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da Psicologia Social, a Psicologia 
sócio-histórica.
Essa Psicologia Social que nos referimos é denominada Psicologia social 
cognitiva e, como afirma Vilela (2007), seus princípios situam-se em F. Alport e 
são institucionalizados pelos discípulos de K. Lewin. 
Kurt Lewin (1890-1947), dentre outras coisas, pensou a dinâmica de 
grupo como um dispositivo facililtador da pesquisa-ação, daquela que produz 
conhecimento ao mesmo tempo em que intervém no campo em análise. Buscou 
explorar as consequências psicológicas dos fenômenos em grupo e, nesse sentido, 
a pesquisa em Psicologia Social ainda hoje se inspira nas suas descobertas e 
teorias. O estudo de pequenos grupos, segundo ele, permitiria que se pudesse 
TÓPICO 3 | A PSICOLOGIA SOCIAL COGNITIVA
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esclarecer questões mais macro a respeito dos fenômenos grupais presentes na 
nossa sociedade. Devido a essa iniciativa, foi um dos responsáveis a tornar a 
Psicologia Social uma ciência experimental. 
Como colocado na introdução, no Brasil, o principal nome e difusor da 
Psicologia social cognitiva é Aroldo Rodrigues, psicólogo formado na primeira 
turma da PUC-Rio. Inicia sua carreira acadêmica com pós-graduação nos 
Estados Unidos. Entre o final dos anos 60 e início dos anos 80, firma-se como 
um importante personagem da Psicologia Social, defendendo a neutralidade e o 
apolitismo da mesma. 
É a partir do trabalho de F. H. Allport que se estabelece uma dicotomia 
que se tornou clássica: a distinção entre uma Psicologia social psicológica e uma 
Psicologia social sociológica. A Psicologia social cognitiva é considerada uma 
espécie de Psicologia social “psicológica”, pois é centrada no indivíduo, em seus 
processos cognitivos e/ou em seu comportamento e, recentemente, volta-se ao 
estudo das emoções e aos processos internos. 
O que fica evidente nesse enfoque é uma ênfase no indivíduo em 
detrimento a aspectos externos/sociais. A sociedade é um elemento ou fator 
“a mais” a ser levado em conta, uma espécie de coadjuvante dos fenômenos e 
processos individuais. Outra forma de explicar o significado dessa terminologia é 
afirmar que a Psicologia social psicológica enfatiza prioritariamente os processos 
psicológicos individuais, compreendendo o social como um mero somatório de 
indivíduos.
DICAS
A respeito da distinção entre a chamada Psicologia social psicológica e 
Psicologia social sociológica, obra que permitiu ampla divulgação no Brasil dessa distinção é 
a publicação brasileira de Raízes da Psicologia social, de Robert Farr (1998).
Esse enfoque da Psicologia Social fica claro na própria definição de 
Psicologia Social trazida por Rodrigues, Assmar e Jablonski (1999, p. 21) no qual, 
segundo esses autores, a “Psicologia Social é o estudo científico da influência 
recíproca entre as pessoas (interação social) e do processo cognitivo gerado por 
esta interação”. Embora se fale em interação social, o foco está no indivíduo 
que reage a esse processo, o foco está nos processos cognitivos decorrentes da 
interação social pura e simplesmente. 
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UNIDADE 1 | PSICOLOGIA SOCIAL: ORIGEM E DEFINIÇÃO
3 ALGUNS CONCEITOS FUNDAMENTAIS
FIGURA 10 – HUMOR E COGNIÇÃO
FONTE: Disponível em: <http://www.antidrogas.com.br/mostraartigo.
php?c=607&msg=Efeitos%20dos%20ester%F3ides%20sobre%20o%20humor%20e%20a%20
cogni%E7%E3o>. Acesso em: 1 nov. 2011.
Em se tratando de Psicologia Social Cognitiva, é necessário entender 
alguns conceitos de suma importância para a compreensão dessa vertente da 
Psicologia Social, assim como para se ter ideia das questões que ela costuma se 
ater em seus estudos. 
Dentre os vários conceitos, destacam-se: percepção ou cognição social, 
atitudes, influência social e papéis sociais. A seguir, nos aproximaremos dessas 
terminologias presentes no vocabulário dessa ênfase em Psicologia Social.
