A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
202 pág.
livro (2)

Pré-visualização | Página 12 de 50

social. Esses termos denotam 
claramente o quão social são as nossas percepções e compreender a raiz das 
mesmas é tarefa árdua, que cabe à Psicologia Social realizar.
3.2 ATITUDES
FIGURA 12 – ATITUDES
FONTE: Disponível em: <http://www.blogbrasil.com.br/atitudes-femininas-que-podem-fazem-
um-homem-desistir-do-relacionamento/>. Acesso em: 1 nov. 2011.
Um dos conceitos mais explorado, ao se referir à Psicologia social 
cognitiva, é o de atitudes. Diferentemente do senso comum, que a compreende 
como comportamento, ação, ou seja, nós tomaríamos atitudes, para a Psicologia 
Social nós desenvolvemos atitudes (crenças, valores, opiniões, sentimentos) em 
relação ao que nos rodeia.
TÓPICO 3 | A PSICOLOGIA SOCIAL COGNITIVA
39
Para Bock, Furtado e Teixeira (2002), a partir da percepção que temos do meio 
social e dos outros, o indivíduo vai organizando essas informações e relacionando-
as com afetos (positivos ou negativos) e desenvolvendo uma predisposição para 
agir (favorável ou desfavoravelmente) em relação às pessoas e aos objetos presentes 
no meio social. A essas informações, com forte carga afetiva e que predispõem o 
indivíduo para uma determinada ação, dá-se o nome de atitudes. Atitudes seriam, 
então, sentimentos pró ou contra pessoas ou coisas com quem entramos em contato. 
Segundo Rodrigues, Assmar e Jablonski (1999, p. 98), atitude social seria “[...] uma 
organização duradoura de crenças e cognições em geral, dotada de carga afetiva 
pró ou contra um objeto social definido, que predispõe a uma ação coerente com as 
cognições e afetos relativos a este objeto”. Essas atitudes, em sua grande parte, são 
aprendidas e servem para nos ajudar a lidar com o ambiente social.
Fica evidente que as atitudes são anteriores à ação. Nossas ações teriam 
relação direta com as atitudes que temos. Se tivermos uma atitude positiva 
em relação à determinada pessoa, por exemplo, é bastante provável que 
nosso comportamento em relação à mesma seja amistoso, a trataremos bem. 
Vale a ressalva de que nem sempre temos uma relação direta entre atitude e 
comportamento, nem sempre é possível prevermos o comportamento de alguém 
a partir do conhecimento de sua atitude. Nosso comportamento é resultante 
também da situação dada, ao contexto na qual nos encontramos com os outros. A 
título de exemplificação, imaginemos uma situação na qual estamos extremamente 
atrasados para algum compromisso importante. Com essa variável, é bastante 
provável que você não se comporte da forma prevista em relação ao seu melhor 
amigo ao encontrá-lo na rua. A situação, nesse momento, apresenta elementos 
que interferem no comportamento esperado.
Segundo Rodrigues, Assmar e Jablonski (1999), embora existam inúmeras 
formas de conceituar atitude, as atitudes sociais contam com três componentes 
claramente discerníveis: o componente cognitivo, o componente afetivo e o 
componente comportamental.
O componente cognitivo diz respeito à representação cognitiva que criamos 
a respeito das coisas. As crenças, o conhecimento, a maneira de “ver” ou “encarar” 
o objeto em questão constituem o componente cognitivo da atitude. Para que se 
tenha uma carga afetiva pró ou contra alguma coisa é necessário que tenhamos 
alguma representação cognitiva a respeito. Pensando em pessoas preconceituosas, 
é evidente que é necessário que tenham uma série de cognições a respeito do grupo 
que é objeto de discriminação. Alguém que não gosta de índios vê sentido esse 
parecer por considerá-los selvagens, ameaçadores, preguiçosos etc., por exemplo.
O componente afetivo pode ser definido como o sentimento pró ou contra 
um determinado objeto social, é o componente característico das atitudes sociais. 
O componente cognitivo e o comportamental são apenas importantes para que 
se tenha acesso às atitudes propriamente ditas (sentimentos envolvidos). O 
componente afetivo, então, dá uma conotação afetiva às coisas e nos leva ao 
componente comportamental.
40
UNIDADE 1 | PSICOLOGIA SOCIAL: ORIGEM E DEFINIÇÃO
Posição aceita por grande parte dos psicólogos sociais é a de que as atitudes 
possuem um componente ativo e coerente com as cognições e afetos envolvidos, o 
chamado componente comportamental. As atitudes (componente afetivo) seriam 
a força motivadora para a ação e a relação entre atitude e o comportamento acaba 
por ser um dos grandes campos de interesse da Psicologia Social. 
Apesar de serem relativamente estáveis, as atitudes podem ser modificadas. 
A partir do que foi colocado até então, dá-se, para a Psicologia social cognitiva, ao 
elemento cognitivo, um papel fundamental. A mudança no elemento cognitivo 
resultará em mudança no componente afetivo e no comportamental. Se pegarmos 
como exemplo a ação preconceituosa em relação aos negros percebe-se que o 
elemento-chave está nas crenças construídas em relação a esse grupo. Percebidas 
que as crenças não têm sentido, serão modificados os componentes afetivos e os 
comportamentos relacionados, a discriminação em si. A seguir, a relação entre os 
três componentes:
QUADRO 3 – RELAÇÃO ENTRE OS TRÊS COMPONENTES DAS ATITUDES
Componente cognitivo → Componente afetivo (atitude propriamente dita) → Componente comportamental
FONTE: O autor
É importante ressaltar, como expõem Bock, Furtado e Teixeira (2002), 
que existe uma forte tendência a mantermos os componentes das atitudes em 
consonância. Informações positivas em relação às mulheres, por exemplo, 
levarão ao afeto positivo. Informação positiva e afeto positivo levarão a um 
comportamento favorável em direção a elas.
IMPORTANT
E
É chamado de dissonância cognitiva (teoria desenvolvida por Festinger) o 
processo no qual se tem crenças divergentes, cognições contraditórias, que estimulam a 
pessoa a substituir sua cognição, atitude ou comportamento, buscando um equilíbrio entre 
essas instâncias.
TÓPICO 3 | A PSICOLOGIA SOCIAL COGNITIVA
41
3.3 PRECONCEITO, ESTEREÓTIPOS E DISCRIMINAÇÃO
FIGURA 13 – DISCUSSÃO
FONTE: Disponível em: <http://www.inclusive.org.br/?p=19051>. Acesso em: 1 nov. 2011.
Vamos agora buscar refletir a respeito de três termos que relacionados 
referem-se a comportamentos negativos direcionados a pessoas ou grupos 
específicos, baseados em um julgamento prévio mantido mesmo diante de fatos 
que mostrem a incoerência dos mesmos.
Pelo fato de o preconceito ainda estar bastante entranhado nas relações 
humanas, dilema decorrente é a sua origem. Embora a facilidade com que o 
adquirimos nos faça pensarmos que há uma predisposição inata, a aprendizagem 
pode ser responsabilizada em grande parte por este fenômeno.
É um fato que o preconceito não é fruto da nossa época. Ele talvez seja tão 
velho quanto a humanidade, como bem coloca Rodrigues (1999). Independente 
do momento no qual ele ocorre, o que é notório e bastante preocupante são os 
males decorrentes do mesmo. Temos como exemplo mais estarrecedor de todos 
o holocausto, momento em que milhões de judeus foram aniquilados, grupo 
politicamente indesejado pelo movimento nazista chefiado por Adolf Hitler. 
De forma bastante simplificada, pode-se afirmar que o preconceito 
revela-se por meio de comportamentos hostis contra indivíduos pelo fato de os 
mesmos fazerem parte de um grupo socialmente desvalorizado. Falamos então de 
preconceito contra as mulheres ou sexismo, preconceito contra os homossexuais, 
homofobia, preconceito contra os idosos ou ageísmo, etc. Dentre as várias formas 
possíveis de preconceito, destaca-se a que se dirige a grupos em função de 
características físicas ou fenotípicas herdadas: trata-se do preconceito racial ou 
étnico. Seja por raça, credo ou cor, qualquer grupo social (e não apenas minorias) 
pode ser alvo de preconceito. 
Segundo Rodrigues (1999), apenas por volta dos anos 20 é que o preconceito 
passa a ser uma questão discutida, principalmente pelo fato de que até esse 
momento praticamente

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.