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Há exceção do efeito de julgado em controle de constitucionalidade difuso?

Como sabemos, o efeito em regra para os julgados em controle de constitucionalidade difuso é inter partes, ou seja, atinge apenas àqueles que fazem parte de tal ação. Porém, pretendo saber se, há alguma maneira de tal efeito ser extendido para Erga Omnes? Se há, como é procedido tal extensão de efeito? Tal extensão é determinada pelo Poder Judiciário?

 

 

Expliquem ai. As melhores receberão aprovação.


3 resposta(s)

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Láurea

Há mais de um mês

Boa tarde, Ivan.

O controle difuso de constitucionalidade é realizado por via de exceção ou defesa, caracterizado pela permissão que qualquer Juiz ou Tribunal tem para realizar, no caso concreto, a análise sobre a compatibilidade do ordenamento jurídico com a CF. Neste caso, a pronúncia sobre a inconstitucionalidade não é o objeto principal da lide, mas sim uma questão prévia indispensável ao julgamento do mérito, capaz de afastar o cumprimento da lei no caso concreto. A eficácia da decisão no âmbito do controle difuso de constitucionalidade é, como já referido por Vossa Senhoria, em regra, entre as partes (inter partes), com efeitos ex tunc.

Todavia, o art. 52, X, da CF permite ao Senado Federal suspender a execução da norma declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF – hipótese que somente se dá no controle difuso de constitucionalidade – quando então a decisão passa a produzir efeitos erga omnes, porem ainda ex nunc (a partir da Resolução do Senado Federal).

Cumpre ressaltar que a edição de tal Resolução pelo Senado, suspendendo a execução da lei, é ato discricionário, ou seja, o Senado analisará a pertinência de tal ação.

Abraços e bons estudos!

 

Boa tarde, Ivan.

O controle difuso de constitucionalidade é realizado por via de exceção ou defesa, caracterizado pela permissão que qualquer Juiz ou Tribunal tem para realizar, no caso concreto, a análise sobre a compatibilidade do ordenamento jurídico com a CF. Neste caso, a pronúncia sobre a inconstitucionalidade não é o objeto principal da lide, mas sim uma questão prévia indispensável ao julgamento do mérito, capaz de afastar o cumprimento da lei no caso concreto. A eficácia da decisão no âmbito do controle difuso de constitucionalidade é, como já referido por Vossa Senhoria, em regra, entre as partes (inter partes), com efeitos ex tunc.

Todavia, o art. 52, X, da CF permite ao Senado Federal suspender a execução da norma declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF – hipótese que somente se dá no controle difuso de constitucionalidade – quando então a decisão passa a produzir efeitos erga omnes, porem ainda ex nunc (a partir da Resolução do Senado Federal).

Cumpre ressaltar que a edição de tal Resolução pelo Senado, suspendendo a execução da lei, é ato discricionário, ou seja, o Senado analisará a pertinência de tal ação.

Abraços e bons estudos!

 

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Matheus

Há mais de um mês

Apenas para complementar cabe dizer que já há hoje um setor do supremo que admite que essa competência do senado é meramente declaratória, sem ter caráter político ou força de decisão, sendo que já há um julgado no qual o próprio tribunal em sede de controle concreto (que teria efeitos inter partes) deu-lhes efeitos erga omnes. Não concordo com tal posição, mas ta aí uma possível exceção, além do papel do senado.

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Ivan Mateus

Há mais de um mês

Muito bem explanado Carlos Eduardo. Sucinto, objetivo e, corretíssimo.

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes