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Caso o STF julgue pela inconstitucionalidade de determinada lei. Quais são os possíveis efeitos temporais?

Caso o STF julgue pela inconstitucionalidade de determinada lei, que tipo de efeitos no tempo essa inconstitucionalidade vai ter. 


2 resposta(s)

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Lucas Rafael

Há mais de um mês

Bruno, sua pergunta está incompleta, é necessário saber com se deu a declaração de inconstitucionadade da Lei, tendo em vista que ela pode ocorrer por via incidental (diante de um incidente processual) ou via principal (Valendo-se de uma das espécies da Ação Direta de Incosntitucionalidade). Para responder a sua pergunta irei considerar que você se referia ao controle de constitucionalidade por via principal, nesta modalidade poderíamos ter os seguintes efeitos: Erga omnes, isto é, os efeitos decorrentes da declaração de inconstitucionalidade atinge toda a coletividade, retirando a norma do ordenamento jurídico; quanto a retroatividade pode ter o efeito ex nunc, isto é, efeito prospectivo, a declaração não abarcará os atos praticados durante a vigência da Lei, não espraiando sobre os atos praticados nulidade ou anulabilidade; ou então pode-se ter o efeito ex tunc, que tornará nulos atos praticados antes da declaração da incostitucionalidade da Lei. Cumpre no entanto destacar a figura da Inconstitucionalidade Progressiva, na qual o Supremo considera a Lei como inconstitucional, mas modula os  efeitos da declaração de incompatibilidade com a Constituição. Isto é, via de regra a declaração de inconstitucionalidade deveria produzir seus efeitos de imediato, no entanto pode o STF determinar (modular) os efeitos de sua declaração com o decorrer temporal, assim a Lei se torna, aos poucos, inconstitucional. Logo, há circunstâncias fáticas, vigentes naquele momento, que justificam a manutenção da norma dentro do ordenamento jurídico, no entanto em tempo futuro, uma vez corrigida a situação observada na circunstancia fará com que a norma prega sua validade. Cita-se como a lei 1060/50 , art. 5º, parágrafo 5º, vejamos:

 

§ 5° Nos Estados onde a Assistência Judiciária seja organizada e por eles mantida, o Defensor Público, ou quem exerça cargo equivalente, será intimado pessoalmente de todos os atos do processo, em ambas as Instâncias, contando-se-lhes em dobro todos os prazos. (Incluído pela Lei nº 7.871, de 1989)

O STF entendeu no Habeas Corpus nº. 70514/SP que se justifica o prazo maior em razão das Defensorias Públicas não estarem aparelhadas como o Ministério Público atualmente está. A inconstitucionalidade progressiva nesse caso consubstancia-se no fato de que a norma somente é constitucional enquanto a defensoria carecer de aperfeiçoamento e aparelhamento. No momento em que o objetivo for alcançado instalar-se-á a inconstitucionalidade do dispositivo supracitado.

Outro exemplo de "inconstitucionalidade Progressiva" é o artigo 68 CPP, senão vejamos:

Art. 68. Quando o titular do direito à reparação do dano for pobre (art. 32, §§ 1o e 2o), a execução da sentença condenatória (art. 63) ou a ação civil (art. 64) será promovida, a seu requerimento, pelo Ministério Público.

O Ministério Público defende que a atribuição de ingressar com a ação correspondente é da Defensoria Pública. No entanto, o STF decidiu mediante o RE 147.776, que enquanto não forem criadas Defensorias Públicas em todos os Estados da Federação o dispositivo continua constitucional, caso que o prejuízo será maior que o benefício. Dar-se-á a inconstitucionalidade progressiva, logicamente, quando a criação de Defensorias Públicas abranger todos os Estados. Espero ter ajudado. Abraços.

