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Lei Penal no tempo.

 

 

No dia 30 de maio de 2011 Tício é julgado pela prática de seqüestro e lesões corporais contra Caio, isto porque no dia 25 de janeiro do ano anterior subtraiu sua vitima a um cárcere onde o mesmo sofreu reiteradas lesões.

Na data do crime estava vigente a lei 2.345 que estabelecia a pena do crime de extorsão mediante seqüestre entre 5 a 20 anos de prisão, sem a possibilidade de liberdade condicional.

A mesma norma estabelecia que o prazo para a prisão cautelar pelo crime se seqüestro seria de 10 dias e o prazo para o oferecimento de contestação a ação penal do ministério público seria de 20 dias.

Acontece que no dia do crime, Tício tinha apenas 17 anos, só vindo a completar 18 no dia 27 de fevereiro de 2010, um dia depois do primeiro contato com a família de Caio ser realizada.

Ademais, no dia 24 de Fevereiro daquele ano foi editada a lei 3.607 que modificou a lei 2.345, estabelecendo uma pena de reclusão de 6 a 12 anos de prisão para o crime de seqüestro, com a possibilidade de liberdade condicional, com o prazo para cautelar de 5 dias e o prazo para oferecimento da defesa à denuncia agora de 10 dias.

No dia 28 de agosto a família de Caio paga o resgate, mas o seqüestrador apenas libertou sua vítima no dia 29 de outubro de 2010. Não antes de no dia 22 de fevereiro de 2010 Tício ter enviado a orelha de Caio em uma caixa para seus pais.

Acontece que no dia 25 de agosto a lei 3.607 é revogada pela lei 4.002, que passa a penalizar o seqüestro com uma pena de 6-8 anos de prisão , mas mantém as demais características da legislação anterior.

Após essa norma a matéria legal fora novamente objeto de reforma em 27 de outubro de 2010 através da lei 7.890 que passou a estabelecer uma pena de 10 a 30 anos para o crime de seqüestro, sem a possibilidade de liberdade condicional, com prazo de prisão cautelar de 2 dias e prazo para a defesa de 5 dias.

O que é interessante observar é que no 24 de janeiro de 2010 existia uma lei de número 567 que considerava o crime de lesões corporais punido com uma pena de 2-7 anos de reclusão  autorizando liberdade provisória para este crime. Essa lei durou até o dia 08 de abril de 2010 ,quando foi substituída pela lei temporária número 3, que passou a estabelecer a pena do crime de lesões corporais para o critério de 10-30 anos de reclusão, sem liberdade condicional. A lei temporária teve vigência de apenas 1 mês, sendo que após isso retornou a validade da lei anterior.

Na véspera do julgamento, uma nova lei, de número 3.564 passou a punir lesos corporais com uma pena de 1 a 3 anos, co m liberdade condicional.

No mais é importante ressaltar, que no dia 11 de novembro de 2010 entrou em vigor a lei 9.888 que passou a punir o crime de seqüestro com uma pena d 15-20 anos, sem liberdade provisória, com um prazo de prisão cautelar de 5 dias, e um prazo para defesa de 10 dias.

Dois meses antes do julgamento entrou em vigor a lei 10.003 que passou a estabelecer uma pena de 12-15 anos de prisão para o sequestro, se ma possibilidade de liberdade, com um prazo para prisão cautelar de 15 dias e o prazo para defesa de apenas 3 dias.

Diante disso, perguntamos:

a)  Qual a lei será aplicada ao Sequestro? justifique

b)Qual a lei será aplicada a Lesões Corporais? Justifique

Direito Penal I

ESTÁCIO


2 resposta(s)

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Rafael Silva Canto da Rocha

Há mais de um mês

Nossa senhora, que confusão, ein...

Bom, primeiramente, é preciso ressaltar que temos dois tipos de crime diferentes. O primeiro, extorsão mediante sequetro, é um crime permanente, ou seja, sua consumação é prolongada, estando o delito finalmente consumado após a cessação de permanência (liberação da vítima). É importante lembrar que crime de extorsão mediante sequestro não se consuma com o pagamento do resgate, como muitos pensam. Depois temos um crime instantâneo, que tem a consumação dada junto com o resultado, que é o caso da lesão corporal. É importante salientar isso, pois o código penal considera praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que seja outro o momento do resultado. Portanto:

Aplicaria-se para o crime de sequestro a lei n° 7.890 (10 a 30 anos), dado que a cessação de permanência se deu durante sua vigência. Contudo, apesar da ideia de irretroatividade da norma penal, a mesma retroage em benefício do réu, portanto, a lei 10.003 (12 a 15 anos), mesmo tendo entrado em vigor após a consumação do crime, é mais benéfica para o réu do que a lei n° 7.890 e, dessa maneira, deve retroagir para alcançar seus efeitos no passado.

Para lesão corporal, que é um crime instantâneo, cabe observar se as lesões foram praticadas todas antes do agente completar a maioriadade, ou se foi praticada alguma lesão após essa data, pois como sabemos, no caso de todas as lesões terem sido praticadas durante o período de menoridade do agente, não cabe falar em crime. O agente, no caso, sofreria apenas uma medida sócio-educativa. No caso do agente ter praticado alguma lesão já durante a maioridade, primeiramente deveria-se observar qual lei estava em vigor no período que o crime foi praticado. Como isso não é explicito no caso, podemos  dizer que seria aplicada a lei n° 3.564 (1 a 3 anos). A lei n° 3.564, assim como no caso do sequestro, deverá retroagir para alcançar seus efeitos no passado por ser mais benéfica ao réu que todas as outras normas anteriores.

Assim ficaria:

Respostas: Letra a) Lei n° 10.003; Letra b) Lei n° 3.564

 

Espero ter ajudado de alguma maneira. Qualquer dúvida estou por aqui! Abraço!

 

 

Nossa senhora, que confusão, ein...

Bom, primeiramente, é preciso ressaltar que temos dois tipos de crime diferentes. O primeiro, extorsão mediante sequetro, é um crime permanente, ou seja, sua consumação é prolongada, estando o delito finalmente consumado após a cessação de permanência (liberação da vítima). É importante lembrar que crime de extorsão mediante sequestro não se consuma com o pagamento do resgate, como muitos pensam. Depois temos um crime instantâneo, que tem a consumação dada junto com o resultado, que é o caso da lesão corporal. É importante salientar isso, pois o código penal considera praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que seja outro o momento do resultado. Portanto:

Aplicaria-se para o crime de sequestro a lei n° 7.890 (10 a 30 anos), dado que a cessação de permanência se deu durante sua vigência. Contudo, apesar da ideia de irretroatividade da norma penal, a mesma retroage em benefício do réu, portanto, a lei 10.003 (12 a 15 anos), mesmo tendo entrado em vigor após a consumação do crime, é mais benéfica para o réu do que a lei n° 7.890 e, dessa maneira, deve retroagir para alcançar seus efeitos no passado.

Para lesão corporal, que é um crime instantâneo, cabe observar se as lesões foram praticadas todas antes do agente completar a maioriadade, ou se foi praticada alguma lesão após essa data, pois como sabemos, no caso de todas as lesões terem sido praticadas durante o período de menoridade do agente, não cabe falar em crime. O agente, no caso, sofreria apenas uma medida sócio-educativa. No caso do agente ter praticado alguma lesão já durante a maioridade, primeiramente deveria-se observar qual lei estava em vigor no período que o crime foi praticado. Como isso não é explicito no caso, podemos  dizer que seria aplicada a lei n° 3.564 (1 a 3 anos). A lei n° 3.564, assim como no caso do sequestro, deverá retroagir para alcançar seus efeitos no passado por ser mais benéfica ao réu que todas as outras normas anteriores.

Assim ficaria:

Respostas: Letra a) Lei n° 10.003; Letra b) Lei n° 3.564

 

Espero ter ajudado de alguma maneira. Qualquer dúvida estou por aqui! Abraço!

 

 

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Alana Oliveira

Há mais de um mês

Ele nao responderá por lesoes corporais porque ele é menor de idade, durante a lesão, portanto será inimputável, no caso do sequestro terá de fazer a lex tertia (conjugação das leis) ele pegará de 10-15 anos sem liberdade, prisão cautelar de 2 dias (mais benefica) e defesa de 3 dias (tempus regis actum)

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes