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Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 1 MED RESUMOS 2012 NETTO, Arlindo Ugulino. RADIOLOGIA INTRODUÇÃO À RADIOLOGIA A radiologia a parte da cincia que estuda rgos e/ou estruturas atravs da utilizao de um tipo especial de energia, gerando uma imagem. No Brasil o Conselho Federal de Medicina reconhece a especialidade pelo nome de "Radiologia e Diagnstico por imagem". Nas ltimas dcadas foram acrescentados novos mtodos aos j tradicionais raios-x. A ultrassonografia, a ressonncia magntica nuclear, a mamografia, os novos equipamentos de tomografia computadorizada e muitos outros avanos vieram a contribuir para tornar essa rea ainda mais importante do ponto de vista diagnstico. A seleo adequada das investigaes por imagem de grande importncia. Existem duas filosofias opostas. Uma delas a requisio de uma bateria de investigaes, apontadas para os sintomas do paciente na esperana de que alguma coisa se esclarea; a outra a “tentativa do erro”: decide-se por um ou dois diagnsticos possveis e executam-se os exames apropriados para apoiar ou eliminar estas possibilidades. difcil estabelecer parmetros precisos para a solicitao de exames de imagenologia porque os pacientes so avaliados de forma distinta nos diferentes centros e a informao necessria varia significativamente. Um exame somente deveria ser requisitado quando existir uma chance razovel de que ele contribuir para o tratamento do paciente. O intervalo de tempo entre exames de acompanhamento deve ser cuidadosamente avaliado. Ser especfico sobre a localizao dos problemas. Considerar cuidadosamente que exame diagnstico por imagem fornecer informao relevante mais facilmente. Escolher um exame que, sempre que possvel, minimize ou evite radiao ionizante. Os custos da radiologia so muito altos. considerada uma das mais caras reas da medicina. Contudo, estes custos se fundamentam basicamente no equipamento e material utilizados no procedimento e o pessoal que realizam a manuteno e a operao de tais equipamentos. MTODOS RADIOLGICOS E HISTRICO Os mtodos fundamentais utilizados pela radiologia so: Radiografia ou Raios-X (1895): Wilhelm Conrad Rentgen, nascido em 27 de maro de 1845, em Lennep, na Pr ssia, realizou seus estudos nos Pases Baixos e Sua, obtendo seu doutorado em fsica pela Universidade de Zrich em 1869. No entardecer de 8 de setembro de 1895, uma quinta- feira, quando todos j haviam encerrados suas jornadas de trabalho, Rentgen trabalhava em seu laboratrio realizando experincias com um Tubo de Crookes (tubo de raios catdicos) e percebeu que, cada vez que o aparelho era ligado, uma tela coberta com platinocianeto de brio que estava sobre uma mesa prxima ao tubo surpreendentemente fluorescia. Rentgen concluiu que a fluorescncia no poderia ser devida aos raios catdicos, pois estes j eram bem conhecidos e sabia-se que no atravessavam a parede do tubo. Imaginou ento que o fenmeno estava sendo causado por algum tipo de radiao at ento desconhecida, a qual chamou de radiao X. Na tentativa de estudar esta nova radiao, Rentgen passou semanas realizando experincias em seu laboratrio, com o objetivo de avaliar se essa nova radiao seria capaz de passar atravs de outros objetivos. Quando Rentgen interps um objeto que ele estava segurando, viu os ossos de sua mo projetados na tela. Foi ento que ele substituiu a tela por uma pelcula fotogrfica e interps, por 15 minutos, a mo esquerda de sua esposa, Bertha, gerando assim, a primeira imagem radiolgica da histria. Em 28 de dezembro de 1895, Rentgen encaminhou Sociedade de Fsica e Medicina de Wrzburg um manuscrito, intitulado “Sobre um novo tipo de raios” (“On a new kind of rays”). Wilhelm Rentgen morreu em 10 de fevereiro de 1923 na cidade de Munique devido a um cncer de clon e est enterrado ao lado de sua esposa na cidade de Giessen, Alemanha. No incio, alm do diagnstico mdico, os raios-x tiveram uma ampla aplicao no tratamento de diversas doenas, como o hirsutismo e a Tinea capitis. Serviu ainda como forma de propaganda de grandes sapatarias, que utilizavam as radiografias para demonstrar os ps calados de seus clientes. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 2 Os primeiros equipamentos de raios-x no contavam com nenhuma proteo contra as radiaes desnecessrias, bem como necessitavam de altas doses para a obteno das imagens. Muitos mdicos, pacientes e pessoas que manuseavam equipamentos radiolgicos sofreram suas consequncias, como dermatites causadas pelo excesso de radiao e o aparecimento de cnceres em diversos locais. A partir da constatao desses efeitos deletrios, houve uma preocupao em aumentar a proteo de mdicos e pacientes reduzindo as radiaes desnecessrias e melhorando os equipamentos. Na Amrica do Sul, o primeiro equipamento de raios-x foi instalado no Brasil. Ele foi fabricado na Alemanha em 1897 pela Siemens, com superviso direta de Rentgen. Atualmente, este aparelho encontra-se exposto no International Museum of Surgical Science, em Chicago, EUA. Ultrassonografia (USG): tipo de exame radiolgico que no utiliza radiao, mas sim, ondas sonoras. A histria de ultra-sonografia reporta de 1794, quando Lazzaero Spallanzini demonstrou que os morcegos se orientavam baseados principalmente em sua audio, ao invs da viso. Em 1880, Jacques e Pierre Curie descreveram as caractersticas de alguns cristais capazes de gerar ondas sonoras. Em 1947, Dussick fez uma das primeiras tentativas de aplicao mdica do ultrassom ao utilizar dois transdutores colocados em lados opostos da cabea. Ele descobriu que tumores e outras leses intracranianas podiam ser detectados com essa tcnica. Em 1948, o Dr. Douglass Howry desenvolveu o primeiro aparelho de ultrassonografia. Muitos experimentos foram feitos at que os primeiros aparelhos pudessem ter um tamanho menor e fossem mais prticos. A evoluo da ultra-sonografia vem sendo constante ao longo dos anos e novos aparelhos com melhor definio de imagens e documentao em 3D, 4D, Duplex e Triplex so aprimorados constantemente. Tomografia computadorizada (TC): as primeiras ideias de um aparelho de tomografia computadorizada tiveram incio por volta de 1967 com o engenheiro eletricista da EMI, Godfrey Newbold Hounsfield (1919 – 2004). O programa de desenvolvimento do primeiro aparelho de tomografia computadorizada envolveu muitas frustraes e d vidas. O primeiro aparelho (EMI Mark I) surgiu e, 1972, sendo possveis somente aquisies do crnio. Os dados brutos da primeira imagem de tomografia demoraram algumas horas para serem adquiridos e foram necessrios alguns dias para que a reconstruo desta primeira imagem fosse concluda. Somente mais tarde, por volta de 1976, que surgiram os primeiros aparelhos capazes de adquirir imagens do restante do corpo. Ressonância magnética (RM): no utiliza raios-x, mas o magnetismo e ondas de radiofrequncia. O magnetismo tem usa origem ligada ao nome de uma cidade na regio da Turquia antiga chamada de Magnsia. A palavra surgiu na antiguidade, associada propriedade que os fragmentos de ferro tm de se atrados pela magnetita, um mineral encontrado na natureza e muito abundante nesta regio. Em 1820, o dinamarqus Hans Oersted relacionou fenmenos eltricos aos fenmenos magnticos ao observar que uma corrente eltrica alterava o movimento da agulha de uma b ssola. Em 1821, o ingls Michael Faraday inverteu a experincia de Oersted e descreveu os fundamentos da induo eletromagntica. Em 1946, nos EUA, Feliz Bloch (1905 – 1983) e Edward Milles Purcell (1912 – 1997) descreveram, independentemente um do outro, um fenmeno fsico-qumico baseado nas propriedades magnticas de certos n cleos. Em 1968, Jackson e Langhamregistraram o primeiro sinal de ressonncia nuclear magntica de um animal vivo. Mamografia: um exame de diagnstico por imagem que tem como finalidade estudar o tecido mamrio. Esse tipo de exame pode detectar um ndulo, mesmo que este ainda no seja palpvel. Medicina nuclear: a especialidade mdica que aplica a energia nuclear para diagnosticar ou tratar doenas. A energia nuclear conceituada como o elemento capaz de manter os prtons do n cleo de um elemento qumico unidos, sem que haja repulso entre si mesmo sendo partculas com a mesma carga. RADIOLOGIA GERAL E MATERIAIS A radiologia tem como prottipo bsico os Raios-X. Estes so utilizados para todas as radiografias convencionais e para tomografia computadorizada (TC). So produzidos atravs da passagem de uma voltagem muito alta entre dois terminais de tungstnio dentro de um tubo a vcuo. Um terminal, o ctodo, aquecido at a incandescncia de modo a liberar eltrons livres. Quando uma alta voltagem (geralmente numa variao de 50-150 kV) aplicada sobre os dois terminais, os eltrons so atrados em direo ao nodo a uma alta velocidade. Quando os eltrons atingem o nodo-alvo, so produzidos os raios-X. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 3 Os raios-X de frenagem constituem o tipo de radiao utilizada na prtica mdica. Esse tipo de radiao X produzido artificialmente, por meio da ao de uma ampola ligada a uma fonte de energia. Nessa ampola, existe um ctodo (-) e um nodo (+), que quando ligados a uma fonte de alta tenso de energia, apresentam uma diferena de potencial eltrico. Inicialmente, antes mesmo de ligar a fonte central de alta tenso, um filamento ligado a uma fonte de baixa tenso aquecido, passando a liberar pequenas quantidades de eltrons (efeito termo-iônico, princpio fsico que diz: “todo metal quando aquecido no vcuo, passa a liberar eltrons”). Quando a radiografia vai ser feita, o tcnico aciona o circuito de alta voltagem, fazendo com que a nuvem eletrnica formada ao redor do filamento metlico aquecido seja deslocada com grande energia cintica em direo ao nodo (neste caso, positivo por conveno). No momento da coliso entre os eletrons e o nodo, gera-se um processo de frenagem e de desacelerao dos eletrons, que perdem energia cintica em forma de radiação-X. OBS1: Pode-se dizer quer seguro entrar em uma sala de raios-X logo aps desligar a ampola (fonte de radiao), pois a radiao no contamina o ambiente. S h emisso de radiao quando a fonte de alta tenso acionada. OBS²: Quanto maior for a tenso eltrica, maior a energia dos raios-X. Isso importante para certos tipos de radiografias de tecidos duro e mole. OBS³: Em ampolas reais, tem-se o nodo como um disco giratrio para que seu desgaste (devido contnua coliso com eltrons) seja de modo homognio. Essa ampola fonte de radiao fica submersa em um leo mineral, que serve tanto como isolante eltrico quanto como meio de dissipao de calor (assim como ocorre em toda transformao de energia, o calor, nesse caso, produzido pela transformao da energia cintica em energia X). Os raios-X so originrios da frenagem dos eltrons gerados no catodo, que se convertem em ftons, pelo fenmeno conhecido por Bremsstrahlung. Os raios-X produzidos no interior das ampolas so constitudos por ondas eletromagnticas de vrias freqncias e intensidades. Quando os eltrons se aproximam do n cleo, sofrem interao eletrosttica e sofrem um desvio de trajetria. nesse desvio que acontece a converso da energia cintica em energia X. Os raios-X produzidos por “Bremsstrahlung” constituem um espectro contnuo dentro de uma faixa de comprimento de onda que vai de 0,1 a 0,5 (10-10 m). IMPRESSÃO DE UMA IMAGEM POR MEIO DE RAIOS-X Imagine vrios feixes de radiao X oriundos de uma ampola incidindo perpendicularmente, por exemplo, em uma coxa, entreposta entre a fonte de radiao o filme radiolgico. Na coxa, encontra-se o seu arcabouo sseo – o fmur – de tecido duro e de grande densidade. Em torno desse osso, tem-se tecidos moles (m sculo, aponeuroses, etc.). Alguns feixes de raios-X incidentes de radiao passaro pelo osso e outros pelos tecidos moles, obtendo, aps atravessar a estrutura anatmica, raios-X emergentes, com uma energia menor do que aqueles que foram incidentes, isso porque a estrutura anatmica absorve para si parte da radiao. Os tecidos radiotransparentes (radio-lúcidos) so aqueles que absorvem pouca energia X e permitem a passagem de raios emergentes de maior energia, enquanto os tecidos radiopacos absorvem mais essa energia, emergindo deles raios de menor energia. OBS4: A propriedade que algumas estruturas tm de absorver e liberar parte da energia explicada por meio da espectrofotometria, atravs das definies de transmitância e da absorbância. Uma estrutura transmitante (como um vidro l cido) deixa passar toda energia (como a luz) que nele incidir. J uma estrutura absorbante (como um vidro com fum) absorve mais energia do que libera. Quando se aplica fum em vidros, por exemplo, 30%, significa que a transmitncia do vidro agora de 70% e a sua absorbncia de 30%. A radiao X emergente entra agora em contato com um filme especial, constitudo, alm da camada de plstico que o envolve, por uma gelatina composta de sais de prata (BrAg e IAg). Quando a radiao incide no filme radiolgico, ela desestabiliza os sais de prata. Uma vez instvel, a prata fornece uma colorao negra no filme. Do osso, por se tratar de um tecido denso e de grande absorbncia, vai emergir uma energia de pequena quantidade, capaz apenas de precipitar bem menos prata do que aqueles raios que atravessam os tecidos moles da estrutura anatmica. Logo, o gradiente de cor que vai de um cinza claro ao negro registrada em um filme radiolgico, representa a densidade de cada tecido pelos quais a radiao X vai penetrar para emergir depois. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 4 OBS5: necessrio ento, uma certa diferena de densidades entre os tecidos que sero radiografados. Com isso, determinados tumores podem no aparecer em uma tomografia por terem um tecido semelhante quele que o circunda. J quando h uma calcificao (como em uma artrose), a densidade do tecido aumenta, tornando-se mais absorbante. O filme fotogrfico especial a ser sensibilizado se encontra armazenado dentro de um equipamento denominado chassi, onde protegido da luz ambiente. Nas superfcies interna do chassi, existe um aparato bastante importante para o advento da radiografia chamado de écran radiográfico. Consiste em um material de colorao branca a base de polister com sais de fsforo responsvel por intensificar os raios-X, garantindo ao paciente uma reduo nos tempos de exposio (mas reduzindo a qualidade da imagem). O filme passa ento por uma processadora onde sofrer processos de lavagem e revelao, formando assim, a imagem real. OBS6: Contemporaneamente, existem dois tipos de sistema radiogrfico digital: o digital direto (DR) e o digitalizado (CR). O sistema CR apresenta em seu chassi um material semelhante ao cran, mas que no apresenta a mesma propriedade de fluorescncia, mas sim, de luminescncia retardada. Quando os ftons de raios-X incidem sobre este material, os sais que o compem tornam-se eletricamente carregados (e no emitem uma luz direta, como ocorre no cran tradicional). H, no chassi, um leitor digital que capta a energia armazenada por esses sais e que converte essa informao em uma imagem para um computador e um processador. O DR consiste em um procedimento mais caro. Neste procedimento, ao invs do uso de chassis com propriedade de luminescncia retardada, existem receptores especiais diretamente conectados a um computador (como na tomografia computadorizada),sem ser necessrios materiais para absorver energia ou aquecer para converter a imagem. FUNDAMENTOS FSICOS DAS RADIA ES Para entender os fundamentos bsicos da fsica que rege a radiologia, necessrio relembrar alguns conceitos que sero vastamente utilizados por ns ao longo deste assunto. Energia: o conceito de Energia um dos conceitos essenciais da Fsica. Nascido no sculo XIX, pode ser encontrado em todas as disciplinas da Fsica (mecnica, termodinmica, eletromagnetismo, mecnica quntica, etc.) assim como em outras disciplinas, particularmente na Qumica. Em geral, o conceito e uso da palavra energia se refere "ao potencial inato para executar trabalho ou realizar uma ao". O termo energia tambm pode designar as reaes de uma determinada condio de trabalho, por exemplo o calor, trabalho mecnico ( movimento) ou luz. Estes que podem ser realizados por uma fonte inanimada (por exemplo motor, caldeira, refrigerador, alto-falante, lmpada, vento) ou por um organismo vivo (por exemplo os m sculos, energia biolgica ). A etimologia da palavra tem origem no idioma grego, onde εργος (erfos) significa "trabalho". Ex: Energia cintica; Energia potencial; Energia eltrica; Energia trmica; Energia nuclear. Radiação: em fsica, radiao a propagao da energia por meio de partculas ou ondas a partir de uma fonte. Todos os corpos emitem radiao, basta estarem a uma determinada temperatura. Radiao , portanto um tipo de energia que se difunde ou se propaga na forma corpuscular ou de ondas eletromagnticas atravs de uma fonte. Dependendo da presena ou no de massa, temos dois tipos de radiao: o Radiaes corpusculares: as particulas emitidas possuem massa, e geralmente so mais ionizantes e mais lesivas. Ex: Partcula α; Partcula β Positrnica; Partcula β Negatrnica; Emisso de neutrons, protons, etc. o Radiaes (ondas) eletromagnticas: no possuem massa. Ex: radiao γ (gama), radiao UV, raio X, luz visvel, microondas, infravermelho, etc. Quanto a capacidade de ionizar estruturas celulares, temos: o Radiaes no-ionizantes: ondas de Rdio e TV; microondas; infravermelho; luz visvel; ultravioleta A e B . o Radiaes ionizantes: ultravioleta C; raios X; raios Gama. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 5 Radioatividade (radiatividade): um fenmeno natural ou artificial, pelo qual algumas substncias ou elementos qumicos, chamados radioativos, so capazes de emitir radiaes, as quais tm a propriedade de impressionar placas fotogrficas, ionizar gases, produzir fluorescncia, atravessar corpos opacos luz ordinria, etc. As radiaes emitidas pelas substncias radioativas so principalmente partculas alfa, partculas beta e raios gama. A radioatividade uma forma de energia nuclear, usada em medicina (radioterapia), e consiste no fato de alguns tomos como os do urnio, rdio e trio serem “instveis”, perdendo constantemente partculas alfa, beta e gama. O urnio, por exemplo, tem 92 prtons, porm atravs dos sculos vai perdendo-os na forma de radiaes, at terminar em chumbo, com 82 prtons estveis. INTERAÇÃO COM A MATÉRIA Sob o ponto de vista fsico, as radiaes, ao interagir com um material, podem nele provocar trs tipos de fenmenos: excitao; ionizao; ativao nuclear. Excitação: eltrons so deslocados de seus locais de equilbrio e, ao retornarem, emitem a energia excedente sob forma de luz (radiao eletromagntica). Ex: raios-X caractersticos; crans (fluorescncia); intensificador de imagem. Ionização: fenmeno em que um tomo perde ou ganha eltrons. O eltron est ligado ao tomo por meio de uma energia E. Com isso, para que o tomo perca esse eltron, ele dever receber, na forma de radiao, uma energia maior ou igual a E. Interação gama-matéria e efeito fotoelétrico (absorção total da radiação): a radiao ү, ao ser produzida por uma fonte radioativa, ela de certeza provocar uma interao na matria devido ao seu poder de ionizao. A energia do foton indicidente ү transferida para um eletron do elemento, energia esta suficiente para expel-lo da eletrosfera. Isso forma uma vacncia eletrnica, que ser ocupada por um outro eletron de outra camada, liberando radiao X, obedecendo o efeito foton-elétron (acontece quando a energia incidente ү absorvida em parte por um eletron, que foge da eletrosfera, recebendo o nome de foton-eletron). Em resumo, temos: (1) o tomo absorve a energia do fton; (2) torna-se instvel; (3) emite um eltron para atingir a estabilidade. Com isso, tem-se que os resultados do efeito foton-eltron so: eletron ejetado; formao de Raios-X caractersticos; formao de ons positivos. uma interao que acontece com materiais de alta densidade, utilizados, por exemplo, para blindagem ou sensibilizao do filme radiogrfico. Efeito ou espalhamento Compton (absorção parcial da radiação): um efeito que contribui para espalhar a radiao no momento que ela incide no meio material. A energia ү incidente, oriunda de uma fonte externa, tem energia suficiente tanto para ejetar um eltron da eletrosfera de um elemento quanto para desviar a sua rota em direo a um outro elemento, muito semelhante a um jogo de bilhar, em que uma bola desloca a outra, espalhando o jogo por toda a mesa. O fton incidente aquele que inicia a cadeia de ejees, e o foton emergente se forma aps a primeira interao fonton-eltron. Quanto maior a energia cintica do fton incidente, menor angulo θ formado entre sua trajetria inicial e sua nova trajetria. Em resumo, temos: (1) o tomo absorve a energia do fton; (2) torna-se instvel; (3) emite um eltron e outro fton para atingir a estabilidade; (4) o fton emitido de menor energia e chamado de radiao secundria (espalhada). Acontece com materiais de baixa e mdia densidade (como o corpo humano). Isso significa que a incidncia de radiao primria sobre estruturas orgnicas passvel de produzir radiação espalhada (secundária), capaz de aumentar as doses ambientais de radiação e produzir artefatos de imagem no filme radiogrfico. OBS7: A radiao secundria ou espalhada, resultante da incidncia de um feixe de radiao primria sobre tecidos de baixa ou mdia densidade, um fator preocupante tanto para os operadores das mquinas de raios-X quanto para a qualidade da imagem. Como vimos, a radiao secundria capaz de aumentar as doses ambientes da radiao, sendo necessria uma maior preocupao com equipamentos de proteo geral e individual contra a ao deletria da radiao. Com relao qualidade da imagem, o espalhamento da radiao primria interfere na qualidade da imagem por produzir artefatos no filme radiogrfico que podem interferir na imagem real das estruturas orgnicas. Para prevenir este efeito, existe um equipamento denominado grade (componente da gaveta onde se introduz o chassi). Constituda de uma placa de Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 6 chumbo vazada, a grade apresenta fendas com orientação predeterminada fisicamente capaz de reduzir ou barrar a incidência da radiação secundária no filme radiográfico, diminuindo assim, a aparição de imagens inexistentes no filme. Contudo, diferentemente dos écrans (ver OBS8), a grade não diminui a radiação incidente sobre o paciente, apenas reduz os efeitos da radiação secundária sobre o filme. De fato, é inadmissível comparar a função da grade com a do écran: enquanto a grade aumenta a qualidade da imagem (por reduzir artefatos), o écran diminui a qualidade (por borrar a imagem devido ao espalhamento de micropartículas excitadas previamente pelos fótons da radiação). A grade é utilizada para raios-X de compartimentos mais volumosos (e que apresentam mais matéria para interaçãoda radiação), como o tórax e o abdome. Geralmente, não é necessário o uso de grade no exame radiográfico da mão, por ser uma estrutura anatomicamente menor e apresentar menos matéria para interação da radiação. EFEITOS BIOLGICOS Os efeitos biológicos podem ser estocásticos (causam transformação celular) e determinísticos (causam a morte celular): Os efeitos estocásticos causam alterações no DNA da célula e podem ocorrer com qualquer dose de radiação. A célula continua de reproduzindo, passando as alterações adiante. O sistema de defesa falha, a célula pode continuar se reproduzindo até o surgimento de um tumor. Nos efeitos determinísticos, como levam à morte celular, existe uma relação entre a dose recebida e os efeitos esperados. A ocorrência da severidade do dano depende do tecido atingido e aumentam diretamente proporcional à dose de radiação. Ex: leucopenia, anemia, catarata, necrose tissular, radiodermite, etc. EQUIPAMENTOS DE PROTEO GERAL Muitos dos componentes que formam os equipamentos radiológicos foram projetados para evitar a exposição desnecessária dos pacientes e profissionais e já foram vistos quando estudamos a física das radiações. A seguir, estão listados alguns deles e seu papel na radioproteção: O tubo de raios-X recebe um invólucro (carcaça) de chumbo para evitar que a radiação se espalhe; O filtro inerente (filtro de alumínio) reduz a radiação de baixa energia na saída do tubo; O colimador restringe a área irradiada; Os cones e cilindros de extensão reduzem a área de exposição do paciente; O écran intensifica os raios-X, promovendo uma redução nos tempos de exposição: quando um fóton de raios-X incide sobre a camada de écran na superfície interna do chassi, ocorre excitação e produção de várias micropartículas que ampliam a impressão do filme sem intensificar a radiação (propriedade de fluorescência). Este fato é responsável por diminuir bastante a dose de radiação incidente. Contudo, a qualidade de imagem é reduzida, ficando um pouco borrada devido ao espalhamento de partículas do écran. O chassi tem uma lâmina de chumbo na tampa, evitando que as radiações prossigam além deste ponto; O filme radiográfico e o seu processamento estão cada vez melhores, diminuindo o tempo de exposição; A sala onde está o equipamento deve ser blindada (com argamassa baritada ou lâminas de chumbo) para evitar a saída das radiações; O operador deve ficar atrás de um biombo de chumbo durante a realização do exame para evitar exposição às radiações; A saia de chumbo do seriógrafo protege o operador das radiações secundárias. OBS8: O uso de écrans serve, portanto, para diminuir a dosagem de raios-X incidentes sobre o tecido orgânico. Contudo, o seu uso é inversamente proporcional à qualidade da imagem, a qual torna-se mais borrada. Normalmente, na radiografia, se trabalha com dois écrans dentro do chassi. Já na mamografia, apenas um écran é utilizado, pois as estruturas da mama já não apresentam muito contraste, e a perda da qualidade da imagem com o uso de dois écrans é totalmente inviável. PROPRIEDADES DOS RAIOS-X Os raios-X, protótipos da radiologia, apresentam as seguintes propriedades: Causam fluorescência em certos sais metálicos. Isso significa que, mesmo sendo invisíveis, os raios-X geram luz quando incidem em placas metálicas; Enegrecem placas fotográficas (que são originalmente claras) quando incidem diretamente sobre elas. Isso significa que: (1) áreas atingidas pelos raios-X com maior atenuação refletem-se de forma mais clara no filme radiográfico (como se mostram brancos os ossos); (2) áreas atingidas pelos raios-X com menor atenuação, o filme torna-se enegrecido (como acontece com as margens da imagem, onde não há tecido orgânico). Propriedades de radiação eletromagnética; São capazes de ionizar; Produzem radiação secundária (aumentam a dose ambiente); Propagam-se em linha reta. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 7 TUBO DE RAIO-X Como vimos a propósito da Radiologia Geral e Materiais, os raios-X são formados a partir de uma reação térmica a vácuo em um filamento de tungstênio (cátodo), o que forma uma nuvem de elétrons ao seu redor. Sob estímulo de alta voltagem, um ânodo rotatório (esta ação favorece um menor desgaste do ânodo) é ativado e atrai os elétrons sob alta velocidade. Quando colidem com os átomos presentes no ânodo em rotação, os elétrons sofrem uma redução drástica em sua energia cinética, ionizando e excitando os átomos do ânodo, liberando assim, raios-X de frenagem e calor. Dos 100% da energia gerada dentro do tubo de raios-X, 99% é convertida em calor (decorrente da excitação dos átomos do ânodo) e 1% produz raio-X (decorrente da ionização destes átomos). Decorrente desta grande produção de calor, é necessário um sistema eficiente de resfriamento a óleo circulante por todo o tubo. O 1% de energia convertida em raios-X toma várias direções dentro do tubo. Contudo, uma pequena janela presente no cabeçote guia o sentido do feixe útil de raios-X enquanto que o material de alta densidade envolvente do cabeçote diminui a quantidade de radiação de fuga. O envoltório do tubo é constituído de um material tipo Pyrex, capaz de suportar a intensidade do calor gerado na reação e manter o vácuo do sistema, aumentando a durabilidade e rendimento do tubo. O cabeçote é formado basicamente por chumbo, evitando a saída da radiação de fuga gerada dentro do tubo. Com isso, o cabeçote atenua a radiação de fuga responsável por aumentar a dose ambiental mesmo sem contribuir em nada para a produção da imagem. Como já vimos, o cabeçote contém óleo para dissipação do calor. O filamento tem 1 a 2 cm de comprimento e tem como função a emissão de elétrons pelo efeito termoiônico. Consiste em um filamento de tungstênio (W) com alto ponto de fusão (aumentando a durabilidade do material) com 1 - 2 % de tório. Apresenta-se com dois focos: um foco fino (menor, que produz menos elétrons) e um foco grosso (maior, que produz mais elétrons). Para mamografia, por exemplo, utiliza-se focos ultrafinos. A capa focalizadora é uma fina película de níquel que encobre o filamento. Tem a função de manter os elétrons próximos ao filamento, por ser carregada positivamente, formando uma nuvem de elétrons pronta para incidir sobre o ânodo giratório. O ânodo consiste no alvo ou área de colisão. Pode apresentar tungstênio (produz mais fótons e tem boa dissipação do calor) ou molibdênio (Mo, para a mamografia) em sua constituição. Quanto maior a interação dos elétrons com o alvo, maior a produção de raios-X. O ânodo pode ser fixo (para baixas intensidades) ou giratório (para maiores intensidades e maior dissipação de calor). OBS9: São fatores que aumentam a durabilidade e rendimento do tubo: ânodo giratório; sistema de refrigeração a óleo; envoltório de Pyrex; alto ponto de fusão do tungstênio. PARÂMETROS TÉCNICOS Tensão da corrente (kV): quanto maior a tensão, maior a velocidade dos elétrons incidentes, maior transferência de energia, maior energia dos fótons de radiação X e maior a capacidade de penetração da radiação X (sendo necessário o uso de écrans). Aumentando o kV, aumentamos a penetração do raio-X. Carga transportável (mAs): quanto maior a carga transportável, mais elétrons incidentes são produzidos, mais interações com o alvo acontecem, maior o número de fótons de radiação X e maior a nitidez da imagem radiográfica. Aumentando o mAs, aumentamos a quantidade de raio-X. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 8 OBS10: Como se sabe, quanto maior a intensidade de radiação, maior a nitidez da imagem radiográfica. Contudo, deve- se optar por trabalhar com a menor intensidade possível para a obtenção de uma imagem nítida, sem lesão ao paciente. Busca-se, portanto, o uso de aparatos comoa grade (que melhoram a nitidez da imagem) e os écrans (que diminuem o nível de radiação necessário para obtenção de uma imagem, mesmo reduzindo a sua qualidade). FILMES RADIOLÓGICOS E ÉCRANS O filme radiológico consiste em uma camada de poliéster revestida por uma dupla camada de material de emulsão. Originalmente, é um filme claro que, quando interage com a radiação-X, precipitam-se os seus componentes e torna- se escuro. O contraste da imagem, isto é, a diferença do claro para o escuro, vai depender da densidade, da absorbância e da transmitância dos tecidos orgânicos. O écran é um dispositivo que converte a energia dos raios-X em energia luminosa (graças à capacidade do raio- X de causar fluorescência em certos sais) que é responsável pela sensibilização do filme e forma também a imagem latente. Em resumo, o écran serve como uma tela intensificadora de imagem, atuando como um amplificador de fótons de luz visível. Embora diminua a dose de radiação a ser utilizada no paciente, o uso do écran diminui a nitidez da imagem (devido ao efeito da energia luminosa de seus componentes sobre o filme radiológico). Utilizam-se dois écrans para os exames de uma forma geral e apenas um, em especial, para a mamografia (para que a perda da qualidade da imagem devido ao uso do écran não prejudique ainda mais a visualização do parênquima mamário). Quanto aos materiais que constituem o écran, temos: Écran de tungstato de cálcio: emitem luz azul e são utilizados para raio-X industrial. Écran de terras raras: emite luz verde, sendo este o utilizado pelo raio-X médico. PROCESSAMENTO O processamento consiste na sequência de revelação do filme, fixação de seus componentes químicos, lavagem (para retirar o excesso de produtos químicos) e secagem do material. Este processo transforma uma imagem latente (pouco nítida) em uma imagem real (visível). A revelação consiste na transformação dos haletos de prata expostos pela radiação em prata metálica. A solução reveladora consiste nos seguintes componentes: agente revelador (hidroquinona e fenidona), agente acelerador, agente retardador e solvente (água). A fixação consiste na separação e retirada dos haletos de prata não expostos e fixação dos expostos. A solução consiste em um agente revelador (tiossulfato de amônia), veneno e solvente (água). A lavagem consiste na retirada do excesso de químicos. A secagem da água com vento estabelece o endurecimento da emulsão. TERMINOLOGIA Conforme os raios-X entram em contato com as estruturas orgânicas, eles encontrarão resistências diferentes que determinarão, ao final, na quantidade de energia resultante que incidirá sobre o filme. De acordo com a transmitância e a absorbância (ver OBS4) de cada estrutura orgânica, teremos diferentes tonalidades na impressão do filme radiográfico. Com isso, teremos os seguintes termos: Radiotransparente: são as estruturas que aparecem em escuro no filme radiográfico revelado. Determina estruturas com maior transmitância, como aquelas que contêm ar (Ex: pulmões). Radiopaco: são as estruturas que aparecem de forma mais clara (esbranquiçada) no filme radiográfico revelado. Determina estruturas com maior absorbância, como as estruturas ósseas e alguns órgãos compostos por partes moles (como o coração e a aorta). PRINCÍPIOS DIMENSIONAIS DA RADIOGRAFIA O olho humano é capaz de reconhecer imagens de objetos em 3 dimensões: altura, largura e profundidade. Entretanto, quando sobre este mesmo objeto é projetado um feixe luminoso, na superfície em que sua sombra é projetada, sua imagem se torna bidimensional, perdendo, assim, a profundidade. Da mesma forma ocorre com o exame radiográfico: os raios-X incidem sobre um objeto tridimensional e projetam uma imagem radiográfica bidimensional. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 9 Portanto, as radiografias representam imagens bidimensionais de objetos tridimensionais, em que no existe profundidade. Desta forma, a ausncia de profundidade na radiografia provoca a sobreposição de imagens das estruturas anteriores em relao s posteriores: quando dois objetos esto alinhados em relao a um observador, o mais prximo encobrir o mais distante. o que mostra a figura a seguir: o fato de o medalho azul estar na frente do medalho vermelho com relao ao observador 1 (o que podemos ver com clareza em uma viso panormica superior, assim como em um corte axial), faz com ele veja apenas o objeto azul, pois os raios luminosos emanados do objeto vermelho no alcanam a sua retina. Desta forma, para que o observador tenha uma viso detalhada dos dois objetos alinhados, ele quem deve se deslocar, podendo optar por uma viso mais oblqua ou mesmo uma viso mais lateral. Desta forma, os dois objetos podem ser observados separadamente. Alm destas vises, o observador ainda teria a opo de olhar os objetos de cima (viso oblqua superior) ou de baixo (viso oblqua inferior) O mesmo vis pode ocorrer, em analogia, com uma radiografia, se considerarmos a ampola de raios-X como o observador: se os raios incidem em duas estruturas alinhadas, as duas podero ser vistas (pois os raios-X, diferentemente das ondas luminosas normais, atravessam os tecidos a depender de sua densidade); contudo, as imagens das mesmas estaro sobrepostas, como se fossem uma estrutura nica. Da mesma forma, se alteramos a forma de incidncia dos raios-X, poderemos ter vises ou cortes diferenciados das mesmas estruturas – no que elas tenham se movido uma com relao a outra (ver OBS11), mas sim, o observador – ou a ampola de raios-X – que buscou um melhor ngulo de viso. OBS11: Efeito Paralaxe. Consiste no deslocamento aparente da posio de um objeto por mudana real da posio do observador (para os lados, para superior ou para inferior). Na verdade, uma sensao de um movimento falso que um determinado objeto fez, mas quando, na verdade, o observador quem mudou de posio. MAMOGRAFIA O exame radiogrfico das mamas realizado com equipamento prprio, desenvolvido para reproduo imagenolgica dos tecidos moles da mama. Uma mamografia normal mostra tecido ductal e conjuntivo num plano de fundo de gordura. Com o aumento da idade, o tecido glandular atrofia e o cncer torna-se mais fcil para identificar. Os aspectos mamogrficos da mama normal variam muito de um paciente para outro. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 10 A mamografia é utilizada para examinar mulheres buscando por câncer de mama e também pode ser útil em pacientes apresentando tumores ou áreas sugestivas de massas tumorais nas mamas. Mamografia por ressonância magnética é um exame em desenvolvimento, com até o momento, indicações altamente específicas. De um modo geral, como a nitidez no exame de mama é bastante importante e deve ser preservada, utiliza-se de apenas uma camada de écran (evitando o efeito crossover; ver OBS12) e, na maioria das vezes, uma maior carga transportável (mAs), contribuindo ainda mais para a nitidez da imagem. OBS12: O efeito crossover ocorre em filmes de dupla emulsão (dois écrans), em que ocorre dupla sensibilização do filme, aumentando a borrosidade da imagem. Utiliza-se, portanto, apenas uma emulsão para evitar o crossover e aumentar a nitidez. TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA (TC) A tomografia computadorizada tem o mesmo fundamento do sistema radiográfico digital direto (DR), com as mesmas propriedades da produção dos raios-X. Ela difere da radiografia convencional por utilizar-se de um sistema de detecção de raios-X mais sensível e porque os dados são manipulados por meio de um computador (por se tratar de um sistema DR). O tubo de raios-X e os detectores eletrônicos rodam ao redor do paciente. A característica mais importante da TC é o fato de que diferenças muito pequenas nos valoresde absorção dos raios-X podem ser visualizadas: não somente é possível distinguir a gordura dos demais tecidos moles, mas gradações de densidade dentro dos tecidos moles também podem ser reconhecidos, assim como a substância cerebral pode ser diferenciada do líquido cérebro-espinhal ou um tumor circundado por tecidos normais. O paciente permanece deitado com a parte a ser examinada dentro do gantry que contém o tubo de raios-X e os detectores. Apesar de outros planos algumas vezes serem utilizados, os cortes axiais são, de longe, os mais frequentemente usados. O operador seleciona o nível e a espessura a ser representada na imagem (a espessura usual situa-se entre 1,0 e 10 mm). Movendo-se o paciente através do gantry, podem ser visualizados múltiplos cortes adjacentes, fornecendo uma imagem do corpo a ser reconstruída. Cortes finos fornecem informações mais precisas. Os raios-X incidem sobre o paciente, reagem normalmente dependendo da densidade dos tecidos e, os resultantes, são captados por receptores que acompanham os movimentos do tubo de raios-X. A informação é transmitida dos receptores direto ao computador, onde a imagem é, enfim, digitalizada. A aquisição da imagem pela TC pode acontecer por dois modos: Tomografia computadorizada convencional (sequencial): o escaneamento é feito por fatia a fatia. Tomografia computadorizada espiral (helicoidal): o tubo roda continuamente e o paciente move-se gradualmente através do scanner, de modo que a direção efetiva do feixe de raios-X é espiral. Com os tomógrafos mais modernos, o paciente é movido através de um dispositivo de detectores dentro da máquina. De fato, os dados de múltiplos níveis adjacentes são coletados continuamente, enquanto o feixe de raios X traça uma via espiral para criar um volume de dados na memória do computador. O técnico determina a espessura do corte e o intervalo (também em milímetros) entre os cortes. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 11 o TC helicoidal multislice (TC com detector m ltiplo): uma recente inovao na qual mais de 16 cortes podem ser obtidos durante uma rotao do tubo de raios-X. A TC multislice possibilita a realizao mais rpida de um exame, fornecendo cortes muito mais finos que, por sua vez, permitem uma elevada qualidade multiplanar e reconstrues tridimensionais, assim como a angiografia por TC. O TC multislice trata-se de um aparelho de TC helicoidal com uma maior quantidade de canais receptores. Os dados captados pelos receptores em cada sesso de exposio so reconstrudos, formando uma imagem por meio da manipulao do computador. O computador calcula o valor de atenuao (absorbncia) de cada elemento da imagem (conhecido como pixel na linguagem de computador). Cada pixel tem um dimetro de 0,25 – 0,6 mm, dependendo da resoluo da mquina. Como cada pixel possui um volume definido, o valor de atenuao representa o valor mdio naquele volume do tecido (voxel). As imagens resultantes so apresentadas em um monitor e fotografias destas imagens so utilizadas para o registro permanente. OBS13: Janelas radiográficas. Os valores de atenuao so expressos em uma escala arbitrria (unidades de Hounsfield) com a densidade da gua sendo zero, a densidade do ar sendo menos 1000 unidades e a densidade ssea sendo de 1000 unidades positivas. A variao e o nvel de densidades a serem representados podem ser selecionados por meio de controles de computador. A variao das densidades visualizadas de uma imagem em particular conhecida como largura (width) da janela e o valor mdio como o nível ou centro da janela. O olho humano somente capaz de apreciar um n mero limitado de tons de cinza. Com uma janela larga, todas as estruturas ficam visveis, mas detalhes de diferenas de densidade deixam de ser notados. Com uma janela de largura estreita podem ser observadas variaes de somente algumas unidades de Hounsfield, mas a maior parte da imagem totalmente preta ou totalmente branca e nestas reas no se obtm informaes teis. OBS14: De forma mais sucinta, quando se quer visualizar melhor o pulmo, se faz uma janela apropriada para este rgo; quando se quer uma visualizar melhor o mediastino, se faz uma janela apropriada para estruturas dessa regio. Para apropriar uma janela para um determinado rgo, deve-se ter como referncia a densidade de seu conte do de acordo com as unidades de Hounsfield. Para estudar o mediastino, por exemplo, centraliza o nvel (ou centro) da janela na regio da escala que abrange a densidade das partes moles (em torno de 100 U.H.) e regula a largura (abertura) da janela padro para aquele nvel (em torno de 300 U.H.). Deste modo, observaremos bem os tecidos moles, a gua, a gordura e demais estruturas que tenham densidade intermediria entre a gordura e tecidos moles (m sculos, vasos, etc.). Quanto a estruturas sseas e que contenham ar tero sua resoluo prejudicada, e apresentaro poucos detalhes ntidos na imagem: tudo que estiver abaixo do nvel da abertura da janela, apresentar-se- completamente escuro e, de modo contrrio, toda estrutura com densidade acima do nvel delimitado pela largura da janela apresentar-se- totalmente claro. Essas janelas so especialmente importantes para determinar as aberturas radiolgicas na tomografia de crnio quando se quer avaliar o encfalo ou as estruturas sseas do crnio. TERMINOLOGIA NA TOMOGRAFIA Hipodenso ou hipoatenuante: a imagem apresenta-se escurecida no filme radiolgico. Ex: ar, pulmo, etc. Isodenso ou isoatenuante: apresenta mesma atenuao do tecido vizinho comparado. Ex: ndulos hepticos. Hiperdenso ou hiperatenuante: apresenta-se na imagem de forma mais clara, esbranquiada. Ex: ossos. ULTRASSONOGRAFIA (ECOGRAFIA) A ultra-sonografia no faz uso de raios-X, mas de um feixe de ondas sonoras de frequncia muito elevada que dirigido para dentro do corpo a partir de um transdutor posicionado em contato com a pele. Visando estabelecer um bom contato ac stico, a pele lubrificada com uma substncia gelatinosa, que evita a presena de resqucios de ar entre o aparelho e a pele. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 12 O aparelho utilizado pela ultra-sonografia o transdutor, responsvel por converter energia eltrica em sonora. Enquanto o som atravessa o corpo, refletido pelas interfaces tissulares para produzir ecos que so captados pelo mesmo transdutor e convertidos novamente em sinais eltricos. De fato, transdutor todo aparelho capaz de converter um tipo de energia em outra: dentro da regio de contato do aparelho com a pele, existem vrios cristais piezoeltricos responsveis por esta converso de energia. Existem variados tipos de transdutores, que variam de formato e de frequncia de acordo com a regio do corpo onde sero aplicados: transdutores convexos (frequncia de 3,5 – 5 Hz), endocavitrios (transretal e transvaginal; frequncia de 7,5 – 9,5 Hz) e linerares (frequncia de 10 – 14 Hz). Quanto mais alta for a frequncia, melhor a resolução espacial, isto , capacidade de distinguir dois pontos prximos na imagem. Contudo, quanto maior a frequncia, menor a capacidade de penetrao das ondas sonoras no corpo. Por isso, os transdutores lineares so mais usados para estruturas superficiais (ultrassom de punho, brao, tireide, mama, m sculo esqueltico, etc.). O convexo utilizado para verificar estruturas mais profundas (como rgos abdominais, inclusive os retroperitoneais, vias urinrias; ultrassom de trax), mesmo perdendo um pouco da qualidade da imagem. Os transdutores endocavitrios, por sua vez, so aplicados necessariamente prximos aos rgos que se quer avaliar. O m sculo hipoecognico, aparecendo de modo escurecido, mas com alguns traos hiperecognicos. Eles so vrios feixes de fibras musculares e os traoscorrespondem ao o espao entre um feixe e outro, o colgeno, que hiperecognico. Para estudar o rim no corte longitudinal, coloca-se o transdutor no eixo longitudinal do rim. Geralmente se estuda todas as estruturas em um corte longitudinal e transversal, pelo menos. O crtex renal mais hipoecognico que a medula. Para se estudar a prstata, utiliza-se um endocavitrio, que insona a prstata ou pode ser por via transabdominal, plvica, suprap bica, insona a bexiga, que est cheia e insona a prstata. O endocavitrio tem uma freqncia maior, por isso d uma resoluo espacial melhor e insona uma estrutura mais prxima. J da outra maneira, est mais longe, podendo gerar mais artefatos. Geralmente utiliza-se a via transretal para guiar bipsia de prstata (no mnimo 12 pedaos da prstata). O exame no feito para se estudar periodicamente, at porque s o aspecto ultra-sonografico no suficiente para determinar se um ndulo maligno ou benigno. Para isso faz-se biopsia guiada pela ultra-sonografia. Os cristais piezoeltricos convertem a energia eltrica em energia sonora capaz de interagir com estruturas orgnicas. De acordo com as propriedades ecognicas de cada estrutura, o som refletido, novamente captado pelos cristais e revertidos em energia eltrica, formando uma imagem. Como o ar, osso e outros materiais fortemente calcificados absorvem aproximadamente todo o feixe sonoro, o ultra-som desempenha um papel muito pequeno no diagnstico de doenas pulmonares ou sseas. A informao de exames intra-abdominais pode ser significativamente prejudicada por gs no intestino, que interfere na transmisso do som. O lquido bom condutor de som e, consequentemente, a ultra-sonografia uma modalidade de imagem particularmente boa para o diagnstico de cistos, examinar estruturas repletas de lquido, como bexiga e sistema biliar, e demonstrar o feto dentro do saco amnitico. O ultrassom tambm pode ser utilizado para demonstrar estruturas slidas que possuem uma impedncia ac stica diferente dos tecidos normais adjacentes, por exemplo, no caso de metstases. O ultrassom frequentemente utilizado para determinar se uma estrutura slida ou cstica. Cistos e outras estruturas repletas de lquido produzem ecos maiores a partir de suas paredes e no produzem ecos a partir do lquido nelas contido. Assim, mais ecos que o usual so recebidos a partir de tecido atrs do cisto, um efeito conhecido como reforço acústico (ou janela acústica). Em contrapartida, com uma estrutura calcificada, por exemplo, um clculo biliar existe uma grande reduo do som que o atravessa, de modo que uma faixa de ecos reduzidos, conhecida como sombra acústica, observada por trs do clculo. TERMINOLOGIA Hiperecogênico: aparece mais claro na imagem. Ex: gordura. Hipoecogênico: aparece mais escuro na imagem. Ex: lquidos. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 13 EFEITO DOPPLER O Doppler uma categoria radiolgica capaz de determinar movimento ou fluxo de determinadas estruturas. O som refletido por uma estrutura mvel mostra uma variao em frequncia que corresponde velocidade de um movimento da estrutura. Esta variao na frequncia, que pode ser convertida em um sinal audvel, o princpio bsico do Doppler. O efeito Doppler tambm pode ser explorado para fornecer uma imagem do sangue fetal fluindo atravs do corao ou dos vasos sanguneos. Aqui, o som refletido pelas clulas sanguneas fluindo dentro dos vasos. Se o sangue flui em direo do transdutor, o sinal recebido de uma frequncia mais alta que a frequncia transmitida, enquanto o oposto ocorre quando o sangue flui para longe do transdutor. A diferena na frequncia entre o som transmitido e o recebido conhecida como diferena de frequncia Doppler ou Doppler shift. O Doppler shift depende diretamente do cosseno do ngulo (θ) de incidncia do transdutor, de modo que, quanto mais prximo de θ=0 (como o cosseno de 0 igual a 1), temos o valor mximo do Doppler shift, de forma que a velocidade do fluxo determinado no ultra-som fosse cerca de 99% da velocidade real (contudo, praticamente impossvel aplicar o transdutor em ngulo exato com o fluxo sanguneo). Com θ=45 de inclinao, temos cerca de 75% da velocidade real. Com θ=70%, temos que a velocidade determinada cerca de 34% da velocidade real. Por isso, o ngulo aceitvel para esta inclinao no pode ultrapassar θ=60. At porque, com uma inclinao de 90, a velocidade aparente nada (0%) se assemelha a velocidade real do fluxo. OBS15: Geralmente, o Doppler mostra na imagem um fluxo vascular nas cores vermelha e azul. Contudo, no determina obrigatoriamente se tratar de um fluxo arterial e venoso, respectivamente. O fluxo em azul significa aquele que se aproxima do transdutor, enquanto que o fluxo vermelho se afasta do mesmo. OBS16: Existe ainda o Doppler espectral, que fornece o espectro do fluxo. Por exemplo, um fluxo arterial apresenta comportamento diferente diante da sstole e da distole: acelera no momento da sstole acelera e desacelera na distole. Se fosse um fluxo venoso, apareceria como se estivesse em distole o tempo todo, por no acompanhar sstole e distole. RESSONNCIA MAGNTICA Assim como o ultrassom, a ressonncia magntica (RM, ou MRI, do ingls, Magnetic Resonance Imaging) no utiliza radiao ionizante e sim captao de sinal de radio frequncia. Determina cortes (sagital, coronal, obliquo) de todos os planos, sem que seja necessrio mudar a posio do paciente, mas apenas ajustar no computador. Verificou-se que determinados n cleos de elementos qumicos, quando submetidos a um campo eletromagntico, emitem sinais de rdio que podem ser captados por antenas ou bobinas para serem transformados em imagem. No corpo humano, quando no so submetidos a um campo magntico, os tomos de hidrognio esto aleatoriamente distribudos, cada um com seu momento magntico. Quando o paciente submetido ao campo magntico, alinham-se todos os prtons de hidrognio, uns no mesmo sentido do campo magntico e outros no sentido oposto, formando os tomos paralelos e antiparalelos. Isso gera um vetor magntico resultante (que geralmente maior no mesmo sentido do campo magntico, porque a maioria dos tomos se alinha no mesmo sentido). Logo depois do campo e da formao do vetor resultante (a imagem ainda no foi formada), o vetor resultante volta ao equilbrio e, neste momento, ele emite um sinal de radio. As bobinas (ou antenas) captam este sinal para se obter a imagem. Cada bobina especfica para o tecido que se deseja estudar: por exemplo, para um exame de crnio, utiliza-se a bobina de crnio; para um exame de ombro, utiliza-se uma bobina de ombro ou de superfcie. A bobina capta, portanto, o sinal que est sendo emitido no momento em que o vetor resultante do campo est voltando ao estado de equilbrio em dois momentos: T1 e T2. Esse sinal, por sua vez, convertido em imagem. OBS17: De uma forma mais detalhada, temos: Os princpios bsicos da RM dependem do fato de que o n cleo de certos elementos alinha-se com a fora magntica quando colocado em um campo magntico intenso. Com as foras de campo utilizadas normalmente na imagenologia mdica, os n cleos de hidrognio (prtons) em molculas de gua e gordura so responsveis pela produo de imagens anatmicas. Se um pulso de radiofrequncia aplicado aos hidrognios em um campo magntico, uma poro dos prtons alinha o seu movimento (que antes era aleatrio) na direo do campo, lana-se atravs de um ngulo pr-selecionado e roda em fase com outros. No momento do alinhamento, alguns n cleos adotam o mesmo sentido (paralelo) e outros, o sentido inverso (antiparalelo) ao do campo. O campo magntico gerado pelos ons de sentidos contrrios forma um vetor resultante (T0). Depois do pulso de radiofrequncia, os prtonsretornam as suas posies originais. Quando os prtons se realinham (relaxam), produzem um sinal de rdio que, apesar de muito fraco, pode ser detectado e localizado por sensores de antena colocados ao redor do paciente. Pode ser construda uma imagem representando a distribuio dos prtons de hidrognio. A fora do sinal no depende somente da densidade do prton, mas tambm de dois tempos de relaxamento, T1 (recuperao do vetor relaxado em 63o com relao ao vetor resultante inicial) e T2 (vetor relaxado em 37o com relao ao vetor resultante inicial). T1 depende do tempo em que os prtons necessitam para retornar ao eixo do campo magntico e T2 Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 14 depende do tempo que os prótons necessitam para a defasagem. Uma imagem ponderada em T1 é aquela na qual o contraste entre tecidos se deve, principalmente, a suas propriedades de relaxamento T1, enquanto na imagem ponderada em T2 o contraste é devido, principalmente, às propriedades de relaxamento T2. A maior parte dos processos patológicos apresenta aumento dos tempos de relaxamento T1 e T2 e, consequentemente, estes processos aparecem com sinal reduzido (mais escuros) nas imagens ponderadas em T1 e elevado sinal (mais brancos) nas imagens ponderadas em T2 do que os tecidos circundantes. A imagem ponderada em T1 e T2 pode ser selecionada alterando-se adequadamente o tempo e a sequência dos pulsos de radiofrequência. INTESNIDADE DO SINAL DA RM E TERMINOLOGIA Sinal ausente: a estrutura não emite sinal devido a ausência (ou carência) de íons H+. Ex: cortical óssea. Hipointenso: a estrutura de referência é mais escura que os tecidos circunvizinhos. Ex: líquor em T1. Isointenso: a estrutura de referência apresenta a mesma intensidade dos tecidos circunvizinhos. Hiperintenso: a estrutura de referência apresenta-se mais clara que os tecidos circunvizinhos. Ex: líquor em T2. OBS18: Note que o LCR é escuro na imagem de RM do encéfalo ponderada em T1 e branco na ponderada em T2 (isso porque o LCR emite muito sinal em T2). A densidade da substancia branca e cinzenta do cérebro varia nas duas imagens. De uma forma geral, a água tem hipersinal em T2; a gordura tem hipersinal em T1. Cada tecido tem, portanto, seu tempo específico de relaxamento. Por isso que se diz que a ressonância é um ótimo exame para avaliação de partes moles, uma vez que cada tecido tem seu comportamento específico diante dos tempos de relaxamento do campo magnético T1 ou T2 que já é previamente conhecido. OBS19: A vantagem da RM sobre a CT está no fato de a tomografia computadorizada fornecer apenas imagens nítidas em cortes axiais; já a ressonância magnética é capaz de fornecer imagens em cortes variados: axiais, coronais (ou frontais), sagitais (e paramedianos). MEIOS DE CONTRASTE Contrastes são substâncias radiopacas injetadas no corpo com a finalidade de destacar determinada estrutura no exame de imagem. Esses meios de contraste são positivos quando aparecem em branco; e negativos quando não aparecem tão brancos (como a água ou ar, que fica com densidade de liquido, mas distende da mesma forma). Os principais meios de contaste são: Baritado: utilizado para imagens por raios-X (se for utilizado para tomografia, deve ser utilizado em baixas concentrações, o que é bem mais caro). O agente químico principal é o bário via oral. É mais utilizado para estudos do trato gastrintestinal. Iodado: utilizado para imagens por raios-X e TC. Apresenta-se na forma iônica e não-iônica (este é responsável por desencadear menos reações adversas, como reações anafilactóides). Pode ser administrado por via oral, retal, intravenosa (para a TC), transvaginal. São classificados como não-lipossolúveis. Gadolinio: compostos de gadolínio (Gd) são usados como contrastes intravenosos para realçar imagens em ressonância magnética. Como os demais lantanídios, os compostos do gadolínio apresentam toxicidade de baixa a moderada, embora sua toxicidade não fosse investigada em detalhe. Podem desencadear reações alérgicas em indivíduos sensíveis. São classificados como lipossolúveis. EXAME RADIOGRFICO ORIENTAÇÕES GERAIS O ciclo da radiologia se inicia com a solicitação de um exame feito por um especialista que sugere hipóteses diagnósticas e se encerra com o laudo radiológico, estabelecido após os respectivos exames, competência do médico radiologista. No advento da solicitação do exame, é ideal que haja a identificação do paciente, o exame ou procedimento sugerido e o motivo para tal diagnóstico por meio de um resumo clínico. Estes detalhes guiarão o radiologista na direção certa do estabelecimento de um diagnóstico concreto. Identificação do paciente: deve constar dados importantes do paciente, tais como; nome ou registro; data de nascimento; data da solicitação; endereço do paciente; outro contato; medico assistente e responsável. Resumo clínico: deve trazer informações relacionadas com a doença do paciente, as possíveis hipóteses diagnósticas e, de uma forma geral, os detalhes que devem ser investigados durante o exame radiológico. Consulta radiológica: durante o exame, o médico radiologista deve atentar não somente para os detalhes sugeridos pelo médico especialista, mas deve vasculhar também achados adicionais que possam interferir no prognóstico e tratamento do paciente. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 15 LAUDO RADIOLÓGICO O laudo ou relatrio radiolgico deve constar a descrio dos achados e a sua interpretao. importante que tais dados sejam realizados pelo mdico competente para tal funo: o mdico radiologista. O laudo deve apresentar a identificao do paciente, o nome do mdico solicitante, o tipo do exame e a data do exame quando foi realizado, o de tempo de durao do exame, o resumo clnico da doena (com sua respectiva classificao no CID-10), o corpo do laudo (descrio do procedimento e material, achados radiolgicos, limitaes e comparao) e a concluso (ou impresso diagnstica). Afora a solicitao do exame – estabelecida pelo mdico especialista – e a impresso diagnstica – competncia do mdico radiologista – a comunicao direta entre os profissionais deve existir sempre que houver interveno imediata ou urgente, divergncia de interpretao anterior e achados significantes e/ou inesperados. REFERENCIAIS DO EXAME RADIOGRÁFICO Alguns elementos de referncia devem ser levados em considerao para a avaliao de uma imagem de radiografia do sistema esqueltico. O primeiro deles a orientao da imagem no papel radiogrfico: como se ns tivssemos capturando uma foto de um indivduo de frente, todas as estruturas anatmicas estudadas devem ser analisadas como se o paciente estivesse de frente para o observador. Por conveno, a localizao da identificação do paciente sempre se faz direita de sua imagem, ou esquerda do observador. Padrão da identificação na radiografia. A identificao dever estar impressa e legvel na radiografia, sem superpor estruturas importantes do exame radiogrfico. Pode ser feita usando um numerador alfa numrico, ou cmaras identificadoras. Deve ser evitada a identificao escrita (com caneta) ou com etiqueta colada diretamente na radiografia. A identificao de uma radiografia deve conter, no mnimo, os seguintes dados: Nome ou logotipo da instituio onde foi realizado o exame; Data (dia/ ms/ ano) da realizao do exame; Iniciais do paciente; N mero de registro do exame no servio de radiologia. Nos exames de estruturas pares do corpo (mos, ps, etc.), deve ser acrescentada obrigatoriamente identificao a letra “D” ou “E”. Uma numerao sequencial ou o tempo devem ser acrescentados identificao nos exames seriados. Nos exames realizados no leito, devem ser acrescentadas a localizao do paciente e a hora da realizao doexame. Localização da identificação. A identificao deve estar sempre posicionada na radiografia em correspondncia com o lado direito do paciente, podendo estar no canto superior (mais utilizado) ou no canto inferior. Uma radiografia ao ser analisada deve estar com a identificao legvel e posicionada de maneira que corresponda ao paciente em posição anatômica de frente para o observador, ou seja, a identificao da radiografia deve sempre estar legvel e esquerda do observador, com a borda superior em correspondncia com a extremidade superior da regio a ser radiografada, exceto para as extremidades (mos / carpos e ps). As radiografias das extremidades (mos / carpos e ps) constituem exceo a essa regra e devem ser posicionadas para anlise com os dedos voltados para cima, e o numerador posicionado do lado direito da regio anatmica em estudo, com a sua borda inferior em correspondncia com a extremidade distal dessa regio. As demais referncias para identificar, de modo mais especfico, o lado correspondente para cada estrutura fica por conta do conhecimento anatmico da regio estudada, sendo necessrio lembrar, por exemplo, que, na perna, a fbula sempre lateral (ou externa) com relao tbia; no antebrao, o rdio mais lateral (ou externo) com relao ulna. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 1 MED RESUMOS 2012 NETTO, Arlindo Ugulino. RADIOLOGIA ESTUDO RADIOLÓGICO DO TÓRAX A radiografia do tórax serve como um registro da presença ou ausência de doença na data em que foi feito, e exames de seguimento podem determinar a progressão ou o desenvolvimento da doença. Por outro lado, o exame radiográfico do tórax não deve tomar o lugar do exame físico de rotina e de história clínica, mesmo demonstrando lesões que não podem ser encontradas de nenhuma outra maneira. RADIOGRAFIA DO TRAX O exame radiográfico padrão do tórax varia em diferentes instituições, mas deve consistir pelo menos numa tomada póstero- anterior (PA) e, possivelmente, numa projeção lateral (em Perfil). Ambas devem ser realizadas durante a inspiração profunda (em apneia respiratória), estando o paciente na posição ereta. Imagens realizadas durante a expiração são difíceis de interpretar porque durante a expiração as bases pulmonares apresentam-se borradas e a sombra cardíaca aumenta em tamanho. Em PA, o paciente deve por as mãos na cintura fazendo um arco com os membros superiores, de modo que as escápulas sejam desviadas do campo pulmonar. Para pacientes que não conseguem ficar em pé encostados no filme radiográfico, ou mesmo crianças incapazes de se posicionar para uma radiografia em PA, esta é substituída por uma tomada ântero-posterior (AP) e, neste caso, as estruturas mediastinais (como o coração) aparecerão maiores do que em tomadas PA justamente devido a sua posição mais anteriorizada. O decúbito lateral com raios-X horizontais (incidência de Laurell) pode ser utilizado em casos de suspeita de derrame pleural. Na imagem formada, observa-se um achado radiológico denominada de mancha hidroaérea concentrada na parte do tórax mais baixa no decúbito por ação da gravidade. Com isso, na suspeita de um eventual derrame pleural, posiciona-se o paciente no decúbito correspondente ao lado do derrame em suspeita. Em casos de pneumotórax, faz-se o inverso: suspeitando-se de um pneumotórax do lado esquerdo, põe-se o paciente em decúbito lateral direito, fazendo com que o ar, por densidade, suba para o nível mais superior do tórax. Pode-se utilizar a incidência ápico-lordódica para retirar a clavícula do campo de visão do ápice pulmonar. Essa incidência adicional é importante quando se observa uma massa tumoral no ápice pulmonar em PA encoberta pela clavícula. As radiografias do tórax são obtidas a uma distancia tubo- chapa de pelo menos 1,80 m, para reduzir um mínimo as distorções por divergência e magnificação, sendo obtidas à inspiração plena (isto é, apneia respiratória). Esta apneia é satisfatória quando se observa cerca de 8 arcos costais posteriores ou 6 anteriores. Caso contrário, falsas imagens podem ser obtidas. Muitos radiologistas preferem uma técnica de alta voltagem (120 a 150 kVp), o que possibilita boa penetração e visualização das estruturas retrocardíacas e mediastinais, mas podem, contudo, queimar o filme e trazer imagens escurecidas (muito penetradas). Caso contrário, isto é, em baixas voltagens, tem-se imagens pouco penetradas. A penetração ideal para a imagem é aquela que permite a visualização dos corpos vertebrais posteriormente à área cardíaca. O paciente deve ficar bem centralizado e praticamente imóvel. Do ponto de vista técnico, a centralização do paciente é avaliada de acordo com a simetria das distâncias bilaterais entre as extremidades mediais das clavículas e os processos espinhosos das vértebras adjacentes. A distância deve estar equidistante, aproximadamente, ao menos. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 2 ROTEIRO PARA ANÁLISE A ordem atravs da qual se avalia as estruturas torcicas no importante, contanto que todas as estruturas sejam avaliadas. O que importa seguir uma rotina, pois de outra forma, anormalidades importantes podem passar despercebidas. Um roteiro para o exame de radiografias frontais e laterais do trax apresentado a seguir: Estruturas sseas: checar a integridade das costelas, clavculas, coluna, esterno e articula o escapulo-umeral. Deve-se examinar ainda os tecidos moles adjacentes. Nas mulheres, cheque a presen a de ambas as mamas. Aps uma mastectomia, a sombra da mama no mais se define. A redu o do volume de tecidos moles leva a uma radiotransparncia maior deste lado do trax, fato que no deve ser confundido com doen a pulmonar. Parede torcica e partes moles da parede torcica. Mediastino: a borda superior direita do mediastino geralmente reta ou levemente curvada enquanto se dirige para baixo para fundir-se com a borda direita do cora o. A borda superior esquerda do mediastino mal definida acima do arco artico. O contorno do mediastino e do cora o deve ser claramente observado, exceto onde o cora o encontra-se em contato com o diafragma. Vias areas, Pulmes e pleura: as nicas estruturas que podem ser identificadas nos pulmes normais so os vasos sanguneos, as fissuras interlobares e as paredes de certos brnquios maiores que podem ser observados de topo. As fissuras somente podem ser observadas quando esto alinhadas com o feixe de raio-X; elas so compostas de duas camadas de pleura. Geralmente, visvel somente a fissura horizontal (fissura menor) na proje o frontal, dirigindo-se do hilo direito para a sexta costela na axila. As fissuras formam os limites dos lobos, assim, o conhecimento de suas posi es essencial para uma aprecia o na anatomia lobular. Deve-se procurar opacifica es ou translucncias pulmonares anormais. Diafragma: deve-se tra ar e delimitar o diafragma. As superfcies superiores do diafragma devem estar claramente visveis de um ngulo costofrnico at o outro, exceto onde o cora o e o mediastino esto em contato com o diafragma. Numa radiografia inspiratria de boa qualidade, a cpula do hemidiafragma direito encontra-se ao nvel da termina o anterior da sexta costela, estando o hemidiafragma direito mais de 2,5 cm mais alto que o esquerdo devido as suas rela es com o fgado. Geralmente, a borda anterior do hemidiafragma esquerdo pode ser perdida devido ao sinal de silhueta (ver OBS1), uma vez que o diafragma e o cora o apresentam a mesma densidade radiolgica, praticamente. Observar os “cantos” da radiografia, em que no h estruturas torcicas, a procura de qualquer outro artefato. OBS1: O sinal da silhueta um fenmeno radiolgico que acontece quando duas estruturas de mesmadensidade se sobrepem uma sobre a outra, fazendo com que seus contornos apare am com demarca o imprecisa. Ser melhor discutido mais adiante, ainda neste captulo. AVALIAÇÃO RADIOGRÁFICA DO MEDIASTINO O contorno do mediastino e do cora o deve ser claramente observado, exceto onde o cora o encontra-se em contato com o diafragma. necessrio avaliar ainda as divises do mediastino e seus contedos: Mediastino superior: arco artico, grandes vasos, linfonodos, esfago, traqueia; Mediastino posterior: aorta descendente, estruturas sseas adjacentes, medula, razes nervosas, gnglios e nervos, veias zigos e hemizigos, esfago, linfonodos; Mediastino anterior: aorta ascendente, timo, gordura e linfonodos; Mediastino mdio: cora o, grandes vasos, traqueia e brnquios fontes e linfonodos. Uma completa avalia o do mediastino em uma incidncia em PA, deve constar a observa o do Índice cardio- torácico (ICT, ver OBS² e OBS3). A avalia o da rea cardaca em perfil consiste na visualiza o do contato da margem cardaca anterior (representada pelo ventrculo direito, por o mais anterior do cora o) que no pode exceder os 3 cm, de modo que um espa o retroesternal livre (apresentando apenas ar) deve existir. Os vasos mediastinais que devem ser observados incluem: tronco arterial braquioceflico D, artria cartida comum E, artria subclvia E; aorta ascendente, arco artico, aorta descendente; tronco da artria pulmonar; artrias Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 3 pulmonares D, E e seus respectivos ramos; veias braquioceflicas D e E; veias zigos e hemizigos; veia cava superior; veias pulmonares. Os principais componentes do hilo pulmonar so as artrias pulmonares: a artria pulmonar esquerda, na radiografia, aparece como se fosse uma continua o do tronco pulmonar, enquanto que a artria pulmonar direita se assemelha, de fato, a um ramo da artria pulmonar esquerda. Alm disso, a artria pulmonar esquerda um pouco mais alta que a artria pulmonar direita. OBS2: Com base em parmetros fsicos, sabe-se que os raios-X so divergentes a partir da fonte radioativa. Desta forma, a depender do posicionamento do objeto, as dimenses reais das estruturas a serem radiogrficas podero sofrer diferentes distor es. O esquema acima mostra a diferen a da imagem radiografada gerada a depender do posicionamento do objeto. Como os raios-X so divergentes a partir da fonte radioativa e se propagam em linha reta, sempre necessrio posicionar o objeto a ser estudado o mais prximo possvel do filme, como em (a). Desta forma, a imagem radiografada ser representada por dimenses mais fiis e fidedignas com rela o s do objeto. Entretanto, se aproximarmos o objeto da fonte radioativa, como em (b), ocorrer uma magnifica o da imagem. Este detalhe pode ser importante quando avaliamos o mediastino nas incidncias em AP e PA. OBS3: Índice cardio-torácico: uma medida dimensional que avalia as propor es entre a rea cardaca e a parte do trax que a contm. Consiste na razo entre o maior dimetro cardaco (DC) sobre o dimetro interno do trax (DT, a partir da borda interna das costelas), isto : ICT=DC/DT. Em adultos, o ICT deve ser at 0,5 (≤0,5) e para crian as, at 0,6 (≤0,6, pois nessa faixa etria, a incidncia ntero- posterior pode ser utilizada e a rea cardaca aparece ligeiramente maior). O ICT poder est diminudo, mas sem representar alguma patologia importante, nas incidncias em AP, uma vez que o cora o est mais distante do filme e, por motivos vistos na OBS2, a imagem cardaca (e, portanto, o DC) estar aumentada. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 4 Os sítios linfonodais do mediastino também devem ser avaliados: mediastinal superior; paratraqueal superior (D e E); pré-vascular e retrotraqueal (D e E); paratraqueal inferior; sub-aórtico e para-aórtico (D e E); subcarinal (ou infracarinal), paraesofágico (D e E), linfonodos do ligamento pulmonar; linfonodos hilares, interlobares, lobares, segmentares e subsegmentares. Radiograficamente, dentre todos esses sítios, a visualização só é eficaz até os linfonodos hilares (representado pelo número 10 na figura ao lado). VIAS AREAS – TRAQUEIA E BRONQUIOS Como sabemos, a traqueia é um tubo musculocartilaginoso localizado anteriormente ao esôfago e, em nível da sínfise manúbrio- esternal (ângulo de Louis), a traqueia se bifurca em brônquios principais (ou fontes) direito e esquerdo, de modo que o brônquio direito se assemelha radiograficamente com uma continuação da traqueia enquanto que o esquerdo se assemelha a um ramo deste brônquio (note que acontece o inverso com as artérias pulmonares). Cada brônquio se divide de acordo com a quantidade de lobos de cada pulmão correspondente: o brônquio direito apresenta três ramos (brônquios superior, médio e inferior) e o esquerdo, dois ramos (brônquio superior e inferior). Os pulmões são dois órgãos de parênquima esponjoso repletos de ar (e, portanto, são hipocaptantes, apresentando-se escurecidos). O pulmão direito apresenta três lobos: superior, médio e inferior; e duas fissuras: fissura horizontal (menor) e fissura oblíqua (maior). O pulmão esquerdo apresenta dois lobos: superior e inferior; e uma fissura, a fissura oblíqua (maior). Geralmente, apenas a fissura horizontal (cisura menor) é visível na projeção frontal, dirigindo-se do hilo direito para a sexta costela na axila. Não existe equivalente para a fissura horizontal à esquerda. As fissuras oblíquas (cisuras principais ou maiores) são visíveis somente na incidência em perfil. As fissuras, como sabemos, formam os limites dos lobos, assim, o conhecimento de suas posições é essencial para uma apreciação da anatomia lobar. Em casos de derrame pleural, as fissuras podem tornar-se mais evidentes ou espessadas. Os lobos pulmonares são divididos ainda em segmentos menores: LSE: ápico-posterior, anterior, lingular superior, lingular inferior. LIE: basal ântero-medial, basal lateral, basal posterior, superior(apical) LSD: apical, posterior, anterior LM: lateral, medial LID: basal anterior, basal lateral, basal posterior, basal medial, superior (apical). OBS3: Vale lembrar a presença da língula no lobo superior do pulmão esquerdo, apresentando-se sobre o ventrículo esquerdo. IMAGENS ADICIONAIS – RADIOGRAFIA DE TRAX NORMAL Em resumo, alguns elementos de referência devem ser levados em consideração para a avaliação de uma imagem radiográfica, independente do segmento corporal a ser estudado. É importante, antes de mais nada, reconhecer Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 5 a orientação da imagem no papel radiográfico: como se nós tivéssemos capturando uma foto de um indivíduo de frente, todas as estruturas anatômicas estudadas devem ser analisadas como se o paciente estivesse de frente para o observador. A partir daí, devemos seguir, pelo menos, três passos fundamentais para análise da lâmina. 1. Primeiro passo: conferir a identificação do paciente, pelo nome e/ou número do prontuário. A identificação deverá estar impressa e legível na radiografia, sem superpor estruturas importantes do exame radiográfico. 2. Segundo passo: julgar a qualidade técnica da imagem. Uma radiografia realizada com técnica perfeita é caracterizada pelas seguintes características: dose de radiação adequada; boa inspiração; alinhamento adequado. 3. Terceiro passo: neste instante, o examinador deve seguir um roteiro propedêutico para observar, de maneira sequencial e objetiva, todos os aspectos anatômicos da imagem torácica radiografada. A ordem com a qual se avalia as estruturas não é importante; o que importa é seguir uma rotina, pois de outra forma, anormalidades importantes podem passar despercebidas. OBS4: A broncografia é um exame não maisutilizado com o advento da tomografia que consistia na visualização das vias aéreas do paciente por meio do uso de bário como contraste. O bário, introduzido na via aérea do paciente, delimitava os brônquios e suas divisões segmentares. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 6 TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA A tomografia computadorizada (TC) de tórax é o método de eleição para estudo das patologias torácicas; tendo uma grande vantagem sobre os demais exames no que diz respeito a nitidez de visualização tridimensional das mais variadas patologias, permitindo assim fazer diagnósticos muito seguros, bem como programar estratégias terapêuticas e por fim mapear anatomia cirúrgica do paciente. Em resumo, existem muitas indicações para a TC em doenças pulmonares: Demonstração da presença e da extensão de massas mediastinais e de outras anormalidades mediastinais. A TC é amplamente utilizada para demonstrar linfonodos aumentados em tamanho quando se faz o estadiamento de pacientes com doença neoplásica, particularmente no câncer de pulmão e no linfoma. Uma das vantagens da TC é que ela é capaz de distinguir estruturas vasculares de não-vasculares, por exemplo, um aneurisma de uma massa sólida. Da mesma forma, a TC permite que se reconheça o tecido adiposo, o que é útil no diagnóstico de tumores com tecido adiposo ou para a exclusão de anormalidades significativas quando o mediastino encontra- se aumentado em tamanho meramente devido a excesso de deposição lipídica. Demonstração da forma de uma massa intrapulmonar ou pleural ou para detecção de calcificação de uma massa, quando a interpretação de radiografias do tórax é difícil. Localização de uma massa anteriormente à biopsia. Demonstração da presença de doença quando a radiografia do tórax é normal em casos nos quais suspeita-se de uma anormalidade intratorácica por outros motivos, por exemplo, na detecção de metástases pulmonares ou de tumores tímicos em pacientes com miastenia grave. Documentação da presença, extensão e gravidade de bronquiectasias. Diagnósticos e avaliação de doença pulmonar difusa. Diagnóstico de embolia pulmonar utilizando a técnica conhecida como angiografia pulmonar por TC. TÉCNICA Um exame de rotina consiste de cortes contíguos. Meio de contraste intravenoso é administrado em muitos casos, particularmente quando o propósito do exame é visualizar o mediastino ou hilos. As imagens normais são obtidas de ambos os pulmões e com janela mediastinal. Caso a TC tenha sido realizada para observar lesões ósseas, são usados parâmetros ósseos. Cortes mais finos podem ser utilizados para produzir imagens com resolução espacial maior quando se utiliza a assim chamada TC de alta resolução (HRCT, High Resolution TC). Os cortes mais finos são frequentemente obtidos com 1 cm de intervalo poupando o paciente da radiação. IMAGENS TOMOGRÁFICAS DO TÓRAX Recomenda-se que utilize o corte tomográfico obtido ao nível do arco da aorta como plano básico de referência na interpretação. Esse corte é de uma anatomia simples, além de ser de muito fácil reconhecimento. Identificando-se o arco aórtico, o observador segue as estruturas em sentido cranial, até o estreito superior do tórax e, depois, voltando ao nível da mesma, segue em direção caudal, até a transição tóraco-abdominal. Será descrita a anatomia seccional do mediastino, em dez cortes tomográficos, numerados de TC1 a TC10, conforme a sequência da análise proposta. TC1. Secção axial (transversal) no plano do centro da croça (arco) da aorta Arco da Aorta. V. Cava Superior. Esôfago. Traqueia. Trígono Tímico. Quando existem Linfonodos Paraórticos (6). Quando existem Paratraqueais (4L e 4R). Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 7 TC2. Secção axial (transversal) no plano da porção horizontal da V. braquiocefálica E Veia Braquiocefálica Esquerda. Veia Braquiocefálica Direita. Tronco Arterial Braquiocefálica. Artéria Carótida Direita. Artéria Subclávia Esquerda. Traqueia. Esôfago. Quando existem Linfonodos Paratraqueais altos (2R e 2L). TC3. Secção axial (transversal) ao nível da incisura jugular do esterno Artéria Carótida Comum Direita. Artéria Subclávia Direita. Veias Braquiocefálicas Direitas e Esquerda. Artéria Carótida Comum Esquerda e Subclávia Esquerda. Linfonodos Pré e Para Traqueais Altos caso existam. Clavículas, Manúbrio e Primeiras Costelas. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 8 TC4. Secção axial (transversal) ao nível da janela aórtico-pulmonar Aorta Ascendente e Descendente. s vezes Ligamento Arterioso calcificado. Veia Cava Superior. s vezes, podemos observar a cro a da zigos. Lifonodos Subarticos e Paratraqueais Baixos. O corte TC4 no continua o cranial de TC3, sendo uma sec o mais inferior do que o corte inicial (TC1). A partir de TC4, os cortes so mais caudais quando comparados ao nvel TC1. Trata-se do ltimo corte em que a traqueia ainda vista como uma estrutura nica: a partir dos prximos, j ser possvel observar os brnquios fontes. TC5. Secção axial (transversal) ao nível da artéria pulmonar esquerda Artria Pulmonar Esquerda. Carina. Aorta Ascendente e Descendente. Veia Cava Superior. Linfonodos Subcarinais quando presentes. O TC5 considerado um corte mais caudal em rela o ao TC4. Na imagem tomogrfica, continua a observar a aorta descendente, ascendente, veia cava superior. A traqueia, nesse nvel, est bifurcando-se em brnquios fontes principais direito e esquerdo, em nvel da Carina da Traqueia. Neste instante, a Veia cava superior apresenta uma pequena mudan a conformacional semelhante uma “pequena orelha”, chegando prximo ao trio direito. Por ser um corte mais inferior em rela o ao corte TC4, j possvel observar o tronco da artria pulmonar, formando a artria pulmonar esquerda (neste instante, est cavalgando em cima do brnquio fonte esquerdo). Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 9 TC6. Secção axial (transversal) ao nível da artéria pulmonar direita Aorta Ascendente e Descendente. Veia Cava Superior. Brônquio Fonte Direito e Esquerdo Tronco da Artéria Pulmonar, Artéria Pulmonar Direita e Esquerda. TC7. Secção axial (transversal) ao nível da válvula aórtica Aorta Descendente. Ventrículo Direito. Átrio Direito. Aorta. Átrio Esquerdo e veias pulmonares A partir do corte em TC7, observam-se as mudanças reais das estruturas anatômicas. Na imagem, observa-se o início do ventrículo direito. Observa-se ainda a estrutura mais posterior do coração, que é formada pela conjunção de 4 vasos pulmonares, átrio esquerdo. Nas TC com contraste, o átrio esquerdo assemelha-se a uma borboleta. Neste nível, não é mais possível observar brônquios ou traquéia. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 10 TC8. Secção axial (transversal) ao nível das veias pulmonares inferiores Aorta Átrio Direito. Ventrículo Direito. Ventrículo Esquerdo. Átrio Esquerdo. Veias Pulmonares Inferiores TC9. Secção axial (transversal) ao nível das válvulas tricúspide e mitral Aorta descendente Átrio Direito. Átrio Esquerdo. Ventrículo Direito. Ventrículo Esquerdo TC10. Secção axial (transversal) ao nível da transiçao tóraco-abdominal Diafragma Fígado. Aorta. Veia Cava Inferior Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 11 ACHADOS RADIOLGICOS DAS DOENAS PULMONARES Quando est se observando um exame torcico anormal, a primeira pergunta a ser feita : “Onde est a anormalidade?” e “Qual a sua extenso?”, para que somente ento possa ser feita a seguinte pergunta: “Do que se trata?”. O primeiro passo examinar todos os exames disponveis. Deuma forma geral, quando o pulmo agredido, ele passa a expressar achados radiolgico especficos, geralmente, na forma de opacidades. A localiza o, a forma e a extenso da opacidade, associada aos achados clnicos do paciente, auxiliam no diagnstico das doen as pulmonares. Didaticamente, o pulmo dividido para estudo radiolgico em partes componentes intersticiais e alveolares. So nesses dois componentes que devem ser avaliadas possveis opacidades radiogrficas. Muitas doen as podem gerar opacidades mistas, mas, na maioria das vezes, um desses componentes predominante. A informa o fornecida por raios-X de trax depende muito do contraste entre o ar radiotransparente nos pulmes comparado com a opacidade do cora o, vasos sanguneos, mediastino e diafragma. Uma leso intratorcica que toca o limite do cora o, aorta ou diafragma oblitera este limite na radiografia torcica. Este sinal conhecido como o sinal da silhueta. O sinal da silhueta um sinal valioso para localizar doen as a partir de radiografias do trax, e possui duas aplica es clnicas: (1) muitas vezes possvel localizar uma sombra observando quais limites foram perdidos, como por exemplo, perda do limite cardaco quer dizer que o sombreamento situa-se na metade torcica anterior; (2) o sinal da silhueta torna possvel o diagnstico de distrbios como consolida o ou colabamento pulmonar. Alm do sinal da silhueta, temos ainda o sinal do bronco-grama aéreo (ou areo-broncograma) que significa uma opacidade do parnquima pulmonar sugestiva de consolida o alveolar. Um determinado lobo pulmonar aparece parcialmente radiopaco, exceto nas reas que contm ar. Opacidades esféricas (massas e nódulos pulmonares): ndulos so leses bem delimitadas com dimetro menor que 3 cm; ao passo em que massas so leses pulmonares com dimetro maior ou igual a 3 cm. Quando se fala em ndulos ou massas, devemos determinar a natureza da leso quanto a sua origem: pulmonares ou extrapulmonares (pleurais, estruturas sseas, parede torcica, etc.). Para localizar a leso e determinar se a mesma intra ou extra pulmonar, devemos avaliar trs critrios: Observar os contornos e o epicentro da leso. Se os contornos da leso no estiverem bem delimitados, seu epicentro localiza-se fora do parnquima pulmonar e, portanto, trata-se de uma leso extrapulmonar (na figura, B e C). Se o centro da leso estiver dentro do pulmo, fala a favor de leso intrapulmonar (A). Observar o maior eixo da leso: quando o maior eixo no est em contato com estruturas fora do pulmo, sugere-se leso extrapulmonar. Quando o maior eixo localiza-se dentro do parnquima, sugerimos ser uma leso pulmonar. Observar os ngulos da leso. Nas leses intrapulmonares, os ngulos tendem a ser agudos. No caso de massas extrapulmonares, encontramos ngulos obtusos. Ex1: Nódulo pulmonar solitário: so classificados ndulos pulmonares leses bem localizadas com menos de 3 cm de dimetro. As causas mais usuais de um ndulo pulmonar solitrio (no geral, tem em torno de 1 cm) so: carcinoma brnquico; tumor benigno de pulmo; granuloma infeccioso; metstases; abscessos pulmonares; pneumonia esfrica (raramente). Com exce o do abscesso pulmonar e da pneumonia esfrica, as leses previamente listadas causam sintomas, sendo a massa expansiva inicialmente notada em uma radiografia simples de trax de rotina. Devem ser avaliados os seguintes parmetros: tamanho, volume, presen a de calcifica o, regularidade das bordas, forma da opacidade, envolvimento da parede Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 12 torácica adjacente, cavitação, etc. O tamanho é sempre importante, pois nódulos com cerca de 3 cm sem calcificação podem sugerir um tumor maligno, sendo indicado para a biópsia. Se o nódulo apresentar cerca de 1 cm, é aconselhável apenas o acompanhamento do paciente, com a repetição do exame após um ano. A presença de gordura no nódulo (indicada pela tomografia) indica uma lesão, geralmente, benigna. Nódulos pulmonares múltiplos: múltiplas opacidades esféricas bem definidas nos pulmões representam o diagnóstico de metástase. Ocasionalmente, este padrão é observado em abscessos, outras neoplasias ou com granulomas causados por infecção fúngica, tuberculose ou distúrbios vasculares colagenosos. Massa pulmonar: lesão pulmonar maior ou igual a 3 cm. Embora possa haver massas benignas, este tipo de lesão está geralmente associado à malignidade. A conduta no tratamento dessas lesões é menos conservadora, por se tratar de quadros mais avançados, mesmo benigno ou maligno. Metástases pulmonares: apresentam-se na forma de múltiplos nódulos pulmonares, pequenos e difusos. As metástases pulmonares acontecem principalmente por disseminação hematogênica. Geralmente afetam várias regiões do pulmão. Derrame pleural: a coleção de grandes volumes de líquido (transudato, exsudato, pus ou sangue) dentro do espaço virtual da pleura (que é ocupado, normalmente, por uma pequena quantidade de líquido para lubrificação), caracteriza um derrame pleural. Este líquido é radiopaco nas imagens radiográficas. Como sabemos, a pleura é constituída de dois folhetos (o parietal e o visceral) que recobrem, inclusive, as fissuras (que também podem colecionar líquido). Por esta razão, podemos visualizar as fissuras pleurais e identificar se é no pulmão E ou D (derrame fissural). É comum a opacidade obliterando os recessos pleurais (costofrênicos e cardiofrênico). O líquido tende a se depositar nos espaços inferiores a favor da gravidade, formando uma parábola (de Damoiseau). O sinal da silhueta pode ocorrer no derrame pleural, principalmente quando o líquido sobrepõe-se à área cardíaca. Na figura ao lado, observamos que o contorno cardíaco direito está borrado (ou pouco definido) devido à sobreposição do líquido do derrame sobre esta região cardíaca (sinal da silhueta: estruturas de mesma densidade radiológica, uma em contato com a outra). Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 13 Pneumonia: é uma síndrome de consolidação pulmonar ou infiltrado pulmonar. Radiologicamente, observamos um lobo pulmonar parcialmente opaco, exceto pelo ar contido nos brônquios (sinal de bronco-grama aéreo). Se o paciente apresentar febre, leucograma alterado e tosse (há menos de 4 a 5 dias) associada, suspeitamos de pneumonia. Devemos tomar nota ainda que pneumonias virais apresentam achados radiológicos mais difusos, ao passo em que pneumonias bacterianas apresentam sinais radiológicos mais localizados (geralmente nas bases pulmonares). Atelectasia pulmonar: as causas comuns de colabamento (perda do volume aéreo de um lobo ou de todo pulmão) são: obstrução brônquica; pneumotórax ou derrame pleural. O que ocorre é a perda do ar contido dentro dos alvéolos, o que faz com que a porção colabada perca a sua radiotransparência. Contudo, diferentemente das pneumonias, a região acometida torna-se radiopaca em decorrência de uma perda volumétrica, e não de uma condensação pulmonar. O sinal de bronco-grama aéreo pode aparecer. O colabamento causado por obstrução brônquica ocorre porque o ar não consegue chegar ao pulmão em quantidade suficiente para repor o ar absorvido pelos alvéolos. O resultado final é o colabamento lobar (ou pulmonar). Os sinais de colabamento lobar são: deslocamento de estruturas; sombreamento do lobo colabado; sinal de silhueta (indicando qual lobo está colabado: o colabamento dos lobos anteriormente localizados (superior e médio) oblitera porções dos limites do mediastino e do coração, enquanto o colabamento dos lobos inferiores obscurece os limites do diafragma adjacente e da aorta descendente. As causas mais comuns de colabamento lobar são: lesões da parede brônquica; oclusão intraluminal (rolhas de muco, corpos estranhos); invasão ou compressão por umamassa adjacente. Quando um lobo colaba, o lobo ou os lobos não-obstruídos do lado colabado são submetidos à expansão compensatória. A fissura deslocada é vista como um limite bem definido junto a um lobo sem ar em uma outra incidência. O mediastino e o diafragma podem mover-se em direção ao lado colabado. Com o colabamento de todo um pulmão, todo o hemitórax encontra-se opacificado e existe um deslocamento substancial do mediastino e traqueia. Ocorre ainda uma diminuição dos espaços intercostais. A opacificidade da atelectasia é bem mais definida do que os achados na pneumonia, além de apresentarem sinais clínicos diferentes: na atelectasia, não ocorre febre ou leucocitose. A presença de ar ou líquido na cavidade pleural permite que o pulmão colabe, como ocorre na associação com pneumotórax ou efusão pleural. No pneumotórax, o diagnóstico é óbvio mas se existe um grande derrame pleural com colabamento pulmonar, o diagnóstico do colabamento em uma radiografia de tórax pode ser difícil. Atelectasia linear (discóide ou laminares) é uma forma de colabamento que não é secundária a uma obstrução brônquica. Deve-se à hipoventilação, cuja causa mais comum é a dor pós-cirúrgica ou pós- traumática. O resultado é uma faixa ou disco orientado horizontalmente. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 14 OBS5: Diferenças radiológicas entre pneumonia e atelectasia. Pneumonia Atelectasia Sinal da silhueta Opacidade alveolar Volume normal ou aumentado Não há desvio, se houver, é para o lado contrário à lesão O centro de sua opacidade não é voltado para o hilo Broncograma aéreo (mais comum) Perda de volume Desvio das estruturas mediastinais para o mesmo lado da lesão Bem definida, com angulo definido e margem definida Ápice do triangulo voltado para o hilo e a base para a periferia. Há algo impedindo a entrada de ar nos alvéolos O ápice de sua opacidade volta-se para o hilo; Broncograma aéreo OBS6: Devemos diferenciar também características radiológicas dos achados da atelectasia pulmonar e do derrame pleural: enquanto que no primeiro as estruturas mediastinais são deslocadas para a área ipsilateral do acometimento pulmonar, no derrame pleural as estruturas do mediastino são empurradas ou comprimidas para o lado contralateral à coleção de líquido na pleura. Edema pulmonar: pode ser cardiogênico (por insuficiência cardíaca esquerda) ou não-cardiogênico (causado por afogamento, por exemplo). Os alvéolos ficam repletos de líquidos, perdendo a sua radiotranslucidez. No caso de um edema pulmonar cardiogênico, por se tratar de um distúrbio sistêmico relacionado a uma insuficiência ventricular esquerda (principalmente), este compartimento cardíaco pode mostrar-se aumentado na radiografia e a aorta alongada. Devemos, então, associar a uma clínica repleta de sinais de insuficiência cardíaca congestiva: cansaço (astenia), angina, dispnéia (principalmente ao decúbito), etc. Diferentemente da pneumonia bacteriana (que afeta mais os lobos, individualmente), o edema geralmente ocorre bilateralmente. Diferentemente dos edemas pulmonares não-cardiogênicos, os edemas por ICC evoluem cronicamente, de forma que o líquido em estase ocupe primeiramente o interstício e, depois, os vasos linfáticos pulmonares para, só depois de extravasar estes vasos, alcançar os alvéolos. Enquanto o líquido ocupa o interstício, o paciente pode apresentar-se assintomático (é o chamado edema pulmonar precoce, cujo principal achado da radiografia são as linhas B de Kerley; ver OBS7). Edemas pulmonares mais avançados apresentam um padrão radiológico semelhante a asas de borboleta (ou morcego). O edema pulmonar pode ser tratado com o uso de diuréticos (se os rins estiverem em perfeito funcionamento). O uso de diuréticos de ação rápida faz diminuir a opacidade pulmonar em menos de 1 hora (o que não acontece na pneumonia ou no derrame). O edema pulmonar por afogamento é uma modalidade mais aguda, diferentemente do edema pulmonar cardiogênico. A diferenciação de um achado radiológico de afogamento de qualquer outra suspeita clínica se faz por meio de uma história clínica básica. No exame radiográfico, não encontra-se aumento da área cardíaca e nem distensão da aorta. OBS7: Linhas septais. Os septos pulmonares são planos de tecido conjuntivo contendo vasos linfáticos. Normalmente são invisíveis. Somente septos pulmonares espessados podem ser vistos em uma radiografia de tórax. Existem duas causas importantes para as linhas: edema pulmonar e linfangite carcinomatosa. Existem dois tipos de linhas septais: Linhas A de Kerley: irradiam em direção ao hilo nas regiões média e superior. Estas linhas são muito mais finas que os vasos sanguíneos adjacentes e não atingem a borda do pulmão. São linhas mais centrais. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 15 Linhas B de Kerley: são horizontais, com comprimento maior do que 2 cm e melhor observadas na periferia do pulmão. Diferente dos vasos sanguíneos, elas muitas vezes atingem a borda do pulmão. Aparecem com o acúmulo de líquido nos septos interlobulares. Linhas C de Kerley: são linhas mistas, isto é, centrais e periféricas. Opacidades pulmonares em recm-nascidos: dois quadros clínicos caracterizam a opacidade pulmonar em recém nascidos: síndrome da membrana hialina (acontece com pacientes infantis pré-termo) e a síndrome por aspiração de mecônio (acontece com pacientes recém-nascidos com mais de 38 semanas de gestação). Se não tivermos dados clínicos para diferenciar os dois achados radiológicos, devemos procurar proporções anatômicas radiológicas que nos proporcione a idéia do tempo de vida da criança. No Brasil, a doença da membrana hialina é mais frequente do que a síndrome por aspiração de mecônio, uma vez que, no nosso país, o parto cesariano ainda é bastante utilizado, dificultando a prevalência de partos pós-termo. Países mais desenvolvidos, como a Holanda, onde o parto normal é mais utilizado que o cesariano, as incidências se invertem, de forma que a síndrome de aspiração do mecônio é mais prevalente. Sndrome da membrana hialina (Sndrome da Dificuldade Respirat ria – SDR): a SDR é observada principalmente em lactantes com menos de 36 semanas de idade gestacional que pesam menos de 2500 g. A SDR é consequente à imaturidade anatômica pulmonar e a uma deficiência de surfactante (produzidos pelos pneumócitos do tipo II), que diminuiria a tensão superficial e facilitaria a expansão e a estabilidade dos alvéolos. Diferentemente da síndrome por aspiração de mecônio, a SDR desenvolve-se em pacientes infantis pré-termo (geralmente, menos de 32 semanas de gestação). Sndrome por aspirao de mecnio: acontece com recém-nascidos, sendo consequente ao sofrimento fetal, com a passagem do mecônio para o líquido amniótico. A aspiração ocorre intra-uterinamente. Um dos achados mais importantes radiográficos mais consistentes é a hiperinsuflação, causada pelo aprisionamento de ar que ocorre devido à oclusão parcial das vias aéreas. É notável sinal de broncograma aéreo difuso bilateralmente. Outros achados são opacidades nodulares que constituem atelectasia ou consolidação. Para diferenciá-la da síndrome da membrana hialina, lembremos que a síndrome por aspiração de mecônio acontece em recém nascidos pós-termo (nascido com mais de 38 semanas de gestação), geralmente por causa de partos demorados e mal assistidos. Pode ser tratada clinicamente, com o uso associado de corticóides (para estimular o amadurecimento pulmonar) e surfactante pulmonar. OBS8: É necessário relembrar a presença do timo no mediastino anterior durante a infância (até cerca de 2 anos de idade). A presença deste órgão em exames radiográficos de crianças pode confundir um intérprete, de forma que a imagem possa assemelhar-se a uma massa mediastinal. Os radiologistascostumam referir a presença do timo como o sinal da vela do barco. Para diferenciar o timo de uma massa verdadeira, opta-se pela ultra-sonografia, avaliando a consistência mais mole deste órgão, diferentemente de algumas massas. Tuberculose pulmonar: Esta doença pulmonar é dividida em formas primária e pós-primária, mesmo que estas divisões não estejam claramente separadas. Tuberculose primária é o resultado da primo-infecção com o Mycobacterium tuberculosis e geralmente aparece na infância. Tuberculose pós-primária, a forma usual em adultos, acredita-se ser a reinfecção, tendo o paciente desenvolvido imunidade relativa após a infecção primária. Tuberculose (e infecções micobacterianas atípicas) é observada com frequência considerável em pacientes com AIDS. Dependendo da forma de disseminação da doença, a tuberculose pode apresentar padrões radiológicos diversificados. Contudo, no geral, apresenta-se como uma opacidade (quase sempre localizada nos ápices pulmonares ou nos segmentos superiores dos lobos inferiores), apresentando uma cavidade ao centro (cavitação ou caverna da tuberculose). A opacidade é do tipo mista (alveolar e intersticial). Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 16 Tuberculose primária: desenvolve-se uma rea de consolida o (conhecida como foco de Gohn) na periferia do pulmo – geralmente em regies mdia ou superior. A consolida o muitas vezes acompanhada de linfonodos hlares ou mediastinais visivelmente aumentados em tamanho (esta combina o de consolida o pulmonar e linfadenopatia conhecida como complexo primário). A maioria dos pacientes apresenta poucos ou nenhum sintoma, enquanto que o restante cursa com febre, tosse e mal- estar. Dissemina o da tuberculose primria – e seus respectivos achados – pode ocorrer: o Dissemina o via rvore brnquica, levando broncopneumonia tuberculosa (tuberculose endobrnquica), que radiologicamente aparece como consolida o em manchas ou lobar; frequentemente envolve mais de um lobo, podendo ser bilateral e com cavita es. o Dissemina o via corrente sangunea, resultando em tuberculose miliar, na qual existem inmeros pequenos ndulos nos pulmes (menores que 0,3 cm), de mesmo tamanho e uniformemente distribudos (assemelhando-se a uma metstase). Em geral, so microndulos bem definidos, mas em casos graves, tornam-se relativamente confluentes. Um derrame pleural pode estar presente. Nos EUA, esses achados induzem ao diagnstico de cistoplasmose. Tuberculose pós-primária: geralmente, est presente com tosse, hemoptise, perda de peso, sudorese noturna e mal-estar. Ocasionalmente, a doen a descoberta em raios-X de trax de rotina. Geralmente, a tuberculose ps-primria confinada s por es pstero-superiores dos pulmes, denominadas de segmentos apical e posterior dos lobos superiores e segmento apical dos lobos inferiores. As leses iniciais so mltiplas pequenas reas de consolida o e frequentemente so bilaterais. A doen a pode tomar a forma de broncopneumonia de lobo inferior ou mdio (diferindo dessa por meio da clnica, uma vez que a tosse do tuberculoso dura mais do que semanas). Com o progredir da doen a, as consolida es aumentam de tamanho e formam-se cavita es (as cavidades so vistas como espa os areos arredondados ou translcidos, completamente circundados por opacidades pulmonares). Com a cura, pode ocorrer a forma o de fibrose pulmonar, frequentemente com calcifica es. Derrames pleurais so frequentes. Hemorragia pulmonar: a presen a de sangue dentro dos alvolos pode ocorrer em doen as vasculares ou secundria a uma contuso (trauma) pulmonar, sendo este ltimo mais frequente. A opacidade associada a uma histria de trauma nos guia ao diagnstico de hemorragia pulmonar. Hemorragia alveolar traumtica localizada e edema podem ser observados caso uma fratura de costela seja ou no identificada. A opacidade pulmonar resultante indistinguvel de outras formas de consolida o pulmonar (como a prpria tuberculose), sendo a rela o com o traumatismo importante para o estabelecimento do diagnstico. Diferenciando da atelectasia, na hemorragia no temos perda de volume pulmonar. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 17 Embolia (tromboembolismo) pulmonar: a embolia pulmonar é causada pela obstrução vascular pulmonar por algum êmbolo sistêmico que alcançou a pequena circulação, diminuindo a perfusão pulmonar. O raio-X aparentemente normal é a característica radiológica deste acometimento pulmonar. Isto é, associando sintomas pulmonares (cansaço, dor torácica e dispnéia), fatores predisponentes (fratura, cirurgia prévia, uso de anticoncepcionais, retenção prolongada ao leito, etc.) e achados radiológicos aparentemente normais nos sugerem ao diagnóstico de embolia pulmonar. Contudo, em casos mais avançados, podemos encontrar opacidade na área de isquemia designada como West Mark (em alusão à pequena população do oeste americano, comparando à pobreza vascular da região). Quando a embolia desenvolve uma isquemia pulmonar, podemos encontrar uma área triangular de opacidade bem definida, com base voltada para a pleura parietal e ápice voltado para o hilo pulmonar (triângulo de Hampton). Contudo, por se tratar de um exame de baixa sensibilidade para esta patologia, o mais comum é encontrar uma imagem de raios-X normal. Por isso, o exame padrão ouro para diagnóstico da embolia pulmonar é a angiografia pulmonar (com o uso de contraste iodado para localizar a área de obstrução). A tomografia computadorizada, entretanto, é um exame menos invasivo (em que se utiliza quantidades menores de contraste), que mostra, muitas vezes, a falha de perfusão vascular da área trombótica. A TC consiste, portanto, em método pouco invasivo de excelente sensibilidade e especificidade para o diagnóstico do tromboembolismo pulmonar. OBS9: Especificidade determina a capacidade que um exame tem de diagnosticar uma dada doença. A sensibilidade determina a capacidade que o exame tem de detectar uma doença pré-estabelecida em uma amostragem doente com diagnóstico já conhecido. Características radiológicas da mastectomia: deve-se avaliar a sombra mamária de um lado e a ausência da mesma do outro lado, devendo o radiologista notar e notificar o fato (que na verdade, durante análise clínica, já deveria ter sido avaliado) e procurar qualquer outra alteração. Pneumotórax: consiste no acúmulo de ar dentro do espaço pleural. Pode ser um pneumotóax iatrogênico (secundário a uma ventilação mecânica), traumático (secundário a uma laceração dos folhetos pleurais), enfisemas, certas formas de fibrose pulmonar, pneumonia por Pneumocystis carinii, metástases (raramente). O diagnóstico do pneumotórax depende do reconhecimento de duas características: (1) uma linha separando com ar a borda do pulmão da parede torácica, mediastino ou diafragma; (2) ausência de sombras vasculares fora desta linha. A falta de sombras vasculares é evidência insuficiente para firmar um diagnóstico, uma vez que podem existir poucos ou nenhum vaso visível em bolhas enfisematosas. A não ser que o pneumotórax seja muito grande, pode não haver aumento apreciável na densidade do pulmão subjacente. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 18 Pneumotórax sutil: observa-se apenas uma pequena linha que determina o limite da pleura visceral, sem a presença de vasos, demonstrando o colabamento pulmonar. O tratamento do pneumotórax sutil é conservador, apenas com o acompanhamento do doente e aguardar que o ar seja reabsorvido pelos capilares pulmonares. Pneumotórax hipertensivo: o ar entra por alguma abertura e, de forma valvular, não consegue sair, de forma que cada vez que o paciente respira, mais ar entra e desloca as estruturas para o lado oposto. Observa-se o colabamento pulmonar. Trata-se de uma urgência médica,que descompensa rápido, comprime coração e as estruturas mediastinais. É necessário, portanto, drenar este ar, caso contrário, o paciente vai a óbito. Hidropneumotórax: líquido na cavidade pleural, seja devido a derrame pleural, sangue (principal, formando hemopneumotórax) ou pus (piopneumotórax). Assume forma diferente na presença de um pneumotórax. A característica diagnóstica principal é o nível hidroaéreo. Enfisema pulmonar: é um tipo de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) caracterizada por hiperinsuflação pulmonar. Radiologicamente é caracterizado por uma expansão torácica no eixo vertical. A hiperinsuflação pulmonar é perceptível a partir da contagem dos arcos costais (mais que 8 ou 9 posteriores; mais que 6 anteriores). Contudo, as principais características radiológicas do enfisema são: diafragma mais plano e rebaixado; espaços intercostais aumentados. Em caso de dúvida, radiografa o paciente em inspiração profunda e em expiração intensa: o enfisematoso (ou o asmático profundo) não conseguem expelir adequadamente o ar, e a radiografia quase não se altera (devido ao aprisionamento aéreo). O asmático crônico, durante uma crise grave, pode apresentar o mesmo padrão radiológico. OBS10: São causas do aumento generalizado da Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 19 radiotransparncia dos pulmes: enfisema pulmonar, pneumotrax volumoso. So causas do aumento localizado da radiotransparncia pulmonar: enfisema compensatrio, pneumotrax, redu o dos tecidos moles da parede torcica (por exemplo, mastectomia) e aprisionamento de ar devido obstru o central. OBS11: A opacificação total de um hemitórax pode ocorrer por meio dos seguintes quadros: Derrame pleural volumoso: opacifica o do hemitrax com compresso das estruturas mediastinais para o lado contralateral; Atelectasia pulmonar: opacifica o do hemitrax com desvio das estruturas mediastinais para o mesmo lado da leso devido perda do volume pulmonar deste lado. O pulmo oposto fica vicariante e hiperexpandido para tentar suprir o colabado. Pneumonia extensa: pode causar uma opacifica o de todo um hemitrax, mas sem desvio das estruturas mediastinais devido a manuten o do volume pulmonar. Fibrose pulmonar: caracterizada por espessamento de septos interlobulares. Geralmente, predominante nas bases e, quando a fibrose avan a, passa a ocupar o pice. Trauma pulmonar: observa-se, geralmente, fraturas de costela associadas a hemotrax, hemorragia e opacidade pulmonar. Adenomagalia hilar bilateral: o aumento do tamanho hilar pode acontecer por aumento de tamanho dos linfonodos hlares (que no so identificados, normalmente) unilateralmente (por metstases, linfomas malignos e infec es como tuberculose e histoplasmose) ou bilateralmente (por sarcoidose, linfoma maligno, tuberculose e doen as fngicas). Neoplasias, como carcinoma brnquico primrio, podem apresentar-se na forma de uma massa hilar. ACHADOS RADIOLGICOS DAS DOENAS MEDIASTINAIS Massas mediastinais: necessrio avaliar a natureza da massa atravs de tomografia computadorizada para uma melhor especificidade. Com isso, notifica-se o local do desenvolvimento da massa: massa mediastinal anterior (os “quatro Ts” da massa mediastinal anterior so: massas tmicas, massas de tireide, teratoma e o “terrvel linfoma”); massa mediastinal média (geralmente, so massas esofgicas ou cistos de duplica o brnquica); massa mediastinal posterior (geralmente, so massas neurognicas de origem nas cadeias ganglionares posteriores, como da bainha dos nervos perifricos ou Schwannoma). Radiografias do trax para massas mediastinais: Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 20 o Massas tireóideas intratorácicas (bócios) são a causa mais frequente de uma massa mediastinal superior. A massa estende-se do mediastino superior para o pescoço e comprime a traqueia. o Linfoadenopatia é a próxima causa mais frequente de um alargamento mediastinal. o Tumores neurogênicos são, de longe, a causa mais comum de massas mediastinais posteriores. Deformidades das costelas adjacentes e da coluna torácica devido à pressão, muitas vezes, são visíveis. o Massa mediastinal devido à hérnia de hiato geralmente é fácil de diagnosticar em radiografias porque muitas vezes contém ar e pode apresentar um nível líquido. Tomografia computadorizada de massas mediastinais: é o melhor método para avaliar anormalidades mediastinais quando os problemas permanecem sem resposta a partir das radiografias torácicas. Derrame pericárdico: coleção de líquido dentre os folhetos do pericárdio. Este achado aumenta o índice cardiotorácico em que necessariamente haja um aumento da área cardíaca, mas apenas por expansão do pericárdio. Neste caso, a aorta permanece com suas características radiológicas normais (e não alongada, como acontece na hipertrofia cardíaca), sem inversão da trama vascular nem edema pulmonar. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 21 Pneumomediastino: acontece geralmente por condições traumáticas ou por barotrauma. Desde que o ar não tenha entrado no mediastino a partir do pescoço, parede torácica adjacente ou retroperitônio, ar no mediastino indica uma rotura do esôfago ou vazamento de ar a partir dos brônquios para o mediastino ou pulmão. O ar que se acumula dentro do mediastino, na medida em que se expande, cresce e disseca as estruturas e os folhetos mediastinais. Hérnia diafragmática: hérnia significa a saída de uma víscera da cavidade que a contém para outra que não a habitual. No caso deste tipo de hérnia, vísceras abdominais atravessam pontos frágeis do diafragma e ganham a cavidade torácica. Pode ser congênita ou secundária a um trauma (ou mesmo aumento súbito da pressão abdominal). A hérnia é bastante clara quando se observa estruturas emparedadas repletas de gás. Para confirmar, o paciente deve ingerir contraste para uma segunda verificação. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 1 MED RESUMOS 2012 NETTO, Arlindo Ugulino. RADIOLOGIA ESTUDO RADIOLÓGICO DO ABDOME Na rotina de exames do abdome agudo (isto é, quadro em que o paciente relata dor e distensão abdominal e que seja necessário uma intervenção cirúrgica), duas formas de incidência radiográfica são utilizadas: radiografia simples ântero-posterior (AP) em decúbito dorsal (posição supina) ou AP em ortostase (em pé). É necessário, portanto, diferenciar as imagens produzidas por essas duas incidências tomando como referência os níveis líquidos: com o paciente em ortostase, é possível observar nas alças intestinais ar (nas porções mais superiores) e líquidos (nas porções inferiores), isto é, os níveis hidroaéreos. Na posição supina, observamos apenas o gás. A radiografia em ortostase é solicitada para avaliar, principalmente, nível líquido e pneumoperitônio. Radiologicamente, devemos diferenciar a presença de ar dentro das vísceras abdominais e ar dentro da cavidade abdominal (pneumoperitônio). Quando existe ar dentro das alças intestinais, não é possível visualizar a parede das alças, uma vez que o líquido e as partes moles apresentam a mesma densidade radiológica. Já a presença de ar na cavidade peritoneal nos permite a visualização dos limites e das paredes viscerais. Além disso, quando se coloca o paciente em ortostase, o ar tende a subir e se localizar embaixo do diafragma. Além dos raios-X convencionais, outros exames como ultrassonografia ou TC podem ser solicitados. Nesses exames, avalia-se o padrão gasoso (obstrução de alças intestinais), calcificações (calculo renal), massas ou desvios das alças intestinais, pneumoperitônio (ar na cavidade peritoneal). Os clínicos pedem também, quando há suspeita de abdome agudo, hemograma, sumário de urina e ultrassom de abdome total. A tomografia só se faz necessária emdetrimento de resultados duvidosos da radiografia simples e/ou da ultrassonografia. ROTEIRO DE EXAME Independente de qual estudo radiológico abdominal foi realizado, devemos nos basear no seguinte roteiro de exame: padrão gasoso e distribuição do gás; presença de ar fora da luz das alças (pneumoperitônio); procurar por qualquer dilatação de alça intestinal e tentar decidir quais as porções intestinais afetadas; procurar por qualquer quantidade de gás fora do lúmen intestinal; procurar por ascite e qualquer massa de tecido mole ou cistos no abdome e pelve; avaliar a presença de calcificações e localizá-las; avaliar o tamanho do fígado e do baço. De uma forma geral, temos: Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 2 PADRÃO GASOSO E NÍVEIS LÍQUIDOS Padro gasoso normal: comum a presena de gs no estmago (sempre) e em algumas (poucas, cerca de tr s) alas do intestino delgado (com o paciente tiver em ortostase, avaliando o nvel hidroareo). Sempre haver ar no reto e no sigmide, ou seja, gs da ampola retal (caso no haja nenhuma obstruo). Pacientes com constipao crnica tero maior quantidade de gs. Nveis lquidos normais (em ortostase): sempre existir nveis lquidos no estmago, poucos nveis lquidos no intestino delgado (geralmente 2 ou 3 alas no mximo) e nenhum no intestino grosso. OBS1: Para diferenciarmos o intestino grosso do delgado na radiografia simples, devemos lembrar de suas relaes anatmicas recprocas: o intestino grosso geralmente abraa todo o intestino delgado de maneira a formar um tipo de moldura ao redor do mesmo. Alm disso, fcil identificar as haustraes caractersticas do intestino grosso (que formam faixas incompletas sob as sombras gasosas colnicas), enquanto que o intestino delgado apresenta pregas mais sutis e vlvulas coniventes. Os padres gasosos encontram-se alterados em vrias ocasies. Esses padres podem estar alterados em casos de obstrução mecânica (isto , incapacidade de manuteno da peristalse do intestino) ou por leo de funo alterada (íleo funcional localizado ou generalizado). Quando existe um fator obstrutivo, designamos este quadro clnico de obstruo mecnica; quando no existe um fator, mas as alas simplesmente deixaram de executar o movimento peristltico e, a partir da, acumulam lquido e gs, designamos como leo funcional. O leo funcional localizado mais sutil de identificar, principalmente em radiografias simples. Uma ala ou um segmento de uma ala isoladamente pra de se movimentar por existir, prximo a ele, algum fator que est a irritando (pancreatite, apendicite, colecistite, lcera, gastrite, diverticulite, calculo ureteral). Essa ala parada ento chamada de alça sentinela, pois quando se percebe em um exame de imagem que tem uma ala parada indica que prximo a ela existe alguma alterao fisiolgica. Este quadro comum em quadros de pancreatite, por exemplo, que, devido s relaes anatmicas entre pncreas e duodeno, este segmento intestinal tem a sua funcionalidade comprometida. O leo funcional generalizado uma resposta a uma agresso sist mica (como no ps-operatrio imediato de cirurgia da cavidade abdominal) que altera a peristalse de todo o intestino. Observamos ar e distenso em todo intestino grosso e delgado. Nveis lquidos podem ser encontrados no estomago, mltiplos nveis lquidos no intestino delgado e, algumas vezes, no intestino grosso. Alm de ar dentro das alas (alas distendidas) h presena de ar na cavidade justificada pela visualizao das paredes intestinais. O padro do leo funcional generalizado vai ser alas distendidas por todo abdome, dificultando a diferenciao do intestino grosso e do intestino delgado. necessrio o acompanhamento mdico e a avaliao da dinmica intestinal do paciente para evitar o quadro patolgico conhecido como íleo paralítico (leo adinmico, mesmo depois de 48 horas). OBS2: Pacientes em ps-operatrio devem evitar falar nas primeiras 24h justamente devido ao no funcionamento do peristaltismo (leo paraltico) pois, podem sofrer distenso abdominal por causa do acmulo de ar. Na obstruo mecnica, tem-se um fator intrnseco que acomete as alas do intestino delgado ou do grosso, como um tumor (tumor de clon direito – causa uma obstruo mecnica do colo ascendente; tumor de cabea de pncreas – obstrui a segunda poro do duodeno/ arco duodenal; pncreas anular em crianas – forma um anel ao redor do duodeno causando uma obstruo dele, ou fator extrnseco). A obstruo mecnica em nvel de intestino delgado tem como causas principais as ader ncias (adeso entre as vsceras) ou bridas (ader ncia das vsceras parede abdominal), hrnias, volvo (toro de segmentos das alas em torno do prprio eixo – principalmente clon direito, mas pode ser cecais, sigmoideos e gstricos), leo biliar (clculo biliar que caiu no leo e parou, por exemplo, na vlvula ileocecal) e intussuscepo (quando uma ala avana dentro de outra; em crianas a causa geralmente idioptica, em adultos pode ser por linfoma, tumor de reto, de sigmide). Elas podem ser totais ou parciais. O padro radiolgico a aus ncia de distenso area nos colos do intestino grosso e uma extensa distenso das alas centrais do intestino delgado. Quase no h gs nos colos, sigmide e reto (ou h muito pouco ar) devido obstruo da luz a jusante do intestino grosso. Neste caso, pode haver ar extra-luminal (pneumoperitnio) comprovado pela perfeita observao das paredes das alas. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 3 Na obstrução do intestino grosso, as alças delgadas distendidas são mais periféricas. As causas de obstrução nesta altura intestinal são: tumor, volvo, hérnia, diverticulite, intussuscepção, etc. Essa parte do intestino, em geral, não forma nível líquido. Deve-se observar a ausência de gás na ampola retal e a presença de gás no intestino grosso antes da região obstruída. Normalmente, não existe ar no intestino delgado devido à funcionalidade de válvula ileocecal; problemas nesta válvula simulam as características radiológicas do íleo funcional generalizado (com distensão do intestino delgado). Por serem muito móveis, quando as alças se distendem, elas tendem a se dobrar. Neste caso, também existe ar extra-luminal (pneumoperitônio) comprovado pela perfeita observação das paredes das alças. OBS3: Diferenciamos a obstrução do intestino grosso com falência de válvula íleo cecal e o íleo funcional generalizado por meio da clínica: este quadro clínico trata de uma situação pós-operatória imediata; já a obstrução do intestino delgado associado a uma falência da válvula ileocecal será acompanhada de uma história de constipação prolongada. OBS4: Para conseguirmos estudar o interior das alças intestinais é preciso fazer uma tomografia ou injetar contraste (por via oral ou via retal) ou fazer endoscopias (colonoscopia ou endoscopia digestiva alta). Em resumo, devemos ressaltar os seguintes parâmetros quanto à avaliação dos padrões gasosos e níveis líquidos: Ar no reto ou sigmoide Ar no delgado Ar no grosso Íleo localizado Sim 2 a 3 alças distendidas Ar no reto ou sigmoide Íleo generalizado Sim Múltiplas alças distendidas Sim - distendido Obstrução do delgado Não Múltiplas alças dilatadas Quase não tem Obstrução do grosso Não Só se a válvula ileocecal estiver incompetente Sim - dilatado AR EXTRA-LUMINAL A presença de ar fora das alças sugere perfuração de víscera oca. É aconselhável procurar a eventual presença de ar nas regiões aonde ele, provavelmente, iria se acumular: sob o diafragma (se presente, temos o sinal do crescente); ambos os lados das paredes das alças (se presente, temos o sinal de Rigler); e do ligamento falciforme do fígado (muito sutil, difícil até para radiologistas experientes).É necessário criar, portanto, uma rotina de exame para saber onde procurar a presença de ar. Primeiro o padrão gasoso e nível líquido; em seguida procura ar extra-luminal e, só então, procurar ar embaixo do diafragma, das paredes intestinais ou no ligamento falciforme do fígado. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 4 As causas para a presena de ar extra-luminal so: rupturas de vsceras ocas; cirurgias (abertas ou laparoscpicas – devido injeo de ar que feita para distender a parede abdominal); ap ndice mesmo no perfurado (pois pode formar abscessos peri-apendiculares com bactrias produtoras de gs). O ar pode se instalar em locais atpicos, como prximo bexiga ou diversos outros. Contudo, devemos procurar, primeiramente, nas regies mais comuns. OBS5: A avaliao radiolgica do ap ndice permite a mensurao da espessura (total e parietal) do ap ndice vermiforme, permitindo tambm a identificao de apendicolitos (fecalitos). Na ultrassonografia, pode-se avaliar a exist ncia de peristaltismo ou no (normalmente, deveria existir). O sinal da descompresso brusca da fossa ilaca direita pode ser realizado com o prprio transdutor, empurrando-o contra a parede abdominal – na presena de apendicite, pode haver dor descompresso. Quando est sadio, a luz do ap ndice chega at a colabar. Ap ndices inflamados podem apresentar uma “imagem em alvo” tpica Dificuldade da ultrassonografia para identificar apendicite: pacientes obesos, variaes na posio do ap ndice, etc. Para estes, mais indicada a realizao de TC. MASSA DE TECIDOS MOLES OU LÍQUIDOS (CISTOS) Dificilmente, possvel diferenciar a consist ncia de uma massa, isto , se a mesma solida ou cstica (lquida). Normalmente, os tecidos moles que so avaliados so os constituintes do fgado, bao, bexiga (quando cheia), pncreas. As principais massas de tecidos moles so: hepatomegalia e/ou esplenomegalia (mais fcil de visualizar devido topografia desses rgos) e tumores ou cistos. Estes ltimos so responsveis por deslocar as alas intestinais. Muitas vezes, as massas de tecidos moles no so palpveis. Ao se encontrar uma possvel massa de tecidos moles na radiografia, aconselhvel a verificao deste achado na TC devido maior sensibilidade (para massas de tecidos moles) e especificidade (capaz de diagnosticar o tipo de massa em evid ncia). OBS6: Presena de gs em um abscesso abdominal ou plvico produz um padro muito varivel em radiografias. Pode formar pequenas bolhas ou colees maiores de ar, sendo que ambas podem ser confundidas com gs contido dentro do intestino. Nveis lquidos em abscessos podem ser observados em uma radiografia com raios horizontais. Como abscessos so leses em forma de massa, deslocam estruturas adjacentes (por exemplo, o diafragma encontra-se elevado em um abscesso subfr nico). PRESENÇA DE CALCIFICAÇÕES As calcificaes podem estar dentro de tumores de partes moles (teratomas, miomas, etc.), na parede de cistos, clculos renais, clculos ureterais, clculos biliares (que normalmente, no so vistos pela radiografia), etc. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 5 Este tipo de achado, por apresentar a densidade aproximada do osso, apresenta-se radiopaca. As calcificações abdominais provavelmente devem-se a uma das seguintes causas: Flebólitos de veias pélvicas: podem levar à confusão diagnóstica, sendo tomados erroneamente por cálculos urinários e fecalitos. Linfonodos mesentéricos calcificados causados por tuberculose antiga. Apresentam um padrão específico: são irregulares em suas delimitações e podem ser muito densos e, por situarem-se no mesentério, muitas vezes são móveis. Calcificação vascular ocorre associada ao ateroma, mas não existe correlação útil com a gravidade hemodinâmica da doença vascular. Fibromas uterinos podem conter numerosas calcificações bem definidas. Calcificação de tecido mole nas nádegas pode ser observada após injeção de determinados medicamentos. Massas ovarianas malignas ocasionalmente contém cálcio visível. A única lesão ovariana benigna calcificada visível é o cisto dermóide. Calcificação adrenal ocorre após hemorragia adrenal, após tuberculose e, ocasionalmente, após tumores adrenais. Calcificação hepática ocorre em hepatomas e, raramente, em outros tumores hepáticos. Cálculos biliares, calcificação esplênica, calcificação pancreática (que ocorre na pancreatite crônica), fecalitos e cálculos renais são outros tipos de calcificações radiologicamente detectáveis no abdome. Observe as figuras acima e as suas descrições abaixo: A) Calcificação pélvica mediana. Geralmente, é um mioma calcificado. B) Calcificação sutil de parede de cisto renal. C) Cálculo coraliforme que delineia e se adapta ao formato do cálice renal. D) Calcificação de parede de vesícula biliar (vesícula de porcelana). E) Leiomioma uterino calcificado. F) Calcificação mais evidente de cisto renal. G) Calcificação dos canais deferentes do sistema reprodutor masculino. H) Nefrocalcinose medular: calcificações da medula de ambos os rins. É comum em indivíduos com hiperparatireoidismo ou hiperpotassemia. I) Massa pélvica calcificada: geralmente é indicativo de mioma uterino ou algum teratoma gigante de ovário. J) Aneurisma de aorta com as paredes calcificadas. K) Apêndice dilatado com apendicolito dentro Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 6 L) Linfonodo calcificado. Acontece, geralmente, secundário à doença granulomatosa (como tuberculose) ou depois da quimioterapia de linfomas. M) Teratoma de ovário. Na radiografia, percebem-se calcificações que lembram dentes. N) Cálculos na vesícula biliar. Geralmente não são visíveis por serem formados de colesterol (que é radiotransparente) com deposito de cálcio apenas nas paredes. OBS7: Devemos avaliar ainda a presença de corpos estranhos e avaliar seus limites para a possível retirada cirúrgica. Embora possa acontecer em qualquer faixa etária, a presença de corpos estranhos é mais comum na infância. ESTUDOS CONTRASTADOS ABDOMINAIS Para uma melhor observação do interior das alças intestinais, injeta-se contraste por via oral ou por via retal (para o intestino grosso). Esses exames têm sido substituídos pela colonoscopia e endoscopia digestiva alta, já que através delas conseguimos visualizar a mucosa diretamente, permitindo, até mesmo, que seja feita biopsia quando necessária. Para avaliação de possíveis fístulas de parede intestinal, utiliza-se contrastes iodados, uma vez que o bário, por ser viscoso e denso, pode causar peritonite. Caso contrário, o bário é o contraste mais indicado. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 7 Entretanto, como j relatamos, a endoscopia vem substituindo esses exames contrastados devido sua praticidade, permitir a visualizao detalhada da luz das vsceras ocas e permitir a realizao de bipsias em determinados tecidos. O maior empecilho para a realizao da endoscopia a extenso e forma do intestino delgado. Alm disso, os estudos contrastados so mais baratos que a endoscopia. Enema, enteroclisma, ou clister, so nomenclaturas que designam a introduo de lquido no nus para lavagem, purgao ou administrao de medicamentos. tambm utilizado em determinados exames para se conseguirem imagens ntidas do intestino grosso. No enema opaco administrado ao paciente brio, contraste capaz de delinear todas as dobras do intestino grosso. O exame do enema opaco pode ser simples (usa-se apenas brio, sendo indicado para os casos de constipao intestinal) ou com duplo contraste (usa-se brio e ar, um “meio de contraste negativo”). No caso do enema opaco com duplo contraste, injeta-se, alm do brio, ar, o qual desloca a coluna de brio que, por ser mais espesso, fica aderido emparte superfcie da mucosa facilitando a visualizao do relevo da mucosa das alas intestinais. O ar utilizado para distender a ala e dessa forma, testar a elasticidade para parede. O EED significa o estudo radiolgico contrastado do esfago, estmago e duodeno. Toda a anatomia destes rgos, inclusive as suas pores, possvel de ser avaliada pela radiografia. importante reconhecer a 4 poro do duodeno e o ligamento de Treitz, que delimita o trato gastrointestinal alto do baixo. O normal, que o ngulo e o ligamento de Treitz estejam esquerda da coluna vertebral (o que no acontece na síndrome da má rotação, comum na criana). O transito intestinal avaliado com a ingesto de brio. Faz-se, na primeira parte do exame, um EED tradicional e, por fim, so feitas algumas radiografias consecutivas de modo que todo o percurso do alimento acompanhe a anatomia do trato gastrointestinal. Por ser capaz de mostrar detalhes do intestino delgado, este exame um dos poucos que a endoscopia ainda no conseguiu substituir. ULTRASSONOGRAFIA ABDOMINAL um tipo de exame radiolgico dinmico. A ultra-sonografia pode avaliar a parede intestinal e detectar o fluido intra-abdominal, mas fornece informao limitada sobre a mucosa. Ultrassonografia utilizada para diagnstico de estenose pilrica infantil, quando o diagnstico no clinicamente bvio. O uso do endoscpio ultrassonogrfico est confinado a centros especializados. O fgado apresenta vasos que pode ser visveis pela ultrassonografia. A trade portal (artria heptica, veia porta e ducto coldoco) envolvida por fibras de colgeno que produzem essa ecogenicidade. A ecogenicidade dele pode estar aumentada, em casos de esteatose heptica, pode estar diminuda, pode haver ndulos, por isso importante conhece a textura habitual dele. Pacientes com constipao ou distenso abdominal devem ser encaminhados tomografia, uma vez que o feixe sonoro apresenta dificuldade de atravessar esse gs (o gel aplicado na pele do paciente antes da radiografia tem justamente esta funo: diminuir o ar entre o transdutor e a pele do paciente). TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA O ABDOME A CT permite a visualizao extensa das estruturas desde o abdome mais superior at a pelve. Diferentemente dos demais exames convencionais com brio e procedimentos endoscpio, a CT pode mostrar a largura completa da parede intestinal. Consequentemente, til para o diagnstico e estadiamento de doena gastrintestinal e cirurgias. Pode ser utilizada em pacientes idosos ou enfraquecidos para confirmar ou excluir diagnstico de cncer de colo, uma vez que um exame de CT exige muito menos do paciente que um enema radiopaco ou colonoscopia. A CT tambm utilizada em centros selecionados para confirmar ou excluir o diagnstico de apendicite e til em pacientes com obstruo intestinal suspeita de leso da parede intestinal aps um traumatismo. O advento da CT com multidetectores permitiu o desenvolvimento da endoscopia virtual. RESSONNCIA MAGNTICA Embora oferea exames em cortes anatmicos variados e seja um exame mais indicado para o estudo das partes moles, a RM um exame mais caro, menos disponvel e possui um papel limitado na doena gastrintestinal Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 8 porque a peristalse distorce a imagem e, porque at o momento, no existem meios para opacificao do intestino, apesar de estarem sendo desenvolvidos agentes de contraste para este propsito. Atualmente, seu principal uso para avaliao da disseminao local de carcinoma retal antes da resseco cirrgica e para avaliar fstula perianal e formao de abcesso. DIAGNSTICO POR IMAGEM DE PATOLOGIAS DO ESFAGO Os sintomas mais comuns que levam ao exame do esfago consistem em pirose decorrente de regurgitao gastroesofgica (RGE), seguida de deglutio difcil (disfagia) ou dolorosa (odinofagia). Os distrbios da motildade, quando graves o bastante, podem causar sensao de dor ou desconforto torcico. As estenoses do esfago podem causar a sensao de que o alimento est “preso”. O estudo radiolgico do esfago se d, basicamente, pelo esofagograma que faz parte do EED (esfago, estmago e duodeno). Quando o esfago est contrastado com brio, ele normalmente apresenta tr s impresses anatmicas normais: a impresso do arco artico (em casos de aneurisma de aorta, ganha outras propores), a impresso do tronco da artria pulmonar (aumentado em casos de tromboembolismo pulmonar) e a impresso do trio esquerdo (aumentado em casos de ICC esquerda ou hipertrofia ventricular). Esse brio passa pelo esfago rapidamente devido s ondas de contrao peristlticas. As ondas primrias arrastam boa parte do contedo; as ondas secundrias, responsveis pelo clareamento esofgico, limpam o restante de alimentos que estavam na parede (que tambm descem por gravidade). Outro tipo de contrao so as ondas tercirias, que geralmente esto presentes em idosos, so desordenadas e no t m nenhuma funo de progresso de alimentos e algumas vezes podem causar disfagia e outras so assintomticas. Quanto ao estudo radiolgico do esfago, temos as seguintes situaes clnicas: Duplicação esofágica: um tipo de cisto que pode ocorrer em qualquer parte do TG (cistos de duplicao gastrointestinais), sendo mais comum no esfago. Geralmente, o cisto no se comunica com a luz esofgica, mas esto aderidos ao esfago, sem nenhuma comunicao. A maioria deles apresentam constituintes da parede do esfago, ou seja, so constitudos por todas as camadas que esto presentes na parede do esfago. So cistos porque a secreo mucosa se acumula em seu interior. Na radiografia simples, eles aparecem simplesmente como um alargamento do mediastino (o que, por via de regra, pede uma TC); j na TC, observa- se apenas o cisto, uma vez que ele no capta contraste. Todos eles so ms-formaes cong nitas. O tratamento cirrgico. Fístulas traqueo-esofágicas (atresias tráqueo-esofágicas; ATE): um tipo de m formao cong nita em que o esfago, durante a sua fase de canalizao embrionria, anastomosa-se, de forma equivocada, com a traqueia. H vrias formas de atresia trqueo-esofgica, de modo que as duas mais comuns so: (1) na forma mais prevalente delas, o coto proximal do esfago termina em fundo cego (causando refluxo) e o coto distal fica em contato direto com a traquia (aumento de gs no TGI); (2) coto proximal e o coto distal divididos, sem nenhuma comunicao. Essas duas formar somam cerca de 95% dos casos. Na forma mais frequente de ATE, observaremos gs no estmago e nos intestinos que teve acesso pelas vias areas. Na administrao de brio via oral, o contraste pra e se acumula na poro proximal do esfago, sem alcanar o estmago. J no segundo tipo mais comum de fstula, no haver gs derivado das vias areas no TGI (no se observa a bolha gstrica), pois no h comunicao do esfago com a traquia. A correo a anastomose cirrgica. Atualmente, o estudo do esfago feito por via endoscpica, pois este modo permite a realizao de bipsia ou de tratamento de alguma patologia. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 9 Anel de Schatzki: há vários tipos de anéis que podem ser formados no esôfago, uma vez que esta víscera, no período embrionário, não tem luz, mas é canalizando gradativamente para formá-la. Durante essa canalização, pode haver falhas e ocorrer à permanência de membranas embrionárias na luz esofágica. Schatzki descreveu o anel na porção distal do esôfago, onde existem duas membranas, como se houvesse um anel envolvendo este terço do esôfago. Em casos de uma obstrução mais acentuada, o esôfago é estrangulado e pode causar disfagia e regurgitação, mas na maioria dos casos ela é assintomática. Geralmente é um achado radiológico,tratado com cirurgia. Divertículo de Zenker: divertículos são envaginações que se originam devido à fraqueza em alguma porção da camada muscular, formando pequenos sacos. Os divertículos podem ocorrer em qualquer porção do TGI, contudo, Zenker descreveu um caso particular de divertículo secundário a uma fraqueza dos músculos cricofaríngeos, na transição faringo-esofágica, gerando um divertículo no terço proximal deste tubo. Quando o paciente se alimenta, muitas vezes restos alimentares se acumulam nesta bolsa formada, ocasionando halitose, regurgitação e infecção. Divertículo de Meckel: é um quadro congênito causado pela persistência por um ducto presente apenas durante a embriogênese. Este ducto, ao invés de involuir, permanece, podendo ter mucosa gástrica nele. Pode causar úlcera, perfuração e inflamação. Contudo, não apresenta importância clínica. Na maioria das vezes é assintomático. Varizes esofágicas: a maioria das varizes (veias dilatadas) esofágicas é provocada por doença hepática com hipertensão portal ou trombose do tronco esplenoportal. No Brasil, é comum a origem destes fatores associados à esquistossomose e cirrose. O sistema venoso portal não dispõe de válvulas e trabalha com pressões em torno de 12mmHg. Quando há o aumento da pressão para níveis próximos a 20mmHg, há uma inversão do fluxo: ao invés de ir em direção ao fígado, o sangue volta, fazendo o fluxo retrógrado, alcançando e ingurgitando as veias esofágicas. As varizes ocorrem no terço distal do esôfago, sendo prontamente detectadas no exame radiológico, Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 10 se forem grandes o bastante e projetarem-se para a luz. O maior risco é o rompimento destas varizes e seu vasto sangramento, causando hemorragias severas. A endoscopia é considerada um teste diagnóstico mais sensível e específico, porque o sangramento das varizes esofágicas pode não ser detectado nas radiografias. A TC e as esofagografias com bário são capazes de detectar as varizes esofágicas. A TC tem a vantagem de revelar imagens das varizes paraesofagianas e outras manifestações da hipertensão porta. Perfuração esofágica: a perfuração deste órgão pode ser ao longo de sua luz, sendo mais comumente no seu terço distal, na junção esofagogástrica. Pode ser uma perfuração espontânea, traumática ou iatrogênica (secundário a um procedimento endoscópico ou cirúrgico). Quando a perfuração acessa o mediastino, pode causar uma mediastinite grave que leva o paciente a óbito. Pode causar ainda uma pneumonite reacional quando o conteúdo esofágico entra em contato com o pulmão. O contraste administrado via oral extravasa no local da perfuração, indicado a localização da falha. Quando a perfuração esofágica é espontânea, chama-se de Síndrome de Boerhaave, acontecendo quando há um aumento da pressão abdominal associada a refluxo (como ocorre na bulimia). Há uma ruptura de todas as camadas do esôfago. Presença de corpo estranho no esôfago: a maioria deles é radiopaca, como ocorre geralmente na infância (moedas, pequenas peças de metal, etc.). Corpos estranhos radiotransparentes acometem geralmente os adultos (como espinhas de peixe e ossos de galinha). Nestes casos, faz-se endoscopia ou dá-se um algodão ou biscoito com bário para que paciente degluta. O contraste pára justamente onde está o corpo estranho. Acalásia: ausência ou dificuldade de relaxamento do esfíncter esofágico inferior. Toda vez que o paciente ingere alguma coisa, a musculatura esofágica realiza uma força contrátil muito maior para que aquele alimento passe para o estomago. Contudo, haverá um momento em que aquela musculatura entrará em falência e se tornará dilatada. Portanto, acalasia é uma condição caracterizada pela dilatação do esôfago. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 11 Ondas de contração terciária: o esôfago normal apresenta ondas de contração primária e secundária normal. As ondas de contração terciária são desordenadas e sem função alguma para o esôfago. Podem ocasionar disfagia, mas são, geralmente, assintomáticas. Acomete principalmente os pacientes idosos. O aspecto radiográfico é descrito como aspecto em saca rolhas. Tumores esofágicos benignos: o leiomioma é o tumor benigno o mais comum do esôfago. É uma massa bem definida na parede do esôfago que causa uma falha de enchimento no local onde estiver localizado. Pode gerar disfagia se tiver uma grande extensão. Adenocarcinoma de esofago e Carcinoma de células escamosas (ou de células epidermóides): o adenocarcinoma é o tumor de células glandulares no esôfago (depois de sofrer metaplasia para o tecido gástrico, uma vez que o tecido esofagiano não apresenta muitas glândulas) e o carcinoma epidermoide é o tumor de células escamosas da mucosa esofágica. Na doença de refluxo, a porção mais distal do esôfago entra em contato com o líquido gástrico que, por ser muito ácido, sofre metaplasia, ou seja, esse epitélio que era escamoso passa a virar um epitélio glandular e depois essas células evoluem para um adenocarcinoma. O adenocarcinoma de esôfago ocorre muito mais no terço inferior do esôfago, já o carcinoma de células epidermóides ocorre na porção média e superior. Quando se fala em carcinoma de células epidermoides temos os seguintes aspectos: Infiltrativo: infiltra o esôfago e a parede deste fica um pouco rígida, fazendo com que não se consiga mais fazer as ondas peristálticas. Aspecto polipóide: formação de pólipo dentro da luz esofágica Anelar ou estenótico Ulcerativo: formação de uma úlcera maligna. Varicoide: simula as varizes esofágicas por apresentar uma infiltração não uniforme A tomografia no caso de CA é utilizada para estadiamento do tumor, isto é, avaliar a sua extensão, o espessamento da parede da patologia propriamente dita, o acometimento de linfonodos e a invasão de estruturas adjacentes como aorta ou traqueia. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 12 DIAGNSTICO POR IMAGEM DE PATOLOGIAS DO ESTMAGO Os sintomas de dor epigstrica suscitam a possibilidade de lcera pptica e levam ao exame do estmago e duodeno. Hemat mese ou melena tambm so indicaes fortes. Nuseas subagudas ou crnicas, bem como vmitos sugerem possibilidade de uma leso obstrutiva. Massa palpvel na poro superior do abdome pode envolver o estmago. Perda ponderal e anorexia so sintomas menos especficos, mas podem ocorrer com cncer gstrico. Todas as estruturas intra-abdominais podem ser visualizados pela TC ou a ultra-sonografia. No obstante, o brio e outros contrastes continuam a ser inestimveis na deteco das doenas do trato alimentar por meio do EED. Estenose hipertrófica congênita do piloro: vmitos persistentes em um lactante com tr s a cinco semanas de vida sugerem a possibilidade de estenose pilrica. s vezes, possvel palpar o msculo pilrico hipertrofiado, msculo que tambm pode ser visualizado na ultrassonografia. A estenose considerada quando a abertura pilrica chega a 14 mm de dimetro. O diagnstico baseia-se no achado de um canal pilrico alongado (que normalmente, consiste em um msculo pequeno, curto), amide com msculo espessado projetando-se para a base do bulbo duodenal. A estenose hipertrfica do piloro pode ser ainda uma condio adquirida (secundrio a uma lcera, por exemplo). Raramente observa-se estenose pilrica no adulto; nesse caso, necessrio diferenciar tal condio do carcinoma antral circunferencial. Varizes gástricas: podem existir simultaneamente com as varizes esofgicas ou ser isoladas, em especial nos casos de trombose da veia espl nica, em que a drenagem espl nica realizada atravs das gstricas curtas e, do, atravs de canais normais para a veia porta. Essas varizes gstricas podem ser confundidas com umtumor gstrico intramural mucoso. Divertículo gástrico: podem ocorrer em todo TGI. No estomago, trata-se de um achado radiolgico ocasional, sem apresentar sintomas importantes. Hérnia de hiato: a juno esofagogstrica normalmente localiza-se abaixo do diafragma. As hrnias tambm podem ser definidas como de deslizamento, paraesofgicas e mistas. No tipo por deslizamento, a juno gastresofgica o principal elemento deslocado no sentido ceflico e, nos casos em que o esfncter esofgico superior est incompetente, teremos quadros repetidos de refluxo. Na hrnia paraesofgica, uma poro do estomago deslocado no sentido ceflico ao longo do esfago normalmente posicionado. A verso mista uma combinao desses dois tipos. Tais descries no t m utilidade clnica, no podendo ser utilizadas com preciso. Existem hrnias de hiato clinicamente significativas, em que todo o estomago observado acima do diafragma. Adenocarcinoma de estomago: no exame radiolgico, este tumor maligno primrio de estomago comea como uma pequena leso, semelhante a uma placa a qual pode ou no ulcerar. Na medida em que o cncer cresce, pode tornar-se polipide e de fcil deteco. Esses carcinomas infiltrativos ou cirrosos t m sido encontrados na poro proximal do estomago em nmero maior do que a forma clssica que envolve a poro distal do estmago. A endoscopia possui limitaes significativas na confirmao do diagnstico, com achados patolgicos positivos em apenas 70% dos casos. Com o tempo, pode invadir o esfago. O resultado pode ser um estmago difusamente envolvido e no-distensvel (“frasco de couro” ou tambm chamado de linite plástica), sem peristalse e de luz reduzida. Ocasionalmente, a neoplasia basicamente ulcerativa, podendo ter aspecto id ntico de uma lcera benigna. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 13 Dilatação gástrica: aumento volumtrico do estomago, geralmente ocasionado por obstrues distais a ele. Bezoar gástrico: a presena de um corpo estranho no digervel dentro do estomago. Pode ser de tricobezoar (presena de cabelo ingerido – sndrome de Rapunzel), que ocorre mais em adolescente que arrancam o cabelo e ingerem, formando um bolo de cabelo no estmago, pois o cabelo no digervel. Bezoar significa corpo estranho no digervel. Temos ainda o litobezoar (pedras), unicobezoar (unha) e fitobezoar (capim). O bezoar obstrui a luz gstrica, preenchendo o estmago todo. O mais comum , de fato, o tricobezoar. Quando o brio administrado, o contraste penetra pouco no meio do bolo de cabelos, o que pode simular uma massa. A peristalse est preservada. A correo cirrgica e deve ser feito acompanhamento psicolgico aps. Doença de Menetrier: uma sndrome de enteropatia perdedora de protena associada a enormes pregas gstricas. Acontece uma hipocloridia (formao do cido clordrico deficiente) associada a uma hipoproteinemia em que ocorre um espessamento das pregas gstricas. Essas pregas envolvem o fundo e o corpo do estomago em vez do antro. Deve ser feito o diagnstico diferencial com o linfoma gstrico. DIAGNSTICO POR IMAGEM DE PATOLOGIAS DO INTESTINO DELGADO Muitas vezes, o achado de massa abdominal ou suspeita de obstruo parcial do intestino delgado levam ao exame radiolgico deste. Outras indicaes so a diarria inexplicada, m-absoro e sangramento intestinal inexplicado. Dor espontnea palpao do abdome tambm justifica um exame do intestino delgado. Normalmente, o jejuno tem uma apar ncia pregueada, j o leo tem uma apar ncia mais lisa. E tem-se como objetivo o estudo do trnsito intestinal. Apendicite: o ap ndice normal normalmente fino e comprido, de fundo cego. Quando inflamado, apresenta-se espessado e com borramento da gordura (a qual fica hipodensa) circunjacente a ele. Ele normal identificado na tomografia multislice e por ultrassonografia. Na ultrassonografia v -se o lquido e o espessamento do ap ndice. Este exame potencialmente dificultoso se o paciente for obeso. Uma espessura de 6 mm do ap ndice j considerada importante. tpica a imagem tomogrfica de “ap ndice em alvo” na apendicite. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 14 DIAGNSTICO POR IMAGEM DE PATOLOGIAS DO INTESTINO GROSSO Os principais motivos para estudar o intestino grosso relacionam-se ao cncer de clon e a doena inflamatria do intestino. O sangramento retal vivo e evid ncias qumicas de produtos de hemoglobina nas fezes so fortes indicaes. Diarria subaguda ou crnica sugere a possibilidade de doena inflamatria do intestino. Doença de Hirschsprung: uma doena cong nita caracterizada pela aus ncia dos plexos autonmicos de Meissner e Auerbach. Deste modo, a peristalse estar alterada na rea acometida e passar a ficar menor ou mais estenosada que a rea relativamente sadia do intestino. Isso faz com que a poro que apresenta plexo se contraia insistentemente de forma que, a longo prazo, dilata-se devido resist ncia nessa zona de transio. A principal caracterstica a diferena sbita entre uma zona dilatada e outra mais estenosada, passvel de visualizao radiolgica quando o contraste administrado. A correo cirrgica. A doena de Chagas deve ser diferenciada desta sndrome por tambm causar destruio dos plexos. Doença de Chron e retocolite ulcerativa: a doena de Chron uma doena inflamatria crnica granulomatosa que pode acometer todo o TGI, da boca at o nus. Nenhum agente etiolgico foi descoberto at o momento. As leses podem ser irregulares com segmentos normais de intestino entre os segmentos com leses. As manifestaes radiolgicas da doena de Chron comeam com ulceraes aftosas, espessamento e distoro da mucosa. Essas alteraes podem evoluir para ulceraes lineares profundas, um padro nodular de mucosa (“em calçada de paralelepípedos”) e, por fim, estenose. Alm disso, podem ocorrer sangramentos mais extensos de envolvimento, assim como fstulas e formao de seios. Deve-se fazer diagnstico diferencial entre a doena de Chron e a colite ulcerativa. Na dvida, faz-se o diagnstico de doena inflamatria do colo. As diferenas entre elas so: A doena de Chron pode se estender da boca at o nus, geralmente, em segmentos salteados; a colite ulcerativa acomete principalmente os colos (apenas), de maneira contnua. No estudo histopatolgico, observa-se que a doena de Chron acomete todas as camadas intestinais, aumentando o risco de fstulas; na retocolite, a mucosa a parte mais acometida, tendendo ulcerao mais do que a formao de fstulas. Intussuscepção ou invaginação intestinal: acontece quando uma ala intestinal entra e invade a luz de outra (podendo mesmo ser uma ala do delgado entrando no colo ascendente). Na criana lactante, comum quando a mesma faz uso de uma dieta que no o leite materno, o que pode alterar a mobilidade peristltica. Em adultos, a invaginao pode ser dar secundrio a um processo neoplsico. Em ambos os casos, acontece uma obstruo intestinal e uma distenso abdominal. A correo cirrgica. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 15 Colite isquêmica: a colite, em geral, é a inflamação do colo, apresentando-se parede espessada e borramento da gordura peritoneal adjacente. Existem várias formas de colite. No caso da colite isquêmica, ocorre um problema na microvasculatura do colo, o que geralmente ocorre com pacientes com aterosclerose difusa ou diabetes. Obstrução intestinal: pode apresentar causas intrínsecas e extrínsecas. O padrão radiológico depende do nível intestinal acometido. Divertículos e diverticulose: como sabemos, a diverticulose pode acometer todo o TGI. Quando são múltiplos divertículos, denomina-se diverticulose. Qualquer bolsa de divertículo pode inflamar,formando a diverticulite (radiologicamente identificada pelo espessamento da parede do divertículo e borramento da gordura circunjacente). O mais comum é que sejam visto no cólon esquerdo, mais precisamente o sigmóide. Geralmente, o paciente reclama de dor na fossa ilíaca esquerda. Volvos de sigmóide: o volvo é uma torção do colo quando um segmento se volta em torno de seu próprio eixo. As porções do TGI que mais sofrem esta torção são o ceco, o sigmóide e o estômago, formando uma torção e obstruindo a passagem, o que acarreta na dilatação da região anterior a torção. Pólipos intestinais: são bainhas de enchimento que podem ser benignos ou adenomatosos. Quando são adenomatosos, são precursores de doenças malignas. Indivíduos com adenomatose familiar, a retirada desses pólipos deve ser preconizada. A síndrome de polipose adenomatosa familiar (SPAF) inclui a polipose crônica familiar, a síndrome de Garnder e a síndrome de Turcot (rara associação de gliomas intracerebrais e pólipos de cólon). Os pólipos podem medir 5 mm ou menos, e ocorrem em todas as porções do cólon. Sangramento retal e diarréia ocorrem em 75% dos casos, mas muitos pacientes são assintomáticos. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 16 Adenocarcinoma: pode acometer qualquer poro do intestino grosso. O plipo com carcinoma dissemina em sua base, ulcera e pode circundar o intestino, obstruindo-o por fim. O diagnstico radiolgico pode ser realizado em qualquer um desses estgios. A TC til para detectar a disseminao aos linfonodos e o fgado, bem como para revelar a extenso local da leso primria. Esse tumor dissemina longitudinalmente e ao redor da luz do intestino, produzindo uma rea alongada de estenose, causando obstruo intestinal. DIAGNSTICO POR IMAGEM DE PATOLOGIAS DO F GADO E VIAS BILIARES FÍGADO Anatomicamente, o fgado irrigado por dois sistemas: (1) 25% do sangue heptico provido pelas artrias hepticas (ramos indiretos do tronco celaco da A. aorta abdominal); (2) 75% do sangue heptico provido pelo sistema porta (unio da V. mesentrica superior e V. espl nica). Contudo, aproximadamente 3/4 do sangue que circula no fgado est dentro da veia porta, a principal via de irrigao heptica. O sistema porta traz sangue oriundo da dieta para sofrer o eficiente metabolismo heptico. Por apresentar uma dupla irrigao, o fgado dificilmente sofre isquemia, pois ao menos um dos segmentos suprido por ramos de segmentos vizinhos. Em casos de uma eventual interrupo do fluxo da veia porta, a A. Heptica tenta suprir mais, ento raramente se tem infarto heptico. A drenagem feita pelas veias hepticas (direita, mdia e esquerda), que desembocam na veia cava inferior. A veia porta um sistema avalvular (diferente da maioria das veias) e, por isso, a presso no sistema porta baixa, em torno de 10 a 12mmHg. Quando essa presso passa de 20mmHg, temos, ento, uma inverso desse fluxo portal. O fgado dividido em lobos direito e esquerdo por uma linha que passa aproximadamente na altura da veia heptica mdia e do leito da vescula biliar. A veia porta divide ainda o lobo esquerdo do fgado em segmentos lateral e medial, e o direito, em segmentos anterior e posterior. Tem-se o lobo caudado, mais posteriormente, o qual independente dos lobos direito e esquerdo; ele visto prontamente e considerado o segmento 1 do fgado. Ele no entra na diviso do radiologista, por ser identificado facilmente. Os demais segmentos so localizados partir dos cortes tomogrficos do fgado, com contraste. V -se a veia porta entrando e, desta forma, observam-se os cortes que esto acima (7, 8, 4 e 2) e os que esto abaixo dela (6, 5, 4b e 3). Devemos, ento, localizar as veias hepticas: faz-se um traado para dividi-las (esquerda, mdia e direita). Elas so traadas no sentido vertical/longitudinal e a veia porta, no sentido transversal. Se o segmento estiver acima da veia porta, distribui-se a partir dos segmentos 4 (a e b) em sentido anti-horrio (2, 3, 4b – j identificado, 5, 6, 7 e 8). Toda vez que se acha um ndulo heptico, utiliza-se esta numerao para localizar o segmento no qual ele se encontra. Para facilitar cirurgias minimamente invasoras (o par nquima heptico se regenera, mas, quanto menos ele for retirado, melhor para o paciente) e at para facilitar uma bipsia por mtodos de imagem (por ultra-sonografia, TC ou ressonncia). Entretanto, no possvel determinar todas as vezes a localizao das leses, pois elas podem no respeitar essa segmentao. Assim, determinamos em qual lobo ela est (quando o ndulo uma massa muito grande) ou, caso ele esteja na transio de dois segmentos, coloca-se “segmento 5/6”, por exemplo. A segmentao tambm importante para que o radiologista possa acompanhar a progresso da leso (se ele est aumentado, se continua anecico – perfil negro no exame radiolgico – ou se ele infectou, por exemplo). Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 17 Cisto Hepático: Trata-se de uma leso heptica focal, incidentalmente, corresponde a segunda leso benigna heptica mais comum. Pode ocorrer solitrio ou em formas mltiplas. mais comum em pessoas do sexo feminino e, sua taxa de incid ncia, maior de acordo com a idade. Geralmente, o portador de cisto heptico no apresenta sintomas. Na maioria das vezes, associado ao cisto heptico ocorrem esclerose tuberosa e rins policsticos. Na ultra-sonografia, o cisto simples uma estrutura aneicog nica (escura) ou sem eco interno, com bordas ntidas, parede imperceptvel e reverberao do feixe sonoro. Neste exame de imagem, ocorrer uma maior dificuldade em detalhar a localizao do cisto, pois, principalmente em idosos, ao pedir para o paciente inspirar e ficar em apneia (o diafragma ir baixar e o fgado ser visto por completo), muitas vezes, no consegue ficar apneico por muito tempo. A imagem do cisto na ultrassonografia anecoica. Como o feixe passa livremente sem produzir nenhum eco, a primeira superfcie que ele encontra, tem-se uma resist ncia, passando a emitir mais eco, o chamado reforo acstico posterior (parte mais clara, por traz do cisto) – logo aps a imagem anecoica. Se o cisto for muito pequeno, menor que 1 cm, ele no d quase nenhum reforo, mas uma linha discreta. Se, por meio da ultra-sonografia, o radiologista confirmar a presena do cisto, aconselha-se o uso de Doppler para avaliar movimento/fluxo sanguneo (os cistos no apresentam vasos sanguneos). As suas paredes podem calcificar, mas sua parte interior, no (a no ser que ele tenha septo, deixando de ser um cisto simples). Na TC, apresenta aspecto tpico de uma leso bem-definida com densidade da gua, hipoatenuante, sem parede perceptvel e sem realce ao contraste. A densidade pode ser medida se compararmos com a da vescula biliar normal. As imagens tardias no devem mostrar realce ao contraste ou alteraes na densidade, quando comparadas s imagens sem contraste. A RM revela leso com hipossinal homog neo nas imagens ponderadas em T1 e leso com hipersinal nas imagens ponderadas em T2. OBS8: Os cistos so uma das leses benignas que mais acometem, no s no fgado, mas vrios rgos. Estes so colees lquidas revestidas por epitlio verdadeiro (se no houver epitlio verdadeiro, um pseudocisto, como o cisto pancretico - coleo lquida revestida por fibrose, delimitada por rgos adjacentes ou qualquer outra coisa que no seja revestida por epitlio verdadeiro). Os cistos podem aparecer no fgado (segunda leso heptica benigna mais comum, atrs apenas do hemangioma), ovrio, bao, pncreas ou nos rins. E o aspecto o mesmo em qualquer destes lugares. O tamanho do cisto importante, pois, quanto maior for ele, maior o risco de complicaes (sangramento, infeco ourompimento). Em geral, cistos maiores que 5 cm so considerados de alto risco para essas complicaes. Cisto hidático: define-se por cistos complexos como sendo colees lquidas revestidas por epitlio, mas que podem apresentar em seu interior calcificaes, septos, vegetaes, ou seja, reas slidas. No fgado, o cisto complexo mais comum o cisto hidtico (ou equinococcio), cuja fisiopatologia dada a partir de uma infeco por Echinococcus granulosus. A hidatidose uma infeco parasitria que pode gerar cistos em outros locais (bao, pncreas), mas h uma predileo heptica. O cisto hidtico septado, tem vrios septos (cistos finos). O nome “hidtico” vem do termo hidátide, isto , como se fosse um cacho de uvas (cisto me e seus cistos filhos, mas todos em um s), aspecto mais caracterizado na ultra-sonografia. Na TC no possvel observ-los com tantos detalhes, mas identifica-se vrios pequenos cistos agrupados. Como qualquer outro cisto, no capta contraste. Hemangioma: Constitui a leso heptica benigna mais comum. O hemangioma o tumor vascular benigno mais comum no fgado, caracterizada por apresentar vrios capilares tortuosos, dilatados, por onde o sangue flui mais lentamente. Pode ser solitrio ou mltiplo (10%). 80% por cento dos casos ocorrem em mulheres e a incid ncia avana de acordo com a idade. Contudo, so, em geral, assintomticos. A localizao mais comum no segmento posterior do lobo direito heptico. Muitas vezes, so subcapsulares ou perifricos. O aspecto na ultrassonografia uma leso hiperecica, bem-definida, arredondada e homog nea. Quanto maior a leso, maior ser a chance de que a mesma seja heterog nea com reas de degenerao. O fluxo lento nos canais vasculares no detectado no Doopler colorido. Os hemangiomas tpicos so ecog nicos, bem brilhantes. Para Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 18 a prova de ttulo, decora-se que o hemangioma mais claro (ecog nico) quando o paciente est deitado. Mas, se o paciente levantar, por ocorrer um esvaziamento nesses capilares, ele passa a ser mais escuro (hipoecog nico). Na TC sem contraste, o hemangioma costuma ser bem circunscrito e de baixa densidade. O aspecto tpico, aps a administrao de contraste, o realce nodular perifrico inicial (igual ao dos vasos) com enchimento quase completo nas imagens tardias. No fgado o fluxo normal e nele, muito lento, uma vez que os capilares so dilatados e tortuosos, de forma que o contraste inicie se espalhando pelas suas margens e, lentamente, vai ganhando o centro do hemangioma. Portanto, ele vai adquirindo esse realce nodular da periferia para o centro at fechar, sendo facilmente detectado em tomadas sequenciais de TC. Tem que se fazer cortes tardios depois que se injeta o contraste, at que o hemangioma se apresente isodenso com relao ao fgado. A RM til para as leses com menos de 2 cm e para aquelas atpicas na TC. Os hemangiomas so bem- definidos, homog neos e acentuadamente hiperintensos nas imagens ponderadas em T2, ocorrendo realce da periferia para o centro quando se injeta gadolnio. OBS9: Para o estudo contrastado do abdome, no que tange e diz respeito s leses hepticas, principalmente, devemos administrar contraste e captar as imagens em fases distintas. Estas fases so importantes para se estudar o comportamento hemodinmico das leses: Fase pr-contraste: a imagem captada antes da administrao do contraste. Determina o nvel da leso, o que facilita o posicionamento do corte na rea da leso que se quer estudar; Fase arterial: a imagem captada cerca de 20 - 30 segundos aps a injeo do contraste, dependendo da quantidade de contraste que injetada e da velocidade com que se faz isso, dentro do protocolo especfico. Nela se observam os ndulos focais; Portal ou venosa: a imagem captada em torno de 60 a 70 segundos depois da fase pr-contraste; Tardias: podem ser com 2 min - 2 min30segundos depois da fase pr-contraste. Hiperplasia Nodular Focal: A hiperplasia nodular focal, assim como os hemangiomas, mais comum em mulheres (quase todas as leses benignas do fgado so mais comuns em mulheres e as malignas, em homens). Esta diferenciao de incid ncia est ligada diretamente ao ato de etilismo. A hiperplasia formada pelo mesmo tecido do par nquima heptico, ou seja, simplesmente uma rea do par nquima heptico que est encapsulada e forma uma leso nodular. Na TC, aps a administrao de contraste endovenoso, mostra-se como uma leso hipoatenuante a isoatenuante. Isso ocorre porque trata-se de uma leso constituda por par nquima heptico (por ser tambm constitudo de hepatcitos e clulas de Kupffer, mas organizados de forma diferente), apresentando uma captao praticamente igual deste par nquima. Seu comportamento hemodinmico tambm ser id ntico ao do par nquima heptico. Geralmente, tambm costuma ter uma cicatriz central estrelada, fibrtica, caracterizando a hiperplasia nodular focal típica. Essa cicatriz relatada em cerca de 30% das hiperplasias nodulares focais e facilitam o diagnstico. A cicatriz estrelada central tambm existe em um tipo de carcinoma, uma variao do carcinoma hepatocelular, o carcinoma fibrolamelar. Porm, o comportamento hemodinmico deste no semelhante ao do par nquima heptico, ele vido por sangue (por ser um carcinoma). Isso indica que na fase arterial ele capta muito contraste, mais do que o fgado. Os carcinomas hepticos geralmente recebem suprimento sanguneo da artria heptica. Necessitando, pois, de muita glicose, pois crescem rapidamente. Ocorre ainda o “wash-out”, ou seja, recebe o sangue rpido e lava rpido para obter mais sangue (o que tambm promove a sada rpida de contraste). Na fase arterial, fica hiperdenso em relao ao fgado e, na fase portal, hipodenso. Na dvida em relao cicatriz central, ou se pede a bipsia, ou um novo exame, uma ressonncia magntica. Nesta, a cicatriz central da hiperplasia nodular focal hipointensa em T2 e hiperintensa em T1. A cicatriz do carcinoma fibrolamelar hipointensa em T1 e hiperintensa em T2. Mas, de forma geral, na tomografia, pelo prprio comportamento hemodinmico, j possvel dar o diagnstico diferencial. Em alguns casos, dependendo da localizao da leso, j se pode indicar bipsia. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 19 Carcinoma Hepatocelular (hepatoma): o carcinoma mais comum do fgado e est relacionado com as doenas hepticas crnicas (de fato, toda hepatopatia crnica favorece o desenvolvimento de um carcinoma hepatocelular). Como todo carcinoma, apresenta alto ndice de mitose e, portanto, grande aporte sanguneo (oriundo da artria heptica). Injeta-se o contraste e 20 segundos depois se fazem os cortes, j na fase arterial (fase em que este carcinoma capta mais contraste), de forma que a leso se destaca antes mesmo do par nquima heptico. Depois disso, h o fenomeno wash-out, de forma que o contraste gradativamente retirado da leso e, na fase portal (ou venosa), a leso j esta hipoatenuante. Esta , portanto, a principal caracterstica radiolgica do carcinoma hepatocelular: captao de contraste irregular, precoce e de rpido wash-out. um ndulo mais indefinido e feio, que no tem limites precisos. Geralmente uma leso nica, mas pode acometer o fgado na forma de uma leso focal, infiltrativa difusa ou multifocal. Quando h mltiplos ndulos, pensa- se em metstases. Porm, a maioria das metstases hepticas pouco vascularizada, apesar de serem malignas, uma vez que no t m capacidade de captar precocemente na fase arterial. Quando se v muitos ndulos com captao precoce sugere, entre as possibilidades, carcinoma com mltiplos focos e tambm no se pode excluir a probabilidade de metstases. O carcinoma fibrolamelarno tem relao com hepatopatias crnicas. Costuma-se desenvolver em pessoas mais jovens, s vezes apresenta a cicatriz central por necrose e, geralmente, no est associado com o aumento da α- fetoprotena, diferentemente do carcinoma hepatocelular.O contraste usado para o fgado o iodo intravenoso, que pode ser o inico ou o no-inico. Os cistos tambm ficam hipodensos, mas eles ainda captam um pouco. Se for medir na fase pr e ps-contraste a captao ser maior que 15UH. Linfoma: so mltiplos ndulos hipoatenuantes que captam pouco contraste. Apresenta as mesmas caractersticas radiolgicas das metstases. Podem apresentar uma forma difusa infiltrativa ou simples, na forma de uma nica leso. Ser necessrio a bipsia ou a histria clnica para diferenciar o linfoma de achados como metstases. Abscesso hepático: caracteriza outra leso focal do fgado. Este e o hematoma so denominados colees, porque os aspectos radiolgicos so muito semelhantes, mas o que realmente ajuda a distingui-las a clnica. So leses hipoatenuantes, contudo, so mais bem definidas que o hepatoma. Muitas vezes apresenta septos em seu interior e, com a administrao de contraste, apenas a cpsula e os septos so realados. O paciente com abscesso apresentar queixas de febre e, no exame laboratorial, ocorrer a leucocitose. Do ponto de vista de agravamento do estado geral, o abscesso heptico apresenta uma proped utica mais grave do que o hematoma. No comeo, as colees so hipodensas com septos irregulares em seu interior e, apesar de ser um cisto complexo, no so como na hidatidose, a qual possui septos separando-o como se fossem vrios cistos. Quando se coloca o meio de contraste, se for um hematoma, dentro se tem sangue, mas, se for um abscesso, encontra-se pus. No abscesso h um processo infeccioso inflamatrio muito grande ao seu redor, que captado pelos septos e pela periferia. Quando no h histria clnica de febre e leucocitose, prefervel dizer que se tem uma “coleo heptica”, sem especificar se a leso um abscesso ou hematoma. Se for um hematoma, necessrio dren-lo para que ele no evolua para um abscesso. O tratamento do abscesso um pouco controverso. Alguns fazem somente antibiticoterapia e depois drenam (drenagem percutnea ou cirrgica). Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 20 Cirrose: caracteriza uma leso heptica difusa, que pode acometer todo o par nquima heptico. Corresponde a uma entidade clinica grave, na qual demarcada do ponto de vista histolgico por apresentar reas de fibrose, destruio do par nquima heptico (tpico de uma hepatopatia crnica), reduo do volume heptico (com aumento discreto do lobo caudado e do lobo esquerdo). medida que ocorre fibrose, o fgado sofre atrofia e fica com contornos irregulares, pois, ao mesmo tempo em que ele est sendo destrudos, os ndulos de regenerao so formados (o par nquima apresenta tend ncia a regenerar o tecido heptico). Essa atrofia tende a ocorrer mais no lobo direito, preservando mais os lobos caudado e esquerdo; mas pode ser uma atrofia difusa. Os sinais de cirrose heptica na TC e no USG so reduo no tamanho do lobo direito do fgado ou irregularidade da superfcie heptica, junto com esplenomegalia ao ultrassom, a textura heptica pode estar difusamente anormal; TC o par nquima parece normal at que a doena se encontre avanada. Na TC ou US normais, no se exclui a cirrose heptica, uma vez que a cirrose pode est em sua fase inicial, na qual causa alteraes funcionais. Alteraes morfolgicas s so detectadas em uma cirrose um pouco mais avanada. H outros achados alm do fgado que podem indicar um paciente cirrtico: ascite, varizes (como as umbilicais, gstricas, espleno-renais ou do plexo hemorroidrio; por causa da hipertenso portal), transformao do fluxo ou trombose da veia porta (seu fluxo est sendo invertido e se formam vasos tortuosos ao seu redor, como se fossem colaterais, para poder suprir o par nquima heptico). Na US, o fgado cirrtico aparece com uma textura bem heterog nea, bem grosseira e contornos lobulados (serrilhados). H dificuldade para identific-lo neste exame porque esse tipo de fgado tem maior propenso a desenvolver carcinoma hepatocelular e a sensibilidade da tomografia maior para detectar os ndulos pequenos e diferenci-los de ndulos de regenerao e malignos. Esteatose hepática: uma leso heptica difusa comum em pacientes com dislipidemia, sobrepeso ou obesos, diabticos e etilistas. Esteatose a infiltrao gordurosa no fgado, que pode ser difusa (mais comum) ou focal. A gordura hipoatenuante (escura) na TC, como o tecido celular subcutneo (isso ocorre porque ela tem um metabolismo baixo, no precisa de muito sangue). Ento, o fgado vai ficar mais escuro que o normal (mas no vai ficar da cor da gordura, pois ele no completamente substitudo), bem mais escuro que o bao. A esteatose heptica generalizada acomete todo o fgado, diferentemente da esteatose focal, que mais localizada. Neste caso, devemos comparar a textura do fgado com a do bao, pois normalmente so iguais. O tratamento da esteatose varia de acordo com a causa. Se ela for originada por etilismo, que s vezes estoca at as enzimas hepticas, o paciente deve parar de beber. Se for um obeso, ele ter que fazer uma dieta. Em caso de dislipidemia, tem que tratar, fazer controle com estatinas. J os diabticos devem controlar a glicemia. Essa doena pode regredir total ou parcialmente. O mais importante identificar se ela est afetando a funo heptica (dosam-se as enzimas de funo heptica – ALT, AST, fosfatase alcalina) e fazer o tratamento, para impedir que ela evolua para uma hepatopatia crnica. Na ultra-sonografia, a esteatose aparece mais brilhante, mais clara, uma vez que a gordura hiperecog nica. Neste caso, deve-se comparar com o bao ou com o rim. No necessria uma ressonncia para se diagnosticar a esteatose, principalmente se ela for difusa, mas ela possui mais recursos (em T1, a gordura brilha, aparece mais clara; pode-se suprimir a gordura para ter certeza). A ressonncia em abdome oferece mais detalhes, mas na maioria dos casos a tomografia pode resolver. Assim, a ressonncia fica reservada para casos de dvida. A esteatose diminui a atenuao do fgado porque infiltra gordura. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 21 Esteatose hepática focal: a infiltração gordurosa focal é mais comum no lobo direito do fígado, sendo associada à obesidade, consumo excessivo de álcool, uso de esteróides e à hiperalimentação. Na US, surge como uma área de ecogenicidade aumentada em distribuição segmentar ou lobar. As margens são anguladas e não há efeito expansivo sobre os vasos adjacentes. A TC revela uma área focal de hiperatenuação (isoatenuante quando comparado ao baço), isto é, mais clara que a porção hepática tomada pela gordura. As áreas típicas ocorrem adjacentes ao ligamento falciforme ou na fossa da vesícula biliar. Também é possível observar áreas poupadas da infiltração gordurosa, as quais podem causar pseudomassas, e sua ocorrência sempre deve ser considerada nos pacientes com esteatose hepática. As áreas são hipoecóicas na US e hiperdensas na TC. Os locais característicos são o lobo caudado, as regiões periportal e adjacentes vesícula biliar. Hemocromatose: corresponde a deposição de ferro no parênquima hepático. Diferentemente da gordura, que diminui a atenuação hepática, o fígado com hemocromatose ficará hiperatenuante (mais claro) em relação ao baço. Tem-se a hemocromatose primária (causado por um erro inato do metabolismo, o qual começa a depositar mais ferro no tecido) e a secundária (é resultante de hemólise exagerada e o ferro da hemoglobina fica em excesso no sangue e passa a se depositar em alguns órgãos). TromboseVenosa portal: trombose é quando ocorre a formação de trombo na V. Porta, observando uma falha de enchimento neste sistema. Costuma ocorrer secundária a quadros carcinomatosos (tumores que embolizam ou que invadem a veia porta), por hepatopatia crônica (que dá um fluxo lento), por coagulopatias ou por uso de anticoncepcionais. Após o contraste, têm-se as fases já descritas (arterial, portal e tardia). Verifica- se a veia porta na fase portal, porque na fase arterial, quando injetar o contraste, ele pode estar começando a chegar à veia porta e dar uma falha de enchimento na mesma. Se ocorrer uma falha de enchimento na veia porta, indica a presença do trombo dentro dela. Dificilmente pode causar infarto, uma vez que a artéria hepática passa a dar um suprimento maior nesses casos. VIAS BILIARES As células hepáticas produzem a bile, a qual irá sair pelas vias biliares intra-hepáticas até chegar aos ductos hepáticos (esquerdo e direito) que se juntam e formam o ducto hepático comum. A partir da confluência do ducto cístico, ele vira ducto biliar comum ou colédoco. A bile é armazenada na vesícula biliar e quando ela é necessária (geralmente no período pós-alimentação, principalmente após ingestão de comidas gordurosas), esvazia-se e segue pelo colédoco, desembocando na 2ª porção do duodeno através da ampola de Vater (sendo o fluxo controlado pelo esfíncter de Oddi). O ducto pancreático principal (ducto de Wirsung) une-se ao trato biliar pouco antes da ampola de Vater. O ducto de Santorini (ducto pancreático acessório) desemboca na papila menor. Contudo, existe uma enorme variação nas desembocaduras dos ductos pancreáticos e biliares. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 22 O duodeno envolve a cabea do pncreas e tem quatro pores: o bulbo (1 poro), ala descendente (2 poro), ala transversa (3 poro) e ala ascendente (4 poro). Esta ltima termina no ligamento de Treitz, o qual delimita o TGI alto do TGI baixo. O ducto biliar comum pode chegar a at 4 mm em pacientes at 40 anos; partir de 50 anos, 5 mm; 60 anos, 6mm; 70 anos, 7mm; e assim sucessivamente. Em pacientes colecistectomizados, ele pode ter o calibre um pouco maior, chegando a atingir 1 cm. Colelitíase: colelitase significa dizer que h clculos na vescula biliar. Cerca de 20% destes clculos apresentam-se com radiopacidade (aparecem nas radiografias simples e na tomografia computadorizada) e a maioria, constituda por colesterol, radiotransparente. A avaliao desses clculos feita, principalmente, por US (mtodo mais barato), colangioressonncia magntica (no invasivo, mas caro) e colangiopancreatografia endoscpica retrgrada (mesmo sendo um exame invasivo, facilita a visualizao direta das vias biliares). A colangioressonncia no injeta contraste no paciente, usa uma sequ ncia super pesada em T2, que valoriza todos os lquidos estacionrios/de fluxo lento, como a bile, e suprime as outras imagens. Desta forma, ela fornece o desenho das vias biliares. A colangiopancreatografia endoscpica retrgrada , como o nome j diz, endoscpica, pois o endoscpio vai at a ampola de Vater, a qual cateterizada e, assim, o contraste iodado injetado nas vias biliares e pancreticas; e retrgrada, porque o contrate injetado do final para o comeo desses vias. De todos esses, o mais simples, barato e disponvel a ultra-sonografia. A US permite a visualizao de praticamente 100% dos clculos de vescula biliar. De fato, o ultrassom capaz de identificar bem todos os clculos, sejam eles renais e de colesterol (das vias biliares). Os clculos aparecem bem ecog nicos (esbranquiados) e com uma sombra acstica posterior caracterstica. O feixe sonoro quando bate nos clculos todo refletido (fazendo com que os clculos ficam hiperecog nicos) e, atrs deles, como o som no passou eficazmente, aparece uma sombra radiada. Em casos em que o clculo no identificado, pode-se pedir uma colangiorressonncia. A vantagem da colangiopancreatografia retrgrada endoscpica (CPRE) pode ser apontada quando se tem um clculo residual, que na papilotomia j retirado. Porm ela invasiva. Portanto, devemos comear por exames mais simples e, quando necessrio, partir para os mais complexos. A colelitase uma causa muito grande da colecistite, que uma inflamao da colelitase. Na colecistite simples, v -se ou somente os clculos, um espessamento da parede da vescula biliar (seu normal de 3 a 4mm, passando disso ela est espessada) ou um lquido no teto vesicular (colecistite aguda litisica – mais comum e mais simples). Colecistite enfisematosa: ocorre principalmente em pacientes diabticos e idosos. uma inflamao biliar na qual h microorganismos produtores de gs, o qual pode ficar restrito parede da vescula ou pode ir para o seu interior. O gs, como sabemos, interfere negativamente no ultrassom. Ento, nesse exame, v - se algo ecog nico, que o gs, seguido de uma sombra suja (chamada de sombra em cauda de cometa), fenmeno conhecido como reverberao do ultrassom. A tomografia o exame que avalia bem o gs, em que se v a parede da vescula espessada e o gs dentro dela ou em sua parede (aparecendo mais escuro que a prpria gordura subcutnea). A colecistite enfisematosa rende muito mais complicaes que a colecistite aguda, tendendo muito a perdurar e a formar abscesso heptico. Vesícula Biliar em porcelana: consiste na calcificao da parede da vescula biliar (algumas vezes, existe clculo dentro dela). Em geral, resultante de inflamaes crnicas. Na radiografia simples, v -se a parede da vescula calcificada. No US, v -se, alm da calcificao da parede, a sombra acstica posterior A vescula biliar em porcelana muito associada ao carcinoma de vescula biliar. Ento, nesse caso, a colecistectomia recomendada, mesmo que ela seja assintomtica. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 23 Coledocolitíase: clculo no ducto coldoco. Pode ser identificada por meio da ultrassonografia. Doença de Caroli: dilatao sacular das vias biliares intra-hepticas. Na TC, v em-se dilataes saculares caracterizados por pequenos pontos conc ntricos (“sinal do ponto”) que correspondem s estruturas vasculares dentro das dilataes das vias biliares. Na CPRE, observa-se a dilatao clara das vias biliares. Pode ocorrer associada a uma fibrose periportal intensa que caracteriza a Síndrome de Caroli. A doena de Caroli favorece a colangite de repetio, pois a bile fica em estase, devido s dilataes, o que favorece a infeco. Toda patologia que favorece colangite de repetio/crnica favorece o surgimento do carcinoma de vias biliares, que o colangiocarcinoma. Colangiocarcinoma: trata-se do carcinoma das vias biliares. Pode ocorrer em vrios locais (no coldoco, no ducto cstico, nas vias biliares intra-hepticas). O tumor de Klatinsk um colangiocarcinoma que se desenvolve na conflu ncia dos ductos hepticos. O prognstico, em geral, ruim, pois, a no ser que eles se desenvolvam no coldoco ou na conflu ncia dos ductos hepticos para ocasionar logo uma ictercia, sero silenciosos por muito tempo. Assim, no momento do diagnstico, eles estaro grandes. Seu diagnstico histolgico de difcil distino, pois pode ser confundido com o carcinoma hepatocelular. Contudo, pode ser diferenciado do hepatoma pela administrao de contraste: ambos os tumores captam bem o contraste na fase arterial, contudo, o colangiocarcinoma no tem o fenmeno de wash-out na fase venosa (como tem o hepatoma), mas ao contrrio, o efeito do contraste tende a aumentar medida que passam as fases. O colangiocarcinoma tem, portanto, um realce precoce, sustentado e irregular. Carcinoma de Vesícula Biliar: apresenta-se simplesmente como um plipo aderido parede que mede 5 mm.No caso do US, no h sombra acstica posterior. Deve-se girar o paciente para avaliar se no nenhum fragmento cstico aderido; se for mvel, j predispe a favor de um carcinoma de vescula biliar. A partir de 1 cm, considera-o maligno at que se prove o contrrio, tendo que fazer a colecistectomia. Se ele for menor que 1 cm, pode-se ficar apenas acompanhando o caso. Na TC, observa-se uma massa dentro da vescula biliar que capta contraste da mesma forma do colangiocarcinoma. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 24 DIAGNSTICO POR IMAGEM DE PATOLOGIAS DO PNCREAS Anatomicamente, o pâncreas tem cinco partes: o processo uncinado, a cabeça, o colo, o corpo e a cauda. A glândula diminui de tamanho com a idade, freqüentemente aumentando, cada vez mais, a substituição por gordura. O ducto pancreático pode ser visualizado na USG de alta resolução ou TC com cortes. O pâncreas não tem uma cápsula distinta e, por isso, inflamação e neoplasias podem infiltrar prontamente os tecidos peripancreáticos. O pâncreas localiza-se no espaço pararrenal anterior do retroperitônio. É limitado pelo segmento descendente do duodeno à direita, pelo estômago e omento anteriormente, bem como pela veia esplênica, aorta e corpo vertebral posteriormente. O lobo esquerdo do fígado pode servir como uma janela ultrassonográfica anterior. A cabeça do pâncreas envolve a junção da veia mesentérica superior e veia esplênica. A artéria mesentérica superior situa-se à esquerda da veia, posterior ao colo da glândula. A cauda do pâncreas é, amiúde, discretamente superior à cabeça, intimamente relacionada ao hilo esplênico. O pâncreas normal não pode ser visibilizado nas radiografias simples de abdome. Esse exame é útil no achado de calcificações pancreáticas e de gás nos abscessos pancreáticos. A USG pancreática é particularmente satisfatória no exame da cabeça e do corpo da glândula, entretanto, o gás intestinal costuma obscurecer a cauda. A USG intraoperatória é útil na localização de pequenas massas. A TC fornece imagens de toda a glândula e de sua relação com outras estruturas. A TC é a melhor modalidade para a avaliação da pancreatite e câncer do pâncreas. A CPRE não é útil na visualização do ducto pancreático. A colangiopancreatografia com ressonância magnética (CPRM) é a melhor modalidade para a avaliação da pancreatite e do câncer de pâncreas. Hoje em dia, a RM é utilizada resolver problemas diagnósticos e localizar pequenos tumores das ilhotas. Pâncreas anular: o pâncreas é o produto da fusão do pâncreas dorsal e seu ducto (de Santorini) com o pâncreas ventral e seu ducto (de Wirsung). O ducto pancreático principal (ducto de Wirsung) e o colédoco, em geral, juntam-se e formam um canal comum na papila principal (papila de Vater). A porção distal do ducto pancreático dorsal (Santorini), que na vida embrionária desemboca na papila menor do duodeno, geralmente é atrésica no nascimento. O pâncreas anular ocorre quando os segmentos pancreáticos dorsal e ventral não sofrem rotação nem fusão. O resultado é um anel de tecido pancreático que circunda a segunda porção do duodeno, condição que pode ser assintomática, mas que pode estreitar a luz e causar obstrução duodenal parcial ou completa. É facilmente visível do EED. Na radiografia simples, observa-se o sinal de dupla bolha, em alusão à bolha gástrica e à bolha do duodeno dilatada. Pancreatite Aguda: a TC serve apenas para detecção de complicações da própria pancreatite aguda, uma vez que o diagnóstico da pancreatite aguda se dá por meio da clínica. Laboratorialmente, ocorrerá amilase elevada. Na semiologia, há dor abdominal em barra, febre, amilase elevada. Na TC, ocorre o borramento da gordura peripancreática, pâncreas aumentado de volume e com atenuação reduzida (apresenta-se escurecido). Em alguns casos, pode ocorrer lesões necróticas dentro do parênquima pancreático. A pancreatite aguda pode ser resultante de várias causas. A coledocolitíase (pancreatite associada a cálculos biliares) é a principal causa da pancreatite aguda. A pancreatite associada a cálculos biliares precisa ser descartada, porque é uma condição que pode ser corrigida. Outras causas de pancreatite aguda são traumatismo, drogas, úlcera péptica, vírus e causas hereditárias. O estudo de imagem é utilizado para determinar o prognóstico e identificar complicações. A TC, a modalidade de imagem tipicamente utilizada, é normal em um terço dos casos. Na TC, os achados de pancreatite incluem aumento pancreático, densidade reduzida devido a edema, coleções líquidas intrapancreáticas e borramento das margens da glândula devido à infiltração aquosa da inflamação (a gordura fica hipodensa). A US é utilizada para o acompanhamento dos pseudocistos pancreáticos. Em apenas um terço dos casos de pancreatite aguda, a US apresenta resultados anormais, em que a ecogenicidade do pâncreas é inferior à do fígado. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 25 Pancreatite Crônica: nesse caso, se observa ducto pancreático principal (de Wirsung) dilatado, e alguns casos calcificações em todo o pâncreas. O alcoolismo é a principal causa da pancreatite crônica, enquanto que da aguda é cálculo biliar (explicado a partir da obstrução do colédoco, daí que o pâncreas não elimina sua secreção pancreática e, a enzima inibitória deixa de ser responsivo, ocorrendo digestão protéica pancreática). Pseudocisto pancreático: trata-se de uma complicação da pancreatite aguda e crônica. A secreção pancreática vai sendo eliminada, destrói o tecido pancreático e deposita sobre o retroperitônio; o organismo reage formando uma cápsula que encista esta neoformação (forma tipo um cisto com secreção, caso seja submetido à punção, ocorrerá a presença de amilase pancreática). O cisto geralmente é próximo ao pâncreas, adjacente ao pâncreas, mas teoricamente ele já foi descrito até um pouco afastado do pâncreas. A nomenclatura pseudocisto se deve ao fato de este cisto não apresentar o revestimento epitelial, ou seja, ele é revestido por uma cápsula sem revestimento epitelial. Adenocarcinoma pancreático: o adenocarcinoma do ducto pancreático é responsável por 95% dos tumores malignos do pâncreas. Apresenta-se como uma massa que capta muito contraste (principalmente na fase arterial) e dilatação das vias biliares a montante desta massa. Esse tumor tem prognóstico sombrio, porque costuma encontrar-se em estágio avançado por ocasião do diagnóstico. O tumor pode ser detectado pela US pancreática. Os tumores na cabeça ou processo uncinado (60% a 70%) podem ser bem pequenos, mas podem invadir o colédoco, provocando icterícia. Os tumores no corpo e cauda desenvolvem-se sem sintomas, até que fiquem grandes, quando, então, causam dor, à medida que envolvem os nervos parapancreáticos, Os sinais secundários de câncer pancreático na TC incluem a atrofia da porção distal da glândula, dilatação regular do ducto pancreático e dilatação do ducto biliar e do ducto pancreático principal (sinal do "duplo ducto"). Nos casos difíceis, pode ser necessária a realização de biópsia, para diferenciar a neoplasia pancreática da pancreatite focal. Noventa por cento dos adenocarcinomas pancreáticos não são passíveis de ressecção. A TC é útil para evitar a realização desnecessária do procedimento de Whipple (ressecção da porção distal do estômago, duodeno e parte ou todo o pâncreas). Qualquer um dos seguintes achados constituem sinais, na TC, de impossibilidade de ressecção: metástases hepáticas, ascite, extensão local (exceto o duodeno), envolvimento arterial, oclusão venosa e aumento dos linfo nodos distantes. Os tumores das células das ilhotas do pâncreas podem ser funcionantes ou não-funcionantes; se forem não-funcionantes, o paciente apresentará sintomas relacionados à lesão expansiva. O insulinoma é o tumor mais comum das células das ilhotas,responsável por 60% dos casos. Os pacientes com gastrinomas (20% dos rumores das células das ilhotas) apresentam a síndrorne de Zollinger-Ellison ou úlcera péptica. Os tumores funcionantes têm tipicamente menos de 4 cm e são hipervasculares na angiografia e durante a fase arterial da TC dinâmica. Neoplasia cística: podem ser benignas (cistoadenoma mucinoso ou seroso) ou malignas (cistoadenocarcinoma). Ao invés de encontrar uma massa que capta contraste, observamos uma massa predominantemente cística. Deve-se suspeitar de abscesso no paciente febril. Poderá ser necessária a aspiração da coleção líquida suspeita, se não houver gás na coleção, para sugerir o diagnóstico de abscesso. As neoplasias císticas são mais comuns no corpo e na cauda do pâncreas, ao contrário do adenocarcinoma (comum na cabeça do pâncreas). Os cistos verdadeiros ocorrem em 10% dos pacientes com doença renal policística autossômica dominante e em 30% daqueles com a síndrome de Hippel-Lindau. Traumatismo pancreático: a pancreatite, traumatismo, contusão e pseudocisto podem ocorrer como conseqüência de contusão ou traumatismo penetrante no abdome. Os achados na TC de fratura do pâncreas incluem uma fenda (em geral, na junção do corpo e da cauda), líquido entre a veia esplênica e o parênquima pancreático, bem como líquido jntraperitoneal. O traumatismo (acidental ou proposital) é a causa mais comum de pancreatite nas crianças. Algumas vezes aparecem as contusões ou lacerações dentro do parênquima hepático e o restante do parênquima capta o contraste e essa área afetada não capta contraste, pode haver hemorragia retroperitoneal com isso. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 26 OBS10: O órgão mais comumente atingido por traumas contusos é o baço, logo seguido pelo fígado. O pâncreas, ao contrário, é o menos atingido por ser um órgão retroperitoneal. DIAGNSTICO POR IMAGEM DE PATOLOGIAS DO BAO Baço acessório: por vezes, além do próprio baço de localização normal, também pode ocorrer a presença de um baço acessório. Clinicamente, não se observa nenhuma alteração sintomatológica. Porém, caso o paciente seja submetido a uma esplenectomia, o cirurgião deverá ser informado que há a chance de que se tenha um baço acessório, pois, do contrario o baço acessório em vigência de uma retirada total do baço normal pode hipertrofiar e adotando as mesmas funções do baço retirado inicialmente. Cisto esplênico: cisto é passível de se encontrar em qualquer lugar. Na US apresenta-se anecogênico, com um reforço acústico posterior. Na TC, apresenta como estrutura cística que não capta contraste em nenhuma fase. Por vezes, podem ocorrer calcificações da sua parede e, neste ponto, já aparece na radiografia simples. Hematoma esplênico: o baço é órgão mais lesado nos traumas abdominais contusos e não capta contraste na área que se formou o hematoma. Quando se tem a apresentação do parênquima esplênico lacerado, o tratamento é a esplenectomia. Caso o paciente esteja hemodinamicamente estável, pode se conservar para aguardar uma possível absorção do hematoma. O hematoma pode ser subcapsular e ficar contido dentro de uma cápsula, e se deslocar no parênquima esplênico. Esplenomegalia: é o aumento do baço. Nos cortes transversais, mesmo sem a presença das costelas, o baço continua presente, mesmo em cortes cada vez mais baixos. Ascite: é o acúmulo de liquido em uma cavidade. A ascite geralmente está associada ao fígado cirrótico. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 1 MED RESUMOS 2012 NETTO, Arlindo Ugulino. RADIOLOGIA PROPEDEUTICA POR IMAGEM EM OBSTETRÍCIA (Professora Mariana Muniz) Nos ltimos 15 anos, o diagnstico por imagem em obstetrcia e ginecologia sofreu alteraes significativas, basicamente devido influncia das novas modalidades de imagem. A modalidade isolada que alterou mais significativamente a abordagem diagnstica dos problemas obsttricos e ginecolgicos foi a ultra-sonografia. A notvel capacidade dessa tcnica de mostrar a anatomia a anatomia da pelve feminina grvida e no-grvida, sem o uso de radiao ionizante, motivou o desenvolvimento de tcnicas e instrumentao que substituram quase por completo muitos dos exames radiolgicos. A ressonncia nuclear magntica (RNM), de todas as outras modalidades de imagem, defendida por alguns no diagnstico ginecolgico e obsttrico. No entanto, o alto custo da RNM e a disponibilidade disseminada da USG limitaram ainda mais o uso da RNM. De um modo geral, apresentamos as seguintes modalidades para a propedutica por imagem em obstetrcia: raios-X e tomografia computadorizada (ambas fazem uso de radiao ionizante, o que no interessante para o feto); ultra-sonografia (modalidade mais amplamente utilizada por no envolver radiao ionizante); dopplervelocimetria (recurso adicionado RNM); ressonncia magntica (no faz uso de radiao ionizante, mas sim de pulsos de radiofrequncia; o seu custo e movimento do beb dentro do tero da me so seus fatores limitantes, contudo, novas tcnicas com sequncias novas cada vez mais rpidas diminuem os artefatos causados pela movimentao do feto). USO DE RADIAO IONIZANTE PARA IMAGENS EM OBSTETRCIA A National Council on Radiation Protection and Measurements (1977) considera, como risco desprezvel de irradiao fetal, doses de at 5 rads. A radiao ionizante, base do funcionamento da tomografia computadorizada e dos raios-X, pode causar, no primeiro trimestre de gravidez, aborto e restrio do crescimento fetal. Por esta razo, busca-se evitar este tipo de exposio materno-fetal nos primeiros trs meses de gestao. De fato, durante o perodo de organognese (6 a 10 semana de gestao) que o feto apresenta maior vulnerabilidade. Preconiza-se apenas o uso de USG e RNM. No segundo e terceiro trimestres, os riscos menores, uma vez que o beb j est quase completamente formado. Contudo, independente, tem-se relacionado um pequeno aumento do risco de cncer na infncia. A tomografia computadorizada responsvel por expor a gestante aos maiores ndices de radiao ionizante por um exame de imagem, maior at que os raios-X. Por esta razo, deve-se evitar sempre que possvel a exposio da mesma a estes altos ndices de radiao ionizante. Geralmente, a TC tem indicao limitada avaliao do abdome agudo materno (como para suspeitas de apendicite na me), quando no se dispe de RNM. As doses de radiao so: TC de abdome: 10 mGy (1 rad) TC de abdome e pelve: 30 mGy (3 rads) ULTRASSONOGRAFIA (USG) A ultrassonografia, de fato, o mtodo de diagnstico por imagem mais importante na gestao e faz parte da rotina pr-natal, isto : quer seja uma gestao de curso normal ou uma gestao mais complicada, a USG deve ser utilizada. Contudo, a USG s fornece o diagnstico de gravidez a partir da 5 semana de gestao, sendo necessria a dosagem da frao beta do hormnio gonadotrfico corinico humano (β-hCG), que avalia a funo trofoblstica, para o diagnstico concreto da gravidez com poucos dias de gestao. Segundo a International Reference Preparation, quando o β-hCG alcana valores de 1000 e 2000 mUI/mL (que ocorre por volta da 5 semana), j possvel identificar o saco gestacional intra-uterino por meio da USG transvaginal. Com o uso de USG transabdominal, o diagnstico por imagem acontece por volta da 8 semana. A importncia da USG se baseia na sua capacidade de fornecer os seguintes dados: Estimativa da idade gestacional e crescimento fetal; Vitalidade fetal por meio do perfil biofsico fetal (PBF e Doppler); Rastreamento e diagnstico de anomalias fetais; Avaliao dos riscos de aborto, gestao ectpica, e a neoplasia trofoblstica gestacional (NTG); Diagnstico de gestao mltipla Serve para avaliao da situao fetal (longitudinal ou transversa em relao ao eixodo tero materno), apresentao (ceflica ou plvica), posio do dorso em relao me. Alguns aparelhos marcam o lado direito da me (at mesmo com o logotipo da marca do aparelho), o que facilita a referncia da posio fetal com relao me; Aspectos da placenta; Cordo umbilical (as duas artrias e a veia umbilical); Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 2 Avaliao da quantidade do lquido amnitico; Doenas ginecolgicas (como miomas) e no ginecolgicas (infeces do trato urinrio); Guia para procedimentos invasivos (amniocentese, puno de cordo umbilical, transfuses de sangue, etc). A Federao Brasileira de Ginecologia e Obstetrcia (FEBRASGO) recomenda que a USG pr-natal seja realizado entre a 10 – 14 semanas de gestao, entre a 18 – 24 de gestao e entre a 34 – 38 semana (prximo ao termo). Se s for possvel realizar um nico exame (devido s precariedades do sistema de sade pblico), que este seja feito, preferencialmente, em torno da 20 semana de gestao. Devido importncia da USG para a gestao, abordaremos a sua validade e principais propriedades para cada trimestre de gestao. BIOMETRIA FETAL E IDADE GESTACIONAL (IG) A biometria fetal o parmetro que relacionada a idade gestacional com o crescimento fetal (medidas antropomtricas). Os principais parmetros no exame de rotina so: comprimento cabea-ndega (CCN), dimetro biparietal (DBP), circunferncia ceflica (CC), a circunferncia abdominal (CA) e o tamanho do fmur. Todos estes parmetros avaliados apresentam valores tabelados pr-determinados para a relao com a idade fetal. Por isso, deve-se selecionar a tabela adequada para cada raa avaliada. Para estipular a idade gestacional, utilizaremos a medida do comprimento cabea-ndega (CCN). Considera- se aqui a idade gestacional como a idade menstrual, isto , se a paciente tem a gestao intrauterina com idade gestacional de 10 semanas, isto significa que passaram 10 semanas desde o primeiro dia do ltimo perodo menstrual normal e, presumindo-se que ela tenha tido um ciclo menstrual normal de 28 dias, esta a 8 semana desde a fertilizao (uma vez que a idade da fecundao estimada a partir do dia da ovulao, cerca de 14 dias depois da ltima menstruao). PRIMEIRO TRIMESTRE Durante este perodo, as imagens sonogrficas so bem caractersticas. As estruturas embrionrias aparecem em pocas especficas. neste perodo que se realiza a biometria fetal. justamente durante o 1 trimestre gestacional que se tem a relao CCN e idade gestacional mais fidedigna, uma vez que, a partir deste perodo, o feto comea a expressar seus caracteres genticos e, a depender da altura dos pais, por exemplo, pode resultar em algumas margens de erro quanto aos valores tabelados do CCN. No primeiro trimestre de gestao, o ultrassom transvaginal deve ser um exame obrigatrio. A determinação da idade gestacional pode ser avaliada por estruturas que aparecem em pocas especficas e pr-determinadas: Com 5 semanas de gestao, possvel visualizar o saco gestacional, mas impossvel observar o saco vitelino, o embrio e os batimentos cardacos; Com 5 semanas e meia, possvel observar o saco gestacional com o saco vitelino em seu interior. Contudo, impossvel observar o embrio e seus batimentos cardacos; Com 6 semanas de gestao, o saco gestacional, o saco vitelino e o embrio (maior que 5 mm) so identificveis. Portanto, para verificar a idade gestacional do concepto durante o primeiro trimestre de gestao (0 a 13 semanas) podemos fazer uso dos do Dimetro Mdio do Saco Gestacional (DMSG) e do Comprimento Cabea-Ndega (CCN, sendo este o mais importante para este perodo gestacional). Estes parmetros podem ser avaliados devido a uma menor variao biolgica do tamanho fetal no 1 trimestre e por apresentarem uma maior acurcia para determinao da IG. Em resumo na USG no primeiro trimestre, podemos observar as seguintes imagens, de acordo com a idade gestacional: 4ª semana: com 4 semanas e 3 dias, possvel observar uma pequena esfera anecognica (escura) que representa o saco gestacional, que se torna-se visvel dentro da decdua. No possvel medir o CCN neste perodo uma vez que no se observa o embrio. Mede-se, neste caso, o dimetro mdio do saco gestacional (o primeiro sinal de gestao visvel na USG). 5ª semana: com 5,5 semanas, dentro do saco gestacional, j possvel observar uma estrutura concntrica ao saco gestacional – a vesícula vitelina. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 3 6 semana: com 6 semanas, o saco gestacional, a vescula vitelina e embrio j aparecem na USG. O CCN est em torno de 4 – 8 mm. Com cerca de 6 semanas e 3 dias, os batimentos cardacos j se mostram na forma de ondas sonoras. Gestaes mltiplas tambm podem ser identificadas neste perodo. 8 semana: com 8 semanas, j possvel diferenciar claramente o plo ceflico e as ndegas da criana. Conhecendo estes dois pontos, verifica-se a CCN mais facilmente para estipular a IG com pouco vis. 9 semana: com 9 semanas, possvel separar a cavidade amnitica da cavidade corinica. neste perodo que estruturas como as mos e os ps do beb comeam a se definir. Portanto, j possvel avaliar parte da conformao morfolgica do beb. 10 – 12 semana: durante este perodo, o CCN atinge cerca de 32 - 54 mm. J possvel avaliar, com maior aptido, o sexo do beb. A formao dos ventrculos cerebrais possvel de ser identificada (com cerca de 12 semanas). No primeiro trimestre de gestao, podemos ainda fazer uso de alguns marcadores ultrassonogrficos capazes de identificar anomalias cromossmicas no beb. So eles: Translucncia nucal: geralmente, possvel observar esta formao quando a CCN atinge 45 a 84 mm (11 a 13 semanas de gestao) em um corte sagital adequado. Para melhor visualizao deste marcador, faz-se uma magnificao (zoom) de 75% da imagem. Deve-se medir a espessura mxima entre pele fetal e o tecido celular subcutneo da nuca do concepto (e no a membrana amnitica ou o cordo umbilical). O feto deve estar em posio neutra. Este marcador serve para avaliar, por exemplo, a trissomia do 21 (sndrome de Down), com sensibilidade em torno de 80%. A idade materna pode auxiliar no aumento da sensibilidade da translucncia nucal. Osso nasal: no existem tabelas de medida para o osso nasal. Avalia-se apenas a sua presena ou ausncia. Atualmente, vm sendo desenvolvidas algumas tabelas que comparam o comprimento do osso nasal com o dimetro biparietal, por exemplo, mas que ainda no so utilizadas. Frequncia cardaca Curva de crescimento: para avaliar se h restrio de crescimento. Doppler do ducto venoso: o ducto venoso uma comunicao (shunt) entre a veia umbilical e a veia cava inferior. possvel avaliar, por meio deste Doppler, a sstole (S) e distole ventricular (D) e a contrao atrial (A). Geralmente, a velocidade do fluxo no ducto venoso cerca de 3 vezes maior que o fluxo da veia cava inferior e da veia umbilical. A Vmax sistlica do ducto venoso de 40 a 80 cm/seg. A onda normal registrada pelo Doppler deve apresentar-se Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 4 em uma nica direo e que seja trifsica (trs fases: S, D e A). Em algumas alteraes, o componente atrial aparece abaixo da linha de base, o que pode predizer a existncia de alguma malformao. As trs alteraes que falam a favor de alteraes gestacionais intrauterinas so, portanto: ausncia do osso nasal, presena do componente atrial invertido na Doppler e translucncia nucal aumentada. SEGUNDO E TERCEIRO TRIMESTRES DE GRAVIDEZ Nos segundo e terceiro trimestres de gravidez, a biometria fetal pode serfeita atravs dos seguintes parmetros: Dimetro Bi-parietal (DBP), Permetro Ceflico (PC), Permetro Abdominal (PA) e tamanho do Fmur (F). Para todos os parmetros, devemos realizar uma tcnica precisa, uma vez que todos eles apresentam valores tabelados pr- determinados. DBP: os pontos de referncia para a medio do DBP so: eco mdio (da foice do crebro), tlamos e III ventrculo, cavum do septo pelcido, fissura de Sylvius e cisterna ambiens. O eco mdio, os tlamos e parte dos ventrculos laterais formam um tipo de “seta” cuja ponta fica voltada para o dorso do beb. O DBP no medido pelo dimetro mximo. Mede-se o DBP da face interna do osso parietal de um lado at a face externa do osso parietal oposto (de tbua interna do parietal para tbua externa). A tbua ssea deve medir aproximadamente 2mm. Os marcadores eletrnicos devero ser colocados na tbua externa e na tbua interna contralateral, cruzando os tlamos. O DBP consiste no parmetro de eleio no 2 trimestre, caso seja escolhido isoladamente. Medidas dos ossos longos: geralmente, mede-se o fmur ou o mero, sendo o primeiro o mais utilizado. Consiste no parmetro de eleio no 3o trimestre de gestao. Deve-se identificar com nitidez as extremidades do osso. PC: o permetro ou circunferncia ceflica medida no mesmo plano do DBP, circundando a tbua externa, desde a glabela at a protuberncia occipital externa. A medio pode ser automtica ou utilizando a frmula: (DBP + DOF) x 1.62, sendo DOF a distncia retilnea entre o osso frontal e o osso occipital (Distncia Occipito Frontal). O PC muito utilizado para corrigir medidas alteradas devido algumas malformaes do crnio. PA: o permetro abdominal medido atravs do corte transversal do abdome fetal ao nvel da insero do cordo umbilical. Na USG, observa-se uma estrutura anecognica que representa o estmago distendido por lquido amnitico. O parmetro correto consiste na medio do dimetro em nvel do cordo umbilical. Em alguns casos de atresia esofgica, pode-se no observar a distenso gstrica por lquido. OBS1: A epfise distal do fmur se ossifica acima de 32 semanas, enquanto a epfise proximal da tbia se ossifica acima de 35 semanas. Os ossos do carpo se ossificam apenas depois do nascimento, tanto que a solicitao de raios-X de punho serve para avaliao da idade ssea. OBS2: Conhecer o tempo de ossificao das principais estruturas sseas importante uma vez que a USG utilizada ainda para avaliao da maturidade fetal. Este parmetro importante para casos de risco de parto prematuro e que o obstetra necessita manter a gravidez ao mximo para evitar um sofrimento fetal, como pela sndrome da membrana hialina (desconforto respiratrio do recm-nascido) pela falta de surfactante. De fato, como a partir de 32 semanas, a epfise distal do fmur comea a se ossificar, j temos um bom parmetro de viabilidade ou maturao fetal. Os principais marcadores ultra-sonogrficos para avaliao de possveis anomalias no segundo trimestre so: osso nasal; Prega nucal; Intestino hiperecognico; mero curto / fmur curto; Pielectasia; Foco ecognico intra-cardco; Dilatao ventricular cerebral; Cisto de plexo coride; Clinodactilia; Alargamento do ngulo plvico; Higroma cstico; Hidropisia fetal; Anomalias estruturais. Existe ainda um exame para o terceiro trimestre de gestao que a ultra-sonografia morfolgica, que se baseia na medida de todos os ossos do metacarpo da criana. PLACENTA Para avaliar a placenta, faz-se uso de uma graduao que varia do grau 0 ao grau III de maturidade. Como sabemos, a placenta a estrutura responsvel por realizar as trocas artrio-venosas materno-fetais por meio do cordo umbilical. Esta avaliao importante para avaliar a maturao e, assim, o funcionamento da placenta. Se esta placenta envelhece muito cedo, as trocas sanguneas tambm estaro comprometidas. A placenta grau 0 aquela morfologicamente uniforme, com poucas ondulaes e haustraes. A placenta grau I j apresenta pequenos pontos hiperecognicos, mostrando-se um pouco mais ondulada. A placenta grau II, bem mais ondulada, apresenta uma maior densidade de pontos hiperecognicos. No grau III, a placa corinica da placenta j apresenta muito mais ondulaes e com uma massa menos homognea, repleta de pontos ecognicos. Costuma-se observar vasos sanguneos dentro da placenta. Encontramos a placenta grau III em apenas 15% das gestaes a termo. Se com 20 semanas de gestao, por exemplo, se encontra uma placenta caracterstica do grau III, diz-se que ela est envelhecida. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 5 Na maior parte das gestações a termo, a placenta chega ao máximo no grau I. O fluxo dos vasos na placenta e no cordão umbilical pode ser avaliado por meio do Doppler. Além disso, preconiza-se que a espessura da placenta não pode exceder os 4 cm. COLO UTERINO A avaliação do colo uterino por meio de uma USG transvaginal é importante para prever ameaças de aborto através da abertura do colo uterina, detectada pela USG. LÍQUIDO AMNIÓTICO Para avaliação do líquido amniótico, divide-se o abdome da gestante em 4 quadrantes a partir da cicatriz umbilical. Depois de traçadas as linhas imaginárias, deve-se pesquisar com o transdutor da USG, quadrante por quadrante, a região com maior quantidade de líquido amniótico sem nenhuma estrutura fetal contida nesta área. Deve-se somar, em cm, esta maior área de líquido amniótico sem estruturas fetais com as demais bolsas amnióticas livres. A medida varia de 8 a 18, valores preconizados por tabela, determinados pelo chamado Índice de Líquido Amniótico (ILA). Abaixo de 8 cm, temos um quadro de oligoamnio, relacionado, muito provavelmente, por um problema do sistema urinário do bebê ou na placenta; acima de 18 cm, polidrâmnio, relacionado, muito provavelmente, com um distúrbio no trato gastrointestinal, como uma estenose de piloro ou atresia de esôfago. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 6 PROCEDIMENTOS INVASIVOS GUIADOS POR USG Nas necessidades de realização de procedimentos obstétricos invasivos, tais como punção de líquido amniótico, a USG é um importante modo de guia para evitar a lesão de estruturas fetais. DOPPLERFLUXIMETRIA Por meio da dopplerfluximetria, é possível realizar o estudo do fluxo sanguíneo das artérias uterinas, avaliando a funcionalidade da circulação uteroplacentária e umbílico-placentária e fetal. Normalmente, no útero não-gravídico, por não necessitar de tanto suprimento sanguíneo, o componente da diástole apresenta-se menos cheio. O contrário ocorre no útero gravídico. A partir da 16ª a 20ª semana de gestação, é preferível que o componente diastólico já esteja cheio nas artérias uterinas. Para avaliar a circulação umbilical, aplica-se o transdutor do Doppler diretamente na artéria umbilical. Normalmente, a artéria umbilical deve apresentar um componente diastólico cheio. Para avaliar a circulação fetal, opta-se por avaliar um órgão nobre do feto, como o cérebro e a sua artéria cerebral média, a qual, normalmente, apresenta um componente diastólico mais vazio (menos intenso e geralmente, invertido). 1. Avaliação do fluxo das artérias uterinas Quando ocorre a segunda onda de migração trofoblástica normalmente, encontraremos, ao avaliar as artérias uterinas, os componentes sistólicos e diastólicos cheios, sem a presença de incisuras ou artefatos. Caso não ocorra a segunda onda de migração trofoblástica, ocorrerá o aparecimento de uma pequena onda entre o componente sistólico e o diastólico, sendo denominada de incisura protodiastólica (demonstrando uma alteração patológica na perfusão das artérias uterinas). Geralmente, este fato ocorre com pacientes que apresentem patologias vasculares de base,como diabetes ou hipertensão. Pode ocorrer ainda que a incisura protodiastólica aparece em apenas uma das artérias uterinas. Este fato é mais preocupante quando o fluxo alterado é da artéria localizada no mesmo lado em que se encontra a placenta. Caso a incisura protodiastólica seja encontrada no fluxo da artéria do lado oposto ao de implante da placenta, embora seja um caso menos grave e a gravidez curse sem maiores intercorrências na maioria das vezes, deve-se acompanhar a gestação criteriosamente. 2. Avaliação da centralização de fluxo A centralização de fluxo, isto é, a eleição do destino sanguíneo fetal para os órgãos nobres, pode determinar ou predizer um caso de sofrimento fetal. Como sabemos, o Doppler normal das artérias umbilicais demonstra um componente sistólico e diastólico cheios. Diferentemente da artéria cerebral média fetal, onde o fluxo apresenta um componente sistólico cheio, mas com um componente diastólico um pouco mais vazio. No quadro em que ocorre centralização do fluxo, o componente sistólico e diastólico das artérias uterinas esvazia um pouco enquanto que o componente diastólico da artéria cerebral média se intensifica, isto é, fica mais cheio. Isto indica, como vimos, que o feto entrou em sofrimento e o cérebro tem seu fluxo priorizado. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 7 Para avaliar a gravidade do fenmeno de centralizao do fluxo, deve-se calcular o ndice de resistncia das Aa. Umbilicais/ ndice de resistncia da artria cerebral mdia. Como o ndice de resistncia das Aa. umbilicais menor que o a resistncia nas arteriais cerebrais, o valor normal deve ser menor que 1. Contudo, algumas escolas invertem a razo (isto IR da ACM/IR da AU), fazendo com que o ndice normal seja maior que 1. 3. Avaliao do fluxo da artria umbilical Quando o obstetra observa a centralizao do fluxo, ele deve manter a gravidez na medida do possvel at que o feto tenha condies de vir a termo sem maiores complicaes. Contudo, para isto, ele deve acompanhar diariamente a gestao atravs do Doppler da artria umbilical, principalmente, fazendo uso de corticides para induzir a maturao fetal. A dopplerfluximetria da artria umbilical, com o decorrer do curso do sofrimento fetal, pode passar de um fluxo normal para um momento de “distole zero”, de modo que apenas o componente sistlico seja visvel. Geralmente, quando o obstetra encontra a distole zero, a gravidez interrompida por induo de parto normal ou cesariana. Caso o obstetra no interrompa a gestao, observaremos o quadro extremo de “distole reversa”, o que traduz em um sofrimento fetal intenso, em que a circulao fetal entra em descompensao e o risco de morte intra-uterina muito grande. ULTRASSONOGRAFIA 3D E 4D A USG 3D capaz de, a partir dos dados obtidos por uma USG tradicional, construir uma imagem tridimensional, mostrando, de forma mais fiel e bem definida, o concepto. Atualmente, alguns aparelhos de USG 3D fornecem imagens em tempo real, sem ser necessria a converso da imagem tradicional para a imagem em 3D. A este recurso, deu-se o nome de USG 4D. As limitaes para a USG 3D/4D so poucas: o custo e a falta de disponibilidade. De uma forma geral, as vantagens da USG 3D/4D so: Rpida aquisio de dados de volume Melhora a deteco e suspeita de anomalias fetais Maior acurcia na identificao da extenso e tamanho das anomalias complementando planos e orientaes de difcil aquisio pela USG 2D Melhora reconhecimento de anomalias por ultrassonografistas menos experientes Melhora a compreenso das anomalias fetais pelos familiares Favorece uma melhora na relao materno-fetal PER ODOS PARA A REALIZAO DA USG Fase 1 (0 – 10 semanas): Avaliao precoce da idade gestacional. Note no grfico acima que a fase 1 corresponde parte do primeiro trimestre, em que a IG pode ser estimada com maior preciso. Fase 2 (10 – 14 semanas): USG morfolgica do 1o trimestre (avaliando a translucncia nucal, presena do osso nasal e Doppler do ducto venoso); bipsia de vilo corial. Fase 3 (16 – 20 semanas): Amniocentese para estudo gentico fetal. Fase 4 (20 – 24 semanas): USG morfolgica fetal (pesquisa e medio de todos os ossos e rgos). Fase 5 (28 semanas – termo): Avaliar peso fetal e quantidade de lquido amnitico; dopplerfluxometria (avaliao da migrao trofoblstica por meio do fluxo da Aa. uterinas e avaliao da centralizao do fluxo e sofrimento fetal); perfil biofsico fetal (movimentao, tnus, responsividade a estmulos, movimentos respiratrios fetais, etc); amniocentese para pesquisa de maturidade fetal. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 8 RESSONNCIA NUCLEAR MAGN TICA Até o momento, ainda não há risco biológico conhecido para o feto ou para a mãe. Contudo, é prudente evitar o uso de RNM durante o primeiro trimestre de gestação. Deve-se evitar ainda o uso de Gadolínio (categoria C), contraste utilizado na RNM que atravessa a barreira placentária. Os artefatos de imagem causados pelo movimento fetal e a contraindicação durante o primeiro trimestre de gravidez são os principais fatores limitantes para o uso de RNM na obstetrícia. O uso de sequências mais rápidas podem evitar estes artefatos de imagem por movimentação fetal. As principais indicações da RNM são: Avaliação de dor abdominal (abdome agudo materno) Hidronefrose do feto Pelvimetria da mãe (que antigamente era feito pelo uso de raios-X) Avaliação da placenta Malformações fetais CONSIDERAES FINAIS Conclui-se, ao final de todo nosso estudo acerca do uso de exames por imagem na obstetrícia: A USG consiste no método de escolha devido ao seu baixo custo, capacidade de avaliar em tempo real, sua disponibilidade e ausência de efeitos deletérios para o feto ou para a mãe. A TC é um exame limitado na obstetrícia. Geralmente, é utilizado apenas nos casos de dores abdominais (como em risco de apendicite) quando não se dispõe de uma RNM. O uso de RNM está aumentando devido aos equipamentos mais modernos e rápidos. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 1 MED RESUMOS 2012 NETTO, Arlindo Ugulino. RADIOLOGIA NEURORRADIOLOGIA (Professores Mariana e Guilherme Muniz) A avaliao radiolgica bem-sucedida do crebro e de outros contedos cranianos exige conhecimento meticuloso da anatomia, histopatologia e das tecnologias dispon veis. Apenas o pensamento cr tico, com slidas bases de neuroanatomia e neuropatologia, pode levar ao diagnstico correto nos casos dif ceis. Ao contrrio da maioria dos rgos do corpo, o crebro no constitu do somente por um ou alguns tipos de tecido, e sim, por numerosos tecidos, cada um dos quais com importncia funcional e suscetibilidade diferente a vrios processos mrbidos. Do ponto de vista cl nico, a compreenso plena das trs camadas men ngeas importante. CONSIDERAES NEUROANATMICAS Deve-se conhecer a anatomia macroscpica geral do encfalo e do sistema nervoso central antes de se aprender anatomia seccional da forma que vista em sees ou cortes de tomografia computadorizada, por exemplo. O sistema nervoso central pode ser dividido em duas divises principais: (1) o encfalo, que ocupa a cavidade do crnio, e (2) a medula espinhal slida, que se estende inferiormente a partir do encfalo e protegida pela coluna vertebral ssea. A medula espinhal slida termina no bordo inferior de L1, em uma rea afilada chamada de cone medular. Extenses de ra zes nervosas da medula espinhal, entretanto, se continuam para baixo at o primeiro segmento cocc geo. O espao subaracnoide se continua para baixo at o segundo segmento sacro (S2). ENVOLTRIOS DO ENCFALO E MEDULA ESPINHAL – MENNGES Tanto o encfalo quanto medula espinhal so envolvidos por trs envoltriosou membranas protetores denominados meninges. Iniciando-se externamente, so elas (1) a dura-mter, (2) a aracnide e (3) a pia-mter. Dura-mter: A membrana mais externa a dura-mter, que significa me firme ou “dura”. Esse envoltrio forte e fibroso do encfalo tem uma camada interna e uma camada externa. A camada externa da dura-mter firmemente fundida com a camada interna, exceto por espaos que so fornecidos para grandes canais de sangue venoso chamados seios venosos ou seios da dura-mter. A camada externa aderida estreitamente tbua interna do crnio. As camadas internas da dura-mter abaixo desses seios unem-se para formar a foice do crebro, conforme vista em varreduras de TC estendendo-se para baixo para dentro da fissura longitudinal entre os dois hemisfrios cerebrais. Pia-mter: A mais interna dessas membranas a pia-mter, que significa literalmente "me terna". Essa membrana muito fina e bastante vascularizada, e repousa prximo ao encfalo e medula espinhal. Ela envolve toda a superf cie do encfalo, mergulhando dentro de cada uma das fissuras e sulcos. Aracnoide: Entre a pia-mter e a dura-mter encontra-se uma delicada membrana avascular chamada aracnoide-mter. Trabculas delicadas semelhantes a teias de aranha fixam a membrana aracnide pia-mter, da o termo "me aranha". Imediatamente exterior a cada camada men ngea encontra-se um espao potencial. Assim, h trs desses espaos potenciais: (1) o espao epidural, (2) o espao subdural e (3) o espao subaracnoide. Espao epidural: Exteriormente dura-mter, entre a dura e a tbua interna do crnio, encontra-se um espao potencial denominado espao epidural. Espao subdural: Abaixo da dura-mter, entre a dura e a aracnide, encontra-se um espao estreito chamado espao subdural, que contm uma m nima quantidade de l quidos e vrios vasos sang neos. Tanto o espao epidural quanto o espao subdural so s tios potenciais para hemorragia aps trauma craniano. Espao subaracnoide: Abaixo da membrana aracnide, entre a aracnide e a pia-mter, encontra-se um espao comparativamente amplo, chamado espao subaracnoide. Tanto o espao subaracnoide do encfalo quanto o da medula espinhal so normalmente preenchidos por l quido cefalorraquidiano (LCR). TRONCO ENCEF LICO A combinao de mesencfalo, ponte e bulbo forma o tronco enceflico, que passa atravs da grande abertura na base do crnio, o forame magno, para se tornar medula espinhal. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 2 CÉREBRO A camada de superfície de todo o cérebro, com cerca de 2 a 4 mm de espessura, é chamada de córtex cerebral. Como se pode ver, o cérebro, que ocupa a maior parte da cavidade craniana, é dividido em dois hemisférios que, por sua vez, são subdivididos, cada um, em cinco lobos. Os quatro lobos mais superficiais repousam abaixo dos ossos cranianos de mesmo nome. O lobo frontal repousa sob o osso frontal, como o lobo parietal sob o osso parietal. De forma semelhante, o lobo occipital e o lobo temporal repousam sob os seus respectivos ossos cranianos. O quinto lobo, chamado de ínsula, ou lobo central, está localizado mais centralmente (profundamente aos lobos frontais e temporais) e só pode ser visto em cortes especiais. HEMISFÉRIOS CEREBRAIS O cérebro é parcialmente separado por uma fissura longitudinal profunda ao longo do plano médio-sagital. A fissura divide o cérebro em hemisférios cerebrais direito e esquerdo. A superfície de cada hemisfério cerebral é marcada por numerosos sulcos e circunvoluções, que são formados durante o rápido crescimento embrionário dessa porção do encéfalo. Cada circunvolução ou área elevada é chamada de giro. Dois desses giros que podem ser identificados em radiografias seccionais por TC são o giro pré-central e o giro pós-central, conforme mostrado de cada lado do sulco central. Um sulco é uma fenda rasa, e o sulco central, que divide os lobos frontal e parietal do cérebro, é um ponto de referência usado para identificar áreas sensoriais específicas do córtex. Um sulco mais profundo é chamado de fissura, como a fissura longitudinal profunda que separa os dois hemisférios. O corpo caloso, localizado profundamente dentro da fissura longitudinal consiste em uma massa arqueada de fibras transversais (substância branca) conectando os dois hemisférios cerebrais. VENTRÍCULOS CEREBRAIS Um entendimento completo dos ventrículos cerebrais é importante para a tomografia computadorizada de crânio porque eles são imediatamente identificados em cortes seccionais por TC. O sistema ventricular do encéfalo é conectado ao espaço subaracnoide. Há quatro cavidades no sistema ventricular. Essas quatro cavidades são preenchidas com líquido cefalorraquidiano (LCR) e se interconectam através de pequenos tubos. Os ventrículos laterais direito e esquerdo estão localizados nos hemisférios cerebrais direito e esquerdo e apresentam para estudo anatômico as seguintes partes: corno frontal (anterior), parte central, corno temporal (inferior) e o corno occipital (posterior). O terceiro ventrículo é um ventrículo único, localizado centralmente e inferiormente aos ventrículos laterais. O quarto ventrículo também é um ventrículo único, localizado centralmente, imediatamente inferior ao terceiro ventrículo. O LCR é formado em todo o sistema ventricular, em leitos capilares especializados denominados plexos coróides, que filtram o sangue para formar LCR. Cerca de 150 ml de LCR estão presentes dentro e ao redor de todo o SNC apesar de até 500 ml de LCR serem formados diariamente, com o balanço sendo reabsorvido dentro do sistema circulatório venoso. Ventrículos laterais: Cada ventrículo lateral é composto de quatro partes. As vistas superior e lateral demonstram que cada um dos ventrículos laterais tem um corpo localizado centralmente e três projeções ou cornos estendendo-se a partir do corpo. O corno frontal ou porção anterior se dirige para a frente. O corno occipital ou porção posterior se dirige para trás, e o corno temporal ou porção inferior se estende inferiormente. Os dois ventrículos laterais estão localizados de cada lado do plano médios sagital dentro dos hemisférios cerebrais e são imagens especulares um do outro. Certos processos patológicos, tais como uma lesão expansiva, alteram a aparência simétrica do sistema ventricular conforme visto em radiografias de TC. Terceiro ventrículo: cada um dos ventrículos laterais se conecta com o terceiro ventrículo através de um forame interventricular. O terceiro ventrículo está localizado na linha média e tem uma forma aproximada de quatro lados. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 3 Ele repousa logo abaixo do nível dos corpos dos dois ventrículos laterais. A glândula pineal está fixada ao teto da parte posterior do terceiro ventrículo, diretamente acima do aqueduto cerebral, o que causa um recesso na parte posterior desse ventrículo. Quarto ventrículo: a cavidade do terceiro ventrículo se conecta póstero-inferiormente com o quarto ventrículo através de uma passagem conhecida como aqueduto cerebral. O quarto ventrículo, em forma de diamante, se conecta com uma ampla porção do espaço sub-aracnóide chamada cisterna cerebelo-bulbar De cada lado do quarto ventrículo encontra-se uma extensão lateral denominada recesso lateral que também se conecta com o espaço sub-aracnóide através de uma abertura ou forame. Uma vista superior dos ventrículos demonstra a relação do terceiro e quarto ventrículos com os dois ventrículos laterais. O terceiro ventrículo é visto apenas como uma fenda estreita e mediana repousando na linha média entre os corpos dos ventrículos laterais, abaixo deles. O aqueduto cerebral é claramente mostrado conectando o terceiro ventrículo ao quarto ventrículo. O recesso lateral é mostradode cada lado do quarto ventrículo, fornecendo uma comunicação com o espaço sub-aracnóide. CEREBELO O cerebelo ocupa a porção principal da fossa craniana inferior e posterior. No adulto, a proporção de tamanho entre o cérebro e o cerebelo é de cerca de oito para um. O cerebelo tem a forma aproximada de uma borboleta e consiste em hemisférios direito e esquerdo, unidos por uma estreita faixa mediana, o vermis. Na direção da extremidade superior da superfície anterior encontra-se a incisura cerebelar anterior, ampla e rasa. O quarto ventrículo está localizado dentro da incisura cerebelar anterior, separando a ponte e o bulbo do cerebelo. Inferiormente, ao longo da superfície posterior, os hemisférios cerebelares são separados pela incisura cerebelar posterior. Uma extensão da dura-máter, chamada foice do cerebelo, está localizada dentro da incisura cerebelar posterior. O cerebelo primariamente coordena as funções mataras importantes do corpo, tais como coordenação, postura e equilíbrio. SUBSTÂNCIA BRACA x SUBSTÂNCIA CINZENTA O sistema nervoso central pode ser dividido pela aparência em substância branca e substância cinzenta. A substância branca no encéfalo e na medula espinhal é composta de tratos, que consistem em feixes de axônios mielinizados. Axônios mielinizados são aqueles axônios envoltos em uma bainha de mielina, uma substância gordurosa que tem uma cor branca cremosa. Logo, os axônios compreendem a maior parte da substância branca. A substância cinzenta é composta principalmente de dendritos neuronais e corpos celulares. A substância cinzenta forma o córtex cerebral externo, enquanto o tecido cerebral sob o córtex é substância branca. Essa massa subjacente de substância branca é chamada de centro semi-oval. Profundamente no interior do cérebro, inferiormente a esse nível, encontra-se mais substância cinzenta, denominada núcleos cerebrais, ou gânglios da base. Pelo fato de uma varredura computadorizada craniana poder diferenciar entre substância branca e cinzenta, um corte através dos núcleos cerebrais fornece uma riqueza de informações diagnósticas. As áreas de substância branca incluem o corpo caloso e o centro semi-oval. As áreas de substância cinzenta incluem os núcleos cerebrais, o tálamo e o córtex cerebral. NÚCLEOS DA BASE Os núcleos cerebrais, ou gânglios da base, são coleções emparelhadas de substância cinzenta localizadas profundamente em cada hemisfério cerebral. Há quatro áreas específicas ou agrupamentos desses núcleos cerebrais, são elas: (1) o núcleo caudado, (2) o núcleo lentiforme, composto pelo putâmen e pelo globo pálido, (3) o claustro e (4) o núcleo ou corpo amigdaloide. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 4 TCNICAS DIAGN STICAS O conhecimento das tecnologias de neuroimageamento til em trs aspectos relevantes. Um radiologista cl nico enfrenta, com frequncia, o dilema de escolher o melhor ou o primeiro procedimento de imageamento para avaliao de um paciente com determinada histria, sinais e sintomas. O radiologista precisa ajustar qualquer exame a melhor demonstrao de anatomopatologia. Alm disso, deve conhecer os pontos fracos e fortes, e, especialmente, os artefatos de cada tecnologia, a fim de interpretar corretamente os achados. Tendo em vista o grande nmero (sempre em expanso) e a complexidade das tecnologias – ultrassonografia, TC, angiografia, cintilografia e, sobretudo, novas tcnicas de RM – o parecer de um especialista em neurorradiologia , com frequncia, bastante valioso. Contudo, atualmente, para o estudo neurorradiolgico, dois exames so majoritariamente utilizados: a tomografia computadorizada (TC) e a ressonncia nuclear magntica (RNM). As radiografias simples nos disponibilizam informaes pouco sens veis e, para algumas patologias, pouco espec ficas. A excepcional resoluo e contraste, a capacidade multiplanar, a possibilidade de ajustar o exame para enfatizar as diferentes caracter sticas teciduais, e a falta de efeitos prejudiciais tornam a RNM a tcnica preferida para a avaliao diagnstica da maioria dos pacientes com doenas neurolgicas. Excees importantes, em que a TC continua a ser a tcnica de escolha para o exame inicial, so: (1) a avaliao dos pacientes aps traumatismos agudos; (2) daqueles com suspeita de hemorragia intracraniana aguda; (3) dos pacientes com doenas que afetam basicamente a base do crnio e a calota craniana; e (4) daqueles com contraindicaes RNM, a qual continua a ser um instrumento diagnstico importante e extremamente til por causa de sua velocidade, disponibilidade e alta resoluo. Existem muitas formas diferentes de realizar uma TC, e, como na RNM, cada exame deve ser ajustado para otimizar as informaes cl nicas de um determinado caso. Os parmetros que variam so a espessura do corte, plano de imageamento, tcnica radiolgica (corrente do tubo e tempo de corte), filtro de reconstruo, uso de contraste, utilizao de imageamento espiral e as janelas usadas para a impresso das imagens. Boas informaes cl nicas e decises cuidadosas so necessrias para planejar o imageamento, a fim de obter o tratamento ideal para o paciente. TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA Por se tratar de um mtodo bastante til e acess vel, daremos nfase ao exame de tomografia computadorizada. O propsito primrio da tomografia computadorizada de crnio fornecer um diagnstico definitivo que geralmente no exige exames complementares para verificao. A TC de crnio, em muitas circunstncias, fornece esse alto grau de confiabilidade. Trauma craniano agudo, por exemplo, pode resultar na formao de hematoma epidural ou subdural. Esse tipo de leso pode ser diagnosticado rapidamente, com bastante preciso, por intermdio da TC de crnio. Praticamente qualquer suspeita de processo patolgico envolvendo o encfalo uma indicao para tomografia computadorizada de crnio. Algumas das indicaes mais comuns para tomografia computadorizada de crnio incluem as seguintes: Suspeita de neoplasias, massas, leses ou tumores enceflicos. Metstases enceflicas Hemorragia intracraniana Aneurisma Abscesso Atrofia cerebral Alteraes ps-traumticas (tais como hematomas epidurais e sub-durais) Alteraes adquiridas ou congnitas Para a realizao deste exame, o paciente colocado no parelho de tomografia geralmente em posio supina para que sejam feitos cortes pouco inclinados da base do crnio at a calota craniana, abrangendo todo o encfalo. A curta inclinao tem o intuito de proteger o cristalino da irradiao, bastante relacionada com a incidncia de catarata precoce. RESSONÂNCIA NUCLEAR MAGNÉTICA A ressonncia nuclear magntica (RNM, ou MRI, do ingls, MRI, do ingls, Magnetic Resonance Imaging) ou, simplesmente, ressonncia magntica (RM) permite a obteno de imagens tomogrficas do crnio sem a utilizao de radiao ionizante, como faz a TC. Utilizando um imenso campo magntico acoplado a um emissor de radiofrequncia, poss vel provocar um fenmeno de “ressonncia” nos prtons de alguns ncleos atmicos, como os ncleos de hidrognio. Assim, pode ser medida a quantidade de ncleos (ou “densidade de ncleos”) de hidrognio de determinados tecidos e, com os valores obtidos, o computador constri uma imagem tomogrfica de qualidade superior obtida pela TC. Ao contrrio do que ocorre na TC, as imagens de RM podem ser obtidas nos trs planos: axial (horizontal ou transversal), coronal (ou frontal) e sagital. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 5 Como na TC, a imagem da RM constru da pelo computador atravs de uma escala de sinal em que os extremos so o preto – que representa o menor valor de sinal da ressonncia (hipossinal) – e o branco – que o maior valor de sinal (hipersinal). A RM pode obter variveis sequncias que permitem o estudo diferenciadodos tecidos e compartimento intracranianos, como substancia cinzenta, substncia branca e LCR, variam conforme as sequncias obtidas. As primeiras sequncias utilizadas foram as denominadas spin-echo (SE) T1 e T2. Alm destas sequncias de aquisio fundamentais, outras foram desenvolvidas, tais como: difuso; perfuso; FLAIR; T2* (gradiente eco); 3D TOF. Sequência em T1: a que apresenta melhor definio anatmica nos trs planos. Em T1, caracteristicamente, o LCR aparece preto (hipossinal), assim como o osso e o ar (sem sinal); a gordura aparece branca (hipersinal), como pode ser visto no couro cabeludo, nas rbitas e no tecido subcutneo da face e do pescoo. Sequência em T2: no tem definio anatmica to boa como T1, mas apresenta maior suscetibilidade s alteraes teciduais. As sequncias T2 so demoradas para serem obtidas: elas podem ser obtidas com dois ecos sucessivos, sendo o primeiro chamado de “densidade de prtons” (PD) e o segundo o T2 propriamente dito. Em T2, o LCR aparece branco (com hipersinal), enquanto a substncia branca aparece preta (com hipossinal). A gua tambm tem hipersinal em T2. Sequência difusão (DW): esta sequncia leva em considerao a difuso da molcula de gua no tecido cerebral, e mostra hipersinal quando o fluxo est lento em uma determinada rea (fenmeno que ocorre na isquemia aguda). Portanto, a sequncia de difuso a melhor para definir a área de necrose tecidual em casos de AVC. Perfusão: esta sequncia de aquisio de imagem da RNM capaz de determinar o fluxo sangu neo de uma determinada regio do parnquima cerebral mediante a captao de contraste (gadol neo). Como na maioria dos exames h um padro de cores predeterminado, geralmente a rea normal se mostra vermelha (quente), enquanto que a rea onde o processo de leso isqumica est se instalado se mostra azul (fria). Isso ocorre porque na rea de leso isqumica o fluxo do contraste lentificado. J na rea onde houve necrose, no h fluxo de contraste, e geralmente se mostra como uma zona escura ou azul, mesmo. Portanto, RNM ponderada em perfuso determina a rea de penumbra em caso de isquemia cerebral. T2* (T2-Estrela ou gradiente eco): a sequncia T2* ou gradiente eco a mais sens vel para definir se h hemorragias, provavelmente, de grande importncia para determinar o potencial de transformao hemorrgica de uma leso inicialmente isqumica. A sequncia T2* , portanto, muito utilizada para se investigar presena de focos de sangue. FLAIR: a sequncia FLAIR a que define leso constitu da. Estudos atuais demonstram de que por meio desta sequncia pode-se perceber se existe ou no lentificao sangu nea. 3D TOF: a sequncia 3D TOF a que determina poss veis estenoses e ocluses vasculares. O impacto do advento da RM de coluna vertebral nas doenas neurolgicas foi to grande quanto o da TC de crnio. Foi o primeiro exame a permitir a visualizao direta da medula e das mielopatias e dos processos intra e extramedulares, como infeces, tumores e granulomas, entre outros. Em resumo, as principais vantagens da RM com relao TC so: No utiliza radiao ionizante; No necessita de contraste iodado; Melhor resoluo espacial da imagem e maior disponibilidade de cortes; Maior sensibilidade a alteraes teciduais; Melhor visualizao da fossa posterior. CONSIDERAES DO ESTUDO NEURORRADIOL GICO Como em qualquer tipo de estudo radiolgico (ou anamnese e exame f sico, a propsito), o mtodo mais confivel de assegurar a obteno e o registro de informaes importantes ter um padro habitual para avaliar as imagens e reportar os resultados, o qual deve ser ajustado individualmente e ser bem apreciado, de modo que o indiv duo que o interprete tenha a maior probabilidade de encontrar todas as anormalidades significativas. necessrio saber, por exemplo, algumas consideraes sobre o neuroimageamento do clcio e do edema. CALCIFICAÇÃO E OSSIFICAÇÃO INTRACRANIANA Determinadas estruturas no crnio calcificam normalmente, enquanto outras calcificaes visibilizadas na TC ou em outros exames tm importncia patolgica. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 6 Nos adultos, quase sempre h calcificao da pineal e, em geral, calcificao das comissuras habenulares adjacentes. Entretanto, na TC a visualizao de calcificao no corpo pineal rara em indiv duos com menos de 6 anos de idade. A pineal calcificada normal varia at 10 ou 12 mm em seu maior dimetro, mas costuma medir entre 3 e 5 mm. Quando existem calcificaes com mais de 1 cm de dimetro, deve-se suspeitar de uma anormalidade, como pineocitoma ou malformao arteriovenosa (MAV). Calcificao de pores do plexo coride visualizada na TC ocorre em quase todos os adultos e, com frequncia, est presente em crianas. mais verificada no glomus (nos trios dos ventr culos laterais), mais pode ocorrer me qualquer outro ponto. Deve-se observar que o plexo coride do quarto ventr culo estende-se atravs da abertura lateral do IV ventr culo (forame de Luschka) e, por isso, pode ser visualizada como “massa” calcificada ou realada no ngulo cerebelo-pontino. EDEMA Um aumento do volume de gua nos tecidos cerebrais (edema) sinal de muitos estados patolgicos. Em geral, o l quido em excesso basicamente intracelular (por causa de alguma agresso clula) ou extracelular (em geral, relacionado perda da barreira hematoenceflica e resultantes desvios de prote na e gua do espao intravascular para os espaos teciduais intercelulares). Por conseguinte, o primeiro foi denominado edema citotóxico, sendo encontrado nos casos de AVC (como reas hipodensas, isto , enegrecidas), leses hipoxmicas, como quase afogamento, cerebrite viral e edema cortical resultante de estado de mal epilptico. O aumento de l quido extracelular denomina-se edema vasogênico e , mais amide, associado a neoplasias metastticas ou primrias, bem como a infeco. O edema citotxico visualizado basicamente nos corpos das clulas neuronais (da , substncia cinzenta). Na TC, isso provoca a reduo da densidade da substancia cinzenta e, por este motivo, borramento ou perda da distino vis vel entre a substncia cinzenta e a substncia branca. Na RNM, observa-se hipossinal nas imagens ponderadas em T1 e hipersinal nas imagens ponderadas em T2, como em outros processos mrbidos que tm teor de gua mais alto que o crebro normal. Em contrapartida, o edema vasognico basicamente um fenmeno na substancia branca, onde os espaos intercelulares so maiores (com exceo feita ao corpo caloso). NEURORRADIOLOGIA CLNICA Fratura: podem ser identificadas na radiografia simples ou por TC. Neste exame, deve-se optar por um ajuste de janela para ossos, desconsiderando a imagem do parnquima cerebral. Em casos de fratura, observa-se uma soluo de continuidade na calota craniana. As fraturas podem alinhadas ou podem ter afundamentos, sendo estas associadas a leses mais graves. OBS1: valido saber que o osso mais frgil do corpo humano o osso etmide, que compe parte da fossa cerebral anterior e grande parte da parede medial da rbita; alm disso, o osso mais resistente do corpo a poro petrosa do osso temporal (tanto que causa comum de insucesso em suic dios o alojamento da bala nesta poro do osso quando o indiv duo tenta atirar, com uma arma de fogo, no prprio ouvido). DOENÇAS VASCULARES Hematoma epidural (extradural): resulta de leses das artrias ou veias men geas. A diviso anterior da artria men ngea mdia a artria mais comumente lesada (estando ela relacionada com o ponto craniomtrico denominado de ptério). Ocorre ento sangramento capaz de descolar a camada men ngea da dura-mter, previamente aderida superf cie interna do crnio. Radiologicamente, observamos uma coleo limitadahiperdensa (esbranquiada), rente ao osso (possivelmente fraturado), de convexidade voltada para o parnquima cerebral (ou mesmo biconvexa). valido ressaltar que esta coleo raramente se expande alm das suturas cranianas, onde a dura-mter se encontra firmemente fixada. Para interromper a hemorragia, a artria rota deve ser ligada ou oclu da. Muitas vezes, trata-se de uma situao emergencial. Hematoma subdural: resulta da ruptura das veias cerebrais superiores (as chamadas veias em ponte) no ponto por onde entram no seio sagital superior. Sua causa usualmente um golpe na frente ou no dorso da cabea, causando deslocamento ntero-posterior excessivo do encfalo dentro do crnio. Esta condio muito mais comum que a hemorragia da artria men ngea mdia. Uma vez rompida as veias, o sangue sob baixa presso comea a se acumular no espao potencial entre a dura e a aracnide. Radiologicamente, independente da cronologia do hematoma subdural, observaremos uma coleo, com concavidade voltada para o parnquima cerebral (em forma de meia-lua), que nunca passa da linha mediana. Contudo, dependendo da extenso do hematoma, podemos observar a compresso de estruturas cerebrais contra o plano mediano (efeito em massa). Cronologicamente, podemos observar algumas diferenas quanto ao comportamento do hematoma subdural: Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 7 Hematoma subdural agudo: a coleção sanguínea apresenta-se hiperdensa (hiperatenuante ou esbranquiçada) devido à presença de ferro na hemoglobina. Neste estágio, geralmente não se opta por uma conduta cirúrgica, mas apenas a observação e acompanhamento do paciente. Hematoma subdural subagudo: a coleção sanguínea, à medida que evolui, se torna isodensa, isto é, apresenta características radiológicas semelhantes ao parênquima cerebral. Hematoma subdural crônico: com o decorrer do tempo, a coleção vai ganhando tonalidades mais escuras e se tornando hipodenso (hipoatenuante). Quando se injeta contraste, geralmente pode-se observar a aparição de septos. Hemorragia subaracnóidea: resulta de um traumatismo (principal causa), da ruptura de aneurisma congênito no polígono de Willis, ou, o que é menos comum, de malformação arteriovenosa (MAV). Os sintomas tem início abrupto e incluem cefaléia intensa, rigidez do pescoço e perda da consciência. O diagnóstico pode ser feito pela TC, onde não observaremos a formação de um hematoma, mas sim, de uma hemorragia, com depósito de sangue hiperdenso ao longo dos sulcos cerebrais, nas fissuras e nas cistenas. A coleta de líquor por punção lombar também serve como diagnóstico, uma vez que o LCR pode demonstrar-se colorido pelo sangue. Lesão axonal difusa: nesta condição, os axônios dos neurônios são difusamente lesionados pós-trauma. O que acontece é um cisalhamento fruto de uma desaceleração súbita, de modo que a substância branca, por onde transitam os axônios dos neurônios, é abruptamente tracionada da substância cinzenta. Na TC, podemos observar sangramentos na lesão axonal difusa na forma de uma hemorragia aguda. O local mais comum de lesão axonal difusa é a transição da substância cinzenta com a branca e, em segundo plano, na região dos núcleos da base, da cápsula interna e do corpo caloso. Contusão cerebral: condição geralmente causada devido a um impacto de uma estrutura mole com uma rígida como, como por exemplo, foice do tentório contra o osso. Portanto, na maioria dos casos, a contusão cerebral é acompanhada de histórico de trauma. Esta condição causa uma contusão no parênquima, gerando uma área hipodensa (mais escura) com focos hemorrágicos hiperdensos dentro (hemorragia aguda). Ocorre então que estes focos hemorrágicos coalescem, se juntam e formam um tipo de hematoma retilíneo, que depois vai sendo absorvido. Esse hematoma pode ocorrer também no lobo frontal, temporal adjacente a porção petrosa do osso temporal (rochedo) e no cerebelo próximo a foice do tentório. Também podem ocorrer devido a ruptura de aneurismas, mas pode ocorrer também por traumas. A contusão cerebral pode ser reconhecida radiologicamente como um hematoma intra-parenquimatoso de menor tamanho. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 8 Hemorragia intraventricular: o sangue pode se abrigar dentro dos ventrículos encefálicos geralmente devido à ruptura de aneurismas ou por trauma. Depois que o paciente passa um tempo deitado, observamos a formação de níveis líquidos devido à deposição sanguínea nos cornos occipitais, uma vez que o sangue é mais denso que o líquor. Acidente vascular cerebral (AVC): os AVC podem ocorrer por isquemia (falta de suprimento sanguíneo para o parênquima) ou por rompimento de um vaso dentro do parênquima (hemorrágicos). Quanto à prevalência, 85% são isquêmicos e 15% hemorrágicos. AVC hemorrágico: o principal tipo de AVCH é o hipertensivo. O fator de pior prognóstico não é aquele paciente com hipertensão crônica, mas sim aquele que desenvolve picos de hipertensão. A pressão diastólica é a que determina o risco de ocorrência AVC hemorrágico (quando chega em torno de 140 mmHg, o risco de um AVCH é aumentado). Paciente com problemas na coagulação sanguínea como hemofílicos, por ruptura de aneurismas ou por malformação arteriovenosa (MAV) também entram no grupo de risco. Geralmente são hemorragias que acometem mais a região central. Radiologicamente, o AVCH aparece como uma coleção hiperdensa (branca) circundada, na maioria das vezes, por um halo hipodenso de edema citotóxico. Muitas vezes, nota-se desvio da linha média. o AVC hemorrágico hipertensivo: geralmente se dá pelo rompimento dos pequenos vasos (principalmente, as artérias lentículo-estriadas) que estão na insula, no tálamo, nos núcleos da base e ventrículos. o AVC hemorrágico por coagulopatias (hemofilia): normalmente é um único sangramento que se resolve espontaneamente. A principal característica é o sangramento em vários estágios. Radiologicamente, podemos observar uma coleção hipoatenuante (sangramento crônico que já está sendo absorvido) e outro hiperatenuante (sangramento agudo), o que forma nível líquido. o AVC por aneurisma: o sangramento ocorre no espaço subaracnóideo se depositando nas cisternas e nas fissuras. o AVC por malformação arteriovenosa (MAV): as malformações arteriovenosas (MAV) têm aspecto de sal com pimenta, onde os pontos escuros são os vasos (a pimenta) imersos no sangue extravasado (o sal). Radiologicamente, encontramos imagens serpiginosas, com presença de flebólitos, calcificações e hematomas intra-parenquimatosos. AVC isquêmico: pode ocorrer por um trombo arterial ou venoso, por embolia de uma coágulo, aterosclerose difusa, estenose de vasos e hipoperfusão (afogamento). No AVC isquêmico, o sangue deixa de perfundir o parênquima, o que leva ao sofrimento da área acometida por hipóxia. A área isquemiada pode evoluir para um infarto. Caso seja solucionado o problemas antes de ocorrer o infarto, ainda haverão chances de recuperação da área lesada, mas após a ocorrência do infarto, as chances de recuperação diminuem, deixando seqüelas. No exame de imagem, encontraremos uma área hipodensa (mais escura) decorrente da infiltração aquosa devido à reação inflamatória instalada na região. Quando se detecta um AVC, tem-se que verificar se há indicação de fazer terapia trombolítica, o que pode ser feito através de parâmetros tomográficos ou por critérios baseados na imagem de RM, além de dados clínicos do paciente. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 9 o Na TC, os sinais precoces de AVC isquêmico são: Sinal da artéria hiperdensa: uma artéria que se mostra hiperdensa devido à presença de trombos, por exemplo. Apagamento dos contornos do núcleo caudado e lentiforme Perda de diferenciação da substância cinzenta e branca Apagamento dos sulcoscorticais o AVC Isquêmico subagudo: quando o AVC se torna subagudo ele evolui para uma neovascularização da área isquêmica. Os vasos neoformados são mais fracos e podem sangrar com a transformação do AVC isquêmico. Às vezes não há sangramento, mas percebe-se o realce ao redor da área isquemiada, que indica a neovascularização. A característica principal do AVC subagudo é a neovascularização. DOENÇAS NEURODEGENERATIVAS Pode ocorrer na substância branca ou branca e cinzenta concomitantemente. Esclerose múltipla (EM): doença neurodegenerativa progressiva que evolui com surtos e que acomete mais mulheres. A idade do início clínico dos sintomas é, mais amiúde, entre os 20 e 50 anos. Radiologicamente, caracteriza-se por múltiplas placas de desmielinização hiperintensas (brancas) em T2 e hipointensas (escuras) em T1 na RNM. Embora a distribuição da desmielinização observada na EM seja um tanto aleatória, existe uma tendência para o envolvimento da substância branca periventricular, o corpo caloso e o sistema visual dos nervos ópticos os lobos occipitais. A medula espinhal também é um local de envolvimento frequente. As lesões tendem a ser simétricas. Quando se injeta contraste e a área afetada não o capta, significa que o surto já ocorreu anteriormente neste local. Já quando a área fica mais clara (capta o contraste), significa que o surto está acontecendo naquele momento, ou seja, a desmielinização ainda está ativa. Portanto, associar a clínica da EM com esta condição que o contraste proporciona nos auxilia à diferenciar o exame radiológico da EM do exame da demência vascular. Doença de Alzheimer: o diagnóstico definitivo desta doença crônica é o exame patológico post mortem, contudo, a hipótese clínica com o auxílio dos exames por imagem nos ajuda no acompanhamento da evolução da doença. A DA consiste na demência mais freqüente, e acomete em média 20% da população acima dos 65 anos. Observa-se uma perda de massa encefálica generalizada geralmente por danos insultos oscilativos. Há uma redução volumétrica do hipocampo, dos lobos temporais e frontais, bem como redução difusa de massa Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 10 encefálica. Radiologicamente, observaremos um aumento dos sulcos e encurtamento dos giros, com a eventual expansão dos ventrículos devido à atrofia cortical. Os sulcos são acentuados, ocorre aumento do 3° ventrículo, das cisternas e da fissura silviana. A dilatação ventricular ocorre para compensar a perda volumétrica de massa encefálica. Demência vascular: com o aumento da idade e o aparecimento de ateroscleroses, ocorre perda difusa da massa encefálica. Radiologicamente, observam-se múltiplos pontos hiperintensos nas imagens ponderadas em T2. É um diagnóstico diferencial para Alzheimer. Doença de Pick: terceira doença neurodegenerativa mais comum, predominante nas substâncias branca e cinzenta. Tem seu início nos lobos frontais e evolui para os temporais. É caracterizada radiologicamente pela presença de áreas hipodensas na TC, como se os sulcos cerebrais estivessem mais alargados. OUTRAS DOENÇAS NEUROLÓGICAS Meningite: diagnóstico é estabelecido por meio da clínica e de modo laboratorial (por punção lombar). Os exames de imagem para servem para investigar complicações, tais como empiema subdural, encefalite, hidrocefalia, ventriculite, abcesso epidural. Veremos cada uma dessas situações isoladamente. Encefalite: além da inflamação das meninges há também inflamação da substância cerebral. Caracteriza-se pela presença de grandes áreas hiperintensas em T2. Hidrocefalia: dilatação dos ventrículos laterais bem como do terceiro e quarto. A inflamação das meninges por obstruir as granulações aracnóides, reduzindo a reabsorção do líquor causando desequilíbrio na produção e absorção do mesmo. Além desta causa, a hidrocefalia pode acontecer por obstrução no percurso do LCR. Os achados clássicos são: aumento dos ventrículos laterais e arredondamento do III ventrículo (o qual, normalmente, é apenas uma estreita fenda). Contudo, devemos diferenciar a hidrocefalia tradicional da chamada hidrocefalia de pressão normal que acontece devido à atrofia cerebral. Este tipo, além do aumento ventricular, será acompanhado do aumento dos sulcos encefálicos. Ventriculite: surge a partir de uma encefalite após a formação de uma coleção organizada com um realce periférico e uma coleção hipoatenuante dentro do ventrículo. Pode haver um realce ependimário dentro do ventrículo (branco). O exame com contraste mostra o trombo escuro, pois o mesmo não capta o contraste. Já no exame sem contraste o trombo fica branco. O trombo pode levar a um AVC isquêmico por meningite. Trombose do seio sagital superior: é facilmente identificada com a injeção de contraste. Abscesso epidural: trata-se de uma coleção hipodensa com realce periférico anular epidural depois do uso de contraste. Pode ser complicação de outras patologias que não meningite. Ex: sinusite. Empiema subdural: coleção com aspecto crescente quando sem contraste. Já com contraste faz um realce periférico heterogêneo (característica principal). Neurocisticercose: dada pela ingestão de carne de porco contaminada com cisticerco, que tropismo por músculos e encéfalo. No exame de imagem, visualizamos múltiplas lesões císticas pequenas (cisticercos), com hipossinal (em algumas pode haver hipersinal, representando o escólex do verme). O quadro clínico pode cursar Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 11 com epilepsia por irritação do foco. Na TC, observam-se focos hiperdensos com halo hipodenso circunjacente (algumas vezes, pode-se observar o próprio escólex). Às vezes, observamos cisticercos dentro dos ventrículos, caracterizando a forma racemosa da doença. . TUMORES CEREBRAIS PRIMÁRIOS Basicamente, podemos dividir os tumores cerebrais em dois grandes grupos: os malignos e os benignos. De fato, a imagem do tumor benigno é diferente do maligno. Imagens irregulares e com densidades diferentes sugerem tumores malignos. Astrocitomas: são os tumores supratentoriais mais frequentes do SNC. A classificação em benignos e malignos é simples, mas nos fornece uma visão clínica imediata do prognóstico do paciente. Contudo, tanto os gliomas benignos quanto os malignos têm prognóstico variável dependendo da localização e da possibilidade de ressecção cirúrgica. A localização e a histologia dos astrocitomas variam bastante com a idade. Na infância, os locais mais comuns de desenvolvimento de astrocitomas (pilocíticos ou baixo grau) são cerebelo, quiasma e hipotálamo, sendo seguido do tronco cerebral e do nervo óptico. Já na vida adulta, os astrocitomas (anaplásicos e os glioblastomas) são, na maioria das vezes, supra-tentoriais, acometendo hemisférios cerebrais quase sempre. Os astrocitomas podem ser classificados de acordo com o seu grau de malignidade: o Astrocitomas de baixo grau de malignidade (grau I ou pilocítico): quando localizados e de fácil acesso cirúrgico, apresentam bom prognóstico, em que o paciente pode ser curado totalmente. Têm como característica radiológica comum a não-captação do contraste, às vezes dificultando a sua visualização na TC de crânio. É identificado na tomografia como uma lesão cística, isto é, com conteúdo líquido. Contudo, quase sempre são isso ou hipodensos quando comparados ao cérebro adjacente nos estudos tomográficos sem contraste. Na RM é discretamente hipointenso em T1 e hiperintenso em T2. O edema circunjacente é tipicamente mínimo ou ausente. O prognóstico pós-ressecção cirúrgica completa é sempre muito bom. o Astrocitoma grau II: tem comportamento intermediário entre o grau III (anaplásico) e o grau I (considerados astrocitomas de baixo grau de malignidade). Responde por 15% dos casos de astrocitomas, apresentando uma sobrevida de 5 a 10 anos boa. Apresenta-se na tomografiacomo uma lesão hipodensa (semelhante a um AVC isquêmico; diferenciando-se desse por ter limites bem precisos). Além disso, o tumor pode ser diferenciado do AVC pela história clínica do paciente: cefaléia crônica, déficits motores de evolução mais lenta e convulsões, diferentemente do quadro de AVC (um quadro extremamente agudo). A confirmação patológica deve ser feita pós-ressecção total do tumor. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 12 o Astrocitomas de grau intermedirio (astrocitoma anaplsico ou grau III): o segundo tipo mais comum (25% dos casos), j sendo considerado maligno. Constituem massas do SNC de evoluo agressiva e que pode apresentar as mesmas caracter sticas radiolgicas do glioblastoma multiforme, isto , captao heterognea de contraste, mas sem a presena de reas de necrose. Apenas a experincia do examinador em avaliar sinais como o edema pode auxiliar na diferenciao do astrocitoma anaplsico e do glioblastoma apenas pela avaliao de exames por imagem. O diagnstico definitivo obtido atravs da avaliao histopatolgica. o Astrocitomas de alto grau de malignidade (glioblastoma multiforme ou grau IV): mais frequente tumor primrio do SNC e mais agressivo. A sobrevida assim que diagnosticada a doena , em mdia, de dois anos. Caracteriza-se por ser uma rea bem heterognea com necrose central (sempre). Costuma cruzar o corpo caloso (assim como faz o linfoma), sendo dif cil a diferenciao entre o parnquima sadio e o afetado. Existem apenas dois tumores cerebrais que cruzam o corpo caloso, o GBM e o Linfoma (este no cursa com necrose, desde que o paciente seja imunossuprimido). Na TC sem contraste, demonstram uma heterogeneidade intratumoral marcante: uma regio central de baixa densidade (hipodensa), que reflete a necrose ou a formao de cisto. Na RM, os glioblastomas multiformes so facilmente reconhecidos pela rea de necrose concntrica no captante de contraste, da o aspecto da imagem com a parte central escura, determinando um halo bem marcado na periferia do tumor. As margens tumorais geralmente se fundem com o edema circunjacente e, na verdade, representam “tumor + edema”. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 13 OBS5: Devemos saber diferenciar bem os tumores cerebrais benignos (como os astrocitomas de baixo grau) de algumas leses cerebrais c sticas, tal qual o abscesso cerebral. Este caracterizado por uma leso com hipodensa com vasta rea de edema (hipodensa na TC) que o circunda e que, aps injeo de gadol nio (contraste), apresenta a sua cpsula corada de forma anelar. A existncia de edema circundando qualquer leso cerebral, at que se prove o contrrio, trata-se de um quadro agressivo, originado por uma resposta inflamatria local. Contudo, alguns tumores podem apresentar-se de modo semelhante. Se estamos diante de um tumor ou no, devemos avaliar alguns pontos: paciente com histria de sinusite crnica e/ou febre crnica sugere abscesso cerebral. A prpria cirurgia pode justificar as dvidas: caso a coleo drene pus, trata-se de abscesso; caso drene um l quido citrino, trata-se de um tumor cerebral benigno. OBS6: Como vimos na OBS5, a presena de edema ao redor da leso significa severidade. Portanto, de extrema importncia o reconhecimento e a pesquisa do edema na RM, que se mostra com hipossinal em T1 ao redor da leso. Contudo, aquisies em T2, o edema se mostra com hiperssinal, o que pode auxiliar nas concluses de diagnstico e prognstico. OBS7: A RM oferece ainda um recurso (espectroscopia) para medir a perfuso da rea que se quer avaliar, determinando se a regio delimitada analogicamente uma área quente (com muita perfuso) ou fria (com pouca perfuso). As areas quentes so bastante sugestivas para tumores cerebrais. A medio de creatina e aspartato tambm pode ser utilizada para avaliar se a leso se trata ou no de um tumor: neste grupo de leses, o pico de creatina alto e o de aspartato, baixo. Meduloblastoma: originam-se das clulas primitivas da camada granular do cerebelo, sendo um tipo variante especial de tumores neuroectodrmicos primitivos (TNEP), apresentando-se apenas no cerebelo. Constituem cerca de 4 – 10% dos tumores primrios do SN, sendo o mais comuns dos tumores da fossa posterior na infncia (seguido dos astrocitomas cerebelares), acometendo, principalmente, o vrmis cerebelar. raro no adulto (e quando ocorre, suprantentorial). O diagnstico feito com TC e/ou RNM e confirmado pela cirurgia, que deve ser total e radical quando poss vel. Provavelmente devido sua densa celularidade e citoplasma escasso, a maioria dos meduloblastomas tem um sinal de intensidade um pouco menor nas ponderadas em T2 do que a maior parte dos outros tumores cerebrais primrios. Schwannoma (neurinoma do acústico): um tumor da fossa posterior, localizado no ngulo ponto-cerebelar que, apesar apresentar de apresentar um aspecto irregular e heterogneo (sugerindo malignidade), um tumor benigno, que se origina das clulas de Schwann do ramo vestibular do VIII par craniano (por esta razo, a nomenclatura neurinoma do acústico vem caindo em desuso). Na RM, em T1, observa-se uma rea tumoral com isossinal e bem delimitada no ngulo ponto-cerebelar, geralmente, desviando o tronco cerebral para a esquerda; em T2, geralmente observamos uma leso bem hidratada e, portanto, com hipersinal. Por compresso do nervo vest bulo-coclear e facial, teremos um quadro cl nico bastante rico: dficit auditivo, vertigem, dificuldade na marcha, vmitos, nistagmo, paralisia facial perifrica e aumento da presso intracraniana. Meningioma: um tumor extra-axial (fora do parnquima) originado da aracnide. Depois dos astrocitomas, so os tumores mais prevalentes. um tumor que tem base men ngea (da aracnide ou da dura-mter), isto , sempre deve ter uma grande rea de contato com as meninges. Pode se prender tambm foice do crebro, na poro petrosa do tentrio ou ainda no seio esfenoidal, contanto que esteja em contato com a meninge. Capta contraste homogeneamente e avidamente. Geralmente so benignos (80%). O prognstico mais favorvel a no ser que a localizao seja de dif cil resseco cirrgica, mas o tumor em si no agressivo. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 14 Tumores cerebrais metastáticos. Metástase cerebral: caracteriza-se por múltiplos nódulos na transição entre as substâncias cinzenta e branca e na porção mais profunda do encéfalo. Esses nódulos captam contraste de forma irregular. Podem ser calcificados ou sangrantes. O diagnóstico é simples, baseando-se, principalmente, na história do doente: o paciente apresenta um tumor extra-cerebral conhecido e esses nódulos aparecem dentro do parênquima cerebral ou cerebelar. Dentre todos os tumores cerebrais (inclusive os tumores primários), a metástase cerebral é a mais comum (sendo seguida pelo GBM). Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 1 MED RESUMOS 2012 NETTO, Arlindo Ugulino. RADIOLOGIA RADIOLOGIA DO SISTEMA MÚSCULO-ESQUELÉTICO (Professora Mariana Muniz) Além de dar sustentação ao corpo, o esqueleto protege os órgãos internos e fornece pontos de apoio para a fixação dos músculos. Ele constitui-se de peças ósseas (ao todo 206 ossos no indivíduo adulto) e cartilaginosas articuladas, que formam um sistema de alavancas movimentadas pelos músculos. O esqueleto humano pode ser dividido em duas partes: Esqueleto axial: é constituído pelos ossos que formam o longo eixo do corpo humano: ossos da cabeça, da coluna vertebral, e do tronco. Crânio = 22 Coluna vertebral= 26 Osso hióide = 01 Ossículos da orelha = 06 Costelas e Esterno = 25 Esqueleto apendicular: compreende a cintura escapular, formada pelas escápulas e clavículas; cintura pélvica, formada pelos ossosilíacos (da bacia) e o esqueleto dos membros (superiores ou anteriores e inferiores ou posteriores). Membro Superior = 64 Membro Inferior = 62 A principal forma de classificar os ossos leva em consideração o comprimento, largura e espessura dos mesmos, considerando também influência que estas dimensões determinam na forma do osso. Assim são classificados os seguintes grupos: Ossos Longos: neste grupo há o predomínio do comprimento sobre as outras dimensões. São constituídos por um corpo com uma escavação central, o canal medular; e duas extremidades, as epífises. A metáfise corresponde à transição entre a diáfise e a epífise, onde durante a puberdade, encontramos uma placa de crescimento que promove este evento de forma longitudinal nos ossos longos. Ossos Curtos: observamos que existe um equilíbrio nas três dimensões. Apresentam uma forma que lembra um cubo. Ossos Planos: há o predomínio do comprimento e da largura sobre a espessura. São ossos bastante delgados. Alguns ossos do esqueleto, em razão de suas particularidades morfológicas ou de exigências funcionais, apresentam uma forma incompatível com os grupos antes descritos, havendo então a necessidade do aparecimento de novos grupos: Ossos Irregulares: são ossos envolvidos com funções altamente elaboradas. Sua morfologia complexa é o resultado das exigências funcionais que sempre acompanham os ossos deste grupo. Ossos Pneumáticos: nestes ossos encontramos uma ou mais cavidades, denominadas seios, revestidas por mucosa, e contendo ar no seu interior. Ossos Alongados: neles há o predomínio do comprimento sobre as outras dimensões, porém não podem ser classificados como longos, pois são achatados e não exibem canal medular. Ossos Sesamoides: apresentam forma semelhante a de uma semente, desenvolve-se a partir da substância de um tendão muscular, ou da cápsula de uma articulação sinovial. A maioria dos sesamoides são também supra- numerários. Quando se estuda radiologicamente o sistema ósseo, opta-se pelas incidências básicas dos planos ortogonais (ou incidências rotineiras: em AP ou PA e perfil), embora incidências especiais (ou complementares, como a axial e oblíqua) possam ser solicitadas. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 2 ESTUDO RADIOLGICO ESQUELTICO NORMAL COLUNA VERTEBRAL A coluna vertebral uma estrutura segmentar que abrange a regio cervical, o dorso (poro torcica e lombar da coluna vertebral), o sacro e o cccix. definida por uma sucesso de ossos (vrtebras) no eixo supero-inferior que suporta parte do peso corporal, protege a medula espinal e participa no movimento do corpo e na postura, sustenta o crnio. A coluna vertebral de um adulto formada normalmente por 33 vértebras organizadas em cinco regies: 7 cervicais, 12 torcicas, 5 lombares, 5 sacrais e 4 coccgeas. As vrtebras so ossos irregulares que apresentam para estudo anatmico um corpo, um arco (pedculos e lminas) e processos. O corpo vertebral a parte anterior do osso, maior, aproximadamente cilndrica, que confere resistncia coluna e sustenta o peso do corpo. O arco vertebral est situado posteriormente ao corpo vertebral e consiste em dois pedculos e uma lmina. O arco vertebral e a superfcie posterior do corpo formam o forame vertebral. A sucesso desses forames forma o canal vertebral (canal medular), que contm a medula espinal e as razes dos nervos espinais que dela emergem. As incisuras vertebrais so entalhes observados em vistas laterais das vrtebras acima e a baixo de cada pedculo. Os entalhes vertebrais superiores e inferiores de vrtebras adjacentes se unem para formar os forames intervertebrais. Sete processos originam-se do arco vertebral: um processo espinhoso (mediano, que se projeta posteriormente), dois processos transversos (projetam- se pstero-lateralmente a partir da juno dos pedculos com a lmina), quatro processos articulares (dois superiores e dois inferiores, em que cada um sustentam uma face articular). No esquema ao lado, temos: A: corpo vertebral, onde se encontra a maior massa ssea da vrtebra. B: pedculos, que conecta o corpo vertebral s demais estruturas da lmina (ou arco) vertebral. No raio-X em AP, por estarem posteriores ao corpo vertebral, aparecem na imagem semelhantemente a “olhos” das vrtebras. C e D: os processos (ou facetas) articulares superiores e inferiores, que se articulam com a vrtebra acima e abaixo, respectivamente. E: processo transverso F: processo espinhoso Para um estudo mais detalhado da coluna, costuma-se dividi-la em trs colunas menores: a coluna anterior, desde o ligamento longitudinal anterior at 2/3 do corpo vertebral, abrangendo boa parte do corpo vertebral; a coluna mdia, desde o incio do 1/3 externo do corpo vertebral at o nvel do ligamento longitudinal posterior; e a coluna posterior, desde o ligamento longitudinal posterior ao ligamento supra-espinhoso. Esta diviso importante para avaliar, em casos de trauma de coluna, se a fratura estvel ou instvel: quando a fratura atinge apenas uma das colunas, ela tende a ser estvel. Quando ela atinge mais de uma das colunas, a fratura passa a ser classificada como fratura instvel e, devido a sua potencial capacidade de leso da medula espinhal, no pode ser imobilizada. Na radiografia simples, possvel observar as vrtebras relacionadas entre si. Na RNM, possvel observar os ligamentos da coluna (ligamento longitudinal anterior, ligamento longitudinal posterior, ligamento nucal, ligamentos intertransversrios, ligamentos interespinais, ligamentos supra-espinais, ligamentos amarelos) e os discos intervertebrais (nulo fibroso e ncleo pulposo). Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 3 MÃO E PUNHO O carpo, isto é, conjunto de ossos que compõem o punho, apresenta oito ossos que também podem ser visíveis na radiografia simples. São eles, de lateral para medial: escafoide, semilunar, piramidal e pisiforme (fileira proximal), trapézio, trapezóide, capitato (o grande osso) e hamato (osso ganchoso). Distalmente aos ossos do carpo, encontramos o metacarpo, constituído por 5 ossos metacarpais numerados em ordem crescente de lateral para medial (de modo que o 1º metacarpal se relaciona com o dedo polegar e o 5º metacarpal, com o dedo mínimo). Cada dedo apresenta ainda 3 falanges (proximal, média e distal), com exceção do polegar, que apresenta apenas duas falanges (proximal e distal). Vale conhecer ainda as articulações entre cada conjunto ósseo. Entre as falanges, encontramos as articulações interfalangeanas (que podem ser proximal ou distal). Entre os ossos do metacarpo e as falanges, encontramos as articulações metacarpo-falangeanas. A articulação do punho se faz entre a face articular carpal do rádio e apenas dois ossos da fileira proximal do punho: o escafóide e semilunar. OBS1: É sempre importante tomar conhecimento da nomenclatura anatômica das articulações para determinar a localização de uma luxação, por exemplo. A luxação, como sabemos, nada mais é que o deslocamento repentino e duradouro, parcial ou completo de um ou mais ossos de uma articulação. Sucede quando uma força atua diretamente ou indiretamente numa articulação, empurrando o osso para uma posição anormal. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 4 OSSOS DO ANTEBRAÇO O antebraço apresenta como arcabouço ósseo dois ossos: o rádio, mais lateral, e a ulna, mais medial. Estes ossos se articulam entre si nas suas duas extremidades: articulações radio-ulnar proximal (que envolve a incisura radial da ulna e a circunferência articular do rádio) e articulação radio-ulnar distal (que envolve a cabeça da ulna e a incisura ulnar do rádio). A posição anatômica da ulnase dá com a extremidade mais volumosa do osso voltada para cima, com a grande incisura encontrada nesta extremidade voltada para diante (incisura troclear), e incisura de menor dimensão voltada para o plano lateral (incisura radial, ainda na epífise proximal do osso). A posição anatômica do rádio se dá com a extremidade mais achatada do osso voltada para baixo (para se articular com o pinho), de modo que a saliência em forma de processo encontrada nessa extremidade fique voltada para o plano lateral. Note que os ossos do antebraço, para se articular com o cotovelo e com o punho, invertem as suas extremidades mais volumosas: a extremidade mais volumosa da ulna com a extremidade menos volumosa do rádio entram na constituição da articulação do cotovelo; a extremidade mais volumosa do rádio com a extremidade menos volumosa da ulna entram na constituição da articulação do punho. ARTICULAÇÕES DO OMBRO E DO COTOVELO A articulação do cotovelo se faz pela junção da tróclea umeral com a incisura troclear da ulna e do capítulo umeral com a fóvea da cabeça do rádio. Para estudo radiológico, traçam-se alguns planos para testar a veracidade da congruência ente estes ossos. Para estudo da articulação do cotovelo, assim como para as articulações do punho e dos dedos, faz-se duas incidências: AP e perfil. A articulação do ombro (articulação escapulo-umeral ou articulação gleno- umeral) envolve a esfera articular da cabeça do úmero com a cavidade glenoidal da escápula. Para estudo radiológico desta articulação, diferentemente do que se usa para as demais já estudadas, faz-se apenas uma incidência AP realizando a rotação interna e externa do braço, uma vez que a incidência em perfil em nada acrescenta para o nosso estudo. Algumas estruturas são facilmente identificadas, independente da rotação. São elas: Cabeça e colo anatômico do úmero Colo cirúrgico do úmero: local em que a epífise proximal do úmero sofre um adelgaçamento para dar início à diáfise do osso. É bastante fraturado por idosos. Tubérculos menor (mais anterior) e tubérculo maior (mais lateral). Processo coracoide e acrômio da escápula. Cavidade glenoidal e articulação gleno-umeral. Clavícula e articulação acrômio-clavicular. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 5 PELVE A pelve óssea é constituída por parte da coluna lombar, pelo sacro, cóccix e pelo osso do quadril (antigamente denominado de bacia, composto pelos seguintes ossos: ílio, ísquio e púbis). As linhas sacrais que, funcionalmente, servem de fixação para músculos do membro inferior, são importantes para a avaliação radiológica, uma vez que a descontinuidade das mesmas pode comprovar uma fratura importante. A articulação sacro-ilíaca também pode ser notada. Esta se faz pela junção da face auricular do ílio e a face auricular do osso sacro. Pode-se observar ainda a chamada articulação do quadril, que se faz entre a cabeça do fêmur e o acetábulo do quadril. As linhas traçadas para avaliar a integridade óssea são as seguintes: Linhas sacrais: traçadas a partir dos processos transversos das vertebrais sacrais. Linha ílio-pectínea: traçada ao longo do ramo superior do púbis, desde a eminência ílio-púbica até a sínfise púbica. Linha ílio-isquiática: traçada entre os pontos médios das incisuras isquiáticas maior e menor. Linha de Shenton: linha traçada na curvatura radiológica que se faz da margem inferior do ramo superior do púbis (que corresponde ao contorno superior do forame obturado) até a curvatura que o colo do fêmur descreve até o trocânter menor do fêmur. Esta linha avalia a integridade da articulação do quadril. Como a pelve funciona como um anel completo, toda vez que encontrarmos uma fratura em uma determinada região, devemos, obrigatoriamente, procurar outras lesões em outras regiões do osso. JOELHO O estudo da articulação do joelho pode ser feito em AP e perfil. Em ambas incidências, encontraremos facilmente os limites da epífise distal do fêmur e seus côndilos, a patela (que geralmente se omite na incidência AP, daí a importância do perfil), a fíbula e a epífise proximal da tíbia (com sua tuberosidade). TORNOZELO E PÉ A articulação do tornozelo se faz na junção da face articular inferior da tíbia com a tróclea do osso talus. Na incidência em perfil desta articulação, podemos observar a parte distal dos ossos da perna (tíbia e fíbula) e a distinção de alguns ossos do tarso, tais como talus, calcâneo, navicular e cuneiformes (medial, intermédio e lateral). No pé, quanto aos ossos do tarso, temos: talus, calcâneo, navicular, cuboide, cuneiforme lateral, intermédio e medial. A partir deles, temos os cinco metatarsais, também numerados de 1 a 5 em ordem crescente, agora de medial para lateral. A tuberosidade do 5º metatarsal, pequena proeminência óssea da epífise proximal deste osso, é uma estrutura facilmente fraturada. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 6 Os ossos dos dedos dos pés também se denominam falanges, apresentando, com exceção do primeiro dedo (ou hálux), três falanges cada (proximal, média e distal). É muito comum a presença de ossos sesamoides extra- numerários por sobre os ossos metatarsais. TRAUMATISMOS SSEOS Para avaliar a presença ou não de traumatismos e fraturas ósseas, devemos sempre considerar alguns parâmetros para cada osso avaliado, tais como: Avaliação da forma e contornos dos ossos Avaliação da integridade da cortical óssea Analisar os padrões de fratura, que variam de acordo com o impacto e com o grau de fragilidade óssea do local da lesão. Os variados padrões de fraturas podem ser: simples ou retilínea, em espiral, oblíqua, longitudinal, fratura cominutiva (em que a parte fraturada é dividida em mais de dois fragmentos), impactada (que fica intrincada uma parte sobre a outra) ou a fratura de superfície articular. Alinhamento da fratura: deve-se sempre avaliar a relação do segmento distal com o proximal. Estes segmentos podem estar desalinhados das seguintes formas: (1) em varus (quando o segmento distal à fratura se aproxima da linha média) ou em valgus (quando o segmento se afasta da linha média); (2) em rotação interna (quando gira medialmente) ou externa (quando gira lateralmente); (3) bayonet apposition ou cavalgamento (quando as estruturas ficam apostas uma sobre a outra, isto é, o segmento distal fica aposto ao segmento proximal); (4) distraction ou afastamento (oposto ao cavalgamento); (5) deslocamento (sem inclinação) medial ou lateral. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 7 Presença de alterações de partes moles Todos os estudos devem ser feitos em 2 projeções ortogonais: AP e perfil. As fraturas podem ser identificadas das mais diversas formas, a depender do osso a ser estudado. De uma forma geral, a fratura forma uma solução de continuidade no osso. Esta solução pode apresentar-se na forma de uma linha radiotrasparente ou na forma de uma linha radiodensa (geralmente ocorre nas fraturas impactadas). Outros sinais importantes para serem avaliados são: o degrau de córtex (em que se observa um desalinhamento da cortical óssea) e a interrupção das trabéculas ósseas (linhas radiodensas sutis). Quando não se consegue encontrar os sinais de fraturas na radiografia simples, podemos lançar mão do uso de outros exames por imagem, tais como: Cintilografia e escaneamento ósseo: exame pouco específico mais muito sensível. Neste exame, ocorre a formação de uma área de captação mais intensa nos lugares onde se tem fratura, infecção ou tumores ósseos. Para isso, injeta-se ou ingere-se um radiofármaco com afinidade óssea. É comum observar ainda esta área de captação aumentada na região da bexiga urinária, por se tratar do local por onde será excretado este radiofármaco. Tomografia computadorizada: é utilizada para avaliar fraturas de localização mais complexa, como cotovelo, coluna (vértebras), pelve, etc. A TC fornece mais detalhes para avaliação da fratura. Ressonância nuclear magnética: atualmente, a RNM é muito utilizada para avaliação da cortical óssea e das estruturas moles adjacentes, tais como músculos, tendões, ligamentos, medula óssea, meniscos, cavidade articular, etc. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 8 TIPOS DE FRATURAS As fraturas podem ser classificadas da seguinte maneira: Fraturas expostas (abertas): quando o osso rompe os tecidos mais externos e se comunica com o meio exterior. Fraturas fechadas: que não se comunica com o meio externo. Fraturas completas: envolve as duas corticais ósseas. Fraturas incompletas: atinge apenas uma das corticais ósseas. Fraturas ocultas (contusão óssea): tipo de fratura que não é visível na radiografia simples por não formar sinais como linhas radiotransparentes ou radiodensas. Fraturas em fio de cabelo: observa-se apenas um sutil e fino traço de fratura cruzando o osso. Fraturas cominutivas: quebra do osso em vários fragmentos ósseos (mais de dois). Fraturas por avulsão: quando alguma parte mole fixa ao osso traciona e fratura um determinado fragmento ósseo. Pode ocorrer, por exemplo, na ruptura do tendão patelar com avulsão da tuberosidade da tíbia. Fraturas segmentares: semelhantemente às cominutivas, neste caso, os segmentos fraturados são mais congruentes, menos lacerados e mais contínuos. Fraturas impactadas: ocorre que a parte fraturada é pressionada contra o outro fragmento, de forma que as estruturas vão se impactando uma sobre a outra. Fraturas em galho verde: tipo de fratura em que não há completa lesão da cortical óssea, mas o osso simplesmente se dobra ou se inclina. Geralmente, este tipo de fratura ocorre em crianças em que os ossos ainda não se encontram completamente mineralizados e, por esta razão, passa a ter uma característica mais maleável. Fraturas epifisárias: são fraturas que acometem a placa de crescimento ósseo. Salter-Harris propuseram a seguinte classificação para este tipo de fratura: tipo I quando acomete apenas a cartilagem de crescimento; tipo II quando a lesão atinge a cartilagem de crescimento e a metáfise (mais comum); tipo III quando a lesão atinge a cartilagem de crescimento e a epífise óssea; tipo IV quando a lesão atinge metáfise e epífise, cruzando a placa de crescimento; tipo V quando a cartilagem de crescimento é totalmente destruída. Quanto maior for o grau da classificação, pior o prognóstico da lesão. Fratura patológica: fratura que ocorre no osso previamente fragilizado por uma outra doença óssea (como um tumor). Pseudofratura: ocorre, por exemplo, na osteomalácia, em que tecido mineral se deposita sobre o osso, formando linhas que podem simular uma fratura na radiografia simples. Contudo, neste caso, o paciente pode nem apresentar histórico de trauma. Tocotraumatismos: são fraturas que ocorrem durante o parto. Antigamente, quando ainda se utilizada o fórceps para realizar partos difíceis, a clavícula era comumente traumatizada. Fraturas de estresse: ocorre em ossos saudáveis mais que, repetitivamente, é exposto a um movimento ou impacto brusco. Este tipo de fratura é muito descrita em soldados que marcham ou atletas que competem em maratonas. Fraturas por insuficiência: ocorre em ossos osteoporosos que, mesmo sem estresse algum ou trauma, a fratura sofre, espontaneamente. Geralmente, ocorrem fraturas deste tipo no colo do fêmur em mulheres na menopausa. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 9 TUMORES SSEOS Os tumores sseos malignos podem ser primrios ou metastticos. Estes ltimos so mais frequentes e, comumente, oriundos da prstata, mama, tireide, pulmo e rim. O diagnstico dessas neoplasias deve basear-se na anamnese, exame fsico, exames de imagem (raios X e/ou TC, cintilografia) e, finalmente no exame anatomopatolgico. Quando se faz a abordagem de algum paciente com suspeita de tumor sseo, necessrio seguir um protocolo para se observar as condies que podem influenciar e contribuir no diagnstico radiolgico. necessrio que se entenda que o radiologista no deve exercer o papel do patologista. A funo do mdico radiologista de interpretar a leso, associ-la a sua experincia com descrio da anatomia detalhada da regio lesionada e, se possvel indicar algumas provveis hipteses diagnsticas. Contudo, necessrio sempre buscar o diagnstico definitivo que dado somente pelo estudo histopatolgico da leso. Para a avaliao de leses tumorais sseas e atribuio de diagnsticos por imagem, devemos levar em considerao algumas caractersticas clnicas inerentes ao paciente ou leso, tais como: Idade, sexo, raa: so dados importantes, uma vez que certos tumores apresentam-se mais frequentes em determinadas faixas etrias. O sexo e a raa apresentam ainda relao com determinados tipo de leses sseas. A seguinte tabela relaciona a idade com a prevalncia de alguns tumores sseos: IDADE LESÕES MAIS PREVALENTES 1 - 10 Tumor de Ewing nos ossos tubulares 10 - 30 Osteossarcoma nos osso tubulares; sarcoma de Ewing nos ossos chatos 30 – 40 Sarcoma; tumores de clulas gigantes; linfoma >40 Mieloma; Condrossarcoma; Metstases Histria da doena: importante para investigar a histria da doena para que se diferencie leso benigna da maligna ou se h histrico de leso inflamatria. Exame fsico Dados Laboratoriais Tratamentos j realizados Exames anteriores Histologia: o diagnstico definitivo dos tumores sseos exclusivamente histopatolgico. Pode-se perceber ainda, atravs da histologia, se o tumor mais ou menos agressivo. Caso seja mais agressivo, incidentalmente, apresentar maiores chances de malignidade. O radiologista tem, portanto, a responsabilidade de avaliar a existncia ou no da leso. Caso haja alguma leso que sugira um tumor sseo, dever do radiologista avaliar as caractersticas de benignidade ou malignidade (em termos de agressividade) da leso. A partir desta anlise, indica-se ou no a bipsia, exame responsvel pelo diagnstico definitivo da leso. necessrio ainda observar se h alguma contradio entre o diagnstico radiolgico e o patolgico. MODALIDADES DE IMAGEM Quando se quer estudar possveis tumores sseos, a radiografia convencional permanece como o mtodo mais importante e inicial para a avaliao dos tumores sseos, na maioria das vezes, sendo o suficiente para o diagnstico. A RNM e a TC so utilizados para estadiamento ou para confirmar o que no foi visto ou do que ainda se tem suspeitas. Para avaliao de tumores sseos, temos disponveis as seguintes modalidades: Radiografia convencional: mtodo inicial e mais importante para avaliao radiolgica dos tumores sseos. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 10 Tomografia linear (ou planigrafia): está em desuso depois do advento da TC. Tomografia computadorizada (TC): reservada para estadiamento e para avaliar a integridade da cortical óssea. É capaz de fornecer detalhes acerca do comprometimento de partes moles. A TC tem uma sensibilidade e especificidade melhor do que a radiografia simples. Em resumo, a TC apresenta como função: Realizar o estadiamento da lesão; Avaliar a extensão da lesão; Avaliar o estado da cortical óssea; Avalia o comprometimento de partes moles melhor do que a radiografia simples; Avaliação de ossos com anatomia complexa (coluna, pelve) Controle de tratamento da lesão. Ressonância magnética (RNM): indispensável quando se tem invasão de partes moles por ser um exame capaz de fornecer uma perfeita imagem panorâmica da relação tumoral com estruturas adjacentes. É importantepara avaliar a extensão intraóssea da lesão. Um fato de grande importância, principalmente para o advento da biópsia, é que a RNM é capaz de diferenciar áreas de necrose e áreas de crescimento tumoral, sendo importante para que somente se retire segmentos com células tumorais vias. Em resumo, são funções da RNM: Indispensável para avaliação de tumores de partes moles Extensão intraóssea, principalmente, em tumores intraósseos Invasão de partes moles Relação com estruturas com adjacentes Comprometimento articular Diferenciação de áreas de necrose e células tumorais. Controle de tratamento Cintilografia óssea: quando se tem um paciente com clínica persistente de tumor mas com radiografia simples normal, deve-se optar pela cintilografia óssea por se tratar de um exame mais sensível quando comparada com o raio-X simples, embora seja menos específico (pois identifica não só áreas de tumor, mas áreas de fratura e de infecção). Seu uso é interessante para diferenciar lesões únicas de múltiplas, sendo capaz de diferenciar mieloma de metástases. Para a utilização da cintilografia, utiliza-se um radiofármaco como o tecnécio. Utilizado para pacientes com clínica persistente de tumor mas sem alteração na radiografia simples; Diferenciação de lesões únicas e lesões múltiplas Diferencia mieloma de metástases. Angiografia: é realizada por meio da injeção de contraste (como o iodo, gadolínio, gás carbônico). A partir desta injeção, ocorrerá a delineação do suprimento arterial ou venoso, sendo importante para avaliar tumores neovascularizados (que são mais agressivos) ou transplantes tumorais. A angiografia pode ser arteriografia, venografia ou ambos. A angiografia é responsável por mostrar o suprimento arterial dos tumores, determinando o seu grau de agressividade. Também serve para guiar a própria quimioterapia com cateter (braquiterapia). Ainda é utilizada para avaliar o melhor local para biópsia, evitando locais que sangre ou locais necrosados, e para planejar a cirurgia a partir do estudo da disposição gráfica das formações arteriais e venosas. São, portanto, funções da angiografia: Mostrar suprimento arterial para planejamento de QT intra-arterial Avaliar melhor local para biópsia (área sem necrose e com menor sangramento) Planejamento cirúrgico através do conhecimento da anatomia vascular regional Possibilidade de embolização Biópsia: é o método para diagnóstico definitivo. A biópsia deve ser teleguiada, muitas vezes, pelo exame por imagem (daí a importância do radiologista). O papel do radiologista é, portanto, de um anatomista, e não de um patologista. Contudo, associando a imagem, a experiência médica e os dados clínicos do paciente, o radiologista devem supor hipóteses diagnósticas. Contudo, o diagnóstico definitivo só pode ser obtido pela biópsia. CARACTERÍSTICAS DAS LESÕES ÓSSEAS Quando se avalia as lesões ósseas, é necessário seguir um protocolo pré-estabelecido para que se avalie todas as possíveis alterações existentes na estrutura sejam contempladas, definindo um completo diagnóstico radiológico. As lesões, quando observadas radiologicamente, devem ser classificadas, de acordo com seu aspecto de agressividade, em benignas e malignas. No caso de classificá-las como malignas, é necessário perceber se o tumor é primário (isto é, tem como sítio primário o próprio osso), secundário (quando o tumor benigno sofre uma degeneração Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 11 maligna, como por exemplo, o osteocondroma que se transforma em osteossarcoma) ou se ele é metastático (provenientes de sítios à distância, como próstata ou mama). O primeiro a se perceber no estudo radiológico dos ossos é a presença ou não de lesão. Quando há lesão, devemos classificá-las em lesões blásticas, lesões líticas ou mistas quando encontramos aspectos de ambas as lesões. Lesão blástica: são lesões produtoras de osso. Na radiografia simples, apresentam-se radiopacas (mais brancas) devido à maior densidade local. Lesão lítica: são lesões destrutivas. Na radiografia simples, apresentam-se radiotransparentes (mais escuras) devido à destruição óssea e desmineralização local. Lesões mistas: apresentam áreas tanto blásticas quanto líticas. Na presença da lesão, para uma melhor caracterização da mesma quanto a sua benignidade (baixa agressividade) ou malignidade (alta agressividade), devemos considerar as seguintes características: Localização Padrão de destruição óssea Matriz tumoral Resposta periosteal e tipo de reação Comprometimento de partes moles Presença de outras características: trabeculações e se as lesões são únicas ou múltiplas. 1. Padrão de destruição óssea O padrão de destruição óssea reflete o comportamento biológico da lesão (taxa de crescimento tumoral). Significa dizer que devemos observar se a lesão apresenta um crescimento rápido ou não. Existem três tipos para o padrão de destruição óssea: Padrão geográfico (1): é um padrão mais bem definido. Pode-se observar neste tipo de padrão: margens bem definidas e escleróticas (mais claras ou brancas) ou tipo 1A; margens bem definidas e não-escleróticas (quando não existem margens claras ou brancas) ou tipo 1B; margens indefinidas ou tipo 1C. Padrão em ruído de traça (2): o osso apresenta um aspecto semelhante à madeira ruída por traças. Padrão permeativo (3): a lesão é mais difusa ao longo do osso. 2. Margens da lesão De acordo com as margens da lesão (classificadas em uma escala ascendente), podemos determinar o grau de agressividade do tumor. A escala varia do grau 1A (isto é, lesão de padrão geográfico com margens escleróticas) ao grau 3 (padrão difuso). Quanto maior o grau da escala, maior a sua agressividade. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 12 1A – Padro geogrfico com margens esclerticas: as margens escleróticas apresentam-se como lesões bem definidas, com o padrão geográfico e margens claras ao redor (escleróticas). Quase todas as lesões observadas da escala 1A são lesões benignas, exceto o condrossarcoma, que é um tumor maligno, mas que pode apresentar características pouco agressivas. Os principais tipos de condições que geram este tipo de margem são: cisto simples, encondroma, defeito fibroso, condroblastoma, TCG, condrossarcoma (mais raro). 1B – Padro geogrfico com margens no esclerticas: neste caso, não se observa as margens escleróticas tão bem definidas. A maior parte destas lesões é benigna. Contudo, ainda pode-se encontrar mieloma maligno, metástase e condrossarcoma com este padrão periférico. As condições que cursam com margens não escleróticas são: TCG, encondroma, condroblastoma, mieloma, metástases e condrossarcoma. 1C – Padro geogrfico com margens imprecisas: as lesões com margens imprecisas, embora bem localizado, pode sugerir uma lesão maligna, tais como: condrossarcoma, fibrohistiocitoma maligno, osteossarcoma, metástases, linfoma. Bem como, podemos ter condições benignas, tais como TCG e infecções. 2 – Padro em rudo de tra a: neste caso, a maior parte das lesões cursa com malignidade: condrossarcoma, fibrohistiossarcoma maligno, TCG, metástases, infecção (lesão benigna), linfoma. 3 – Padro permeativo: as lesões permeativas podem ser causadas por tumores malignos e quadros infecciosos. Dentre as condições clínicas que cursam com este padrão permeativo, observam-se: tumor de Ewing, infeção, mieloma, metástases, linfomas e osteossarcoma. OBS2: Devemos ter em mente que a agressividade do tumor aumenta a probabilidade de malignidade, mas nem todo processo agressivo é maligno e nem toda doença maligna é agressiva. 3. Rea o Periosteal Com relação à resposta periosteal, deve-se entender que, quando o osso sofre algum tipo de agressão, ele lança mão de mecanismos de reação e defesa contra o agente agressor.Com isso, haverá um padrão de resposta periosteal, determinada pelo tipo de lesão que está acometendo o osso. O periósteo reage se reforçando de modo a não permitir que o osso rompa a cortical e avance para as partes moles. Existem os seguintes tipos de resposta periosteal: Compactada: refere à condição comumente encontrada em tumores benignos, que determinam um abaulamento do periósteo, sem que necessariamente ocorra rompimento cortical. Laminada: permite uma contenção do tumor pelo periósteo, que passa a apresentar-se laminado, com um periósteo de aspecto mais grosseiro que a reação compactada. Tringulo de Codman: rompimento da cortical óssea por incapacidade de contenção do tumor pela reação periosteal, sendo, pois, uma reação periosteal interrompida. Raios de Sol: tipo de reação espiculada de orientação mais divergente. Cabelo eri ado (hair-on-end): tipo de reação espiculada de orientação mais horizontal e paralelo. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 13 4. Comprometimento de partes moles É necessário avaliar ainda o comprometimento de partes moles adjacentes. Se houver, significa dizer que a lesão, que estava previamente dentro do osso, conseguiu romper a cortical óssea e atingir as partes moles. O melhor método para se avaliar este tipo de comprometimento é, sem sombra de dúvida, a TC ou a RNM. Na imagem da RNM, pode-se observar a existência de uma massa se estendendo até os músculos, feixes vasculonervosos, etc. Na radiografia simples, observa-se apenas um abaulamento de outras estruturas radiopacas circunjacentes com algum tipo de reação periosteal (como a espiculada em cabelo eriçado). 5. Trabeculações A trabeculação pode ser demonstrada como sendo fina e delicada (no caso do TCG, por exemplo), espessa e grosseira (fibroma condromixóide) e loculada (fibroma não- osteogênico), delicada e horizontal (cisto ósseo aneurismático), estirada e radiada (hemangioma). CARACTERÍSTICAS DE BENIGNIDADE E MALIGNIDADE Lesões benignas: lesões bem definidas, com padrão geográfico e margens escleróticas, ração periosteal sólida (compacta ou laminada), ausência ou pobreza de comprometimento de partes moles. Lesões malignas: reações periosteais interrompidas (triângulo de Codman e reações espciuladas), padrão permeativo ou em ruído de traça, ruptura da cortical com comprometimento de partes moles e presença da zona de transição larga (dificulta a diferenciação dos limites do osso doente e do osso são). Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 14 INVESTIGAÇÃO DA LESÃO NEOPLÁSICA ÓSSEA E COMPLICAÇÕES Depois de encontrada a leso e caracterizada quanto aos seus parmetros de malignidade e benignidade (anatomia ssea, estado da cortical, calcificaes, invaso de partes moles), devemos reduzir, ento, a lista de diagnsticos diferenciais. Para isso, devemos avaliar a necessidade de bipsias e determinar o local onde devero ser realizadas. O relatrio radiolgico deve constar os seguintes elementos: Descrio da tcnica do exame Qualidade e limitaes do exame Sumrio da histria clnica / histria radiolgica Descrio dos achados radiolgicos Impresso diagnstica Diagnstico diferencial Recomendaes para investigaes adicionais Comprovado o diagnstico histopatolgico do tumor, deve-se realizar o adequado estadiamento para optar por alguma conduta teraputica. vlido ao radiologista avaliar, ainda, se o diagnstico histolgico consiste com o diagnstico radiolgico. Devemos atentar ainda para as Don’t touch lesions, isto , leses que no necessitam de biopsia ou de tratamento. O radiologista deve ter em mente ainda as principais complicaes para as quais os tumores sseos podem cursar, tomando posse do grau de risco que seu paciente porta com esta doena. So exemplos de complicaes de tumores sseos: Metstases Transformao maligna Fratura patolgica Distrbio de crescimento sseo Compresso vsculo-nervosa CASOS CLÍNICOS Cisto ósseo: trata-se de uma leso predominantemente ltica, com margens bem definidas (padro geogrfico). Podem existir reas com margens esclerticas e no-esclerticas, ausente de reao periosteal. Pode haver algumas trabculas em seu interior. Neste caso, o cisto se desenvolve na metadifise. Cisto ósseo aneurismático: caracteriza-se por uma leso ltica (aparece com aspecto escurecido), margens bem definidas (ainda que no sejam esclerticas). Neste caso clnico, pode-se observar um aumento de tamanho da epfise proximal da fbula, sendo, por esta razo, descrita como leso insuflante (por isso a denominao de “aneurismtico”). uma leso de curso benigno. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 15 Sarcoma de Ewing: o sarcoma de Ewing o segundo tumor sseo maligno mais comum na infncia e na adolescncia. radiografia simples, a leso pode ser ltica, blstica ou mista, com a presena ou no do triangulo de Codman. Na tomografia, observa-se uma leso diafisria em aspecto de “casca de cebola” (diferentemente do aspecto de raios de Sol do osteossarcoma). Neste caso em questo, percebe-se o triangulo de Codman, interrompendo a formao da reao periosteal. Ocorrendo, pois, fratura patolgica sem uma descrio precisa da leso. Tem pssimo prognstico. Mieloma: tipo de tumor que acomete a medula ssea de forma disseminada. No caso em questo, temos um paciente idoso (66) com leses mltiplas no mero e crnio. Quando se fala em leses mltiplas, deve-se pensar sempre em mieloma ou metstase. A localizao desta leso se d principalmente em ossos chatos e longos. Na cintilografia ssea, o mieloma no capta o radiofrmaco (reas frias), diferentemente da metstase. A clnica tambm pode auxiliar na diferenciao: se o paciente no tiver um histrico de tumor conhecido, sugere-se mieloma. O mieloma mltiplo tem um bom prognstico. Osteossarcoma: o mais comum dos tumores malignos primrios dos ossos, acometendo, principalmente, o esqueleto apendicular (os mais fceis de tratar). Contudo, pode desenvolver-se em qualquer osso ou mesmo em partes moles, mas, na maioria das vezes, acomete o mero e a tbia proximais e o fmur distal. Tem preferncia pelo sexo masculino, incidindo, principalmente, em crianas e adultos jovens. A dor e/ou o aumento de volumes locais so os primeiros sintomas. No caso em questo, observam-se radiografias simples em perfil e AP e RNM em corte coronal. Este paciente, com 16 anos, apresente uma leso em difise do fmur. Por ter mais de 10 anos, j se desconfia de osteossarcoma. A leso possui reas lticas e blsticas (mistas), com margem permeativa (no se pode definir claramente onde termina e onde se inicia a leso), apresentando reao periosteal espiculada. A matriz osteide, tipo blstica. Ocorre ainda invaso de partes moles (sutilmente observada no raio-X e ampla na RNM). Tem um pssimo prognstico. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 1 MED RESUMOS 2012 NETTO, Arlindo Ugulino. RADIOLOGIA ESTUDO RADIOLÓGICO DO APARELHO URINÁRIO (Professores Mariana Muniz) A introdução de novos métodos e o aperfeiçoamento dos aparelhos radiológicos tradicionais influenciaram muito o uso de imagem no diagnóstico e no tratamento dos pacientes com doença do trato urinário. No passado, as radiografias simples do abdome e a urografia excretora foram o ponto de partida no processo de diagnóstico por imagem. Hoje em dia, a tomografia computadorizada (TC), a ultrassonografia (USG) ou a ressonância magnética (RNM) podem ser solicitadas inicialmente. A escolha do método adequado tornou-se mais complexa devido aos vários métodos disponíveis. O uso dos exames poderá ser melhorado se os médicos forem criteriosos na seleçãodos pacientes, antes de solicitar um exame de imagem. Embora a adrenal não se relacione com o sistema urinário, esta será aqui descrita devido às suas relações anatômicas. ANATOMIA RADIOLGICA DO SISTEMA URINRIO RIM O rim normal é uma estrutura em forma de feijão, situado em cada lado da coluna torácica inferior e lombar superior, geralmente entre a borda superior da décima vértebra torácica e a borda inferior da terceira vértebra lombar. Mais precisamente, os rins se estendem de T12 a L3. O rim direito situa-se cerca de 5 cm abaixo do nível do rim esquerdo. Eles movem-se moderadamente com a respiração. O tamanho dos rins normais é variável. A variação normal do comprimento renal nos adultos é de 11 a 15 cm. Os rins são órgãos retroperitoneais e estão contidos pela cápsula renal, sendo circundados por gordura perirrenal, encerrada na fáscia de Gerota (perirrenal). Na radiografia simples costuma-se observar apenas a sombra renal, isso por se tratar de um órgão retro-peritoneal. Sua visualização é possível principalmente devido à presença da gordura perirrenal. Para melhor estudo, injeta-se contraste iodado por via endovenosa (urografia excretora) e, por se tratar de um contraste hidrossolúvel, será concentrado e eliminado pelos rins. O contraste pode desenhar todo o formato do sistema coletor renal: cálices menores (em torno de 15), cálices maiores (em torno de 3 a 4) e pelve renal, que nada mais é que a porção mais proximal e dilatada dos ureteres. No USG, ao se fazer cortes coronais dos rins, observa-se que a cortical é sempre hipoecogênica enquanto que a porção medular é hiperecogênica devido à presença do sistema coletor. Há, portanto, uma diferenciação córtico-medular na USG. Ao se avaliar o rim com Doppler, nota-se o fluxo das artérias renais no hilo renal, apresentando picos sistólicos com pouca resistência, uma vez que o rim é um órgão muito bem vascularizado. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 2 URETERES Os ureteres normalmente dirigem-se para baixo da porção mais inferior do bacinete para a região mesossacra; a seguir, retornam póstero-lateralmente e avançam em arco para baixo e, em seguida, para dentro e anteriormente, a fim de penetrar no trígono da bexiga em cada lado da linha média. Existem três áreas onde é possível observar o estreitamento normal do ureter, quando este se encontra cheio de contaste radiopaco: a junção ureteropélvica, a junção ureterovesical e a bifurcação dos vasos ilíacos, os locais onde os cálculos frequentemente se alojam no seu percurso. BEXIGA A bexiga urinária normal é transversalmente oval ou redonda; a porção inferior normalmente projeta-se 4 a 10 mm acima da sínfise púbica. Seu assoalho é paralelo ao aspecto superior dos ramos púbicos, e sua abóbada é arredondada nos homens e discretamente côncava nas mulheres devido à presença do útero sobre ela. O tamanho e a forma da bexiga normal variam de forma considerável. A bexiga, quando está distendida por urina, mostra-se anecogênica no USG, mostrando um reforço acústico posterior. Na TC, quando não apresenta contraste, mostra-se com densidade um pouco menor que os tecidos moles circunjacentes. GLÂNDULAS ADRENAIS As glândulas adrenais são duas pequenas massas em forma de Y ou de V invertido, localizadas acima dos pólos superiores dos dois rins, de situação um pouco ântero-medial. Apresentam, para estudo anatômico e funcional, um córtex (produtor de corticosteróides) e uma medula (produtora de catecolaminas). PATOLOGIAS DO APARELHO URINRIO Anomalia de junção uretero- pélvica (JUP): acontece uma estenose da junção uretero-pélvica (ou pielo) proximal. Quando a urina produzida pelo rim passa para o sistema coletor, ocorre uma retenção urinária na pelve renal causando, a longo prazo, a hidronefrose. Na USG, a dilatação da pelve mostra-se anecogênica com um pequeno reforço acústico posterior. É uma das causas mais frequentes de massa abdominal no neonato. A correção e cirúrgica. Duplicação do sistema coletor: o sistema coletor renal pode duplicar-se de um lado. Os ureteres duplicados podem se unir no meio do trajeto (duplicação incompleta) ou seguirem até o fim de seu trajeto duplicados (duplicação completa). Esta condição favorece à formação de cálculos por estase urinária. Contudo, é praticamente uma variante da condição normal sem maiores repercussões. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 3 Ureterocele: quando o ureter penetra na bexiga, ele apresenta uma porção intra-mural (dentro da parede vesical). Nesta região, o ureter por formar um pequeno divertículo que acumula urina, formando uma pequena estase urinária. Na radiografia contrastada, observa-se uma imagem costumeiramente chamada de cabeça de cobra. Onde se desenvolve a estase urinária, pode haver uma predisposição à formação de cálculos (litíase). Quando isso acontece, pode-se observar na USG a presença da cavidade anecogênica da ureterocele com a presença do cálculo (um ponto hiperecogênico com uma sombra acústica posterior associada). Agenesia renal: a ocorrência de rim único é uma anomalia muito rara, sendo preciso cuidado ao se realizar o diagnóstico radiológico de agenesia renal unilateral, porque um rim contralateral não-funcionante ou mal posicionado pode não ser prontamente visível. Além disso, a agenesia renal bilateral é rara. Os sinais radiológicos consistem em ausência da sombra renal em um lado com um rim incomumente grande do outro lado (o chamado rim vicariante). Para confirmar a agenesia, faz-se a arteriografia, que demonstrará a ausência da artéria renal correspondente. Com o advento da TC, RNM e da USG, o diagnóstico de agenesia renal tornou- se mais fácil, e a angiografia não é mais um procedimento rotineiro. Rim multicístico displásico: condição congênita cujo diagnóstico pode ser feito intra-uterinamente em procedimento obstétrico. Fala-se que se trata de um insulto isquêmico precoce que impede a formação do parênquima renal, onde se formarão múltiplos cistos renais. Na USG e na TC, observa-se um rim aumentado contendo várias estruturas anecoicas ou hipodensas separadas por septos (os cistos). Se for bilateral, é incompatível com a vida. Contudo, a maioria dos casos é unilateral. Os cistos, à medida que o indivíduo cresce, tendem a diminuir e formar um rim hipoplásico ou atrófico e não funcionante. O médico deve acompanhar e esperar a atrofia gradativa do órgão ou esperar uma eventual infecção ou hemorragia para se realizar a nefrectomia. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 4 Rins em ferradura: condição em que os pólos inferiores dos rins se fundem anteriormente à aorta abdominal. Esta fusão pode ocorrer por junção de parênquima funcionante ou por uma faixa fibrosa. Os pólos superiores raramente estão envolvidos. Esta condição, além de facilitar a exposição renal a traumas, predispõe à formação de cálculos devido à má posição do eixo do sistema coletor (isto porque os pólos inferiores estão mais próximos ao plano mediano, quando deveria ser o pólo superior o mais próximo). Afora estas complicações, os rins funcionam normalmente. Esta condição pode ser facilmente visível por meio da TC e da RNM. Ectopia renal: presença do rim em alguma localidade que não a sua normal. A condição unilateral é mais comum, sendo a pelve a região mais frequente para localização deste rim ectópico (rim sacral ou pélvico). Contudo, há relatos de rins localizados na caixa torácica. Os rins, mesmo em localidades diferentes, costumam funcionar normalmente. Quando o rim não é visualizado na sua posição normal, deve-se sempre suspeitar de ectopia e realizar uma pesquisa à sua procura, porque a agenesia de um rim é uma condição rara. Em muitos casos, o rim só pode ser visualizado quando delineado pelo meio de contraste, deforma que pode ser necessária a solicitação de TC, urografia excretora, cintilografia ou pielografia retrógrada para indicar a sua real posição. Ectopia renal cruzada: é uma anomalia de forma muito mais comum do que o rim em ferradura. Consiste em uma condição em que os rins estão fundidos e localizados no mesmo lado; o inferior é ectópico, e seu ureter cruza a linha média para entrar na bexiga normalmente no lado oposto. Cistos renais e classificação de Bosniak: o radiologista Bosniak estudou cistos renais simples e complexos (com a presença de componentes sólidos dentro) e propôs a classificação dos cistos de I ao IV de modo que, a medida que os cistos apresentam componentes sólidos ou calcificações, o índice de malignidade desta condição também aumenta. A classificação de Bosniak prediz o caráter maligno do cisto à medida em que vai aparecendo componentes sólidos ou septais dentro do cisto (como um carcinoma de células renais maligno). Cisto renal simples (Bosniak I): apresenta-se anecoico com reforço acústico posterior na USG. Na RNM, apresenta-se hipointenso em T1 (mais escuro) e hiperintenso em T2. Na TC apresenta-se um pouco hipodenso (escurecido), mas sem conteúdo lítico. Cisto renal Bosniak II: apresenta um conteúdo mais espesso, de modo que na TC apresenta-se um pouco mais hiperdenso que o próprio parênquima renal. Pode apresentar calcificações. Cisto renal Bosniak III: apresenta um componente ainda mais denso que o Bosniak II e pode apresentar septações grosseiras em seu interior. Já apresenta características malignas importantes. Cisto renal Bosniak IV: apresenta poucos componentes e caracteres císticos e, ao invés de septos, apresenta vegetações que deixam o cisto com um aspecto bem mais grosseiro e agressivo. É mal definido, quando comparado aos demais cistos. Quando se injeta contraste, os componentes sólidos captam. É uma condição bem mais grosseira e com aspectos de malignidade. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 5 OBS1: As informações de malignidade são importantes pois sabe-se que para se fazer biopsia guiada por ultra-som ou por tomografia em lesões malignas, o estadiamento já é devido ao risco de liberar células neoplásicas no trajeto da agulha, piorando as condições de malignidade. Opta-se por realizar, nestes casos, uma nefrectomia parcial. Doença renal policística: as doenças renais policísticas podem ser autossômica dominante ou recessiva. A forma autossômica dominante é mais conhecida como doença renal policística do adulto, enquanto que a forma autossômica recessiva é mais conhecida como doença renal policística da infância. Nas duas formas, encontramos múltiplos cistos nos dois rins e, geralmente, no fígado, no pâncreas e no baço (esta localização disseminada de cistos diferencia esta condição do rim multicístico, onde os cistos se localizam apenas em um dos rins). É uma condição bilateral. Na USG, os rins mostram-se aumentados com vários cistos anecogênicos. Na forma autossômica dominante (do adulto) estes cistos se desenvolvem gradativamente, deteriorando a função renal, fazendo com que estes pacientes tornem-se fortes candidatos à realização de hemodiálise. Na TC, além dos cistos renais, observam-se os cistos nos demais órgãos frequentemente acometidos. Carcinoma de células renais (CCR): no exame por imagem, encontra-se uma massa dentro do rim geralmente unilateral. Muito frequentemente, observa- se uma área de necrose circundada por parênquima funcionante. Quando o carcinoma é cístico, aparenta-se com o cisto renal de Bosniak IV. É um tipo de carcinoma bastante agressivo. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 6 Angiomiolipoma: tipo de tumor benigno renal composto por vaso sanguíneo, músculo e gordura. Quanto maior o componente gorduroso, mais fácil a identificação do tumor. Capta pouco contraste devido a este componente gorduroso, sendo este responsável por tornar este tumor hipoatenuante na TC com ou sem contraste. Nefropatia de refluxo: condição que ocorre durante a infância, em que a criança com refluxo vesico-ureteral e, a partir do ureter, o refluxo urinário chega até o rim. Esta condição, quando constante, gera várias cicatrizes renais por infecções repetidas. Na USG, os contornos do rim se tornam lobulados, irregulares e de tamanho reduzido. Rim em estágio final (rim hipoplásico por nefropatia crônica): nefropatias crônicas podem levar a um estágio terminal do rim, de forma que ele reduz de tamanho exageradamente e perde suas funções. A diferenciação das ecogenicidade da cortical e da medula renal na USG é perdida, de forma que todo o rim fica hiperecogênico. Se for uma condição bilateral, o paciente deve ser submetido à hemodiálise. Nefrite: a infecção do trato urinário alto aparece na USG de forma hiperecogênica na cortical renal, onde deveria ter apenas áreas hipoecogênicas, devido ao acometimento da infecção. Na TC, compara-se os dois rins, de modo que o acometido apresentará uma área mal definida. Trauma renal: geralmente ocorre por golpes diretos na loja renal (posteriormente) ou por acidentes automobilísticos. O trauma renal pode se caracterizar de forma variável: pode apresentar apenas uma pequena lesão renal ou uma laceração importante. A TC é o padrão ouro para avaliação desta condição, onde se observa uma descontinuidade do parênquima renal, que pode ser extensa ou não, podendo avaliar ainda o extravasamento de sangue ou urina na cavidade abdominal (podendo formar o urinoma). O tipo mais grave de traumatismo renal é aquele que acomete o hilo renal (verificado por uma falta de captação de contraste pelo rim, geralmente unilateral), de forma que o rim deixa de ser vascularizado. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 7 Litíase urinária: a presença de cálculos pode ocorrer ao longo de todo o aparelho urinário, desde a pelve renal até a bexiga. Podemos ter, portanto, litíase renal, litíase ureteral e litíase vesical. O melhor método para visualização e diagnóstico de litíase urinária se faz por meio da tomografia computadorizada helicoidal, uma vez que as alças intestinais interferem na visualização do cálculo por meio da USG. Este exame pode ser utilizado para avaliar cálculos renais, cálculos de ureter proximal e cálculos no terço distal do ureter (próximo da bexiga). O radiologista deve informar ao médico a localização e o tamanho do cálculo para que o urologista determine a melhor forma para retirada do mesmo. Ocorrerá, portanto, obstrução do fluxo e estase urinária a montante (acima) do ponto onde o cálculo estiver instalado. No caso da litíase vesical, observa-se na TC, por exemplo, a presença de cálculos hiperdensos dentro da bexiga ou a falha de enchimento vesical depois de aplicado um meio de contraste. Carcinoma de células transicionais (CCT): enquanto que o CCR é o tumor renal mais frequente, o CCT representa o tumor mais prevalente no sistema coletor renal, no ureter e na bexiga. Na USG pode ser expresso como uma formação irregular na parede da bexiga e na TC demonstra-se por uma falha de enchimento após contraste. A urografia também mostra uma falha de enchimento ou um enchimento irregular da bexiga. Estes exames também são capazes de observar a presença desta formação tumoral nas demais regiões do sistema de condutos urinários. Cistite: a infecção da bexiga (infecção do trato urinário baixo) pode cursar com os exames de imagem normais ou pode haver um espessamento da parede da bexiga. Pode haver ainda a deposição de sedimentos densos na porção gravidade-dependente da bexiga. Normalmente, é causada por ciclofosfamida e outros quimioterápicos. Cistite enfisematosa: tipo de infecção da bexiga causada por microrganismos produtores de gás mais comum em pacientes com diabetes ou aqueles restritos ao leito. Observa-sena TC, por exemplo, um espessamento da parede vesical com a presença de pontos hipodensos (com densidade semelhante à do pulmão) na parede da bexiga. Pode haver ar dentro da bexiga em casos de pacientes sondados. Divertículo vesical: pode ocorrer a formação de um divertículo (pequena bolsa) em qualquer porção da bexiga, de modo que a urina passa a se estagnar nesta bolsa. Esta condição predispõe à infecção urinária. Arlindo Ugulino Netto – RADIOLOGIA – MEDICINA P5 – 2009.2 8 Adenoma adrenal: consiste no principal tumor da glândula adrenal. Geralmente, trata-se de um tumor benigno que apresenta, na maioria das vezes, gordura em seu interior. Na maioria das vezes, este tumor não excede os 3 cm (quando ultrapassa esta dimensão, pensa-se em carcinoma da adrenal, tumor maligno mais irregular, maior, com área de necrose concêntrica e mais agressivo). Na TC ou na RNM, observa-se a adrenal como uma massa arredondada com até 3 cm de diâmetro. Para confirmar o diagnóstico, pode-se fazer uma RNM em sequências que mostram a gordura e depois, sequências que excluem a gordura, confirmando a ausência da mesma no interior da glândula. Feocromocitoma: consiste no tumor de adrenal produtor de catecolaminas. Seu desenvolvimento cursa com crises hipertensivas paroxísticas, tremores e suores secundários a uma descarga muito grande de catecolaminas na corrente sanguínea. O diagnóstico se faz por meio do exame de urina (para a pesquisa do ácido vanilmandélico, produto do metabolismo dessas catecolaminas) e pela parte clínica. Na TC observa-se uma massa de adrenal que capta contraste. 10% dos feocromocitomas podem ser extra-adrenais, 10% bilaterais e 10% podem ser malignos. Carcinoma da adrenal: corresponde a uma massa grande a adrenal com áreas de necrose. Geralmente, excede os 3 cm e capta contraste de forma irregular devido às áreas de necrose. Trata-se de uma lesão neoplásica maligna e bem agressiva.