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evidência com Marx, entendida 
como um instrumento de dominação.
• Apesar de utilizado indescriminadamente, o termo alienação refere-se ao 
mistério de ser e não ser ao mesmo tempo, sobretudo quando o trabalhador 
não se enxerga no produto produzido por ele ao vender sua força de trabalho 
aos proprietários dos meios de produção.
RESUMO DO TÓPICO 4
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AUTOATIVIDADE
1 Você tem ideologia? A respeito dessa pergunta, defina ideologia a partir das 
duas grandes formas de compreendê-la. Feito isso, responda também: Você 
é alienado? Caso sim, acha justo isso?
176
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TÓPICO 5
COMUNIDADE E SOCIEDADE
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
A afirmação de que o ser humano é um ser social é presente tanto em 
abordagens sociológicas como psicológicas, mais centradas no indivíduo. Esta 
crença parece ser incontestável, embora alguns acreditem que isto se dá por nos 
construirmos inseridos em grupos e, outros, por termos uma natureza social inata 
(carregamos desta forma uma espécie de “gene da sociabilidade”). A primeira 
hipótese para a Psicologia social se demonstra mais coerente. Aristóteles afirma 
que o homem não pode deixar de viver em sociedade, o que provavelmente 
justifica a ideia de que nascemos abertos para nos construirmos mais ou menos 
sociais, mesmo que seja difícil nos isolarmos por completo.
A partir desta constatação, de que um componente quase indiscutível 
na existência humana sejam as relações sociais e o convívio em comunidade/
sociedade, neste momento iremos aprofundar estes dois conceitos, que trazem à 
tona a necessidade das relações sociais e de alguma forma estarmos organizados, 
concepção que de alguma forma esteve presente em todo o caderno. Embora 
muitas vezes tidos como sinônimos, há diferenças importantes entre os conceitos. 
Estas diferenças serão apresentadas a seguir, partindo do princípio de que temos 
a decadência das comunidades e a emergência das sociedades. Vamos lá!
2 O CONCEITO DE COMUNIDADE
O termo “comunidade” é usado cotidianamente, entretanto, na maioria 
das vezes de forma pouco rigorosa. Podendo significar coisas bastante distintas, 
de forma geral está relacionado ao lugar em que grande parte da vida cotidiana 
é vivida. 
Autora que analisa este conceito com afinco é Bader B. Sawaia, trazendo 
alguns elementos bastante significativos, que serão expostos a seguir. 
Para Sawaia (2008), o conceito de comunidade por muito tempo não fez 
parte do arcabouço teórico da Psicologia. Passou a fazer parte apenas nos anos 
70, quando um ramo da Psicologia social se autoqualificou de comunitária. A 
descoberta da comunidade não foi algo exclusivo da Psicologia social. Fez parte 
de um movimento mais amplo que avaliou criticamente o papel social das 
ciências. No caso da Psicologia social, trouxe ganhos enormes, sobretudo no 
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sentido de propor uma teoria crítica que passa a interpretar o mundo no sentido 
de transformá-lo. Vale lembrarmos que é rotineiro o uso deste conceito de forma 
demagógica, significando compromisso com o povo e/ou união com o mesmo. 
Dada a diversidade de significados e o uso demagógico citado há pouco, é 
importante, primeiramente, se discutir este conceito, suas múltiplas significações 
e o enfoque privilegiado. É na Sociologia, ciência emergente no início do século 
XIX, que este conceito ganha destaque, onde principalmente o foco está em 
diferenciar comunidade de sociedade.
NOTA
Karl Marx difere de forma significativa com os teóricos da sua época que 
traziam as diferenças entre comunidade e sociedade. Segundo ele, a sociedade é conflitiva, 
dado o que ele chama de luta de classes. No modo de produção vigente, o capitalista, o 
individualismo seria exacerbado e se demonstrando inimigo das relações comunitárias.
Na Psicologia, mais especificamente, este conceito aparece de forma 
bastante vaga entre os pioneiros, significando na maioria das vezes o elo entre o 
homem e a sociedade, ou então como sinônimo de sociedade. Wilhelm Wund, em 
1904, no seu estudo sobre psicologia dos povos, apresenta o termo como sinônimo 
de interação coletiva. O fato é que nem mesmo na Psicologia social, que se volta 
à análise da relação homem/sociedade, o conceito de comunidade aparece como 
central. Em lugar dele, o conceito de grupo e interação social aparece de forma 
bem mais significativa.
Segundo Nisbet (apud SAWAIA, 2008, p. 50):
Comunidade abrange todas as formas de relacionamento caracterizado 
por um grau elevado de intimidade pessoal, profundeza emocional, 
engajamento moral [...] e continuado no tempo. O elemento que lhe dá 
vida e movimento é a dialética da individualidade e da coletividade.
Nesta tentativa de conceituação se percebe um aspecto fundamental, que 
é a relação face a face. É este um espaço não antagônico à individualidade, mas 
aquele que permite o amadurecimento e o desenvolvimento do ser humano no 
seu cotidiano.
De acordo com Oliveira (2003), existem algumas características que 
contribuem para a definição de comunidade, dentre elas a nitidez, ou seja, 
sabe-se onde ela começa e onde termina (limite territorial, claro). Cita ainda a 
homogeneidade, tendência para que o curso de uma geração é semelhante ao 
da precedente. Outra característica relevante é a autossuficiência. A comunidade 
consegue atender às necessidades dos seus membros. 
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Muitas são as definições de comunidade, embora na literatura vigente 
percebe-se duas grandes categorias conceituais. A primeira está relacionada 
a uma noção territorial ou geográfica. Nesse sentido, comunidade pode ser 
entendida como um prédio, a vizinhança, um bairro, uma cidade. Pertencer a 
uma comunidade implica em um senso de pertencimento a uma determinada 
região. A segunda diz respeito à qualidade das relações humanas dentro de 
um determinado espaço. Nesta perspectiva, o lugar ou o espaço não garante 
a existência de uma comunidade e, sim, o processo interativo, o alto grau de 
intimidade pessoal, o compromisso moral e o alto grau de coesão social. Esta 
perspectiva parece ser a mais adequada.
O conceito de comunidade passa a ser introduzido de forma mais clara 
na área clínica, a partir da bandeira de humanização do atendimento ao doente 
mental e através das políticas propagadas por vários organismos internacionais, 
como ONU, BID etc. A intenção primordial era promover ações educativas e 
preventivas. A comunidade passa a ser tida como lugar de gerenciamento de 
conflito e de mudanças de atitude. 
Na Psicologia, o trabalho com comunidades se revela bastante diferente, 
a partir da concepção adotada. O termo mudança social revela a diferença 
fundamental entre as duas vertentes principais da Psicologia social apresentadas 
nos tópicos 3 e 4 da Unidade 1. Na Psicologia comunitária de base norte-americana 
a mudança está atrelada à adequação dos setores atrasados e pobres, visando 
adaptá-los ao modo de produção atual. Já para a Psicologia sócio-histórica, a 
mudança social está embasada no ideal revolucionário, o de construir uma nova 
ordem dando fim à exploração.
Atualmente, tomados pelo processo de globalização, que de forma 
bastante simplificada pode ser conceituado como a eminência de uma “aldeia 
global”, surge inclusive um novo tipo de comunidade, chamada de comunidade 
virtual. A partir do avanço da informática e da internet, as relações passam a se 
dar também no espaço virtual. Grupos dos mais diversos, com interesses comuns, 
passam a trocar experiências e informações no ambiente virtual. A dispersão 
geográfica dos membros é uma característica dessas comunidades, bem como o 
uso de tecnologias de informação e comunicação que minimizam as dificuldades 
espaciais e temporais. 
Está na pauta da discussão hoje a repercussão das chamadas redes sociais. 
Quem já não ouviu falar em Orkut, Facebook? A grande questão que se coloca em 
relação ao uso exacerbado desse novo formato de relacionamento

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