Leia: "Num dia frio de inverno, alguns porcos-espinhos resolveram se aglomerar bem próximos uns dos outros para proteger-se do frio com o calor recíproco. No entanto, logo sentiram também os espinhos recíprocos, que os obrigaram a se afastar novamente uns dos outros. Quando então a necessidade de se esquentar voltou a aproximá-los, o segundo mal se repetiu, de modo que ficaram oscilando de um lado para o outro entre os dois sofrimentos, até encontrarem uma distância adequada em que pudessem se manter da melhor forma possível. Sendo assim, a necessidade de viver em sociedade, que nasce do vazio e da monotonia do próprio íntimo, aproxima as pessoas umas das outras. No entanto, suas inúmeras características repulsivas e seus erros insuportáveis voltam a afastá-los. A distância intermediária que, por fim, conseguem encontrar e que possibilita uma coexistência está na cortesia e nas boas maneiras. Àquele que não mantém essa distância, diz-se na Inglaterra: keep your distance! Com ela, a necessidade de calor recíproco é satisfeita de modo incompleto, porém não se sentem os espinhos alheios. Entretanto, quem possui muito calor interno prefere renunciar à sociedade para não provocar nem receber qualquer mal-estar." (Arthur Schopenhauer, A arte de insultar, Ed. Martins Fontes, p. 74-75) A tese que expressa a ideia central do fragmento pode ser sintetizada em: Escolha uma opção: a. Porcos-espinhos são como seres humanos, pois quando se juntam sempre se machucam. b. Viver em sociedade pode ser necessário para alguns, mas isso só funciona se houver equilíbrio, ou seja, se as pessoas encontrarem a distância intermediária. c. A necessidade de viver em sociedade aproxima as pessoas umas das outras e isso é sempre positivo, pois partilham calor, razão pela qual ao erros repulsivos são superados. d. Quem tem calor interno não precisa viver em sociedade.