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Estabeleça o tempo e o modo do surgimento do devido processo legal.

Explicar sobre o Devido Processo Legal.


3 resposta(s)

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Paulo

Há mais de um mês

No Brasil o princípio do devido processo legal foi positivado apenas na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CRFB/1988), o que reforça a sua denominação de devido processo constitucional. Apesar de não existir qualquer impedimento para que esse princípio fosse reconhecido como próprio do ordenamento jurídico brasileiro. Historicamente houve contemplação do devido processo legal pela Constituição do Império, em 1824, na qual foram exterminadas as penas de açoite, tortura, marca de ferro e confisco, além de ser estatuído o princípio da personalidade da pena, ou seja, sua aplicação se limita à pessoa do delinquente. A figura do habeas corpus surgiu apenas em 1832, no Código Criminal. A Constituição de 1891 criou os Estados Federados, garantiu a ampla defesa na seara criminal, e dentre outras garantias estatuiu o júri. Na Constituição de 1934 foram ampliados os direitos individuais: “Inaugurou o Estado Social e trouxe uma Declaração de Direitos compatível com o desiderato. Disciplinou a inviolabilidade dos direitos à liberdade, à segurança, à propriedade, bem como o mandado de segurança.” (MORAIS, 2001, p. 165).

De acordo com Morais (MORAIS, 2001, p. 166) na Constituição de 1937 havia autoritarismo explícito, o Poder Executivo tinha primazia sobre os demais. Houve o restabelecimento da pena de morte, não assegurava, portanto o direito à vida. Houve dúvidas quanto a permanência do habeas corpus em casos de decretação de guerra, mas a prática foi a não concessão visto que a jurisdição era afastada nesse período. Finda a Segunda Guerra Mundial e também do Governo de Getúlio Vargas, uma nova Constituição passou a vigorar, na qual havia garantia aos direitos individuais, tratando-os no capítulo dos direitos e das garantias fundamentais. Foi estabelecido o júri, garantiu-se o direito à vida, à liberdade, inafastabilidade da jurisdição. Após o Golpe Militar de 1964 foram publicas duas constituições, e mesmo havendo previsão de direitos individuais, os mesmos não foram respeitados (MORAIS, 2001, p. 171)

Findo o período militar fora convocada um Assembléia Nacional Constituinte para compor a Constituição da República, que iniciou sua vigência em 1988. Morais (MORAIS, 2001, p. 170) defende que anteriormente a essa Constituição o devido processo legal estava subentendido no ordenamento Jurídico Brasileiro. Até então o Estado Brasileiro não era totalmente um Estado de Direito, por isso havia tantas arbitrariedades. Contudo, através de subprincípios como o contraditório, a proibição de incomunicabilidade do preso, a ampla defesa e a regularidade procedimental pode-se dizer que o devido processo legal estava implícito no ordenamento jurídico.

A CRFB/1988 qualifica o Estado Brasileiro como Democrático e de Direito, e em seu Art. 5º dispõe sobre os Direitos e Garantias Fundamentais. O devido processo constitucional é um direito fundamental do homem, não é por acaso que está inserto no capítulo sobre os direitos e garantias fundamentais da CRFB/1988. Direitos Fundamentais são essenciais para a efetividade da Democracia num Estado de Direito. Preocupou-se o legislador em assegurar os direitos necessários ao exercício da democracia. Segundo Bobbio o respeito aos direitos humanos são pressupostos para a democracia:

“Direitos do homem, democracia e paz são três momentos necessários do mesmo momento histórico: sem direitos do homem reconhecidos e protegidos, não há democracia; sem democracia, não existem as condições mínimas para a solução pacífica dos conflitos. Em outras palavras a democracia é a sociedade dos cidadãos, e os súditos se tornam cidadãos quando lhes são reconhecidos alguns direitos fundamentais;” (BOBBIO, 1992, p. 01)

Morais considera que na CRFB/1988 o devido processo legal abrangeu somente os aspectos da liberdade e dos bens, sendo assim positivado em seu Art. 5º: “LIV – ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”. Contudo a vida já é tratada como um direito fundamental pelo Art. 5º, o qual trata dos direitos e garantias fundamentais dos cidadãos, e por isso o devido processo legal abrange também o direito à vida (MORAIS, 2001, p. 181). Percebe-se que Morais trata o devido processo constitucional apenas na vertente do devido processo legal. Esse autor subdivide o devido processo legal em devido processo legal procedimental e devido processo legal substantivo:

“A dimensão procedimental é a mais conhecida e, também, utilizada. Por ela, protege-se o direito a um procedimento regular, sempre que houver possibilidade de restrição de sua tríplice valoração – vida, liberdade e propriedade. (MORAIS, 2001, p. 157) A sua dimensão substantiva é investigada no cotejo dos atos estatais reguladores ou restritivos dos direitos individuais e, vislumbrando afronta desarrazoada (vida, liberdade e propriedade), incide a cláusula para declarar o ato espúrio e institucional.” (MORAIS, 2001, p. 159)

O devido processo legal procedimental é a realização de todos os atos processuais segundo regras processuais preestabelecidas, conforme exposto, é regular desenvolvimento processual, sua inobservância, portanto gera nulidade ao processo. O desatendimento à forma pode gerar nulidade no processo, por exemplo a desapropriação para reforma agrária, que deve ser feita como prévia notificação ao proprietário. Ao julgar o HABEAS CORPUS 98196 / MG - MINAS GERAIS[2] o Ministro Ricardo Lewandowski, à época presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), considerou que houve inobservância do devido processo legal por haver supressão de instância no próprio Tribunal, uma vez que a decisão havia sido proferida monocraticamente pelo relator e não pelo colegiado.

Como o assunto é bem extenso foquei somente no que tange ao Brasil, espero que tenha contribuído e que tenha gostado. Boa Sorte Mariana! Não esqueça de aprovar a resposta, se gostou, obrigado!

 

No Brasil o princípio do devido processo legal foi positivado apenas na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CRFB/1988), o que reforça a sua denominação de devido processo constitucional. Apesar de não existir qualquer impedimento para que esse princípio fosse reconhecido como próprio do ordenamento jurídico brasileiro. Historicamente houve contemplação do devido processo legal pela Constituição do Império, em 1824, na qual foram exterminadas as penas de açoite, tortura, marca de ferro e confisco, além de ser estatuído o princípio da personalidade da pena, ou seja, sua aplicação se limita à pessoa do delinquente. A figura do habeas corpus surgiu apenas em 1832, no Código Criminal. A Constituição de 1891 criou os Estados Federados, garantiu a ampla defesa na seara criminal, e dentre outras garantias estatuiu o júri. Na Constituição de 1934 foram ampliados os direitos individuais: “Inaugurou o Estado Social e trouxe uma Declaração de Direitos compatível com o desiderato. Disciplinou a inviolabilidade dos direitos à liberdade, à segurança, à propriedade, bem como o mandado de segurança.” (MORAIS, 2001, p. 165).

De acordo com Morais (MORAIS, 2001, p. 166) na Constituição de 1937 havia autoritarismo explícito, o Poder Executivo tinha primazia sobre os demais. Houve o restabelecimento da pena de morte, não assegurava, portanto o direito à vida. Houve dúvidas quanto a permanência do habeas corpus em casos de decretação de guerra, mas a prática foi a não concessão visto que a jurisdição era afastada nesse período. Finda a Segunda Guerra Mundial e também do Governo de Getúlio Vargas, uma nova Constituição passou a vigorar, na qual havia garantia aos direitos individuais, tratando-os no capítulo dos direitos e das garantias fundamentais. Foi estabelecido o júri, garantiu-se o direito à vida, à liberdade, inafastabilidade da jurisdição. Após o Golpe Militar de 1964 foram publicas duas constituições, e mesmo havendo previsão de direitos individuais, os mesmos não foram respeitados (MORAIS, 2001, p. 171)

