Text Material Preview
<p>SILVICULTURA, MANEJO E</p><p>PRODUÇÃO FLORESTAL</p><p>AULA 3</p><p>Prof. Thiago Cardoso Silva</p><p>2</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Nesta abordagem, trataremos de temáticas relacionadas às condições</p><p>ambientais no Brasil que proporcionam as atividades de produção florestal. As</p><p>temáticas abordadas envolvem conceitualização e caracterização das divisões</p><p>fitogeográficas brasileiras e suas características ambientais e ecológicas que</p><p>favorecem a atividade florestal.</p><p>Como objetivo, visamos o estudo dos biomas e domínios fitogeográficos</p><p>que possuem características florestais que favorecem o estabelecimento de</p><p>plantios florestais. Busca-se correlacionar as potencialidades de cada ambiente</p><p>florestal sob o ponto de vista da Silvicultura, Manejo e Produção Florestal.</p><p>Os tópicos desta abordagem serão:</p><p>• Fundamentos de Ecologia Florestal;</p><p>• Fitogeografia do Brasil;</p><p>• Características da produção florestal na Região Florística Amazônica;</p><p>• Características da produção florestal na Região Florística do Brasil</p><p>Central;</p><p>• Características da produção florestal nas Regiões Florísticas Nordestina</p><p>e do Sul-Sudeste.</p><p>Vamos reiniciar o estudo, pois daremos início a novos conceitos</p><p>importantes para produção florestal.</p><p>TEMA 1 – FUNDAMENTOS DE ECOLOGIA FLORESTAL</p><p>A Ecologia Florestal é a divisão da Ecologia que trata dos fenômenos</p><p>naturais que estabelecem as relações nas formações florestais. É uma parte das</p><p>Ciências Florestais cujo objetivo principal é compreender a dinâmica do</p><p>comportamento dos biomas, envolvendo uma análise da diversidade de</p><p>espécies no sistema e considerando os fatores edafoclimáticos (clima + solo) e</p><p>os processos biológicos associados a esses ambientes.</p><p>O estudo da ecologia de ecossistemas é uma missão difícil, pois</p><p>ambientes como a floresta apresentam sistemas complexos de interações entre</p><p>seres vivos e entre o ambiente. Nesta parte da nossa análise, separaremos o</p><p>estudo da floresta em noções de relações solo-vegetação, sucessão ecológica</p><p>e classificação ecológicas das plantas. Nos tópicos seguintes, os conceitos</p><p>3</p><p>apresentados aqui irão se complementar para descrição das formações</p><p>florestais do Brasil, correlacionando com a Silvicultura, Manejo e Produção</p><p>Florestal.</p><p>1.1 Classificação ecológica das plantas e relações solo/planta</p><p>As plantas podem ser classificadas de diversas formas. Nos</p><p>ecossistemas, a classificação pode ser baseada na disponibilidade de luz e água</p><p>nos habitats. As classificações são as seguintes (Odum, 2010):</p><p>I. Considerando-se a presença ou ausência da luz:</p><p>a. Heliófilas: plantas que normalmente se desenvolvem ao sol. A</p><p>necessidade de luz do sol é obrigatória, pois as plantas não suportam</p><p>sombra. Geralmente ocorrem em locais abertos, onde não ocorrem</p><p>muitas formações florestais com plantas altas, sendo exemplos as</p><p>plantadas de campos (ex. gramíneas) e das caatingas (ex.: cactos);</p><p>b. Ciófilas facultativas: crescem menos vigorosas sob diversos graus de</p><p>sombreamento. Geralmente são plantas associadas a ecossistemas</p><p>florestais tropicais (ex. árvores altas);</p><p>c. Ciófilas: vivem sob sombra ou luz difusa em florestas. A necessidade de</p><p>sombra é obrigatória, visto que não suportam incidência direta de luz,</p><p>porém necessitam de luz difusa;</p><p>d. Heliófilas facultativas: crescem satisfatoriamente sob influência da luz,</p><p>porém não é obrigatória a incidência de luz solar todo o tempo.</p><p>II. Considerando-se a disponibilidade de água:</p><p>a. Xerófilas: plantas resistentes à falta de água em qualquer ambiente. Por</p><p>isso conseguem sobreviver sob diferentes níveis de seca, sendo as</p><p>principais plantas caracterizadas como:</p><p>1. Plantas anuais: herbáceas de pequeno porte que vivem em regiões</p><p>áridas. Cumprem o ciclo de vida (crescem, florescem e frutificam) durante</p><p>as chuvas;</p><p>2. Plantas suculentas: habitam locais desertos, arenosos, estepes,</p><p>rochas, solos salinos, troncos de árvores florestais, montanhas... e</p><p>armazenam água nas células de parênquima;</p><p>4</p><p>3. Plantas esclerófilas: são adaptadas para sobreviverem em condições</p><p>adversas de solos pobres, secas e altas temperaturas, principalmente em</p><p>regiões de clima mediterrâneo ou áreas semiáridas;</p><p>4. Plantas caducifólias: também são adaptadas à região de altas</p><p>temperaturas e seca, perdendo folhas para evitar a perda de água nesses</p><p>períodos;</p><p>b. Mesófilas: plantas de ambientes onde a água não é fator limitante para</p><p>sua ocorrência. Podem ser:</p><p>1. Higrófilas: plantas de ambientes úmidos ou saturados na mata, com</p><p>água superficial e sombreamento acentuado (áreas de depressão da mata</p><p>atlântica);</p><p>2. Heliomórficas: desenvolvem-se sob luz solar plena e em atmosfera</p><p>insaturada de água. Apresenta folha grandes, diferenciando-as das</p><p>xerófilas;</p><p>c. Helófilas: plantas emergentes com raízes fixas em substratos lamacentos</p><p>banhados por água rasa e parte aérea em contato com a atmosfera.</p><p>Representam uma transição entre mesófilas e hidrófilas. São exemplos</p><p>as plantas de áreas pantanosas e manguezais;</p><p>d. Hidrófitas: plantas que crescem em ambientes com excesso de água.</p><p>Podem ser natantes (flutuantes ou fixadas) ou submersas.</p><p>Dependendo do ambiente em que vivem essas plantas, é necessário</p><p>escolher espécies com essas características para desenvolvimento da</p><p>Silvicultura. Dependendo da região do Brasil, principalmente nas regiões</p><p>tropicais, são escolhidas espécies heliófilas adaptadas a ambientes xerófitos,</p><p>pois os regimes de chuvas acabam regulando o crescimento das florestas nestas</p><p>condições. Para isso, é fundamental ter noção de como é a relação entre as</p><p>condições de solo e a sustentação da vida vegetal.</p><p>A relação entre solo e planta é fundamental para o crescimento saudável</p><p>das plantas e para a manutenção dos ecossistemas. Essa relação é complexa e</p><p>envolve vários aspectos, sendo os principais (Martins, 2012):</p><p>I. Nutrientes: o solo fornece os nutrientes essenciais para as plantas, sejam</p><p>os macros e os micronutrientes, além da fração orgânica que ajuda na</p><p>manutenção da disponibilidade de nutrientes. A disponibilidade e a</p><p>5</p><p>composição desses nutrientes afetam diretamente o crescimento e</p><p>desenvolvimento das plantas;</p><p>II. Água: o solo atua como reservatório de água para as plantas. A</p><p>capacidade de retenção de água do solo e sua disponibilidade influenciam</p><p>a quantidade de água que as plantas podem absorver e utilizar. Muitas</p><p>condições regulam a quantidade de água nos solos, sendo os principais</p><p>a quantidade de chuvas, a incidência de sol e ventos, a textura do próprio</p><p>solo e a retirada da água pelas raízes;</p><p>III. Estrutura do solo: a estrutura do solo, incluindo sua textura, porosidade</p><p>e composição orgânica, afeta a aeração, drenagem e penetração de</p><p>raízes. Isso influencia diretamente o crescimento das plantas;</p><p>IV. Microbiota do solo: a vida microbiana presente no solo é fundamental</p><p>para a ciclagem de nutrientes, decomposição da matéria orgânica e</p><p>disponibilidade de nutrientes para as plantas;</p><p>V. Fatores abióticos: além dos aspectos mencionados, fatores abióticos</p><p>como pH do solo, salinidade e processos danos (poluição e erosão)</p><p>também podem influenciar significativamente a capacidade das plantas</p><p>de se desenvolverem.</p><p>A compreensão dessas interações é essencial para práticas agrícolas e</p><p>silviculturais sustentáveis, conservação de ecossistemas naturais e para</p><p>aumentar a produtividade das plantas em ambientes cultivados. Porém diversas</p><p>outras questões devem ser levadas em consideração, principalmente</p><p>envolvendo o ambiente.</p><p>1.2 Sucessão ecológica em florestas</p><p>As unidades biológicas que compõem os ambientes florestais estão em</p><p>constantes ajustes que auxiliam na recomposição ecológica da vegetação.</p><p>Sucessão Ecológica é o processo de substituição ordenada entre comunidades</p><p>desequilibradas para o estabelecimento de comunidades ecologicamente</p><p>equilibradas, influenciando nos padrões de colonização e extinção de espécies</p><p>em</p><p>uma determinada área (Begon et al., 2006). Segundo os autores, a origem</p><p>da sucessão acontece a partir de processos de:</p><p>I. Ação: em que o habitat condiciona o ecossistema florestal;</p><p>6</p><p>II. Reação: em que as comunidades bióticas influenciam e modificam o</p><p>habitat:</p><p>• Reação modificadora: gerando microclimas favoráveis para as</p><p>comunidades por ação de indivíduos dominantes;</p><p>• Reação edificadora: resíduos acumulados por animais e vegetais</p><p>formando a necromassa (matéria orgânica morta de árvores ainda em</p><p>pé ou caídas, galhos e folhas que ficam na superfície do solo,</p><p>serapilheira);</p><p>• Reação destruidora: as comunidades destroem o habitat;</p><p>III – Coação: interação benéfica ou maléfica entre organismos da mesma</p><p>comunidade (sucessão biológica).</p><p>Então pudemos observar que a vida influencia no ambiente, o ambiente</p><p>influencia nos seres vivos e ambos coexistem para manter o equilíbrio natural</p><p>dos ecossistemas. As principais características da sucessão ecológica nas</p><p>florestas são as seguintes:</p><p>• Aumenta a diversidade de espécies e altera a complexidade estrutural e</p><p>funcional da floresta;</p><p>• Aumenta a produção de biomassa por planta e por área;</p><p>• Implementa diversos estágios da sucessão.</p><p>A sucessão ecológica pode ser classificada de algumas formas. As de</p><p>melhor entendimento para nosso estudo são feitas a partir da observação da</p><p>(Begon et al., 2006; Odum, 2010):</p><p>I. Natureza do substrato onde ocorre o processo sucessional:</p><p>a. Sucessão primária: ocorre o processo de colonização inicial de áreas</p><p>onde não haviam sido ocupadas por organismos (ex. afloramentos</p><p>rochosos, areia, água...);</p><p>b. Sucessão secundária: ocorre em ambientes cuja vegetação foi</p><p>substituída por processos de mudança no uso e ocupação dos solos</p><p>(Figura 1). Esse é o processo que ocorre na implantação de povoamentos</p><p>florestais e recuperação de ambientes naturais degradados realizados</p><p>pela Silvicultura. Quando a floresta apresenta as condições ideais, as</p><p>árvores são cortadas, aumentando então a produção florestal. Esses</p><p>conceitos são implementados pelos estudos da dinâmica e estrutura das</p><p>7</p><p>florestas (pela ecologia e dendrometria) e pelos estudos de inventário e</p><p>manejo florestal, que serão discutidos no próximo conteúdo.</p><p>Figura 1 – Padrões de sucessão secundária de florestas</p><p>Crédito: VectorMine/Shutterstock.</p><p>II. Estágios sucessionais:</p><p>a. Pioneiras: comunidades que iniciam a sucessão. Apresentam baixa</p><p>produção de biomassa e pouca biodiversidade;</p><p>b. Serais: comunidades intermediárias temporárias, portanto são</p><p>consideradas instáveis no ambiente. Também separadas em</p><p>secundárias iniciais ou tardias. Observa-se aqui um aumento na</p><p>produção de biomassa e na biodiversidade;</p><p>c. Clímax: comunidades que encerram a sucessão, indicando</p><p>maturidade do ecossistema, estabilidade da interação</p><p>comunidades/ambiente e ocorre a morte dos indivíduos mais velhos,</p><p>dando lugar aos jovens que irão reiniciar o processo de sucessão.</p><p>Nesses casos há elevada produção de biomassa e alta biodiversidade.</p><p>Esses padrões ecológicos influenciam diretamente na tomada de decisão</p><p>em todas as ações da produção florestal. A ecologia das espécies é fundamental</p><p>para entendimento do crescimento das florestas plantadas, as práticas</p><p>silviculturais aplicáveis e o como realizar o melhor manejo dessas florestas.</p><p>8</p><p>TEMA 2 – FITOGEOGRAFIA DO BRASIL</p><p>O Brasil é um país com dimensões continentais, por isso acaba</p><p>apresentando diversas condições ambientais que influenciam em diversos</p><p>aspectos, inclusive na distribuição das espécies vegetais em seu território. O</p><p>agrupamento de espécies ocorre por vários motivos, sobretudo pelas condições</p><p>climáticas e de solo. Esse agrupamento permitiu separar as regiões florísticas</p><p>em várias partes, denominadas biomas ou domínios fitogeográficos.</p><p>Os conceitos básicos de o que é um bioma envolvem três abordagens:</p><p>(1) Comunidade principal de plantas e animais associada a uma zona</p><p>de vida ou região com condições ambientais, principalmente</p><p>climáticas, estáveis.</p><p>(2) A unidade biótica de maior extensão geográfica, compreendendo</p><p>várias comunidades em diferentes estágios de evolução, porém</p><p>denominada de acordo com o tipo de vegetação dominante: mata</p><p>tropical, campo, etc.</p><p>(3) Amplo conjunto de ecossistemas terrestres, caracterizados por</p><p>tipos fisionômicos semelhantes de vegetação com diferentes tipos</p><p>climáticos. (Pires et al., 2018, p. 17)</p><p>Para melhor entendimento dos biomas que ocorrem no Brasil, é</p><p>necessário compreender fundamentos básicos e conceitos da fitogeografia</p><p>brasileira, correlacionando com a ecologia florestal. A fitogeografia, chamada</p><p>de geografia das plantas, é um campo científico que estuda origem, distribuição,</p><p>adaptação e interconexão das plantas, considerando sua localização geográfica</p><p>e evolução (Fagundes, 2021). O estudo da fitogeografia faz parte da</p><p>biogeografia, envolvendo nesses casos as características vegetais.</p><p>A partir daí pode-se levantar algumas potencialidades das paisagens</p><p>brasileiras, sobretudo relacionando as condições naturais com a produção</p><p>agrária, levando em consideração a agricultura, a pecuária e a produção</p><p>florestal. Juntando estes fatores com as características ecológicas das áreas</p><p>naturais do Brasil, foi possível identificar a formação de dois tipos de paisagens</p><p>(Albertin, 2021):</p><p>I. Paisagem natural: representa a formação do ambiente a partir da junção</p><p>dos elementos naturais, principalmente em questão da vegetação, do</p><p>relevo, do clima, do solo, da fauna e da hidrografia;</p><p>II. Paisagem cultural: relaciona os elementos da paisagem natural com a</p><p>ação harmoniosa do ser humano, sendo observadas adaptações</p><p>biológicas do ser humano às condições naturais apresentadas, fazendo</p><p>9</p><p>com que consiga explorar os recursos naturais em benefício próprio.</p><p>Apesar de as zonas urbanas serem o principal exemplo, no meio rural</p><p>também são observadas paisagens culturais, que são importantes para a</p><p>implantação de povoamentos florestais que auxiliam no aumento da</p><p>produção florestal.</p><p>No Brasil, as paisagens resultam de “variados fluxos de matéria e energia</p><p>entre os elementos bióticos, como fauna, flora e grupos humanos, e abióticos,</p><p>como clima, rocha, solo e relevo, ao longo do tempo geológico, geomorfológico,</p><p>pedológico e humano” (Coeli, 2021, p. 151). Por isso, a fitogeografia brasileira</p><p>denominou os principais biomas que ocorrem no país (Figura 2), sendo os</p><p>principais (Pires et al., 2018; Albertin, 2021):</p><p>Figura 2 – Biomas brasileiros</p><p>Crédito: Tereza Ferreira/Shutterstock.</p><p>I. Floresta Amazônica: floresta tropical com vegetação arbórea de grande</p><p>porte em uma região de altas umidade e temperaturas, com elevada</p><p>biodiversidade. Além de precipitação média acima da média, há bastante</p><p>10</p><p>relação entre os rios e a vegetação, formando muitas paisagens, como os</p><p>brejos e igapós. Apresenta alto potencial de produção de biomassa, por</p><p>isso é fundamental para regular o clima a nível global, participando</p><p>intensamente do processo de sequestro de carbono. Ocorre em todos os</p><p>estados do Norte do Brasil e nos estados do Mato Grosso (Centro-Oeste)</p><p>e do Maranhão (Nordeste). Abrange também mais oito países da América</p><p>do Sul;</p><p>II. Mata Atlântica: floresta tropical com elevada biodiversidade que faz parte</p><p>dos mares de morros que acompanham a costa brasileira do Oceano</p><p>Atlântico. A vegetação é altamente arborizada, com sub-bosque denso,</p><p>porém passou e ainda passa por processos de antropização (resultado da</p><p>ação humana) que reduziram a cobertura vegetal da Mata Atlântica,</p><p>sendo encontrada muito fragmentada. Devido a isso, apresenta legislação</p><p>própria para manejo e conservação de suas florestas, a Lei do Bioma Mata</p><p>Atlântica – Lei n. 11.428/2006 (Brasil, 2006).</p><p>A Mata Atlântica envolve as seguintes formações de florestas nativas e</p><p>seus ecossistemas associados: floresta ombrófila densa; floresta ombrófila</p><p>mista: também conhecida como mata de araucárias, ocorre no Sul e no Sudeste,</p><p>envolvendo a presença da espécie Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze;</p><p>floresta ombrófila aberta; floresta estacional semidecidual; floresta estacional</p><p>decidual; manguezais; restingas; campos de altitude; brejos interioranos; e</p><p>encraves florestais do Nordeste.</p><p>III. Cerrado: é considerada uma área savanizada. Caracterizada</p><p>principalmente por ocupar os planaltos sedimentares e os de estrutura</p><p>complexa. Apresenta cursos d’água perenes, porém os caminhos d’água</p><p>desaparecem no período seco. A vegetação se caracteriza como de</p><p>médio e de baixo porte, formando as savanas com espécies arbóreas que</p><p>possuem troncos e galhos tortuosos.</p><p>Um fator que regula a ecologia do Cerrado é a ocorrência periódica de</p><p>queimadas naturais que, apesar de carbonizar a biomassa, favorece a</p><p>germinação das sementes que estão no ambiente (sendo essa a forma natural</p><p>dessas espécies superarem a dormência). Ocupa uma extensa área no interior</p><p>do Brasil, envolvendo principalmente estados do Sudeste e Centro-Oeste, porém</p><p>ocorre em todas as regiões.</p><p>11</p><p>IV – Caatinga: faz parte da caracterização da vegetação em local de clima</p><p>semiárido, com longos períodos de seca. O solo geralmente é raso,</p><p>apresentando afloramento das rochas em muitos locais. Essas rochas são</p><p>pouco decompostas devido às condições climáticas da região. A grande</p><p>parte dos rios são temporários, aparecendo apenas nos períodos de</p><p>chuvas. A vegetação é geralmente baixa, com árvores de pequeno porte,</p><p>caracterizadas pela perda total de folhas no período de seca e presença</p><p>de espinhos;</p><p>V. Pantanal: compõe um dos maiores sistemas vegetacionais que ocorrem</p><p>em área alagada. Possui alta biodiversidade e ocorre em local com altas</p><p>temperaturas. Apresenta mudanças entre ciclos de cheias e secas. Na</p><p>estação chuvosa, proporciona os alagamentos, porém a vegetação está</p><p>adaptada a essas mudanças. Ocorre principalmente na região Centro-</p><p>Oeste;</p><p>VI. Pampas: a vegetação é baixa, predominantemente formada por</p><p>gramíneas e herbáceas, ocorrendo em local com clima temperado, com</p><p>longos períodos secos e frios. Os solos são sedimentares, facilitando a</p><p>drenagem.</p><p>Por meio dos estudos de fitogeografia, é possível investigar como os</p><p>fatores climáticos, tais como ventos, umidade e temperatura, juntamente com</p><p>aspectos fisiográficos como altitude, exposição solar e declividade do terreno,</p><p>além da influência da iluminação, influenciam na determinação do crescimento,</p><p>desenvolvimento e na definição dos padrões de distribuição das plantas</p><p>(Fagundes, 2021). Essa análise detalhada permite compreender a interação</p><p>entre o ambiente e as plantas, dando ênfase aos fatores que moldam suas</p><p>características, sua diversidade e a forma como se distribuem geograficamente</p><p>em diferentes ecossistemas.</p><p>A classificação dos biomas brasileiros foi realizada pela combinação entre</p><p>dados climáticos e geológicos. Os três princípios dessa classificação são</p><p>(Ab’Sáber, 1977):</p><p>• Cada um dos domínios fitogeográficos representa uma grande região com</p><p>padrões climáticos, topográficos e vegetativos distintos e específicos;</p><p>12</p><p>• As áreas que delimitam as separações entre os domínios apresentam</p><p>áreas de transição, por isso podem compartilhar características</p><p>específicas de cada uma das áreas em que transicionam;</p><p>• Dentro de cada domínio pode ser observado a presença de vegetação</p><p>típica (nativa/natural) de outros domínios fitogeográficos, aumentando a</p><p>diversidade de plantas numa mesma região.</p><p>Estas características definem a existência das regiões fitoecológicas.</p><p>As regiões fitoecológicas são padrões florísticos que se repedem dentro de uma</p><p>mesma região climática, sendo diretamente influenciada pelo relevo (Coeli,</p><p>2021). No Quadro 1 podem ser observadas as características principais das</p><p>regiões fitoecológicas que ocorrem no Brasil.</p><p>Quadro 1 – Regiões fitoecológicas do Brasil e suas características</p><p>Regiões</p><p>fitoecológicas Principais características</p><p>Campinarana</p><p>• Associada a solos arenosos, com poucos nutrientes;</p><p>• Ocorre em áreas planas, frequentemente alagadas;</p><p>• Vegetação raquítica arbórea, arbustiva e herbáceas;</p><p>• Clima quente e superúmido;</p><p>• Ocorre na região Norte.</p><p>Estepe</p><p>• Vegetação predominantemente campestre, porém, podendo</p><p>ocorrer formações arborizadas;</p><p>• Clima com duas estações definidas (uma seca e uma fria);</p><p>• Ocorre na região da campanha gaúcha, região Sul.</p><p>Floresta</p><p>estacional</p><p>semidecidual</p><p>• Caracterizada pela queda parcial das folhas (20% a 50%) em</p><p>determinada estação climática (principalmente na seca, em</p><p>ambientes tropicais, e no frio, em ambientes subtropicais);</p><p>• Encontrada em muitas áreas do território brasileiro e possui</p><p>muitas estruturas.</p><p>Floresta ombrófila</p><p>densa</p><p>• Vegetação arbórea de grande e médio portes, com presença</p><p>de cipós e epífitas (utilizam outras árvores como suporte para</p><p>sobrevivência);</p><p>• Acompanha a costa do Atlântico de Norte a Sul, ocorrendo</p><p>também em regiões do interior do país;</p><p>• Associada a altas temperaturas e elevada precipitação</p><p>distribuída ao longo do ano.</p><p>Floresta ombrófila</p><p>aberta</p><p>• Vegetação com árvores mais espaçadas, com arbustos pouco</p><p>densos;</p><p>• Diferencia-se da ombrófila densa pela presença de palmeiras,</p><p>cipós e bambus em grande quantidade;</p><p>• Clima quente e úmido, com alguns (2 a 4) meses secos.</p><p>Floresta ombrófila</p><p>mista</p><p>• Faz parte da Mata Atlântica, com presença predominante de</p><p>araucária;</p><p>• Ocorre em locais quentes e úmidos, porém com períodos</p><p>frios, com temperaturas abaixo de 15ºC, ocorrendo geadas.</p><p>Savana • Corresponde ao Cerrado, ocorrendo em todas as regiões;</p><p>13</p><p>• Ocorre em áreas de chapada, com diferentes condições</p><p>climáticas;</p><p>• Espécies arbóreas de baixo e médio porte, tronco e galhos</p><p>tortuosos e raízes profundas.</p><p>Savana estépica</p><p>• Corresponde à Caatinga, que ocorre no Nordeste e em Minas</p><p>Gerais;</p><p>• A vegetação arbórea é de baixo porte, perdendo totalmente</p><p>as folhas em períodos secos;</p><p>• Os solos são rasos e pedregosos.</p><p>Fonte: Coeli, 2021.</p><p>Os ambientes arborizados brasileiros que se destacam em produção e</p><p>manejo florestal envolvem os biomas da Floresta Amazônica, Mata Atlântica,</p><p>Cerrado e Caatinga. Após desenvolvimento dos fundamentos da ecologia</p><p>florestal, irão ser abordadas as características da produção florestal em cada</p><p>região fitogeográfica no Brasil.</p><p>TEMA 3 – CARACTERÍSTICAS DA PRODUÇÃO FLORESTAL NA REGIÃO</p><p>FLORÍSTICA AMAZÔNICA</p><p>Como observado, a região florística amazônica apresenta condição para</p><p>altas produção de biomassa florestal e biodiversidade. Essa biomassa é</p><p>responsável pela produção florestal das espécies nativas, que geralmente</p><p>apresentam como características: árvores altas, de grandes diâmetros, com</p><p>fuste/tronco reto, madeiras mais densas e resistentes (resistência mecânica e</p><p>contra degradação).</p><p>Essa região apresenta algumas fisionomias diferentes, dependendo de</p><p>condições climáticas e de solo, que afetam diretamente na vegetação. As</p><p>principais divisões estão apresentadas no Quadro 2.</p><p>Quadro 2 – Principais divisões da Região Florística Amazônica e suas</p><p>características</p><p>Divisão Florística</p><p>Amazônica Principais características</p><p>Floresta Ombrófila</p><p>Densa</p><p>• Região florestal de alta diversidade;</p><p>• Ocupa áreas montanhosas, submontanas e de terras baixas.</p><p>Floresta Ombrófila</p><p>Aberta</p><p>• Ocorre em áreas menos úmidas, podendo ficar encharcadas</p><p>em épocas de grandes chuvas;</p><p>• Presença de grande quantidade de espécies de palmeiras,</p><p>cipós e bambus.</p><p>Floresta Estacional</p><p>Sempre-Verde</p><p>• Ocorre em terreno sedimentares, frequentemente em áreas</p><p>planas;</p><p>14</p><p>• Apresenta uma riqueza menor de espécies que a floresta</p><p>ombrófila.</p><p>Campinarana</p><p>• Ocorre em terrenos arenosos muito lixiviados (baixa</p><p>quantidade de nutrientes), porém também apresenta algumas</p><p>regiões alagáveis;</p><p>• Vegetação predominantemente composta por herbáceas.</p><p>Fonte: IBGE, 2012.</p><p>Os plantios florestais na região Amazônica podem ser implantados para</p><p>enriquecimento e para recuperação ambiental, utilizando espécies nativas, ou</p><p>para implantação de monocultivos. Apesar de a maior parte da produção</p><p>madeireira da Amazônia ser originada da exploração de espécies nativas, além</p><p>da extração de produtos florestais não madeireiros, algumas áreas abandonadas</p><p>pela agropecuária estão sendo ocupadas por plantios florestais. No Quadro 3</p><p>pode ser observada a evolução da quantidade de áreas plantadas na região</p><p>Amazônica em cinco anos, entre 2018-2022.</p><p>Quadro 3 – Histórico da área plantada com árvores total por estado da região</p><p>Amazônica no período 2018-2022 (em hectares)</p><p>Estados 2018 2019 2020 2021 2022</p><p>Acre - - 967 967 23</p><p>Amapá 67.826 67.826 92.217 92.217 86.539</p><p>Amazonas - - 382 382 362</p><p>Maranhão 225.052 237.859 279.238 297.213 301.181</p><p>Mato Grosso 258.805 260.032 199.235 207.832 207.745</p><p>Pará 212.957 212.436 193.602 193.602 197.717</p><p>Rondônia 26.318 27.319 8.822 8.822 12.153</p><p>Roraima 21.557 30.000 23.079 23.079 23.003</p><p>Tocantins 156.461 156.432 103.766 106.923 106.545</p><p>Total 968.976 991.904 901.308 931.037 935.268</p><p>Fonte: IBÁ, 2023.</p><p>Mesmo estando abaixo da média dos anos anteriores, o plantio de</p><p>florestas aparenta estar com uma tendência de aumento em grande parte das</p><p>áreas da região Amazônica. Além disso, é importante salientar que grande parte</p><p>dos plantios do Mato Grosso e do Maranhão (estados que não fazem parte da</p><p>Região Norte) faz parte de áreas de Cerrado e transição entre os biomas.</p><p>As florestas plantadas na região amazônica são compostas</p><p>principalmente por espécies do gênero Eucalyptus, sendo observados também</p><p>plantios de teca (Tectona grandis), acácia (Acacia mangium), mogno (Swietenia</p><p>macrophylla) e paricá (Schizolobium amazonicum), com menos expressão.</p><p>Grande parcela dessas florestas são destinadas para a produção de energia na</p><p>15</p><p>forma de biomassa florestal, porém também têm outras finalidades, como uso</p><p>estrutural e de cercas (madeira roliça), parcela para madeira serrada e laminação</p><p>e uma pequena para indústrias de celulose e papel (Ibá, 2022).</p><p>As árvores plantadas na região amazônica são favorecidas, na maioria</p><p>das vezes, por condições climáticas ideais para seu desenvolvimento. Os</p><p>plantios florestais da região costumam apresentar rápido crescimento (muitas</p><p>vezes favorecido pela seleção dos melhores materiais genéticos para a região),</p><p>com árvores altas e bom crescimento em diâmetro. As principais características</p><p>da região para o melhor crescimento das florestas plantadas são (Machado,</p><p>2008):</p><p>• Alta incidência solar em grande parte do ano, recomendando, portanto, o</p><p>uso espécies heliófilas (desenvolvimento em pleno sol);</p><p>• Chuvas distribuídas em parte do ano, com alta precipitação, com curtos</p><p>períodos de seca, favorecendo o desenvolvimento das florestas;</p><p>• Os solos são profundos e bem formados em grande parte da região;</p><p>• Ocorrência de áreas alagadas, o que favorece a movimentação de</p><p>matéria orgânica nos solos. Porém pode proporcionar a lixiviação de</p><p>minerais, deixando os solos menos férteis. Portanto há grande</p><p>necessidade de adubação durante o preparo do solo e plantio das mudas</p><p>e outra para manutenção.</p><p>Diante dessas características, os principais manejos das florestas</p><p>plantadas na região são a definição do sistema produtivo. Além dos monocultivos</p><p>das espécies arbóreas, há grande implantação em sistemas de integração, como</p><p>os sistemas agroflorestais. A integração entre pecuária e floresta (Integração</p><p>Pecuária-Floresta) são os mais implantados na região, com as seguintes</p><p>características (Oliveira, 2013):</p><p>• Consórcio entre diversas espécies de capim e árvores;</p><p>• As árvores no consórcio não diminuem a produtividade do capim,</p><p>proporcionando também conforto aos animais pelas sombras formadas</p><p>pelas copas das árvores;</p><p>• Maiores espaçamentos nesses sistemas favorecem o desenvolvimento</p><p>de árvores de maiores diâmetros, portanto haverá maior produção de</p><p>madeira. As toras obtidas nesse sistema podem ser utilizadas para</p><p>diversas finalidades, inclusive para obtenção de madeira serrada.</p><p>16</p><p>Com base no apresentado, é possível fazer uma relação com as práticas</p><p>culturais e silviculturais necessárias para o melhor desenvolvimento dos plantios</p><p>florestais na Amazônia. Destaca-se:</p><p>• A maior incidência de luz favorece o desenvolvimento de galhos e</p><p>ramificações, sendo então necessária uma maior quantidade de</p><p>podas/desramas. Nesses casos, recomenda-se, portanto, o uso de</p><p>espécies de Eucalyptus com desrama natural para reduzir as</p><p>necessidades de podas;</p><p>• Maiores espaçamentos podem favorecer o crescimento de gramíneas,</p><p>pois reduzem o sombreamento. O calor, a incidência de luminosidade e a</p><p>quantidade de água na Amazônia também favorecem o crescimento</p><p>dessas plantas. Nos casos de integração pecuária-floresta (que também</p><p>pode estar associado à agricultura), é uma característica bem-vinda.