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Determinado cidadão brasileiro praticou delito de genocídio na Argentina, tendo matado membros de um grupo étnico daquele país, onde foi condenado definitivamente à pena máxima de oito anos de reclusão, segundo a legislação Argentina. Após ter cumprido integralmente a pena, esse cidadão retornou a Montes Claros, cidade onde sempre estabeleceu domicílio. A partir dessa situação hipotética, assinale a opção correta em relação à extraterritorialidade da lei penal, à pena cumprida no estrangeiro e à eficácia da sentença estrangeira.
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há 5 meses

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há 5 meses

No caso apresentado, a extraterritorialidade da lei penal brasileira pode ser aplicada, uma vez que o Brasil adota o princípio da proteção, permitindo que a lei penal brasileira seja aplicada a crimes cometidos por brasileiros no exterior, especialmente em casos de crimes graves como o genocídio. Entretanto, a pena cumprida na Argentina deve ser considerada, pois, segundo o artigo 8º do Código Penal Brasileiro, a pena cumprida no exterior pode ser reconhecida no Brasil, desde que haja um tratado ou convenção que regulamente essa questão. Além disso, a eficácia da sentença estrangeira no Brasil depende do reconhecimento judicial, conforme o artigo 105 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB). Portanto, a sentença condenatória deve ser homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) para ter efeitos no Brasil. Resumindo, a extraterritorialidade se aplica, a pena cumprida pode ser considerada, mas a eficácia da sentença estrangeira depende de homologação.

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Em determinado país, vigora um regime ditatorial. O chefe do Executivo assumiu o poder por um golpe de Estado, apoiado pelas Forças Armadas. Os integrantes do Parlamento que não aderiram ao novo governo foram cassados. Foi outorgado um decreto, autorizando apenas o funcionamento de dois partidos políticos, impondo a censura prévia aos meios de comunicação e suprimindo as eleições para cargos do Executivo e Legislativo por tempo indeterminado. Foi instituída uma polícia política, cuja função era reprimir todos os atos de insurreição contra o novo regime. Por outro lado, o Poder Judiciário permaneceu atuando e a Constituição continuou vigendo, com as alterações estabelecidas pelo decreto presidencial já referido. Nesse cenário, Antônio, desejando se apropriar do patrimônio de seu sócio José, decide denunciá-lo ao governo, revelando que o sócio militava em uma organização política clandestina, com o objetivo de derrubar o regime e instalar uma nova ordem. Ocorre que José era estrangeiro e, por isso, Antônio acreditava que, em decorrência da delação, seu visto brasileiro seria cassado e ele seria expulso do país. Por força das denúncias de Antônio, José é preso e torturado até a morte. Oficialmente, José é declarado desaparecido, seus familiares nunca mais têm notícia de seu paradeiro e sua morte na prisão não é admitida pelo governo. Passaram-se dez anos e a democracia é restabelecida no país. É aprovada uma nova Constituição, com uma carta de direitos idêntica à da Constituição Brasileira de 1988. Dentre as medidas adotadas para punir os responsáveis pelos atos violentos cometidos pelos agentes do Estado no regime ditatorial, é aprovada uma lei, instituindo o seguinte tipo penal: "Todos os agentes públicos que atuaram no regime ditatorial, que vigorou no país na última década, prendendo, torturando, lesando e matando pessoas de forma abusiva, bem como aqueles que colaboraram para tais ações, ficam sujeitos à pena de reclusão, de dez a vinte anos." Com fundamento nessa lei, a família de José oferece uma notícia de crime contra Antônio, para que seja processado e punido pelos fatos acima narrados. Considerando tal narrativa e o novo ordenamento jurídico, responda se Antônio pode ser punido, justificando sua resposta. *

