Logo Passei Direto
Material
Study with thousands of resources!

Text Material Preview

JAIR MESSIAS BOLSONARO
Presidente da República
TEREZA CRISTINA CORRÊA DA COSTA DIAS 
Ministra de Estado da Agricultura, Pecuária e 
Abastecimento
SERVIÇO FLORESTAL BRASILEIRO
VALDIR COLATTO
Diretor-Geral do Serviço Florestal Brasileiro
JAINE ARIÉLY CUBAS DAVET
Diretora de Cadastro e Fomento Florestal
PAULO HENRIQUE MAROSTEGAN E CARNEIRO 
Diretor de Concessão Florestal e Monitoramento
FERNANDO CASTANHEIRA NETO
Coordenador-Geral de Fomento e Inclusão Florestal
VITO ENZO GENESI
Coordenador de Fomento e Inclusão Florestal
BRUNO MALAFAIA GRILLO
DÉBORA SILVA CARVALHO
GRACIEMA RANGEL PINAGÉ
RUBENS RAMOS MENDONÇA 
Equipe Técnica
BRUNO MALAFAIA GRILLO
CLARISSA MARIA DE AGUIAR
GRACIEMA RANGEL PINAGÉ
RUBENS RAMOS MENDONÇA
TITO NUNES DE CASTRO
Conteudistas e revisores técnicos
AVANTE BRASIL INFORMÁTICA E TREINAMENTO LTDA. 
Projeto Gráfico e Ilustração
SUMÁRIO
1. Caracterização de fl oresta 5
1.1 Conceito de fl oresta 6
1.2 Classifi cação das fl orestas 7
1.2.1 Florestas boreais 8
1.2.2 Florestas temperadas 9
1.2.3 Florestas tropicais 10
1.3 Caracterização das fl orestas tropicais 11
1.4. As estruturas da fl oresta tropical úmida 13
1.4.1. Composição fl orestal 13
1.5. Florestas tropicais no Brasil 16
1.5.1 A fl oresta amazônica 18
1.6 A população que vive na fl oresta amazônica 22
1.6.1 Importância da fl oresta para as populações 22
1.6.2 Povos da fl oresta 23
1.6.2.1 Povos Indígenas 25
1.6.2.2. Pequenos produtores rurais e agricultores 
familiares 26
1.6.2.3 População tradicional e extrativistas 27
Encerramento do módulo 1 28
2. Florestas e Biodiversidade 30
2.1 Introdução 30
2.2 Produtos fl orestais madeireiros 33
2.3 Produtos fl orestais não-madeireiros 36
2.4 Serviços ambientais 43
2.5 Importância sociocultural 50
2.6 Lazer e ecoturismo 52
Encerramento do módulo 2 53
3. Apresentação 55
3.1. Sustentabilidade 56
3.1.1 Conceito de sustentabilidade 56
3.1.2 Sustentabilidade e Floresta 58
3.2. Defi nição de manejo fl orestal sustentável 59
3.3 Categorias de Manejo Florestal 60
3.4 Práticas de manejo 62
3.4.1 Planejamento 63
3.4.2 Intensidade e ciclo de corte 65
3.4.3 Etapas da execução do manejo 68
3.4.4 Saúde e segurança no trabalho 76
3.5 Importância do manejo fl orestal para a 
comunidade e para a fl oresta 78
Encerramento do módulo 3 78
4. Licenciamento do Manejo Florestal 80
4.1 Etapas de licenciamento 81
4.2 O Plano de Manejo Florestal Sustentável 88
4.2.1 Apresentação do Plano de Manejo Florestal 90
Aspectos gerais 90
4.2.2 Exigências para PMFS Plenos 99
4.2.3 Operacional Anual 102
Encerramento do módulo 4 109
5. Comercialização de produtos fl orestais 111
Encerramento do módulo 5 123
 MÓDULO 1
CARACTERIZAÇÃO DE 
FLORESTA
5INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
Olá! Eu sou o Carlos. Sou técnico extensionista e irei acompanhá-los neste curso. Vamos 
tratar do manejo florestal e das principais boas práticas exigidas pela legislação e pelo 
mercado.
Vamos ter a participação da Dona Bené, professora e representante da comunidade 
local, que tem dúvidas sobre o uso das florestas públicas.
A Bruna, analista ambiental do ICMBio, irá nos orientar sobre a parte burocrática do 
planejamento da atividade de Manejo Florestal Sustentável. Também contaremos com 
o apoio do Seu Raimundo, mais conhecido como Seu Raí, técnico de Segurança do 
Trabalho que já acompanhou vários planos de manejo.
CARLOS DONA BENÉ BRUNA RAIMUNDO
 1. Caracterização de fl oresta
6INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
 1.1 Conceito de fl oresta
Carlos, observamos muito no nosso cotidiano a utilização 
da palavra floresta, mas é comum que as pessoas não 
tenham noção do quanto ela pode ser imensa e diversa. Não 
podemos resumir a apenas uma grande área de terra com 
árvores que produzem madeira.
É verdade, Dona Bené. Vamos então começar chamando a atenção 
para o significado literal de floresta.
“Floresta” é qualquer vegetação que apresente predominância de 
indivíduos arbóreos, onde as copas das árvores se tocam formando 
um dossel. Sinônimos populares para florestas são: mata, bosque, 
capoeira e selva. Seu desenvolvimento está diretamente ligado aos 
fatores climáticos, como umidade e temperatura, incidência de luz 
solar (que variam de acordo com a latitude), altitude e composição 
do solo.
Uma floresta pode se constituir tanto de formações florestais 
fechadas (densas), nas quais árvores de vários estratos cobrem 
uma alta proporção do solo, quanto de florestas abertas, onde os 
indivíduos se encontram mais afastados entre si, impedindo que o 
dossel se feche em muitos pontos.
7INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
 1.2 Classifi cação das fl orestas
Pessoal, existem diversas formas de classificar 
uma floresta. A principal é quanto à sua 
localização no globo (boreal, temperada ou 
tropical). Pelas suas características, nem todas 
existem aqui no nosso país.
Então vamos detalhar melhor 
cada uma delas?
Classificação 
das
Florestas
8INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
 1.2.1 Florestas boreais
Florestas boreais são aquelas mais próximas aos polos, em regiões frias e com neve na maior parte 
do ano. Devido às baixas temperaturas, sua vegetação é pouco diversificada, sendo constituída 
principalmente por coníferas (abetos e pinheiros). Essas florestas são encontradas principalmente 
no norte do Alasca, Canadá, sul da Groelândia, parte da Noruega, Suécia, Finlândia, Sibéria e Japão.
A Floresta Boreal da Sibéria, também conhecida como Taiga Siberiana, é quase três vezes maior que 
a Floresta Amazônica.
9INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
A queda das folhas está associada a uma adaptação das plantas na defesa 
contra a seca fisiológica, uma vez que o inverno (nas regiões temperadas), que 
dura cerca de três meses, é bastante rigoroso e a água congela no solo. As 
árvores que apresentam esta característica são chamadas de caducifólias.
 1.2.2 Florestas temperadas
As florestas temperadas ocorrem nas regiões de clima 
temperado da Terra, que se caracterizam por possuir quatro 
estações do ano bem definidas. Além disso, essas florestas 
possuem árvores que perdem as folhas durante o período mais 
frio, por exemplo, o carvalho, o bordo, a faia e a nogueira. Essas 
florestas são encontradas em boa parte da América do Norte, 
por quase toda a Europa, nas regiões oeste e leste da Ásia, na 
Austrália e Nova Zelândia e na parte inferior da América do Sul.
 Saiba Mais
10INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
 1.2.3 Florestas tropicais
As Florestas Tropicais ocorrem nas regiões entre os trópicos, que se caracterizam por uma maior 
incidência de luz solar, predominando altas temperaturas e umidade. Essas florestas apresentam 
alta diversidade de espécies. São encontradas principalmente na América Central, na América do 
Sul, na África e no sudeste Asiático.
A Floresta Amazônica é a maior floresta tropical do mundo, com área de mais 
de 5.500.000 km2, estando presente em 8 países da América do Sul (Brasil, 
Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia) e no território 
da Guiana Francesa. No Brasil, ela ocupa quase a metade do território.
 Saiba Mais
11INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
 1.3 Caracterização das fl orestas tropicais
Que interessante! Estou tão 
acostumado aqui com a 
nossa floresta que nem me 
dava conta dessa variedade.
Tenho tratado disso com os meus 
alunos. Mas eu quero aprender 
muito mais sobre como podemos 
ser beneficiados com as florestas.
Foi bom ter chamado a 
atenção de vocês. Mas 
vamos ver um pouco mais as 
características das florestas 
tropicais, que é a que temos 
aqui?
As florestas tropicais são divididas em três categorias: Florestas tropicais secas, Florestas tropicais 
estacionais e Florestas tropicais úmidas (FAO, 2012).As florestas tropicais secas são caracterizadas por um longo período 
seco (5 a 8 meses) e possuem plantas que são adaptadas para resistir 
à falta de água, perdendo suas folhas ou acumulando líquidos em seu 
tronco, como é o caso dos cactos. A caatinga é um exemplo de floresta 
tropical seca no Brasil.
As florestas tropicais estacionais são caracterizadas por possuir um 
período seco (3 a 5 meses), no qual parte das plantas perde suas folhas 
durante esse período (espécies caducifólias). No Brasil, a maior parte 
desse tipo de vegetação está localizada na região Sudeste, dentro do 
bioma1 Mata Atlântica.
12INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
As florestas tropicais úmidas são caracterizadas pela umidade e pelas 
altas temperaturas, sendo que a região de ocorrência dessas florestas 
pode apresentar uma estação seca, que pode variar de 0 a 3 meses. 
Estes ambientes também possuem uma biodiversidade extremamente 
abundante, com a presença de árvores altas muito próximas umas 
das outras, formando um grande dossel sombreando o solo florestal. 
As principais florestas tropicais úmidas do Brasil ocorrem na faixa 
litorânea do bioma Mata Atlântica e no bioma Amazônia. 
1Conjunto de vida (vegetal e animal e as outras formas), com agrupamento de tipos de 
vegetação contínuos, em escala regional, com condições e clima e geologia parecidas, 
e uma história compartilhada de mudanças. Isso resulta em uma diversidade biológica 
própria de cada bioma.
Confira o mapa com a identificação dos biomas no Brasil.
Mapa dos Biomas (IBGE, 2019 - versão mais atualizada)
https://www.ibge.gov.br/geociencias/informacoes-ambientais/15842%20
13INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
 1.4. As estruturas da fl oresta tropical úmida
 1.4.1. Composição fl orestal
As florestas são formadas por milhares de espécies vegetais que apresentam diferentes tamanhos, 
formas e funções dentro do ecossistema florestal. Em relação ao tamanho e forma dessas espécies, 
podemos dividir a floresta em quatro estratos (altura): herbáceo, sub-bosque, dossel e emergente.
Emergente: árvores altas que 
ultrapassam o dossel.
Dossel: patamar superior da 
floresta, correspondendo a mais 
alta camada de folhas, caules e 
pequenos ramos expostos.
Sub-bosque: conjunto de 
plântulas e plantas jovens 
que crescem abaixo do dossel 
florestal.
Herbáceo: camada de ervas 
(planta não lenhosa e terrestre), 
subarbustos (planta de base 
lenhosa e ápice herbáceo), 
trepadeiras (planta de hábito 
escandente de forma ampla), 
sendo estas herbáceas (vinhas) 
ou lenhosas (lianas) e arbustos 
(planta lenhosa ramificada 
desde a base) com até 1,30m.
Para cada estrato, podemos identificar e quantificar em uma determinada área: 
Densidade: número de indivíduos por unidade de área, por exemplo, número de árvores por 
hectare. 
14INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
Área basal: área da seção do caule de uma árvore medida à altura de 1,30 m (DAP – diâmetro 
a altura do peito). Como calcular: AB = π(DAP)2/4 (onde π = 3,1415). Para calcular a área basal 
de uma área, soma-se a área basal de todos os indivíduos dessa área.
Distribuição espacial: além da quantidade de indivíduos por espécie, é importante saber 
como esses indivíduos se distribuem pela floresta. Uma espécie pode possuir distribuição 
aleatória, uniforme ou agregada na floresta. Essa distribuição está frequentemente ligada 
às variações das condições locais, como topografia, propriedades dos solos e também às 
características próprias das espécies, por exemplo, a dispersão de seus frutos (PUIG, 2008).
Distribuição diamétrica: distribuição do número de árvores por hectare, por espécie e por 
classe de DAP.
Numa mesma área, podemos observar a evolução 
da floresta ao longo do tempo, diante das seguintes 
observações:
Cada espécie vegetal da floresta apresenta diferentes estratégias de crescimento e 
sobrevivência, que se adapta e se organiza conforme os recursos disponíveis. Entre estes 
grupos, temos:
• Espécies primárias, que possuem um crescimento rápido (atingindo rapidamente o 
dossel), necessitando de maior iluminação para seu crescimento, com um ciclo de vida 
reduzido e produzem uma grande quantidade de sementes, que ficam bastante tempo 
no solo esperando melhores condições para se desenvolverem. Essas espécies crescem 
melhor após algum distúrbio no ecossistema, como a abertura de uma clareira na floresta. 
Exemplo: Açaí (Euterpe sp.), Paricá (Schizolobium amazonicum (Vell)) e Maricá (Mimosa 
bimucronata).
• Espécies secundárias e clímax crescem em condições de luz reduzida, possuem um ciclo 
de vida longo, produzindo sementes em menor quantidade. As espécies desse grupo são 
capazes de desenvolver plântulas dentro do sub-bosque da floresta. Exemplo: Jatobá 
(Hymenaea courbaril var. stilbocarpa), Copaíba (Copaifera sp.) e Sobrasil (Colubrina 
glandulosa Perkins).
Grupos ecológicos sucessionais
15INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
• Espécies secundárias e clímax crescem em condições de luz reduzida, possuem um ciclo 
de vida longo, produzindo sementes em menor quantidade. As espécies desse grupo são 
capazes de desenvolver plântulas dentro do sub-bosque da floresta. Exemplo: Jatobá 
(Hymenaea courbaril var. stilbocarpa), Copaíba (Copaifera sp.) e Sobrasil (Colubrina 
glandulosa Perkins).
A mortalidade e a formação de clareiras ocorrem o tempo todo dentro da floresta. Quando um 
indivíduo adulto do estrato superior morre, abre-se uma clareira que beneficia as espécies de 
crescimento rápido. Estas sombreiam rapidamente a área, facilitando o crescimento de espécies 
tolerantes à sombra. Isso transforma a floresta tropical úmida em uma junção de unidades 
florestais em diferentes processos de sucessão (clareiras, clareiras em processo de fechamento 
de dossel, áreas com vegetação madura, entre outros), transformando a floresta tropical úmida 
em um mosaico dinâmico.
Mosaicos
Entender a estrutura espacial das espécies arbóreas dentro da floresta ajuda 
no planejamento do manejo florestal, evitando a exploração excessiva de 
determinada espécie e, consequentemente, sua extinção dentro da área de 
manejo.
 Importante
16INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
Nossa, Carlos! Quanta coisa interessante! 
Dona Bené, agora vamos 
começar a ver por que estas 
informações são importantes 
no dia a dia do manejo florestal.
Florestas
tropicais
no Brasil
 1.5. Florestas tropicais no Brasil
Como vimos, o Brasil possui seis grandes biomas de características 
distintas, com cada um deles abrigando diferentes tipos de 
vegetação e de fauna. Bioma é conceituado como um espaço 
geográfico formado por organismos vivos agrupados em tipos 
de vegetação contíguos e identificáveis em escala regional, com 
condições geoclimáticas similares e história compartilhada de 
mudanças, o que resulta em uma biodiversidade própria.
Confira o Mapa dos Biomas na versão mais atualizada (IBGE, 2019).
https://www.ibge.gov.br/geociencias/informacoes-ambientais/15842%20
17INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
Dentro de cada bioma existem diferentes formações florestais. As 
tipologias de vegetação lenhosa que o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) 
considera como floresta correspondem às seguintes categorias de 
vegetação do Sistema de Classificação do IBGE (IBGE, 2012):
• Floresta Ombrófila Densa;
• Floresta Ombrófila Aberta;
• Floresta Ombrófila Mista;
• Floresta Estacional Semidecidual;
• Floresta Estacional Decidual;
• Campinarana (florestada e arborizada);
• Savana (florestada e arborizada) – Cerradão e Campo-Cerrado;
• Savana Estépica (florestada e arborizada) - Caatinga arbórea;
• Estepe (arborizada);
• Vegetação com influência marinha, fluviomarinha (arbóreas);
• Vegetação remanescente em contatos em que pelo menos 
uma formação seja florestal;
• Vegetação secundária em áreas florestais;
• Reflorestamento.
Essas formações florestais estão presentes em cinco dos seis biomas 
brasileiros. Apenas o bioma Pampa não apresenta formações florestais. 
18INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO1
 1.5.1 A fl oresta amazônica
A floresta amazônica é a maior reserva de biodiversidade do mundo e o maior bioma do 
Brasil, ocupando quase metade do território nacional. O bioma cobre totalmente cinco 
Estados (Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Roraima), quase totalmente Rondônia (98,8%) e 
parcialmente Mato Grosso (54%), Maranhão (34%) e Tocantins (9%). Já a Amazônia Legal, 
estabelecida no artigo 2º da Lei nº 5.173, de outubro de 1966, abrange os estados do Acre, 
Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, parte do Maranhão 
e cinco municípios de Goiás. 
A Amazônia Legal representa 59% do território brasileiro, distribuídos por 775 municípios, 
onde vivem, segundo a projeção de 2017 do IBGE, mais de 28 milhões de pessoas 
(aproximadamente 13% da população brasileira).
A região é compreendida pela bacia do rio Amazonas, a mais extensa do planeta, formada por 
25 mil km de rios navegáveis, em cerca de 6,9 milhões de km2, dos quais aproximadamente 
3,8 milhões de km2 estão no Brasil. A bacia escoa 20% do volume de água doce no mundo.
O clima predominante é quente e úmido, com temperatura média de 25°C, com chuvas 
bem distribuídas ao longo do ano.
Das formações florestais vistas anteriormente, segundo dados do IBGE (2012), a floresta 
amazônica é caracterizada pela presença de:
Floresta ombrófila densa
Floresta ombrófila aberta 
Campinarana florestada 
Campinarana arborizada 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5173.htm
19INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
Também conhecida como floresta tropical úmida ou pluvial, é a formação com maior presença 
dentro da floresta amazônica e caracterizada pela existência de árvores de grande porte. Essa 
formação florestal é subdividida em cinco categorias, de acordo com as variações das faixas de 
altitude: Altomontana, Montana, Submontana, Terras Baixas e Aluvial.
Apresenta um dossel mais aberto devido ao maior espaçamento entre as árvores, grande 
presença de cipós, palmeiras, bambus ou sororocas2. 
Floresta ombrófila densa
Floresta ombrófila aberta 
Veloso, Rangel Filho e Lima (1991) disponível em IBGE, 2012.
Veloso, Rangel Filho e Lima (1991) disponível em IBGE, 2012.
2Planta da família Musaceae, mesma das bananeiras.
20INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
Também conhecida como caatinga da Amazônia e caatinga-gapó, ocorre no alto rio Negro 
(noroeste do Amazonas) e no médio rio Branco (sul de Roraima). Essa formação se diferencia da 
floresta ombrófila por apresentar um porte menor das árvores com troncos mais finos.
Também conhecida como campinarana e caatinga-gapó, ocorre nas mesmas localidades da 
campinarana florestada, porém em locais com solos mais arenosos. Por essa limitação do solo, 
as árvores presentes nesses locais são menos desenvolvidas.
Campinarana florestada 
Campinarana arborizada 
Adaptado de Veloso, Rangel Filho e Lima (1991) disponível em IBGE, 2012.
Além dessas formações florestais, também é possível encontrar dentro da floresta amazônica 
áreas com vegetação que sofreram distúrbios feitos pelo homem, como vegetação 
remanescente em mosaicos em que pelo menos uma formação seja florestal, vegetação 
secundária em áreas florestais e reflorestamento.
Atualmente, aproximadamente 20% da floresta amazônica já foi desmatada, principalmente 
pelo avanço da fronteira agrícola e pela exploração ilegal de madeira. O desmatamento dessa 
floresta é preocupante, pois a floresta tem um papel muito importante no ciclo hidrológico da 
América do Sul, principalmente na bacia do Prata onde a umidade proveniente da Amazônia é 
responsável parte das chuvas que ocorrem na região (Lovejoy e Nobre, 2018).
Sendo assim, vem se buscando alternativas para reverter este quadro de desmatamento, 
principalmente por meio do uso sustentável da floresta. Nesse cenário, o manejo florestal 
sustentável é uma alternativa que traz desenvolvimento econômico para a população que 
reside na floresta junto com a manutenção da floresta em pé, por meio de práticas de colheita 
de baixo impacto.
 Saiba Mais
21INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
Entenda a diferença entre bioma Amazônia e Amazônia Legal.
Amazônia LegalAmazônia LegalAmazônia LegalAmazônia LegalAmazônia LegalAmazônia LegalAmazônia LegalAmazônia LegalAmazônia LegalAmazônia LegalAmazônia LegalAmazônia LegalAmazônia LegalAmazônia LegalAmazônia Legal
A Amazônia Legal é um território definido por lei e 
criado para a aplicação de políticas públicas para a 
região.
Bioma Amazônia
O Bioma Amazônia é um território definido por 
critérios ecológicos, sendo que dentro dela existem 
formações com características ecológicas 
semelhantes.
AM
RR AP
RO
MT 
TO
MS
PR
SP RJ
MG
BA
GO
DF
AC
MA
PI
PA
VENEZUELA
COLÔMBIA
EQUADOR
PERU
BOLÍVIA
AM
RR AP
RO
MT 
TO
MS
PR
SP RJ
MG
BA
GO
DF
AC
MA
PI
PA
VENEZUELA
COLÔMBIA
EQUADOR
PERU
BOLÍVIA
22INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
“Mais de 1,6 bilhão de pessoas dependem da floresta em diversos níveis para sobreviver. 
Aproximadamente 60 milhões de indígenas são quase totalmente dependentes das 
florestas. Em torno de 350 milhões de pessoas que vivem dentro ou perto de florestas densas 
dependem dela em um alto grau para subsistência e renda. Em países em desenvolvimento, 
aproximadamente 1,2 bilhão de pessoas dependem de sistemas de produção agroflorestais 
que ajudam a sustentar a produtividade agrícola e geração e renda. Em todo o mundo, as 
indústrias de base florestal empregam mais de 60 milhões de pessoas. Mais de 1 bilhão de 
pessoas no mundo dependem de medicamentos derivados de plantas presentes em florestas 
para suas necessidades médicas.” (BANCO MUNDIAL, 2004).
 1.6 A população que vive na fl oresta amazônica
 1.6.1 Importância da fl oresta para as populações
Essa citação mostra a importância que as florestas 
possuem para a população mundial e, principalmente, 
para as populações que vivem dentro dessas regiões, 
os povos da floresta.
23INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
 1.6.2 Povos da fl oresta
ATER
TÉCNICO
ATER
ATER
TÉCNICO
ATER
Dona Bené e Seu Raimundo, os Povos da Floresta são grupos sociais que utilizam os recursos 
naturais provenientes da floresta e dos rios para sua sobrevivência sem destruí-los, assim 
como a comunidade de vocês. Eles baseiam seu modo de vida da extração de produtos 
como a borracha, a castanha, óleos vegetais, entre outros, e dedicam-se à caça, à pesca não 
predatória e à agricultura de subsistência. 
Atualmente, com cerca de 28 milhões de pessoas vivendo nos nove estados da Amazônia 
Legal, a densidade demográfica é de cerca de 5,4 habitantes por km2, com mais da metade 
da população vivendo em centros urbanos. Manaus é considerada a maior cidade da 
Amazônia, de acordo com a projeção do IBGE da população em 2017(a), com mais de 2,1 
milhões de pessoas.
Povos
da
Floresta
Povos
da
Floresta
24INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
Como podemos observar, a formação da população 
da Amazônia, assim como a brasileira, preserva 
ainda hoje características da grande variação de seus 
diversos povos.
Bruna, isto são características da grande miscigenação 
entre diversos grupos étnicos. A população da 
Amazônia possui traços indígenas, brancos e negros.
Há uma grande diversidade entre os povos e comunidades tradicionais que habitam 
a Amazônia Brasileira. Os Povos Indígenas da Amazônia pertencem a mais de 200 
povos distintos (incluindo tribos isoladas), cada uma com sua própria cultura e modo 
de relação com o ambiente. Além dos povos originários, existem os quilombolas, 
seringueiros, castanheiros, quebradeiras de coco-de-babaçu e ribeirinhos, também 
com conhecimentos, práticas e culturas bem diversas entre si. 
 Saiba Mais
Considerando o conhecimento tradicional e as 
técnicas de utilização e cultivo que esses habitantes 
praticam, o apoio aos povos da floresta é a melhor 
estratégia de futuro para a região. A presença das 
comunidades é fundamental para conter as ações 
predatórias neste bioma. A área ruralda Amazônia 
também abriga agricultores familiares (que podem 
pertencer a alguns dos povos e comunidades 
tradicionais ou não), agricultores assalariados e 
fazendas de grande porte.
Aqui na nossa região, muitas comunidades 
extrativistas e indígenas vivem em condições 
sociais precárias. Carecem de rede pública 
de saúde, remédios, saneamento básico, 
educação e de oportunidades de trabalho.
25INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
Povos 
Indígenas
 1.6.2.1 Povos Indígenas
Segundo o censo demográfico de 2010, do IBGE, existem mais de 896 
mil indígenas no Brasil, sendo mais de 340 mil residentes na região 
Norte. No território Amazônico, concentram-se 98,5% das terras 
indígenas do Brasil.
A comunidade indígena depende muito da terra para a sua subsistência. Em 
2010, 83% dos indígenas com 10 anos de idade ou mais recebiam até um salário 
mínimo ou não tinham rendimentos (PEREIRA, 2016). Esses valores mostram a 
importância da terra para esses povos como garantia de seu sustento.
26INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
 1.6.2.2. Pequenos produtores rurais e agricultores 
familiares
Os pequenos produtores rurais e agricultores 
familiares são aqueles que vivem do cultivo da 
terra, retirando alimentos e outros produtos para 
consumo próprio. Normalmente essas pessoas vivem 
em pequenas propriedades ou comunidades de uso 
coletivo da terra.
Atualmente, segundo os resultados preliminares do 
Censo Agropecuário de 2017 (IBGE, 2017b), existem 
mais de 700 mil propriedades com menos de 100 
hectares nos estados da Amazônia Legal.
27INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
 1.6.2.3 População tradicional e extrativistas
Nossa comunidade é composta por produtores familiares 
que vivem do cultivo da terra e de atividades extrativistas, 
como a pesca, a caça e a coleta. Nós possuímos um grande 
conhecimento da floresta e dos produtos que ela pode nos 
oferecer e utilizamos de técnicas de exploração que causam 
pouco impacto à natureza. Nossa produção é voltada para 
subsistência.
Segundo o Instituto Socioambiental (2017), as principais populações tradicionais presentes na 
região amazônica são:
Babaçueiros – Extrativistas que têm como base da subsistência a 
exploração do babaçu, uma espécie de palmeira oriunda do Norte do 
Brasil.
Caboclos – Mestiços de negros e índios que vivem em comunidades 
rurais.
28INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1
Quebradeiras de Coco – Mulheres de comunidades extrativistas do 
Maranhão, Tocantins, Pará e Piauí que coletam e quebram o coco da 
palmeira de babaçu, utilizado para a produção de óleo e sabonete de 
coco, por exemplo.
Quilombolas – Comunidades rurais negras, muitas delas formadas por 
ex-escravos remanescentes dos quilombos (comunidades fundadas por 
escravos fugidos).
Ribeirinhos – Pequenos produtores que moram na beira de rios ou em 
regiões de várzea, ou seja, nas áreas de floresta que são periodicamente 
alagadas pela água de rios, e praticam atividades de coleta, caça, pesca 
e alguma agricultura. São conhecidos também como varjeiros.
Seringueiros – A principal atividade é a extração do látex, matéria-prima 
da borracha, embora possam também praticar alguma agricultura e 
criação de gado. As primeiras Reservas Extrativistas criadas no País foram 
em grande parte resultantes das ações dos seringueiros.
 Encerramento do módulo 1
Este módulo foi fundamental para 
expor as questões conceituais de 
floresta, além da caracterização 
do bioma e das pessoas que aqui 
habitam.
No próximo módulo, 
vamos abordar mais 
tópicos relacionados 
às atividades dentro 
das florestas.
Lembrem-se 
de realizar os 
exercícios. 
Até mais!
 MÓDULO 2 
FLORESTA E 
BIODIVERSIDADE
30INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
 2. Florestas e Biodiversidade
 2.1 Introdução
Neste módulo, vamos abordar a biodiversidade 
da floresta, os serviços ambientais, a conservação 
do solo e a importância sociocultural.
Muito bom! Vamos seguir.
Floresta
Sabemos que as florestas são essenciais para a terra como um todo. Falar da importância 
das florestas não envolve somente nós humanos, mas também sua relevância como um 
elemento fundamental do nosso ecossistema, como protetoras do solo e da biodiversidade3, 
como influência fundamental na regulação das chuvas, na regulação do ciclo de nutrientes 
em nível global, dentre muitos outros serviços.
3Biodiversidade é a variedade de formas de vida, animal, vegetal, bacteriana, fúngica e 
demais organismos existentes em determinado local. A diversidade entre as espécies, como 
variedades de mandioca, e genética, também faz parte da atividade.
31INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
Floresta
As florestas são fontes de bens como madeiras, combustíveis, extrativismos de frutos, 
sementes, vários produtos medicinais e ainda têm um elevado valor paisagístico e 
recreativo. Para vários povos, um valor espiritual e cultural essencial para eles.
É isto mesmo, Dona Bené.
Os bens florestais são os produtos palpáveis 
vindos das florestas, como frutas, madeiras, 
fibras e plantas aromáticas. Os serviços 
são impalpáveis, mas nem por isso menos 
importantes, tanto local, regional ou até 
mesmo globalmente, como sequestro de 
carbono, fixação de solo e regulação do 
regime de chuvas.
Floresta
A vegetação nativa é parte importante das relações dos povos e comunidades tradicionais e 
agricultores familiares com seus territórios. Para além de um pedaço de terra, estes territórios 
são o local onde estas populações existem, se reproduzem, produzem e vivem. Assim, as 
florestas públicas comunitárias, as propriedades da agricultura familiar e demais territórios 
ocupados por povos e comunidades são de importância crucial.
32INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
As florestas geram produtos florestais, madeireiros e não-madeireiros, essenciais 
para seus habitantes, como:
• Madeira para lenha e construção de casa e barcos, para cercas e cochos, para 
casas de farinha e jiraus. 
• Plantas para remédio e comida, para fazer cestas e artesanato, para cobrir 
casas, para vender e gerar renda, a castanha, o açaí, a erva-mate, a cataia, 
o licuri, o pequi, o umbu, o tucum, a sempre-viva, o babaçu, o velame, 
dentre uma infinidade de outros produtos. As florestas representam uma 
fonte contínua de diversos produtos que geram alimento, remédios e renda. 
Isso contribui para a permanência das famílias nessas áreas e estimula a 
sustentabilidade ambiental.
Floresta
Isto mesmo, Carlos. A demanda por produtos florestais tem crescido, estimulando a sua 
produção por parte dessas comunidades. Isso garante o sustento e o desenvolvimento delas e 
é uma importante estratégia de conservação das florestas.
Os que vivem na e da floresta, costumam usar de forma racional e sustentável, se estes 
produtos conseguirem proporcionar uma renda mínima para eles.
É o que dizemos, “quem precisa do ovo não mata a galinha”.
33INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
O manejo madeireiro, além da madeira 
propriamente dita de espécies nativas, 
inclui seus subprodutos, como lenha, 
madeira para serraria, estacas, mourões, 
entre outros.
Produtos 
florestais
madeireiros
 2.2 Produtos fl orestais madeireiros
Segundo o IBGE, a produção de madeira em tora, vinda das florestas nativas da Amazônia 
Legal, foi de 10,6 milhões de m3, em 2016, ante 52,1 milhões de m3, em 1995. O avanço 
das ações e políticas relacionadas às medidas de comando e controle explica, em parte, 
essa queda considerável na produção, pois levou à redução do desmatamento ilegal e 
à substituição parcial da madeira vinda das florestas nativas por madeiras derivadas 
de plantios florestais e por outros produtos substitutos da madeira. Outras possíveis 
causas que colaboraram para esse declínio da produção foram as crises econômicas 
internacionais ocorridas no período.
A silvicultura (obtida em florestas plantadas) contribuiu com 79,3% (R$ 16,3 bilhões) 
desse total, representando um aumento de 11,1% no valor de produção na comparação 
com 2017. 
A extração vegetal (coletade produtos em matas e florestas nativas) teve participação 
de 20,7% (R$ 4,3 bilhões), sofrendo uma queda (a terceira consecutiva) de 2,7% na 
comparação com o ano anterior.
 Saiba Mais
34INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
Na silvicultura, a produção de madeira para a indústria de papel e celulose foi o grupo que gerou 
o maior valor de produção em 2018 (R$ 5,1 bilhões). Entretanto, a principal influência para o 
crescimento no valor de produção da silvicultura veio da produção de carvão vegetal, com aumento 
de 18,9% da produção, gerando valor de R$ 4,1 bilhões (aumento de 50,5% no valor de produção).
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura 1996 – 2018.
Considerando o levantamento Produção da Extração vegetal 
e Silvicultura – PEVS, do IBGE, edição de 2017, o valor total da 
produção extrativista brasileira foi de mais de 4 bilhões de 
reais, entre produtos alimentícios, fibras, ceras, oleaginosas, 
medicinais, lenha e carvão de nativas.
De acordo com a metodologia usada, apenas os 
estabelecimentos formais foram consultados, então 
pode-se deduzir que a importância destes produtos é 
bem maior.
35INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
Fonte: “IBGE – Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura”
“As Unidades da Federação, mesorregiões, microrregiões e municípios sem informação para pelo menos um produto da silvicultura em pelo menos um ano da pesqui-
sa não aparecem nas listas.”
36INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
 2.3 Produtos fl orestais não-madeireiros 
Produtos 
florestais
não-madeireiros
Agora que estudamos os produtos florestais 
madeireiros, vamos ver também os não-
madeireiros?
O manejo não-madeireiro gera os chamados os Produtos Florestais Não-Madeireiros (PFNM) 
advindos da extração vegetal.
Quantidade extraída dos principais produtos florestais não-madeireiros de espécies nativos em 
2011.
PRODUTO Quantidade extraída no ano de 2011 (t)
Borracha (Hévea) 3.005
Cera de carnaúba 21.274
Fibra de Carnaúba 1.640
Fibra de buriti 465
Fibra de Piaçava 61.409
Açaí (fruto) 215.380
Castanha de caju 3.179
Castanha do Brasil 42.152
Erva-mate 229.681
Palmito 5.563
Umbu (fruto) 9.323
37INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
Licuri (coquinho) 4.213
Óleo de copaíba 214
Amêndoa de babaçu 102.499
Amêndoa de cumaru 103
Amêndoa de Pequi 7.047
Fonte: Adaptado de: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Produção da Extração Vegetal de 2012.
Fonte: “IBGE – Produção da Extração Vegetal e da Silicultura”
“1 – Os municípios sem informação para pelo menos um produto da extração vegetal não aparecem nas listas.
“2 – Até 2001 era pesquisada a erva-mate cancheada. A partir de 2002 passou-se a pesquisar a erva=mate folha verde.”
Vamos aprender melhor sobre alguns desses produtos?
O látex de seringueira, produto principal do 
grupo das borrachas, tem grande importância 
principalmente para a região Norte. Nesta 
região, o produto é extraído de árvores nativas, 
e é conhecido como borracha natural. Já 
foi o produto mais importante em termos 
econômicos da Amazônia, e é o ”leite” da árvore, 
que escorre de cortes na casca, recolhido em 
tijelinhas e que se solidifica quando fermenta.
38INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
A piaçava são as fibras que ocorrem ao redor 
do tronco de duas palmeiras, uma que ocorre 
na Mata Atlântica do sul da Bahia e outra no 
Amazonas. Essas fibras longas e rígidas são usadas 
na confecção de vassouras e artesanato, além da 
utilização do fruto da palmeira.
A cera de carnaúba é outro produto de grande 
potencial devido ao seu alto valor econômico e 
social. É uma cera que recobre as folhas de uma 
palmeira, a carnaúba. Por ter um alto ponto de 
fusão e brilho, é muito apreciada pela indústria 
e usada em polimentos, vernizes, produtos de 
cosméticos e muitos outros. A fibra desta palmeira 
também é um produto em potencial para a 
produção. Além da carnaúba, outras espécies são 
destaque na produção de fibras, como o buriti e a 
piaçava, concentrada na região Norte e Nordeste, 
na qual são utilizadas para atender a confecção 
de artesanatos pelas comunidades.
Considerado uma superfruta pelo seu alto valor 
nutricional, o açaí tem grande importância para 
a produção dessas comunidades tradicionais 
devido à grande demanda no mercado nacional 
e internacional e por sua produção ser bem 
sustentada por meio do plantio extrativista. É 
alimento essencial para muitas comunidades 
da Região Norte. Ocorre em áreas alagadas, e 
existem dois tipos, o açaí-solteiro, mais comum 
no Acre, Amazonas e Rondônia, e o açaí de 
touceira, que, ao contrário do açaí solteiro, forma 
touceiras com várias palmeiras, como o nome diz. 
Existem grandes açaizais nativos no estuário do 
rio Amazonas, principalmente na ilha de Marajó. 
O palmito desta palmeira também tem alto valor 
comercial. 
39INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
O buriti é uma palmeira de áreas alagadas 
encontrada no Brasil todo. Dá um cacho de frutos 
muito grande, com polpa comestível, usada na 
fabricação de bebidas e doces. As folhas fornecem 
uma fibra clara e muito resistente.
Fruto do umbuzeiro, árvore característica do 
semiárido nordestino, o umbu tem uma polpa 
ácida com sabor delicado. É bastante usada para 
fazer sucos. A árvore armazena água em grandes 
”bolas” nas raízes e é muito resistente à seca.
Bem conhecida dos brasileiros, a castanha de caju 
é oriunda tanto de cajueiros cultivados como dos 
que crescem espontaneamente. A parte carnosa 
(pseudofruto) é usada para fazer sucos, doces, 
bebidas e licores, e a castanha – que é o fruto de 
verdade, deve ser torrada antes de ser consumida, 
porque a casca contém uma substância muito 
cáustica. Apesar de muitos tipos de caju ocorrerem 
na maior parte do Brasil, a castanha de caju tem 
importância econômica especialmente na região 
Nordeste.
A castanha do Brasil é coletada em toda a 
Amazônia brasileira. É o fruto de uma das maiores 
árvores da floresta, a castanheira, polinizada por 
grandes abelhas florestais. Os ouriços são muito 
duros, e abertos com o facão para a retirada da 
castanha, que depois é seca, por vezes defumada 
e descascada antes do consumo. Além de ser 
bem usada na alimentação local, gera renda para 
muitos coletores.
40INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
A copaíba é uma resina extraída do tronco 
de várias árvores, todas conhecidas como 
coapibeiras. Ela gera o óleo de copaíba, apesar de 
não ser realmente um óleo, de uso medicial e que 
tem alto valor comercial.
Erva Mate. O mate é bem conhecido no sul do Brasil 
e Mato Grosso, sendo a base das bebidas muito 
apreciadas conhecidas como chimarrão e tereré, 
respectivamente. Embora seja cultivada, parte da 
produção vem de plantas selvagens, manejadas 
nas florestas de araucárias remanescentes.
O licuri é a castanha de uma palmeira, típica das 
áreas de transição entre a caatinga e o cerrado. 
Muito oleosa e saborosa, é bastante usada na 
culinária – o leite de licuri é base de muitos 
pratos doces e salgados. Também produz um 
óleo de alto valor para cosméticos. Como o fruto 
é o alimento preferencial da arara-azul-de-lear, 
criticamente ameaçada de extinção, existem 
normas específicas para a coleta do fruto desta 
espécie.
41INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
O Babaçu é uma palmeira robusta que cresce bem 
tanto em áreas de florestas menos densas quanto 
em áreas já abertas pela agricultura. Aproveita-se 
o mesocarpo para fazer uma farinha comestível, 
o coco propriamente dito, que fornece um carvão 
de alta densidade (para ser usado como medicinal 
e filtros) e o óleo da castanha, que é o principal 
produto, para uso alimentar e cosmético.
O cumaru é o fruto de uma árvore amazônica, 
também bastante usada para madeira. O fruto 
seco é usado na perfumaria e para aromatizar 
alimentos.
Existem vários tipos de pequi no Brasil, alguns 
deles (mais conhecidos como piquiá e piquiarana) 
ocorrendo como árvoresna floresta Amazônica. 
No entanto, o pequi tem maior importância nas 
áreas de cerrado, sendo um insumo importante 
para a culinária mineira e goiana. O fruto tem de 
uma a três sementes, recobertas por uma polpa 
amarela e oleosa, muito aromática, usada na 
culinária. A amêndoa é recoberta por espinhos 
finos. Essa amêndoa é bem saborosa quando 
torrada, e fornece um bom óleo de uso cosmético.
42INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
Ainda existem muitos produtos não-
madeireiros utilizados Brasil afora que 
não constam no Censo do IBGE. Seja como 
alimento, como a juçara, a gueroba, a 
castanha-de-cotia, a cataia, o butiá, o pinhão; 
seja como medicinal, como a arnica, a sacaca, 
o ipê, o barbatimão, a macelinha-do-campo, 
o velame, a imburana de cheiro; para a 
produção de fibras, corantes, alimento para 
animais, artesanato, fibras, a lista de produtos 
é gigantesca e condizente com a grande 
diversidade biológica e cultural do Brasil.
Produtos 
florestais
não-madeireiro
43INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
 2.4 Serviços ambientais 
Serviços
ambientais
Vamos ver agora como as florestas podem contribuir 
para o equilíbrio global de gases na atmosfera em 
especial o dióxido de carbono (CO2).
Por meio do processo chamado fotossíntese, as florestas desempenham um papel-chave na 
manutenção do equilíbrio global de dióxido de carbono (um dos gases do efeito estufa3) e oxigênio 
(gás vital para nossa respiração) na atmosfera.
De dia, as plantas realizam a fotossíntese, elas absorvem o dióxido de carbono (CO2) e usam a 
energia solar para convertê-lo em açúcares (que servem de alimento para as plantas) e oxigênio. À 
noite, elas param de fazer a fotossíntese (pois não há energia solar) e passam a respirar, de modo 
que o oxigênio é absorvido e o dióxido de carbono é liberado.
3Processo natural de reter o calor da luz do sol na terra, 
causado por alguns gases da atmosfera, os chamados 
gases de efeito estufa.
44INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
Esquema da Fotossíntese
As mudanças climáticas possuem relação com a concentração de CO2 no planeta, ou 
seja, quando se tem um aumento de CO2 (muito pelas ações humanas como a queima 
de madeira e combustíveis fósseis como carvão e petróleo que chegam a 6 bilhões de 
toneladas de CO2 por ano!) se tem o aumento da temperatura, por isso a preocupação 
com relação ao aquecimento global.
As plantas, principalmente as lenhosas, como árvores, são formadas basicamente 
pelo carbono absorvido pela fotossíntese. Ou seja, elas estocam esse carbono em seus 
corpos, e quando morrem, na matéria orgânica do solo.
Quando se desmata ou se queima uma floresta, esse carbono volta para a atmosfera, 
aumentando a concentração de CO2. Há ainda um efeito perverso desse aquecimento: 
Quanto mais a temperatura sobe, mais a floresta fica seca, portanto, mais fácil de pegar 
fogo e liberar ainda mais carbono no ar.
Desta forma, as florestas, além de absorverem o CO2 extra da atmosfera e convertê-lo 
em oxigênio, ajudam a retardar o aquecimento global.
 Saiba Mais
45INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
Serviços
ambientais
Carlos, esse processo é importante também para 
regular as chuvas, não é mesmo?
Com certeza! São importantes para regular o 
regime de chuvas, sendo cruciais para a formação 
de chuvas no Centro-Sul do Brasil.
A floresta amazônica funciona como uma grande “bomba biótica” de umidade. Através 
do processo de evapotranspiração as árvores retiram água pelas raízes, levando através 
do tronco para as folhas, que por sua vez jogam essa água evaporada para a atmosfera.
Devido à estrutura rugosa do estrato superior da floresta, ela consegue frear os ventos 
que chegam do oceano e ajuda a manter a umidade nos níveis mais altos do céu. Essa 
não é uma bomba qualquer: cada árvore amazônica de grande porte pode evaporar 
mais de mil litros de água por dia. Todos os dias, quase 20 bilhões de toneladas de água 
são evaporadas pela floresta, mais do que o aporte diário de água para o rio Amazonas. 
Toda essa umidade é importante, pois regula o regime de chuvas na região, inclusive em 
áreas distantes como no Sudeste. Essa grande circulação de vapor causada pela floresta 
foi chamada por alguns pesquisadores de ”rios voadores”.
 Saiba Mais
46INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
Serviços
ambientais
O solo é o sistema que sustenta a 
vida das florestas!
Para qualquer tipo de vegetação, o solo é a parte do ecossistema que vai 
abastecer as plantas de água e nutrientes (além da função de dar suporte 
para as raízes). É no solo que as plantas e vegetais mortos serão convertidos 
novamente em nutrientes pela decomposição, para alimentar as novas plantas.
Do mesmo jeito que o solo é essencial para as 
florestas, estas também são essenciais para a 
conservação daquele. A serrapilheira (camada de 
restos vegetais, como folhas, gravetos, sementes, 
frutos etc.) é a característica mais distinta de um 
solo florestal e contribui consideravelmente para 
as suas propriedades físicas e químicas. 
Essa camada fornece alimento para a microflora 
e fauna (insetos, fungos, bactérias e outros 
seres pequenos que vivem nela, e que ajudam 
a decompor a matéria orgânica, liberando os 
nutrientes contidos nela). Também funciona 
como isolante térmico e impede que a água 
das chuvas arrastem os nutrientes, além de 
reter consideravelmente a proporção de água, 
reduzindo a evaporação do solo.
47INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
Por isso a retirada da serrapilheira das florestas tem impactos 
sérios, diminuindo a fertilidade do solo e a infiltração de 
água, além de deixá-lo mais suscetível à erosão.
Primeiramente, devemos 
entender como é fácil a 
relação das florestas com 
a água e conhecer o ciclo 
hidrológico na floresta.
E como trataremos a produção e conservação 
dos recursos hídricos?
A chuva que vai sobre uma mata pode seguir dois caminhos: volta à atmosfera por 
evapotranspiração (como já falamos, é a transpiração da água das folhas) ou atinge o 
solo, através da folhagem ou do tronco das árvores. A água que fica na copa das árvores, 
junto com a evapotranspiração, garante a formação de novas nuvens. A chuva que 
chega ao chão, pingando pelas folhas ou escorrendo pelos troncos, atinge o solo e o a 
folhagem no chão, a serrapilheira.
 Saiba Mais
48INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
Da água que chega ao solo, uma parte escorre, chegando de alguma forma aos cursos d’água ou 
aos reservatórios de superfície. A outra parte se infiltra, sendo armazenada temporariamente. Essa 
água armazenada pode ser liberada para a atmosfera de três maneiras:
• Pela evapotranspiração – as raízes das árvores retiram essa água do solo e devolve para a 
atmosfera através das folhas;
• Fica como água no solo por mais algum tempo, mantendo-o úmido;
• Se infiltra mais profundamente, como água subterrânea, e abastece o lençol freático4.
A água armazenada no solo que não passar pela evapotranspiração escorre lentamente da floresta, 
compondo o chamado deflúvio5, que vai alimentar os rios e fontes ao longo do ano.
4Reserva de água subterrânea no solo, que consegue se movimentar lentamente.
5Deflúvio é a parte da chuva que não é absorvida pelo solo nem evapotranspirada, e escorre 
pela superfície do solo ou logo abaixo.
Serviços
ambientais
Tudo isto é muito importante. Quero aprender ainda mais e repassar aos meus alunos.
Dona Bené, a vegetação absorve parte da água e 
ajuda a barrar a força das gotas de chuva, o solo 
não é arrastado pela força da água que escorre 
(além de estar preso pelas raízes das plantas). 
Isso ajuda a manter o solo e a evitar enchentes, 
pois a parte da água que escorre é menor que em 
terreno descoberto. 
Repare na água da chuva que escorre de uma 
área com vegetação intacta! Ela não é barrenta, 
porque essa vegetação está cumprindo a função 
de proteger o solo. Isso também protege os 
cursos d’água, que sofrem com esse acúmulo de 
terra carregada pelas chuvas para dentro deles.
49INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTALMÓDULO 2
Entenda melhor o CICLO DA ÁGUA!
https://www.youtube.com/watch?v=vW5-xrV3Bq4
Fonte: Agência Nacional de Águas
 Saiba Mais
As florestas contribuem para manter o ciclo 
hidrológico, nos fazendo pensar cada vez mais na 
sua preservação e conservação!
Veja os principais efeitos que o desmatamento 
pode causar com relação à água:
Alteração na qualidade da água, através do aumento da turbidez, da eutrofização6 e do 
assoreamento dos corpos d’água;
Alteração do deflúvio, com enchentes nos períodos de chuva e redução na vazão de base 
quando das estiagens;
Poluição hídrica, em função da substituição da floresta por ocupação, em geral inadequada, 
com atividades agropastoris, urbanas e industriais.
6Processo de poluição de corpos d´água causado pelo acúmulo de matéria orgânica, o que 
diminui os níveis de oxigênio dissolvidos provocando a morte de diversas espécies animais 
e vegetais.
https://www.youtube.com/watch?v=vW5-xrV3Bq4
50INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
É comum que os comunitários tenham dúvidas sobre a 
utilização dos recursos naturais como instrumentos de 
inclusão social, subsistência e geração de renda.
Bené, o manejo comunitário é um tema que vem sendo 
estudado, divulgado e colocado em prática, especialmente 
na região amazônica, como forma de as comunidades 
tradicionais utilizarem economicamente a floresta de 
forma organizada para que possam aumentar sua renda e 
melhorar suas condições de vida.
O fomento florestal de florestas plantadas tem sido 
colocado como uma alternativa para pequenos 
proprietários rurais em regiões tradicionalmente 
agrícolas. 
 2.5 Importância sociocultural 
Bruna e Carlos, as atividades florestais têm uma relação 
muito estreita com nossas comunidades. Por um lado, as 
florestas naturais abrigam populações indígenas e caboclas 
tradicionais e, por outro, o plantio de florestas ou o manejo 
das reservas florestais se apresentam como alternativa 
econômica aos pequenos produtores rurais.
Serviços
ambientais
51INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
As florestas desempenham ainda importante papel social, 
pois estão intimamente associadas a rituais tradicionais, 
folclore, cultura – no imaginário brasileiro. As florestas 
acabam sendo elemento místico na cultura brasileira, 
especialmente para as populações que nelas vivem. A 
questão social das florestas merece atenção especial dos 
governos para que a imensa riqueza delas produzidas não 
concentre renda, mas gere benefícios para todo o povo 
brasileiro, trazendo inclusão social e riqueza nacional.
É importante destacar que, para os indígenas, existe uma conexão espiritual e de 
identidade com as florestas, e as florestas sagradas – locais de destacada relevância 
espiritual para estes povos – fazem parte de sua cultura, modos de vida e regras, 
incluindo-se em seus valores e identidade, integrando partes de sua identidade étnica. 
Despojar estes povos de suas florestas sagradas é equivalente a mutilar sua identidade 
e espiritualidade.
 Importante
52INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
Ecoturismo, ou turismo ecológico, é o “segmento da atividade turística 
que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva 
sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista 
por meio da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das 
populações” (MMA, 2010).
Este ramo do turismo é caracterizado pelo contato com ambientes 
naturais, pela realização de atividades que promovam a vivência e 
o conhecimento da natureza e pela proteção das áreas onde ocorre. 
Isto é, ele está fundado nos conceitos de educação, conservação e 
sustentabilidade. O ecoturismo pode ser entendido, então, como as 
atividades turísticas baseadas na relação sustentável com a natureza, 
comprometidas com a conservação e a educação ambiental.
 2.6 Lazer e ecoturismo 
Lazer e
ecoturismo
O Ecoturismo pode trazer contribuições 
positivas para o bem-estar dos destinos 
e das comunidades locais – ao mesmo 
tempo oferecendo um incentivo econômico 
eficaz para a conservação e valorização 
da diversidade biológica e cultural e 
ajuda a proteger o patrimônio natural e 
cultural ao redor do mundo. Ele é também 
uma ferramenta eficaz para capacitar as 
comunidades locais ao redor do mundo a 
alcançar um desenvolvimento sustentável. 
Além disso, o ecoturismo tem incentivado 
a aplicação de práticas sustentáveis aos 
demais segmentos da indústria do turismo.
53INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 2
Mas mesmo as florestas urbanas 
ou próximas às cidades oferecem 
recreação?
Quantos tópicos importantes aprendemos 
nesse módulo.
Com certeza. No próximo vamos abordar o Manejo 
Florestal sustentável.
Sim. Como arborismo, observação de pássaros, uma simples 
caminhada na sombra das árvores. Recentemente, os médicos 
japoneses têm recomendado “banhos de floresta” como 
suporte para a saúde mental. Florestas ainda estabilizam o 
microclima, mantêm a biodiversidade local e inspiram artistas.
 Encerramento do módulo 2
 MÓDULO 3 
MANEJO FLORESTAL 
SUSTENTÁVEL
55INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
 3. Apresentação
Olá! Vamos iniciar o 
módulo 3 do nosso 
curso!
Vamos 
prosseguir!
Nesse módulo, vamos apresentar 
alguns conceitos básicos de 
sustentabilidade e falaremos sobre o 
manejo florestal sustentável.
Vamos começar apresentando a diferença entre preservação e 
conservação: 
Preservação: ação de proteger contra a modificação e qualquer 
forma de estrago ou degradação de um ecossistema ou espécies 
ameaçadas de extinção.
Conservação: utilização do recurso natural de forma controlada, 
garantindo sua renovação natural, possibilitando ter um 
rendimento bom e sua renovação natural. 
O manejo florestal trabalha com o conceito de conservação da 
floresta, ou seja, a utilização da floresta de forma sustentável.
56INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
No relatório, denominado “Nosso Futuro Comum” o desenvolvimento 
sustentável foi trazido ao discurso público como:
“O desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que encontra as 
necessidades atuais sem comprometer a habilidade das futuras gerações 
de atender suas próprias necessidades… O desenvolvimento sustentável
requer que as sociedades atendam às necessidades humanas tanto pelo 
aumento do potencial produtivo como pela garantia de oportunidades 
iguais para todos… No mínimo, o desenvolvimento sustentável não 
deve pôr em risco os sistemas naturais que sustentam a vida na Terra: a 
atmosfera, as águas, os solos e os seres vivos.”
“Na sua essência, o desenvolvimento sustentável é um processo de 
mudança no qual a exploração dos recursos, o direcionamento dos 
investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a 
mudança institucional estão em harmonia e reforçam o atual e futuro 
potencial para satisfazer as aspirações e necessidades humanas.”
 3.1. Sustentabilidade
 3.1.1 Conceito de sustentabilidade
Sustentabilidade
Vamos a um breve conceito histórico.
O desenvolvimento sustentável foi utilizado 
pela primeira vez em 1987, pela Comissão 
Mundial sobre Meio Ambiente da ONU, no 
Relatório Brundtland.
57INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
De maneira geral, a sustentabilidade se apoia num ponto 
de equilíbrio entre o crescimento econômico, a equidade 
social e a proteção ambiental. Um sistema sustentável deve 
ser ambientalmente suportável, socialmente equitativo e 
economicamente viável.
Tripé da sustentabilidade
Social
Suportável Equitativo
Ambiental Econômico
58INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
 3.1. Sustentabilidade
 3.1.2 Sustentabilidade e Floresta
Quais iniciativas podemos 
tomar para tornar nossa 
produção mais sustentável?
Bené, isto é conquistado quando a comunidade agrega 
valor aos produtos da floresta, gerando ganhos sociais 
para a população local e garantindo a conservação da 
floresta e a geração de renda para as futuras gerações.
Por exemplo: o manejo comunitário de castanha é uma atividade sustentável, pois agrega 
renda à castanha do Brasil,gera ganhos sociais e econômicos para a comunidade que 
coleta e comercializa a castanha e seus subprodutos, mantém a floresta em pé garantindo 
a conservação da floresta e, por consequência, renda para as futuras gerações.
59INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
 3.2. Defi nição de manejo fl orestal sustentável
“Manejo” significa manusear, servir-se de algo. Quando se 
fala em manejo florestal, pode-se pensar no planejamento 
de uso controlado de qualquer produto da floresta 
(madeireiros e não-madeireiros).
Isso mesmo, Carlos. O Manejo Florestal Sustentável 
é a retirada de produtos da floresta sem que haja o 
esgotamento deles, ou seja, nessa atividade é retirado 
apenas aquilo que a floresta consegue repor ao longo do 
tempo sem que tenha prejuízo para ela
A Lei de Gestão de Florestas Públicas (Lei nº 11.284, de 2 
de março de 2006) define Manejo Florestal Sustentável 
como “administração da floresta para a obtenção de 
benefícios econômicos, sociais e ambientais, respeitando-
se os mecanismos de sustentação do ecossistema objeto do 
manejo e considerando-se, cumulativa ou alternativamente, 
a utilização de múltiplas espécies madeireiras, de múltiplos 
produtos e subprodutos não madeireiros, bem como a 
utilização de outros bens e serviços de natureza florestal”.
Assim, nem toda a exploração de produtos florestais é 
manejo. Para ser caracterizado como manejo, a floresta 
deve ser mantida em pé e com capacidade de produzir o 
que foi retirado de forma contínua, sem ocasionar danos e 
perdas permanentes à biota7 que vive na floresta.
7Conjunto de seres vivos de determinado local.
60INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
 3.3 Categorias de Manejo Florestal 
O Manejo Florestal pode ser realizado por todos os interessados 
em gerar renda e/ou matérias-primas através da floresta, tanto por 
empresas quanto por povos tradicionais, comunidades e agricultores 
familiares. Vamos abordar a seguir algumas formas de manejo.
Manejo Florestal Empresarial
Manejo Florestal Comunitário
O Manejo Florestal Empresarial é realizado por empresas florestais com 
o intuito de atender a demanda do mercado interno e/ou externo de 
madeira. 
Por atender a demanda do mercado, a retirada de madeira na floresta é 
realizada em escala industrial, o que requer um maior investimento em 
maquinários e em mão de obra especializada.
O Manejo Florestal Comunitário é o uso dos recursos da vegetação nativa pelos povos e 
comunidades tradicionais e agricultores familiares. Ocorre em todo o Brasil, tendo um papel 
importante para a alimentação e a renda de muitas famílias, além de fornecer vários produtos 
para a população urbana e insumos para a indústria.
Numa definição mais técnica, Manejo Florestal Comunitário e familiar engloba todas as 
atividades de manejo dos recursos florestais realizadas pelos agricultores familiares, 
assentados da reforma agrária e pelos povos e comunidades tradicionais, a partir de 
sua própria realidade e perspectivas, para obtenção de benefícios econômicos, sociais 
e ambientais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema, conforme 
descrito pelo Decreto nº 6.874, de 5 de junho de 2009.
O manejo florestal comunitário vem mostrando seu potencial como alternativa para as 
comunidades e associações rurais, principalmente por estimular duas questões importantes:
• A conservação dos recursos naturais: o manejo deixa a floresta em pé.
• O fortalecimento da organização social: quando a comunidade se manifesta para a 
prática do Manejo Florestal Comunitário, as famílias começam a planejar e desenvolver 
suas ações de maneira compartilhada.
61INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
Concessão Florestal
Desde 2006, o governo pode conceder a empresas e comunidades o direito de manejar 
florestas públicas para extrair madeira, produtos não-madeireiros e oferecer serviços 
de turismo. Em contrapartida ao direito do uso sustentável, os concessionários pagam 
ao governo quantias que variam em função da proposta de preço apresentada durante o 
processo de licitação destas áreas.
O principal objetivo das concessões florestais é conservar a cobertura vegetal das 
florestas brasileiras, por meio da melhoria da qualidade de vida da população que vive 
em seu entorno e do estímulo à economia formal com produtos e serviços de florestas 
manejadas.
A floresta concedida permanece em pé, pois os contratos firmados somente permitem 
a obtenção do recurso florestal por meio de técnicas do manejo florestal de impacto 
reduzido. Desta forma, a área é utilizada em um sistema de rodízio, que permite a produção 
contínua e sustentável de madeira.
É garantido o acesso gratuito da comunidade local à área de concessão para a coleta de 
produtos não-madeireiros considerados essenciais à sua subsistência, além da coleta de 
sementes para a produção de artesanatos, tais como biojoias.
Para saber sobre o processo de concessão de uma floresta pública e quais são as florestas 
públicas sob concessão, acesse a página do Serviço Florestal Brasileiro na internet:
http://www.florestal.gov.br/o-que-e-concessao-florestal
http://www.florestal.gov.br/o-que-e-concessao-florestal
62INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
 3.4 Práticas de manejo
Entendi os diversos tipos de manejo e a 
concessão florestal, mas como realizar 
esse planejamento?
Dona Bené, como já visto anteriormente, o manejo 
aplica atividades de planejamento a fim de assegurar 
a manutenção da floresta para a próxima colheita, 
e monitora o desenvolvimento da floresta e aplica 
tratamentos silviculturais.
Para a realização do manejo, algumas atividades, etapas 
e procedimentos devem ser cumpridos para minimizar 
o impacto causado pela exploração e assim assegurar a 
conservação da floresta.
63INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
 3.4.1 Planejamento
O planejamento é o princípio por traz 
do manejo florestal, sendo essencial 
para a garantia da sustentabilidade da 
atividade. Antes de iniciar o manejo, 
é necessário responder as perguntas 
Onde, O que, Quanto e Como.
Como
Quanto
Onde
O que
Onde será explorado?
O que será explorado? 
Quanto será explorado (de cada produto)? 
A escolha da área da floresta onde ocorrerá o manejo é crucial devido a alguns fatores 
que devem ser levados em conta, como topografia, composição florística, formas de 
escoamento das toras, acessibilidade do maquinário, entre outros. Além disso, é importante 
delimitar quais serão as áreas excluídas da exploração (infraestruturas e acampamentos, 
Áreas de Preservação Permanentes e áreas sem potencial produtivo) e através de mapas 
georreferenciados identificar todas estas áreas.
Quais produtos e/ou serviços que existem na floresta com potencial de mercado e, dentre 
estes produtos, quais são os mais viáveis para exploração.
Qual a quantidade existente de cada produto e/ou serviço; qual é a demanda local (família, 
comunidade ou comprador); qual a capacidade de produção do empreendimento (equipe, 
equipamentos, conhecimentos); quanto pode ser extraído da floresta sem exceder sua 
regeneração.
64INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
Como será explorado? 
Qual será a tecnologia empregada e o sistema de exploração, levando em consideração as 
respostas anteriores.
As respostas dessas perguntas fazem parte das atividades 
de macroplanejamento do manejo.
Esta etapa irá gerar as informações necessárias para a 
tomada de decisão quanto à viabilidade econômica do 
manejo florestal, além de subsidiar as demais atividades 
do empreendimento.
É importante reforçar que todos os investimentos e 
procedimentos do manejo florestal devem ser planejados 
conforme o recurso disponível e a intensidade de 
exploração que o produtor poderá realizar na área a ser 
manejada.
65INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
 3.4.2 Intensidade e ciclo de corte
Nas atividades de manejo florestal, 
a intensidade e o ciclo de corte são 
parâmetros essenciais para garantir a 
recuperação da floresta e a realização 
da intervenção com o menor impacto 
possívelpara a floresta.
Intensidade de corte 
Ciclo de corte 
Intensidade de corte – volume máximo de madeira a ser retirado por hectare de floresta. 
No Brasil, apenas árvores com DAP8 maior que 50 cm podem ser derrubadas em uma área de 
manejo florestal. Na prática, isso corresponde a 3 ou 4 árvores adultas (dependendo dos seus 
volumes) numa área um pouco maior que um campo e meio de futebol oficial.
Ciclo de corte – tempo entre duas colheitas na mesma área. Este período deve permitir que 
o processo de regeneração da floresta através da sucessão florestal ocorra nas clareiras de 
exploração e que as espécies exploradas possam crescer e se recuperar antes da próxima 
intervenção na floresta.
8O Diâmetro à Altura do Peito (DAP) é uma medida do diâmetro da árvore a 1,30 metros 
de altura em relação ao nível do solo e é um elemento importante pois fornece a base 
para muitos outros cálculos. Ele serve para a obtenção da área seccional à altura do 
peito (g), medida importante no cálculo do volume das árvores e de povoamentos, a 
qual é dada pela seguinte expressão:
g = (π.〖DAP〗^2)/4, se o diâmetro estiver em metros.
66INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
A legislação brasileira define que a relação entre intensidade de exploração 
(em metros cúbicos) e a duração do ciclo de corte (em anos) não ultrapasse 
o valor de 0,86.
