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Complexidade
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Complexidade é uma noção utilizada em filosofia, epistemologia (por autores como Anthony Wilden e Edgar
Morin), linguística, pedagogia, matemática, química, física, meteorologia, estatística, biologia (por Henri Atlan),
sociologia, economia, medicina, psicologia, informática ou em ciências da computação ou da informação. A
definição varia significativamente segundo a área de conhecimento. Frequentemente é também chamada teoria
da complexidade, desafio da complexidade ou pensamento da complexidade .
Trata-se de uma visão interdisciplinar acerca dos sistemas complexos adaptativos, do comportamento
emergente de muitos sistemas, da complexidade das redes, da teoria do caos, do comportamento dos sistemas
distanciados do equilíbrio termodinâmico e das suas faculdades de auto-organização.
Esse movimento científico tem tido uma série de consequências não só tecnológicas mas também filosóficas. O
uso do termo complexidade é portanto ainda instável e na literatura de divulgação frequentemente ocorrem usos
espúrios, muito distantes do contexto científico, particularmente em abstrações ao conceito (crucial) de não-
linearidade.
O termo é também usado por alguns como sinônimo de epistemologia da complexidade, um ramo da filosofia
da ciência inaugurado no início dos anos 1970 por Edgar Morin, Isabelle Stengers e Ilya Prigogine .
Existe também uma teoria de complexidade computacional, que é um filão científico mais estável e melhor
definido e que evoluiu separadamente daquele referente ao conceito de sistema não linear, mas afinal está
sutilmente ligado a este.
Índice
1 Epistemologia da complexidade
1.1 O pensamento complexo
1.1.1 Proposta
1.1.2 Princípios
1.1.3 Temas da complexidade
1.1.3.1 Auto-organização, fractalidade e emergência
1.1.3.2 Mudança, evolução e realimentação
1.1.3.3 Campo, cultura, ecologia e ambiente
1.1.3.4 Caos, desordem e incerteza
1.1.3.5 Ampliação da consciência e relação corpo-mente
1.1.3.6 Desconstrução, novas organizações, criatividade e pedagogias críticas
1.1.3.7 Paraconsistência e lógicas não-convencionais
1.1.3.8 Transdisciplinaridade, meta-sistemas e pensamento complexo
1.1.3.9 Virtualidade, novas tecnologias
1.2 Expoentes
2 Referências
3 Ver também
4 Fontes
5 Ligações externas
[1] [2]
[3]
Epistemologia da complexidade
A epistemologia da complexidade é um ramo da epistemologia que estuda os sistemas complexos e fenômenos
emergentes associados. Trata-se pois de um termo rico de significados e portanto ambíguo, que vem se
afirmando nas últimas décadas sobretudo no que diz respeito à transformação em curso no mundo da pesquisa
científica, em razão da crescente tendência a negar os pressupostos de linearidade nos sistemas dinâmicos e a
indagar mais profundamente o seu comportamento.
Pedro Demo, um dos pensadores brasileiros contemporâneos de maior destaque nessa temática, autor de livros
como "Metodologia do conhecimento científico", "Complexidade e Aprendizagem: a dinâmica não linear do
conhecimento" e "Introdução à sociologia: complexidade, interdisciplinaridade e desigualdade social" (ver
bibliografia), afirma que Edgar Morin é considerado o "fundador da ciência da complexidade" na Europa. De
fato, a obra de Morin é a mais extensa e a mais profunda no que se refere à temática da epistemologia da
complexidade, especialmente depois de ter concluído a série de seis livros sobre "O Método" (ver bibliografia).
Para Morin, a ciência moderna ou clássica, na busca de sua autonomia em relação ao pensamento religioso da
escolástica medieval, acabou por separar-se em vez de apenas distinguir-se da filosofia, do senso comum, das
artes e da política. A ciência de base quantitativa se sobrepôs então às diversas formas de conhecimento,
inclusive porque favorecia interesses das classes emergentes com as revoluções burguesas. Os Estados
nacionais só puderam ser organizados a partir do conhecimento estatístico, do controle quantitativo da
economia, dos territórios e das populações. Toda a industrialização serviu-se fortemente dos aspectos
quantificáveis das ciências naturais na geração de tecnologias, a ponto de ter contribuído decisivamente para o
surgimento da tecnociência, uma forma de conhecimento científico dirigido por critérios tecnológicos. A
extensão dos critérios metodológicos das ciências naturais às ciências sociais levou à formação de um grande
paradigma ocidental, que se caracteriza por ser disjuntor-e-redutor, ou seja, por separar (disjuntar) ciência e
filosofia (incluindo aqui humanidades, artes e todo o conhecimento não quantificável), e por reduzir
(reducionismo) o que é complexo ao que é simples (por exemplo, por meio da busca da menor parte da
realidade física, os átomos, e depois as partículas dentro dos átomos). O pensamento disjuntor-redutor
simplifica a realidade e com isso ganha espaço que historicamente pertenceu ao pensamento religioso,
dogmático. O pensamento disjuntor-redutor estabelece-se como um grande paradigma, aparentemente
confiável. Na realidade, a física subatômica já introduziu incertezas quanto aos limites do reducionismo. A
fenomenologia já mostrou as insuficiências e ingenuidades do positivismo, da pretensão de captar-se uma
realidade "objetiva" independente do olhar e dos pressupostos do pesquisador. Em meados do século XX as
ciências da terra, a ecologia, a cosmologia e outras formas de conhecimento começam a buscar o diálogo
pluridisciplinar. A partir de então, aquela crise que o paradigma disjuntor-redutor havia sofrido com a
emergência da física subatômica (teoria da relatividade, princípio de incerteza, etc) e com a emergência da
fenomenologia nas primeiras décadas do século XX é reforçada pelos diálogos multi, inter e transdisicplinares.
É nesse contexto da história da ciência que emerge o pensamento complexo ou paradigma da complexidade,
que visa associar sem fundir, distinguindo sem separar as diversas disciplinas e formas de ciência, assim como
as diversas formas de conhecimento e inclusive outras instâncias da realidade, como Estado, Mercado e
Sociedade Civil. O pensamento complexo não se limita ao âmbito acadêmico: transborda para os diversos
setores das sociedades. E com isso questiona todas as formas de pensamento unilateral, dogmático,
unilateralmente quantitativo ou instrumental. A incerteza faz parte do paradigma da complexidade, como uma
abertura de horizontes, e não como um princípio que imobiliza o pensamento. Pensar de forma aberta, incerta,
criativa, prudente e responsável é um desafio à própria democracia. Daí a noção de democracia cognitiva, que
visa estabelecer o diálogo entre as diversas formas de conhecimento. Este é o caminho do pensamento
complexo, um caminho que, embora tenha diversos princípios, oriundos da antiguidade, da modernidade e da
pós-modernidade, é um caminho que se faz no seu próprio transcurso, no seu próprio fazer e repensar-se
continuamente.
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O pensamento complexo
A complexidade e suas implicações são as bases do denominado pensamento complexo de Edgar Morin, que
vê o mundo como um todo indissociável e propõe uma abordagem multidisciplinar e multirreferenciada para a
construção do conhecimento. Contrapõe-se à causalidade linear por abordar os fenômenos como totalidade
orgânica.
Segundo Edgar Morin (Introdução ao Pensamento Complexo, 1991:17/19): "À primeira vista, a complexidade
(complexus: o que é tecido em conjunto) é um tecido de constituintes heterogêneos inseparavelmente
associados: coloca o paradoxo do uno e do múltiplo. Na segunda abordagem, a complexidade é efetivamente o
tecido de acontecimentos, ações, interações, retroações, determinações, acasos, que constituem o nosso
mundo fenomenal. Mas então a complexidade apresenta-se com os traços inquietantes da confusão, do
inextricável, da desordem no caos,da ambigüidade, da incerteza... Daí a necessidade, para o conhecimento, de
pôr ordem nos fenômenos ao rejeitar a desordem, de afastar o incerto, isto é, de selecionar