"A Justiça de MT determinou medidas de proteção em favor de um engenheiro agrônomo de 46 anos, de Cuiabá, que pediu a aplicação, por analogia, da Lei Maria da Penha -que pune com prisão a violência doméstica contra a mulher. O juiz Mário Roberto Kono de Oliveira, responsável pela decisão, disse que, em número consideravelmente menor, há homens vítimas de violência praticada por mulheres. Nesses casos, não há previsão legal de punições, o que justifica a aplicação, por analogia, da Lei Maria da Penha. Em seu artigo 22, a lei federal determina que o juiz pode aplicar 'medidas protetivas de urgência' contra o agressor quando constatada 'prática de violência doméstica e familiar contra a mulher'. Entre as 'medidas protetivas de urgência' determinadas, está a de que a mulher mantenha ao menos 500 metros de distância do engenheiro e que não tente fazer nenhum tipo de contato com ele, podendo ser presa caso descumpra a ordem judicial. 'Não é vergonha nenhuma o homem recorrer ao Poder Judiciário para fazer cessar as agressões da qual vem sendo vítima', afirmou Oliveira na decisão, divulgada.' Do ponto de vista jurídico, essa é uma questão muito interessante. O legislador brasileiro teima em elaborar leis machistas ou feministas sem pensar nas suas consequências praticas. (SIC) A lei acima é um exemplo disso. A lei de fato não aborda a possibilidade de um homem ser a vítima de violência doméstica, mas na prática existem homens que são vítimas de violência (...). É um princípio democrático para evitar que as pessoas vivam sob a sombra do medo de se tornarem vítimas de punições por analogia. Dessa forma, se a lei diz que alguém será punido por tomar sorvete, o magistrado não pode punir alguém que resolveu chupar picolé baseado na analogia que picolé e sorvete são ambos gelados e logo estão abrangidos pela mesma proibição. A lei penal deve ser sempre clara a respeito do que ela deseja punir (...). Existem milhares de exemplos práticos. Para que alguém seja condenado por roubo é necessário que haja a violência ou grave ameaça. Se não houve nem violência nem grave ameaça, o magistrado não pode usar uma interpretação analógica e dizer que o objeto ainda assim foi subtraído e, portanto, houve o roubo. É por isso que o legislador teve que criar um outro crime - o furto - para punir os casos em que não há violência ou grave ameaça. Caso contrário, o batedor de carteira não seria punível, já que ele não agiu com violência ou ameaçou. Essa necessidade de adequação absoluta entre a lei e o fato é o que muitos juristas chamam de princípio da mão e da luva: a luva (a descrição abstrata da ação que existe na lei) deve adequar-se perfeitamente à mão (o fato real ocorrido e sob julgamento). Se sobrar ou faltar um dedo, não houve essa adequação. No caso da matéria acima, faltou um dedo na luva: a lei só fala de mulher como vítima, e não de homem. O problema do magistrado na matéria acima é que ele precisou resolver a questão prática - o risco ao qual estava submetido a vítima da violência - embora o legislador tenha falhado em sua obrigação de pensar holisticamente antes de aprovar a lei. Por isso a interpretação que o magistrado deu foi muito inteligente: ele interpretou que a ordem para que Fulana não se aproxime de seu ex-marido não é uma punição à agressora, (...), mas uma proteção à vítima (...)." Disponível em: [http://direito.folha.uol.com.br/blog/analogia-em-direito-penal](http://direito.folha.uol.com.br/blog/analogia-em-direito-penal). Acesso em: 09 set. 2017 (adaptado). Nesse sentido, sobre a analogia que é considerada uma forma de auto integração da lei penal avalie as afirmações a seguir. I - Diante do princípio da legalidade do crime e da pena, pelo qual não se pode impor sanção penal a fato não previsto em lei, é admissível o emprego da analogia para criar ilícitos penais ou estabelecer sanções criminais. II - Onde há uma regra legal que tenha caráter definitivo é impossível o emprego da analogia. III - Nada impede a aplicação da analogia às normas incriminadoras quando se vise na lacuna evidente da lei favorecer a situação do réu por um princípio de equidade. IV - A analogia in bonam partem, por contrariar o princípio da reserva legal, não pode ser aplicada em Direito Penal. É correto o que se afirma em * 2 pontos II e III, apenas.

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