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Outras prerrogativas inerentes ao Direito Público são extensíveis às autarquias, como, por 
exemplo, os privilégios processuais outorgados à Fazenda Pública e a prescrição quinquenal das 
dívidas e direitos contra a entidade.
5.1 Autarquias de Regime Especial
As autarquias de regime especial são entidades cujas leis criadoras lhes conferem maior 
autonomia e/ou privilégios, em comparação às autarquias do regime geral do DL 200/1967. 
No entanto, de maneira geral, as características comuns às autarquias são extensíveis a essa mo-
dalidade especifica, a menos, é claro, que a própria lei criadora defina o contrário.
São exemplos de autarquias: Banco Central do Brasil (Bacen), Instituto Nacional do Seguro 
Social (INSS), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Comissão de Valores 
Mobiliários (CVM), Instituto Brasileiro do meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis 
(Ibama).
São consideradas autarquias de regime especial o Bacen, a Comissão Nacional de Energia 
Nuclear (Cnen), a Universidade de São Paulo (Usp) e outras. As agências reguladoras também 
têm sido instituídas sob a forma dessa modalidade especifica.
6. Fundações Públicas
Vistas as características das autarquias, trataremos agora das fundações públicas.
O que são fundações? Como são formadas? 
Em que se diferenciam das autarquias?
As fundações originam-se do Direito Privado e caracterizam-se pela atribuição de persona-
lidade jurídica a um determinado patrimônio, destinando-o a uma finalidade especifica. Assim, 
são três as suas características básicas:
• Existência do instituidor que faz a dotação patrimonial;
• Finalidade social. Deve sempre estar voltada para alguma atividade coletiva e de 
prestação de interesse público;
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Tribunal de Contas da União
Aula 1 - Estruturas da Adm
inistração Pública Federal
• Natureza não-lucrativa. Não pode ter objetivos comerciais ou econômicos.
Nas ultimas décadas, o Poder Público tem instituído fundações, destinando parte do seu 
patrimônio para atividades de interesse coletivo e reservando recursos orçamentários para a ma-
nutenção da entidade criada.
As áreas de atuação das fundações públicas devem enquadrar-se nas 
áreas que serão previstas em lei complementar. CF/1988, art. 37, XIX.
6.1 Natureza jurídica
Quanto à natureza jurídica das fundações públicas, há divergência doutrinária, devido à 
seguinte sequência:
Decreto-Lei 200/1967
As fundações públicas fazem parte da Administração Indireta, sob 
a forma de entidades dotadas de personalidade jurídica de direito 
privado; (DL 200/1967 com redação dada pela Lei 7.596/1987)
Constituição Federal
Atribui diversos privilégios inerentes ao Direito Público e exige lei 
especí� ca para sua criação;(CF/1988)
Emenda Constitucional 19/1998
Exige somente lei autorizativa para criação de fundações públicas, 
equipara-as às empresas públicas e sociedades de economia mista – 
entidades dotadas de direito privado. (Emenda Constitucional 19/1998)
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Estruturas de Gestão Pública 
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Lei Especí� ca
Institui a fundação pública
Entidade de Direito Público
Autoriza a instituição da 
fundação pública por ato do 
Poder Executivo
Entidade de Direito Privado
Apesar da divergência doutrinária, há possibilidade de existência tanto de fundação pú-
blica de Direito Público quanto de fundação pública de Direito Privado. O elemento a definir o 
regime jurídico será a lei que tratar sobre a criação.
Desse modo, a lei que trata sobre a criação da fundação é que vai definir o regime jurídico 
a que estará submetida a entidade.
Continuam a existir, normalmente, as fundações privadas, que são as entidades 
criadas a partir da destinação de um patrimônio particular ao alcance de uma 
finalidade social.
Há autores, como Celso Antônio Bandeira de Mello, defensores da tese de que as fun-
dações públicas de Direito Público, as quais são instituídas diretamente por lei específica, são 
meramente uma espécie do gênero autarquia. Inclusive, esse é o entendimento seguido pelo STF 
e pelo STJ.
Em decorrência da classificação das fundações públicas em entidades de Direito Público ou 
de Direito Privado, é possível existirem estruturas com restrições e prerrogativas diversas.
Por um lado, as fundações públicas de Direito Público, tomadas, pela doutrina, como espé-
cie do gênero autarquia, submetem-se integralmente ao regime jurídico de Direito Público, assim 
como as entidades autárquicas.
Por outro, as fundações públicas de Direito Privado se enquadram num regime jurídico 
híbrido, pois são reguladas, em parte, por normas de Direito Privado, e em outra parte são 
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Tribunal de Contas da União
Aula 1 - Estruturas da Adm
inistração Pública Federal
submetidas a regras de Direito Público, pois a CF/1988, indistintamente, prevê restrições e ga-
rantias às “fundações públicas” (por exemplo, necessidade de licitação e imunidade recíproca). 
Exemplo de norma de direito privado: necessidade de registro dos seus atos 
constitutivos.
Fundação Nacional do Índio (Funai), Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
(IBGE), Fundação Nacional da Saúde (Funasa), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico 
e Tecnológico (CNPq), entre outras, são exemplos de fundações públicas.
7. Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista
Após vermos características das autarquias e das fundações públicas, chegou a hora de 
tratarmos das empresas estatais: as empresas públicas e as sociedades de economia mista.
Quais são as diferenças entre essas duas estruturas? 
E as semelhanças? 
As normas são as mesmas quando prestam serviço público 
ou exploram atividade econômica?
Empresas públicas e sociedades de economia mista são muito semelhantes. Por isso, va-
mos conhecer primeiramente as diferenças entre elas e depois as semelhanças.
As únicas diferenças entre essas duas entidades são:
Empresas Públicas
Sociedades de 
Economia Mista
Forma Jurídica
Podem assumir qualquer forma admitida em direito 
(Sociedades Civis, Sociedades Comerciais, Ltda., S/A, etc.).
Somente podem assumir a forma de 
Sociedade Anônima (S/A).
Composição 
do Capital
Integralmente público. É possível a participação de outros 
entes ou entidades públicas (estados, Distrito Federal, 
municípios ou entidades da Administração Indireta).
Formado também por capital privado. 
Entretanto, a maioria do capital votante 
deve pertencer à União ou a alguma 
entidade de sua Administração Indireta.
Foro 
Processual
Justiça Federal, exceto as causas relativas a falência, acidente 
de trabalho, Justiça Eleitoral e Justiça do Trabalho (CF/1988, 
art. 109, I).
Justiça Estadual.
Exemplos 
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), Serviço 
Federal de Processamento de Dados (Serpro), Caixa 
Econômica Federal (CEF).
Banco do Brasil S/A (BB), Banco da 
Amazônia S/A (Basa), Petróleo Brasileiro 
S/A (Petrobrás).
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Vistas as diferenças entre empresas públicas e sociedades de economia mista, passemos a 
tratar das características que lhes são comuns:
• São pessoas jurídicas de Direito Privado, integrantes da Administração Indireta;
• O regime de pessoal é o previsto na legislação trabalhista (Consolidação das Leis do 
Trabalho – CLT);
• Os empregados são considerados agentes públicos para fins penais (Código Penal, art. 
327, § 1º) e para incidência de sanções contra atos de improbidade administrativa (Lei 
8.429/1992);
• Estão submetidas à exigência de concurso público para admissão de empregados 
(CF/1988, art. 37, II), bem como à proibição de acumulação de cargos, empregos e 
funções públicos (CF/1988, art. 37, XVII);
• Se receberem recursos públicos para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio 
em geral, também se submetem ao teto remuneratório constitucional do funcionalismo 
público (CF/1988, art. 37, § 9º);
• Os dirigentes

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