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Qual a concepção platônica de homem?


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Júlia Vieira

Há mais de um mês

O “homem” platônico

A concepção platônica de homem foi, segundo Lima Vaz, a que mais influenciou na concepção clássica de homem devido sua grande importância para tal definição. Ainda hoje o conceito de homem que se tem possui grande influência do pensamento de Platão. De acordo com o filósofo Lima Vaz

a antropologia platônica pode ser uma síntese na qual se fundem a tradição pré-socrática da relação do homem com o Kósmos, a tradição sofística do homem como ser de cultura (paidéia) destinado à vida política, e a herança dominante de Sócrates do “homem interior” e da “alma” (psyché) (…).Na verdade a antropologia platônica apresenta uma unidade que resulta da síntese dinâmica de temas, cuja oposição se concilia do ponto de vista de uma realidade transcendente à qual o homem se ordena pelo movimento profundo e essencial de todo o seu ser: a realidade das Ideias (VAZ, 1991, p. 36).

O pensamento antropológico desenvolvido por Platão, tendo grande influência do Orfismo1, é marcado por um grande dualismo2 no que se refere à alma e ao corpo. Nesse contexto, Platão desenvolve a teoria dos “dois mundos”, isto é, o mundo inteligível, marcado pela imutabilidade, eternidade e perfeição; e o mundo sensível, caracterizado pelo devir, materialidade e corruptibilidade. Para o referido filósofo, a alma está ligada ao suprassensível e o corpo, ao sensível. Por isso, para Platão, o corpo não é visto como algo que faz parte da essência humana, mas o contrário, como “túmulo” e “cárcere” da mesma, em outras palavras, como um local de expiação da alma.

Para Platão, a alma existe desde sempre (pré-existência da alma) no mundo das Ideias e só possui um corpo por acidente (Mito do “cavalo alado”). De acordo com o filósofo supracitado, o homem é essencialmente “alma” e, por esse fato, quando se tem um corpo é como se estivesse “morto”, pois enquanto a alma estiver presa a um corpo, estar-se-á como que em estado de morte. Sendo assim, quando a pessoa morre “no corpo” é sinal de vida, pois nesse momento a alma se liberta de seu “cárcere”. Na concepção platônica o corpo é visto como a origem de todos os prazeres desordenados, das paixões, dos desejos e isso é indicação de morte para a alma. Por essa razão, esta necessita, ao máximo, buscar um meio para se libertar do corpo.

Segundo Giovanni Reale e Dário Antiseri, Platão desenvolve ainda dois paradoxos que têm estrita relação coma alma: a “fuga do corpo” e “ a fuga do mundo”. O primeiro é desenvolvido na obra platônica Fédon, em que a alma deve se desprender ao máximo corpo. Sendo assim, o verdadeiro filósofo anseia pela morte, pois

ela não apenas não causa dano à alma, mas, ao contrário, lhe traz grande benefício, permitindo-lhe viver uma vida mais verdadeira, vida voltada para si mesma, sem obstáculos nem véus, inteiramente unida ao inteligível. Isso significa que a morte do corpo é abertura para a verdadeira vida da alma (REALE; ANTISERI, 2003, p. 153).

Já o segundo diz que a alma deve fugir de tudo que o mundo a apresenta para buscar se assemelhar a Deus e tornar-se virtuosa, pois “fugir do mundo significa fugir do mal que o mundo representa, sempre realizando essa fuga pela virtude e pelo conhecimento; [pois, ] praticar a virtude e dedicar-se ao conhecimento significa torna-se semelhante a Deus”(REALE; ANTISERI, 2003, p. 153).

Platão, para melhor formulação e compreensão de seu pensamento, apresenta ainda outros argumentos referentes à alma, a saber, a doutrina da purificação, da imortalidade e dadestinação da alma.

O “homem” platônico

A concepção platônica de homem foi, segundo Lima Vaz, a que mais influenciou na concepção clássica de homem devido sua grande importância para tal definição. Ainda hoje o conceito de homem que se tem possui grande influência do pensamento de Platão. De acordo com o filósofo Lima Vaz

a antropologia platônica pode ser uma síntese na qual se fundem a tradição pré-socrática da relação do homem com o Kósmos, a tradição sofística do homem como ser de cultura (paidéia) destinado à vida política, e a herança dominante de Sócrates do “homem interior” e da “alma” (psyché) (…).Na verdade a antropologia platônica apresenta uma unidade que resulta da síntese dinâmica de temas, cuja oposição se concilia do ponto de vista de uma realidade transcendente à qual o homem se ordena pelo movimento profundo e essencial de todo o seu ser: a realidade das Ideias (VAZ, 1991, p. 36).

O pensamento antropológico desenvolvido por Platão, tendo grande influência do Orfismo1, é marcado por um grande dualismo2 no que se refere à alma e ao corpo. Nesse contexto, Platão desenvolve a teoria dos “dois mundos”, isto é, o mundo inteligível, marcado pela imutabilidade, eternidade e perfeição; e o mundo sensível, caracterizado pelo devir, materialidade e corruptibilidade. Para o referido filósofo, a alma está ligada ao suprassensível e o corpo, ao sensível. Por isso, para Platão, o corpo não é visto como algo que faz parte da essência humana, mas o contrário, como “túmulo” e “cárcere” da mesma, em outras palavras, como um local de expiação da alma.

Para Platão, a alma existe desde sempre (pré-existência da alma) no mundo das Ideias e só possui um corpo por acidente (Mito do “cavalo alado”). De acordo com o filósofo supracitado, o homem é essencialmente “alma” e, por esse fato, quando se tem um corpo é como se estivesse “morto”, pois enquanto a alma estiver presa a um corpo, estar-se-á como que em estado de morte. Sendo assim, quando a pessoa morre “no corpo” é sinal de vida, pois nesse momento a alma se liberta de seu “cárcere”. Na concepção platônica o corpo é visto como a origem de todos os prazeres desordenados, das paixões, dos desejos e isso é indicação de morte para a alma. Por essa razão, esta necessita, ao máximo, buscar um meio para se libertar do corpo.

Segundo Giovanni Reale e Dário Antiseri, Platão desenvolve ainda dois paradoxos que têm estrita relação coma alma: a “fuga do corpo” e “ a fuga do mundo”. O primeiro é desenvolvido na obra platônica Fédon, em que a alma deve se desprender ao máximo corpo. Sendo assim, o verdadeiro filósofo anseia pela morte, pois

ela não apenas não causa dano à alma, mas, ao contrário, lhe traz grande benefício, permitindo-lhe viver uma vida mais verdadeira, vida voltada para si mesma, sem obstáculos nem véus, inteiramente unida ao inteligível. Isso significa que a morte do corpo é abertura para a verdadeira vida da alma (REALE; ANTISERI, 2003, p. 153).

Já o segundo diz que a alma deve fugir de tudo que o mundo a apresenta para buscar se assemelhar a Deus e tornar-se virtuosa, pois “fugir do mundo significa fugir do mal que o mundo representa, sempre realizando essa fuga pela virtude e pelo conhecimento; [pois, ] praticar a virtude e dedicar-se ao conhecimento significa torna-se semelhante a Deus”(REALE; ANTISERI, 2003, p. 153).

Platão, para melhor formulação e compreensão de seu pensamento, apresenta ainda outros argumentos referentes à alma, a saber, a doutrina da purificação, da imortalidade e dadestinação da alma.

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