Ou seja, se o produtor optar por um ciclo de corte de 30 anos, sua intensidade 
de exploração não pode ser maior que 25,8 m3 por hectare a cada ano.
Isto é algo que sempre nos atentamos 
nas atividades de campo.
O período do ciclo de corte deve estar condicionado à intensidade de corte e do grau 
de danos que foram causados à floresta durante a exploração para assegurar a sua 
recuperação. Quanto maior a intensidade, mais longo deverá ser o ciclo de corte. Para 
determinação do ciclo de corte ideal, a recuperação da floresta estará relacionada ao 
crescimento das árvores de interesse comercial após o manejo.
67INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
A Instrução Normativa nº 5, de 2006, do Ministério do Meio Ambiente, 
definiu a intensidade máxima de 30 metros cúbicos por hectare com um 
ciclo de corte variando de 25 a 35 anos. Em uma exploração de menos de 
10 metros cúbicos por hectare (sem a utilização de máquinas de arraste de 
toras no manejo), esta legislação permite um ciclo de corte de no mínimo 
10 anos, sempre respeitando a relação de 0,86. Dessa forma, em um ciclo 
de 10 anos a intensidade máxima de corte deverá ser de 8,6 metros cúbicos 
por hectare a cada ano.
Diâmentro mínimo 
de corte9
Intensidade 
máxima de 
esploração
Ciclo de corte10
Relação 
Intensidade de 
exploração/Ciclo 
de corte
maior que 50 cm
menor ou igual a 
30 m3/ha
entre 25 a 35 anos
menor ou igual a 
0,86 m3,ha-1.
ano-1
9Diâmetro da árvore medido à 1,3 metro do solo.
10Ciclo de corte para manejo com máquinas de arraste.
68INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
 3.4.3 Etapas da execução do manejo
As atividades do manejo 
florestal sustentável devem 
estar de acordo com as 
técnicas de exploração de 
impacto reduzido (EIR), como 
o planejamento da direção 
da queda das árvores 
quando forem cortadas e o 
planejamento das estradas 
por onde as toras serão 
escoadas.
Estes e outros procedimentos 
visam: 
Exploração de impacto reduzido (EIR)
─ diminuir o impacto da 
exploração florestal na 
estrutura da floresta; 
─ reduzindo a intensidade 
de abertura de clareiras; 
─ danos às outras árvores 
que não serão exploradas; 
─ danos à regeneração 
florestal, alterações em 
APPs e 
─ compactação e erosão 
dos solos. 
69INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
Consiste nas atividades antes da exploração 
ocorrer. Nessa etapa, é feito o inventário florestal 
100%, que consiste no mapeamento e medição 
de todos os indivíduos das espécies a serem 
exploradas, com DAP acima de 30 cm. 
Cada árvore medida recebe 
uma placa, onde deve 
constar o número da árvore 
e seu local. Devem ser 
anotados também alguns 
detalhes da árvore, como a 
presença de ocos ou ninhos 
na folha de campo.
Vamos conhecer melhor cada uma das etapas?
in
ve
nt
ár
io
 fl
 o
re
st
al
 10
0%
a) MICROPLANEJAMENTO
70INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
Estes dados são usados para a elaboração do mapa de exploração. As árvores a serem 
abatidas são selecionadas levando em consideração o volume máximo autorizado e as outras 
exigências legais (como deixar porta sementes, respeito às APPs e outras áreas protegidas 
e número mínimo de indivíduos da espécie a serem deixados por hectare). 
─ Deixar porta sementes; 
─ Respeito às APPs e outras 
áreas protegidas e 
─ Número mínimo de 
indivíduos da espécie a 
serem deixados por hectare.
A partir da seleção dessas árvores, são definidas as trilhas de arraste, de forma que se tenha 
a menor abertura de estradas possível.
TRILHAS DE ARRASTE
71INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
A área total a ser manejada se chama Unidade de Manejo florestal (UMF), e é dividida em 
Unidades de Produção Anual (UPA).
Unidade de Manejo fl orestal (UMF)
Unidades de Produção Anual (UPA)
Uma área de manejo deve ter um tamanho grande o suficiente para que cada UPA seja 
explorada em um dado ano de forma que volte a ser explorada novamente apenas 
quando completado o ciclo de corte.
Isto permite que o processo de 
sucessão florestal ocorra nas clareiras 
de exploração e que as espécies 
exploradas possam se recuperar 
antes da próxima intervenção na 
floresta. O número de Unidades de 
Trabalho (UT) exploradas por UPA, 
ou seja, anualmente, varia de acordo 
com a capacidade operacional 
do empreendimento, da área de 
efetivo manejo, do planejamento de 
exploração, entre outros fatores.
72INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
b) ATIVIDADES PRÉ-EXPLORATÓRIAS
Após a coleta dos dados, são iniciados os procedimentos pré-exploratórios. Alguns deles 
podem ter sido realizados bem antes. 
Os mais comuns são: corte de cipós (no ano anterior à exploração), limpeza ao redor do 
tronco das árvores a serem derrubadas, abertura de estradas e trilhas de arraste, além da 
construção de pátios de estocagem. O número e tamanho são dimensionados conforme as 
necessidades pontuais do empreendimento.
Esses procedimentos visam 
permitir a exploração da 
forma mais segura e com o 
mínimo de danos à fl oresta. 
PROCEDIMENTOS 
PRÉ-EXPLORATÓRIOS
73INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
c) CORTE DIRECIONAL
Antes do corte, a direção 
de queda da árvore deve 
ser definida, de modo 
que minimize os danos 
à arvores adjacentes. 
Uma rota de fuga para os 
trabalhadores deve ser 
escolhida, e uma limpeza 
ao redor da árvore é 
realizada para evitar a 
presença de cobras e 
melhorar a visibilidade.
Técnicas de corte direcionado devem ser usadas nessa operação, que é realizada quase 
que exclusivamente com motosserra. Uma vez derrubada a árvore, a placa colocada na 
mesma durante o inventário 100% deve ser afixada no toco, e o número da UT e da árvore 
devem ser pintados no tronco, com tinta permanente à prova d’água.
74INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
D) ARRASTE
E) ARMAZENAMENTO
O arraste das toras pode ser feito por máquinas, sendo que o skidder é 
a mais comum, ou por outros meios. O arraste por tração animal é uma 
alternativa, embora raramente usado. Caso não haja o uso de máquinas, 
é comum que a tora seja desdobrada no próprio local da queda da árvore, 
com motosserra, para diminuir o peso e o volume a serem carregadas. 
A madeira, seja em tora, seja em pranchões, é então levada para os pátios secundários 
(menores, em maior número e mais próximos das árvores abatidas), e depois para os pátios 
primários (maiores, em menor número e próximos da estrada principal de escoamento), 
onde é medida antes da venda. 
Se houver desdobro no local, os pranchões devem 
também serem numerados, de forma que se possa 
rastrear exatamente de que árvore vieram.
75INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
F) ATIVIDADES PÓS-EXPLORATÓRIAS
Consistem em tratamentos 
silviculturais(Incluem 
a liberação de árvores 
comerciais através do corte 
de ou anelamento (processo 
que retira a casca da árvore 
numa forma de anel, o que 
impede que o transporte de 
seiva causando sua morte) 
de árvores competidoras, 
corte de cipós, plantio de 
enriquecimento (árvores de 
valor comercial) em clareiras, 
entre outros.
A maioria destes tratamentos visa aumentar o valor futuro de florestas de produção, 
ao mesmo tempo em que gera benefícios ecológicos para as espécies comerciais que 
porventura tenham sido afetadas pela exploração.
O inventário contínuo é o 
monitoramento da floresta desde 
a fase pré-exploratória e após a 
atividade ocorrer para saber como 
ela está crescendo e os impactos 
decorrentes da exploração sobre as 
espécies comerciais. É importante 
também zelar pela manutenção da 
infraestrutura e as atividades de 
proteção florestal, principalmente 
contra incêndios.
INVENTÁRIO CONTÍNUO
76INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
 3.4.4 Saúde e segurança no trabalho
Como segurança do trabalho em atividades de manejo, 
posso afirmar que esta atividade, assim como várias 
outras, pode trazer riscos relativos à saúde e segurança 
dos trabalhadores. Principalmente no momento do 
corte das árvores podem ocorrer acidentes, por isto 
devem ser adotados os procedimentos de segurança. 
Esses riscos são minimizados com o planejamento 
das atividades, como discutido anteriormente, e com 
ações e equipamentos de segurança.
Assim, para garantir a segurança das atividades de manejo, é necessário o cumprimento de quatro 
pontos:
1. equipamentos adequados e com a manutenção 
em dia para as atividades de manejo; 
2. conhecimento e correta aplicação das técnicas de 
manejo;
3. estrutura de vivência e conforto mínimos para os 
trabalhadores; e 
4. equipamentos e procedimentos de saúde e 
segurança no trabalho.
77INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
Assim, para garantir a segurança das atividades de manejo, é 
necessário o cumprimento de quatro pontos:
Operações de derruba de árvores: 
• Calça;
• Camisa/camiseta de manga longa com coloração de 
destaque;
• Bota com bico de aço;
• Capacete completo, com abafador e viseira;
• Perneira;
• Luva de raspa em couro;
• Motosserra equipada com os dispositivos de segurança 
(freio manual da corrente, pino pega-corrente, protetor 
de mão direita, protetor de mão esquerda, trava de 
segurança do acelerador);
• Bainha;
• Apito;
• Óculos de acrílico;
• Protetor auricular.
Demais operações em campo:
• Calça;
• Camisa/camiseta de manga longa com 
coloração de destaque;
• Bota;
• Capacete;
• Perneira;
• Luva;
• Bainha.
78INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 3
Encerramos mais um módulo. Esperamos que 
tenham compreendido a importância de cada 
etapa para o manejo florestal sustentável.
Com certeza! E vamos aplicar esse aprendizado 
em nossas jornadas diárias.
 3.5 Importância do manejo fl orestal para a 
comunidade e para a fl oresta
 Encerramento do módulo 3
Impotância 
do manejo 
florestal para a 
comunidade e 
para a floresta
Exatamente, Bruna! Como já foi 
visto durante esse curso, a floresta 
é uma fonte enorme de alimentos, 
produtos e serviços ambientais.
Pessoal, todas essas etapas 
são necessárias e importantes 
para garantir a conservação 
da floresta.
Assim, é importante desenvolver práticas que permitam o uso econômico 
da floresta sem causar degradação e desmatamento, como o manejo 
florestal sustentável. Só assim permitiremos que a floresta cumpra seu 
papel ambiental e social para os povos e comunidades que vivem nela e 
para a sociedade em geral ao longo das futuras gerações.
 MÓDULO 4 
LICENCIAMENTO DO 
MANEJO FLORESTAL
80INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 4
 4. Licenciamento do Manejo Florestal
Licenciamento 
do Manejo 
Florestal
A partir de agora, vamos abordar o 
Licenciamento do Manejo Florestal.
O manejo florestal tem como um de seus produtos a madeira, 
assim, as exigências legais são maiores que de não-madeireiros.
81GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 4
A atividade precisa ser licenciada, através de três etapas: A 
Autorização Prévia à Análise Técnica – APAT, o Plano de Manejo 
Florestal Sustentável – PMFS e a Autorização de Exploração – 
AUTEX. Alguns produtos florestais não-madeireiros também 
necessitam de aprovação prévia à exploração.
 4.1 Etapas de licenciamento
Etapas do
licenciamento
O que é APAT?
A sigla APAT é Autorização Prévia à Análise Técnica. Essa etapa tem como objetivo 
verificar se a pessoa – física ou jurídica – que deseja realizar o manejo, em 
determinada área, tem direito legal àquela área, e se a área pode ser manejada 
– tem florestas, está regular com os órgãos ambientais, não foi objeto de outro 
plano de manejo anteriormente, dentre outros.
82INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 4
O PMFS deve conter um estudo físico da área 
(macrozoneamento), que engloba um mapa do local, 
estradas existentes, cursos d’água, dentre outras 
informações da floresta (inventário amostral), onde 
se estuda aquela floresta, que espécies existem ali, 
em que quantidades, se elas estão se reproduzindo 
satisfatoriamente, através da verificação da presença 
de indivíduos jovens, e outros aspectos da área, como 
a presença de unidades de conservação.
E como é feito o Plano de Manejo 
Florestal Sustentável?
Etapas do
licenciamento
Entendi! O processo só pode continuar 
em caso de aprovação da APAT?
Exato.
83GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 4
Esse documento deve ser elaborado para cada floresta 
em que se fará exploração florestal e utilização 
de produtos e serviços, detalhando como ela será 
explorada e quais os passos para que essa exploração 
ocorra de forma sustentável. Esse documento se 
refere à área a ser manejada como um todo, e deve ser 
elaborado por um Engenheiro Florestal – o Responsável 
Técnico.
A Autex é a autorização para exploração. O detentor 
do PMFS submete ao órgão ambiental competente 
um Plano Operacional Anual – POA. Este documento 
também tem um inventário florestal, o inventário a 
100% neste caso, mas que detalha apenas as espécies 
que serão utilizadas, e no diâmetro comercial, o mapa 
da área com a localização das árvores e as trilhas e 
pátios planejados e outros dados que são necessários 
para a exploração propriamente dita da área.
Este documento se aplica apenas à área a ser 
explorada em um determinado ano, e precisa 
ser elaborado por um Engenheiro Florestal, 
que será o Responsável Técnico pelo Plano 
Operacional Anual.
Os passos para o licenciamento do Manejo aqui descritos são os da legislação Federal, ou 
seja, quando o Manejo Florestal ocorre em áreas da União, nas Unidades de Conservação de 
Uso Sustentável, e para a Amazônia. Os estados têm suas próprias exigências e, às vezes, até 
modalidades de manejo diferentes. É imprescindível consultar a legislação aplicável à área 
a ser manejada ANTES de qualquer atividade de manejo para saber que passos se tem de 
cumprir, ou mesmo, se o manejo florestal é permitido naquela área em particular. Os custos 
do manejo dependem em parte disso.
 Importante
Etapas do
licenciamento
84INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 4
Etapas do
licenciamento
Quem aprova o PMFS?
São os órgãos vinculados ao Sisnama.
No caso de áreas da União, é o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais 
Renováveis – Ibama. No caso de Manejo Florestal Comunitário em Reservas Extrativistas e 
Florestas Nacionais, é o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio. 
Assentamentos da Reforma Agrária não emancipados, ou assentamentos ambientalmente 
diferenciados, são licenciados pela unidade Estadual do Ibama. Os outros casos são 
licenciados pelas Secretarias Estaduais de Meio Ambiente, ou as municipais, quando 
existirem.
Marco legal: Segundo a Resolução CONAMA 01/86 e o Código Florestal, tanto o novo quanto 
o antigo, Manejo Florestal é atividade sujeita a licenciamento. Assim, a atividade começou 
a ser regulamentada pelo Ibama apenas em 1991. Atualmente,as principais normativas 
federais incidentes sobre a atividade são as IN MMA 04, que trata da APAT, e 05 de 2006, que 
trata da apresentação do PMFS e POA, a Resolução CONAMA 406 (Amazônia apenas) e a 
Instrução Normativa do Ministério do Meio Ambiente n° 1, de 25 de junho de 2009, que trata 
do manejo florestal na Caatinga.
http://www2.mma.gov.br/port/conama/res/res86/res0186.html
https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=78154
http://www2.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=597
https://www.mma.gov.br/estruturas/pnf/_arquivos/in%20mma%2004-06.pdf
85GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 4
A APAT foi criada pela Instrução 
Normativa do Ministério do Meio 
Ambiente n° 04, de 11 de dezembro 
de 2005. Para solicitar a APAT, o 
proponente deve apresentar um 
documento de acordo com cada 
situação.
1) Documentos de identificação do proponente.
Se pessoa física, cópia autenticada da identidade e CPF, e se pessoa jurídica, empresa, 
o formulário anexo à IN, com a assinatura do representante legal da empresa, e cópia 
autenticada da identidade e CPF do representante legal.
Empresas também precisam apresentar o CNPJ, o ato de criação, o estatuto ou contrato 
social em vigor, devidamente registrados em cartório no caso de sociedade comercial 
e, no caso de sociedade por ações, os documentos de eleição e termos de posse de seus 
administradores.
As pessoas jurídicas associação, cooperativas ou entidades similares precisam apresentar 
o formulário anexo à Instrução Normativa, com assinatura do presidente ou de todos os 
membros do colegiado da associação ou cooperativa, conforme estatuto e suas alterações; 
cópia autenticada da cédula de identidade e do CPF junto à Secretaria da Receita Federal 
do presidente ou dos membros do colegiado da associação ou cooperativa; CNPJ; Cópia 
autenticada do Estatuto Social, devidamente registrado em cartório ou cópia da sua 
publicação em Diário Oficial; ata da Assembleia que elegeu a diretoria, registrada em 
cartório ou cópia da sua publicação em Diário Oficial;
86INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 4
2) número no Cadastro Técnico Federal – CTF.
O CTF11 – Cadastro Técnico Federal, previsto na Política Nacional de Meio Ambiente (Lei 
6.939/1981), é realizado no Ibama. O cadastro é obrigatório para pessoas físicas e jurídicas 
que exercem atividades potencialmente poluidoras e utilizadoras de recursos ambientais e/
ou se dedicam a Atividades e instrumentos de defesa ambiental.
3) Certificado de Cadastramento de Imóvel Rural – CCIR no Cadastro Nacional de Imóvel 
Rural – CNIR, no caso de propriedades privadas.
4) Documentação fundiária do imóvel, conforme o anexo II da Instrução Normativa.
5) Autorização expressa do proprietário, quando esse não for o proponente.
6) Mapa da área total do imóvel, indicando as coordenadas dos pontos de amarração e dos 
vértices definidores dos limites do imóvel rural.
O órgão competente sobre o imóvel rural onde será realizado o Manejo Florestal vai analisar 
a documentação apresentada, em relação à adequada identificação do proponente do plano 
de manejo, da comprovação de regularidade do título do imóvel, se não existe sobreposição 
da área com terras indígenas, unidades de conservação e áreas militares. No caso de ter 
sobreposição do local com zona de amortecimento de unidades de conservação, o órgão 
ambiental competente tem de pedir a manifestação do órgão gestor da Unidade. Também 
vai analisar a existência de floresta no local, por meio de imagens de satélite.
11Legalmente, enquanto o plano de manejo não for aprovado, a pessoa que está 
tentando obter a APAT é chamada de proponente. Depois do PMFS aprovado, a pessoa 
física ou jurídica que é o responsável legal pelo PMFS é chamado de detentor.
87GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 4
A APAT tem validade de 24 meses. O PMFS deve ser submetido à 
análise do órgão dentro deste prazo. Essa fase, a da autorização 
prévia, pode ser complicada para o manejo comunitário. Além 
de muitas vezes necessitar de mais uma aprovação, a do ICMBio 
ou do Incra, caso a área que se quer manejar esteja em Unidade 
de Conservação ou Assentamento, muitas vezes os agricultores 
familiares não detêm a titularidade da terra, mas sim declaração de 
posse, declaração de cessão de uso e outras formas mais frágeis de 
posse da terra. Assim sendo, antes de se pensar em manejar e fazer 
o investimento necessário para começar a atividade, é bom verificar 
se o órgão que licencia a atividade aceita o tipo de domínio da terra 
existente, e se existem outras exigências.
88INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 4
No Plano de Manejo Florestal Sustentável é preciso detalhar como será 
o manejo realizado na área. Deve incluir ainda o tipo de madeira que 
será retirada, em que quantidade, depois de quanto tempo se voltará 
ao talhão, que tipo de atividades silviculturais serão realizadas, como se 
dará a retirada da madeira do local, etc. 
Vamos então reforçar alguns conceitos?
Ciclo de corte ou rotação: é o tempo que se volta para retirar mais 
madeira do mesmo local. A área é dividida em unidades de exploração 
anual, que serão exploradas sequencialmente, até que se volte à 
primeira área novamente. Ciclo de corte é o tempo que demorará para 
voltar a cortar na primeira área. Na Amazônia, pode ser de dez anos, em 
 4.2 O Plano de Manejo Florestal Sustentável
uma modalidade de manejo (de baixa intensidade), mas geralmente está entre 25-30 anos. 
Na Caatinga varia de 10 a 15 anos.
Intensidade de exploração: A intensidade de exploração se refere a quanto de madeira vai 
ser retirado em cada corte, em cada área de operação anual. Por exemplo, na Amazônia o 
limite para se retirar é 30 m3 por hectare, a cada ciclo. Na Caatinga é de 11 m3/ha.
Lista de espécies: é a lista de espécies que foram escolhidas para serem exploradas 
excluindo as que são proibidas de corte pela legislação, que são a castanheira, o mogno 
e a seringueira. Elas são decididas em função das espécies que existem na área, que tem 
indivíduos jovens, adultos e plântulas, e que existam acima de determinada quantidade 
– esses dados são fornecidos pelo inventário amostral e pelo uso comercial das espécies.
Uso de máquinas: especificamente no arraste de toras. O skidder é usado para arrastar 
toras na Amazônia, e por exigir trilhas abertas e por seu peso, tem um potencial de causar 
danos ambientais significativos.
Estradas, trilhas e ramais: as áreas de manejo tendem a ser áreas de floresta relativamente 
intocadas. Desta forma, é preciso construir estradas para se chegar até elas e escoar a 
produção. Os ramais são estradas secundárias, e as trilhas de arraste são abertas para se 
chegar até as árvores exploradas. O planejamento dessas estruturas é muito importante, 
porque além de serem parte relevante do impacto ambiental do manejo, são de alto 
custocaras.
89GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 4
Pátios: são os locais onde a madeira ficará armazenada até a sua retirada do local da 
exploração. Como também envolvem a retirada de vegetação, devem ser bem planejados.
Modalidades de PMFS: as legislações, federais e estaduais, preveem algumas modalidades 
distintas de manejo, em relação ao tamanho da área a ser manejada, a intensidade de 
exploração e o uso de máquinas no arraste de toras. É bom conhecer a legislação que se 
aplica ao manejo na sua localidade.
Inventário Amostral: é o estudo da floresta como um todo, feito para a elaboração do 
PMFS. É feito em algumas parcelas, sem medir a floresta toda, e registra dados de boa 
parte das espécies que ocorrem na área que será manejada, e de vários tamanhos. Esse 
inventário fornece o conhecimento da floresta necessário para a elaboração de um bom 
Plano de Manejo.
Inventário a 100%: é realizado na área que vai ser cortada, e mede todas as espécies que 
vão ser comercializadas, já adultas. Ele vai determinar que árvores serão colhidas.
Para a elaboração dos Planos de Manejo Florestal Sustentáveis comunitários, é importante 
que otécnico que vai elaborar este documento trabalhe em conjunto com os manejadores, 
e que questões como a definição da área a ser manejada, a intensidade de exploração, 
tipo de manejo a ser realizado, as responsabilidades de cada um para com a atividade e a 
repartição de possíveis lucros estejam claras para todos os envolvidos. Isso evita conflitos 
entre os manejadores e também impede que a comunidade assuma a responsabilidade 
por um PMFS que não conhece e de cuja elaboração não participou.
É importante lembrar que o detentor de um Plano de Manejo (a pessoa física ou jurídica 
que detém a aprovação do plano em seu nome) assume várias responsabilidades para com 
a área de manejo, como protegê-la do fogo, que as operações realizadas na área estejam 
de acordo com a licença e com as leis trabalhistas e de segurança do trabalho (a atividade 
florestal é perigosa, e não deve ser realizada por gente sem capacitação!).
90INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 4
 4.2.1 Apresentação do Plano de Manejo Florestal
 Aspectos gerais
Aspectos 
gerais 
Aspectos 
gerais 
Vimos no módulo anterior algumas categorias de plano de manejo que são 
previstas legalmente, em relação ao tipo de pessoa que é detentor e ao 
tipo de floresta em que se pretende realizar o manejo etc., mas quais são 
as definições que realmente afetam a realização da atividade?
O PMFS de baixa intensidade foi pensado de 
forma a legalizar a atividade como usualmente 
realizada por populações tradicionais. 
Permite o corte máximo de 10 m3/ha, uma 
rotação mínima de 10 anos e não pode usar 
máquinas no arraste de toras. Tem exigências 
muito menores que o PMFS pleno, também 
chamado de empresarial, em relação a mapas, 
planejamento e legislação trabalhista.
O PMFS pleno permite o corte máximo de 30 
m3/ha, com rotação mínima de 30 anos (esse 
valor é alterado pela Resolução Conama, para 
0,876 m3/ha/ano de rotação). Permite o uso 
de máquinas no arraste de toras e é bem mais 
exigente na elaboração do PMFS.
Muito bem, Dona Bené! As definições são: 
PMFS de baixa intensidade e PMFS pleno.
91GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 4
O Plano de Manejo Florestal deve detalhar os seguintes aspectos: 
uma caracterização da área; de vegetação, inclusive as espécies não 
comerciais, outros aspectos bióticos, geográficos e econômicos. 
Também deve incluir os aspectos básicos da exploração a ser 
desenvolvida: ciclo de corte, quantidade de madeira prevista para 
ser retirada e de quais espécies, como se dará o corte e o arraste da 
madeira, a abertura de pátios e ramais, tratamentos silviculturais, 
inclusive os realizados fora da época de exploração, dentre outras.
Os manejadores (equipe) também devem estar detalhados nesta fase: 
quem, quantos, que tipo de equipamentos e treinamentos receberão. 
Adicionalmente, deve conter a Anotação de Responsabilidade 
Técnica – ART de quem elaborou o Plano. O Responsável Técnico 
pela elaboração do PMFS pode ou não ser o mesmo responsável por 
sua execução. Sendo ou não, cada POA tem de apresentar a ART do 
responsável pela execução.
Seleção das áreas aptas ao manejo
Elaboração do Plano de Manejo
Quantificação do potencial da floresta
Relembrando, a elaboração do plano inclui:
92INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 4
a) Seleção das áreas aptas ao manejo
É exatamente o que o nome diz. Uma área com situação fundiária definida, com cobertura 
florestal apta à produção de madeira e topografia favorável deve ser selecionada, e 
mapeada, inclusive rios, igarapés, estradas existentes, infraestrutura etc.
Quantificação do potencial da floresta. Esta etapa é o inventário amostral. Faz-se uma 
amostragem da floresta, em relação a número de espécies, volume madeirável existente, 
tipologia florestal, presença de regeneração, dentre outros dados. Isso dará uma ideia do 
tipo de exploração possível, sustentável e rentável da florestal em questão.
Elaboração do Plano de Manejo: a partir dos dados do mapeamento e do inventário 
florestal – IF, se faz o planejamento do manejo propriamente dito, inclusive a avaliação 
econômica. A área deve ser dividida em Unidades de Exploração Anual –UPAS. Devem ser 
definidas as espécies a serem exploradas, a volumetria proposta, as técnicas de exploração 
selecionadas, o traçado das estradas, pontes, pátios de exploração, alojamentos e outras 
obras necessárias definidas, recursos humanos, financeiros e instrumentais necessários, 
bem como medidas mitigatórias de impacto e de proteção da área de manejo escolhidas. 
Tudo isso deve compor o documento a ser enviado para o órgão licenciador.
b) Quantificação do potencial da floresta
c) Elaboração do Plano de Manejo
93GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 4
Aspectos 
gerais 
Aspectos 
gerais 
E existe algum roteiro para orientar as 
apresentações dos PMFS?
O que deve ser apresentado ao órgão 
licenciador?
Sim. A Instrução Normativa n°05 de 2006, 
do Ministério do Meio Ambiente, em seus 
anexos, oferece um roteiro detalhado 
para a apresentação dos PMFS.
A primeira parte, após a identificação do proponente e da APAT correspondente à esta área, 
é a classificação do Plano. Essa classificação se dá em relação à dominialidade da floresta, se 
pública ou se privada; em relação ao detentor, se é um Plano Empresarial ou Comunitário (a 
diferença aqui é se o detentor é uma cooperativa ou associação, ou empresa ou pessoa física).
Outros pontos importantes para categorizar os PMFS são: PMFS em floresta pública, 
executado pelo concessionário em contratos de concessão florestal e PMFS em Floresta 
Nacional, Estadual ou Municipal, executado pelo órgão ambiental competente.
94INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 4
Aspectos 
gerais 
Em relação aos produtos do manejo, o PMFS pode ser para 
a produção madeireira, não-madeireira ou de múltiplos 
produtos. A intensidade de exploração pode ser de baixa 
intensidade ou pleno. Essa classificação é a que realmente 
faz diferença no tipo de manejo a ser realizado.
Outra classificação do PMFS é em relação ao ambiente 
predominante, se em terra firme ou várzea. A legislação 
federal é omissa em relação ao manejo florestal em florestas 
de várzea, mencionando apenas que, para os PMFS de 
Baixa Intensidade em áreas de várzea, o órgão ambiental 
competente poderá autorizar a intensidade de corte acima 
de 10 m3/ha, limitada a três árvores por hectare. Ainda em 
relação à floresta, o manejo pode ser realizado em floresta 
primária ou secundária.
O PMFS de Baixa Intensidade para a produção de madeira não utiliza maquinário (skidder) 
para o arraste de toras, tem um ciclo de corte de 10 anos e uma intensidade máxima de 
exploração de 10 m3/ha/ano. O PMFS pleno para a produção de madeira prevê a utilização de 
máquinas para o arraste de toras, tem um ciclo de corte mínimo de 30 anos e uma extração 
máxima de 0,86 m3/ha/ano.
95GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 4
O PMFS deve identificar a área de execução da atividade, estado, município, área com 
coordenadas, vias de acesso, referências e outros dados necessários para se identificar e chegar 
na área de manejo. O ambiente também deve ser descrito, incluindo vegetação, solos, uso atual 
da terra e o macrozoneamento da propriedade onde está localizada a AMF: áreas produtivas 
para fins de manejo florestal, áreas de preservação permanente (APP), área de reserva legal e a 
localização das UPAS. Isso é tudo o que é exigido para PMFS em pequena escala.
O macrozoneamento pedido para o plano de manejo pleno é um pouco mais complexo: Áreas 
produtivas para fins de manejo florestal;
Áreas reservadas (por exemplo: Áreas de Alto Valor para Conservação; reserva absoluta);
Áreas não produtivas ou destinadas a outros usos;
Área de reserva legal;
Área de Preservação Permanente-APP;
Tipologias florestais; 
Localização das UPAS; e
Estradas permanentes e de acesso.
O PMFS Pleno tem mais exigências, descritas abaixo:
96INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 4
A descrição dos recursos florestais para os planos 
demanejo pleno precisa ainda detalhar os métodos 
utilizados no inventário, a Composição florística, 
Distribuição diamétrica das espécies (Diâmetro à altura 
do peito = 10 cm) para as variáveis número de árvores, 
área basal e volume, classe de qualidade de fuste, bem 
como a estimativa da capacidade produtiva da floresta 
(análise estatística).
A Instrução Normativa (IN) 05/2006 estabelece o 
volume máximo e o ciclo de corte mínimo para 
as duas modalidades de PMFS. No entanto, eles 
podem variar, regulando a produção florestal 
de forma a garantir sua sustentabilidade.
Para uma determinada área, deve-se levar em consideração a estimativa da produtividade anual 
da floresta manejada (m3/ha/ano), para o grupo de espécies comerciais, com base em estudos 
disponíveis na região; o ciclo de corte inicial de no mínimo 25 anos e de no máximo 35 anos para o 
PMFS Pleno e de, no mínimo, 10 anos para o PMFS de Baixa Intensidade; a estimativa da capacidade 
produtiva da floresta, definida pelo estoque comercial disponível (m3/ha), baseado nos resultados 
do inventário florestal da UMF, dos critérios de seleção de árvores para o corte, previstos no PMFS 
e de como será definido um número mínimo de árvores adultas deixadas no campo para cada 
espécie, de modo a garantir a reprodução das espécies exploradas e a integridade das áreas de APP. 
O que é preciso para definir exatamente 
estas variáveis?
97GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 4
O que o órgão licenciador costuma 
analisar?
O órgão licenciador deve analisar a intensidade de corte proposta no PMFS Pleno, considerando 
a capacidade do detentor de manter uma equipe treinada e em número adequado para a 
execução de todas as atividades previstas do PMFS e POA, bem como a capacidade de utilizar o 
maquinário necessário para a execução do manejo.
A IN ainda determina que o diâmetro mínimo de 
corte – DMC será estabelecido por espécie explorada, 
baseado em estudos e diretrizes técnicas disponíveis 
que observam a distribuição diamétrica do número 
de árvores por unidade de área (n/ha), a partir de 10 
cm de diâmetro à altura do peito - DAP, resultado do 
inventário florestal da UMF; outras características 
ecológicas que sejam relevantes para a sua 
regeneração natural e o uso que a se destinam.