</p><p>Porém em monocultivos, as ervas podem aumentar a competição com as</p><p>árvores por água, nutrientes e espaço, sendo então necessário realizar</p><p>uma maior quantidade de capinas;</p><p>• Muitas áreas apresentam solos arenosos e com grande potencial de</p><p>lixiviação. A quantidade de chuvas e o potencial de alagamento dessas</p><p>áreas também favorece a retirada de nutrientes do sistema. Essa</p><p>característica faz com que seja necessário realizar mais fertilizações para</p><p>que a floresta consiga se estabelecer no local;</p><p>• Como os solos são profundos e geralmente pouco compactados, há uma</p><p>facilidade de preparar o solo para plantio;</p><p>• Uma dificuldade para a região Amazônica é conseguir mudas florestais</p><p>apropriadas para realizar a implantação com mudas de melhores</p><p>características genéticas. Grande parte dos viveiros da região é de</p><p>espécies nativas, utilizadas para recuperação ambiental.</p><p>TEMA 4 – CARACTERÍSTICAS DA PRODUÇÃO FLORESTAL NA REGIÃO</p><p>FLORÍSTICA DO BRASIL CENTRAL</p><p>As paisagens da região florística do Brasil Central que discutiremos aqui</p><p>são as do Cerrado. Como observado anteriormente, a formação do Cerrado que</p><p>apresenta árvores compõe o Cerradão, chamado também como savana</p><p>florestada. A fitofisionomia dessa formação apresenta aspectos xeromórficos,</p><p>17</p><p>cujas condições climáticas da região influenciam no crescimento de árvores com</p><p>troncos tortuosos e ramificações irregulares (Martins, 2012). Segundo o autor,</p><p>essa formação apresenta três estratos: um arbóreo denso, um arbustivo bem</p><p>formado e às vezes denso e outros herbáceo formado por poucas gramíneas.</p><p>As características citadas ajudam a separar as regiões florísticas do Brasil</p><p>Central (Quadro 4). Outras características importantes da região são (IBGE,</p><p>2012; Martins, 2012):</p><p>• Apresenta períodos anuais bem definidos entre chuvas e secas, que</p><p>regulam a vegetação, que depende da origem dos solos e de sua</p><p>fertilidade;</p><p>• Os solos são profundos com características ácidas;</p><p>• A fertilidade dos solos pode ser dividida entre solos pobres (Cerradão</p><p>Distrófico) ou solos de fertilidade mediana (Cerradão Mesotrófico).</p><p>Quadro 4 – Principais divisões da Região Florística do Brasil Central e suas</p><p>características</p><p>Divisão Florística</p><p>do Brasil Central Principais características</p><p>Savana</p><p>• Ocorre em locais com solo arenoso lixiviado e rico em</p><p>alumínio trocável;</p><p>• Adaptação da vegetação a condições de menor</p><p>disponibilidade de água e nutrientes. Na maioria dos casos a</p><p>vegetação é de baixo porte, podendo ser raquítica.</p><p>Floresta Estacional</p><p>Semidecidual</p><p>• Ocorre em locais com solos mais férteis;</p><p>• Apresenta certa quantidade de espécies decíduas adaptadas</p><p>a locais que acompanham cursos de rios.</p><p>Floresta Estacional</p><p>Decidual</p><p>• Ocorre em locais com solos mais férteis;</p><p>• Alta diversidade de espécies decíduas adaptadas a locais que</p><p>acompanham cursos de rios.</p><p>Fonte: IBGE, 2012.</p><p>Nessa região são encontradas as maiores expressões em quantidades</p><p>de</p><p>florestas plantadas. Historicamente, as áreas naturais nesta região foram</p><p>convertidas em áreas produtivas em agricultura e pecuária. As estratégias de</p><p>implantação de florestas produtivas no Cerrado se dão após o abandono das</p><p>áreas agricultáveis e pastagens como forma de recuperação ambiental, porém</p><p>grande parcela dessas áreas é utilizada para monocultivos.</p><p>A maior contribuição em número de florestas plantadas vem dos estados</p><p>da região Sudeste que apresentam Cerrado em sua composição florística: Minas</p><p>Gerais e São Paulo. Algumas áreas de São Paulo são implantadas em locais de</p><p>18</p><p>Mata Atlântica, porém a maior parcela se encontra no interior, em áreas de</p><p>transição entre as fitofisionomias. Algumas áreas do Maranhão e do Tocantins</p><p>também fazem parte do Cerrado, sendo adicionado também esse valor para esta</p><p>região. No Quadro 5 pode ser observada a evolução da quantidade de áreas</p><p>plantadas na região Brasil Central considerado o avanço de plantios em áreas</p><p>de Cerrado em cinco anos, entre 2018-2022.</p><p>Quadro 5 – Histórico da área plantada com árvores total por estado da região</p><p>Brasil Central no período 2018-2022 (em hectares)</p><p>Estados 2018 2019 2020 2021 2022</p><p>Distrito Federal 4.143 3.685 2.085 2.085 -</p><p>Goiás 178.425 169.094 189.179 191.528 181.962</p><p>Mato Grosso 258.805 260.032 199.235 207.832 207.745</p><p>Mato Grosso do Sul 1.104.717 1.125.435 1.052.720 1.073.523 1.134.478</p><p>Minas Gerais 2.020.786 2.306.205 2.305.918 2.305.582 2.265.929</p><p>São Paulo 1.148.089 1.629.768 1.221.441 1.263.620 1.283.267</p><p>Tocantins 156.461 156.432 103.766 106.923 106.545</p><p>Total 4.871.426 5.650.651 5.074.344 5.151.093 5.179.926</p><p>Fonte: IBÁ, 2023.</p><p>É nesta região que está a maior parte das indústrias de consumo de</p><p>biomassa florestal. Grande porcentagem desses plantios é formado por florestas</p><p>de Eucalyptus, utilizadas principalmente pelas indústrias de obtenção de</p><p>celulose e produção de papéis e pelas indústrias que necessitam da biomassa</p><p>florestal na sua base energética, sendo queimada diretamente. Em Minas</p><p>Gerais, por exemplo, a maior parcela é voltada para as indústrias siderúrgicas</p><p>que utilizam carvão vegetal no processo de produção metalúrgica. Há também</p><p>nessa região a maior parcela de florestas plantadas de teca, utilizada para</p><p>obtenção de madeira serrada e possui alto valor agregado.</p><p>As áreas de Cerrado possuem diversas condições favoráveis para</p><p>implantação de florestas, sendo as principais facilidades de mecanização de</p><p>acordo com o relevo e disponibilidade e baixo valor da terra (Silva et al., 2021).</p><p>Ainda conforme os autores, os principais desafios para os plantios florestais no</p><p>Cerrado são:</p><p>I. Adaptação da espécie/clone ao ambiente de cultivo: abordando as</p><p>problemáticas:</p><p>• Escolha de materiais genéticos de interesse comercial adequados às</p><p>condições edafoclimáticas da região;</p><p>19</p><p>• Alcançar, no mínimo, a mesma produtividade madeireira registrada em</p><p>outras regiões de cultivo florestal do Brasil;</p><p>• Minimizar os riscos oriundos de fatores bióticos e abióticos.</p><p>II. Conhecimento silvicultural: adequação para as condições</p><p>edafoclimáticas do Cerrado para:</p><p>• Manejar da melhor forma os plantios para que apresentem o máximo</p><p>potencial produtivo;</p><p>• Reduzir os impactos ambientais nas plantas;</p><p>• Desafios implícitos do mercado de madeira e geração de rentabilidade do</p><p>plantio.</p><p>III – Disponibilidade de sementes e ou mudas: muitas vezes não há</p><p>mudas suficientes para o plantio das áreas existentes e aumento da</p><p>produtividade das florestas plantadas. O uso de mudas clonais é essencial</p><p>para a uniformidade de crescimento da floresta, o que influencia</p><p>diretamente na produção florestal.</p><p>As principais características da região para o melhor crescimento das</p><p>florestas plantadas são (Martins, 2012):</p><p>• Alta incidência solar em grande parte do ano, recomendando, portanto, o</p><p>uso espécies heliófilas (desenvolvimento em pleno sol);</p><p>• Poucos períodos de chuvas concentradas, com longos períodos de seca,</p><p>o que reduz um pouco a produtividade da floresta. Porém questões de</p><p>melhoramento genético de espécies e clones adaptadas a regiões secas</p><p>já superam esta dificuldade;</p><p>• Os solos são profundos e bem formados em grande parte da região.