Como funciona a Sucessão no regime de comunhão parcial de bens

Como funciona a Sucessão no regime de comunhão parcial de bens?

Gostaria de saber se o conjuge tem direito a meação aos bens comuns, além de ter direito a no mínimo um quarto dos bens particulares do de cujus.

@DIREITO CIVIL VI ESTÁCIO

8 resposta(s)

  • Bárbara Soares

    A comunhão parcial de bens é o regime legal adotado de 1977 até hoje e a efetiva colaboração do cônjuge, nessa situação, será presumida.

    Quanto aos bens comuns, será sim meeiro, justamente pela presunção de colaboração.

     

    No artigo 1.660, CC vemos os bens incluídos na comunhão parcial de bens e no artigo 1.659, CC os que são excluídos do referido regime.

    A problemática está no que diz respeito aos bens particulares que o artigo 1.660,CC, citado anteriormente, não prevê.

    Em se tratando do regime da comunhão parcial de bens, a doutrina e a jurisprudência estão prevendo 3 entendimentos distintos. São eles:

    * 1ª corrente: o cônjuge sobrevivente só concorrerá naqueles bens em que é meeiro, ou seja, nos bens comuns; uma vez que contribuira efetiva ou presumidamente para aquisição desses bens. Esse raciocínio deverá ser trazido para a esfera sucessória, premiando-lhe na sucessão dos bens que ajudou a conquistar.

    * 2ª corrente: por equiparação ao raciocínio feito à comunhão universal de bens, o cônjuge só terá direito a concorrer no que diz respeito aos bens particulares, já que em relação a esses não está amparado pela meação.

    * 3ª corrente: entende que o Legislador no art. 1.829, I, CC estabeleceu uma verdadeira regra de convocação, uma vez que a redação do artigo é clara no sentido de que a presença de um bem particular permite ao cônjuge concorrer na herança como um todo - até porque esta é um todo indivisível e unitário. O Legislador não limita a sucessão só ao bem particular, mas sim, diz que a presença de um bem dessa espécie permitirá a concorrência no todo.

     

    Normalmente, a corrente a ser escolhida dependerá da presença ou não de bens particulares e, em especial, qual a parte que estás a defender (conjugê supértiste, filhos...).

    Espero ter ajudado.

  • Guilherme Burzynski Dienes

    Mais fácil trabalhar com situações práticas:

    A casa com B, e possui o filho C (logo herdeiro legítimo).

     

    Como se opera a sucessão, se na separação ambos teriam direito a 50% do patrimônio obtido na constância do casamento?

    B morreu e os bens estavam inscritos em conjunto.


    Como parte da sucessão legítima, há a garantia do art. 1.829, inciso I, de que ela participaria do processo sucessório, mas se nota que a ordem de preferência dos herdeiros legítimos é dos descendentes, concorrendo com o cônjuge sobrevivente.

     

    Logo A ficaria com 50% da herança e com guarda de C, consequentemente com a administração do seu patrimônio e C com o direito aos demais 50%. A idéia de que ela é excluída da sucessão é falaciosa pelo texto legal, que inclusive garante no artigo Art. 1.831 o direito real de habitação ao imóvel destinado à residência da família desde que seja o único ao inventariar. Não seria questão de discutir meação, haja vista que apesar de ela ter direito apenas aos bens comuns na constância do casamento, a lei concede na sucessão o direito de suceder legitimamente em concorrência com os descendentes, logo todo cálculo deve levar em conta que ela se habilita para a totalidade da sucessão, não apenas aos 50% dos bens comuns que teria direito se se separasse antes do cônjuge falecer.

     

    Ao invés de criar correntes estanques sem lastro probatório, pensemos na dignidade da pessoa humana, e no interesse ao bem estar do menor: aparentemente ambos são cumpridos. A sucessão é una, a lógica dela é essa, logo a idéia de que ela concorre com o descendente na totalidade da herança é o raciocínio a ser aplicado, os demais são mero eco do passado.

     

     

  • Adriano Lopes

    Os bens comuns (adquerido na constância do casamento) se comunicam, sendo assim o conjugue sobrevivente tem direito a meação dos bens, já os bens particulares ela concorre com os herdeiros, lembrando que se todos os filhos forem do casal, existe aquela reserva de 1/4 para o conjugue sobrevivente, lembrando ainda que o conjugue sobrevivente também terá direito real de habitação sobre o bem que servia como residência da família independente se os filhos era dos mesmo casal. Cabe ressaltar que a reserva de 1/4 só valera a pena se houver mais 4 filhos do casal.

  • Marcio Soares

     
    DIREITO CIVIL
    A herança do cônjuge no regime de comunhão parcial de bens
    STJ assinala entendimento que prevê, no caso da morte de cônjuge, que sobrevivente fique apenas com metade dos bens adquiridos durante o casamento
    Ana Paula Oriola De Raeffray - 19/03/2014 - 15h34
     

    Com o advento do Código Civil de 2002, houve uma sensível mudança em relação à herança, alçando-se, em alguns casos, o cônjuge também à qualidade de herdeiro. Neste artigo abordaremos apenas a polêmica envolvendo o regime da comunhão parcial de bens, o regime legal que ainda tem sido o mais adotado.

    Na comunhão parcial de bens comunicam-se os bens amealhados pelo casal ou por um dos cônjuges na constância do casamento. Há que se diferenciar, no entanto, as relações de direito de família e direito de sucessões.

    No âmbito do direito de família, caso haja divórcio, os bens amealhados na constância do casamento são divididos em iguais partes. Mas o que ocorre em caso de morte de um dos cônjuges enquanto o casamento ainda vigia? Neste caso entramos na seara do direito das sucessões.

    Acontece que no artigo 1829, inciso I, do atual Código Civil, está expresso que o cônjuge sobrevivente é herdeiro necessário juntamente com os demais herdeiros, de todos os bens particulares do falecido. Em caso de divórcio, os bens particulares não entram na partilha uma vez que não foram amealhados na constância do casamento.

    Melhor explicando, um casal com dois filhos, em caso de morte de um dos cônjuges, o sobrevivente permaneceria com a metade dos bens adquiridos durante o casamento (meação) e a outra metade e os bens exclusivos do falecido (aqueles doados, herdados e adquiridos antes do casamento) compõem os bens particulares e será dividida em duas partes: filhos e cônjuge sobrevivente.

    Apesar de clara a redação, no início criou-se uma polêmica doutrinária, com entendimentos e correntes de todos os tipos, até que a questão começou a ser submetida ao Poder Judiciário até chegar para interpretação e julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça.

    Muito embora as diversas teses que se defendia, os juízes aplicavam o que está claramente disposto no Código Civil. O STJ, no entanto, conferiu uma interpretação inicial, que parece ainda majoritária, no seguinte sentido: em relação aos bens adquiridos na constância do casamento, cabe ao sobrevivente apenas a meação. Em relação aos bens não adquiridos na constância do casamento ou doados ou herdados o cônjuge entraria como herdeiro. Afastou-se, assim, o fato de o cônjuge além da meação ainda concorrer como herdeiro em relação à outra metade.

    Ou seja, houve uma divisão em duas classes de bens. Os adquiridos na constância do casamento no qual o sobrevivente fica apenas com a metade (meação) e não herda a outra metade em concorrência com os demais herdeiros, e os bens exclusivos (assim podendo ser entendidos aqueles recebidos em herança ou doação ou adquiridos antes do casamento), em que o cônjuge herda em concorrência com os demais herdeiros, e em partes iguais.

    Este entendimento, no entanto, começou a ser modificado pelo próprio Superior Tribunal de Justiça. No Recurso Especial nº 1.377.084 – MG, por exemplo, verifica-se que o STJ no final de 2013 começa a construir um entendimento diverso ao que vinha sendo aplicado e que já era diferente do que está disposto no Código Civil.

    Continua a divisão dos bens nas duas classes anteriormente citadas, mas a interpretação do artigo 1829, inciso I, do Código Civil passou a ser radicalmente diversa. Os bens amealhados na constância do casamento seriam objeto de meação e herança pelo cônjuge, mas os bens exclusivos do falecido caberiam somente aos demais herdeiros, sem concorrência do cônjuge.

    A questão não está pacificada no STJ e, para que seja resolvida, talvez dependa de novos julgamentos nesse sentido e, se for o caso, até de uniformização de jurisprudência e edição de súmula. No entanto, já se verifica uma guinada de tese que pode afetar o direito das sucessões e aumentar a polêmica sobre a participação ou não do cônjuge na herança.

  • Jackeline Santos

    É o regime de matrimônio mais usado. Confere as partes, o direito de preveservar o patrimonio adquido anterior ao casamento e garante de forma igualitária os bens adquiridos durante a união.

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