O parafuso de Arquimedes, apesar de ter sido desenvolvido há mais de dois mil anos, permanece como um mecanismo de grande relevância para a engenharia contemporânea. Seu princípio de funcionamento — a elevação de fluidos por meio de um cilindro helicoidal giratório — demonstra como soluções simples, baseadas em fundamentos matemáticos e físicos rigorosos, podem atravessar séculos e continuar eficientes e aplicáveis. Na Engenharia Civil, o conhecimento desse dispositivo é particularmente importante. Sistemas inspirados no parafuso de Arquimedes são utilizados em estações de tratamento de esgoto, drenagem de áreas alagadas, irrigação, transposição de água entre reservatórios e até mesmo em usinas hidrelétricas de pequeno porte para geração de energia por meio de turbinas de baixa queda. Nessas situações, o mecanismo se destaca por sua robustez, baixo custo de manutenção, capacidade de operar com grandes volumes e, principalmente, sua eficiência energética. Além disso, o princípio de funcionamento do parafuso permite lidar com sólidos em suspensão no fluido, o que o torna especialmente útil em obras de saneamento — uma área fundamental da engenharia civil e essencial para o desenvolvimento urbano. Compreender e dominar o funcionamento desse mecanismo é indispensável para profissionais de engenharia porque ele evidencia relações diretas entre matemática aplicada, mecânica dos fluidos e soluções práticas de engenharia. O estudo desse dispositivo favorece a capacidade de projetar sistemas hidráulicos mais eficientes, avaliar soluções para transporte de água em diferentes contextos e compreender como adaptações tecnológicas podem ser desenvolvidas a partir de princípios clássicos. Além disso, conhecer sua história e suas aplicações contemporâneas reforça a importância da inovação baseada em fundamentos científicos sólidos, como aqueles que Galileu Galilei já destacava ao admirar o “maravilhoso e milagroso” funcionamento do mecanismo. Assim, o parafuso de Arquimedes não é apenas um artefato histórico, mas um exemplo vivo de como a engenharia se sustenta em conhecimentos ancestrais para criar soluções modernas, sustentáveis e eficientes. Seu estudo contribui para a formação crítica do engenheiro, ampliando a compreensão sobre o comportamento dos fluidos, a busca por alternativas econômicas e o desenvolvimento de tecnologias adequadas às demandas atuais da sociedade.