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Ao ver um sinal vermelho em um semáforo, se meu comportamento for parar, 
isso revela que estou ciente (tenho consciência) das leis e das regras de trânsito, 
por exemplo. Para a Psicologia Social, essa é uma leitura bastante simplista e que 
reduz o conceito a ter acesso a algumas informações ou não.
De acordo com Franco (2010), pelo contrário, temos acesso à consciência 
quando se exige investigarmos a própria vida das pessoas, as relações sociais, as 
condições sociais e históricas que essas estão submetidas, visto que o homem, 
como afirmam Bock, Furtado e Teixeira (2002), diferente dos animais, reage ao 
mundo, compreendendo-o através da formação de ideias e imagens, assim como 
estabelecendo relações entre essas informações. Nesse sentido, a consciência acaba 
sendo um certo saber a respeito das coisas, a partir do momento que reagimos ao 
mundo, compreendendo-o, “sabendo-o”. Como maneira de reagir ao mundo está 
em constante movimento.
Bock, Furtado e Teixeira (2002) buscam analisar como é formada a 
consciência e afirmam, categoricamente, que a consciência não é manifestação 
de alguma capacidade mística do cérebro humano. Pelo contrário, é produto das 
relações sociais que os homens estabelecem. Através delas, construímos nossa 
compreensão sobre o mundo, sobre si mesmo e os outros. Embora não se possam 
negar as características físicas do cérebro ou até mesmo o aperfeiçoamento do 
mesmo no decorrer dos tempos, a Psicologia Social procura dar maior ênfase às 
condições externas, como: o trabalho, a vida social e a linguagem. 
TÓPICO 2 | ATIVIDADE E CONSCIÊNCIA
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Sem dúvida, a grande contribuição da utilização dos termos “atividade” 
e “consciência” para a Psicologia reside na articulação entre subjetividade e 
objetividade. Essa relação é fundamental para o avanço da ciência psicológica, ao 
compreender o fenômeno psíquico a partir de um plano social e histórico.
Dessa forma, a atividade humana orienta a formação da consciência ao 
mesmo tempo que a consciência do homem explica a atividade humana. Em 
outras palavras, a consciência transforma-se com a atividade humana, é um 
produto social, assim como a atividade humana é produto da consciência, pode 
ser explicada através da consciência do(s) sujeito(s). Nesse sentido, a relação entre 
atividade e consciência pode ser assim esquematizada:
ATIVIDADE → CONSCIÊNCIA
CONSCIÊNCIA → ATIVIDADE
Para Codo et al. (1992), o grande mérito de Leontiev e da relação 
estabelecida por ele entre atividade e consciência foi a de explicitar e sistematizar 
a relação homem-mundo como algo constituinte da Psicologia. Nesse sentido, 
o conceito de atividade demarca um objeto de estudo da Psicologia ao situar o 
homem na realidade objetiva, ao mesmo tempo que transforma essa realidade em 
subjetividade. 
Para Leontiev, citado por Codo et al. (1992), a consciência é constituída por 
um conjunto de representações formadas a partir da apropriação dos significados 
socialmente contituídos pelos grupos na qual o indivíduo se encontra em processo 
de relação contínua; por isso, o estudo das representações sociais para se ter 
acesso à consciência, como será exposto a seguir.
Outra questão pertinente duvidosa é: como podemos estudar a consciência 
dos indivíduos já que ela é invisível por se tratar do mundo interno? Para Bock, 
Furtado e Teixeira (2002), no mundo observável, conseguimos ter acesso a ela. 
Um exemplo disso é o estudo das representações sociais, que seriam uma espécie 
de expressões da consciência veiculadas pela linguagem. 
Quando alguém discursa ou simplesmente fala sobre algum assunto, não 
deixa de estar se referindo ao mundo e esse movimento expressa sua consciência 
através das suas representações sociais, sentido construído coletivamente 
(crenças, valores, opiniões construídos no decorrer de nosssa vida a partir da 
nossa vivência em sociedade). Fica evidente, então, que o desenvolvimento da 
consciência é um produto social. Isso fica claro na fala de Lefébre (apud FRANCO, 
2004. p. 183) quando afirma que “[...] as representações sociais e sua reconstrução, 
via desenvolvimento da consciência, formam-se pela construção de ideias, a partir 
das condições reais que, justamente, representam o primado econômico, social e 
político deste ou daquele grupo, ou desta ou daquela classe social”.
