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RESUMO: A alfabetização científica nos anos iniciais INTRODUÇÃO O texto discute a importância da inclusão das ciências da natureza no currículo da Educação Básica, destacando seu papel na formação de uma cultura científica e na promoção da cidadania. A alfabetização científica é vista como um processo que permite aos alunos compreender o universo, interagir criticamente com a sociedade e tomar decisões informadas sobre ciência e tecnologia. O ensino de ciências nos anos iniciais deve ser significativo, conectando conceitos científicos ao cotidiano dos alunos e desenvolvendo habilidades críticas e reflexivas. A alfabetização científica é um processo contínuo, que requer um currículo diferenciado e uma atuação docente inovadora e crítica. O texto apresenta como problema de pesquisa a investigação das contribuições de uma sequência didática sobre a água para a alfabetização científica, utilizando mapas conceituais como ferramenta de avaliação. Mapas conceituais, desenvolvidos por Joseph Novak com base na teoria da aprendizagem significativa de Ausubel, são instrumentos gráficos que organizam e representam o conhecimento, permitindo visualizar a estrutura cognitiva do autor e facilitando a aprendizagem significativa. Essa ferramenta ajuda os alunos a identificar lacunas no entendimento e a buscar informações para sanar dúvidas, promovendo a construção de significados. A inovação educacional, incluindo o uso de mapas conceituais, pode renovar o ensino de ciências, alterar práticas pedagógicas e contribuir para a alfabetização científica dos estudantes. A alfabetização científica nos anos iniciais O texto aborda a importância da alfabetização científica nos anos iniciais da educação, destacando que um dos objetivos do ensino de ciências é familiarizar os alunos com a linguagem científica, permitindo que atribuam significados ao mundo, compreendam o que é ciência, apliquem conhecimentos em novas situações, interpretem fenômenos naturais, tomem decisões informadas e desenvolvam habilidades críticas e atitudes participativas na sociedade. Para que a alfabetização científica seja efetiva, a escola deve conectar os conhecimentos científicos à realidade do aluno, integrando a ciência ao cotidiano e promovendo uma prática pedagógica interdisciplinar e contextualizada. Autores como Lorenzetti e Delizoicov (2001) defendem que esse processo pode e deve começar desde os primeiros anos de escolarização, mesmo antes da alfabetização tradicional, contribuindo para a inserção do aluno na cultura científica. O ensino de ciências nos anos iniciais deve ser baseado na relação entre ciência, tecnologia, sociedade e ambiente, desenvolvendo habilidades que permitam aos alunos relacionar conhecimentos de diversas áreas e compreender suas implicações sociais, culturais, políticas, econômicas e tecnológicas. Dessa forma, a alfabetização científica contribui para a formação de cidadãos mais ativos e conscientes, capazes de participar ativamente na sociedade. A pesquisa descrita é de natureza **qualitativa e exploratória**, com um delineamento de **intervenção pedagógica**, visando analisar e melhorar os processos de aprendizagem. A intervenção foi realizada em nove encontros: três dedicados à formação da professora e à discussão da sequência didática, e seis para a implementação da sequência, com duração de duas horas cada. A sequência foi aplicada entre outubro e dezembro de 2016, em uma escola pública de Araucária (PR), com 24 alunos do 4º ano do ensino fundamental I, após aprovação do Comitê de Ética e consentimento dos responsáveis. A **sequência didática**, intitulada **"Água: de onde vem, para onde vai?"**, foi estruturada com base nos **três momentos pedagógicos (3MP)** de Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2011): 1. **Problematização inicial**: despertar o interesse dos alunos e identificar conhecimentos prévios. 2. **Organização do conhecimento**: ruptura com o senso comum e construção de conhecimentos científicos. 3. **Aplicação do conhecimento**: sistematização e aplicação do aprendizado em novas situações. A sequência abordou temas como a importância da água, poluição, contaminação, doenças relacionadas à falta de higiene e saneamento básico, e o funcionamento de estações de tratamento de água (ETA). Foram utilizados recursos como imagens, textos, vídeos, documentários e mapas conceituais (MC). Nas primeiras cinco aulas, os mapas conceituais foram construídos com auxílio da professora, enquanto no sexto encontro, os alunos elaboraram os mapas em duplas ou trios, sem ajuda, para avaliar a compreensão do conteúdo e os indicadores de alfabetização científica (AC). Para a análise dos dados, foi utilizada a **análise textual discursiva** (Moraes e Galiazzi, 2011), que busca atribuir significados a textos e discursos. As explicações dos alunos sobre os mapas conceituais foram examinadas, considerando tanto aspectos estruturais (forma) quanto semânticos (conteúdo), com o objetivo de identificar conhecimentos científicos e a compreensão da técnica de construção dos mapas. As falas dos alunos, obtidas em entrevistas semiestruturadas, foram categorizadas de acordo com os **indicadores de alfabetização científica** (Quadro 1), que incluem habilidades como seriação, organização, classificação de informações, raciocínio lógico, levantamento e teste de hipóteses, justificativas, previsões e explicações. A pesquisa defende que uma sequência didática baseada nos 3MP pode promover a alfabetização científica, evidenciada pelos indicadores observados nas explicações dos alunos e na construção dos mapas conceituais. O estudo teve como objetivo analisar as contribuições de uma **sequência didática** sobre a água para a **alfabetização científica (AC)** nos anos iniciais do ensino fundamental, utilizando **mapas conceituais** como estratégia de ensino. A pesquisa partiu do pressuposto de que a AC é um processo contínuo e essencial desde os primeiros anos escolares, visando formar cidadãos conscientes, autônomos e capazes de tomar decisões frente aos avanços científicos e tecnológicos. A sequência didática, baseada nos **três momentos pedagógicos** (problematização, organização e aplicação do conhecimento), mostrou-se eficaz na promoção dos **indicadores de AC**, como levantamento de hipóteses, justificativas e explicações. Os mapas conceituais, por sua vez, demonstraram ser ferramentas úteis para representar graficamente as relações de aprendizagem estabelecidas pelos alunos, auxiliando o professor a diagnosticar e ampliar o conhecimento dos estudantes. Os resultados indicaram que os alunos conseguiram contextualizar problemas relacionados à água, propor soluções e demonstrar a apropriação de conceitos científicos. A sequência didática proporcionou situações em que os alunos puderam questionar suas concepções prévias, assumir posições e propor alternativas para problemas do cotidiano, evidenciando o desenvolvimento de habilidades científicas. O estudo reforça a importância de oferecer aos alunos não apenas conceitos científicos, mas também oportunidades para vivenciar o "fazer ciência", promovendo uma formação cidadã. Para isso, é essencial que os professores tenham conhecimento sobre AC, mapas conceituais e estratégias pedagógicas inovadoras. Além disso, a pesquisa sugere a necessidade de **formação inicial e continuada** para os professores, a fim de que possam incorporar práticas diferenciadas em sala de aula, tornando o ensino de ciências mais significativo e capaz de desenvolver a criticidade e a autonomia dos alunos. Por fim, o trabalho destaca a importância de ampliar estudos e práticas relacionadas à alfabetização científica e ao uso de mapas conceituais, contribuindo para a melhoria do ensino de ciências e para a formação de cidadãos mais conscientes e participativos.