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Qual a abrangência da expressão "qualquer interessado" contida no Art. 22 do CC/02?

Art. 22 do CC


1 resposta(s)

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Láurea

Há mais de um mês

Boa tarde Brena.

Conforme Tartuce (2011. p. 109/110), no subcapítulo que fala sobre a morte presumida com declaração de ausência e da curadoria dos bens do ausente (art. 22 a 25 do CC): 

Nessa primeira fase, desaparecendo a pessoa sem noticias e não deixando qualquer representante, é nomeado um curador para guardar seus bens, em ação específica proposta pelo Ministério Público ou por qualquer interessado, caso dos seus sucessores (arts. 22 do CC e 1.160 do CPC). 

Eventualmente, deixando o ausente um representante que não quer aceitar o encargo de administrar seus bens, será possível a nomeação do curador. A respeito da sua nomeação, cabe ao juiz fixar os seus poderes e obrigações, devendo ser aplicadas as regras previstas para a tutela e para a curatela (arts. 1.728 a 1.783 do CC). 

Nos termos do art. 25 do CC, cabe ao cônjuge do ausente a condição de curador legítimo, sempre que não esteja separado judiciahnente ou de fato há mais de dois anos. A menção á separação judicial deve ser lida com ressalvas, eis que, para este autor, a Emenda do Divórcio (EC 66/2010) baniu do sistema tal categoria jurídica. Assim, a norma em comento, e também outras. Somente se aplicam aos separados judicialmente quando da entrada em vigor da inovação constitucional. 

Ausente o cônjuge, o próprio dispositivo em questão consagra a ordem de preferência para nomeação do curador, a saber:

1) serão chamados os pais do ausente;

2) na falta de pais, serão chamados os descendentes, não havendo impedimento, sendo certo que o grau mais próxuno exclui o
mais remoto;

3) na falta de cônjuge, pais e descendentes, deverá o juiz nomear um curador dativo ou ad hoc, entre pessoas idôneas de sua confiança.

Apesar da ausência de previsão quanto ao convivente ou companbeiro, ele merece o mesmo tratamento do cônjuge, pelo teor do Enunciado n. 97 do CJF/STJ, aprovado na I Jornada de Direito Civil ("no que tange à tutela especial da família, as regras do Código Civil que se referem apenas ao cônjuge devem ser estendidas à situação jurídica que envolve o companbeiro, como por exemplo na hipótese de nomeação de curador dos bens do ausente (art. 25 do CC)").

Portanto, pelo que se precebe na passagem grifada, a expressão "qualquer interessado" abrange tão somente os sucessores da pessoa ausente.

Bons estudos!

Boa tarde Brena.

Conforme Tartuce (2011. p. 109/110), no subcapítulo que fala sobre a morte presumida com declaração de ausência e da curadoria dos bens do ausente (art. 22 a 25 do CC): 

Nessa primeira fase, desaparecendo a pessoa sem noticias e não deixando qualquer representante, é nomeado um curador para guardar seus bens, em ação específica proposta pelo Ministério Público ou por qualquer interessado, caso dos seus sucessores (arts. 22 do CC e 1.160 do CPC). 

Eventualmente, deixando o ausente um representante que não quer aceitar o encargo de administrar seus bens, será possível a nomeação do curador. A respeito da sua nomeação, cabe ao juiz fixar os seus poderes e obrigações, devendo ser aplicadas as regras previstas para a tutela e para a curatela (arts. 1.728 a 1.783 do CC). 

Nos termos do art. 25 do CC, cabe ao cônjuge do ausente a condição de curador legítimo, sempre que não esteja separado judiciahnente ou de fato há mais de dois anos. A menção á separação judicial deve ser lida com ressalvas, eis que, para este autor, a Emenda do Divórcio (EC 66/2010) baniu do sistema tal categoria jurídica. Assim, a norma em comento, e também outras. Somente se aplicam aos separados judicialmente quando da entrada em vigor da inovação constitucional. 

Ausente o cônjuge, o próprio dispositivo em questão consagra a ordem de preferência para nomeação do curador, a saber:

1) serão chamados os pais do ausente;

2) na falta de pais, serão chamados os descendentes, não havendo impedimento, sendo certo que o grau mais próxuno exclui o
mais remoto;

3) na falta de cônjuge, pais e descendentes, deverá o juiz nomear um curador dativo ou ad hoc, entre pessoas idôneas de sua confiança.

Apesar da ausência de previsão quanto ao convivente ou companbeiro, ele merece o mesmo tratamento do cônjuge, pelo teor do Enunciado n. 97 do CJF/STJ, aprovado na I Jornada de Direito Civil ("no que tange à tutela especial da família, as regras do Código Civil que se referem apenas ao cônjuge devem ser estendidas à situação jurídica que envolve o companbeiro, como por exemplo na hipótese de nomeação de curador dos bens do ausente (art. 25 do CC)").

Portanto, pelo que se precebe na passagem grifada, a expressão "qualquer interessado" abrange tão somente os sucessores da pessoa ausente.

Bons estudos!

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