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Saúde pública e coletiva.

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achados de Pelotas, pois durante o tempo que 
durou essa intervenção, não houve aumento no consumo de medicamento (PINHEIRO; 
BARROS; MATTOS, 2007).
Segundo dados do Boletim Farmacológico do Sistema Nacional de Gerenciamento 
de Produtos Controlados – SNGPC (2013), o clonazepam foi o benzodiazepínico mais 
consumido entre os anos de 2007 e 2010. Em 2007 foram dispensado aproximadamente 
29 mil caixas e em 2010 o consumo ultrapassou 10 milhoões. Vale ressaltar que no 
presente estudo no CSF do bairro Sinhá Sabóia o benzodiazepínico mais consumido 
foi o diazepam. 
Diante do exposto, os benzodiazepínicos são fármacos necessários e seguros 
para determinadas condições de saúde, mas precisam ser usados com cautela. O 
baixo custo e a facilidade de se conseguir uma receita médica, na maioria das vezes 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 2 Capítulo 1 8
não prescrita por psiquiatra, favorecem o uso inadequado. É importante ressaltar que, 
além do tratamento farmacológico, mudanças de hábitos (prática de exercícios físicos 
e alimentação adequada) e psicoterapia auxiliam no tratamento do paciente. 
5 | CONSIDERAÇÕES FINAIS
Sobre o consumo de psicotrópicos no presente estudo, o benzodiazepínico 
mais dispensado foi o diazepam 5 mg, no entanto o consumo deste medicamento 
e dos demais psicofármacos ficou relativamente estável. Neste contexto, podemos 
observar que o livro de controle dos medicamentos psicotrópicos contribuiu para esse 
resultado, pois somente foi possível estabilizar o consumo após o controle mensal da 
dispensação de cada paciente. 
É conhecida a preocupação mundial do uso indiscriminado de psicotrópicos, 
principalmente os benzodiazepínicos. Assim, salientamos a necessidade da 
implementação de serviços que garantam o seu uso racional, preservando a saúde da 
população e reduzindo os gastos públicos; a participação do farmacêutico e de uma 
assistência farmacêutica efetiva é essencial para este propósito. Entendemos, que são 
necessários mais estudos para melhor conhecer e avaliar esta situação. Também é 
fundamental uma educação continuada dos médicos, buscando obter uma prescrição 
racional e a melhor organização do serviço. 
A Assistência Farmacêutica possui uma complexidade de desafios a serem 
enfrentados, dessa forma é indispensável à presença do profissional farmacêutico 
na Equipe de Saúde da Família, pois as intervenções farmacêuticas não apenas 
produzem resultados clínicos, mas podem produzir uma economia substancial para o 
município. 
Dessa forma, a aquisição da assistência farmacêutica na farmácia do CSF 
teve uma melhoria nos gastos desnecessários. A organização da farmácia não foi 
somente dos psicotrópicos, mas também dos demais medicamentos e material médico 
hospitalar. 
REFERÊNCIAS
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Saúde Pública e Saúde Coletiva 2 Capítulo 2 10
CAPÍTULO 2
A INTERCONSULTA NA ESTRATÉGIA SAÚDE 
DA FAMILIA (ESF) COMO FERRAMENTA PARA A 
PROMOÇÃO DA INTEGRALIDADE
Maria Tayenne Rodrigues Sousa,
Escola de Formação em Saúde da Família 
(EFSFVS), 
Sobral-CE.
Antônia Sheilane Carioca Silva
Escola de Formação em Saúde da Família 
Visconde de Sabóia – EFSFVS,
Sobral-CE
Antônia Luana Diógenes
Escola de Formação em Saúde da Família 
Visconde de Sabóia – EFSFVS,
Sobral-CE
Carliane Vanessa Souza Vasconcelos
Escola de Formação em Saúde da Família 
(EFSFVS), 
Sobral-CE.
Juliana Moita Leão
Escola de Formação em Saúde da Família 
Visconde de Sabóia – EFSFVS,
Sobral-CE
Yuri Ribeiro de Sousa
Centro Universitário Christus,
Fortaleza, CE.
RESUMO: “A interconsulta constitui uma 
tecnologia leve, facilitadora e potencializadora 
para a integralidade do trabalho nos serviços 
de saúde. ” (FARIAS, 2015, p.2077). Segundo 
Bortagarai (2015) a interconulta representa 
um espaço para promoção de relação mútua 
entre os saberes específicos, necessários para 
o tratamento de cada usuário, favorecendo 
o conhecimento do fazer em saúde do outro 
a medida em que compartilha também seu 
núcleo de saber, objetivando a efetividade e 
acessibilidade das ações em saúde no território, 
assim como ciência dos agravos a saúde da 
população adscrita. Este estudo tem como 
objetivo relatar a experiência de uma equipe de 
residentes multiprofissionais em saúde da família 
durante as interconsultas realizadas em um 
Centro de Saúde da Família (CSF) no município 
de Sobral, Ceará. Trata-se de um relato de 
experiência sobre as interconsultas realizadas 
pela equipe de residentes multiprofissionais em 
saúde da família (RMSF) no CSF Coelce, Ceará. 
Através das interconsultas é possível identificar 
as demandas do território, as principais 
necessidades de saúde da população e os 
agravos à saúde prevalente na comunidade, 
viabilizando a realização de intervenções e 
estratégias, compartilhamento de núcleo de 
saber da categoria com o outro profissional e 
com o usuário, buscando dessa forma promover 
a resolutividade, a integralidade do cuidado 
e acessibilidade as ações de saúde no SUS. 
Com isso considera-se que as interconsultas 
fornecem elementos essenciais para a 
abordagem integral e resolutiva, sendo possível 
utilizar o princípio da equidade, selecionando os 
pacientes complexos e casos prioritários para o 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 2 Capítulo 2 11
atendimento individual, favorecendo a integralidade e beneficiando a população. 
PALAVRAS-CHAVE: Interconsulta; Integralidade;

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