</p><p>Apresentam leves teores de acidez, porém há grande disponibilidade de</p><p>nutrientes. Portanto a fertilidade dos solos favorece o melhor</p><p>desenvolvimento da floresta, dependendo muito das épocas de chuva</p><p>para melhoria da nutrição da floresta. Isso reduz a necessidade de cargas</p><p>maiores de adubação, reduzindo também os custos de manutenção do</p><p>plantio.</p><p>Como a região apresenta alta produtividade agropecuária, também há</p><p>destaque dos plantios em sistemas de integração. Existem muitas propriedades</p><p>de médio e pequeno portes que implantam sistemas de integração Pecuária-</p><p>20</p><p>Floresta, utilizando teca e eucalipto com as principais espécies florestais. Assim</p><p>como na Região Amazônica, existe a relação de consórcio entre diversas</p><p>espécies de capim e árvores, que não reduzem a produtividade do capim, mas</p><p>proporcionam conforto aos animais pelo sombreamento. Esses sistemas geram</p><p>árvores com maiores diâmetros, que são utilizadas para produção de madeira</p><p>serrada.</p><p>A partir da observação das características apresentadas, é possível fazer</p><p>uma relação com as práticas culturais e silviculturais necessárias para o melhor</p><p>desenvolvimento dos plantios florestais nas regiões de Cerrado. Destaca-se:</p><p>• A maior incidência de luz favorece o desenvolvimento de galhos e</p><p>ramificações, sendo então necessária uma maior quantidade de</p><p>podas/desramas. Nesses casos, recomenda-se, portanto, o uso de</p><p>espécies de Eucalyptus com desrama natural para reduzir as</p><p>necessidades de podas;</p><p>• Maiores espaçamentos podem favorecer o crescimento de gramíneas,</p><p>pois reduzem o sombreamento. O calor e a incidência de luminosidade no</p><p>Cerrado também favorecem o crescimento dessas plantas, sendo</p><p>regulado apenas pela disponibilidade de água no sistema. Nos casos de</p><p>integração pecuária-floresta (que também pode estar associado à</p><p>agricultura), é uma característica bem-vinda. Porém em monocultivos, as</p><p>herbáceas podem aumentar a competição com as árvores por água,</p><p>nutrientes e espaço, sendo então necessário realizar uma maior</p><p>quantidade de capinas, aumentando os custos de manutenção dos</p><p>plantios;</p><p>• Os solos sendo bem férteis, pode reduzir um pouco a necessidade de</p><p>adubação;</p><p>• Como os solos são ácidos, há necessidade de realizar a calagem. Isso</p><p>implica no aumento dos custos, também de preparo do solo;</p><p>• Por serem, em sua maioria, áreas abandonadas da pecuária, os solos</p><p>menos profundos e geralmente compactados, há uma necessidade de</p><p>preparar o solo para plantio, inclusive com técnicas de descompactação</p><p>e revolvimento.</p><p>21</p><p>TEMA 5 – CARACTERÍSTICAS DA PRODUÇÃO FLORESTAL NAS REGIÕES</p><p>FLORÍSTICAS NORDESTINA E DO SUL-SUDESTE</p><p>Neste tópico, destacaremos as outras duas regiões florísticas do Brasil. A</p><p>Nordestina é caracterizada por apresentar formações/biomas: Mata Atlântica e</p><p>Caatinga, com presença também de Cerrados. Já a região Sul-Sudeste aqui será</p><p>caracterizada apenas pela produção em áreas de Mata Atlântica.</p><p>5.1 Região Florística Nordestina</p><p>A maior parte dos estados nordestinos apresenta áreas de Mata Atlântica</p><p>e de Caatinga em seus territórios. Há uma pouca influência dos Cerrados nas</p><p>formações florestais do Nordeste. Por isso, há uma grande divisão florística</p><p>(Quadro 6).</p><p>Quadro 6 – Principais divisões da Região Florística Nordestina e suas</p><p>características</p><p>Divisão Florística</p><p>Nordestina Principais características</p><p>Savana-Estépica:</p><p>Caatinga do Sertão</p><p>Árido</p><p>• Clima semiárido;</p><p>• Chuvas intermitentes torrenciais seguidas de longo período</p><p>seco;</p><p>• Vegetação savânica com predominância de plantas arbóreas</p><p>espinhosas deciduais.</p><p>Floresta Ombrófila</p><p>Densa</p><p>• Região florestal de alta diversidade da Mata Atlântica (faz</p><p>parte da</p><p>Zona da Mata);</p><p>• Ocupa áreas montanhosas, submontanas e de terras baixas;</p><p>• Ocorre em áreas com grande umidade e precipitação.</p><p>Floresta Ombrófila</p><p>Aberta</p><p>• Ocorre em áreas menos úmidas da Mata Atlântica, podendo</p><p>ficar encharcadas em épocas de grandes chuvas (faz parte</p><p>da Zona da Mata);</p><p>• Presença de grande quantidade de espécies de palmeiras,</p><p>cipós e bambus.</p><p>Floresta Estacional</p><p>Semidecidual</p><p>• Teoricamente, inicia o processo de transição entre a Mata</p><p>Atlântica e a Caatinga/Cerrado;</p><p>• A vegetação arbórea costuma acompanhar os cursos d’água;</p><p>• Boa parte da vegetação perde folhas nos períodos de seca.</p><p>Floresta Estacional</p><p>Decidual</p><p>• Região mais próxima da Caatinga/Cerrado;</p><p>• Toda a vegetação perde folhas nos períodos de seca.</p><p>Savana</p><p>• Ocorre em locais com solo arenoso lixiviado e rico em</p><p>alumínio trocável;</p><p>• Adaptação da vegetação a condições de menor</p><p>disponibilidade de água e nutrientes. Na maioria dos casos a</p><p>vegetação é de baixo porte, podendo ser raquítica.</p><p>Fonte: IBGE, 2012.</p><p>22</p><p>Existem poucos plantios florestais na região. A existência de grande</p><p>parcela de região semiárida desfavorece os plantios arbóreos, sendo priorizados</p><p>os monocultivos agrícolas e sistemas agroflorestais para produção de alimentos.</p><p>A maior parte dos plantios florestais está em áreas de Mata Atlântica,</p><p>principalmente na Bahia, e em áreas de transição com o Cerrado do Maranhão.</p><p>No Quadro 7 pode ser observada a evolução da quantidade de áreas plantadas</p><p>na região Nordestina considerado o avanço de plantios em áreas de Caatinga e</p><p>Mata Atlântica em cinco anos, entre 2018-2022.</p><p>Quadro 7 – Histórico da área plantada com árvores total por estado da região</p><p>Nordestina no período 2018-2022 (em hectares)</p><p>Estados 2018 2019 2020 2021 2022</p><p>Alagoas 21.000 21.512 13.863 13.863 16.997</p><p>Bahia 593.404 599.562 639.707 661.608 664.415</p><p>Ceará 650 867 342 342 21</p><p>Maranhão 225.052 237.859 279.238 297.213 301.181</p><p>Paraíba 5.614 6.109 82 82 144</p><p>Pernambuco 4.060 4.873 961 961 1.337</p><p>Piauí 25.675 25.281 34.098 32.159 32.587</p><p>Rio Grande do Norte - - 44 44 44</p><p>Sergipe 6.179 6.024 3.381 3.381 3.601</p><p>Total 881.634 902.087 971.716 1.009.653 1.020.326</p><p>Fonte: IBÁ, 2023.</p><p>A formação da Caatinga apresenta espécies arbóreas em sua</p><p>composição. Teoricamente não é uma formação florestal, porém é caracterizada</p><p>como savana-estépica arborizada. A vegetação é composta por plantas</p><p>lenhosas com espinhos e plantas de savanas, com árvores pequenas, de troncos</p><p>grossos e bastante ramificados, perdendo totalmente as folhas em épocas secas</p><p>para reduzir a perda de água (Martins, 2012). Outras características importantes</p><p>da região são (IBGE, 2012; Martins, 2012):</p><p>• Clima quente e semiárido, com longo período seco;</p><p>• A vegetação precisa estar adaptada às condições de seca;</p><p>• Solos rasos e com muitos afloramentos rochosos;</p><p>• Os solos costumam ser muito férteis, porém a baixa disponibilidade água</p><p>desfavorece a nutrição mineral das plantas.</p><p>As principais características da região para o melhor crescimento das</p><p>florestas plantadas são (Martins, 2012):</p><p>23</p><p>• Alta incidência solar em grande parte do ano, recomendando, portanto, o</p><p>uso espécies heliófilas (desenvolvimento em pleno sol);</p><p>• Longos períodos secos e poucos períodos de chuvas concentradas,</p><p>reduzindo a produtividade da floresta. Necessário desenvolvimento de</p><p>seleções de melhoramento genético para obter clones resistentes à seca;</p><p>• Os solos são rasos e férteis. A fertilidade dos solos favorece o melhor</p><p>desenvolvimento da floresta, porém depende muito das épocas de chuva</p><p>para melhoria da nutrição da floresta. Isso reduz a necessidade de cargas</p><p>maiores de adubação, reduzindo também os custos de manutenção do</p><p>plantio.</p><p>Com base na observação das características apresentadas, é possível</p><p>fazer uma relação com as práticas culturais e silviculturais necessárias para o</p><p>melhor desenvolvimento dos plantios florestais nas regiões de Caatinga.</p><p>Destaca-se:</p><p>• A maior incidência de luz favorece o desenvolvimento de galhos e</p><p>ramificações, sendo então necessária uma maior quantidade de</p><p>podas/desramas. Nesses casos, recomenda-se, portanto, o uso de</p><p>espécies de Eucalyptus com desrama natural para reduzir as</p><p>necessidades de podas;</p><p>• Não há muita disseminação de gramíneas, portanto pode-se utilizar</p><p>maiores espaçamentos para produção. Há pouca formação de sub-</p><p>bosque, reduzindo a necessidade de realizar uma maior quantidade de</p><p>capinas, diminuindo os custos de manutenção dos plantios;</p><p>• Os solos sendo bem férteis, pode reduzir um pouco a necessidade de</p><p>adubação;</p><p>• Como os solos são rasos, há necessidade de utilizar espécies que não</p><p>tenha sistema radicular muito profundo, sendo essa uma característica</p><p>essencial para o desenvolvimento da floresta;</p><p>• Uma dificuldade para a região nordestina da Caatinga é conseguir mudas</p><p>florestais apropriadas para realizar a implantação com mudas de</p><p>melhores características genéticas. Grande parte dos viveiros da região é</p><p>de espécies nativas, utilizadas para recuperação ambiental.</p><p>A maior necessidade de plantios florestais na Caatinga seria para uso na</p><p>matriz energética, substituindo o uso de vegetação nativa para essa finalidade.</p><p>24</p><p>Materiais genéticos de eucalipto têm se mostrado promissões para isso, visto</p><p>que apresentam produção volumétrica superior às florestas nativas (1 ha de</p><p>eucalipto equivale à produção de 6 ha de nativas da Caatinga) (Silva et al.,</p><p>2016/2017).</p><p>As áreas de Mata Atlântica são mais propícias ao desenvolvimento de</p><p>florestas plantadas, porém há grande domínio das atividades agrícolas,</p><p>principalmente os plantios de cana-de-açúcar. As florestas plantadas são</p><p>majoritariamente formadas por eucaliptos plantados para a produção de celulose</p><p>e papel nas empresas localizadas na Bahia. Nas demais localidades, são</p><p>utilizadas para produção de biomassa para energia.</p><p>A vegetação da Mata Atlântica costuma apresentar alta diversidade,</p><p>possuindo muitas espécies arbóreas de grande porte. Outras características</p><p>importantes da região são (IBGE, 2012):</p><p>• Clima quente e úmido, com períodos definidos de seca e de chuvas</p><p>torrenciais;</p><p>• Os solos são profundos, levemente ácidos, na maioria argilosos e pouco</p><p>férteis;</p><p>• Há alto potencial de decomposição da matéria orgânica, o que ajuda na</p><p>ciclagem de nutrientes nessas florestas.</p><p>A região apresenta um potencial de produção de biomassa semelhante</p><p>ao observado na Floresta Amazônica. As principais características da região</p><p>para o melhor crescimento das florestas plantadas são (Martins, 2012):</p><p>• Alta incidência solar em grande parte do ano, recomendando, portanto, o</p><p>uso de espécies heliófilas (desenvolvimento em pleno sol);</p><p>• Chuvas torrenciais em parte do ano, com alta precipitação, com certos</p><p>períodos de seca, influenciando o desenvolvimento das florestas;</p><p>• Os solos são profundos e bem formados em grande parte da região;</p><p>• A alta decomposição da biomassa favorece a movimentação de matéria</p><p>orgânica nos solos e ciclagem de nutrientes.</p><p>A partir do apresentado, é possível fazer uma relação com as práticas</p><p>culturais e silviculturais necessárias para o melhor desenvolvimento dos plantios</p><p>florestais na Mata Atlântica nordestina. Destaca-se:</p><p>25</p><p>• A maior incidência de luz favorece o desenvolvimento de galhos e</p><p>ramificações, sendo então necessária uma maior quantidade de</p><p>podas/desramas. Nesses casos, recomenda-se, portanto, o uso de</p><p>espécies de Eucalyptus com desrama natural para reduzir as</p><p>necessidades de podas;</p><p>• Maiores espaçamentos podem favorecer o crescimento de gramíneas,</p><p>pois reduzem o sombreamento. O calor, a incidência de luminosidade e a</p><p>umidade também favorecem o crescimento dessas plantas, o que pode</p><p>aumentar a competição com as árvores por água, nutrientes e espaço,</p><p>sendo então necessário realizar uma maior quantidade de capinas;</p><p>• Como os solos são profundos e geralmente pouco compactados,</p><p>há uma</p><p>facilidade de preparar o solo para plantio;</p><p>• Uma dificuldade para a região nordestina da Mata Atlântica é conseguir</p><p>mudas florestais apropriadas para realizar a implantação com mudas de</p><p>melhores características genéticas. Grande parte dos viveiros da região é</p><p>de espécies nativas, utilizadas para recuperação ambiental.</p><p>5.2 Região Florística do Sul-Sudeste</p><p>As áreas avaliadas nesta parte fazem parte das regiões Sul e Sudeste,</p><p>levando em consideração apenas as áreas de Mata Atlântica que formam estes</p><p>ambientes. As principais divisões florísticas são apresentadas no Quadro 8.</p><p>Quadro 8 – Principais divisões da Região Florística do Sul-Sudeste e suas</p><p>características</p><p>Divisão Florística</p><p>do Sul-Sudeste Principais características</p><p>Floresta Ombrófila</p><p>Densa</p><p>• Região florestal de alta diversidade da Mata Atlântica (faz</p><p>parte da Zona da Mata);</p><p>• Ocupa áreas montanhosas, submontanas e de terras baixas;</p><p>• Ocorre em áreas com grande umidade e precipitação.</p><p>Floresta Ombrófila</p><p>Mista</p><p>• Caracterizada pela presença da espécie Araucaria</p><p>angustifolia em grande quantidade;</p><p>• Ocupa áreas montanhosas, submontanas e de terras baixas;</p><p>• Ocorre em áreas com grande umidade e precipitação.</p><p>Floresta Estacional</p><p>Semidecidual</p><p>• A vegetação arbórea costuma acompanhar os cursos d’água;</p><p>• Boa parte da vegetação perde folhas nos períodos de seca;</p><p>• O período de seca está associado os períodos de frio.</p><p>Floresta Estacional</p><p>Decidual</p><p>• Toda a vegetação perde folhas nos períodos de seca.</p><p>• O período de seca está associado os períodos de frio.</p><p>Fonte: IBGE, 2012.</p><p>26</p><p>No Sudeste, os principais estados produtores de florestas são Minas</p><p>Gerais e São Paulo, com os plantios de eucalipto em áreas de Cerrado, que já</p><p>vimos as características anteriormente. No Quadro 9 pode ser observada a</p><p>evolução da quantidade de áreas plantadas nas regiões Sul e Sudeste</p><p>considerado o avanço de plantios em áreas de Mata Atlântica em cinco anos,</p><p>entre 2018-2022.</p><p>Quadro 9 – Histórico da área plantada com árvores total por estado da região</p><p>Sul-Sudeste no período 2018-2022 (em hectares)</p><p>Estados 2018 2019 2020 2021 2022</p><p>Espírito Santo 231.073 231.421 270.631 279.821 274.535</p><p>Paraná 1.066.479 1.008.990 1.165.490 1.177.596 1.164.920</p><p>Rio de Janeiro 30.574 29.764 29.903 30.325 29.632</p><p>Rio Grande do Sul 780.900 828.457 915.552 934.608 931.479</p><p>Santa Catarina 664.238 642.310 1.004.844 1.031.694 1.025.014</p><p>Total 2.773.264 2.740.942 3.386.420 3.454.044 3.425.580</p><p>Fonte: IBÁ, 2023.</p><p>A grande maioria dos plantios desta região florística está no Sul. Estas</p><p>florestas são dominadas por plantios com espécies do gênero Pinus, que são</p><p>utilizadas para geração de madeira sólida e embalagens. As indústrias de</p><p>madeira serrada no Sul do Brasil são essenciais para a produção florestal do</p><p>país, possuindo as principais empresas que dedicam os produtos para</p><p>exportação. Algumas empresas de celulose e papel também atuam na região. É</p><p>uma das mais completas em relação à quantidade de produtos florestais.</p><p>A vegetação da Mata Atlântica costuma apresentar alta diversidade,</p><p>possuindo muitas espécies arbóreas de grande porte. No caso das fisionomias</p><p>da Floresta Ombrófila Mista, há destaque pela presença de araucárias. Outras</p><p>características importantes da região são (IBGE, 2012):</p><p>• Clima extremos com divisões entre épocas quentes e de extremo frio e</p><p>seca, com ocorrência de geadas;</p><p>• As épocas úmidas apresentam alta precipitação, com chuvas torrenciais;</p><p>• Os solos são profundos, levemente ácidos, na maioria argilosos e pouco</p><p>férteis;</p><p>• Há baixo potencial de decomposição da matéria orgânica, reduzindo o</p><p>ritmo de ciclagem de nutrientes nessas florestas.</p><p>27</p><p>As principais características da região para o melhor crescimento das</p><p>florestas plantadas são (Martins, 2012):</p><p>• Baixa incidência solar em grande parte do ano, recomendando, portanto,</p><p>o uso espécies de clima frio e sobrevivam à baixas taxas de iluminação</p><p>com raios solares;</p><p>• Chuvas torrenciais em parte do ano, com alta precipitação, com certos</p><p>períodos de seca, influenciando o desenvolvimento das florestas;</p><p>• Ocorrência de geadas, que prejudica as florestas, podendo matar as</p><p>plantas;</p><p>• Os solos são profundos e bem formados em grande parte da região,</p><p>porém grande parte dos plantios está em locais com relevo irregular,</p><p>dificultando as técnicas de preparo do solo e as práticas silviculturais.</p><p>Com destaques no uso de espécies de climas temperados, resistentes</p><p>às geadas, são utilizadas espécies de pinus. Apesar de alguns materiais</p><p>genéticos de eucalipto possuírem potencial para superar os problemas de</p><p>geadas, o destaque no Sul são as florestas de pinus. As principais características</p><p>dos plantios de pinus na região Sul são as seguintes (Ahrens, 1997):</p><p>I. Localização das plantações: principalmente em locais de topografia</p><p>muito acidentadas, aumentando custos de plantio, de manutenção, de</p><p>colheita e de transporte. Nestes locais fica difícil também realizar</p><p>desbastes seletivos e podas;</p><p>II. Espaçamento inicial: menores espaçamentos no início, comumente</p><p>entre 2,0 m x 2,0 m e 3,0 m x 3,0 m, realizando-se desbastes futuros para</p><p>aumento da área disponível, aumentando também os diâmetros das</p><p>árvores;</p><p>III. Rotação: o pinus acaba crescendo menos que o eucalipto, porém a</p><p>grande maioria das espécies plantas é resistente às geadas. Por isso, é</p><p>necessário um maior tempo para desenvolvimento das florestas de pinus.</p><p>A partir do apresentado, é possível fazer uma relação com as práticas</p><p>culturais e silviculturais necessárias para o melhor desenvolvimento dos plantios</p><p>florestais das regiões frias do Sul. Destaca-se:</p><p>• A baixa incidência de luz proporcionada por longos períodos nublados</p><p>dificulta o desenvolvimento das florestas. Por isso, recomenda-se a</p><p>28</p><p>escolha de espécies adaptadas ao frio e às geadas, como as do gênero</p><p>Pinus de climas subtropical e temperado, e algumas do Eucalyptus como</p><p>o E. dunni;</p><p>• As espécies plantadas nesta região geralmente não possuem desrama</p><p>natural, sendo necessário realizar mais atividades de poda;</p><p>• Há alta produtividade de herbáceas no sub-bosque das florestas, o que</p><p>pode aumentar a competição com as árvores por água, nutrientes e</p><p>espaço, sendo então necessário realizar uma maior quantidade de</p><p>capinas;</p><p>• Como os solos são profundos e geralmente pouco compactados, há uma</p><p>facilidade de preparar o solo para plantio em áreas planas. Em áreas</p><p>acidentadas, dificulta a realização de muitas atividades, desde o preparo</p><p>do solo até a colheita de madeira;</p><p>• Alguns solos na região Sul são naturalmente ácidos e podem estar</p><p>sujeitos à erosão. Isso pode impactar os níveis de desenvolvimento dos</p><p>plantios florestais.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Nesta abordagem, pudemos observar que o Brasil apresenta diversas</p><p>nuances em sua paisagem, o que aumenta a diversidade edafoclimática e</p><p>favorece o desenvolvimento de diversas formações vegetais. Estudamos aqui</p><p>sobre a Fitogeografia do Brasil.</p><p>Os diversos biomas brasileiros ajudam na diversidade da produção</p><p>florestal, porém, como vimos nesta abordagem, algumas condições ambientais</p><p>desfavorecem a formação de florestas plantadas.</p><p>Observamos também quais são as áreas mais produtivas e quais as</p><p>práticas culturais e silviculturais que ajudam a silvicultura, o manejo e a produção</p><p>florestal.</p><p>29</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>AB’SÁBER, A. Os domínios morfoclimáticos na América do Sul. Geomorfologia,</p><p>n. 52, p. 1-22, 1977.</p><p>AHRENS, S. O manejo e a silvicultura de plantações de pinus na região Sul</p><p>do Brasil. Colombo: Embrapa Floresta, 1997.</p><p>ALBERTIN, R. M. Domínios morfoclimáticos. In: ALBERTIN, R. M. et al.</p><p>Geografia física do Brasil. Porto Alegre: Sagah, 2021. p. 93-106.</p><p>BEGON, M.; TOWNSEND, C. R.; HARPER, J. Ecologia: de indivíduos a</p><p>ecossistemas. Oxford: Blackwell, 2006. 759p.</p><p>BRASIL. Lei n. 11.428, de 22 de dezembro de 2006. Diário Oficial</p><p>da União,</p><p>Brasília, DF, 23 dez. 2006. Seção 1, p. 1.</p><p>COELI, L. Biogeografia do Brasil. In: RIFFEL, E. et al. Biogeografia. Porto</p><p>Alegre: Sagah, 2021. p. 151-168.</p><p>FAGUNDES, F. N. Biogeografia: conceitos e temas. In: RIFFEL, E. et al.</p><p>Biogeografia. Porto Alegre: Sagah, 2021. p. 11-16.</p><p>INSTITUTO BRASILEIRO DE ÁRVORES – IBÁ. Relatório anual IBÁ 2023. Itaim</p><p>Bibi: Indústria Brasileira de Árvores, 2023. 88p.</p><p>INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Manual</p><p>técnico da vegetação brasileira. 2. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: IBGE, 2012.</p><p>MACHADO, M. R. Plantios florestais na Amazônia Central: biometria,</p><p>ciclagem bioquímica e alterações edáficas. Dissertação (Mestrado em Ciências</p><p>Agrárias) – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus, 2008.</p><p>MARTINS, S. V. Ecologia de florestas tropicais do Brasil. 2. ed. rev. e ampl.</p><p>Viçosa: Ed. UFV, 2012.</p><p>ODUM, E. P. Fundamentos de ecologia. 5. ed. São Paulo: Cengage Learning,</p><p>2010.</p><p>OLIVEIRA, T. K. Sistemas integrados na Amazônia brasileira: experiências</p><p>demonstrativas e resultados de pesquisa. Campo Grande: SAP+10, 2013. 29p.</p><p>PIRES, P. T. L. et al. Dicionário de termos florestais. 1. ed. rev. e ampl.</p><p>Curitiba: FUPEF, 2018.</p><p>30</p><p>SILVA, J. A. A. et al. Modelagem do crescimento volumétrico de clones de</p><p>eucalipto (Eucalyptus urophylla) no polo gesseiro do Araripe-PE. Anais da</p><p>Academia Pernambucana de Ciência Agronômica, v. 13/14, p. 173-190,</p><p>2016/2017.</p><p>SILVA, L. D. et al. Plantações com espécies florestais/clones em monocultivos e</p><p>sistema iLPF no bioma Cerrado. In: SILVA, L. D. et al. (org.). Sistema de</p><p>informações para planejamento florestal no cerrado brasileiro. Piracicaba:</p><p>ESALQ/USP, 2021, p. 44-52. v. 2.</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>TEMA 1 – FUNDAMENTOS DE ECOLOGIA FLORESTAL</p><p>TEMA 2 – FITOGEOGRAFIA DO BRASIL</p><p>TEMA 3 – CARACTERÍSTICAS DA PRODUÇÃO FLORESTAL NA REGIÃO FLORÍSTICA AMAZÔNICA</p><p>TEMA 4 – CARACTERÍSTICAS DA PRODUÇÃO FLORESTAL NA REGIÃO FLORÍSTICA DO BRASIL CENTRAL</p><p>TEMA 5 – CARACTERÍSTICAS DA PRODUÇÃO FLORESTAL NAS REGIÕES FLORÍSTICAS NORDESTINA E DO SUL-SUDESTE</p><p>FINALIZANDO</p><p>REFERÊNCIAS</p>