A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
202 pág.
livro (2)

Pré-visualização | Página 48 de 50

contemporâneo 
é a tendência descrita por vários estudiosos da área. Ao mesmo tempo em que 
estas tecnologias aproximam pessoas distantes, elas acabam distanciando pessoas 
próximas. Esta acaba sendo a tônica do nosso tempo, onde o anonimato, de vilão, 
passa a ser herói.
180
DICAS
Para saber mais sobre o tema, consulte as seguintes obras abaixo listadas:
FORTIM, I.; FARAH, R. M. (orgs). Relacionamentos na era digital. São Paulo: Giz Editorial, 2007.
RECUERO, R. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2010.
3 COMUNIDADE VERSUS SOCIEDADE: DIFERENÇAS 
FUNDAMENTAIS
Termo muito falado, mas pouco estudado, é o de sociedade, essencial para 
a Sociologia, mas negligenciado pela Psicologia social. 
Segundo Meksenas (1995), dizer o que é exatamente sociedade é algo 
bastante difícil, até porque são muitas as possibilidades de caracterização. 
Segundo ele, em sua definição mais geral, sociedade significa o relacionamento 
dos homens entre si, que, organizado por uma forma distinta de trabalho, dá 
origem a uma cultura. Para ele, existem cinco tipos possíveis de sociedade: tribal, 
escravista, feudal, capitalista e socialista. A organização do trabalho é diferente em 
cada modelo de sociedade e explica se esta é pautada em um sistema igualitário 
ou de dominação.
De forma menos simplista, Dias (2005) conceitua sociedade como um 
grupo de pessoas que ocupam um território comum, compartilham da mesma 
cultura e têm uma identidade compartilhada. As sociedades são unidades não 
somente pelas relações sociais entre as pessoas, mas também entre as instituições 
sociais (família, educação, religião, política, economia). O autor apresenta 
algumas características universais da sociedade elaboradas pelo antropólogo 
Ralph Linton, sendo elas:
• A sociedade, e não o indivíduo, é a unidade que possibilita a sobrevivência dos 
membros que fazem parte dela. Os seres humanos vivem como membros de 
grupos organizados e têm os seus destinos indiscutivelmente ligados ao grupo 
ao qual pertencem;
• Normalmente perdura muito além do tempo de vida dos seus membros;
• É uma unidade funcional e operante, ou seja, funcionam como entidades 
próprias e os interesses dos membros individualmente estão subordinados aos 
do grupo como um todo;
• As atividades necessárias são divididas e distribuídas aos vários membros.
Temos como exemplo a sociedade brasileira, onde as pessoas que a 
formam ocupam um mesmo território, compartilham da mesma cultura e têm a 
sensação de pertencer a ela. 
181
Dias (2005) cita alguns tipos de sociedade onde, para ele, a característica 
fundamental de cada uma está na relação com a tecnologia presente em cada 
momento histórico. Segundo ele, temos, através dos tempos, as “sociedades de 
caçadores-coletores” (utilizavam tecnologia simples para caçar animais e coletar 
vegetação), as “sociedades de horticultura e de pastoreio” (momento em que 
surgem os primeiros seres humanos produtores de alimentos), “sociedades 
agrárias” (baseadas fundamentalmente na agricultura), “sociedades industriais” 
(as tarefas passam a ser realizadas por máquinas) e a chamada por ele “sociedade 
pós-industrial” (surgindo como produto da tecnologia da informação – 
computadores e outros dispositivos eletrônicos).
Em relação à diferença entre comunidade e sociedade, para Oliveira (2003), 
quando falamos em comunidade, estamos falando em um tipo de sociedade. 
Segundo ele, existem dois tipos de sociedade: a comunitária e a societária.
Por sociedade comunitária entende-se aquela pequena, com uma divisão 
simples do trabalho e, consequentemente, com limitada diferenciação de papéis. 
As relações sociais são duradouras e os contatos sociais são pautados em uma 
base emocional. Há pouca necessidade da lei formal. Vários estudos apontam 
que um aspecto bastante positivo encontrado nas favelas brasileiras é exatamente 
a rede de relações próximas que possibilita a ajuda mútua entre os membros. 
Nestas comunidades predominantemente compostas por pessoas de baixa renda 
não são raras dificuldades das mais variadas. Para dar conta destes entraves, 
recurso utilizado com frequência são os laços sociais estreitos, onde o problema 
de um acaba sendo o problema de todos.
Recente artigo intitulado “Pobreza e redes sociais em uma favela 
paulistana”, de autoria de Reinaldo de Almeida e Tiaraju D’Andrea, trouxe 
elementos importantes acerca do funcionamento de uma grande favela da zona 
sul de São Paulo, Paraisópolis. Na referida pesquisa contatou-se que as redes 
sociais permitem que circulem benefícios materiais dos mais diversos, bem como 
e fundamentalmente afetivos (amizades, patrimônio, apoio emocional etc.). Estas 
relações próximas contribuem para fomentar de forma bastante intensa a integração 
socioeconômica dos membros daquela comunidade, atenuando as condições de 
vulnerabilidade. Embora não seja uma regra, este e outros estudos demonstram 
características semelhantes em comunidades de baixa renda de todo o país.
Por outro lado, a chamada sociedade societária é caracterizada pela 
acentuada divisão do trabalho e pela proliferação de papéis sociais. As relações 
sociais tendem a ser transitórias, superficiais e impessoais. Os indivíduos associam-
se uns aos outros em função de propósitos bastante objetivos. Prevalecem os 
acordos racionais de interesses. Este tipo de agrupamento social caracteriza muito 
bem o que predomina hoje. O contato social é cada vez mais evitado e, quando 
ocorre, se deve a dar conta de problemáticas bastante específicas. Assim que 
resolvidas, a tendência é que o contato seja evitado ou, na melhor das hipóteses, 
não almejado. Embora possa parecer uma leitura bastante rigorosa, não há 
como negar que este parece ser o rumo tomado pela sociedade contemporânea, 
sobretudo nas grandes cidades.
182
NOTA
Um exemplo para distinguir comunidade de sociedade é imaginarmos a 
negociação de uma casa. Se negociarmos com um familiar (comunidade), prevalecerão 
relações emotivas e de exclusividade. Negociando com um desconhecido (sociedade), o 
que irá valer é o uso da razão. As relações tendem a ser bastante distintas.
Nota-se que a tendência atual acaba sendo a transformação das sociedades 
comunitárias em sociedades societárias. “O crescimento das cidades, o suposto 
declínio da importância da família, a extensão da burocracia, o enfraquecimento 
das tradições, o papel diminuído da religião na vida cotidiana, tudo isso comprova 
essa transformação” (OLIVEIRA, 2003, p. 51). 
LEITURA COMPLEMENTAR
A fim de melhor visualizar, segue uma distinção clássica feita por 
Ferdinand Tönnies, sociólogo alemão. Ele apresenta dois tipos básicos de 
organização social, a comunidade (Gemeinschaft) e a sociedade (Gesellschaft).
GEMEINSHAFT E GESELLSHAFT
Para o sociólogo alemão Ferdinand Tönnies (1855-1936), Gemeinshaft 
(comunidade) é definida pelo ato de “viver junto, de modo íntimo, privado e 
exclusivo”, como a família, os grupos de parentescos, a vizinhança, o grupo de 
amigos e a aldeia. Gesellshaft (sociedade ou associação) é definida como “vida 
pública”, como algo em que se ingressa cônscia e deliberadamente.
Nas comunidades os indivíduos estão envolvidos como pessoas completas, 
que podem satisfazer todos os seus objetivos no grupo. Nas sociedades os 
indivíduos também se encontram envolvidos entre si, mas a busca da realização 
de certos fins comuns é específica e parcial.
Uma comunidade é unida por um acordo de sentimentos ou emoções entre 
pessoas, ao passo que a associação é unida por um acordo racional de interesses.
Foi a mudança das normas sociais do século XIX que levou Ferdinand 
Tönnies a fazer essa distinção entre comunidade (Gemeinshaft) e sociedade 
(Gesellshaft), talvez o mais completo conceito da sociologia moderna.
Como afirma Tönnies, a Gemeinshaft, que caracterizava a sociedade 
camponesa europeia pré-moderna típica, consistia

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.