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estatais (no nosso caso, da União).
Veremos, agora, características das três modalidades de delegação de serviços públicos: 
concessão, permissão e autorização.
4.1 Concessão de serviço público
A Lei 8.987/1995 regulamenta o art. 175 da CF/1988 e dispõe sobre o regime de conces-
são e permissão da prestação dos serviços públicos.
O que significa concessão? O serviço pode ser concedido a 
qualquer pessoa, física ou jurídica? 
O que provoca a extinção da concessão?
O art. 2º da Lei 8.987/1995 define concessão de serviço público e concessão de serviço 
público precedida da execução de obra pública, da seguinte forma:
II - concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente, 
mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de em-
presas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo 
determinado;
III - concessão de serviço público precedida da execução de obra pública: a construção, total 
ou parcial, conservação, reforma, ampliação ou melhoramento de quaisquer obras de inte-
resse público, delegada pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de con-
corrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para a sua 
realização, por sua conta e risco, de forma que o investimento da concessionária seja remu-
nerado e amortizado mediante a exploração do serviço ou da obra por prazo determinado;
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Aula 3 - Descentralização de Atividades
Assim, a concessão de serviço público seria, por exemplo: concessões para empresas forne-
cedoras de energia elétrica, empresas de telecomunicações, companhias aéreas, etc.
A concessão de serviço público precedida de obra pública seria, por exemplo, a reforma de 
um trecho de uma rodovia feita por certa empresa, que posteriormente ficaria responsável por 
administrar a rodovia e cobraria pedágio para isso.
Alguns pontos dessa definição merecem destaque: 
• não é possível concessão de serviços públicos a pessoas físicas;
• o prazo da concessão será sempre determinado;
• a licitação será sempre na modalidade concorrência (embora seja permitido que algumas 
concessões sejam feitas por leilão).
A Lei 8.987/1995 define os procedimentos a serem seguidos nas licitações de delegação 
de serviço público, sendo a Lei 8.666/1993 aplicada supletivamente.
Sobre os critérios de julgamento das licitações, é interessante mencionar que o art. 15 da 
Lei 8.987/1995 amplia as possibilidades da Lei de Licitações, prevendo, por exemplo, o menor 
valor da tarifa do serviço público a ser prestado e a maior oferta, nos casos de pagamento ao 
poder concedente pela outorga da concessão.
Outro ponto interessante é que o art. 18-A permite a inversão das fases de habilitação e 
julgamento. Ou seja, pode ser adotado procedimento semelhante ao do pregão. Todavia, a lici-
tação continua na modalidade concorrência.
Por exemplo, suponhamos que a União iria conceder parte de uma rodovia federal. O 
tipo de licitação poderia ser o menor valor da tarifa cobrada (pedágio). Poderia também haver 
a inversão de fases: primeiro as propostas seriam julgadas e classificadas, e só então haveria a 
verificação dos documentos de habilitação da empresa primeira colocada.
O art. 32 da lei traz a hipótese de intervenção na concessão (quando o serviço estiver sen-
do inadequadamente prestado) e o art. 35 enumera os casos de extinção da concessão:
Advento do termo contratual (reversão): é o término do prazo da concessão, pois não existe 
concessão por termo indeterminado;
Encampação: é a retomada do serviço pelo poder concedente durante o prazo da concessão, 
por motivo de interesse público, mediante lei autorizativa específica e após prévio pagamen-
to da indenização;
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Caducidade: o inadimplemento ou adimplemento defeituoso por parte da concessionária; 
é necessária comunicação anterior, estabelecendo prazo para que ela regularize os defeitos 
encontrados;
Rescisão: quando a concessionária consegue, judicialmente, rescindir a concessão por des-
cumprimento de normas contratuais pelo poder concedente;
Anulação: quando houver ilegalidade na licitação ou no contrato;
Falência ou extinção da empresa concessionária e falecimento ou incapacidade do titular, no 
caso de empresa individual.
A lei também estabelece várias outras definições para que a concessão seja bem realizada, 
como: características do serviço adequado; direitos e obrigações do usuário; política tarifária; 
procedimentos adotados na licitação e na contratação; encargos do poder concedente e da 
concessionária; entre outras.
As Parcerias Público-Privadas (PPP), definidas pela Lei 11.079/2004, são modalidades espe-
cíficas de contratos de concessão. Têm como objetivo atrair o setor privado para investimentos 
em projetos de infraestrutura de grande vulto, necessários ao desenvolvimento do país, cujos re-
cursos exorbitam a capacidade financeira do Poder Público. As primeiras PPP realizadas no Brasil 
tiveram como objeto a construção ou ampliação de rodovias.
Logo, as PPP geralmente têm as mesmas características da concessão comum.
Quais as diferenças entre permissão e concessão?
Para saber mais... 
 Â Para saber mais, consulte a Lei 13.303/2016 e o decreto que a regulamentou, Decreto 8.945/2016.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/L13303.htm 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/decreto/D8945.htm
4.2 Permissão de serviço público
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/L13303.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/decreto/D8945.htm
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Tribunal de Contas da União
Aula 3 - Descentralização de Atividades
A característica marcante da permissão de serviço público é a precariedade e 
revogabilidade unilateral do contrato.
O art. 2º da Lei 8.987/1995 define permissão de serviço público, da seguinte forma:
IV - permissão de serviço público: a delegação, a título precário, mediante licitação, da pres-
tação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que de-
monstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco.
De pronto, percebemos algumas diferenças, como:
• possibilidade de permissão de serviço público a pessoas físicas; 
• licitação prévia também necessária, mas não exigida na modalidade concorrência.
Segundo o art. 40 da lei:
“A permissão de serviço público será formalizada mediante contrato de adesão, que obser-
vará os termos desta Lei, das demais normas pertinentes e do edital de licitação, inclusive 
quanto à precariedade e à revogabilidade unilateral do contrato pelo poder concedente” 
(destacou-se).
De acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, aplicam-se às permissões as dispo-
sições relativas às concessões, no que couber, devido às diferenças entre as duas modalidades.
4.3 Autorização de serviço público
Essa modalidade não foi mencionada pelo art. 175 da CF/1988, mas por outros dispositi-
vos esparsos no texto constitucional.
Trata-se de modalidade que não exige licitação nem celebração de contrato. É um ato 
administrativo unilateral, discricionário e precário, destinado a serviços que não exigem muita 
especialização, como serviços de táxi, de despachantes, de segurança particular de residências, 
de transporte rodoviário de passageiros, entre outros.
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o 5. Outros tipos de descentralização
Existem também outros institutos que podem ser considerados tipos de descentralização 
de atividades pela União. Vamos a eles.
5.1 Convênios com entidades privadas sem fins lucrativos
Já foi falado bastante nesta aula acerca de convênios, inclusive sobre os casos em que o 
convenente é uma entidade privada sem fins lucrativos.