A maior rede de estudos do Brasil

Qual a diferença entre embargos de declaração e embargos infringentes


1 resposta(s)

User badge image

Mario

Há mais de um mês

O termo “embargos” possui inúmeros significados. Pode significar sanção, também pode ser instituto com natureza de ação (por exemplo os embargos de terceiro) e ainda pode ter também natureza de recurso. O termo “embargos infringentes” também é muito significativo.

Os embargos infringentes são regulados pelo CPC no art. 530 e seguintes. É recurso que cabe contra decisões de tribunais, em situações específicas. Cabe contra acórdãos (somente acórdãos que o tribunal profere em ação rescisória ou em apelação) e em acórdãos não unânimes (que houve pelo menos um voto vencido) e, estes mesmos acórdãos, devem ser diferentes da decisão de primeiro grau. Sua abrangência é bem restrita exatamente para diminuir a frequência deste recurso. Esta abrangência restrita também se deve à “dupla conforme”: se o julgamento manteve o julgamento da primeira instância, não caberão embargos infringentes, exatamente pelo fato de ter duas decisões no mesmo sentido. Dupla conforme é princípio que norteia o legislativo para este não criar recursos quando houver duas decisões no mesmo sentido, ou seja, só será possível embargos infringentes quando houver duas sentenças diferentes em graus distintos. Esta expressão veio do Direito Canônico.

Já os embargos de declaração são recursos intimamente a questão do dever de fundamentar as decisões judiciais. abimento dos embargos de declaração: (art. 535 e seguintes e vide art. 463 do CPC) se prestam a eliminar omissão, obscuridade e contradição de acórdão ou sentença. O CPC nada fala de decisões interlocutórias em primeiro grau e nem em decisões monocráticas, contudo doutrina e jurisprudência ampliam e afirmam que caberiam embargos de declaração em toda e qualquer decisão judicial, até mesmo caberia em despacho de mero expediente. Assim o campo de incidência dos embargos de declaração é amplo. Entretanto o STF em certos momentos adota uma posição mais legalista e não admitem embargos de declaração em alguns casos. Obscuridade é quando falta clareza na expressão do raciocínio do juiz ou falta clareza no próprio conteúdo do raciocínio. Contradição tem-se na hipótese em que há duas ou mais informações incompatíveis dentro da fundamentação ou dentro do dispositivo, ou ainda uma na fundamentação e outra no decisum, ou podem estar ainda uma na ementa e outra no acórdão. A omissão é a falta de analise de alguma questão posta pelas partes ou falta de análise de alguma questão que deveria ter sido conhecida de ofício (o juiz tem sim o dever de responder todas as questões das partes). Os embargos de declaração tem função de complementar, esclarecem uma decisão e, mesmo quando acolhidos e providos, os embargos de declaração não alterarão o resultado da decisão, pois somente se está complementando tal decisão. No entanto, haverá casos em que ao se eliminar a obscuridade, contradição ou omissão, a consequência necessária e automática é a mudança do próprio resultado do julgamento. Espero ter ajudado, :).

O termo “embargos” possui inúmeros significados. Pode significar sanção, também pode ser instituto com natureza de ação (por exemplo os embargos de terceiro) e ainda pode ter também natureza de recurso. O termo “embargos infringentes” também é muito significativo.

Os embargos infringentes são regulados pelo CPC no art. 530 e seguintes. É recurso que cabe contra decisões de tribunais, em situações específicas. Cabe contra acórdãos (somente acórdãos que o tribunal profere em ação rescisória ou em apelação) e em acórdãos não unânimes (que houve pelo menos um voto vencido) e, estes mesmos acórdãos, devem ser diferentes da decisão de primeiro grau. Sua abrangência é bem restrita exatamente para diminuir a frequência deste recurso. Esta abrangência restrita também se deve à “dupla conforme”: se o julgamento manteve o julgamento da primeira instância, não caberão embargos infringentes, exatamente pelo fato de ter duas decisões no mesmo sentido. Dupla conforme é princípio que norteia o legislativo para este não criar recursos quando houver duas decisões no mesmo sentido, ou seja, só será possível embargos infringentes quando houver duas sentenças diferentes em graus distintos. Esta expressão veio do Direito Canônico.

Já os embargos de declaração são recursos intimamente a questão do dever de fundamentar as decisões judiciais. abimento dos embargos de declaração: (art. 535 e seguintes e vide art. 463 do CPC) se prestam a eliminar omissão, obscuridade e contradição de acórdão ou sentença. O CPC nada fala de decisões interlocutórias em primeiro grau e nem em decisões monocráticas, contudo doutrina e jurisprudência ampliam e afirmam que caberiam embargos de declaração em toda e qualquer decisão judicial, até mesmo caberia em despacho de mero expediente. Assim o campo de incidência dos embargos de declaração é amplo. Entretanto o STF em certos momentos adota uma posição mais legalista e não admitem embargos de declaração em alguns casos. Obscuridade é quando falta clareza na expressão do raciocínio do juiz ou falta clareza no próprio conteúdo do raciocínio. Contradição tem-se na hipótese em que há duas ou mais informações incompatíveis dentro da fundamentação ou dentro do dispositivo, ou ainda uma na fundamentação e outra no decisum, ou podem estar ainda uma na ementa e outra no acórdão. A omissão é a falta de analise de alguma questão posta pelas partes ou falta de análise de alguma questão que deveria ter sido conhecida de ofício (o juiz tem sim o dever de responder todas as questões das partes). Os embargos de declaração tem função de complementar, esclarecem uma decisão e, mesmo quando acolhidos e providos, os embargos de declaração não alterarão o resultado da decisão, pois somente se está complementando tal decisão. No entanto, haverá casos em que ao se eliminar a obscuridade, contradição ou omissão, a consequência necessária e automática é a mudança do próprio resultado do julgamento. Espero ter ajudado, :).

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes