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DisciplinaDireito Civil II12.505 materiais130.536 seguidores
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A dívida prescrita caracteriza-se realmente pela sua inexigibilidade. Argüida a prescrição liberatória, impõe-se-lhe a repulsa pelo juiz (art. 194). 
Paga, porém, pelo devedor, a obrigação adquire eficácia jurídica; o pagamento torna-se irrepetível, ao influxo e sob o império da soluti retentio.
As dívidas prescritas são, tradicionalmente, consideradas obrigações naturais.
Em sua origem, são obrigações civis que, por força do fenômeno legal da prescrição, transformaram-se em naturais; por isso se denominam obrigações civis degeneradas. 
De fato, a lei dá ao devedor natural a plena liberdade de cumprir ou não a obrigação natural. Portanto, a obrigação natural contém em si uma relação creditória, pois pode ser cumprida voluntariamente.
É certo que o instituto da prescrição foi criado como uma medida de ordem pública para proporcionar segurança nas relações jurídicas, que restariam comprometidas diante da instabilidade social oriunda do fato de possibilitar o exercício da ação por prazo indeterminado. Contudo, é necessário que se realize um juízo de eqüidade entre a prescrição da dívida e o seu futuro adimplemento, não mais sendo uma obrigação civil, mas sim natural.
A dívida, lato sensu, é uma relação bipolar, onde figuram credor e devedor. Em conseqüência disso, mesmo que o devedor esteja acobertado pelo instituto prescrição, o credor ficará eternamente com o déficit oriundo dessa relação.
Em suma, o adimplemento voluntário de dívida prescrita é uma obrigação natural que influencia positivamente no oferecimento do crédito à população, enaltece os valores honrosos do devedor, bem como contribui diretamente para o fortalecimento das relações sociais. \u201cTrata-se, portanto de um dever de consciência, em que cada um deve honrar a palavra empenhada, cumprindo a prestação a que se obrigou\u201d (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO)
O direito positivo, por exemplo, não obriga ao pagamento de duplicata prescrita, ao passo que para o direito natural esse pagamento seria devido e correto.
As dívidas prescrevem quando vencem o prazo legal para serem cobrados, sem que o credor tome as providências para cobrança.
Exemplo: O IPTU de um imóvel tem 5 anos de prazo para ser cobrado após a constituição definitiva do crédito tributário. Caso a Prefeitura não ajuize uma ação de execução fiscal contra o devedor neste prazo de 5 anos, não poderá mais fazê-lo e a dívida deverá ser excluída.
Mas se o proprietário pagar espontaneamente este IPTU, não poderá reclamar a devolução deste pagamento depois.
Por hoje é só!
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