146
UNIDADE 3 | CATEGORIAS FUNDAMENTAIS EM PSICOLOGIA SOCIAL
ESTUDOS FU
TUROS
No próximo tópico exploraremos melhor o significado de “representação social”, 
bem como a sua importância na Psicologia Social, sobretudo no campo da pesquisa.
LEITURA COMPLEMENTAR
Se atendermos a relação entre mundo interno e objetivo chegaremos em 
um termo que traz exatamente essa relação. Concebido como coerência ou união 
entre teoria e prática ou, no nosso caso, como convergência entre consciência e 
atividade, o conceito de práxis, construído principalmente por Marx, talvez seja 
o que mais deixa clara a relação sempre existente entre esses dois mundos que se 
autorregulam. Conceito tido como distinto para alguns autores e idêntico para 
outros, mostra que a atividade humana é algo intencional e relativa à consciência. 
O texto a seguir traz a práxis enquanto relação entre essas duas esferas.
O QUE É A PRÁXIS
A. S. Vázquez
Toda práxis é atividade, mas nem toda atividade é práxis. [...] Por 
atividade em geral entendemos o ato ou conjunto de atos em virtude dos quais 
um sujeito ativo (agente) modifica uma matéria-prima dada. Justamente por sua 
generalidade, essa caracterização da atividade não especifica o tipo de agente 
(físico, biológico ou humano) nem a natureza da matéria-prima sobre a qual atua 
(corpo físico, ser vivo, vivência psíquica, grupo, relação ou instituição social) 
nem determina a espécie de atos (físicos, psíquicos, sociais) que levam a certa 
transformação. O resultado da atividade, ou seja, seu produto, também se dá em 
diversos níveis: pode ser uma nova partícula, um conceito, um instrumento, uma 
obra artística ou um novo sistema social. [...]
A atividade propriamente humana apenas se verifica quando os atos 
dirigidos a um objeto para transformá-lo se iniciam com um resultado ideal, ou 
fim, e terminam com um resultado ou produto efetivo, real. Nesse caso, os atos 
não só são determinados causalmente por um estado anterior que se verificou 
efetivamente – determinação do passado pelo presente –, como também por algo 
que ainda não tem uma existência efetiva e que, no entanto, determina e regula os 
diferentes atos antes de desembocar em um resultado real; ou seja, a determinação 
não vem do passado, mas sim do futuro.
TÓPICO 2 | ATIVIDADE E CONSCIÊNCIA
147
Esse modo de articulação e determinação dos diferentes atos do processo 
ativo distingue radicalmente a atividade especificamente humana de qualquer 
outra que se encontre em um nível meramente natural. Essa atividade implica 
a intervenção da consciência, graças a qual o resultado existe duas vezes – e em 
tempos distintos: como resultado ideal e como produto real. O resultado real, que 
se quer obter, existe primeiro idealmente, como mero produto da consciência, 
e os diferentes atos do processo se articulam ou estruturam de acordo com o 
resultado que se dá primeiro no tempo, isto é, o resultado ideal. Em virtude 
dessa antecipação do resultado real que se deseja obter, a atividade propriamente 
humana tem um caráter consciente. Sua característica é que, por mais que o 
resultado real diste do ideal, trata-se, em todo caso, de adequar intencionalmente 
o primeiro ao segundo. Isso não significa que o resultado obtido tenha de ser 
necessariamente uma mera duplicação real de um modo ideal preexistente. Não; 
a adequação não tem por que ser perfeita. Pode assemelhar-se pouco, e/ou mesmo 
nada, ao fim original, já que este sofre mudanças, às vezes radicais, no processo 
de sua realização. Desse modo, para que se possa falar de

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