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alguém poderia me explicar melhor esse caso?

AGRAVANTE : FELUMA - FUNDANÇÃO EDUCACIONAL LUCAS MACHADO

ADVOGADO : JOSÉ ANCHIETA DA SILVA E OUTRO (S)

AGRAVADO : MARINA RODRIGUES DA CUNHA PINHEIRO E OUTROS

ADVOGADO : SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS

DECISÃO

1. Cuida-se de agravo interposto por FELUMA - FUNDAÇÃO EDUCACIONAL LUCAS MACHADO contra decisão que não admitiu o seu recurso especial, por sua vez manejado em face de acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS, assim ementado:

EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO - ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA PESSOA JURÍDICA FILANTRÓPICA E SEM FINS LUCRATIVOS -CARÊNCIA INCOMPROVADA - BENEFÍCIO INDEFERIDO - A ausência de fins lucrativos e o caráter filantrópico da instituição, por si só, são insuficientes para se presumir a pobreza legal da entidade. O benefício da assistência judiciária somente deve ser concedido somente aos comprovadamente necessitados, pra permitir que o Estado possa custear as despesas dos efetivamente carentes que precisam recorrer ao Poder Judiciário (e-STJ fl.98).

Nas razões do especial, alega-se violação aos artigos  da Lei 1.060/50 e 62 do Código Civil, além de divergência jurisprudencial. Defende-se que as pessoas jurídicas sem fins lucrativos fazem jus ao benefício da assistência judiciária gratuita independentemente de prova (e-STJ fl.108).

É o relatório.

DECIDO.

2. O inconformismo não prospera.

O Tribunal de origem, ao indeferir os benefícios da justiça gratuita a pessoa jurídica quando não comprovada a sua miserabilidade, decidiu em consonância com o atual entendimento desta Corte acerca do tema, a exemplo dos seguintes julgados:

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA. SÚMULA 481/STJ. INSUFICIÊNCIA FINANCEIRA. REEXAME DE PROVA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO.

1. "Faz jus ao benefício da justiça gratuita a pessoa jurídica com ou sem fins lucrativos que demonstrar sua impossibilidade de arcar com os encargos processuais" (Súmula 481/STJ).

2. Rever o entendimento do Tribunal de origem de que a parte recorrente não demonstrou a efetiva insuficiência financeira demandaria o revolvimento de matéria fática, providência vedada pela Súmula 7/STJ.

3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1120642/SP, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/11/2012, DJe 04/02/2013).


3 resposta(s)

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Amanda

Há mais de um mês

Está claro no caso que a FELUMA (Fundação Educacional Lucas Machado) tentou adquirir os benefícios da justiça gratuita. Tentou usar por meio de sua justificativa, a ausência de fins lucrativos e o caráter filantrópico da instituição, que como descrito na ementa, são insuficientes para se presumir a pobreza legal da entidade. 

Esse benefício somente é concedido aos que comprovem sua necessidade de adquiri-lo, seguindo como base o art. 2º da Lei nº 1.060/50:

 Art. 2º. Gozarão dos benefícios desta Lei os nacionais ou estrangeiros residentes no país, que necessitarem recorrer à Justiça penal, civil, militar ou do trabalho.

Parágrafo único. Considera-se necessitado, para os fins legais, todo aquele cuja situação econômica não lhe permita pagar as custas do processo e os honorários de advogado sem prejuízo do sustento próprio ou da família.

Além disso, o art. 5º, LXXIV da Constituição Federalprevêque “o estado prestará assistência judiciária integral e gratuita aos que comprovarem a insuficiência de recursos”.

Assim,  não seria possível conceder o referido beneficio para pessoas jurídicas, e sim apenas às pessoas físicas, nacionais ou estrangeiras residentes no Brasil com dificuldades financeiras. Como exemplo, anexo um acórdão do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região.

Ementa: JUSTIÇA GRATUITA - PESSOA JURÍDICA - A pessoa jurídica não faz jus aos benefícios da assistência judiciária gratuita a que alude o art.14 da Lei 5.584/70, nem às da justiça gratuita a que se reporta o art.2º da Lei 1.060/50, uma vez que não possui elementos de caráter individual condizentes com a dignidade da pessoa humana. Processo 0073400-45.2009.5.05.0009 RecOrd, ac. nº 030310/2010, Relator Desembargador LUIZ TADEU LEITE VIEIRA, 1ª. TURMA, DJ 01/10/2010;

Espero ter ajudado :)

Está claro no caso que a FELUMA (Fundação Educacional Lucas Machado) tentou adquirir os benefícios da justiça gratuita. Tentou usar por meio de sua justificativa, a ausência de fins lucrativos e o caráter filantrópico da instituição, que como descrito na ementa, são insuficientes para se presumir a pobreza legal da entidade. 

Esse benefício somente é concedido aos que comprovem sua necessidade de adquiri-lo, seguindo como base o art. 2º da Lei nº 1.060/50:

 Art. 2º. Gozarão dos benefícios desta Lei os nacionais ou estrangeiros residentes no país, que necessitarem recorrer à Justiça penal, civil, militar ou do trabalho.

Parágrafo único. Considera-se necessitado, para os fins legais, todo aquele cuja situação econômica não lhe permita pagar as custas do processo e os honorários de advogado sem prejuízo do sustento próprio ou da família.

Além disso, o art. 5º, LXXIV da Constituição Federalprevêque “o estado prestará assistência judiciária integral e gratuita aos que comprovarem a insuficiência de recursos”.

Assim,  não seria possível conceder o referido beneficio para pessoas jurídicas, e sim apenas às pessoas físicas, nacionais ou estrangeiras residentes no Brasil com dificuldades financeiras. Como exemplo, anexo um acórdão do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região.

Ementa: JUSTIÇA GRATUITA - PESSOA JURÍDICA - A pessoa jurídica não faz jus aos benefícios da assistência judiciária gratuita a que alude o art.14 da Lei 5.584/70, nem às da justiça gratuita a que se reporta o art.2º da Lei 1.060/50, uma vez que não possui elementos de caráter individual condizentes com a dignidade da pessoa humana. Processo 0073400-45.2009.5.05.0009 RecOrd, ac. nº 030310/2010, Relator Desembargador LUIZ TADEU LEITE VIEIRA, 1ª. TURMA, DJ 01/10/2010;

Espero ter ajudado :)

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Láurea

Há mais de um mês

Boa tarde Jennifer.

É de se ter em mente que este julgado gira em torno da discussão sobre a existência, ou não, do direito por parte da Agravante (pessoa jurídica filantrópica e sem fim lucrativo) ao benefício da AJG.

Pois bem, mister ressaltar que toda e qualquer demanda judicial possui preço, as chamadas custas processuais (assim como os honorários advocatícios), e, em regra, tal preço deve ser recolhido no ato do ajuizamento da ação (exceto nas ações de âmbito trabalhista e JECível, p.ex.).

Todavia, há a possibilidade, para aqueles que sejam comprovadamente pobres no sentido legal do termo, de serem beneficiados com a Assistência Judiciária Gratuita – GAJ, onde, então, o pagamento das custas processuais ficarão suspensos até ulterior notícia de restabelecimento da condição econômica favorável ao pagamento das custas.

In casu, a Agravante não teve seu recurso especial (STJ) recebido, provavelmente, pelo não deferimento da AJG, assim como pelo não recolhimento das custas processuais (também chamado de preparo). Razão pela qual interpôs Agravo de Instrumento à Presidência do STJ, com o fito de tentar modificar a decisão interlocutória do Min. que negou seguimento ao seu REsp.

Pelo que se percebe, em suas razões recursais a Agravante alega que por ser entidade filantrópica e sem fins lucrativos teria pleno direito à benesse da AJG. Todavia, a despeito disso, o Tribunal Superior entendeu pelo não provimento de seu inconformismo, fundamentando no sentido de que, mesmo sendo entidade filantrópica e sem fins lucrativos, deveria de alguma forma ou de outra demonstrar sua miserabilidade.

Bons estudos!

 

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Jennifer

Há mais de um mês

muito obrigada, vocês são excelentes!

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes