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Sentença liminar de improcedência - Art. 285-A

Há polêmica ainda na aplicação do Art.285-A do CPC que trata da Sentença Liminar de improcedencia?


2 resposta(s)

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Joilson

Há mais de um mês

Sim, há polêmicas e divergências na aplicação desse artigo. Algumas correntes dizem que decretar improcedência de uma ação antes mesmo da citação da parte contrária, fere princípios de Direito Processual. É preciso entender que esse dispositivo foi criado para promover a celeridade processual em casos repetitivos, dando fim às demandas ainda em 1.º grau. Só que é necessário cuidado em aplicá-lo, já que o texto é um pouco vago e deixa lacunas na sua interpretação. Por exemplo, ele fala em "ações repetitivas ou casos idênticos", muitas vezes há confusão do próprio magistrado na hora de decretar se o caso é matéria já analisada pelos Tribunais; existem situações em que a matéria aparentemente é repetitiva, porém, vendo mais a fundo, verá que a demanda mostra particularidades que não podem ser generalizadas e precisam ser minunciosamente analisadas. Outro ponto é que as decisões tomadas como base nesse dispositivo, não podem ser contrárias a Jurisprudência aplicada nos Tribunais. E ainda, é letra de lei criada para acelerar a máquina judiciária e não o contrário, se houver aplicação sem precedentes desse artigo, serão milhares de recursos interpostos contra essas sentenças de improcedência e a lentidão se extenderá dos Juízos de Primeira Instância aos Tribunais Superiores.

 

Esse artigo postado no site do STJ pode ajudar: http://www.stj.gov.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=102430

 

Ainda existe esse outro da ABDPC, que também pode ser útil: http://www.abdpc.org.br/abdpc/artigos/Manoel%20Gaspar%20Oliveira%20-%20coment%C3%A1rios%20ao%20art.%20285-A%20do%20CPC.pdf

Sim, há polêmicas e divergências na aplicação desse artigo. Algumas correntes dizem que decretar improcedência de uma ação antes mesmo da citação da parte contrária, fere princípios de Direito Processual. É preciso entender que esse dispositivo foi criado para promover a celeridade processual em casos repetitivos, dando fim às demandas ainda em 1.º grau. Só que é necessário cuidado em aplicá-lo, já que o texto é um pouco vago e deixa lacunas na sua interpretação. Por exemplo, ele fala em "ações repetitivas ou casos idênticos", muitas vezes há confusão do próprio magistrado na hora de decretar se o caso é matéria já analisada pelos Tribunais; existem situações em que a matéria aparentemente é repetitiva, porém, vendo mais a fundo, verá que a demanda mostra particularidades que não podem ser generalizadas e precisam ser minunciosamente analisadas. Outro ponto é que as decisões tomadas como base nesse dispositivo, não podem ser contrárias a Jurisprudência aplicada nos Tribunais. E ainda, é letra de lei criada para acelerar a máquina judiciária e não o contrário, se houver aplicação sem precedentes desse artigo, serão milhares de recursos interpostos contra essas sentenças de improcedência e a lentidão se extenderá dos Juízos de Primeira Instância aos Tribunais Superiores.

 

Esse artigo postado no site do STJ pode ajudar: http://www.stj.gov.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=102430

 

Ainda existe esse outro da ABDPC, que também pode ser útil: http://www.abdpc.org.br/abdpc/artigos/Manoel%20Gaspar%20Oliveira%20-%20coment%C3%A1rios%20ao%20art.%20285-A%20do%20CPC.pdf

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Paulo

Há mais de um mês

No julgamento do REsp 1.109.389-MS, da relatoria do Ministro Luis Felipe Salomão, julgado em 16/06/2011, o Quarta Turma do STJ entendeu que a aplicação do artio 285-A do CPC supõe que a sentença de improcedência prima facie esteja alinhada ao entendimento cristalizado nas instâncias superiores, especialmente no STJ e no STF. Entendeu-se que o mecanismo estaria voltado para a celeridade e racionalidade das decisões processuais, o que não seria alcançado caso fossem permitidas decisões contrárias aos posicionamentos já consolidades nas Cortes Superiores.

     O posicionamento adotado pelo STJ, ao mesmo tempo em que procura resolver o problema atinente à possibilidade de o artigo 285-A importar em julgamentos de improcedência prima facie ao gosto de cada magistrado, deixa antever a tendência de estandardização do direito presente nas recentes reformas do processo civil. O problema da uniformidade do direito acaba sendo resolvido a partir de teses construídas distantes das peculiariedades e riquezas dos mais variados casos concretos. E mais, deixa-se, cada vez assentado o enfraquecimento do primeiro grau de jurisdição, o que vai na contramão daquilo que autores como Cappelletti e Ovídio Baptista sempre preconizaram: o fortalecimento do primeiro grau de jurisdição.

     Não fosse isso, a recente posição do STJ gera o risco de inviabilizar em absoluto o exercício pleno do contraditório como direito de influência e proibição de decisões supresas, na medida em que, estabelecido o entendimento "cristalizado" pela Corte Superiores, automaciamente restaria, eternamente, inviabilizada a sua discussão. Afinal, parece pouco provável que a parte conseguirá reverter uma "tese" que sequer poderá ser alvo de discussão no primeiro e segundo graus de jurisdição. Imagine perante o próprio STJ, então.

Espero que tenha colaborado Cássia com esse material, Creio que uma leitura com calma, dá para compreender bastante sobre o tema. Boa sorte! Se ajudou não deixa de aprovar a resposta, obrigado!

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes