A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
estruturasdegestaopublica

Pré-visualização | Página 17 de 31

próprio, desde que criado com observância aos princípios 
públicos.
No entanto, considerando a decisão proferida pelo STF no âmbito da ADI 1923 essa ques-
tão restou pacificada, de modo que as compras e contratações das OS, bem como as seleções 
16
Estruturas de Gestão Pública 
Tr
ib
un
al
 d
e 
Co
nt
as
 d
a 
Un
iã
o
de pessoal, devem ser conduzidas de forma pública, objetiva e impessoal, nos termos do regula-
mento próprio de cada entidade.
São exemplos de OS: 
 » Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncroton (ABTLuS); 
 » Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (ACERP); 
 » Associação Brasileira para o Uso Sustentável da Biodiversidade da Amazônia 
(BIOAMAZÔNIA); 
 » Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM); 
 » Associação Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (INPA); 
 » Associação Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (ARNP); 
 » Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).
3.3 Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP)
A definição de Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) é muito pare-
cida com a definição das organizações sociais, exceto pelo vínculo firmado com o Poder Público, 
que é feito por meio do termo de parceria.
Em termos simples, são pessoas jurídicas de Direito Privado, sem fins lucrativos, instituídas 
por iniciativa de particulares, para desempenhar serviços sociais não exclusivos de Estado, com 
incentivo e fiscalização do Poder Público, mediante vínculo jurídico estabelecido por meio de 
termo de parceria.
Se OS e OSCIP são entidades organizadas pela própria 
sociedade, quais são as diferenças entre elas?
A Lei 9.790/1999 dispõe sobre a qualificação de entidades privadas como OSCIP, institui e 
disciplina o termo de parceria.
17
Tribunal de Contas da União
Aula 3 - Descentralização de Atividades
Esse normativo relaciona entidades que não podem qualificar-se como OSCIP, a exemplo 
de, entre outras: 
 » sociedades comerciais; 
 » sindicatos; 
 » associações de classe; 
 » instituições religiosas; 
 » organizações partidárias; 
 » organizações sociais; 
 » cooperativas; 
 » fundações públicas.
A lei também contém um rol das áreas sociais em que a entidade a ser qualificada com 
OSCIP deve atuar, como, por exemplo: 
 » assistência social; 
 » cultura; 
 » educação gratuita; 
 » saúde gratuita; 
 » desenvolvimento econômico e social e combate à pobreza; 
 » segurança alimentar e nutricional.
Além disso, a Lei 9.790/1999 contém vários dispositivos semelhantes aos contidos na lei 
instituidora das OS (Lei 9.637/1998), dentre os quais citamos os seguintes:
• Observância dos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, 
economicidade e eficiência (art. 4º, I);
• Previsão de que, em caso de dissolução da entidade, o respectivo patrimônio líquido será 
transferido a outra pessoa jurídica qualificada nos termos desta Lei, preferencialmente 
que tenha o mesmo objeto social da extinta (art. 4º, IV);
18
Estruturas de Gestão Pública 
Tr
ib
un
al
 d
e 
Co
nt
as
 d
a 
Un
iã
o
• A prestação de contas de todos os recursos e bens de origem pública recebidos pelas 
OSCIP será feita conforme determina o parágrafo único do art. 70 da CF/1988 (art. 4º, 
VII, “d”);
• O termo de parceria deve estabelecer as atribuições, responsabilidades e obrigações 
de cada uma das partes, bem como as metas a serem alcançadas e os indicadores de 
desempenho a serem utilizados na avaliação (art. 10, § 2 º);
• O órgão do Poder Público da área de atuação correspondente à atividade fomentada 
dever fiscalizar e acompanhar a execução do termo de parceria, juntamente com os 
Conselhos de Políticas Públicas das áreas correspondentes de atuação existentes, em 
cada nível de governo (art. 11);
• Responsabilidade solidária aos responsáveis pela fiscalização do termo de parceria, 
se não comunicarem ao Tribunal de Contas respectivo e ao Ministério Público as 
irregularidades de que têm conhecimento (art. 12).
As OSCIP também causam divergência acerca da necessidade de licitação. O Decreto 
5.504/2005 exige a observância da legislação federal pertinente, ao passo que a Lei 9.790/1999 
permite a elaboração de regulamento próprio.
Entretanto, mesmo a jurisprudência do TCU, que não era pacificada sobre a necessidade 
de as OS observarem a Lei 8.666/1993 em suas licitações, era firme no sentido de que as OSCIP 
deviam observar seu regualmento próprio nas compras e contratações que realizasse.
A razão dessa diferenciação de tratamentos é que o vínculo estabelecido pela Administração 
com as OS é bem mais estreito do que o existente com as OSCIP, pois:
• deve haver representantes do Poder Público no Conselho de Administração das OS;
• as OS surgem, geralmente, pela extinção de órgão/entidade da Administração Pública.
Para o doutrinador Lucas Rocha Furtado, a diferenciação prática que ocorre entre os dois 
modelos consubstancia-se no seguinte:
• o contrato de gestão firmado com a OS vincula a entidade em toda sua atuação, assim 
como ela passa a depender substancialmente dos recursos públicos;
• o termo de parceria não compromete a autonomia ou independência da OSCIP, pois 
configura o repasse de recursos apenas para realização de atividades específicas, como 
a prestação de um serviço qualquer (por exemplo, capacitação de servidores públicos).
19
Tribunal de Contas da União
Aula 3 - Descentralização de Atividades
Outra diferença marcante entre os dois modelos está nos procedimentos de qualificação 
das organizações. Enquanto a qualificação das OS é ato discricionário, no caso das OSCIP é ato 
vinculado, que só não será realizado se a entidade não cumprir as exigências da Lei 9.790/1999.
Entretanto, ainda assim permanece a discricionariedade na celebração do termo de parce-
ria entre as OSCIP e o Poder Público.
4. Delegação de serviços públicos
Mesmo que a prestação de determinado serviço seja delegada a particulares, a 
titularidade sempre permanece com o Poder Público.
Quais as modalidades de delegação de serviços públicos? 
A delegação também é considerada descentralização de 
atividades?
A delegação de serviços públicos é a transferência da prestação desses serviços a particu-
lares, sempre temporariamente e mediante remuneração.
Entretanto, é importante observar que a titularidade do serviço permanece, de todo 
modo, com o Poder Público, que tem o poder-dever de fiscalizar a adequada prestação do serviço.
Também é bom lembrar que certos serviços públicos, devido a suas características, não 
podem ser delegados. Assim, serviços que necessitam dos poderes e prerrogativas inerentes ao 
Estado (serviços propriamente estatais) não podem ser delegados, como polícia, prestação juris-
dicional, apenação, fiscalização, etc.
O art. 175 da CF/1988 menciona duas modalidades de delegação de serviços públicos:
Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de conces-
são ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos.
Parágrafo único. A lei disporá sobre:
I - o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter 
especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fis-
calização e rescisão da concessão ou permissão;
20
Estruturas de Gestão Pública 
Tr
ib
un
al
 d
e 
Co
nt
as
 d
a 
Un
iã
o
II - os direitos dos usuários;
III - política tarifária;
IV - a obrigação de manter serviço adequado.
Ademais, o art. 21, XI e XII, da CF/1988 mostra outra modalidade de delegação: a autori-
zação. Logo, são três as modalidades de delegação de serviços públicos: concessão, permissão 
e autorização.
Considerando que a delegação de serviços públicos transfere para particulares a execução 
de atividades inicialmente da responsabilidade do Estado, concluímos que também se trata de 
descentralização de atividades

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.