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a) A boa-fé objetiva é uma cláusula geral? Em caso afirmativo, explique o porquê de a boa-fé objetiva adequar-se ao conceito de cláusula geral. Em cas

R: Uma vez que cláusulas gerais são normas com diretrizes indeterminadas, que não trazem expressamente uma solução jurídica (consequência). A norma é inteiramente aberta. Uma cláusula geral, noutras palavras, é um texto normativo que não estabelece "a priori" o significado do termo (pressuposto), tampouco as consequências jurídicas da norma (consequente) e que a boa-fé é um elemento externo ao ato, na medida em que se encontra no pensamento do agente, na intenção com a qual ele fez ou deixou de fazer alguma coisa. Na prática, é impossível definir o pensamento, mas é possível aferir a boa ou má-fé, pelas circunstâncias do caso concreto.

Visto isso podemos deduzir sim que a boa fé é uma clausula geral, uma vez que ela traz um conceito aberto e normativo de forma ampla todo esse princípio não trazendo em si nenhuma expressividade ou forma de agir ou não agir do agente, portanto temos a certeza que uma pessoa agiu ou não de boa fé através de seus atos e do pensamento de boa fé da sociedade.

Direito Civil I

ESTÁCIO


2 resposta(s)

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Wellington Domingos

Há mais de um mês

A boa fé é um dos princípios mais importantes da relação contratual A cláusula geral da boa-fé objetiva, adotada pelo código de 2002, não pode ser confundida com o conceito de boa-fé previsto no Código Civil anterior, em que era concebida como estado de desconhecimento (ignorância) sobre determinada situação, valorizando, assim, o elemento subjetivo. Não sabia, logo, estava de boa-fé. 


O art. 422 do Código Civil dispõe que "os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé." 
Com efeito, é patente que a boa-fé de que trata o Código Civil de 2002 é a boa-fé objetiva, que impõe certos deveres às partes contratantes. Constitui, assim, em regra de conduta, um dever, uma obrigação socialmente recomendável. 


Em jurisprudência do STJ, especificamente no Recurso Especial 735168-RJ o tribunal decidiu pela necessidade de aplicabilidade da clausula da boa fé nas relações de consumo, pois este caso tratava-se de uma cirurgia que teria ocorrido antes da vigência do CDC e o contrato de plano de saúde previa a cláusulas para determinado tratamento e o STJ decidiu que : “ Em diversas situações análogas à presente, o STJ vem considerando ser abusiva a cláusula que viola a boa-fé objetiva. A cláusula geral de boa-fé objetiva, implícita em nosso ordenamento antes da vigência do CDC e do CC/2002, mas explicitada a partir desses marcos legislativos, vem sendo entendida como um dever de conduta que impõe lealdade aos contratantes e também como um limite ao exercício abusivo de direitos. 


É justamente nessa função limitativa que a cláusula geral tem importância para a 
presente lide. O direito subjetivo assegurado em contrato não pode ser exercido de forma a subtrair do negócio sua finalidade precípua. 


Trazendo a regra geral à hipótese controvertida, pode-se perguntar se é legítimo 
impor ao segurado a realização de determinado procedimento cirúrgico que lhe assegure apenas meia saúde, de forma que ele continue ainda parcialmente convalescente.

A resposta é negativa.

 
Limita-se o exercício do inadmissível de posições jurídicas e que, se levadas à cabo, frustrariam aprópria finalidade do contrato. Por isso, o STJ decidiu reiteradas vezes que “o plano de saúde pode estabelecer quais doenças estão sendo cobertas, mas não que tipo de tratamento está alcançado para a respectiva cura (...) A abusividade da cláusula reside exatamente nesse preciso aspecto, qual seja, não pode o paciente, em razão de cláusula limitativa, ser impedido de receber tratamento com o método mais moderno disponível no momento em que instalada a doença. 

A boa fé é um dos princípios mais importantes da relação contratual A cláusula geral da boa-fé objetiva, adotada pelo código de 2002, não pode ser confundida com o conceito de boa-fé previsto no Código Civil anterior, em que era concebida como estado de desconhecimento (ignorância) sobre determinada situação, valorizando, assim, o elemento subjetivo. Não sabia, logo, estava de boa-fé. 


O art. 422 do Código Civil dispõe que "os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé." 
Com efeito, é patente que a boa-fé de que trata o Código Civil de 2002 é a boa-fé objetiva, que impõe certos deveres às partes contratantes. Constitui, assim, em regra de conduta, um dever, uma obrigação socialmente recomendável. 


Em jurisprudência do STJ, especificamente no Recurso Especial 735168-RJ o tribunal decidiu pela necessidade de aplicabilidade da clausula da boa fé nas relações de consumo, pois este caso tratava-se de uma cirurgia que teria ocorrido antes da vigência do CDC e o contrato de plano de saúde previa a cláusulas para determinado tratamento e o STJ decidiu que : “ Em diversas situações análogas à presente, o STJ vem considerando ser abusiva a cláusula que viola a boa-fé objetiva. A cláusula geral de boa-fé objetiva, implícita em nosso ordenamento antes da vigência do CDC e do CC/2002, mas explicitada a partir desses marcos legislativos, vem sendo entendida como um dever de conduta que impõe lealdade aos contratantes e também como um limite ao exercício abusivo de direitos. 


É justamente nessa função limitativa que a cláusula geral tem importância para a 
presente lide. O direito subjetivo assegurado em contrato não pode ser exercido de forma a subtrair do negócio sua finalidade precípua. 


Trazendo a regra geral à hipótese controvertida, pode-se perguntar se é legítimo 
impor ao segurado a realização de determinado procedimento cirúrgico que lhe assegure apenas meia saúde, de forma que ele continue ainda parcialmente convalescente.

A resposta é negativa.

 
Limita-se o exercício do inadmissível de posições jurídicas e que, se levadas à cabo, frustrariam aprópria finalidade do contrato. Por isso, o STJ decidiu reiteradas vezes que “o plano de saúde pode estabelecer quais doenças estão sendo cobertas, mas não que tipo de tratamento está alcançado para a respectiva cura (...) A abusividade da cláusula reside exatamente nesse preciso aspecto, qual seja, não pode o paciente, em razão de cláusula limitativa, ser impedido de receber tratamento com o método mais moderno disponível no momento em que instalada a doença. 

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