servem as referências bibliográficas
As referências, adequadamente escolhidas, dão credibilidade ao relato. Elas concorrem para convencer o leitor da validade dos fatos e argumentos apresentados. Esses e outros usos das referências bibliográficas de uma obra estão relacionados na Tabela 9.1.
Tabela 9.1 Para que servem as referências bibliográficas
Indicar a fonte de informação utilizada pelo autor.
Situar o trabalho no conjunto de obras sobre o assunto
Fornecer suporte às afirmações contidas no texto.
Dar o crédito a quem merece, sobre ideias, descobertas, alegações.
Possibilitar que o leitor localize a obra e se aprofunde no estudo da matéria.
▸9.2 Literatura convencional
· conhecimento científico é divulgado de diversas formas.1-3 A maneira mais adequada de comunicação se faz por meio das publicações convencionais (ver Tabela 9.2). Dentre elas, os artigos científicos divulgados em periódicos de prestígio assumem posição de destaque na comunicação dos resultados das pesquisas. As publicações convencionais têm maior probabilidade de serem citadas por pesquisadores no relato de suas investigações. Elas são recuperadas com facilidade, pois muitas estão incluídas em bases eletrônicas de dados de literatura científica. Também são elas as empregadas usualmente na avaliação da produtividade de investigadores e de instituições, tema do Capítulo 14.
▸9.3 Literatura não convencional (ou cinzenta)
Sob essa rubrica encontram-se obras que não têm as características imputadas às publicações convencionais (ver Tabela 9.2). São produzidas em diversas esferas (ver exemplo), têm circulação limitada e recuperação difícil, pois raramente são comercializadas e tampouco circulam pelos canais habituais de edição e distribuição de obras científicas.4 A internet tende a modificar essa situação, pois os textos podem ter ampla distribuição em formato digital.5,6 Ao contrário da literatura convencional, a literatura cinzenta não é submetida ao crivo da revisão por pares. Embora autores experientes evitem citá-las em artigos científicos e muitos editores de revistas científicas não as aceitem na lista de referências bibliográficas, podem ser importante fonte de informação.
Tabela 9.2 Classificação da literatura
Literatura convencional: são exemplos, os artigos em periódicos científicos e os livros-textos.
Literatura não convencional – dita cinzenta ou semipublicada; grey literature , em inglês: são exemplos, as dissertações, as teses, as comunicações em eventos, os relatórios técnicos e outros de divulgação restrita.
Na realização de revisão sistemática, são feitas buscas em bases de literatura cinzenta, de modo a complementar o obtido por meio de pesquisa na literatura científica convencional. Pode ser uma boa estratégia, mas os achados por essa via, muitas vezes, correspondem à publicação repetida de artigo publicado nos canais de literatura convencional.
Exemplo 9.3 Frequência de literatura cinzenta em medicina veterinária7
Em amostra composta por 2.159 artigos, representativa de artigos publicados no ano 2000 em 12 importantes periódicos indexados no Journal of Citation Report, foram encontradas quase 56 mil citações. Dessas, 6,4% foram consideradas literatura cinzenta. A maioria (90%) apareceu como conferências, publicações governamentais e literatura de organizações empresariais. Segundo os autores da pesquisa, os resultados corroboram os de outros estudos. Relataram que a incidência da literatura cinzenta é menor em medicina e biologia do que em outras áreas, como agricultura e aeronáutica.
▸9.4 Seleção das referências para compor o artigo
Ao contrário da pesquisa tecnológica, que envolve segredos e patentes, ou do jornalismo, em que fontes de informação são, por vezes, omitidas de propósito para preservá-las de possível hostilidade ou outras formas de pressão, aquelas utilizadas em artigo científico são reveladas com detalhes suficientes para serem encontradas por quem as procure.
Ao citar uma obra, o autor está indicando que a conhece e ela dá respaldo ao seu escrito. O leitor espera que o autor tenha lido as obras citadas e escolhido as mais adequadas. Todo autor de artigo científico terá de selecionar as obras para constar no relato do seu trabalho, dentre as muitas que consultou durante a pesquisa bibliográfica e no desenrolar da investigação. Citar não significa apenas reunir alguns artigos e livros sobre o tema para serem incorporados na lista de referências. As obras citadas corroboram o que se relata e trazem informações adicionais ou esclarecimentos para complementar os pontos levantados. Nem sempre é fácil decidir quais são as obras necessárias, que devem ser incluídas, e as desnecessárias, a serem omitidas por irrelevância ou redundância. As normas de Vancouver sobre o assunto estão na Tabela 9.3 e as de um conceituado periódico de medicina interna na Tabela 9.4.
Tabela 9.3 As normas de Vancouver para a preparação das referências bibliográficas
Embora as referências a artigos de revisão possam ser uma maneira eficiente de guiar os leitores a uma parte da literatura, os artigos de revisão nem sempre refletem o trabalho original com precisão. Portanto, devem- se fornecer aos leitores referências diretas a fontes de pesquisa originais sempre que possível. Por outro lado, extensas listas de referências a trabalhos originais sobre um tópico podem usar muito espaço na página impressa. Um pequeno número de referências a artigos originais importantes normalmente serão tão úteis quanto listas mais exaustivas, especialmente em virtude de que as referências já podem, agora, ser acrescentadas à versão eletrônica de artigos publicados e que a pesquisa eletrônica de literatura permite aos leitores recuperar, de modo eficiente, a literatura publicada.
Evite usar resumos como referências. As referências a trabalhos aceitos, mas ainda não publicados, devem ser designadas como “no prelo” (“in press” ou “forthcoming”); os autores devem obter permissão por escrito para citar tais trabalhos e devem assegurar-se de que foram aceitos para publicação. Informações de originais submetidos, mas não aceitos para publicação, devem ser citadas no texto como “observações não publicadas”, com permissão por escrito da fonte.
Evite citar uma “comunicação pessoal”, a menos que forneça informação essencial não disponível a partir de uma fonte pública; nesse caso, o nome da pessoa e a data da comunicação devem ser citados entre parênteses no texto. Para artigos científicos, os autores devem obter permissão e confirmação por escrito, por parte da fonte da
comunicação pessoal, de que a informação foi citada de forma precisa.
Algumas revistas verificam a precisão
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