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a respeito de determinado fato ou objeto, que 
expectativas desenvolvem a respeito disso ou daquilo. Essas representações são 
construídas socialmente e podem ser explicadas ao nos voltarmos à situação real 
e concreta dos sujeitos que as emitem.
Em síntese, as representações sociais surgem como consequência das 
relações sociais que estabelecemos. Por todo momento lidarmos com fenômenos 
e objetos desconhecidos, nos sentimos obrigados a de alguma forma construir 
interpretações para os mesmos no sentido de dar conta da angústica do não 
conhecimento, bem como para sabermos lidar com estes fatos novos. As 
representações sociais estão presentes nos espaços de comunicação interpessoal, 
na mídia ou em todos os lugares em que vigora o senso comum. 
Desta forma, as representações sociais têm uma função bastante prática, 
que pode ser tipificada da seguinte forma:
• Função de saber: permite uma explicação e compreensão da realidade;
• Função identitária: permite a constituição de uma identidade para o grupo. 
As explicações são compartilhadas e favorecem a criação de normas e regras 
comuns;
• Função de orientação: guia os comportamentos e as práticas dos sujeitos e dos 
grupos;
• Função justificatória: possibilita que entendamos os motivos das ações dos 
sujeitos em um determinado contexto social.
Em relação à utilidade de estudar as representações sociais, Oliveira e 
Werba (1998) afirmam que conhecê-las significa conhecer o modo de como os 
grupos humanos constroem um conjunto de saberes que expressam sua identidade 
e, principalmente, o conjunto de códigos culturais que revelam as regras de uma 
comunidade, que busca dar significado às crenças coletivas, às ideologias, aos 
saberes populares e ao senso comum. Esses estudos são fundamentais já que, 
muitas vezes, praticamos determinadas ações, como, por exemplo, comprar e 
votar, não por razões lógicas e racionais, mas por razões afetivas, simbólicas, 
míticas, religiosas etc. 
Allansdottir, Jovchelovitch e Stathoupoulou (apud GUARESCHI, 1995, p. 
203), trazem três postulados que revelam a relevância do conceito: 
UNIDADE 3 | CATEGORIAS FUNDAMENTAIS EM PSICOLOGIA SOCIAL
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a) É um conceito abrangente, que compreende outros conceitos tais 
como atitudes, opiniões, imagens, ramos de conhecimento.
b) Possui poder explanatório: não substitui, mas incorpora os outros 
conceitos, indo mais a fundo na explicação causal dos fenômenos.
c) O elemento social, na teoria das representações sociais, é algo 
constitutivo delas, e não uma entidade separada. O social não 
determina a pessoa, mas é parte substantiva dela. O ser humano é 
tomado como essencialmente social.
O estudo das representações sociais nos leva a várias dimensões, como: o 
que as forma e quais os efeitos dessas representações. Isso faz dela um conceito 
amplo, dinâmico, político-ideológico (valorativo) e, por isso tudo, social. A teoria 
das representações sociais sugere que as conheçamos para compreendermos 
o comportamento das pessoas. O conceito de representação social aponta a 
necessidade de partirmos das relações sociais para compreender como e por que 
os homens agem e pensam de determinada maneira, afirmando o caráter histórico 
da consciência. Essa talvez é a grande contribuição dessa área para a Psicologia 
Social e, por que não, para a Psicologia considerada como um todo.
4 COMO SÃO CRIADAS AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS
Em relação à origem dessa forma de pensamento social, podemos 
afirmar que a explicação é psicossociológica, ou seja, o processo de gênese das 
representações sociais tem início nas mesmas circunstâncias e ao mesmo tempo 
em que se manifestam. Dito de outra forma, surgem da dinâmica que se estabelece 
entre a atividade psíquica do sujeito e o objeto do conhecimento ou da relação 
mundo interno e externo ou, ainda, subjetividade/objetividade. Sujeito e objeto 
formam um conjunto indissociável. 
Buscando dar conta da resposta para como são criadas as representações 
sociais, a grande questão que se coloca é: as representações sociais tratam-se 
de conhecimentos inerentes à própria sociedade ou pensamentos elaborados 
individualmente? A resposta parece transitar entre esses dois extremos. Trata-se 
de uma compreensão alcançada por indivíduos que pensam, mas não sozinhos. A 
semelhança de opiniões entre pessoas pertencentes ao mesmo grupo demonstra 
o quanto as pessoas tendem a pensar juntos sobre os mais diversos assuntos. 
Moscovici (apud OLIVEIRA; WERBA, 1998) chama de “sociedade pensante”, 
algo localizado entre uma explicação estritamente sociológica e uma concepção 
puramente psicológica. 
Oliveira e Werba (1998), tentando entender a formação e a origem das 
representações sociais, constatam que as criamos para tornar familiar o não 
familiar. O que eles querem dizer com isso? Segundo esses autores, tendemos a 
gerar um movimento que se processa internamente no sentido de gerar um “bem-
estar”, visto que tendemos a rejeitar o estranho, o diferente, ou seja, negamos 
informações novas, sensações e percepções que nos trazem desconforto. 
TÓPICO 3 | REPRESENTAÇÕES SOCIAIS
155
Nesse sentido, fala-se em “universo consensual”, referindo-se ao lugar 
onde todos compartilham das mesmas crenças e onde alguém pode falar em 
nome do grupo. Por outro lado, existem os chamados “universos reificados”, 
que são mundos restritos, onde circulam a ciência e as teorizações abstratas. No 
“universo consensual”, encontramos as teorias do senso comum e a produção 
de representações sociais que teriam o intuito de tornar o novo ou o não 
familiar em algo socialmente conhecido e real. O universo reificado da ciência 
pode ser transferido ao universo consensual. Essa tarefa é constantemente feita 
por jornalistas, comentaristas econômicos, professores, ao utilizar os meios de 
comunicação de massa e vincular informações que serão amplamente divulgadas. 
Ambos os universos (reificado e consensual) atuam simultaneamente no sentido 
de explicar ou dar conta da realidade.
A partir dos conceitos de “universo reificado” e “universo consensual” 
surgem outros dois conceitos importantes: ancoragem e objetivação, processos 
sociocognitivos responsáveis por grande parte da formação das representações 
sociais. Ancoragem é o processo no qual procuramos classificar, encontrar um 
lugar para encaixar o não familiar. Esse processo é importante no nosso dia a dia, 
já que nos auxilia a enfrentar as dificuldades de compreensão ou conceituação. 
Um exemplo trazido por Oliveira e Werba (1998) é quando começou a 
ser vinculado o problema da AIDS. Diante da incapacidade de ser entendida e 
compreendida, uma das formas encontradas pelo senso comum para dar conta 
dessa ameaça, foi “ancorá-la” como uma peste, mais especificamente “a peste 
gay”. Assim representada, embora de forma equivocada e preconceituosa, a nova 
doença pareceu menos ameaçadora ao ser categorizada como algo. 
Já a objetivação é o processo pelo qual procuramos tornar concreto, visível, 
uma realidade. Um exemplo típico e citado por Moscovici (apud OLIVEIRA; 
WERBA, 1998) refere-se à religião. Ao chamar Deus de pai, busca-se objetivar 
uma imagem jamais visualizada (Deus), em uma imagem conhecida (pai), o que 
facilita a ideia do que seja “Deus”.
5 COMO AS INVESTIGAMOS
Se o estudo das representações sociais faz parte da Psicologia Social, não 
há como falarmos delas sem adentrarmos ao campo da pesquisa. Nesse sentido, 
não é possível afirmar que existe uma metodologia única para a investigação das 
representações sociais. Encontramos desde investigações de ordem quantitativa 
como as que trabalham com dados qualitativos, assim como algumas fazem uso 
dessas duas abordagens.
Uma vez definido o problema a ser estudado e o público-alvo, a grande 
questão que se coloca é qual aspecto será investigado para, em seguida, elaborar 
o instrumento e/ou o procedimento da pesquisa.

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