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e as raízes da 
Psicologia Social, percebemos que, apesar de encontrarmos resquícios em toda 
a tradição ocidental, seu florescimento atual é reconhecido como um fenômeno 
caracteristicamente americano. As raízes são vistas como europeias e as flores 
como especificamente americanas. É nos Estados Unidos que ganha um status 
experimental e surge inclusive a primeira forma estruturada de Psicologia Social, 
conhecida como Psicologia Social Cognitiva. 
Embora entremos em maiores detalhes em um tópico posterior é importante 
deixar claro, nesse momento, que a Psicologia Social americana pode ser considerada 
uma forma psicológica de Psicologia Social. Embora seja incontestável que faça 
parte do nascimento da Psicologia Social a relação com a Sociologia e outras 
ciências sociais, o enfoque emergente tem uma natureza bastante individual, típica 
da tradição psicológica dominante da Psicologia Social nos EUA, e alvo de críticas 
por muitos que atestam seu caráter ideológico e mantenedor das relações sociais 
existentes, ou seja, uma Psicologia claramente conservadora.
ESTUDOS FU
TUROS
As características bem como as diferenças entre as considerada Psicologia social 
psicológica e a Psicologia social sociológica serão abordadas em breve quando buscarmos 
compreender as diferentes “psicologias” sociais: Psicologia social cognitiva e Psicologia 
sócio-histórica.
3 A PSICOLOGIA SOCIAL NO BRASIL
FIGURA 7 – PSICOLOGIA SOCIAL NO BRASIL
FONTE: Disponível em: <http://ucha.blogia.com/2009/061601-psicologia-do-esporte-no-brasil-
uma-historia-a-ser-contada....php>. Acesso em: 1 nov. 2011.
TÓPICO 2 | A INVENÇÃO DA PSICOLOGIA SOCIAL
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No Brasil, semelhante ao que ocorreu em toda a América Latina, a 
influência maior na Psicologia foi a norte-americana. É pertinente a afirmação 
de que a primeira obra em Psicologia Social foi publicada em 1921. De autoria de 
Francisco José de Oliveira Viana e intitulada “Pequenos estudos de Psicologia”, 
foi composta de vários artigos, dentre eles alguns com temas enfatizando o meio 
social e o meio político. 
É importante ressaltar que nessa época já havia um pensamento psicossocial 
no Brasil. Dentre os autores mais relevantes, destacam-se, ainda no século XIX 
e na passagem para o século XX, Sylvio Romero, Raimundo Nina Rodrigues e 
Manoel Bomfim, todos frutos de um momento no qual se tinha o predomínio das 
ideias positivistas de forma bastante evidente. O regime escravocrata era uma 
questão bastante discutida em suas obras.
IMPORTANT
E
Positivismo: termo complexo e com reflexos em várias áreas, designa uma 
corrente de pensamento que prevê que a ciência é a única explicação legítima da realidade. 
A Psicologia, assim como nas demais ciências humanas defende a noção de que se deve 
adotar os mesmos métodos nas ciências da natureza, como a objetividade e a mensuração.
Na década de 30 surgem os primeiros cursos superiores em Psicologia 
Social, dos quais se destaca o ministrado em 1935 por Arthur Ramos e que resultou 
na edição do livro “Introdução à Psicologia Social”, em 1936. 
Ao tentar compreender a origem da Psicologia Social no Brasil, exercício 
interessante é, primeiramente, analisar o que a Psicologia buscou explicar e fazer 
através dos tempos. Antunes (1999) expõe que já no Brasil Colonial encontramos 
estudos sobre fenômenos psicológicos embutidos em outras áreas, como: Teologia, 
Pedagogia, Política e Arquitetura. 
A produção daquele momento se debruçava sobre o estudo das emoções, 
sentidos, autoconhecimento, adaptação ambiental, diferenças raciais, entre 
outros temas. Escritos por autores de formação jesuítica, a intenção claramente 
detectável era a de contribuir para o controle dos indígenas.
Mais tarde, com a vinda da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro, 
são muitas as alterações sociais associadas. O crescimento das cidades, sem 
infraestrutura e preparo apropriado, faz emergir problemas até então não tão 
alarmantes, como: doenças, miséria, prostituição e loucura. Surge uma demanda 
de serviços até então inexistentes, como: educação em seus diversos níveis. 
UNIDADE 1 | PSICOLOGIA SOCIAL: ORIGEM E DEFINIÇÃO
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É nesse período (século XIX) que se desenvolvem, no país, as ideias de 
saneamento (físico e moral) e higienização das cidades. Os conteúdos psicológicos 
aparecem nas produções médicas para caracterizar as doenças mentais e morais 
presentes nas prostitutas, nos pobres e nos loucos. É o período da criação dos 
grandes hospícios. Buscava-se uma sociedade livre da desordem e dos desvios.
O final do século XIX trouxe a República e no século XX tem-se a 
modernização da sociedade brasileira, a Psicologia começa a se separar como 
área. Acontece a efetivação da Psicologia enquanto ciência autônoma e a produção 
da Psicologia se atém à Educação, as escolas transformam-se em verdadeiros 
laboratórios e surge o movimento chamado Escola Nova.
IMPORTANT
E
Escola Nova foi o nome dado ao movimento que ganhou impulso na década 
de 1930 que pregava a Educação como elemento-chave para o crescimento do país. Buscou 
uma renovação na Educação a partir da defesa de métodos ativos e criativos, diferente do 
que era feito até então.
As ideias psicológicas nesse período podem ser caracterizadas pelo 
interesse em diferenciar as pessoas, pois a predominância é a de que as 
capacidades são inerentes ou não aos indivíduos. Com esse intuito, percebe-se 
o desenvolvimento dos testes psicológicos, instrumentos que permitiam essa 
prática diferenciadora e categorizadora da Psicologia. O chavão “o homem certo 
no lugar certo” também está presente, principalmente associado à Administração 
e à gestão do trabalho, no qual se busca, a todo custo, a seleção de trabalhadores 
para as empresas.
Em síntese, para Bock (2003), temos o controle como marca fundamental 
no período colonial, a higienização no início do século XIX e a diferenciação no 
século XX. Já no século XX a institucionalização da Psicologia torna-se evidente 
e, em 1962, tem-se como marco a Lei nº 4.119, que regulamentou a profissão no 
país. Nos anos que se seguem, proliferaram, no país, os cursos de Psicologia, 
associações profissionais e científicas, assim como a abertura de campos de 
trabalho, indicando que a Psicologia passa a se desenvolver com vigor.
Diante do que foi colocado até então, fica claro que a tradição da Psicologia 
no Brasil foi marcada por um compromisso com as elites, a partir da constatação 
de que o interesse maior era controlar, higienizar, categorizar e diferenciar, 
objetivos claramente de uma minoria e necessários à manutenção e/ou incremento 
do lucro, dentre outros interesses secundários. 
TÓPICO 2 | A INVENÇÃO DA PSICOLOGIA SOCIAL
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Assim, a Psicologia se institui como uma ciência extremamente 
conservadora, pouco ou praticamente nada preocupada com qualquer tipo 
de projeto de transformação social. Adotou no seu início uma perspectiva 
essencialmente naturalizante de homem e de seu desenvolvimento psíquico 
(BOCK, 2003).
UNI
Você deve se perguntar: o que significa isso? Vamos lá!
O que fica evidente até esse momento é uma concepção de fenômeno 
psicológico como algo possível de ser explicado a partir do próprio sujeito. O 
fenômeno psicológico pode ser considerado naturalizado e universal, por se ter 
a prevalência da ideia de que está em todos nós, ao nascermos, e se desenvolverá 
conforme o homem for entrando em contato com o meio no qual está inserido. 
Essa concepção teve como resultado uma Psicologia de costas para a realidade 
social, já que naquele momento não se sentiu necessidade de fazer referência ao 
cotidiano vivido pelas pessoas, à cultura, às relações sociais, para compreender o 
mundo psíquico. Nessa concepção predominante até então, a sociedade não tem 
papel algum, já que é vista como algo externo ao sujeito, que nada tem a ver com 
seu desenvolvimento.
Nesse sentido a

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