 

Bruno, sua pergunta está incompleta, é necessário saber com se deu a declaração de inconstitucionadade da Lei, tendo em vista que ela pode ocorrer por via incidental (diante de um incidente processual) ou via principal (Valendo-se de uma das espécies da Ação Direta de Incosntitucionalidade). Para responder a sua pergunta irei considerar que você se referia ao controle de constitucionalidade por via principal, nesta modalidade poderíamos ter os seguintes efeitos: Erga omnes, isto é, os efeitos decorrentes da declaração de inconstitucionalidade atinge toda a coletividade, retirando a norma do ordenamento jurídico; quanto a retroatividade pode ter o efeito ex nunc, isto é, efeito prospectivo, a declaração não abarcará os atos praticados durante a vigência da Lei, não espraiando sobre os atos praticados nulidade ou anulabilidade; ou então pode-se ter o efeito ex tunc, que tornará nulos atos praticados antes da declaração da incostitucionalidade da Lei. Cumpre no entanto destacar a figura da Inconstitucionalidade Progressiva, na qual o Supremo considera a Lei como inconstitucional, mas modula os  efeitos da declaração de incompatibilidade com a Constituição. Isto é, via de regra a declaração de inconstitucionalidade deveria produzir seus efeitos de imediato, no entanto pode o STF determinar (modular) os efeitos de sua declaração com o decorrer temporal, assim a Lei se torna, aos poucos, inconstitucional. Logo, há circunstâncias fáticas, vigentes naquele momento, que justificam a manutenção da norma dentro do ordenamento jurídico, no entanto em tempo futuro, uma vez corrigida a situação observada na circunstancia fará com que a norma prega sua validade. Cita-se como a lei 1060/50 , art. 5º, parágrafo 5º, vejamos:

 

§ 5° Nos Estados onde a Assistência Judiciária seja organizada e por eles mantida, o Defensor Público, ou quem exerça cargo equivalente, será intimado pessoalmente de todos os atos do processo, em ambas as Instâncias, contando-se-lhes em dobro todos os prazos. (Incluído pela Lei nº 7.871, de 1989)

O STF entendeu no Habeas Corpus nº. 70514/SP que se justifica o prazo maior em razão das Defensorias Públicas não estarem aparelhadas como o Ministério Público atualmente está. A inconstitucionalidade progressiva nesse caso consubstancia-se no fato de que a norma somente é constitucional enquanto a defensoria carecer de aperfeiçoamento e aparelhamento. No momento em que o objetivo for alcançado instalar-se-á a inconstitucionalidade do dispositivo supracitado.

Outro exemplo de "inconstitucionalidade Progressiva" é o artigo 68 CPP, senão vejamos:

Art. 68. Quando o titular do direito à reparação do dano for pobre (art. 32, §§ 1o e 2o), a execução da sentença condenatória (art. 63) ou a ação civil (art. 64) será promovida, a seu requerimento, pelo Ministério Público.

O Ministério Público defende que a atribuição de ingressar com a ação correspondente é da Defensoria Pública. No entanto, o STF decidiu mediante o RE 147.776, que enquanto não forem criadas Defensorias Públicas em todos os Estados da Federação o dispositivo continua constitucional, caso que o prejuízo será maior que o benefício. Dar-se-á a inconstitucionalidade progressiva, logicamente, quando a criação de Defensorias Públicas abranger todos os Estados. Espero ter ajudado. Abraços.

 

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Guilherme

Há mais de um mês

É muito provável que você esteja perguntando em se tratando de controle abstrato e concentrado. Sendo assim, a resposta é:

Em regra, quando o STF declara a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de determinado ato normativo, sua decisão tem, em se tratanto de efeitos no tempo, efeitos retroativos, o chamado efeito ex tunc.

Lendo os artigos 27 da Lei 9868/99 (ADI, ADO e ADC) e o art. 11 da Lei 9882/99 (ADPF). Temos a exceção, chamada de Modulação do Efeitos da Decisão.

Lá está determinado que: "Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado."

Isto é, nestas circustâncias e respeitando este rito, poderá o Supremo Tribunal Federal decidir por dar a sua decisão efeito ex nunc ou até mesmo pro futuro.

Espero ter ajudado!

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes