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IMAGINE UM ALIENÍGENA enviado para a Terra. Seu trabalho é monitorar nossa economia. Ele sobrevoa a cidade de Nova York, tentando avaliar a economi...

IMAGINE UM ALIENÍGENA enviado para a Terra. Seu trabalho é monitorar nossa economia. Ele sobrevoa a cidade de Nova York, tentando avaliar a economia e a forma como ela mudou entre 2007 e 2009. Na noite de Ano-novo de 2007 ele paira sobre a Times Square. Vê dezenas de milhares de pessoas felizes, celebrando, rodeadas por luzes brilhantes, outdoors monstruosos, fogos de artifício e câmeras de TV. Ele viaja no tempo, vai à Times Square da noite de Ano-novo de 2009. Vê dezenas de milhares de pessoas felizes, celebrando, rodeadas por luzes brilhantes, outdoors monstruosos, fogos de artifício e câmeras de TV. Parece quase a mesma coisa. Ele não vê muita diferença. Ele vê aproximadamente a mesma quantidade de nova-iorquinos se movimentando pela cidade. Essas pessoas estão cercadas pela mesma quantidade de edifícios comerciais, que abrigam a mesma quantidade de mesas com a mesma quantidade de computadores, ligados ao mesmo número de conexões à internet. Nos arredores da cidade, ele vê a mesma quantidade de fábricas e armazéns, interligados pelas mesmas rodovias, com a mesma quantidade de caminhões circulando nelas. Ele se aproxima um pouco mais do solo e vê as mesmas universidades ensinando os mesmos temas e distribuindo os mesmos diplomas para a mesma quantidade de pessoas. Ele vê a mesma quantidade de patentes protegendo as mesmas ideias inovadoras. Ele nota que a tecnologia avançou. Em 2009, todos carregam smartphones que não existiam em 2007. Os computadores são mais rápidos. A medicina é melhor. Carros consomem menos combustível. A tecnologia solar e de fraturamento hidráulico avançaram. As mídias sociais cresceram. Conforme ele voa pelo país, observa a mesma coisa. Em todo o mundo, mais do mesmo. A economia está praticamente da mesma forma, talvez até melhor, em 2009 do que estava em 2007, conclui ele. Então, ele olha para os números. Fica chocado com o fato de as famílias americanas estarem 16 trilhões de dólares mais pobres em 2009 do que em 2007. Fica pasmo ao saber que há 10 milhões de desempregados a mais. Não consegue acreditar quando descobre que o mercado de ações vale metade do que valia dois anos antes. Não consegue acreditar que a expectativa das pessoas em relação a seu potencial econômico despencou. “Não entendo”, diz ele. “Vi as cidades. Verifiquei as fábricas. Vocês têm o mesmo conhecimento, as mesmas ferramentas, as mesmas ideias. Nada mudou! Por que vocês estão mais pobres? Por que estão mais pessimistas?” Houve uma mudança entre 2007 e 2009 que o alienígena não foi capaz de ver: as histórias que contamos a nós mesmos sobre a economia. Em 2007, contávamos uma história sobre a estabilidade dos preços das casas, sobre a prudência dos banqueiros e sobre a capacidade dos mercados financeiros de avaliar os riscos com precisão. Em 2009, paramos de acreditar nessa história. Essa foi a única coisa que mudou. Mas fez toda a diferença do mundo. Assim que a narrativa de que os preços das casas continuariam subindo desmoronou, a inadimplência das hipotecas aumentou, os bancos perderam dinheiro e reduziram os empréstimos para outras empresas, o que levou a demissões, que levaram a uma redução nos gastos, o que levou a mais demissões, e assim por diante. Com exceção dessa nova narrativa, tínhamos uma capacidade idêntica — talvez até maior — de enriquecer e crescer em 2009 se comparada a 2007. No entanto, a economia sofreu seu pior baque em oitenta anos. Isso é diferente, digamos, da Alemanha de 1945, cuja base industrial havia sido destruída. Ou do Japão dos anos 2000, cuja população em idade produtiva estava diminuindo. Esses são danos econômicos tangíveis. Em 2009, infligimos danos narrativos a nós mesmos, e isso foi brutal. Essa é uma das forças econômicas mais potentes que existem. Quando pensamos sobre o crescimento de economias, negócios, investimentos e carreiras, tendemos a pensar em coisas tangíveis — quantas coisas temos e do que somos capazes? Mas histórias são, de longe, a força mais poderosa da economia. Elas podem ser o combustível que permite que as partes tangíveis da economia funcionem ou o freio que detém nossas capacidades.


💡 1 Resposta

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O texto apresenta a ideia de que a economia não é apenas composta por elementos tangíveis, como bens e serviços, mas também por histórias que contamos a nós mesmos sobre a economia. Essas histórias podem ser o combustível que permite que as partes tangíveis da economia funcionem ou o freio que detém nossas capacidades. O texto também destaca que a mudança na narrativa sobre a estabilidade dos preços das casas, por exemplo, pode ter um impacto significativo na economia, como aconteceu entre 2007 e 2009 nos Estados Unidos.

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