Findo o período militar fora convocada um Assembléia Nacional Constituinte para compor a Constituição da República, que iniciou sua vigência em 1988. Morais (MORAIS, 2001, p. 170) defende que anteriormente a essa Constituição o devido processo legal estava subentendido no ordenamento Jurídico Brasileiro. Até então o Estado Brasileiro não era totalmente um Estado de Direito, por isso havia tantas arbitrariedades. Contudo, através de subprincípios como o contraditório, a proibição de incomunicabilidade do preso, a ampla defesa e a regularidade procedimental pode-se dizer que o devido processo legal estava implícito no ordenamento jurídico.

A CRFB/1988 qualifica o Estado Brasileiro como Democrático e de Direito, e em seu Art. 5º dispõe sobre os Direitos e Garantias Fundamentais. O devido processo constitucional é um direito fundamental do homem, não é por acaso que está inserto no capítulo sobre os direitos e garantias fundamentais da CRFB/1988. Direitos Fundamentais são essenciais para a efetividade da Democracia num Estado de Direito. Preocupou-se o legislador em assegurar os direitos necessários ao exercício da democracia. Segundo Bobbio o respeito aos direitos humanos são pressupostos para a democracia:

“Direitos do homem, democracia e paz são três momentos necessários do mesmo momento histórico: sem direitos do homem reconhecidos e protegidos, não há democracia; sem democracia, não existem as condições mínimas para a solução pacífica dos conflitos. Em outras palavras a democracia é a sociedade dos cidadãos, e os súditos se tornam cidadãos quando lhes são reconhecidos alguns direitos fundamentais;” (BOBBIO, 1992, p. 01)

Morais considera que na CRFB/1988 o devido processo legal abrangeu somente os aspectos da liberdade e dos bens, sendo assim positivado em seu Art. 5º: “LIV – ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”. Contudo a vida já é tratada como um direito fundamental pelo Art. 5º, o qual trata dos direitos e garantias fundamentais dos cidadãos, e por isso o devido processo legal abrange também o direito à vida (MORAIS, 2001, p. 181). Percebe-se que Morais trata o devido processo constitucional apenas na vertente do devido processo legal. Esse autor subdivide o devido processo legal em devido processo legal procedimental e devido processo legal substantivo:

“A dimensão procedimental é a mais conhecida e, também, utilizada. Por ela, protege-se o direito a um procedimento regular, sempre que houver possibilidade de restrição de sua tríplice valoração – vida, liberdade e propriedade. (MORAIS, 2001, p. 157) A sua dimensão substantiva é investigada no cotejo dos atos estatais reguladores ou restritivos dos direitos individuais e, vislumbrando afronta desarrazoada (vida, liberdade e propriedade), incide a cláusula para declarar o ato espúrio e institucional.” (MORAIS, 2001, p. 159)

O devido processo legal procedimental é a realização de todos os atos processuais segundo regras processuais preestabelecidas, conforme exposto, é regular desenvolvimento processual, sua inobservância, portanto gera nulidade ao processo. O desatendimento à forma pode gerar nulidade no processo, por exemplo a desapropriação para reforma agrária, que deve ser feita como prévia notificação ao proprietário. Ao julgar o HABEAS CORPUS 98196 / MG - MINAS GERAIS[2] o Ministro Ricardo Lewandowski, à época presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), considerou que houve inobservância do devido processo legal por haver supressão de instância no próprio Tribunal, uma vez que a decisão havia sido proferida monocraticamente pelo relator e não pelo colegiado.

Como o assunto é bem extenso foquei somente no que tange ao Brasil, espero que tenha contribuído e que tenha gostado. Boa Sorte Mariana! Não esqueça de aprovar a resposta, se gostou, obrigado!

 

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Mariana

Há mais de um mês

Obrigada, Paulo! Ajudou bastante, aprovado... rs

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Gabriela

Há mais de um mês

Estudar civil fernanda

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