Pela ausência de dados e/ou análise da informação já disponível, o diâmetro mínimo de corte 
continua sendo o padrão de 50 cm ou maior.
https://www.hnt.com.br/agrohiper/93-das-areas-exploradas-legalmente-em-mt-sao-com-
planos-de-manejo/90350
https://www.hnt.com.br/agrohiper/93-das-areas-exploradas-legalmente-em-mt-sao-com-planos-de-manejo/90350
98INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 4
A determinação da intensidade de corte, na prática, quando do planejamento da exploração de 
cada UPA, além do diâmetro mínimo de corte deve levar em consideração também as seguintes 
exigências legais: devem ser mantidas pelo menos 3 árvores de cada espécie a cada 100 ha, 
dentro do padrão comercial, e 10% do número de árvores por espécie.
A IN estabelece que podem ser 
apresentados estudos técnicos para a 
alteração destes parâmetros, no geral ou 
de forma avulsa, mediante justificativas 
elaboradas pelo responsável técnico do 
PMFS, baseados nos dados da floresta 
e nas melhores técnicas de exploração. 
Estas justificativas devem apresentar 
o fundamento científico nas quais se 
basearam.
O PMFS deve prever procedimentos que possibilitem a rastreabilidade dos produtos extraídos, 
inclusive dos resíduos, quando for o caso, e as medidas de proteção da área de manejo, contra 
incêndios, invasões e outras ocorrências danosas.
Cada órgão licenciador tem exigências próprias para a entrega dos documentos relativos tanto ao 
PMFS e ao POA. Para o Ibama, estes documentos devem ser entregues em via digital (CD-ROM) e 
impressa (com exceção das planilhas com os dados de campo dos inventários florestais). Caso o 
órgão ofereça sistema para a entrega do PMFS pela internet, pode fazê-lo.
É importante notar que, assim que o PMFS for aprovado, e antes de qualquer ação de 
execução do mesmo, o detentor deve apresentar ao órgão ambiental competente o 
Termo de Responsabilidade de Manutenção da Floresta, que está disponível no Anexo 
III da IN n°06.
 Importante
99GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 4
 4.2.2 Exigências para PMFS Plenos
As informações a serem apresentadas para o manejo florestal, no caso de apresentação do 
PMFS pleno, também são mais detalhadas: o sistema silvicultural, incluindo a cronologia das 
principais atividades do manejo florestal; as espécies florestais a manejar e a proteger, a lista 
de espécies e grupos de uso, o método de identificação botânica das espécies, os diâmetros 
mínimos de corte, as espécies com características ecológicas especiais e a lista de espécies 
protegidas, a regulação da produção: ciclo de corte, intensidade de corte prevista (m3/ha) e 
estimativa de produção anual (m3).
Descrição das atividades pré-exploratórias em cada UPA:
• delimitação permanente da UPA;
• a subdivisão da UPA em UT (Unidade de Trabalho);
• o Inventário florestal a 100%, o microzoneamento;
• corte de cipós;
• os critérios de seleção de árvores para corte e manutenção e o planejamento 
da rede viária.
Descrição das atividades de exploração:
• Métodos de corte e derrubada;
• Método de extração da madeira;
• Equipamentos utilizados na extração;
• Carregamento e transporte;
• Descarregamento;
• Procedimentos de controle da origem da madeira; e
• Métodos de extração de resíduos florestais (quando previsto).
100INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 4
Descrição das atividades pós-exploratórias:
• Avaliação de danos (quando previsto);
• Tratamentos silviculturais pós-colheita (quando previsto);
• Monitoramento do crescimento e produção (quanto previsto). 
1) Relações de dendrométricas utilizadas;
• Equações de volume utilizadas;
• Outras equações; e
• Ajuste de equações de volume com dados locais.
2) Dimensionamento da Equipe Técnica em relação ao tamanho da UPA 
(número, composição, funções, estrutura organizacional e hierárquica);
• Relação ao inventário florestal a 100%;
• Corte;
• Extração florestal;
• Outras equipes;
• Diretrizes de segurança no trabalho;
• Critérios de remuneração da produtividade das equipes também devem 
estar detalhados.
3) Dimensionamento de máquinas e equipamentos em relação ao tamanho da 
UPA;
• Operações de corte;
• extração florestal;
• carregamento e transporte também fazem parte dos dados exigidos. 
4) O PMFS Pleno deve descrever os investimentos financeiros e custos para a 
execução do manejo florestal;
• Máquinas e equipamentos;
• Para a execução da infraestrutura;
• Para pagamento da equipe técnica permanente e temporária;
• Terceirização de atividades;
• Quando houver, treinamento e capacitação (situação atual e previsão para 
os próximos 5 anos);
• Estimativa de custos e receitas anuais do manejo florestal.
Como informações complementares, os PMFS Plenos devem trazer:
1
2
3
4
101GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 4
5) O PMFS pleno deve detalhar as diretrizes para redução de impactos.
• Na floresta;
• No solo;
• Na água;
• Na fauna;
• Bem como prever mecanismos de comunicação e gerenciamento de 
conflitos com vizinhos;
6) As medidas de proteção na floresta.
• Como a manutenção das UPAs em pousio;
• A prevenção e combate a incêndios;
• A prevenção contra invasões. 
7) O acampamento, alojamento e demais infraestruturas.
• Os critérios de sua localização;
• As medidas de destinação de resíduos orgânicos e inorgânicos;
• A organização e higiene do acampamento devem ser relatadas. 
5
6
7
102INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 4
 4.2.3 Operacional Anual
Uma vez aprovado o Plano de Manejo, que vai guiar todo o processo de exploração, durante 
todo o tempo do manejo, o Plano de Operação Anual – POA deve ser elaborado e aprovado. O 
POA é feito a partir do mapa da área de exploração anual e do inventário amostral, definindo a 
área total que vai ser explorada naquele ano,qual o volume de madeira ou lenha esperado, o 
mapa da área de exploração, com todas as atividades previstas, como abertura de estradas etc. 
Somente com a aprovação dele no órgão ambiental competente – a Emissão da Autorização de 
Exploração – AUTEX exploração pode começar.
Depois de aprovado o Plano de 
Manejo, o que acontece?
Operacional 
Anual
DOF
A AUTEX também gera os créditos no sistema de controle. O 
Documento de Origem Florestal – DOF é o federal, gerido 
pelo Ibama, e usado pela maior parte dos estados, com 
exceção de Mato Grosso, Maranhão e Pará, que usam o 
SISFLORA. A cada transporte de madeira, se abate do total 
de créditos o volume e espécie a serem transportados, e é 
ilegal transportar madeira sem a guia de transporte.
https://1.bp.blogspot.com/-JaYtVkQEiC4/VgNrb7Wyf4I/AAAAAAAAAqo/_2EjamElXjI/s1600/dof22.jpg
103GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 4
O POA, além das informações de identificação do detentor, do tipo de manejo e da área a 
ser manejada, que são idênticas às do PMFS, deve trazer informações adicionais: o sistema 
silvicultural, as espécies florestais a manejar e a proteger, a lista de espécies e grupos de uso.
As demais informações são mais específicas para a área da UPA 
e as atividades previstas: intensidade de corte, o tamanho das 
UPAs e a produção anual programada, em metros cúbicos, a 
descrição das atividades pré-exploratórias em cada UPA, como 
se dará a delimitação permanente da UPA, o corte de cipós, se 
aplicável, o inventário a 100% e os critérios de seleção de árvores. 
Após a identificação do POA, incluindo a que PMFS se refere, o 
documento deve identificar e caracterizar a UPA: coordenadas 
geográficas dos limites, as subdivisões em UTs (quando previsto), 
e os resultado do microzoneamento.
O que deve conter nesse 
documento?
Este documento deve descrever os métodos de 
corte e derrubada, métodos de extração da madeira, 
procedimentos de controle da origem da madeira e 
métodos de extração de resíduos florestais (quando 
previsto).
A legislação ainda pede informações complementares, 
a saber: as relações dendrométricas12 utilizadas, a 
equação de volume13 utilizada, o mapa de localização da 
propriedade e o macrozoneamento da propriedade.
12Relações dendrométricas são as relações entre as medidas de uma árvore, neste caso, a 
principal é a medida entre o comprimento do tronco e o diâmetro da árvore.
13São as fórmulas para calcular o volume de madeira extraído.
104INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 4
A seguir, o POA deve detalhar a especificação da produção pretendida: potencial de produção 
por espécie, indicando o nome, o DMC considerado, o volume e número de árvores acima do 
DMC da espécie que atendam critérios de seleção para corte, a porcentagem do número de 
árvores a serem mantidas na área de efetiva exploração, o número de árvores e volume de 
árvores de espécies com baixa densidade, o volume e número de árvores passíveis de serem 
exploradas, e, caso previsto, o volume de resíduos florestais a serem explorados.
E qual é o próximo passo?
O POA também deve especificar todas as 
atividades previstas para o ano?
Operacional 
Anual
Operacional 
Anual
Sim, juntamente com o cronograma, inclusive as atividades que serão realizadas na UMF, como 
manutenção de estradas principais e secundárias, indicação de equipe e equipamentos.
Essas atividades devem estar agrupadas em atividades pré-exploração, atividades de 
exploração e atividades pós-exploração florestal. Quando previsto no PMFS, as atividades 
complementares, como avaliação de danos e outros estudos técnicos, treinamentos e ações de 
melhoria de logística e segurança do trabalho também devem estar descritas.
105GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 4
Anexos ao POA devem estar os mapas florestais, a saber:
a. os mapas de uso de solo atual na UPA, com escala mínima de 1:10.000 para áreas 
de até 5.000 ha, contendo os limites da UPA, tipologias florestais, rede hidrográfica, 
rede viária e infraestrutura, áreas reservadas, áreas inacessíveis e áreas de 
preservação permanente;
b. mapa(s) de localização das árvores (mapa de exploração) em cada UT da UPA, 
com escala de no mínimo 1:25.500 para áreas de até 100 ha, contendo os limites 
da UT, rede hidrográfica, rede viária e infraestrutura atual e planejada, áreas 
reservadas, áreas inacessíveis e áreas de preservação permanente e os resultados 
do inventário a 100%, na forma de tabela e resumo contendo o número de árvores, 
área basal e volume comercial por espécie inventariada, por classe de DAP de 10 
cm de amplitude e por classe de qualidade de fuste.
Operacional 
Anual
Os arquivos digitais do POA devem apresentar a 
tabela com os dados primários coletados durante 
o inventário a 100%, tratados conforme diretrizes 
técnicas. Qualquer uma das modalidades de PMFS 
deve apresentar a ART do responsável técnico pela 
realização do manejo para este POA.
106INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 4
Relatório de Exploração
O relatório de exploração precisa conter o resumo dos resultados da exploração para cada 
UT, contendo as seguintes informações: área de efetiva exploração (ha), volume explorado 
(m3 e m3/ha), número de árvores exploradas(n e n/ha), volume romaneiado (m3 e m3/ha), 
volume selecionado para corte (VS) e volume explorado (VE).
Nas Exigências específicas para o PMFS Pleno, também devem constar: o volume e o número 
de árvores autorizadas (m3), volume e número de árvores exploradas (m3), e respectivos 
saldos em pé (m3), o volume e número de árvores derrubadas e não arrastadas, o volume e 
número de toras arrastadas mas não transportadas, deixadas em pátios ou na floresta, um 
resumo da produção da madeira explorada e transportada à indústria, contendo espécie, 
número de árvores exploradas e número e volume de toras transportados. Caso o POA tenha 
atividades complementares previstas, a execução ou não das mesmas também deve constar 
aqui.
Para se conseguir a renovação do POA no ano seguinte, é necessário apresentar ao órgão 
licenciador o relatório de exploração. Este relatório deve conter os mesmos dados de 
identificação do POA. Além disso, deve conter o resumo das atividades planejadas e 
executadas no ano a que o relatório se refere, pré-exploração, de exploração e pós-exploração 
florestal.
A área que foi efetivamente explorada, o volume efetivamente retirado e o volume 
efetivamente romaneado, e as informações por espécie, como o volume autorizado e o 
volume retirado, e o volume transportado devem constar deste relatório, bem como qualquer 
atividade complementar que tenha sido realizada.
Manejo da Caatinga
O manejo florestal na Amazônia é geralmente feito para a retirada de madeira em tora, de 
árvores muito grandes, com um tronco reto, maciço, e que não têm a capacidade de rebrotar 
depois de cortadas. Na Caatinga, a madeira é retirada principalmente para o fornecimento de 
lenha, de árvores pequenas e de tronco mais fino, podendo ser cortadas até com machado. 
Essas árvores geralmente rebrotam. Na Mata Atlântica, é proibido mexer em florestas 
primárias, assim sendo não se faz manejo neste Bioma.
Talhadia: é o sistema de corte da Caatinga, onde se corta quase todas as árvores a 30 cm do 
solo na área a ser explorada anualmente, para que rebrotem.
107GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 4
Manejo de não-madeireiros
O manejo de Produtos Florestais Não-Madeireiros (PFNMs) merece uma atenção especial, 
pois além de tornar as florestas uma fonte de renda e sobrevivência para as comunidades, 
pois são vários os produtos que podem ser explorados, podem ajudar a manter a 
biodiversidade e estrutura dessas florestas de forma quase que natural, desde que feito da 
maneira correta.
O manejo de produtos não-madeireiros é difundido em todo o país, e vários produtos 
extrativistas compõem a alimentação, a economia e por vezes a cultura de cada região. 
Como exemplos, temos o açaí, a borracha, a copaíba e a andiroba no Norte, o umbu, o caju 
e a imburana-de-cheirono Nordeste, o pequi, a mangaba, o velame e o licuri na região 
Centro-Oeste, o pinhão e a erva-mate no Sul, a jussara no Sudeste.
O Manejo Florestal Comunitário
Apesar deste crescimento, as experiências vivenciadas na Amazônia brasileira mostraram 
que o MFC ainda enfrenta muitas dificuldades, como a ausência de regularização fundiária, 
excesso de exigências legais, inexperiência em trabalhos coletivos e falta de infraestrutura; 
a complexidade técnica que envolve as atividades do manejo florestal sustentável (em 
especial o madeireiro); falta de recursos, inabilidade de gestão de empreendimentos, falta 
de assistência técnica capacitada, entre outros.
Na Caatinga, onde a lenha é muito importante para a matriz energética e na economia, por 
ser usada na produção de gesso e cerâmica, o manejo para este fim tem tido mais sucesso. É 
um bioma diferente, e as árvores dele possuem a capacidade de rebrotar depois que forem 
cortadas. A legislação reflete isso, sendo mais simples, e a produção de lenha manejada 
tem gerado renda para muitas comunidades rurais.
108INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 4
Manejo Florestal Comunitário em Florestas Públicas
Parte das florestas brasileiras são públicas, isto é, pertencem à União, aos estados e/ou aos 
municípios. As Unidades de Conservação são um exemplo de florestas públicas. Das florestas 
públicas, algumas são cedidas para uso das populações que residem no local, por vezes, 
sendo criadas exclusivamente em função delas. Esse é o caso das Reservas Extrativistas 
(RESEX), algumas Florestas Nacionais (FLONAS), Terras Indígenas (TI) e Assentamentos da 
Reforma Agrária (alguns assentamentos são florestais por vocação, e não agrícolas, como os 
Projetos de Assentamento Agroextrativistas e Projetos de Assentamentos Florestais). Ainda 
existem as terras tituladas pela Secretaria de Patrimônio da União em nome de ribeirinhos. 
As Terras Quilombolas, embora sejam privadas, são de uso comunitário também.
Atualmente, as florestas comunitárias somam 49,7% da área de florestas públicas federais 
(Levantamento SFB ano 2013 – Dados do Cadastro Nacional de Florestas Públicas), que 
correspondem a 153 milhões de hectares.
Quando o Manejo Florestal é praticado de forma comunitária, pelos povos e comunidades 
tradicionais dessas florestas, é chamado de Manejo Florestal Comunitário. Às vezes é 
praticado no lote familiar apenas, de forma individual, sendo denominado Manejo Florestal 
Familiar.
As terras indígenas são aquelas áreas ocupadas pelos povos indígenas do Brasil, habitadas 
em caráter permanente e utilizadas para as suas atividades produtivas. São imprescindíveis 
para a reprodução física e da cultura destes povos, de seus costumes e tradições, pois 
dependem intimamente dos recursos naturais.
Existe um tipo de Unidade de Conservação, chamada de Uso Sustentável, que permite a 
utilização dos seus recursos naturais. Dentre elas, as RESEX, as FLONAS e as RDS englobam 
áreas de florestas comunitárias.
As RESEX são áreas onde habitam populações tradicionais que já moravam há alguns anos 
neste local e utilizam da floresta, dos rios e demais recursos o seu sustento. Os proprietários 
particulares que estiverem dentro de uma RESEXs deverão sair da área, com direito à 
indenização do governo. As Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) são áreas 
onde a população tradicional tem o direito de residir. A diferença entre RESEX e RDS é que 
quando existir alguma terra particular legalizada dentro de uma RDS, esse proprietário não 
precisa deixar a área, desde que o mesmo garanta que a terra e as atividades dele não irão 
prejudicar os moradores da RDS nem seus bens e se comprometer a respeitar o PLANO DE 
MANEJO da Unidade. Se o proprietário não colaborar, ele deve se retirar, com recebimento 
de indenização do governo. As FLONAS também não permitem terras privadas, mas as 
109GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 4
populações tradicionais que residiam no local quando a UC foi criada têm o direito de 
permanecer e usufruir dos recursos naturais que forem necessários para seu modo de vida.
Existem alguns tipos de assentamentos da reforma agrária chamados de ambientalmente 
diferenciados, que são voltados para populações tradicionais que praticam o extrativismo 
em complemento com a agricultura. O Projeto Agroextrativista (PAE) serve para regularizar 
a terra de populações tradicionais, extrativistas e ribeirinhas que já moram em uma área 
e que usam a floresta como sobrevivência, sendo a principal atividade o extrativismo de 
produtos da floresta (castanha, frutos, essências, etc). O Projeto de Desenvolvimento 
Sustentável (PDS) é semelhante ao PAE, com a diferença de que os moradores da PDS 
podem estar na área há poucas gerações e não precisam ser extrativistas, ou seja, além de 
usarem a floresta para sua sobrevivência, podem praticar agricultura.
Existem florestas de uso comunitário em todas as regiões e biomas do país, mas observa-se 
que estão principalmente na região Norte, com participação de 89% na distribuição total 
das florestas por regiões. As floretas públicas municipais têm crescido recentemente. Entre 
os anos de 2012 e 2013, a presença de florestas públicas municipais passou de quatro para 
quatorze estados.
As comunidades, tanto as que englobam áreas públicas tanto as que envolvem as áreas 
particulares, podem se organizar na forma de associações e cooperativas. Essa forma de 
se organizar permite que as comunidades e produtores familiares realizem um manejo 
de acordo com suas necessidades e sua realidade, onde serão participantes de todo o 
processo, definindo a melhor forma de executar o manejo florestal sustentável.
 Encerramento do módulo 4
Muito bom saber das exigências e os processos para 
obter o licenciamento de manejo florestal. Cada detalhe 
é importante para elaborar o documento para ser 
entregue ao respectivo responsável.
Isso mesmo! Esperamos que tenha compreendido 
cada passo que deverá ser dado para a adquirir o 
seu licenciamento.
 MÓDULO 5 
COMERCIALIZAÇÃO
DE PRODUTOS FLORESTAIS
111GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 5
 5. Comercialização de produtos fl orestais
Olá! Retomamos ao estudo. Vamos abordar nesse módulo 
a cadeia produtiva do manejo florestal com ênfase na 
madeira e como acessar o mercado de produtos florestais e 
agregar valor a esses produtos.
Muito bom. Vamos começar!
Cadeia produtiva de um bem é o conjunto de todas as etapas da 
produção ou serviço, desde o seu planejamento até que ele seja 
entregue ao consumidor. Logo, as cadeias produtivas florestais 
correspondem a todas as atividades que permitem que um 
produto da floresta chegue até o usuário deste bem.
Estes produtos e serviços florestais são de variados tipos, mas 
uma divisão comum é a de produtos florestais madeireiros – 
madeira, em todos os seus usos, seja para móveis, construção 
civil, laminados, papel, MDF, mourões, carvão e vários outros 
usos, e os produtos florestais não-madeireiros, como resinas, 
gomas, plantas medicinais, frutas, sementes, dentre outros.
112INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 5
Estes produtos e serviços florestais 
são de variados tipos, mas uma 
divisão comum é a de produtos 
florestais madeireiros – madeira, em 
todos os seus usos, seja para móveis, 
construção civil, laminados, papel, 
MDF, mourões, carvão e vários outros 
usos, e os produtos florestais não-
madeireiros, como resinas, gomas, 
plantas medicinais, frutas, sementes, 
dentre outros.
Produtos florestais 
madeireiros
Produtos florestais 
não-madeireiros
Madeira, em todos os 
seus usos, seja para 
móveis, construção 
civil, laminados, 
papel, MDF, 
mourões, carvão e 
vários outros usos.
Como resinas, gomas, 
plantas medicinais, 
frutas, sementes, 
dentre outros.
Estes produtos e serviços florestais são de variados tipos, mas uma divisão 
comum é a de:
113GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 5
Manejo
Processamento/Industrialização
1. Floresta – A cadeia produtiva da madeira na Amazônia 
seinicia pela floresta. Nela são demarcadas as áreas 
de manejo e feito o planejamento para a retirada da 
madeira com o menor impacto possível.
2. Extração – As árvores são colhidas com o uso de 
máquinas e técnicas adequadas visando a segurança e 
bem-estar dos trabalhadores.
3. Transporte – Após a extração da árvore da floresta, 
ela é transportada em toras para uma unidade de 
processamento. 
1. Processamento primário – As toras podem ser destinadas para serrarias ou 
laminadoras. Nas serrarias as toras são transformadas em pranchas, ripas, tábuas e 
outras formas de dimensões variadas. Nas laminadoras as toras são “desenroladas” 
em lâminas para montar chapas laminadas, como compensados.
1. Folresta 2. Extração 3. Transporte
4. Unidade de 
processamento
1. Processamento primário
114INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 5
Comercialização
2. Processamento secundário – A madeira serrada ou laminada passa por processos que 
a transformam em pisos, decks, tacos, rodapés, esquadrias, painéis, entre outros que irão 
servir de insumos, principalmente, para a construção civil e movelaria.
1. Consumidor intermediário – é a 
comercialização dos produtos entre as 
etapas da cadeia produtiva do manejo 
florestal.
2. Processamento secundário
1. Consumidor intermediário
115GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 5
2. Consumidor final - grande parte da madeira beneficiada é comercializada nos centros 
urbanos e exportada ao mercado externo. Uma pequena parte é consumida no mercado 
regional. A maior parte dos compradores são revendas, depósitos e lojas de materiais para 
construção.
2. Consumidor final
Os mercados podem ser locais, estaduais, nacionais ou 
internacionais. Antes mesmo de se iniciar as atividades 
de manejo, até mesmo as do licenciamento da atividade, 
é importante definir qual mercado se deseja acessar com 
os produtos do manejo. Os mercados pagam preços 
diferentes, têm exigências e demandas diferentes, e o 
transporte de um produto pesado e volumoso como 
madeira é um dos principais componentes do custo final 
do produto.
116INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 5
Por exemplo, a madeira de itaúba (Mezilaurus itauba) é muito 
valorizada na maior parte dos mercados locais amazônicos, para 
fazer barcos e píeres, por sua alta resistência ao apodrecimento 
em condições externas. Por ser muito pesada e moderadamente 
difícil de trabalhar, não é tão apreciada fora da Amazônia. Então 
até mesmo as espécies que serão consideradas comerciais em 
determinado plano de manejo dependem de que mercado se 
pretende alcançar. Contudo, um PMFS pode atender a mais de um 
mercado simultaneamente.
A principal dificuldade para que os produtores florestais 
comunitários, familiares e PMFS pequenos acessem o 
mercado tem sido a escala.
Para conseguir superar essa barreira, alianças 
estratégicas entre associações e produtores, com 
o objetivo de organizar a produção e aumentar 
a escala e a qualidade dos produtos oferecidos 
no mercado tem sido uma saída. Além disso, 
as organizações de apoio têm fomentado a 
certificação florestal e alianças com empresas para 
realizar negócios sob perspectiva de comércio 
justo. É importante notar que a certificação implica 
em custos e trabalho extra, sendo importante 
principalmente para o mercado internacional.
117GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 5
As principais motivações para o estabelecimento destes 
mecanismos para acesso a mercado têm sido:
1. Aumento da demanda e escassez de madeira, ocasionando 
maior valorização dos recursos florestais;
2. Abertura de mercados, fruto do fenômeno da globalização;
3. Democratização do acesso aos recursos florestais.
Carlos, você tem recomendações sobre como 
agregar valor ao produto?
Agregar valor a um produto é torná-lo diferente, de uma forma que faça o produto aumentar 
de preço ou se destacar no mercado. No caso da madeira, o processamento é uma forma de 
agregar valor. No entanto, o processamento de madeira requer tecnologias e/ou equipamentos 
que muitas vezes não são muito acessíveis aos pequenos produtores – embora existam alguns 
produtores que conseguem fazer o beneficiamento primário com motosserra.
118INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 5
Outras alternativas de valorização dos recursos da 
área de manejo podem ser a utilização de galhos 
(toretes) e resíduos, fabricação de produtos 
madeireiros, como móveis e artesanato etc. No 
entanto, é importante verificar se o trabalho e 
despesa extras na agregação de valor que se 
pretende compensa o que o mercado vai pagar 
pelo produto final. Às vezes, pode ser mais rentável 
vender madeira em tora mesmo.
Outra maneira de agregar valor é através da certificação 
florestal. Por este procedimento, instituições respeitadas 
no mercado certificam a procedência da madeira e que 
ela foi retirada da floresta respeitando as boas práticas 
de manejo e a sustentabilidade. A Amazônia brasileira 
destaca-se no ranking de área certificada na América 
Latina, pelo selo FSC, com aproximadamente 5,2 milhões 
de hectares certificados. Para o MFC, 99% (1,6 milhão 
de ha) são unidades para produção de produtos não-
madeireiros, enquanto 0,6% (7,3 mil de ha) é para a 
produção de madeira. Esses números são inversos em 
relação à atividade empresarial, na qual 93% das unidades 
certificadas são para a produção de madeira.
119GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 5
A atividade industrial madeireira no Brasil é altamente geradora de resíduos. 
Destacam-se entre estes a serragem, cepilho, sólidos de madeira, cascas e 
outros que são gerados desde o transporte da madeira em tora à indústria.
Isto é um problema na medida em que apenas uma parcela do volume de resíduos de madeira 
gerados tem atualmente algum aproveitamento econômico, social e/ou ambiental. A geração 
excessiva de resíduos, associada ao baixo aproveitamento da tora, resulta em danos ambientais, 
além de perda significativa de oportunidade para a indústria, comunidades locais, governos e 
sociedade em geral, especialmente em regiões remotas, dependentes de fontes energéticas 
externas. No entanto, os resíduos de madeira gerados no processamento que não são utilizados 
podem deixar de ser um passivo ambiental, sendo processados como matéria-prima para 
diversos fins, incluindo o uso energético, gerar lucro para a iniciativa privada e reduzir problemas 
ambientais de interesse da sociedade.
120INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 5
Há projetos inovadores para geração de energia elétrica em pequena escala 
a partir da combustão direta, como é o caso do uso do fogão BMG (Bio Micro 
Gerador) na Reserva Extrativista Chico Mendes, no estado do Acre. A pirólise 
(queima) em pequena escala ocorre em fornos artesanais para gerar carvão 
em volume considerado artesanal, de subsistência. No entanto, cabe 
ressaltar que, apesar de viável, a tecnologia de baixo custo para a pirólise 
em fornos artesanais é, geralmente, uma alternativa poluente. 
Outra utilização de resíduos de madeira em pequena 
escala, mas que não se trata de uma alternativa 
tecnológica propriamente dita, mas sim da coleta dos 
resíduos lenhosos para venda com fins energéticos a fim 
de aumentar a renda familiar. Esta situação é mais comum 
próximo a centros geradores de resíduos, principalmente 
em polos madeireiros e moveleiros. Adicionalmente, 
observa-se tal prática em algumas empresas com florestas 
plantadas que liberam a área após o corte da floresta para 
a coleta e/ou catação dos resíduos a algumas comunidades 
ou grupos com ou sem custo. Em troca, a retirada do 
material lenhoso da floresta representa um ganho no 
custo da limpeza por parte das empresas florestais.
Parte dos resíduos da indústria madeireira (serraria) é destinada para a produção de PMVA 
(produtos de maior valor agregado), como carvão, cabos, briquete, embalagem etc. Na região 
Norte, muitas vezes não há sequer o conhecimento sobre produtos como o briquete14 ou pélete15
de madeira, além de informações gerais sobre oportunidadesde aproveitamento, o que contribui 
para a problemática da utilização de resíduos que muitas vezes ainda é visto apenas como um 
problema e não como fonte de renda para a empresa.
Pélete e briquetes feitos 
com resíduos florestais.
14Briquete é um bloco denso e compacto de materiais 
energéticos, geralmente feito a partir de resíduos de 
madeira.
15Pélete de madeira são biocombustíveis sólidos que 
usam, como matéria-prima, resíduos de biomassa 
vegetal como a serragem, maravalha de madeira, 
bagaço de cana-de-açúcar, entre outros. Têm geometria 
regular no formato de pequenos cilindros
121GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 5
Para fechar, é possível citar quais os maiores desafios 
para o Manejo Florestal no Brasil?
A cadeia produtiva do manejo florestal enfrenta vários desafios, não importa a escala do 
manejo. Dentre eles estão o elevado grau de ilegalidade na cadeia produtiva de madeira nativa, 
dificuldades fundiárias, logística e infraestrutura deficiente, variações cambiais, dificuldades 
no licenciamento, baixo aproveitamento da madeira e pouca presença de indústrias de 
transformação próximas às áreas de manejo.
122INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 5
O manejo florestal comunitário e familiar, mesmo tendo ganho escala ao 
longo das últimas duas décadas, além dos desafios, a cadeia produtiva 
da madeira em geral tem dificuldades particulares, como ausência 
de regularização fundiária – ou dificuldades dos órgãos licenciadores 
acatarem as modalidades de domínio permitidas em terras coletivas, 
procedimentos e exigências pouco adequadas às suas peculiaridades, 
à própria complexidade técnica do manejo, em especial o madeireiro, à 
inabilidade na gestão do empreendimento e falta de recursos e crédito 
para financiar sua execução, entre outros.
Entretanto, a demanda por produtos florestais, dentre eles madeira 
nobre, tem crescido de forma significativa, com a China elevando a 
demanda. Isso pode representar um cenário promissor para o setor de 
madeira nativa no Brasil.Mesmo o manejo florestal estando em processo 
de aprimoramento e aprendizado durante as últimas décadas, algumas 
lições já foram aprendidas para que se possa incentivar a expansão e 
consolidação da atividade de Manejo Florestal:
1. Crédito. Garantir crédito adequado a escala e com prazos compatíveis aos 
empreendimentos.
2. Extensão florestal. Criar programas de assistência técnica florestal na região para 
atender a demanda de planos de manejo. A assistência técnica deve considerar 
as demandas específicas das comunidades e em tempo determinado por elas.
3. Acesso a mercados. Facilitar o acesso a mercados regionais e nacionais. Por 
exemplo, reduzir o pagamento de impostos e reduzir os custos de transação. É 
importante que sejam reduzidos os custos de transição dos negócios.
4. Segurança fundiária. Promover a regularização fundiária para que os produtores 
possam estabelecer garantias em longo prazo.
Em particular para o manejo florestal comunitário e familiar, as lições aprendidas são:
1. Conscientização das populações locais.
2. Aumento no interesse das comunidades em particular do MFC.
3. Avanços na regularização fundiárias e direito de uso de recursos florestais.
4. Forte componente social das organizações de base.
5. Aumento nas oportunidades de negócios para as comunidades.
6. Experiências em diferentes ambientes florestais (terra-firme, várzea, florestas 
densas e abertas).
7. Formação de base de informações técnicas e científicas.
8. Aumento de mercados para os produtos florestais.
9. Aumento na organização social das comunidades.
10. Aumento do apoio institucional para o MFC e conservação florestal.
123GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS MÓDULO 5
Para finalizar, realize os exercícios 
e preencha a avaliação de reação. 
Lembre-se de emitir o certificado.
 Encerramento do módulo 5
Todas as informações sobre o 
manejo das florestas públicas 
foram são muito importantes 
para a nossa comunidade.
Fico feliz em ter contribuído 
para isto!
É importante que busquem 
sempre mais informações sobre o 
tema. Teremos outros cursos aqui 
no portal Saberes da Floresta.
124INTRODUÇÃO AO MANEJO FLORESTAL MÓDULO 1