3.1 PERCEPÇÃO OU COGNIÇÃO SOCIAL
FIGURA 11 – COGNIÇÃO SOCIAL
FONTE: Disponível em: <http://popteen-lna.blogspot.com/2011/05/beneficos-da-danca.html>. 
Acesso em: 1 nov. 2011.
TÓPICO 3 | A PSICOLOGIA SOCIAL COGNITIVA
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Quando nos encontramos com o outro, um dos primeiros processos 
desencadeados é o da percepção social. Percebemo-nos um ao outro, o que nos 
possibilita ter uma impressão dele. A partir de nossos contatos com o mundo, 
vamos organizando essas informações em nossa cognição (organização do 
conhecimento no nível da consciência) e é essa organização que será a responsável 
e nos permitirá compreender o que nos rodeia. 
Assim, como exemplo, se vermos uma pessoa de calça jeans, camiseta, 
tênis e com cadernos e livros nas mãos, essas informações nos levarão a pensar que 
esse indivíduo é um estudante. E assim sucessivamente, tendemos a categorizar 
e a classificar os eventos que nos rodeiam a partir da nossa forma de “enxergar” 
os mesmos. Vale ressaltar que essa forma, princípio particular de cada um ver e 
interpretar as coisas, não é algo tão particular ou individual como imaginamos. 
Somos sobrecarregados de informações no cotidiano que nos fazem 
julgar o que é certo e errado, feio e bonito. Utilizando como exemplo esses dois 
adjetivos, consideramos certo ou bonito o que é “normal” e errado ou feio aquilo 
que é “anormal”. Somos tomados por padrões e regras sociais que, na maioria das 
vezes, sem nos darmos conta, nos induzem a termos determinadas convicções. 
NOTA
Pouco refletido, o conceito de “normal” e “anormal” pode ter vários significados. 
O significado mais comum é o da chamada normalidade estatística. É considerado “normal” 
o que é mais comum, o que ocorre com maior frequência, e “anormal” o que é raro ou pouco 
frequente.
Termo com significado semelhante é o de cognição social, trazido por 
Rodrigues, Assmar e Jablonski (1999). Esse pode ser entendido como o estudo 
de como as pessoas fazem inferências a partir da informação obtida no ambiente 
social. 
A partir do nosso processo de socialização (intercâmbio com pessoas 
na família, escola e demais instituições), acabamos coletando informações, 
processando as mesmas e, por último, fazemos julgamentos. Nesse sentido, 
cognição social se refere a esse processo cognitivo no qual, em contato com o 
ambiente social que nos circunda, acabamos formando uma ideia de nós mesmos 
(autoconceito) e categorizamos tudo que está ao nosso redor. 
Em relação à percepção social, voltada para o que está ao nosso redor, 
o que está despertando maior interesse nos psicólogos sociais é o fenômeno de 
como percebemos as outras pessoas, muito mais do que como percebemos as 
coisas. Assim, rotulamos pessoas e grupos (João é mau caráter, italianos são 
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UNIDADE 1 | PSICOLOGIA SOCIAL: ORIGEM E DEFINIÇÃO
“pães-duros”), discriminamos (os velhos tem ideias tradicionais, as mulheres 
não têm algumas habilidades), esperamos que determinados profissionais ajam 
de uma forma preestabelecida (bibliotecários são meticulosos, matemáticos são 
um tanto “loucos”), ou, então, com base nas primeiras impressões que temos, 
tendemos a elaborar teorias a respeito da personalidade das pessoas, o que fará 
com que aceitemos com facilidade tudo aquilo que confirme nossas teorias e a 
rejeitar qualquer informação contrária ao que nós pressupomos. 
Em relação ao autoconceito, para a Psicologia Social é de particular 
relevância a influência da interação social na formação do mesmo. Sempre fomos 
e somos avaliados pelos outros e isso nos dá, em certa medida, a consciência do 
que somos. Para sabermos quem somos “por dentro”, é preciso que dirijamos 
nosso olhar para “fora” de nós. Nossas crenças a respeito de nós mesmos são em 
grande parte resultado do processo de interação social a que estamos submetidos 
diariamente em nossas vidas.
Os psicólogos sociais têm estudado esse processo de constituição das 
nossas impressões sobre nós mesmos e em relação ao que nos rodeia, seja 
utilizando o termo percepção social ou cognição

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